sexta-feira, novembro 28, 2008

... e voltando à questão da ortografia...

... recebi ontem pela manhã o magnífico SMS que se segue:


"Qual é a pace ord? Rpd!"

Após alguma reflexão, consegui concluir que se tratava de alguém que precisava de uma password com alguma urgência.

Ai língua portuguesa, essa dama tão mal amada...

quarta-feira, novembro 26, 2008

Tudo sobre como obter um passeio de gôndola "low cost" que é tão bom como os outros

Antes que comecem a elaborar pensamentos menos próprios a meu respeito, acerca desta minha obsessão com Itália (a propósito, ver aqui, aqui, aqui e aqui) e de não ter outro assunto para postar senão este, deixem-me que vos diga que o faço apenas por um motivo: o Caetano está stressado. É nestas alturas que os contribuidores devem tomar as rédeas do bloguinho e, num profundo acto de coragem, valha-nos Ele, (tentar) contribuir com uma “posta” do Katano. Ora vamos lá…


Um gondoleiro aparentemente quase stressado.


Ser gondoleiro em Veneza não deve ser mesmo nada fácil. Para já, o dia começa bem cedo, mal chegam os primeiros turistas na calma da manhã, desejosos de aproveitar bem o dia. O pobre do gondoleiro, com pouco tempo para tomar o seu cappuccino (ou será que é só para turistas?) e ler o seu jornal, é forçado a fazê-lo já no seu local de trabalho. O congestionamento dos canais é frequente, o que obriga o gondoleiro a cumprir as regras de circulação tal como se de uma estrada se tratasse.

Não, não é montagem, o sinal de sentido proíbido está mesmo lá.

Aquilo são 5 pessoas dentro de uma gôndola? Bem que podiam ter arranjado mais alguém...


Faça chuva ou faça sol, lá está ele a perseguir o turista que, com a crise mundial instalada, anda ainda mais esquivo… A abordagem é uma arte trabalhada ao pormenor, desde o traje envergado com um estilo muito próprio, ao charme lançado num olhar acompanhado de um belo sorriso. Herdou dos seus antepassados a licença de gondoleiro (caso contrário, teria de a comprar por 700 mil a um milhão de euros), mas a lábia para o negócio… essa aprendeu-a com a experiência. E não há nada como umas palavras em italiano dirigidas às turistas mais incautas! – certamente foi isto que pensou o tal gondoleiro que abordei em Veneza, por mera curiosidade.

Gondoleiro de fita azul (claramente inexperiente): má postura, braços cruzados, óculos graduados e... onde é que estão as fitas pendentes? ERRADO!

Gondoleiro de fita vermelha (o expert): óculos de sol, gola levantada, mãos nos bolsos, postura elegante. CORRECTO!


Ao passar por estes genuínos espécimes, fui dominada por uma súbita questão existencial: “Quanto será que custa um passeio de gôndola?” Sem cantorias nem pôr-do-sol é claro, pois isso com certeza custaria muito mais caro. Sem papas na língua e num italiano incipiente, depois de ter captado este instantâneo em que o dito tentava uma aproximação à ragazza que passava, abordei o gondoleiro da fita vermelha (ups! inverti os papéis…) com a pertinente pergunta.

Após um sorriso motivado pela perspectiva de negócio, lançou, sob o olhar atento do companheiro: “90 euros”. Perguntei: “Por quanto tempo?” Após alguns rodeios e troca de argumentos com o companheiro, alegando que isso dependia de muitos factores, respondeu: “Cerca de 40 minutos”. Com um sincero ar de incredulidade que não fiz questão em esconder, afirmei que era caro, agradeci e virei costas.

Acompanhem-me neste pensamento: se um gondoleiro ganhar 90 euros por viagem (já sem contar que ganha quase o dobro se esta for acompanhada por uma musiquinha ao pôr-do-sol) e no final do dia tiver feito 6 viagens (o que não é muito, para a procura turística que existe), no final de uma semana laboral de 5 dias já ganhou 2700 euros. No fim do mês terá ganho mais de 12 mil euros!!

