quarta-feira, dezembro 10, 2008

A História também se faz com erros de cálculo

"Houve vários pontos de viragem; houve muitos momentos em que o carácter da História foi patente. Correu assim, mas bastava uma seta ter batido um palmo mais para o lado e tudo podia ter sido diferente".
Luís Miguel Duarte - "Aljubarrota, Crónica dos Anos de Brasa"


Heisenberg é um actualmente um dos "monstros sagrados" da Física, tendo o seu nome directamente associado à Física Quântica, um dos ramos maiores desta ciência. Trata-se de um vulto incontornável cujo nome é hoje referenciado de forma obrigatória e com natural admiração. Contudo, há alguns aspectos menos conhecidos da vida de Heisenberg, como por exemplo o facto de ter sido um eminente cientista ao serviço do regime nazi durante a II Guerra Mundial e ainda o facto de ter mudado o rumo da História... devido a um erro de cálculo matemático.

Regressado à Alemanha cerca de um mês antes do eclodir do conflito Mundial, Heisenberg, um profundo nacionalista, foi recrutado pelo governo nazi para trabalhar, ao lado de outros nomes conhecidos como Geiger, no desenvolvimento da tecnologia nuclear alemã, tendo como objectivo último a produção de uma bomba atómica, objectivo então já teoricamente tido como alcançável.

Contudo, por volta de 1942 e após aturados estudos, o grupo de investigação liderado por Heisenberg chegou à conclusão que, para produzir a reacção em cadeia pretendida, seriam necessárias várias toneladas de urânio. A massa exigida tornava inviável a criação de uma bomba, até porque tal quantidade de urânio era impossível de obter, e o projecto foi redireccionado para a criação de um reactor de produção de energia, isto porque a Alemanha parecia já na iminência de vencer a Guerra.

Infelizmente para Heisenberg, a maré cedo virou e em 1945, quando a sorte das armas era já irreversível, ele foi capturado juntamente com muitos outros cientistas alemães e foi levado para Inglaterra onde esteve preso.

Foi então que teve conhecimento do lançamento das tristemente célebres bombas de Hiroshima e Nagasaki e a sua recção foi a esperada: recusou-se a acreditar que fossem bombas atómicas e atribuiu a notícia a uma manobra de propaganda e deturpação americana.

Quando finalmente teve de se render às evidências, Heisenberg refez os seus cálculos e constatou que tinha efectivamente cometido um erro. A massa de urânio necessária era de apenas algumas dezenas de quilogramas.

O mais curioso foi que, após esta constatação, Heisenberg, em conjunto com os outros cientistas alemães, lançou um comunicado no qual afirmava que o suposto erro não havia sido mais que uma forma propositada de evitar que Hitler tivesse acesso a esta arma de destruição maciça.

A dúvida permaneceu até 1992, ano em que foram desclassificados os documentos secretos relativos à vigilância a que haviam sido sujeitos os cientistas alemães e nos quais se referia a forma como Heisenberg tinha tido de engolir o seu orgulho e retratar-se perante os seus colegas subordinados, admitindo o erro cometido.

Imagem Wikipédia

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Subsídio de Fim-de-Semana

Já diz o ditado: "Se um fim-de-semana prolongado agrada a muita gente, dois fins-de-semana prolongados agradam a muito mais". Contudo, este perspectivava-se mais calmo, tendo em conta o facto infeliz de termos tido de adiar a viagem a Gibraltar e o programa alternativo, uma incursão a Penedono (a escolha lógica para quem não vai a Gibraltar e precisa de um programa alternativo), também ter sido anulado devido às condições climatéricas.




Estavamos já preparados para um fim-de-semana de completa inactividade, capaz de rivalizar com o mais paralítico ser do reino vegetal quando, na sexta-feira, o Sr Carteiro surge, qual Frodo Baggins, portando o precioso cheque do Google AdSense. Trata-se do resultado periódico da adesão deste blog ao referido serviço, aliás visível na publicidade que aqui se encontra (para esclarecer dúvidas ler Política de Privacidade).


Perante esta súbita injecção de capital, as perspectivas relativamente a actividades de fim-de-semana tornaram-se subitamente amplas. Obviamente que, desde a primeira hora, a ideia principal foi desde logo organizar uma mega-jantarada mas a ideia de um conjunto de actividades meramente de cunho mundano e de exercício da gula desagradava um bocado.

Por isso, procurando dar um "je ne sais quoi" de cultura ao fim-de-semana, decidimos ir assistir ao Concerto da Orquestra Sinfónica da ESART no Cine-Teatro de Castelo Branco, magistralmente dirigido pelo nosso já conhecido camarada Martin André.


