sexta-feira, novembro 14, 2008

Aparentemente, o melhor blog da categoria Pessoal

Com todo o stress e trabalho de preparação para a exposição, nem tive bem tempo de assimilar esta vitória mas, sinceramente, creio que vou optar por não assimilar agora pois amanhã tenho de me levantar bem cedo.

Vencer na categoria "Blog pessoal" é algo paradoxal se tivermos em conta que, como diz a Juanita, um blog pessoal é uma expressão de narcisismo e, neste caso particular, estaremos perante uma situação em que o narcisismo é recompensado. Gosto no entanto de pensar que consigo evitar, pelo menos de forma consciente, incorrer por essa via embora por vezes possa não o parecer.

Este blog é uma expressão do que me rodeia. Gosto de partilhar aquilo que me preocupa e aquilo que me anima e também gosto de aproveitar para divulgar um pouco dos temas que considero fascinantes mas que, obviamente, outros poderão achar enfadonhos. Contudo, há algo que bate tudo em termos de motivação e que é imaginar que, em certos artigos, alguém irá rir ao lê-lo (estou a falar daqueles cujo objectivo é terem piada, claro). Foi esse o meu objectivo primordial em Maio de 2005: criar um espaço de referência para os meus amigos onde eles pudessem divertir-se. Fi-lo praticamente em conjunto com a Cathy que agora criou os seus próprios espaços (aqui e aqui) que aconselho vivamente a quem queira admirar as opiniões e trabalhos de uma designer que admiro particularmente.

O blog cresceu e este prémio é mais uma etapa nesse percurso, acarretando mais responsabilidade e motivação e isto serve já de mote para a resposta ao comentário do meu caro Luís: vou... aliás, vamos continuar a escrever aqui, com maior ou menor inspiração, mas sempre com a mesma linha editorial sem sentido! Quanto à escolha do prémio, creio que vou concretizar o meu velho sonho de criança desde que uma vez vi um anúncio da Ariston na televisão a preto e branco do meu avô: ter uma máquina de lavar loiça. O resto logo se vê.

Para terminar quero agradecer sinceramente a todos aqueles que regularmente passam por este espaço, independentemente de deixarem ou não comentário (as estatísticas de visita dizem-me que vocês estão desse lado) mas, porque a minha consciência a isso obriga, quero agradecer especialmente aos leitores que não se coibem de deixar aqui as suas sentenças, fomentando uma interessante partilha de opiniões (às vezes, vá!). Já agora, também um sentido agradecimento a todos os que se deram ao trabalho de votar neste blog na primeira fase! Foram fantásticos!

Termino dando os parabéns aos membros do Blog "Até onde vais com 1.000 euros" que é de facto um blog que merece uma visita. Quanto aos restantes premiados por categoria, referi-os no último artigo mas faço uma especial chamada de atenção para o facto do Visconde ter conseguido, como eu já esperava, ganhar o prémio na categoria de Desporto.

quinta-feira, novembro 13, 2008

VITÓRIA!

O Blog do Katano acaba de ser declarado vencedor na categoria BLOG PESSOAL, no concurso Super Blog Awards. Esta é uma vitória que dedico a todos aqueles que colaboraram e colaboram com artigos e comentários e a quem agradeço do fundo do coração.



Reacção Oficial logo à noite.

Falando de castanhas...

...e abordando os castanheiros da Serra da Gardunha, que tal esta fotografia de um castanheiro gigante existente no Fundão em 1904 e que foi foto de capa da revista Broteria, uma revista dedicada às ciências naturais publicada pelo extinto colégio de São Fiel?



Um interessantíssimo apontamento recuperado pel'O Andarilho numa alusão a um património natural irremediavelmente perdido.

Custa a imaginar árvores assim na paisagem mas sempre ouvi contar pelos mais idosos que existiam castanheiros na Gardunha em cujos troncos ocos as pessoas se abrigavam da chuva, e cujo diâmetro era tão largo que "20 pessoas não os conseguiam abraçar".

Na obra "Convento de Nossa Senhora do Seixo do Fundão", que já aqui referi anteriormente no artigo sobre Gil Vicente, é possível ver algumas imagens desses castanheiros. Tomo por isso a liberdade de, com a devida vénia, de aqui reproduzir essas imagens.
Na primeira imagem é possível ver duas figuras humanas fazendo a escala da árvore, uma delas dentro do tronco.


Na segunda imagem, esta uma fotografia, é também possível avaliar o porte da árvore por comparação com o indivíduo posando junto a ela.


