sábado, setembro 20, 2008

Vox Populi

"Mas porque é que se matou? Matava era a mulher!"

Frase forte de uma conversa entre dois homens, captada num quiosque de jornais, sobre o caso de um indivíduo que se suicidou, presumo eu, por causa de uma separação.

Depois admiram-se que pasquins como o 24 horas ou o Correio da Manhã tenham sempre tema de notícia. Com mentalidades destas... Por vezes é realmente deprimente viver neste país.

O primeiro (e único) artigo da história do Blog do Katano dedicado a Tony Carreira e, por sinal, o artigo com o título mais extenso também

De todo o Mundo continuam a chegar-nos notícias calamitosas: a crise na Geórgia, a continuada tragédia humanitária no Darfur, a destruição provocada pelos furacões nas Caraíbas e na Florida, a crise económica nos EUA, os preços dos combustíveis na Galp, a disciplina de voto no PS por causa do projecto-lei do casamento homossexual... Parece que estamos perante um cenário que, nem o menos optimista dos profetas da desgraça poderia preconizar.

Contudo, aquilo que realmente abalou a sociedade portuguesa até aos seus alicerces nos últimos tempos, foram as notícias de que Tony Carreira, o cantor de cantigas de amor e de sonhos, terá plagiado algumas dos temas que o guindaram ao estrelato e ao estatuto de sex-symbol das donas de casa de Portugal. Entre as canções apontadas está "Depois de ti mais nada" que, pelo que finalmente percebi, é uma canção dedicada ao tema do rompimento de uma relação e não às visitas ao domicílio do cobrador do fraque.

Ao que parece, Tony Carreira terá plagiado - e de que maneira - uma canção de Rudy Perez que, por incrível coincidência, se intitula "Después de ti, qué?" (a confirmar-se, isto é profundamente deprimente para mim enquanto português pois, não bastava a maciça importação de enredos de novela de formatos da América Latina que, agora, até o Tony teve de ir plagiar um mexicano).


Seja como for, tenho a certeza que tudo não passa de um mal entendido e, para o provar, vou aqui proporcionar um momento histórico: a inclusão, pela primeira vez na história do Katano, de uma canção da autoria de... escrita por... criada por... hmmm... cantada por Tony Carreira, o verdadeiro artista português, assim como do suposto tema original de Rudy Perez, interpretado por Raul di Blasio e Cristian Castro:






Como podem constatar, só alguém de muito má fé poderia achar que há semelhança entre as duas canções: um canta em castelhano e o outro em português, um veste de preto o outro não, um é acompanhado por dois músicos e o outro por uma mulher curvilínea,... enfim!
Perante as evidências, sinto-me tentado a partilhar da mesma opinião de muitas donas de casa que acham que "o que sucedeu foi que o bandido do mexicano soube que o Tony ia gravar aquela maravilhosa obra de arte e antecipou-se-lhe em 2 anos só por má fé".

Esta notícia vem na pior altura para Portugal, país que atravessa um período de recessão e de baixos índices de optimismo e que, perante uma eventual confirmação destas notícias, irá registar uma escalada no número de lares desfeitos.

Se quiserem saber mais pormenores sobre o tema, podem passar pelo A Vida é um Palco , O Verdadeiro Tony ou pelo Afinal em que ficamos? de onde reproduzo o seguinte excerto:

"Quanto a este caso em concreto, o administrador só deseja que a questão não chegue às últimas instâncias, pois "o Tony Carreira é um membro que prezamos e deixa muito dinheiro nesta casa. Espero que prevaleça o bom senso." ao que parece, afirmação de José Jorge Letria da SPA.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Figuras típicas: O Padre Abreu da Guarda


Na sequência da discussão em comentários relativamente ao post dedicado ao Sr Veríssimo de Ponte de Lima, o camarada Visconde fez uma alusão a uma outra figura típica, esta da noite guardense: o mítico Padre Abreu.

Quem frequentou a noite da Guarda, especialmente esse local emblemático que era a Tasca Cantinho do Céu, certamente se recordará dos muitos sermões que o Padre Abreu proferia, com uma oralidade e vocabulário que se iam degradando à medida que as horas passavam e a taxa de alcoolémia aumentava. Aliás, até era isso que o distinguia de um veículo movido a etanol: o Padre Abreu deixava de funcionar quando tinha o tanque cheio.

No instantâneo apresentado acima é possível ver o Padre Abreu, no seu palenque em pleno Cantinho do Céu, consultando as suas notas, instantes antes de proferir mais um vibrante e tocante sermão.

Agradecimentos ao camarada Varela pelo contributo fotográfico

Nunca subornar um polícia sem fome!

A crise económica dos EUA tem sido, nos últimos tempos, notícia de abertura em praticamente todos os serviços informativos. O mais preocupante é que a crise parece estar a afectar tudo e todos e nem a persistente e omnipresente classe dos condutores alcoolizados parece escapar-lhe.

