quarta-feira, agosto 20, 2008

Vox Populi

"Assim, sem pensar no assunto, acho mal"

Foi esta a resposta de uma transeunte aos microfones da Antena 1 quando inquirida sobre as mudanças nas regras de inspecção periódica obrigatória dos automóveis.

O tuga na sua verdadeira essência de contestário por natureza a tudo e mais alguma coisa.

terça-feira, agosto 19, 2008

FÉRIAS!!!!!

Chegou finalmente ao fim um período especialmente complicado. A exposição e a organização das festas anuais foram praticamente o nosso dia-a-dia desde Julho e, por vezes, essa simultaneidade gerava alguns conflitos de interesse difíceis de gerir. Claro que também teve momentos agora absolutamente hilariantes como a ideia peregrina, da autoria de alguém "menos sensível às questões culturais", em querer colocar uma arca frigorífica no espaço da exposição para acondicionar os frangos que iriam ser confeccionados durante os festejos. Seja como for, terminou o stress e, finalmente, já estamos a gozar algum tempo de descanso, intercalado contudo com um novo projecto de website para uma marca emergente no mercado.

Já tivemos entretanto oportunidade de fazer alguns passeios: um até Penha Garcia e, o mais recente, pela Extremadura Espanhola.
Fósseis de Penha Garcia

Fósseis do tipo "Cruziana", rastos de trilobites que ficaram eternizados na rocha.


De Segura a Marvão... passando pela Ponte de Alcântara

Durante um dia inteiro percorremos parte da Extremadura espanhola, cruzando a fronteira em Segura. Outrora de vital importância na guarda da fronteira do Erges (foi por aqui que entraram os franceses de Junot), trata-se actualmente de uma vila com cerca de 400 habitantes onde o tempo parece ter parado.
Daí, chegámos a Alcântara, a Al-Qantara es Saif (Ponte da Espada) árabe. O seu ex-líbris, a ponte de origem romana de mais de 100m de comprimento, impressiona qualquer visitante.

Dedicada a Trajano, o arco de triunfo que ostenta no centro do tabuleiro faz dela um exemplar único da arquitectura romana. Um pouco mais a montante do Tejo ergue-se a barragem de Alcântara com a sua extensa albufeira.

Quanto à vila em si, quem for visitá-la ao Domingo pode esquecer as intenções de visitar os seus monumentos mais apelativos pois tudo está encerrado. As ruas da vila são interessantes, especialmente a rua principal que liga ao extremo da fortaleza com vista para o Tejo. Casas brancas e, porta sim porta não, possuindo um brasão.







Finalmente Marvão...

Seguindo para Sudoeste, por Membrío e Valência de Alcântara, uma de muitas povoações com a referência à ponte, o que atesta bem da sua importância histórica, reentrámos em Portugal por Marvão. Antes da vila, a ponte e a torre na povoação de Portagem, fazem-nos recordar a entrada em massa dos judeus expulsos de Espanha em 1492 e que apenas até 1496 encontraram paz em Portugal.

Agradecimento muito particular

Por um coração feito de generosidade, por uma dedicação imensa, por nada pedires em troca, pelo apoio constante e entusiasmo com que aderes aos meus projectos...

OBRIGADO ANA

Memórias do Vale - Rescaldo

Como já tinha referido, a exposição "Memórias do Vale" foi francamente bem sucedida embora a sua conclusão tenha sido um pouco em cima do limite. Cerca de 12h antes da sua abertura era este o aspecto do espaço:



Felizmente, com um grande esforço de uma equipa incansável, com a colaboração da mestria de um grande designer-alcatifador pelo meio (obrigado primaço!), o cenário estava pronto por volta das 4h00 da manhã, restando apenas acertos de última hora, como o vidro para proteger os documentos expostos, que foram resolvidos após um merecido descanso geral. Soube inclusive que certa e determinada pessoa, com o intuito de garantir o vidro, se apresentou diante de uma vidreira no Fundão às 8h45 (!!) tendo, infelizmente, percebido algumas dezenas de minutos depois, que essa vidreira não abria ao sábado. Fica aqui contudo uma palavra de apreço a tamanha generosidade de voluntariado.


No dia seguinte, uma última mobilização garantiu que tudo estivesse pronto a tempo para a inauguração oficial da exposição


Foi extremamente gratificante constatar a surpresa e a emoção dos visitantes que visitaram o espaço. Houve também algum cuidado em preparar a surpresa, começando na completa transformação de um espaço que constitui normalmente o centro de convívio da povoação e terminando no auge que foram os conteúdos em exposição.


A antecâmara da exposição consistiu na recriação de uma sala de aula de há 50/60 anos atrás, com todos os seus elementos mais comuns, e à qual foi adicionada uma aquisição de última hora: um brinquedo que havia sido oferecido ao meu amigo Luís Barrocas por Arminda Caetano, irmã de Marcelo Caetano. Neste espaço foi colocado um painel ilustrativo da evolução da população escolar da aldeia, desde 1935 até aos anos 1990. Contudo, o que mais chamava a atenção era sem dúvida a grande panorâmica de 3m de todo o Vale, construída pelo Xamane com a junção de 40 fotografias de alta resolução! Grande trabalho!


