sábado, outubro 25, 2008

Allgarve

Efeitos da campanha de sedução do amigo Socas...

(Imagem recebida por e-mail)

A aldeia perdida de Colmeal

A Beta escreveu-me para pedir informações sobre uma aldeia abandonada que sabia existir "por estes lados". Decidi então aproveitar esse pretexto para escrever este artigo para mostrar, não só à Beta, mas a todos os leitores, este peculiar lugar perdido na Beira Alta.


A aldeia de Colmeal dá, ainda hoje, nome à freguesia na qual se insere, embora a povoação esteja abandonada desde a década de 1950. Situa-se num vale da Serra da Marofa, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo.



Trata-se de um conjunto rural interessante, praticamente todo em xisto, e dominado pelo Solar dos Cabral, onde o navegador Pedro Álvares Cabral passou parte da sua vida. Aliás, sobre a porta de entrada encontra-se ainda um brasão da família Cabral, que apresenta um curioso erro de construção (1).


A Igreja da aldeia também é interessante, apesar do seu preocupante estado de ruína. A queda do estuque revelou os primitivos frescos com cenas bíblicas e motivos vegetais. Nas fotos, que aqui apresento, é possível ver aquela que será uma representação de S.Sebastião em duas camadas diferentes, um sinal de que terá havido uma reparação ou reconstituição da pintura numa época posterior.

No exterior um enorme brasão, muito desgastado, coroa a porta de entrada e, a toda a volta da igreja, na parte superior das paredes, existe uma banda de pintura decorativa em motivos vegetais.



Contudo, existe um outro ponto de interesse junto á localidade e que apenas em 2004 foi descoberto: as pinturas rupestres. Situam-se junto à povoação nos enormes penedos que ladeiam a ribeira do colmeal e tratam-se de representações esquemáticas de antropomorfos, datando do 3º Milénio a.C.. Foi aliás por causa desta descoberta que, movido pela curiosidade e pela necessidade de documentar o local, me desloquei ao Colmeal.

A pretexto destas pinturas, apresentei uma comunicação a 13 de Março de 2005, em Alijó, no âmbito das II Jornadas Transmontanas de Arqueologia, durante a qual falei também da aldeia de Colmeal. No final deixei no ar a proposta para que fosse criado nas ruínas de Colmeal um centro de acolhimento a visitantes que contivesse um centro interpretativo da aldeia e das pinturas, assim como uma unidade hoteleira. Seria com certeza uma excelente forma de trazer vida ao local, evitando que este desapareça irremediavelmente.



A história do abandono

Tendo origem na Idade Média, algures por volta do séc. XII, o núcleo populacional nunca se assumiu como povoação, mantendo sempre o seu estatuto feudal e pagando renda ao proprietário das terras até ao seu abandono definitivo. As terras onde se situa pertenceram durante muito tempo aos Condes de Belmonte, embora tenham depois sido sucessivamente revendidas, passando por vários proprietários diferentes.

Em 1957, um diferendo entre os habitantes e a proprietária daquelas terras sobre o aumento do preço da renda, culminou da pior forma quando o tribunal deu razão à proprietária e esta se decidiu pela expulsão dos habitantes. Às primeiras horas da manhã de 10 de Julho de 1957, um contingente da GNR fortemente armado e a cavalo entrou na povoação e forçou a as 14 famílias que aí moravam a abandonar as suas casas. Embora não esteja confirmado, há relatos de confrontos e mortes, o que não seria de espantar dado aquilo que estava em causa para os habitantes.

Estes acabaram por se fixar nas povoações anexas da freguesia ou partiram para outras paragens. Certo é que nunca mais puderam aqui voltar e hoje, nada resta para além de ruínas e memórias de uma vitalidade que ainda ecoa pelos muros despidos de Colmeal.

(1) Na heráldica, os animais são representados sempre virados para a sua direita (esquerda do observador), já que este é, desde sempre, considerado o "lado nobre" ("ele é o meu braço direito", "...onde está sentado à direita do Pai", etc). O que por vezes sucede é que, quando um nobre encomendava o brasão a um artífice, enviava-lhe um exemplar do seu selo, que poderia bem ser um anel, e que era usado para marcar o lacre das suas cartas. Se o artífice não fosse muito experiente ou se fosse mau artífice, olhava directamente para o sinete cuja imagem, obviamente, estava invertida, representando na pedra aquilo que via. Terá provavelmente sido aquilo que aqui sucedeu.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Amanhã... Braga!

