terça-feira, julho 15, 2008

Memórias do Vale - Penúltima fase


Depois de uma bem sucedida reunião, a Câmara Municipal do Fundão decidiu também apoiar o projecto. Resta apenas aguardar a decisão da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Fundão mas certo é que já posso avançar para a fase seguinte: composição e impressão dos painéis da exposição que, espero, será feito já na próxima semana.

Da reunião de hoje, saiu também a promessa de apoio e incentivo para uma posterior publicação do trabalho, rotulado de "inédito a nível da região" e que deverá, forçosamente, ter um cunho itinerante após a primeira edição. Vamos a isso!

Depois de adquirido o material, resta apenas montar o espaço. É impossível não ficar ansioso e é também muito difícil controlar esta ânsia de querer passar por cima daquilo que é para mim, em termos pessoais, prioritário neste momento e que terá de ser feito antes de me dedicar por inteiro à exposição. Mas lá terá que ser.

Camarada Xamane e cônjuge, vai uma partida de Genealogicopólio este fim-de-semana?

Ponto da situação
Patrocinadores:
Câmara Municipal do Fundão
Junta de Freguesia do Souto da Casa
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Fundão (a aguardar confirmação)

Apoios:
Museu Arqueológico Municipal do Fundão
Jornal do Fundão
Associação Cultural Desportiva e Recreativa de Vale de Urso

Voluntariado / Contribuição:
Xamane & Nia
Ana
Nelly
José Figueira
Luís Leitão
Nuno Francisco
Luís Caetano

segunda-feira, julho 14, 2008

O Blog do Katano já tem 5 estrelas...

... em cada posta, pelo menos. Passo a explicar: agora, é dada a cada um dos nossos leitores, a possibilidade de opinar activamente sobre a qualidade dos posts que aqui vão surgindo, clicando sobre o número de estrelas que acharem que o post vale.


Aqui apresentamos a escala de avaliação:


Fraquinho, fraquinho: Assinalar 5 estrelas
Mediano: Assinalar 5 estrelas
Razoável: Assinalar 5 estrelas
Bom: Assinalar 5 estrelas
Classificação do género: Eh pá, este post é mesmo do katano e eu vou fazer um sucesso tremendo quando contar esta história, como se fosse minha, à mesa do café logo à noite, principalmente se estiver por lá a Soraia Daniela do 3º Esq: Assinalar 5 estrelas

Damos logo o exemplo com este post, assinalando-o com 5 estrelas, visto que é uma completa nulidade.

sexta-feira, julho 11, 2008

IVA ao cêntimo

O ínicio do mês de Julho marcou também um evento único na História Económica Recente de Portugal: a descida de um imposto que beneficia também a classe média. É certo que a descida é de apenas 1% mas, que diabo, não deixa de ser a descida de um imposto.

Nitidamente, esta medida apanhou muitas entidades completamente despreparadas, estou por exemplo a lembrar-me da Galp que, apesar de apresentar nas suas facturas um valor de IVA mais baixo, continuava a cobrar um valor final com IVA a 21%. Obviamente que se trata de um lapso pois, a Galp, sempre se preocupou com os consumidores. Quem não se lembra quando, há umas quantas semanas atrás, os combustíveis subiram mais uma vez mas a Galp, bravamente, anunciou que não iria entrar nessa onda. Está bem que 24h depois voltaram a readquirir o estatuto, pelo menos no Fundão, de gasolineira que cobra mais caro mas, nessas 24h douradas, assumiram o direito à diferença.

Por outras paragens, numa empresa cujo nome não vou referir pois adoro tomar café por lá ao Domingo à tarde, depois de ter ido dar uma volta pela Worten e de ter ido às compras, usufruindo do meu cartão de descontos Modelo, a descida do IVA foi bem assimilada já que, no valor final da factura, conferiram automaticamente um desconto de 1%, mesmo quando se tratavam de produtos adquiridos a 21%.