Ficámos de tal modo impressionados pelo concerto, devidamente enquadrado pelos sons oriundos de um folheto mal dobrado que uma senhora insistia em usar vigorosamente como leque e que a cada passagem lhe raspava na manga, que lançámos o repto mútuo de ir assistir a novo concerto ainda nesse mesmo fim-de-semana.


Analisadas as possibilidades e ainda recorrendo ao grande Zé, profundo conhecedor do panorama musical em curso e que sabe reconhecer o apreciador de música que há em cada um, a escolha recaiu no Sábado nos Arbórea, um interessante dueto do Maine com uma música que alterna entre o folk e o espiritualismo que actuou na Moagem.



No Domingo cumpriu-se finalmente o propósito de todas estas manobras de diversão: a mega-jantarada que se reuniu sob o pretexto de assinalar a inclusão do título de "Sra Dra" na correspondência da Nelly e, ao mesmo tempo, de reunir um apreciável conjunto de cobaias para o exercício da experimentação culinária do proprietário do Blog. O momento alto não foi o visionamento da película "O Panda do Kung-Fu" mas sim a dúvida que durante largos minutos se colocou perante uma das decorações das magnificamente saborosas entradas do repasto: o bicho que abocanha a folha de couve é um golfinho ou um pato?

sexta-feira, dezembro 05, 2008

E as obras públicas, senhor?

Este fabuloso instantâneo, obtido em 2005, que pedi emprestado ali ao Blog da Carpinteira retrata bem a angústia da população de um Portugal Profundo que, na iminência de tempo de eleições, faz questão de chamar a atenção para o eterno problema das acessibilidades.

Um verdadeiro hino à determinação do povo e, já agora, ao Acordo Ortográfico. O certo é que o pedido chegou a quem devia chegar e a estrada foi mesmo repavimentada. 

Com isto, consigo pensar facilmente em 5 ou 6 locais onde ficaria bem um cartaz do género...

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Finalmente!

Hoje é um dia feliz!
Passados 5 anos e uns pozinhos fui defender a tese, etapa que me faltava para terminar a licenciatura. Depois de 30 minutos de uma exposição oral brilhante (!) fui bombardeada por inúmeras questões de um membro do júri de avaliação, que, juro, durou mais que a apresentação do trabalho!...Mas no final renderam-se!

Agora vou poder dedicar-me ao trabalho a 100%, sem mais preocupações.
É que eu, além de adorar o que faço, até sou remunerada por isso! Não é fantástico?! É que há pessoas neste blog que não podem dizer o mesmo! A sorte que eu tenho em não trabalhar para o Estado...

P.S.: Obrigada a todos pelas respostas aos questionários e obrigada a alguém pelas palavras de incentivo e optimismo que deixou gravadas no meu telemóvel minutos antes do grande momento.Gosto de ti nusco!Muito!

1500 euros para quem der ao filho o nome próprio de Mussolini

«Chamar a um recém-nascido Benito, pode valer 1500 euros. Pelo menos é o que o partido neofascista italiano MSI-Fiamma Tricolore quer oferecer à população de cinco aldeias da região de Basilicata, no sul de Itália.

O partido de extrema-direita MSI-Fiamma Tricolore justifica a intenção de "ressuscitar" o nome próprio de Mussolini com o problema do despovoamento da região, querendo incentivar a natalidade, noticia o site do jornal italiano La Repubblica.

Mas o verdadeiro motivo da oferta prende-se com o eminente desaparecimento dos nomes Benito e Rachele da sociedade italiana, nomes próprios do ditador Mussolini e da sua mulher. Após a Segunda Guerra Mundial, os pais italianos passaram a deixar estes nomes de lado com receio da conotação ao casal fascista. Mas, para o secretário regional do partido, usar estes nomes serve para “honrar as raízes profundas do partido".

A oferta deverá entrar em vigor em 2009 e o dinheiro deve ser usado pelos pais unicamente para comprar roupa, berços e comida aos bebés.»


- in Jornal de Noticias


Numa altura em que nos bancos dos jardins ao domingo à tarde: "Se o Salazar voltasse é que era", penso que quando dermos por nós temos os putos todos a chamarem-se Salazar e Marcelo Caetano e afins. Eu acho isto tudo muito positivo, porque já não há pachorra para a nova vaga de Cristianos Ronaldos e MikaEIS que proliferaram como cogumelos na sociedade portuguesa nos ultimos anos (vá lá entender-se o porquê...) e, porque umas coroas extra na conta bancária dão sempre muito jeito mas, "A word of caution to this tale" Numa altura em que tudo vale para recuperar ideologias perdidas e que, cada vez mais, se ouve, convém contar que as criancinhas correm desde cedo o sério risco de estarem constantemente a cair da cadeira abaixo e de se tornarem despotas na altura de comer aquela mistela verde a que os pais chamam de sopa. Dizem que o nome dita a personalidade e é meu dever cívico alertar para estes pequenos pormenores... ;)

(I)mobilidade


Vai uma aposta em como, se o proprietário efectivamente possuir um automóvel, este já não sai da garagem há algum tempo?