Bom, esta tarde vai ser com certeza animada. Vou ter de andar a correr a fazer mil coisas para amanhã, às 6 da manhã, arrancar para Braga onde vou participar de um estágio/treino de um dia. Depois de alguns anos e do último estágio em Vila Velha de Ródão (em mil nove e carquejas) espero não estar demasiado enferrujado.

Sete_Luas, como é? Dispões de capital para ires até Braga pagar o belo do cafézinho ou, vá, do Isostar (só para manter o espírito desportivo).

O dia em que ganhei a lotaria em Espanha - Conclusão

Ver também: Parte 1 - Parte 2
Resumo

Depois de ter recebido um e-mail anunciando que havia ganho um prémio de lotaria no valor de 610.000 euros, percebi que se tratava de uma típica Fraude de Lotaria / Lottery Scam. Fingi-me interessado e solicitei mais informação ao burlão.

Após ter reteirado que se tratava de um assunto sério, o indivíduo solicitou-me vários dados pessoais ao mesmo tempo que pediu o máximo de sigilo. Enviei os dados pedidos tendo o cuidado de enviar, evidentemente, dados falsos.


Novo e-mail

Finalmente eu estava perto de receber os 610.000 euros. O e-mail que recebi em seguida foi bem claro: o Banco "La Caixa" já havia confirmado que o dinheiro seria depositado na minha conta (com NIB do Millennium BCP, embora sendo uma conta do BPI) nas próximas 24h.

Para confirmar e cumprir as formalidades burocráticas (algo chamado EVC e um seguro), eu teria simplesmente de enviar 270 euros, via Western Union, para o endereço que desde a 2ª mensagem se encontrava no rodapé, embora o nome do destinatário fosse agora outro. Seria finalmente o nome do burlão ou simplesmente outra camuflagem? Seja como for, é este o objectivo primordial da burla. Procura-se aliciar as pessoas com um prémio fabuloso, ainda por cima numa altura de crise, levando-as a pagar essas "taxas" burocráticas, não obtendo depois nem os 610.000 euros, nem os 270 euros.

Para reforçar a credibilidade da mensagem, esta era acompanhada de um certificado que, no meio de frases sem sentido e siglas incompreensíveis, continha uma frase forte "Este certificado é garantia irrevogável de pagamento de prémio".





Obviamente que a minha resposta foi a mais esperada, tendo perguntado se não seria possível deduzir os 270 euros do prémio. Na volta recebi mais um e-mail, desta vez quase telegráfico, dizendo que eu teria de enviar o dinheiro até ao início desta semana e que não era possível deduzi-lo do meu prémio.


Contactos com a polícia

Já com bastante material e referências em mãos, entrei em contacto via e-mail com a Guarda Civil espanhola, reencaminhando as mensagens que havia recebido para o Grupo de Delitos Telemáticos.

Ao mesmo tempo, entrei em contacto telefónico com a Polícia Judiciária que me aconselhou a dirigir-me ao posto local da GNR para apresentar os meus dados. Aí, encontrei-me com os elementos do Núcleo de Investigação Criminal, a quem entreguei o dossier completo, com cópia de todos os e-mails e uma carta descrevendo o caso. Foi-me então garantido que o caso seria levado à reunião bi-mensal entre a GNR e a Guardia Civil.

É óbvio que não espero que estas acções levem à detenção do ou dos supostos burlões. Contudo espero pelo menos que este caso sirva no mínimo para acções de divulgação ou, na pior das hipóteses, caso alguém seja efectivamente burlado por estas pessoas, que ajude as investigações.

Quanto a mim, continuei algum tempo a divertir-me com o burlão, acabando por me fazer passar por um fanático religioso ao concluir que, como eu não tinha conseguido obter os 270 euros, interpretava isso como um sinal de Deus e que não era suposto eu ter o dinheiro.

Acabei por pedir que o mesmo fosse dado a obras de caridade e despedi-me pedindo desculpa por todo o incómodo.

No último contacto, o Sr C.B, a.k.a. P.V., acabou por ser extremamente cordial, agradecendo o meu gesto e desejando-me a melhor sorte.

Quem disse que os burlões não têm ética?

quinta-feira, outubro 23, 2008

"O meu nome é Lumba. Columba"

Faço aqui um pequeno interlúdio nos artigos sobre o Caso da Lotaria Espanhola para partilhar uma notícia tão incrível quanto absurda:

Dois pombos foram acusados de espionagem no Irão. Ao que parece, as duas aves foram capturadas na zona central do país, junto ao famigerado complexo de enriquecimento de urânio (embora uma delas tenha sido capturada a dezenas de quilómetros do local). Aparentemente, o que levantou suspeitas foi o facto de as aves estarem equipadas com "fios invisíveis" e "anéis metálicos".