Na cafetaria é que a coisa já não correu tão bem... Tendo-me deliciado com o belo do café, constatei que o mesmo já não tinha um preço de 50 centimos mas sim, tão somente, de 49 cêntimos! Acreditem, foi para mim muito duro resistir à tentação de, ali mesmo, tomar 2 cafés e ir adquirir um termo para levar mais uns quantos para casa, para aproveitar esta descida dos preços. Desiludido fiquei quando, ao pagar com uma moeda de 50 cêntimos e esperando, com alguma nostalgia à mistura, voltar a viver a situação de ter troco, a funcionária me informou de que não possuía moedas de 1 cêntimo pelo que, com muita pena, teria de "ficar a dever".

Claro que a perspectiva de ficar credor de uma empresa do grupo Sonae, levou a que eu aceitasse de bom grado a situação. Contudo, fiquei bastante chateado quando vi que, sistematicamente, a situação ocorria com todos os clientes que tomavam café.

Afinal, esta grande superfície comercial, da qual, reafirmo, não vou dizer o nome, preparou-se e bem para a descida do IVA. Os consumidores, esses, é que se assumiram como parte desleixada neste processo e não se prepararam...

quinta-feira, julho 10, 2008

Passatempo do Katano

Tema:

"Ronaldo sente-se escravizado"
Título de notícia do Jornal Record



Identifique, com uma cruz, nas figuras abaixo, qual dos escravos ganha o equivalente mensal ao PNB de um pequeno país.

Figura 1
Figura 2

O vencedor levará para casa uma T-Shirt, com os dizeres "Não gozem com a minha folha salarial", completamente grátis.

Amália Rodrigues, filha do Fundão

A Rua Marquês de Pombal, antiga Rua dos Galegos. Numa destas casas nasceu Amália Rodrigues


Segundo a opinião geral, orientada também pela informação constante no Bilhete de Identidade da falecida cantora, Amália Rodrigues terá nascido em Lisboa, na Rua Martim Vaz a 23 de Julho de 1920, sendo descendente de beirões, exactamente do Fundão.

A verdade é contudo bem diferente pois, Amália Rodrigues, ou melhor, Amália Rebordão Rodrigues, filha de Lucinda Rebordão e Albertino Rodrigues, nasceu no Fundão, numa casa da Rua dos Galegos, actualmente muito degradada, rua rebaptizada pelo Estado Novo de Rua Marquês de Pombal. A família Rebordão, do lado da mãe de Amália, tem raízes em Souto da Casa, freguesia do Concelho do Fundão, sendo que, o avô de Amália trabalhava como ferreiro nesta aldeia, fazendo "brochas", pequenos pregos de cabeça redonda que eram aplicados nos sapatos para evitar o desgaste das solas.

Na Igreja Matriz do Fundão encontra-se a certidão de baptismo de Amália, documento que foi publicado também no Jornal do Fundão após a morte da cantora, e tenho também conhecimento que o investigador J. Salvado Travassos terá mesmo descoberto uma certidão de nascimento.

Em Lisboa, de acordo com o testemunho de José Filipe Duarte Gonçalves, sobrinho/neto de Lucinda Rebordão, em Lisboa apenas terá nascido a irmã de Amália, Odette, para além de uma outra criança que faleceu.

As secadeiras da Gardunha

Hoje tive finalmente o privilégio de entrevistar o Sr José Figueira numa viagem guiada pelos vales situados nos contrafortes da vertente Oeste da Gardunha, à descoberta das tradicionais secadeiras.

Nestas rústicas construções, e até há cerca de 40 anos, secavam-se as castanhas que eram apanhadas, na ordem das toneladas, dos soutos que envolviam toda a região.

Foi possível descobrir uma secadeira onde ainda subsistem vestígios do "caniço", pequenas tábuas de madeira sobre as quais eram despejadas as castanhas, através de uma pequena abertura visível na foto, e que depois ficavam a secar sobre o calor de uma fogueira branda, vigiada em permanência.

Excelente matéria para a secção de construções utilitárias comunitárias para a exposição.


quarta-feira, julho 09, 2008

A Calçada do Diabo

Faço com este artigo uma pequena incursão de cariz mais etnográfico e popular, fazendo referência a uma curiosa lenda sobre uma calçada, actualmente em vias de desaparecer, que percorre alguns quilómetros, desde o sítio conhecido como Portela até ao santuário da Senhora da Orada, junto à vila de São Vicente da Beira. Nesta vila, terá D. Afonso Henriques depositado um osso pertencente ao conjunto de relíquias de São Vicente que tinham acabado de chegar a Portugal, mas isso é outra história.




