sábado, setembro 06, 2008

Gil Vicente morou no Fundão?

O local e data de nascimento de Gil Vicente constituem um mistério que tem dado azo a muita discussão com alguma polémica à mistura. Certo é que várias localidades se assumem como terra natal do dramaturgo: Barcelos, Guimarães, Lisboa, Évora... Há também quem defenda que Gil Vicente era beirão, tese motivada pela presença de inúmeras referências toponímicas nas suas obras, assim como pelo modo de falar das personagens.

Há ainda a questão de Gil Vicente ter sido o mesmo Gil Vicente, ourives, que construiu a famosa Custódia de Belém, tese que daria alguma força a Guimarães, tradicional terra de joalheiros. A dúvida essa subsiste.

Já em relação à data de nascimento a mais aceite é de 1465, isto embora também sejam colocados como hipóteses os anos de 1452, 60, 67, 70 e 75.

Houve ainda quem, pelas referências ao Fundão no Auto da Festa, um auto muito particular constituído por uma amálgama desconexa de pequenas histórias, quisesse apontar o Fundão como terra natal do pai do teatro português. Essa tese contudo não tem muita capacidade de sustentação uma vez que se baseia apenas nessas referências.

Esta introdução, serve apenas para contextualizar as informações que obtive no texto, da autoria de José Hermano Saraiva, que descobri durante as minhas investigações no arquivo do Jornal do Fundão para o meu recente projecto de exposição. Neste texto, datado de 1976, o conhecido historiador introduz uma hipótese que, na época, abalou alguns dogmas sobre aquele que é conhecido como o Pai do Teatro Português.







O desterro de Gil Vicente


Corria o ano de 1531 quando nasceu o Infante D.Manuel. Pretendendo celebrar este acontecimento, o embaixador português na corte do Imperador Carlos V, que se encontrava em Antuérpia , resolveu organizar uma festa.

Para dar mais brilho aos festejos, decidiu-se encenar uma peça de Gil Vicente usando como actores os marinheiros portugueses então estacionados em Antuérpia. Para o guarda-roupa fez-se uma recolha voluntária entre os membros da tripulação faltando contudo uma peça essencial: um barrete de Cardeal. Contudo, o empréstimo dessa peça acabaria por ser facultado pelo Cardeal Campeggi, representante de Roma na corte de Carlos V.

A escolha da peça de teatro é que acabou por não ser a mais feliz uma vez que denunciava o tráfico de bulas e indulgências da Igreja Católica. Tanto mais grave era que, na altura, a Alemanha "fervia" pelo crescimento do Protestantismo de Lutero, doutrina na qual se exaltava o descrédito em que a Igreja Católica havia caído por essa venda de bulas, indulgências e relíquias pela Europa fora. (Muito do dinheiro recolhido dessa forma foi aplicado na construção da Catedral de S.Pedro no Vaticano).

Se a peça de teatro foi um sucesso, por outro lado a heresia mal recebida por alguns católicos mais fanáticos depressa chegou aos ouvidos do Papa. Não havendo qualquer registo de tenha sido levantado um processo por heresia contra Gil Vicente, o certo é que, entre 1533 e 1536, ele simplesmente "desaparece" da corte portuguesa.

Apoiando-se na Floresta de Enganos, obra que Gil Vicente escreveu em 1536, e no Auto da Cananeia, José Hermano Saraiva interpreta na primeira mensagens subtis em que o dramaturgo denuncia ao povo o que lhe aconteceu e, na segunda, interpreta um apelo desesperado ao rei D.João III, seu protector, que o liberte de uma reclusão à qual havia sido condenado. Supõe-se assim que Gil Vicente terá estado encarcerado durante 2 anos, longe de tudo e todos. A questão que se coloca agora é onde esteve ele encarcerado.

Partindo do princípio que Gil Vicente foi julgado pela Inquisição e condenado à reclusão em Convento, a pena mais comum para quem conseguia escapar à fogueira nos delitos de heresia, então ele foi julgado pela Inquisição e por Frei Diogo da Silva, primeiro inquisidor-mor de Portugal (*) e... natural de Aldeia Nova do Cabo, juntinho ao Fundão. Frei Diogo da Silva, conhecido pela sua benignidade pouco conivente com o cargo que supostamente ocupava, tinha também a particularidade de ser fundador do Convento de Nossa Senhora do Seixo no Fundão.






Ora, é a partir daqui que surgem todas as referências ao Fundão na obra de Gil Vicente.