Pelo menos é o que se depreende
da notícia veiculada pela Associated Press, em 1 de Setembro último, segundo a qual um jovem de 25 anos que conduzia sob efeito do álcool, no estado do Iowa nos EUA, terá sido interceptado pela polícia e detido.

De acordo polícia, ao ser transportado para a esquadra, o jovem terá tentado subornar o agente que o guardava, oferecendo-lhe sandes da Subway. Ou porque se tratava de um polícia íntegro ou de um polícia sem fome, ou quiçá de um polícia íntegro sem fome, o agente recusou a oferta, cumprindo o seu dever de transportar o prevaricador até à esquadra.

O crime não compensa... muito menos se só tivermos sandes da Subway.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Memórias do Vale - 2ª Etapa!


Depois do sucesso da primeira etapa da exposição, já há espaço e data marcados para a realização da 2ª etapa, tendo estes sido acertados após a reunião desta noite na Junta de Freguesia de Souto da Casa.

Assim, a exposição ficará patente num salão multiusos situado no centro da aldeia, nos dias 2, 8 e 9 de Novembro. Tratando-se de uma área superior à da sala da anterior edição, terei a oportunidade de incluir elementos que, por falta de espaço (e de tempo) não foram nela incluídos, garantindo a componente de surpresa para todos aqueles que já a haviam visitado em Agosto último.

Quem quiser matar saudades de uma noite de trabalho árduo já sabe que poderá apresentar-se ao serviço na noite de 31 de Outubro. Xamane, se puderes participar, desta vez traz ao menos a batata frita para acompanhar o frango!


Novo projecto!

Entretanto, já está em fase embrionária o projecto de criação de um percurso pedestre em Vale d'Urso. Este percurso terá como ponto de partida a fonte, o centro de referência da aldeia, e desenrolar-se-á pelas construções e equipamentos cujo inventário foi constituído na investigação para a exposição.

Dependendo da aceitação dos habitantes da aldeia, que vou ainda sondar, será colocada sinalética apropriada ao longo do percurso, contendo alguma da informação existente nos painéis da exposição. Assim, de um painel de acolhimento, contendo informação geral da aldeia (mapa, história, ...) os visitantes poderão percorrer o percurso assinalado, encontrando ainda um painel junto de cada construção de interesse, painel esse que contará um pouco da história e do propósito dessa mesma construção.
Estou ansioso por começar a trabalhar neste projecto até porque sei que, pela sondagem prévia que hoje fiz, terei bastante apoio para a sua realização.

Pouco a pouco, a aldeia vai sendo resgatada do seu esquecimento.

A quem quiser comentar no Blog - Apoio Técnico

Verifiquei hoje que o amigo Barros, ao comentar, o fez através do sistema de comentários do Blogger e não do actual do Haloscan.

Curiosamente esta situação já se havia verificado com a São Rosas que, entretanto, resolveu a situação.

Assim chamo a atenção para o facto de o correcto rodapé das mensagens ser o seguinte:

Estrelas: Os leitores podem avaliar a qualidade dos artigos aqui publicados seleccionando o número de estrelas respectivo, preferencialmente em número de 5.

Hora: Link directo para a página individual do artigo ( o link que deve ser usado para referência ao artigo noutros sites ou noutros artigos)

Comentários: Link para o sistema de comentários Haloscan que pode ser visualizado em 3 formas: "comenta katano!", "1 comentário do katano!" e "X comentários do katano!". Se não aparecer sob esta forma ou, melhor ainda, se o link não levar a uma página de comentários que se assemelha a uma sala de interrogatórios (com mais gosto que o programa da Teresa Guilherme) então trata-se de uma anomalia.

Para resolver: apaguem todos os ficheiros temporários e todo o conteúdo offline nas Opções do vosso browser. Provavelmente ficou uma imagem em cache deste site que deve ser removida.

Intervenção política de rua - Exclusivo do Katano

Esqueçam o Capitão Moura e outros ícones sociais de semelhante gabarito. O nosso camarada e leitor Sephiroth captou imagens exclusivas de uma poderosa intervenção política de rua, em Ponte de Lima, na qual o orador faz um discurso sobre o estado da Nação, acusando quem tem de acusar, e não se coibindo de pôr o dedo na ferida alheia.

A prova de que, em Ponte de Lima, a política não se faz só de Queijo Limiano e de que há quem ache que "o mais sério é o José Socas" (sic)
e não tenha qualquer pudor em assumi-lo!



quarta-feira, setembro 17, 2008

O fenómeno do Micro-Tuning!