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Perguntitas curiosas...

"Os meus depósitos bancários estarão mais seguros no Banco Alimentar?"

"Se um cheque meu vier devolvido por falta de provisão, isso refere-se a mim ou a vocês?"

"Dê-me o niblio da minha conta para entregar na Segurança Social e receber os ratrives da minha pensão, sff."
Tradução: niblio = NIB; ratrives = retroactivos


Ser funcionária bancária é bastante...que dizer...divertido!

Frase do dia

"Um banco pode enganar auditores, camuflar prejuízos, inventar sociedades, e eu não posso comer um melão menos oval?"

By Migas

Orgulho!

O dia de ontem valeu pelo fantástico espectáculo que foi proporcionado à delegação deste blog que se deslocou à Sé de Lisboa para assistir à interpretação do Messias, de Handel, tendo como um dos protagonistas o Coro da AMVC. É difícil explicar por palavras o orgulho que senti ao ver a Ana fazer parte de tudo aquilo (eu continuo a dizer que é ela quem canta melhor no meio daquele grupo) mas o sentimento é algo indesmentível e incontornável.

Ouvir aquele oratório fez valer a pena todas as atribulações que esta delegação passou ao longo do dia, nomeadamente:

1 - O intenso frio, quase polar, que nos acompanhou até à estação da CP do Fundão;

2 - A sonoplastia que durante parte da viagem foi debitada por um cavalheiro de idade respeitável que ressonava como se fosse um cluster de motores de rega;

3 - A chuva que nos esperava em Lisboa como se estivesse a censurar-nos por não termos levados impermeáveis ou guarda-chuva;

4 - A falta de combustível que afectou o veículo de certas e determinadas pessoas desta delegação em plena 2ª Circular (quem diria que o veículo precisava de gasóleo ao fim de algum tempo de circulação? Há aspectos da tecnologia da motorização que são difíceis de compreender);

5 - O cavalheiro portando duas muletas que nos solicitou um donativo de exactamente 2 euros ali para os lados do Limoeiro, fazendo uso de um perfeito espanhol e italiano e que perante a nossa recusa (não foi bem recusa, foi mais impossibilidade visto que só possuíamos 1,5 euros no bolso) nos brindou com uma bem portuguesa expressão que nos declarava como sendo filhos de uma prostituta de porte apreciável;

6 - As senhoras em tudo similares a obras imperfeitas da Madame Tussaud, sentadas exactamente atrás de nós e que durante o concerto dissertaram sobre temas tão fascinantes como uma referiu: o facto de ser incapaz de despedir a competente da sua funcionária doméstica por esta adorar os seus gatos e os seus gatos adorarem a dita funcionária.

Valeu a pena e isso é que conta!

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Fundão encorreu mais uma vez os espanhóis

Como acontece todos os anos, à meia-noite de 30 de Novembro para 1 de Dezembro, o Fundão saiu à rua para comemorar a restauração da independência de Portugal de 1640, "encorrer os espanhóis" como lhe chamam por cá.

Cumprindo a tradição, a população começou a concentrar-se frente à Câmara Municipal, envergando bandeiras sobretudo monárquicas (um curioso paradoxo), e acompanhadas por uma banda de música. Nem o frio intenso demoveu as pessoas que, após as 12 badaladas e o ligar oficial da iluminação natalícia da cidade, entoaram em uníssono o Hino da Restauração, saindo depois em arruada atrás da banda pelas ruas da cidade.

Ano após ano, esta é uma tradição que parece ganhar força, recordando uma data da história nacional que contudo, a cada dia que passa, se me aparenta cada vez menos benéfica para Portugal. Bom, afinal, a restauração da independência aconteceu porque o rei espanhol ousou diminuir os privilégios da nobreza portuguesa e para o povo tudo continuou na mesma, mas isso são contas de outro rosário.

É curiosa esta tradição fundanense de recordação desta efeméride, tal como é a arruada que todos os anos acontece à meia-noite de 24 para 25 de Abril, recordando a Revolução dos Cravos.










Para saber mais sobre a arruada e o Hino da Restauração:

O Andarilho
Pedaços de Alcongosta
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...