quinta-feira, novembro 20, 2008

Alguém quer uma dose de Omoltmuskrooms?

Ali para os lados de Belém, há um simpático restaurante que, com uma hospitalidade inigualável que se percebe apesar do ar grave e altivo dos seus funcionários, serve os mais variados pratos apresentados nas mais variadas línguas.

Trata-se contudo de um restaurante que emprega, na elaboração das suas ementas, uma linguagem que desafia a lógica e cujas origens se situam numa época onde ainda não se falava de Acordo Ortográfico e o inglês, o francês, o alemão e o italiano eram basicamente a mesma língua incompreensível.

Ao consultar esta ementa fui acometido de um misto de nostalgia e apetite súbito. Dei por mim a divagar e a pensar em como seria bom poder estar ali a mirar o Tejo, confortavelmente instalado naquela esplanada, e degustando uma saborosa Omoltmuskrooms, uma untuosa Panade Crevett ou um cremoso Freid Steak Crem, qualquer um deles precedido por uma fresquíssima Tomato Sald... *suspiro*. 

Alguém consegue ler a ementa sem ficar com fome?

quarta-feira, novembro 19, 2008

Liquid Smoking


No momento em que governos, ONG's e o humilde consumidor tentam arranjar alternativas para controlar o vício tabagístico, surge na Holanda um novo produto para, segundo a empresa fabricante United Drinks, substituir e/ou eliminar a necessidade de fumar e para permitir satisfazer o fumador em locais públicos em que seja vedado o acesso a fumadores.
A bebida, que será comercializada em latas de 275ml e custará aproximadamente 1,85€, tem já encomendas em 43 países (sendo Portugal um deles) e preve-se chegar às lojas já em 2009. É fabricada através do extrato de ervas oriundas da África do Sul, um efeito estimulante seguido de sensação de relaxamento e, segundo a empresa não contém nicotina, não se assemelha a nenhuma das bebidas energéticas existentes e, cada lata, contem apenas 20 calorias. Só vantagens portanto... Até ao momento nenhum dos estudos clínicos efectuados indica que a bebida possa ter perigos para a saúde pública, mas todos eles foram encomendados pela empresa fabricante e, que me lembre, nenhum dos estudos encomendados pela industria tabaqueira indicava consequências directas do tabaco para o cancro do pulmão. Isto numa altura em que se estima que até 2020 até 10 milhões de pessoas morrerão vitimas de problemas causados pelo tabaco.

Não vou emitir opiniões pessoais, simplesmente achei a noticia curiosa e cortei-a logo da revista para poder partilhar convosco. Achei curioso porque, automaticamente, me ocorreu que não estaremos muito longe do dia em que a realidade da familia Jetson (n sei se sem lembram dos desenhos animados) passará a ser a nossa. Fumamos em lata, comemos por comprimidos e, quiça, um destes dias possamos teleportar-nos do ponto A para o ponto B, o q, com o preço a que está o combustível, me parece mais atractivo a cada dia que passa.

Secadeiras na última edição da "Piedras con raíces"



Já foi publicada a edição nº23 do Outono de 2008 da revista de arquitectura tradicional Piedras con Raíces, publicada pela ARTE, Asociación por la Arquitectura Rural Tradicional de Extremadura, sedeada em Cáceres. Nesta revista vem incluído o artigo sobre as Secadeiras da Serra da Gardunha que havia elaborado em Agosto último.

Esta revista foi o pretexto para uma deslocação a Valência de Alcântara para um encontro com José Galindo, co-director da revista, com o qual tivemos uma interessantíssima conversa. Extremenho por convicção, defende que não é espanhol pois identifica-se mais com Portugal do que com Espanha, Galindo é um acérrimo defensor da arquitectura tradicional da região da raia, tendo realizado estudos nos dois lados da fronteira.