Não passaram 5 segundos, já o tinha a chamar por mim, perseguindo-me: “Signorina, signorina!”. Perguntou se a viagem era com o meu namorado, se queríamos uma viagem mais curta (logo, mais barata), blá blá blá… Mas ao reparar que eu estava em grupo, sugeriu uma viagem para 6 pessoas pela módica quantia de… 60 euros! Calculo que passear com seis pessoas numa gôndola seja uma experiência inesquecível mas, ainda que o bilhete individual custasse agora apenas 10 euros, mais uma vez recusei. Num arremate desesperado, lançou a sua última promoção: “São estudantes?” (nota-se assim tanto??) “Para estudantes, faço uma viagem para duas pessoas por 10 euros cada.”

Com uma expressão de maior espanto no rosto pois, sem qualquer interesse, havia conseguido um passeio de gôndola “low cost”, agarrei-me à promessa que havia feito ao Caetano e aos euros que me restavam para investir em souvenirs, e vim embora.


P.s. - Para terem uma noção da generosidade do senhor, 9 euros é quanto custa uma viagem de vaporetto (uma espécie de autocarro) pelo Grande Canal...

Stress...

O proprietário deste blog tem andado tão atarefado quem não tem tido tempo para mandar aqui umas "postas".

Aliás, pensando bem, tem andado a trabalhar tanto que nem sequer tem tempo para ganhar dinheiro.

Voltamos já.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Árvore de Natal ou Árvore Travesti?


A P.I.L.A., Pessoas pela Independência e Libertação das Árvores, acaba de lançar n'A Funda São uma campanha que visa acabar com uma prática sazonal que, segundo eles, consiste em transvestir os nobres pinheiros por esta altura do ano, fazendo deles uma espécie de Elton John arborícola.

Sem dúvida uma causa a ter em conta e a constatação de mais uma vertente do drama anual das árvores coníferas que agora se inicia.

sábado, novembro 22, 2008

Incêndio em Novembro II


Aparentemente o senhor pirómano deveria estar por perto quando se extinguiu o primeiro foco e, evidentemente triste por ter visto atitudes de pessoas sem respeito pela sua genial "obra de arte", decidiu acender uma nova frente a menos de 1km do primeiro.

Felizmente os meios foram rápidos a acorrer e em pouco mais de 2h o fogo foi extinto, apesar do vento fortíssimo que fazia com que as chamas se espraiassem quase na horizontal (a razão essencial da ligeira queimadura-escaldão na minha testa).

Para concluir, não posso deixar de dar uma palavra de agradecimento e de elogio aos bombeiros que são muitas vezes alvo de críticas injustas sem sentido. Enormes!

Quanto ao Vale, ainda não foi desta... 

Incêndio em Novembro



Se havia coisa que não esperava, não só num Sábado à tarde mas também nesta altura do ano, era receber um telefonema alertando-me para a deflagração de um incêndio junto a Vale d'Urso.

Felizmente, à semelhança de outras ocasiões, a população soube reagir e, com a preciosa ajuda dos bombeiros, depressa o incêndio foi controlado.

Custa-me imenso compreender as motivações destes animais, que não se importam com a propriedade alheia e decidem, simplesmente porque devem achar bonito, atear o fogo tão próximo de uma povoação. Obviamente que é difícil encontrar os responsáveis pelo acto mas, o conjunto de pistas que foi possível perceber nos arredores apontam para os "machos de moto 4".

Resta saber até quando a lei irá continuar a ser branda com os pirómanos e, por outro lado, até quando continuaremos a ter de suportar o "civismo" muito particular de alguns indivíduos que se pensam reis e senhores de tudo o que é trilho?

(...)

Ok acabo de receber mais um telefonema. Até logo.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Alguém quer uma dose de Omoltmuskrooms?