Numa outra imagem desse livro é ainda apresentado o castanheiro denominado por "Castanheiro do Moio". O moio era uma antiga medida de peso e equivalia a 60 alqueires, medida que, segundo a região onde era usada, podia variar de 11 a 15kg. Assim, o castanheiro podia produzir, num bom ano, cerca de uma tonelada de castanhas.

Convite aos leitores



Sábado das 14h30 às 22h00
Domingo das 10h00 às 12h00 e das 13h30 às 20h00
Entrada Livre

quarta-feira, novembro 12, 2008

Artes e Sabores da Maúnça - II

Retomando o tema do último artigo, o Sábado foi então centrado no Festival de Artes e Sabores da Maúnça que decorreu na serra na já famosa aldeia de Açor.


À tarde houve contudo tempo para uma pequena incursão até à Serra da Gardunha para investigação com vista à recolha de elementos para a exposição do próximo Sábado e para recolha de cogumelos e castanhas. Tudo isto em meio a uma montaria organizada no âmbito da inauguração de instalações para uma Associação de Caçadores, esses simpáticos senhores que deixam a sua marca na paisagem na forma de latas que deixam supor que se chamam todos Ramirez ou de cartuchos vazios que, de forma inteligente, decoram vários recantos das serranias. No entanto, diga-se em abono da verdade que são sem dúvida amantes incondicionais da natureza pois, pelo que constatámos, já o relógio dobrara a uma da manhã e ainda se via faróis dispersos de automóveis na zona da montaria, um sinal claro de que os caçadores estavam com dificuldades em desvincular-se da natureza.

A incursão não foi propriamente bem sucedida mas sempre deu para investir sobre os muitos medronhos que sarapintavam o ambiente de vermelho. Na foto é bem visível o particular interesse do jovem Sam ao aprender que do medronho se faz uma aguardente de grande qualidade, isto enquanto o jovem Paulo cogita sobre as mil e uma formas de cozinhar um medronho.

"Aguardente? Onde é que se carrega?"

Também os cogumelos foram escassos mas, curiosamente, as pontuais descobertas de exemplares de Amanita Muscaria, ou Agário das Moscas, despertaram um intrigante frenesim entre alguns elementos do grupo. Só faltava mesmo a lagarta a fumar o seu narguilé em cima dos Agários...

Um belo exemplar de um fungo com alto índice de Ácido Ibotémico. A lagarta da Alice que o diga...



Chegou depois a hora de rumar ao Açor, conduzindo o veículo através de um interessante percurso todo-o-terreno. Escusado será dizer que todos os ocupantes do veículo adoraram a experiência e sentiram a adrenalina a correr-lhes pelo organismo. Aliás, a co-pilota chegou mesmo a afirmar "Nunca me diverti tanto como hoje, nem quando decidi ultrapassar 2 camiões em Espanha com vários veículos a circular em sentido contrário a uma distância pouco recomendável!".

Chegámos finalmente ao Açor, pequena aldeia que a tradição coloca na rota das Invasões Francesas, num episódio que, na Eira dos Três Termos, terá tido o seu climax aquando do enfrentamento entre franceses e a guerrilha local. Também a tradição popular situa nessa época a origem do misterioso "fenómeno" da Eira dos Três Termos, ainda hoje sem explicação e o qual abordarei em artigo próprio.

Sobre o Açor conta-se que, aquando da aproximação das tropas francesas, a população cobriu a Igreja (hoje bastante alterada) com ramos de giesta e silvas, já que se tratava do único edifício branco da aldeia ao contrário das moradias que eram em xisto e se confundiam na paisagem.


Na aldeia, o festival desenrola-se autenticamente de uma ponta à outra da aldeia, com as inevitáveis tasquinhas, umas melhor conseguidas que outras em termos de decoração e ambiente, onde é muito difícil resistir à tentação de percorrer todas elas mais que uma vez.

O jantar foi talvez mais atribulado que o desejado. Tendo-nos deliciado com um original prato de lombinhos de porco com castanhas e mel, em duas doses que afinal era três, decidimos repetir. Contudo, o stock havia-se esgotado e tivemos de nos contentar em terminar a refeição com uma bela chouriça assada. Pelo meio houve ainda espaço para uma demonstração de boa vontade da cozinheira que foi desencatar carne sabe-se lá onde e que no-la apresentou acondicionada numa espécie de tupperware onde quase se podia ler "HACCP sucks!".