Assim sendo, conclui José Hermano Saraiva, Gil Vicente terá sido desterrado durante 2 anos para um convento longe de Lisboa e, a partir do seu "regresso", começaram as referências ao Fundão, inexistentes até aí, sendo por isso verosímil que esse convento não tenha sido outro senão o Convento de Nossa Senhora do Seixo, no Fundão.

(*)Existem no entanto algumas imprecisões/incorrecções nestes pressupostos de José Hermano Saraiva que irei apresentar num próximo artigo.



Bibliografia

SARAIVA, José Hermano - "Gil Vicente esteve no Fundão?", Jornal do Fundão, 1976
TEYSSIER, Paul - "Gil Vicente - o autor e a obra", Livraria Bertrand, 1982
ROSA, João Mendes - "Convento de Nossa Senhora do Seixo do Fundão", Câmara Municipal do Fundão, 1997

sexta-feira, setembro 05, 2008

Gil Vicente morou no Fundão?

"Eu sou de cima da Beira / Lá de junto do Fundão"
(...)
"O meu pai nasceu no Fundão"

são palavras de uma personagem do Auto da Festa, da autoria de Gil Vicente.

Por que motivo o pai do teatro português iria referir precisamente o Fundão nos seus autos e não outra localidade qualquer?

Estará José Hermano Saraiva certo ao afirmar nos anos 1960 num artigo da sua autoria, que eu descobri nos arquivos do Jornal do Fundão, que Gil Vicente viveu no Fundão?

Explicarei tudo no post de amanhã.

Imagem retirada daqui

quinta-feira, setembro 04, 2008

Todos os caminhos levam ao Blog do Katano

É impressionante o número de pessoas que passam por este blog por causa do artigo aqui publicado sobre a Tomada da Bastilha, no quadro da Revolução Francesa, e isto numa cadência quase diária.

Contudo, há outros visitantes que aqui vêm parar como resultado de pesquisas algo insólitas no Google. Aqui ficam alguns exemplos dessas pesquisas com link para o artigo, publicado neste blog, que foi apresentado como resultado dessa mesma pesquisa:

"Comentário sobre bandeira"

"Pastelaria francesa"

"Para retirada do diploma universitário"

"Indumentária de um funcionário"

Vêm aí novas medidas anti-crime


Augusto Cymbron, presidente da ANAREC (Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis), lançou hoje, através da Comunicação Social, um pedido pungente e sentido a todos os assaltantes e aspirantes ao cargo, no sentido de não assaltarem mais gasolineiras uma vez que, alegadamente, estas não terão disponíveis verbas que justifiquem os assaltos. Logo à partida, acho que Augusto Cymbron não estaria em posse de dados suficientes que lhe permitisse ter conhecimento de que o valor do salário mínimo nacional é actualmente de 426,5€.

Por coincidência, esse pedido foi divulgado ao mesmo tempo que o país tinha conhecimento de mais 3 roubos tendo gasolineiras como palco. O primeiro aconteceu na Repsol de Alcochete e o segundo na Galp junto à Ponte da Vasco da Gama. Ora este último acabaria por ser o prenúncio do 3º e mais grave assalto: o aumento dos preços dos combustíveis nos postos da Galp numa altura em que o preço do barril de petróleo atingiu o seu valor mais baixo dos últimos 5 meses. Curiosamente, no primeiro assalto, os perpetradores tiveram de se munir de pedras para consumarem o acto, provavelmente já afectados pelas novas leis de controlo de armas.

Deixando estas inquietantes notícias e voltando ao anúncio feito por Augusto Cymbron, importa salientar que o mesmo aconteceu na sequência de uma reunião tida com o Ministro da Administração Interna, José Magalhães, após a qual foram anunciadas novas medidas de combate a esta vaga de assaltos.

Fica a questão: será que o pedido de Augusto Cymbron é a primeira dessas medidas? Mal posso esperar para ver a aplicação das próximas!

A pequena revolução do Google Chrome

Hoje instalei e comecei a testar o Google Chrome, o novo browser com que o Google planeia atacar o mercado, e embora ainda esteja na sua versão Beta - já lhe encontrei algumas falhas - , as minhas primeiras impressões são positivas.

Para já o interface e os comandos são significativamente diferentes daquilo a que estava habituado no Internet Explorer: a janela inicial contém um mosaico com miniaturas dos sites mais visitados, tem uma barra de marcadores (atalhos para sites da nossa preferência) e comandos simplificados. Posso dizer por exemplo que para copiar o URL do logótipo do Google Chrome, que coloquei acima, bastou clicar na imagem com o botão direito e escolher a opção "Copiar URL da imagem".