Ali para os lados de Belém, há um simpático restaurante que, com uma hospitalidade inigualável que se percebe apesar do ar grave e altivo dos seus funcionários, serve os mais variados pratos apresentados nas mais variadas línguas.

Trata-se contudo de um restaurante que emprega, na elaboração das suas ementas, uma linguagem que desafia a lógica e cujas origens se situam numa época onde ainda não se falava de Acordo Ortográfico e o inglês, o francês, o alemão e o italiano eram basicamente a mesma língua incompreensível.

Ao consultar esta ementa fui acometido de um misto de nostalgia e apetite súbito. Dei por mim a divagar e a pensar em como seria bom poder estar ali a mirar o Tejo, confortavelmente instalado naquela esplanada, e degustando uma saborosa Omoltmuskrooms, uma untuosa Panade Crevett ou um cremoso Freid Steak Crem, qualquer um deles precedido por uma fresquíssima Tomato Sald... *suspiro*. 

Alguém consegue ler a ementa sem ficar com fome?

quarta-feira, novembro 19, 2008

Liquid Smoking


No momento em que governos, ONG's e o humilde consumidor tentam arranjar alternativas para controlar o vício tabagístico, surge na Holanda um novo produto para, segundo a empresa fabricante United Drinks, substituir e/ou eliminar a necessidade de fumar e para permitir satisfazer o fumador em locais públicos em que seja vedado o acesso a fumadores.
A bebida, que será comercializada em latas de 275ml e custará aproximadamente 1,85€, tem já encomendas em 43 países (sendo Portugal um deles) e preve-se chegar às lojas já em 2009. É fabricada através do extrato de ervas oriundas da África do Sul, um efeito estimulante seguido de sensação de relaxamento e, segundo a empresa não contém nicotina, não se assemelha a nenhuma das bebidas energéticas existentes e, cada lata, contem apenas 20 calorias. Só vantagens portanto... Até ao momento nenhum dos estudos clínicos efectuados indica que a bebida possa ter perigos para a saúde pública, mas todos eles foram encomendados pela empresa fabricante e, que me lembre, nenhum dos estudos encomendados pela industria tabaqueira indicava consequências directas do tabaco para o cancro do pulmão. Isto numa altura em que se estima que até 2020 até 10 milhões de pessoas morrerão vitimas de problemas causados pelo tabaco.

Não vou emitir opiniões pessoais, simplesmente achei a noticia curiosa e cortei-a logo da revista para poder partilhar convosco. Achei curioso porque, automaticamente, me ocorreu que não estaremos muito longe do dia em que a realidade da familia Jetson (n sei se sem lembram dos desenhos animados) passará a ser a nossa. Fumamos em lata, comemos por comprimidos e, quiça, um destes dias possamos teleportar-nos do ponto A para o ponto B, o q, com o preço a que está o combustível, me parece mais atractivo a cada dia que passa.

Secadeiras na última edição da "Piedras con raíces"



Já foi publicada a edição nº23 do Outono de 2008 da revista de arquitectura tradicional Piedras con Raíces, publicada pela ARTE, Asociación por la Arquitectura Rural Tradicional de Extremadura, sedeada em Cáceres. Nesta revista vem incluído o artigo sobre as Secadeiras da Serra da Gardunha que havia elaborado em Agosto último.

Esta revista foi o pretexto para uma deslocação a Valência de Alcântara para um encontro com José Galindo, co-director da revista, com o qual tivemos uma interessantíssima conversa. Extremenho por convicção, defende que não é espanhol pois identifica-se mais com Portugal do que com Espanha, Galindo é um acérrimo defensor da arquitectura tradicional da região da raia, tendo realizado estudos nos dois lados da fronteira.

Ficou desde já acertada uma nova colaboração com a revista no sentido da publicação de um trabalho sobre os moinhos da ribeira de Vale d'Urso e Gardunha.
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