A castanha, fruto omnipresente no festival



Uma reconfortante paragem para provar o tradicional "Café de borras"



O delicioso bolo de castanha em meio de um caleidoscópio de cores e sabores dispersas em dezenas de bolos e garrafas de licores tão inusitados como o licor de amora, de bolota e de carqueja...



Outro ângulo da questão


Aspecto de uma das tasquinhas mais concorridas



O cenário junto ao Forno Comunitário, onde algumas simpáticas senhoras se atarefavam a cozer pão. Um pouco mais longe, a casa museu toda ela recuperada e que merece sem dúvida uma visita.



Animação de rua, uma constante do festival



Uma pausa antes de atacar o licor de maçã.... e o de amora também.... ok, e também o de framboesa...

O regresso fez-se novamente pela Maúnça, agora em modo nocturno, percurso que levou a que, em alguns momentos, fossemos acompanhados por vários coelhos velozes e zigzagueantes. A edição 2008 já lá vai, venha a próxima! Merece bem a visita.

terça-feira, novembro 11, 2008

Artes e Sabores da Maúnça

O fim-de-semana ficou marcado por mais uma edição do festival Artes e Sabores da Maúnça, na aldeia do Açor. Como acontece todos os anos, a população mobilizou-se para, durante dois dias, criar um ambiente único onde os visitantes pudessem, ao longo de várias tasquinhas com maior ou menor cunho tradicional, ir deliciando os olhos, o paladar e o olfacto num carrossel de cores e sabores.

A primeira foto tirada no Açor é, contudo muito particular. Um verdadeiro 2 em 1. Faz uma alusão a um dos produtos mais típicos da região, o mel, ao mesmo tempo que lança mais uma farpa na acalorada discussão em torno do Acordo Ortográfico.

Ficamos pelo menos a saber que, atrás deste cartaz, há mel e há aguardente de mel...

segunda-feira, novembro 10, 2008

Pesquisas do Katano

Durante o fim-de-semana foram várias as pesquisas que conduziram as pessoas a este espaço mas as mais intrigantes foram sem dúvida:


"Cartas de um tio para uma sobrinha"

Com certeza uma pesquisa efectuada por um tio português que, na urgência de escrever à sua mui estimada sobrinha não sabia se deveria começar por "Exma Sra Sobrinha", "Exma e Mui Estimada e Apreciada Sra Dona Sobrinha" ou "Olá Rita".


"Multibanco em Praga"

Sem dúvida uma pesquisa efectuada por alguém que estará na iminência de dar um saltinho ali a Praga para ver o famoso relógio e que, preocupado em saber se deverá ou não levar dinheiro, quis saber se Praga é uma cidade onde a inovação das caixas multibanco já chegou.

Pois bem, no seguimento da política de Serviço Público deste blog não só confirmamos, como também mostramos, uma genuína caixa multibanco da República Checa... em Praga. Já agora um conselho: se em Praga tiverem dificuldades em localizar a referência "BANKOMAT", procurem graffittis.

e finalmente, "la piéce de resistance":

"touradas morte caetano"

Até tenho medo de opinar sobre isto mas, acima de tudo, quero assegurar que o autor deste blog não participa nem assiste a touradas de morte, nem muito menos à "tradicional" tourada portuguesa. Como já aqui foi referido, é demasiado deprimente constatar que o Q.I. médio da arena desce para metade quando o touro é morto.

domingo, novembro 09, 2008

Se ela o diz...

A celebridade cadastrada Paris Hilton afirmou há dias que, apesar de ser contra McCain, admira muito Sarah Palin e considera-a sensual e inteligente.

Sabendo da preponderância de Paris Hilton enquanto opinion maker creio que, se estas palavras tivessem sido proferidas mais cedo, os republicanos nunca poderiam ter aspirado a uma percentagem de votos tão alta.

Já agora, será que Paris Hilton é a favor ou contra as investigações científicas relacionadas com a mosca da fruta?

sábado, novembro 08, 2008

Moedas com história III

DUPÔNDIO - Império Romano, séc II

   

Já há algum tempo que não abordava o tema da numismática, depois de o ter feito em Abril e Maio do ano passado e este exemplar que aqui apresento tem também ele uma história peculiar.

Obtive-o na sequência de uma investigação por iniciativa própria sobre o tráfico de antiguidades da Beira Interior numa altura em que pretendi publicar uma reportagem sobre o assunto num portal de arqueologia.

Para além de perceber como e onde se processam os "saques", soube também que existem pessoas específicas em determinadas localidades que procuram as peças por iniciativa própria, como é o caso de Idanha-a-Velha, um dos sítios arqueológicos emblemáticos da Beira Interior e de onde terá vindo esta moeda, ao que parece descoberta enquanto se "abria um buraco para plantar um poste para uma cerca numa propriedade privada".