Quanto à sala principal de exposição esta apresentava 3 elementos distintos: os painéis explicativos divididos em 3 temas: História e Tradição, Economia Rural e Ensino Primário sob a Égide do Estado Novo. Ligado a este último tema foi instalada uma mesa de exposição de diversos documentos autênticos, dos anos 1930 até aos anos 1970, que mostravam a forma como o Estado Novo agia para cumprir o objectivo de "moldar consciências e inteligências" não só na escola como na comunidade em que esta se inseria.

Finalmente, num apontamento que provocou lágrimas em alguns visitantes, foi implementada uma projecção permanente de fotografias antigas, recolhidas junto dos habitantes de Vale d'Urso em Julho, e que provocava insistentemente uma apreciável plateia à sua frente.

Com algumas visitas à exposição em francês, houve ainda um momento curioso associado à única visita em inglês visto que esta foi oferecida a uma visitante muito particular: uma jovem israelita de 22 anos que, vinda do Algarve, percorria na altura o país com o seu burro. Foi para mim um motivo de orgulho ouvi-la dizer no fim que, tendo corrido já grande parte do país, só ali, graças à exposição, tinha compreendido e interpretado a disposição e o propósito de muitas das estruturas abandonadas ou não que havia visto na paisagem ao seu redor.

Em suma, foi um trabalho extremamente gratificante e que vai agora prosseguir para a sua próxima etapa, à qual serão acrescentados mais alguns elementos que não estiveram expostos na sua primeira edição de forma a ser também apelativa para os que a visitaram.


Para finalizar, fica aqui um instantâneo que retrata a forma vigorosa como, durante a exposição, a Organização envidou esforços para convencer os transeuntes a visitá-la. Destacamos aqui o ar feliz e surpreso da visitante e o semblante diligente do guia da exposição.


quarta-feira, agosto 13, 2008

"Memórias do Vale" - primeiras imagens




Terminou hoje a primeira etapa da Exposição Memórias do Vale com um saldo francamente positivo. Em breve voltarei a este assunto mas, para já, é tempo de desmontar a exposição. A próxima etapa é agora a sede de freguesia, Souto da Casa, cumprindo a vontade expressa do presidente da junta que, no seu discurso, teceu palavras elogiosas ao trabalho.

Aqui aproveito para agradecer a toda a maravilhosa equipa que espontâneamente se juntou na noite de sexta-feira para montar o cenário:

Ana, Nelly, Bruno, "Xamane", Virgínia, "Wolverine23", Sérgio, Ema, Daniela, Beta e Célia. Vocês foram incríveis!!!

terça-feira, agosto 05, 2008

Um santo para cada aflição

"Qual é a santa que cura hemorróidas? É a Nossa Senhora das Necessidades?" - Questão colocada por uma pessoa anónima e escolhida completamente ao acaso na multidão.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Ser canhoto era do Katano...!

Hoje descobri que até há relativamente pouco tempo, ser-se canhoto não era uma situação muito grata na escola. Pelo menos na altura do Estado Novo, para evitar que os canhotos usassem a mão esquerda na escrita, esta era amarrada ou usava-se a abusava-se da técnica pedagógica mais em voga na altura: a bela da palmada. Os próprios pais eram aconselhados pelos professores a impedir que os alunos escrevessem com a mão esquerda. Curiosamente, na realização das restantes actividades do dia-a-dia não havia qualquer tipo de restrição na primazia do uso da mão esquerda.

Triste sina a destes alunos numa época em que o Youtube ainda não tinha sido inventado...

Antepassados do Katano!

No meio dos dados confusos e contraditórios do período das invasões francesas consegui descobrir o nome de um meu antepassado incluído nas contribuições para o esforço de Guerra. Inicialmente pensando que ele havia sido colaboracionista, apurei depois que, afinal, um tal de Caetano Roiz, antepassado da gens Caetano, contribuiu de facto para a luta contra os franceses fornecendo azeite para o exército de Portugal.

Imagino a satisfação dos soldados portugueses a irem dar combate aos invasores com o estômago consolado por uma bela batatinha e couvinha com azeite! Nada como ingerir uma gordura saudável antes de ir aliviar a pátria da presença de invasores.

Ausência do Katano

Como devem ter reparado, a frequência dos artigos publicados aqui pelo blog baixou drásticamente. Infelizmente o trabalho que tenho tido com a exposição a isso o obriga, com o dia a ser usado na obtenção e clarificação de dados em falta e a noite (como ontem até às 6 da manhã) a servir para compor os textos que vão figurar na exposição.

Felizmente tenho tido a colaboração inexcedível de pessoas fantásticas como a minha querida Ana, a Cathy, o Xamane, a Nia,... e o apoio e o incentivo dos locais que constantemente me perguntam pela situação do projecto e não dispensam palavras de encorajamento. A todos um imenso obrigado.

O dia de hoje revelou mais algumas surpresas das quais saliento a descoberta, na aldeia, de uma forja de ferreiro da qual desconhecia a existência e o privilégio de entrevistar duas grandes senhoras: a Sra Dulce, que como a mãe foi professora em Vale d'Urso, e a Sra Maria, guardiã de memórias preciosas.
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