Ficou desde já acertada uma nova colaboração com a revista no sentido da publicação de um trabalho sobre os moinhos da ribeira de Vale d'Urso e Gardunha.

terça-feira, novembro 18, 2008

Memórias do Vale II: Conclusão

A pedido de várias famílias, cá ficam as últimas fotos da exposição, mais uma vez da autoria do grande fotógrafo Xamane.

O espaço onde foi montado o cenário


Uma hora mais calminha de visitas



A abertura da exposição



Dia 2, alguns patrocinadores apareceram para visitar o espaço

"Gerações"

Memórias do Vale II: Mais algumas imagens





Mais algumas imagens, estas da autoria do fotógrafo oficial da exposição, que ilustram a forma como o cenário estava montado.

Modéstia à parte, creio que o cenário foi muito bem conseguido, contudo, a sua concretização nunca teria sido possível sem uma valorosa equipa de voluntários que, em apenas uma noite, transformou uma sala incaracterística num ambiente que surpreendeu tudo e todos.

Como recompensa, o director técnico dos trabalhos, surpreendeu a equipa de trabalho com um original repasto nocturno, digno de um gourmet, facto que levou muitos a afirmar "Esta é a melhor ceia que já alguma vez comi no decurso de trabalhos de montagem de exposições sobre os equipamentos comunitários da economia rural dos sécs XIX e XX e sobre o Ensino Primário sob a Égide do Estado Novo".

segunda-feira, novembro 17, 2008

Memórias do Vale II: O poder das câmaras


Tendo em conta que a exposição decorreu no âmbito da Festa da Castanha do Souto da Casa, aproveitámos um momento de pouca afluência para ir observar como decorriam as coisas no recinto das barraquinhas e onde ia também decorrer o magusto.

Depois de alguns momentos de convívio, onde houve tempo para provar uma tão excelente quanto "perigosa" jeropiga, encetámos o caminho de regresso ao espaço onde estava instalada a exposição.

Na palhaçada, o Pepe ía ao meu lado tirando fotografias enquanto , à nossa frente, seguia o grande realizador Alex com a sua implacável câmara de filmar apontada para nós.

A dado instante, perante tal aparato e, talvez também influenciado pela minha roupa mais formal, um popular completamente desconhecido que ali se encontrava, dirigiu-se para mim e, apertando-me efusivamente a mão, saudou-me dirigindo-me palavras de boas vindas ao Souto da Casa.

Por instantes, senti-me tentando a pedir-lhe que votasse em mim nas próximas autárquicas...

Interlúdio

Entre uma aula de Prolog e uma rápida incursão para devolver as alcatifas da exposição, tive oportunidade de assistir a parte do noticiário das 13h.

A notícia era sobre (mais) uma manifestação de estudantes do secundário que, furiosamente, marchavam pela rua em protesto contra o novo estatuto do estudante, especificamente contra o novo regime de faltas.

Não sei bem porquê, talvez por malícia jornalística, os "espécimes" que fazem declarações para a comunicação social são sempre escolhidos a dedo e esta reportagem não fugiu à regra.

Um dos indignados estudantes, espalhando perdigotos como se de uma praga se tratasse, expôs as suas reivindicações pessoais:

-"As faltas está mal! A Ministra não nos quer deixar faltar mas nós somos jovens e precisamos das faltas!"

Pelo aspecto e pela forma como falava, creio que não restaram muitas dúvidas acerca do motivo pelo qual o jovem estudante iria precisar de faltar de vez em quando.

Qual é a credibilidade que os estudantes podem ter quando nem eles próprios sabem bem o que estão ali a fazer no meio da manifestação? Ao menos desta vez não desperdiçaram ovos...

Não posso deixar de ficar preocupado com o futuro do país...

domingo, novembro 16, 2008

Memórias do Vale II: Primeiras imagens


Aí estão as primeira imagens da exposição. Infelizmente, dada a velocidade de transmissão no local, não será possível fazer a emissão ao vivo de vídeo como estava inicialmente previsto. 

Serão aqui colocadas mais imagens à medida que forem chegando à redacção.

sábado, novembro 15, 2008

Veneza, a cidade flutuante (parte II)

Passeggiando...