O Tuning é um fenómeno que me intriga por várias razões. Primeiro porque me faz confusão ver gente pegar nos seus poderosos Fiat Punto e modificá-los para ficarem parecidos com algo muito semelhante a uma caótica mistura entre uma montra de Las Vegas e a montra de uma Toys R' Us em período natalício. Em segundo lugar porque é difícil compreender que pessoas que compram carros baratos, e não vivam propriamente em situação de desafogo financeiro, invistam depois quase tanto, ou mais, do que aquilo que investiram na compra do veículo, para o forrar a fibra de vidro e o dotar de luzinhas e poderosas colunas de som de onde são debitados, numa quantidade superior ao recomendável de decibéis, os mega sucessos das pistas de carrinhos de choque e do Tony Carreira.


Não se pode também escamotear o facto de, um proprietário tuning que se preze, chamemos-lhe talvez um Tuna-Master, ter de investir uma quantia considerável em bonés de gosto duvidoso e sapatilhas que dariam muito jeito a algumas famílias de imigrantes ilegais que quisessem cruzar o Estreito de Gibraltar numa jangada.


Creio que há um nítido défice de estética no meio tuning da nossa praça ou, pelo menos, o patamar de bom gosto e de estética encontra-se ainda ao nível do bom gosto e da estética de uma toupeira amblíope. Mas pronto, creio que, por uma questão de afirmação, tudo vale para dar nas vistas.


Agora, o que me leva a escrever esta posta não são estes "atentados" à sensibilidade estética pública, nem ao seu sossego, mas sim a visão que tive há alguns dias atrás: nem mais nem menos que... um Aixam Modificado!! Isso mesmo! Um Papa-Reformas Modificado!


Não pude ficar indiferente ao aileron traseiro, à dianteira agressiva, às intensas luzes azuis instaladas no interior do habitáculo... Confesso ter tido alguma dificuldade em lidar com o misto de sensações que se situavam algures entre a necessidade de soltar uma gargalhada e o peso de um profundo assombro.


Foi, ao fim e ao cabo, a prova de que o tuning é socialmente transversal e que até aqueles indivíduos que não têm dinheiro para adquirir uma carta de condução e um veículo automóvel ligeiro (menos ligeiro que um Aixam) têm direito a mostrar ao Mundo que possuem um sentido estético altamente duvidoso.



Se até as carroças podem ser tuning...

terça-feira, setembro 16, 2008

Gil Vicente morou no Fundão? Conclusão

Como estarão recordados, levantei aqui esta questão a partir da descoberta, nos arquivos do Jornal do Fundão, de um artigo, datado de 1976 e assinado por José Hermano Saraiva, no qual o autor defendia a possibilidade de Gil Vicente ter estado desterrado no Convento de Nossa Senhora do Seixo entre 1533 e 1536.




Esta tese é defendida por Hermano Saraiva em termos de possibilidade credível pelos dados de que então dispunha e que eram:

- A linguagem tipicamente beirã empregue nas obras de Gil Vicente

- As referências ao Fundão nas obras de Gil Vicente a partir de 1536

- A interpretação que Hermano Saraiva faz da mensagem das obras do autor nesse período, parecendo-lhe descrições "camufladas" daquilo por que Gil Vicente passou no seu degredo

- O facto de Gil Vicente, a ter sido efectivamente julgado por heresia, o seu julgamento ter sido conduzido por Frei Diogo da Silva, supostamente o primeiro inquisidor-mor de Portugal, homem de invulgar brandura e, como tal, residindo aí a explicação para a substituição da pena de morte na fogueira por uma pena de desterro/reclusão num convento. Uma pena deste género explicaria o desaparecimento do dramaturgo da cena pública entre 1533 e 1536.

- O facto de Frei Diogo da Silva ser natural de Aldeia Nova do Cabo ou Aldeia de Joanes, junto ao Fundão, e de ser também o fundador do Convento de Nossa Senhora do Seixo.



Novos dados


O actual director do Museu Municipal Arqueológico do Fundão, João Mendes Rosa, no seu livro intitulado O Convento de Nossa Senhora do Seixo do Fundão na História, na Lenda e na Literatura, refere alguns factos importantes para este debate, chegando a conclusões interessantes.

Assim, Mendes Rosa confirma a realização da peça que teria despoletado toda a polémica de acusação de Luteranismo em relação a Gil Vicente, assim como a denúncia da mesma em carta dirigida ao Papa. O que não existem são quaisquer documentos sobre o famigerado processo de acusação a Gil Vicente, nem sequer referências a um julgamento e, como tal, em relação à setença que daí poderia ter advindo.