Segundo consta, este não é o primeiro caso do género pois, no ano passado, foram detidos 14 esquilos também eles acusados de espionagem.

Podemo bem dizer que, se estivessemos no Irão, as osgas que se avistam em Telheiras já não andavam aí a chatear ninguém.


Na fotografia distingue-se claramente um pombo espião no meio da amálgama dos seus congéneres.

quarta-feira, outubro 22, 2008

O dia em que ganhei a lotaria em Espanha - II

Ver também: Parte 1 - Parte 3


Como já referi no artigo anterior, após a recepção do e-mail que me avisava da atribuição de um suposto prémio de 610.000 euros, remetido através de um e-mail italiano, resolvi responder para ver até que ponto iria este esquema de burla e quais seriam os argumentos mais fortes e mais fracos do ou dos burlões.

Fingi-me supreendido, incrédulo e perguntei o que tinha que fazer para receber o prémio. Em resposta recebi um novo e-mail, desta vez remetido por um e-mail espanhol por uma pessoa de nome diferente do remetente do primeiro, que me confirmava a veracidade do prémio.


Referia depois que após a entrega do prémio, por cheque ou transferência bancária, seriam cobrados 5% em comissões (há aqui uma preparação do espírito do "vencedor" para a existência de cobranças de comissões).

Em seguida eram solicitados vários dados: nome, morada, telefone, profissão, nome e morada do meu banco, NIB e código SWIFT. Após a lista dos dados que eu deveria enviar, era então pedido o máximo sigilo devido a "confusões" com números e nomes que poderiam "complicar" a entrega do prémio.

O objectivo deste último pedido é tão somente o de evitar que a vítima da burla, ao divulgar a notícia que recebeu um tão surpreendente prémio, seja informada por alguém mais esclarecido sobre a real natureza desta comunicação.

No rodapé da mensagem constavam agora uma morada em Madrid e um número de telefone.


Mais um "teste"

Em resposta a este e-mail, voltei a dar uma ideia de completa ingenuidade para reforçar a confiança do burlão, dizendo que já tinha todos os dados ... excepto o SWIFT pois eu não sabia o que isso era.

Na volta, recebi outro e-mail, desta vez do mesmo endereço do anterior (na verdade não voltaria a mudar), dizendo-me que os mais importantes eram mesmo os restantes dados e que o SWIFT não era relevante. Obviamente, nenhum dado solicitado era relevante para que a burla acontecesse mas eram estritamente necessários para criar uma imagem de credibilidade e de legitimidade, desta suposta entidade que atribui prémios de lotaria.

Inventei então dados falsos e, como meu banco, referi o BPI. Por outro lado, inventei um NIB identificável como sendo do Millennium BCP, tendo o cuidado de criar um NIB consistente, ou seja, um NIB que estivesse em conformidade com os seus dígitos de controlo (os 2 últimos).



Recebi então mais um e-mail dando-me conta que os dados enviados já haviam sido remetidos para o banco espanhol La Caixa.

Curiosa contradição é logo a seguir pedirem para confirmar todos os dados para que o pagamento possa ser processado. Teria sido mais lógico confirmar os dados antes de os remeter ao banco mas, desta forma, envolvendo o nome de um grupo bancário espanhol, a vítima fica mais convencida da veracidade da fraude, não questionando sequer estes detalhes. É um pouco isto que acontece naqueles e-mails de aviso de novos tipos de vírus informático para os quais "não há vacina" e cuja existência é "confirmada pela Microsoft e pela AOL e CNN", os conhecidos Hoaxes.

Referia-se também no e-mail que os detalhes pendentes para a concretização do pagamento seria resolvidos apenas eu confirmasse as informações enviadas, coisa que fiz. Então o caso ganhou contornos de comédia...

terça-feira, outubro 21, 2008

O dia em que ganhei a lotaria em Espanha - I

Ver também: Parte 2 - Parte 3


Há semelhança do que acontece com praticamente todos vocês, é frequente virem parar à minha caixa de e-mail diversas mensagens que se podem classificar genericamente como SPAM (o Vidal já aqui falou sobre isso há uns tempos).

Há cerca de duas semanas, de entre muitas mensagens que me aconselhavam a comprar os mais diversos tipos de acessórios ou que insistiam em tecer considerações nada abonatórias em relação à dimensão do meu pénis, houve uma que me chamou a atenção.