A moeda

Metal: Liga de Bronze (Oricalco)

Diâmetro: aprox. 2,5 cm

Anverso: busto com coroa radiada do imperador Adriano sendo visível parte da inscrição circundante "TRAIANVS HADRI[ANVS]". A forma completa mais comum de referenciar o imperador nos numismas era referir o seu título imperial e o seu nome seguido dos seus demais cargos. Assim, admitindo que estamos perante um exemplar semelhante ao que encontrei na web, a inscrição completa poderá ser "IMP CAESAR TRAIANVS HADRIANVS AVG P M TR P COS III" ou seja "Imperador César Trajano Adriano Augusto, Sumo Pontífice (PM), com Poder de Tribuno (TR P), com poder de Cônsul pelo 3º ano consecutivo (COS III)".

Reverso: figura feminina em pé, sobre o lado direito, ladeada pelas letras "SC" (SENATVS CONSVLTVS" - Por autorização do Senado). Inscrição circundante ilegível. Esta figura feminina é uma das várias que Adriano fez incluir nas moedas, representando diferentes graças (Felicidade, Saúde, Riso, etc...). Neste caso é difícil interpretar a figura mas poderá tratar-se da SALUS PUBLICA (Saúde), dedução que faço pela posição da figura (joelho direito erguido com o pé pousado sobre algo, braço direito mais ao nível da cintura, túnica sobre a cintura e uma lança sobre o lado esquerdo do corpo).

Contexto histórico: O Imperador Adriano (Publius Aelius Traianus Hadrianus) sucedeu a outro grande nome que foi Trajano, tendo sido adoptado por este último e reinou de 117 a 138 d.C. Curiosamente, também Trajano fora adoptado pelo imperador Nerva que o nomeou seu sucessor.

Adriano celebrizou-se pelas fortificações que fez das fronteiras do Império Romano, especialmente pela famosa Muralha de Adriano, um muro de 118 quilómetros que defendia a provincia romana que actualmente corresponde à Inglaterra das incursões dos Pictos e Escotos da Caledónia (actual Escócia). Também era uma pessoa extremamente culta e um profundo admirador da cultura grega. Por outro lado preocupou-se bastante em fomentar a melhoria de infra-estruturas e a economia do Império.

Para seu sucessor, Adriano indicou o senador que viria a ser conhecido como Antonino Pio, ao qual sucederia o grande Marco Aurélio (também por indicação de Adriano), o imperador celebrizado no filme "Gladiador".

sexta-feira, novembro 07, 2008

A Sra Governadora Sarah Palin

Muito se tem debatido acerca da responsabilidade da Governadora do Alasca, Sarah Palin, no fracasso da candidatura de John McCain à Casa Branca. Já aqui o referi: esta escolha foi um verdadeiro tiro no pé por parte dos republicanos pelas posições polémicas desta senhora mas, será que a Governadora Palin é mesmo responsável em última instância? Não foi a equipa de campanha de McCain quem a escolheu? Pelo menos agora Sarah Palin pode voltar a dedicar-se ao Alasca, fazendo aquilo que melhor tem feito nos últimos anos: reduzir drasticamente as áreas de paisagem protegida em favor da exploração petrolífera. Curiosamente, encontrei na CNN um vídeo que vai de encontro à minha opinião:






Uma das histórias mais intrigantes que ouvi acerca da Governadora Palin foi algo sobre uma rábula mencionando moscas da fruta. Aliás, no programa de 4ª feira da TSF, o Governo Sombra, Ricardo Araújo Pereira referiu que a derrota republicana foi uma grande vitória para a mosca da fruta, visto que havia por parte de Palin um certo desprezo e um certo preconceito em relação ao insecto.

Uma rápida pesquisa no Google esclareceu todas as dúvidas. Afinal, esta história teve origem num discurso de Sarah Palin no qual ela tenta dar a entender que é necessário repensar o investimento em projectos de investigação científica, dando mais ênfase aos projectos que tenham efeitos práticos no bem social e abandonando projectos tão ridículos como... investigação sobre mosca da fruta.

Infelizmente, ela não sabia que a investigação sobre mosca da fruta permitiu alguns avanços na investigação sobre... o autismo. Aqui fica o vídeo que esclarece a questão, apresentado por uma jornalista mais cínica que Manuela Moura Guedes e mais irónica que o José Rodrigues dos Santos.



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