Por outro lado, Mendes Rosa avança com uma proposta interessante: em 1531 a Coroa Portuguesa negociava com Roma a instalação do Tribunal do Santo Ofício, a Inquisição, em Portugal. Perante o desconforto e embaraço que a presença de Gil Vicente na Corte poderia causar aos olhos da igreja, poderá ter-lhe sido pedido que se retirasse até à conclusão do processo. Seria esta uma tese mais cabível, segundo Mendes Rosa, que supor que o superprotegido Gil Vicente, admirado por D.Manuel e por D.João III, fosse, de um momento para o outro, castigado por desterro e reclusão. Da mesma forma, poderia ter sido pedida ao dramaturgo alguma contenção nos seus "ataques" à Igreja, derivando daí a subita amenização desse aspecto na sua obra mais tardia Floresta de Enganos.

Outro dado importante é avançado partindo da quadra do Auto da Festa na qual uma personagem, João Antão, afirma:

Eu são de cima da Beyra
Lá de junto do Fundão
Venho com hua appellação
Bofás com farta canseira


e mais á frente:

Meo pay naceo no Fundão

Ainda mais à frente, quando este João Antão é interpelado por Rascão, que o incita a casar, este responde:

Olhay filho eu vos direy
Já me a mím mandou rogar
Muitas vezes Gil Vicente
Que faz os autos a El-Rey.


Estes indício poderiam fazer pensar que Gil Vicente, explicitamente mencionado no texto na 3ª pessoa, estaria através de João Antão a solicitar uma qualquer apelação ao rei que, no contexto de um julgamento, se trataria de um pedido de intervenção real no seu processo.



Houve outro Gil Vicente no Fundão?

Contudo, Mendes Rosa descobre também um documento interessantíssimo. Trata-se de uma carta de indulto, datada de 1443, emitida por D.Pedro e dirigida a um tal de... Gil Vicente, arguido num processo de adultério, na sequência de um apelo deste. Este Gil Vicente era morador no termo da Covilhã, ou seja, não se sabendo a sua morada exacta no então território da Covilhã, poderia muito bem ser residente do Fundão visto que esta vila fazia então parte desse mesmo território. Não seria decerto o Gil Vicente dramaturgo visto que o documento data de 1443 e, como já foi referido no post anterior, o "nosso" Gil Vicente só terá nascido em 1465.

Assim sendo, Gil Vicente, o dramaturgo, poderia ter sabido da existência deste seu homónimo e, por achar piada à coincidência de nomes (quem não acharia?), teria aproveitado este episódio para o Auto da Festa, não sendo por isso necessariamente ele quem era natural do Fundão. Outra explicação poderá ser que o Gil Vicente de 1465 seja um membro desta família Vicente, e tenha relação com o adúltero Gil Vicente referido no documento, contando assim a história do seu familiar.



Frei Diogo da Silva não foi inquisidor!

E quanto a Frei Diogo da Silva, suposto 1º inquisidor-mor na altura em causa? Trata-se sem dúvida de uma figura fascinante, nascida em 1485 em Aldeia Nova do Cabo/Aldeia de Joanes. Foi confessor de D.João III, Bispo de Ceuta, Arcebispo de Braga e fundador do Convento de N. Sra do Seixo no Fundão.

Figura de destaque da sociedade e da Igreja portuguesas do séc XVI, foi de facto nomeado Inquisidor-Mor pelo Papa Clemente VII em 1531 e, aqui, reside o busílis da questão: Frei Diogo da Silva recusa a nomeação! O Papa reforça em 1532 a sua nomeação, intimando Frei Diogo da Silva a aceitar o cargo. Contudo, este, mais uma vez recusa-o.

Os motivos desta recusa não são muito claros mas é de crer que a sua excessiva brandura e bonomia fizessem com que não visse as tarefas implícitas ao cargo de Inquisidor-Mor com bons olhos.

Sendo assim, Frei Diogo da Silva nunca poderia ter julgado Gil Vicente, caso esse julgamento tivesse acontecido.



Em que ficamos afinal?

Não há provas que atestem a existência do julgamento de Gil Vicente, nem sequer que este tenha efectivamente estado no Convento de N. Sra do Seixo. Contudo, nada do que Mendes Rosa refere invalida, como ele próprio afirma, a que Gil Vicente efectivamente aqui tenha estado.

Admitindo que ele seja mesmo natural do Fundão, afinal havia por estes lados uma família Vicente que Gil Vicente, pelo menos, conhecia (podendo mesmo pertencer a ela), não será descabido supôr que este, tendo de adoptar uma vivência mais discreta afastando-se da Corte, tivesse optado por ir para um sítio que lhe inspirasse confiança: a sua terra natal. Numa perspectiva de castigo, auto-imposto ou não, poderia nesse caso ter optado pelo Convento em causa.

Até que se revelem novos dados, Gil Vicente irá permanecer na História de Portugal como uma figura tão cintilante quanto misteriosa, independentemente de ser Barcelense, Vimaranense, Lisboeta ou Fundanense.

segunda-feira, setembro 15, 2008

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