Por outro lado, a barra de endereços é versátil e serve tanto para introduzir o endereço dos sites para onde queremos navegar, como para introduzir temas de pesquisa no Google.

Contudo, a mais importante alteração em relação ao Internet Explorer (e aos outros browsers), é a versatilidade dos seus separadores. Se nos outros browsers, ao abrirmos um determinado site este tiver um componente Java, corremos o risco de ver toda a nossa navegação ficar "pendurada" até esse componente ter acabado de carregar. Isto deve-se ao facto de, nos outros browsers, cada separador formar um segmento (thread) de um processo global.

No Chrome já não acontece. Mesmo que um site fique "pendurado" por um Javascript, podemos simplesmente mudar para outro separador e continuar tranquilamente a navegação e isto porque aqui cada separador funciona como um processo autónomo. Contudo, se o pior acontecer e a navegação ficar muito lenta, o Chrome tem o seu próprio gestor de tarefas que podemos abrir para ver o que está em execução e o que está pendurado.

Em termos de falhas elas prendem-se para já com a manipulação de objectos em caixas de texto. Por exemplo, ao escrever este artigo, não consegui arrastar as imagens ao longo do texto para o seu posicionamento. Por outro lado, acontece de vez em quando que, quando escolho um site da lista do histórico que surge automaticamente na barra de endereços ao começar a escrever o endereço do site, o separador pura e simplesmente fecha. Há ainda alguns problemas de compatibilidade com os scripts dos sites da Microsoft. Contudo, não nos podemos esquecer que esta é uma versão Beta, ou seja, uma versão experimental do produto.

Para já, adivinha-se no horizonte uma feroz luta pela hegemonia do mercado de browsers.

Quem quiser começar a testar o novo browser pode fazê-lo no seguinte endereço:


quarta-feira, setembro 03, 2008

Adenda ao post anterior que aborda a temática da criminalidade

Já agora, quero aqui colocar para vosso deleite, a primeira coisa que me ocorreu quando ouvi a notícia da rusga que tinha resultado na identificação de 170 pessoas e na apreensão de uma arma branca.

Trata-se de uma cena do filme "A Vida de Brian", dos Monty Phyton, cena essa em que um grupo de soldados romanos irrompe numa rusga no quartel da Frente Popular da Judeia, uma organização subversiva judia, quando esta se encontra em plena reunião.

Vale a pena ver até ao fim.




A praga da criminalidade

Se há assunto que inquieta os portugueses neste momento, ainda mais que o défice ou o mostrar as fotos das férias aos amigos, esse assunto é sem dúvida a criminalidade que parece ter subitamente tomado proporções dignas de ser classificada como calamidade pública. (Bom aqui também podemos considerar o mostrar das fotos das férias aos amigos como crime...).

Desde bancos que são assaltados sistematicamente, ponderando já abrir uma caixa destinada apenas a grávidas, deficientes e assaltantes, até bombas de gasolina que se preparam já para oferecer o cartão de pontos Fast-Gatuno, já ouvimos de tudo.

Das caixas multibanco então nem se fala! Não bastavam já os típicos assaltos às pessoas consultam avidamente o seu saldo para saber se a meio do mês ainda há dinheiro para ir ver o filme do Batman, agora os assaltantes ficaram mais exigentes. Não querendo esperar na fila como toda a gente, dirigem-se às traseiras das caixas multibanco para solicitar o capital directamente ao diligente funcionário que se encontra inocentemente a recarregar o dito aparelho com a panóplia de notas desse dia.

Chega-se inclusive ao cúmulo de se arrombar a porta de um tribunal para ir buscar o capital à caixa multibanco que se encontra instalada no edifício. Vá lá que, pelo menos, pode-se sempre aproveitar esta ocasião para uma pausa retemperadora junto à máquina de vending uma vez que, isto de praticar assaltos, é uma profissão que obriga a muita e intensa mobilidade, talvez até mais elevada que a de certos e determinados funcionários públicos que, até há pouco tempo, cumpriam honradamente o seu horário de trabalho dedicando especial atenção táctil à sua micose.