Chegar à Praça de S. Marcos, depois de uma viagem de vaporetto (o barco que, numa cidade sem carros nem estradas, é equiparável ao autocarro) ou de gôndola (para os mais afortunados) pelo Grande Canal, é mergulhar numa atmosfera oriental única e distinta de qualquer outra parte da Europa. São inúmeros os focos apelativos desta sala de visitas da cidade, desde as esplanadas onde um dispendioso capuccino pode ser saboreado ao som de música clássica interpretada ao vivo, até aos monumentos que a preenchem: o Palácio dos Dodges (na piazzetta), o Campanile, o relógio astronómico do século XV e a basílica de S. Marcos.


Símbolo da cidade, a basílica recebeu o nome do apóstolo cujas relíquias a enriqueceram, numa rivalidade política com Roma, que guardava as relíquias de S. Pedro. Reza a lenda que as relíquias de S. Marcos foram resgatadas da Alexandria, onde estava sepultado, pelos mercadores de Veneza que a esconderam no meio de carne de porco para evitar a inspecção pelos muçulmanos. Ela é, sem dúvida, a igreja mais rica que conheci até hoje, finamente decorada no seu interior com requintados mármores, tapeteada de coloridos mosaicos e ostentando cúpulas cobertas de ouro que lhe conferem um brilho único conforme a luz do sol que é reflectida. Porém, é perturbante observar o lento afundar de toda a beleza no chão tortuoso e aluído e nas inundações que ali ocorrem com alguma frequência, tendo eu presenciado uma quando ali estive em 2006.


Os cavalos que actualmente figuram na balaustrada acima da entrada na basílica de S. Marcos são cópias dos originais que os venezianos trouxeram como troféu de guerra de Constantinopla em 1204, e que terão origem grega (séc. IV ou III a.C.) ou latina (séc. IV d.C.). Quando Napoleão conquistou a cidade também os levou para Paris como troféu de guerra mas, com melhor sorte que Constantinopla, estes foram devolvidos a Veneza.


Para conhecer a essência da Sereníssima, é preciso percorrê-la sem destino pelas ruelas estreitas e cruzando os canais de ponte em ponte. São 177 canais cruzados por 446 pontes que ligam uma cidade formada por 117 ilhas. A ponte mais famosa e uma das três que atravessam o Grande Canal é a Ponte Rialto, que tem a particularidade de fazer parte de uma zona comercial e por isso ser ladeada por estabelecimentos comerciais. Isso mesmo, em plena ponte! Aqui as máscaras e os chapéus “made in China” podem ser adquiridos a baixo preço, comparativamente ao praticado nas lojas que vendem os produtos oficiais, e há uma enorme variedade de pasta com a única finalidade de ser vendida a turistas. O ponto negativo da cidade é, sem dúvida, este “lixo turístico”.


É impressionante o número de pessoas que aqui se encontram a todo o momento, em circulação entre as margens do canal ou a tirar fotografias com o Grande Canal como fundo, uma imagem já muito conhecida.
Entre palácios, museus e cerca de uma centena de igrejas, há muito para conhecer que seria impossível relatar aqui, para além de não ser essa a finalidade desta posta. Que estes instantâneos vos deixem a curiosidade aguçada para talvez um dia partirem à descoberta da mítica cidade da laguna.

Contagem descrescente

Faltam praticamente 8h30 para a inauguração da exposição e ainda há alguns pormenores a terminar. Depois de algumas horas a organizar o espaço, está na hora de ir dormir num instante para daqui a bocado voltar ao ataque. Vou procurar introduzir aqui informação ao longo do evento, não em tempo real, mas com alguma frequência e, em princípio, no Domingo haverá vídeo-transmissão on-line.

Até já!

PS - Visconde, está quase a ser publicada a 2ª parte do artigo da Ana, artigo esse que estava agendado há já algum tempo. Só estou a avisar para matar à nascença certos e determinados comentários insidiosos :P
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