Tratava-se de uma mensagem remetida por um tal de EURO MILLION PROMOTIONS / PRIZE AWARD DEPT, enviada através de uma conta de e-mail italiana e que me informava de que eu acabara de ser contemplado com um fabuloso prémio de 610.000 euros, soma que, tendo em conta a conjuntura económica actual, até poderia dar algum jeito.

Decidi então fazer algo completamente diferente do habitual e respondi à mensagem. A troca de e-mails acabou por se prolongar por duas semanas e constitui um verdadeiro caso de estudo sobre segurança on-line, tendo acabado por envolver a Polícia Judiciária, o Núcleo de Investigação Criminal da GNR e a Guardia Civil de Espanha.

Nos próximos artigos irei desenvolver este tema, publicando também toda a troca de mensagens entre mim e um sujeito que usou 3 nomes diferentes.

Vamos lá substituir o Hino

O conhecido humorista Nuno Markl publicou no seu blog um artigo no qual apela à mobilização geral para a assinatura da petição que visa substituir o Hino Nacional, aquela canção gira que toda a gente canta antes dos jogos da Selecção (todos como quem diz, os jogadores portugueses que não nasceram em Portugal parecem sempre confusos), pela canção dos Deolinda, Movimento Perpétuo Associativo.

Ora bem, o que tem piada acaba por nem ser o apela à subscrição mas sim os muitos e "bons" comentários que o artigo provocou.

Quanto a mim, não só apoio como ainda vou mais longe, tal como o disse em comentário a esse artigo: sou completamente a favor da substituição do Hino! Além disso até acho que se devia obrigar cada jogador brasileiro que pretenda jogar na Selecção Nacional a saber o novo Hino de trás para a frente antes de calçar. Para além disso, também acho que se deviam obrigar todos os portugueses a cantar o novo Hino pelo menos uma vez por ano, para além das ocasiões em que joga a Selecção Nacional. Seria um bom exercício.

A ver aqui.

Um muito obrigado à Cláudia por esta dica! :)

segunda-feira, outubro 20, 2008

Serviço Público

O que irão ver de seguida é aquilo a que se chama de verdadeiro serviço público.
Um momento que irá mudar radicalmente a vida de todo o Portugal.
A lavagem auto como deve de ser:

Choque tecnológico II

Esta questão de dificuldade no manuseamento das pens por parte do Sr. Ministro das Finanças, se é que foi mesmo ele, vem completar aos meus olhos um aparente quadro geral de pouca habilidade dos membros deste Governo perante as novas tecnologias, chegando mesmo a roçar o seu quê de ignorância. Poderão estar a pensar "Olha, este é da oposição e diz mal de tudo e de todos" mas nem se trata do caso até porque, ao longo da minha vida, já votei por 2 vezes (que eu me recorde) em José Sócrates. Só não sei se o irei fazer uma 3ª vez mas isso logo se verá.

Bom, mas tudo isto para falar de uma intervenção que me ficou na memória por parte do nosso estimado Ministro da Ciência, Ensino Superior e Tecnologia (tudo isto ao mesmo tempo!), o Dr. Mariano Gago.

Na altura, no ano da graça de 1999, quando era o Ministro da Ciência e da Tecnologia, viviam-se alturas de uma certa paranóia gerada pelo famosíssimo Bug do Milénio, um problema na arquitectura interna dos computadores que fazia prever alguns problemas quando as datas passassem de 31/12/1999 para 1/1/2000, uma vez que se temia que alguns sistemas assumissem o ano de 1900 e não o ano 2000. Isto teria, segundo os mais pessismistas, funestas consequências ao sistema bancário, por exemplo.

Foi nesse contexto que Mariano Gago foi entrevistado por um jornalista mais afoito que lhe perguntou se o Governo estava preocupado com o Bug do Milénio. Perante a questão, Mariano Gago demonstrou um inesperado desconforto mas respondeu a pérola que me ficou na memória:

"Não estamos preocupados porque o Governo tem os seus sistemas protegidos com os mais modernos anti-virus".

O que equivale por exemplo a:

-"Está preocupado com o estado em que o tornado que se aproxima vai deixar a sua casa?"
-"Não, porque eu tenho um bom sistema de alarme ligado à polícia."

ou ainda a:

-"Acha que o mau tempo que se avizinha, com ventos de 234 km/h, vai destruir a sua cultura de trigo?"
-"Não, porque eu tenho bons pesticidas."

Mas pronto, se calhar sou mesmo eu que estou a ser picuinhas.
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