A criminalidade chega a tal ponto que, parecendo contagiosa, já há até notícias de alforrecas que se associam em bandos junto à costa portuguesa para atacar (citando vários jornais da nossa praça) os incautos banhistas! Ainda por cima, isto da alforreca é uma coisa chata porque, vá lá, o assaltante depois de ter aquilo que é o seu objecto de desejo retira-se do local, agora a alforreca não. Agarra-se com quantos tentáculos tem aos banhistas como quem diz "Agora espera aí para eu decidir o que é que quero" e depois não se decide... Safam-se as farmácias que assim escoam litros e litros de Fenistil.

Contudo, a polícia portuguesa já deitou mãos à obra e decidiu contra-atacar para levar à justiça os perigosos meliantes (não as alforrecas, claro) ou para, pelo menos, roubar tempo de antena nos telejornais às notícias de assaltos. É isso que se depreende das notícias diárias de rusgas em bairros "típicos" dos subúrbios e ainda de mega-operações STOP nos locais mais inesperados.

Os resultados estão à vista! Só numa noite em que se fez uma rusga, o responsável pelas relações públicas da GNR anunciava orgulhosamente que, só nessa acção tinham sido identificadas 170 pessoas e que havia sido apreendida uma arma branca! Ora isto vem, e de que maneira, contribuir para a minha paz de espírito. Agora sei que, algures em Portugal, há 170 pessoas que a polícia conhece e que, ainda por cima, há menos um canivete em circulação nas ruas (isto enquanto os juízes libertam os traficantes de armas mas é bem compreensível: é preciso que alguém venda as armas, sobretudo as brancas, para a polícia ter algo para apreender quando anda a identificar pessoas em massa).

O Governo por seu lado também está a cumprir a sua parte ao anunciar que vai ser muito mais complicado obter licença de porte de arma, ou seja, o interessado em ter uma arma em sua posse, seja para efectuar o assalto desse dia, seja, noutra perspectiva, para receber os assaltantes festivamente com pirotecnia caseira, vai ter de pagar mais caro. Daqui de onde me encontro, já consigo ouvir os negociantes de armas ilegais a esfregar as mãos de contente.

Pelo sim, pelo não, levarei o meu canivete comigo na próxima vez que for ao multibanco... ou à praia, vá!

segunda-feira, setembro 01, 2008

Ainda a exposição...

Voltando ainda à exposição, ao fim e ao cabo, o nexo em torno do qual os últimos 3 meses se articularam, vou aqui revelar um dos segredos do seu sucesso.

Já se sabe que houve uma equipa motivada e laboriosa por trás do evento. O que não se sabe é que a designer encarregue da concepção de todos os painéis, cartazes, livro de visitas e desdobráveis trabalhou sempre a partir de Lx por motivos profissionais (não do género que leva certas e determinadas sucursais a fechar as portas), tendo todos os contactos e transferência de materiais e produção sido feitos através da Internet.

Aqui, em primeira mão, revelo uma das mensagens, que foram trocadas entre os membros da equipa, na qual são dadas instruções à designer no sentido de efectuar algumas alterações no painel dedicado à temática do Alambique e das Forjas e que mostra bem a forma profissional como todo o processo foi conduzido.

De Viana ao Lindoso

Volto com este post aos 6 dias de férias no Alto Minho para descrever o percurso que fizemos de Viana ao Lindoso aproveitando um belo dia ensolarado -coisa não muito frequente-, por sinal, o único dia em que não tínhamos abordado a possibilidade de ir à praia.

Assim, saímos de Viana do Castelo rumo a Vila Nova de Cerveira pela A28, uma vez que já conhecíamos o percurso pela estrada nacional que passa por Caminha e que eu recomendo a quem não conhece. Daí, e com o rio Minho como companhia, chegámos a Lapela, uma pequena freguesia do Concelho de Monção.

Nesta aldeia, que é ponto de passagem da ecovia que liga Monção a Valença, destaca-se a impressionante Torre, último vestígio do castelo que durante centenas de anos guardou a fronteira. Esta torre terá sido erigida no séc. XIV a mando de D.Fernando durante as obras que transformaram profundamente o castelo que aqui existia desde 1130.

Infelizmente, pela sua posição e pela evolução da piro-balística, o castelo perdeu importância em relação ao de Monção e, em 1706, D. João V ordenou o seu desmantelamento para que as pedras fossem empregues na construção da fortaleza abaluartada de Monção.

A própria Torre esteve ameaçada mas resistiu ao homem e à natureza pois, para além da ameaça de ser desmantelada para que as suas pedras fossem empregues na fortaleza de Valença, sobreviveu inclusivé à queda de um raio no séc. XIX. Actualmente encontra-se ainda em bom estado e devidamente sinalizada e explicada, sendo ainda possível entrar no seu interior mediante pedido à Capitania local.

Contudo é também lamentável a insensibilidade e o desrespeito por este monumento que, na sua base, serve de suporte a vários estendais de roupa.


Continuando o nosso percurso e antes de chegarmos a Melgaço onde foi impossível parar dado o intenso movimento e falta de locais de estacionamento que a vila apresentava, passámos por Monção, uma etapa que se revelou algo deprimente.

De facto, as muralhas estão votadas ao abandono e nelas apenas prolifera vegetação. Pergunto-me se não teria sido mais vantajoso investir-se na requalificação das muralhas do que investir numa estátua do Cutileiro. Pelos vistos alguém achou que não. Melhor trabalho se fez em Valença e Almeida mas ainda tenho esperança que não seja tarde demais. A gloriosa história do castelo e das fortificações de Monção merece-o.

Depois de passarmos por Melgaço, onde, como já disse, foi impossível parar, e continuando em direcção à Serra da Peneda, houve tempo para uma paragem junto à Igreja do antigo Convento de Fiães, agora praticamente desaparecido mas com origens no séc. IX, e que terá pertencido depois à Ordem de Cister. Aproveitámos o espaço calmo e idílico que encontrámos no local para o retemperador almoço e para observar com atenção os múltiplos pormenores que, nas paredes do templo, nos dão indícios sobre as diversas alterações que sofreu desde a sua construção.


Continuando o caminho chegámos a Castro Laboreiro, com o seu castelo que faz lembrar, pela sua localização, os castelos dos Cátaros na região dos Pirinéus. Depressa se chega a ele através de um percurso de cerca de 700m bem sinalizado. O pior foi mesmo o vento que fustigava o topo do monte. Aqui, para grande pena nossa, não chegámos a ir ao planalto onde se encontra uma das maiores necrópoles megalíticas da Europa. Ficou apontada no bloquinho para uma futura ocasião.


Depois de Castro Laboreiro, seguimos para Lamas de Mouro, localidade onde descobrimos uma simpática capela medieval e um curioso forno comunitário inteiramente em granito, destoando daqueles que
foram aqui protagonistas há uns tempos atrás. Perto daqui encontra-se um centro de acolhimento de visitantes, a Porta da Peneda, local de paragem obrigatória para quem queira saber exactamente o que pode encontrar nesta região.

Depois da passagem pela Senhora da Peneda onde uma senhora já idosa nos proporcionou um momento inesquecível que será tema, só por si, para um post, chegámos ao Lindoso já ao final do dia. Quer pela paisagem, quer pela sua riqueza patrimonial, é um local de visita obrigatória. Basta dizer que o seu castelo mostra toda a evolução em termos de mecanismos defensivos desde a Idade Média até à Idade Moderna e que, junto a ele, encontramos uma concentração de mais de meia centena de espigueiros em torno de uma eira comunitária.

Posto o Sol e sob a iluminação artificial, estar no centro desta concentração de espigueiros sob o bailado dos morcegos, que nos passam junto à cabeça, é uma experiência inesquecível.


Antes do regresso, houve ainda tempo para uma visita nocturna ao Soajo, local de outra concentração de espigueiros, antes de regressarmos a Viana do Castelo, desta vez por Ponte da Barca pelo IC28 e A27.

Em jeito de balanço final, posso dizer que é praticamente impossível não se ficar a amar este local e não se querer regressar. O percurso, esse, já está definido.

Super Blog Awards

Chegou ao fim a fase de votação do Super Blog Awards e, ainda antes de saber oficialmente se o Blog do Katano terminou ou não no Top 5 da categoria Pessoal, onde esteve durante praticamente todo o período da fase de votações - chegando mesmo a estar na liderança -, quero desde já agradecer a todos os que votaram neste blog.

A vossa participação motivou-me bastante para dar corpo textual aos meus espasmos mentais ocasionais e, sendo uma autêntica terapia, sempre me ficou mais barato do que consultas ocasionais com o psicólogo da minha área de residência.

Agradeço também à Super Bock por esta oportunidade em ter tido o Blog do Katano a liderar alguma coisa, pelo menos o tempo suficiente para me permitir obter um Print Screen com propósitos de afixação emoldurada e ostensiva na parede do escritório.


"BEM HAJA" a todos ;)

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