Sobre a calçada então, já ouvi duas histórias curiosas mas a que reproduzo a seguir é a mais vulgarmente escutada nas gentes de Vale de Urso.

Conta-se que certo homem havia sido encarregue de construir uma calçada no desfiladeiro que levava ao santuário da Senhora da Orada mas, perante tal desafio, ele desesperava pois sentia não ser capaz de levar tal tarefa a bom termo.

No auge do desespero, o homem ergueu a voz e jurou bem alto que seria até capaz de entregar a alma ao Diabo se este lhe construísse a calçada. Ora, não foi preciso mais para, de imediato, o Demo lhe aparecer com uma proposta tão tentadora quanto terrível: ele encarregar-se-ia de construir a calçada numa noite, antes que o galo cantasse, se o homem lhe entregasse a alma.

O Diabo, como é sabido, consegue ser tentador fazendo-se mesmo ouvir quando os homens tapam os ouvidos e, perante a perspectiva de ser aclamado como responsável de tal proeza, o pobre homem acedeu e firmou o trato.

De imediato o Diabo meteu mãos à obra e, laje após laje, a calçada ia-se desenhando na paisagem como um risco que se estende sob um lápis tão gigantesco quanto invisível.

Subitamente, o pobre homem despertou do torpor da sua ambição e deu-se conta do acto terrível que tinha acabado de cometer. Em desespero, ajoelhou-se e rezou à Virgem para que lhe perdoasse tão terrível pecado e lhe valesse neste hora tão difícil. Na sua infinita misericórdia, a Virgem apiedou-se do pobre homem e, num milagre, o canto do galo ecoou no silêncio da noite, reverbando pelo vale.

Praguejando, o Diabo desapareceu por não ter conseguido cumprir o acordo, isto quando apenas faltavam colocar duas lajes... As mesmas que, até à pouco tempo, os mais idosos apontavam e diziam "Estas o diabo não teve tempo de assentar".

Podemos dizer, em jeito de brincadeira, que este caso terá sido o primeiro e único caso da história da construção civil nacional em que a derrapagem da obra não se deu por o empreiteiro ter ultrapassado o prazo mas sim por ter sido sujeita a um prazo que ultrapassou o empreiteiro... ou um galo que cometeu fraude sobre o empreiteiro... ou algo do género.

Fotografia tirada de 2001

terça-feira, julho 08, 2008

O Drama da IPO


Não sei se vos acontece o mesmo mas, para mim, o momento de proceder à Inspecção Periódica Obrigatória do meu veículo é pleno de inquietude. Posso até dizer que o nervosismo está à altura daquele que se sente quando nos encaminhamos para as pautas recém-afixadas daquele exame para o qual até estudámos razoavelmente mas cujo resultado é duvidoso.

Claro que não chega ao nervosismo que senti quando, em plena frequência da escolaridade primária, a Prof. Anunciação me apanhou a correr atrás das meninas para lhes levantar a saia, mas anda lá perto.

Outra particularidade que reveste o momento da IPO do meu veículo é o timming da mesma: sempre nos últimos dias. Não adianta eu decidir que, desta vez, será diferente e que irei logo mal receba o aviso do centro de inspecções. Nunca acontece e acabo sempre por me sujeitar a uma fila tal que mais parece que o centro de inspecções está a distribuir combustível gratuitamente.

A última então foi particularmente atribulada. Com o envolvimento no projecto de exposição, agravado pelo trabalho e pela necessidade do estudo pela iminência de um exame, deixei mesmo passar a data que está marcada a vermelho no calendário e acabei por ir no último dia.

Obviamente eu tinha um plano astuto que passava por estar às 8h30 da manhã frente ao centro de inspecções para apanhar logo aquele lugarzinho tão desejado na cabeça da fila. Logo aí começou a correr mal pois, pelos vistos, houve fuga de informação e, quando cheguei às 8h30 ao centro de inspecções, já cerca de 30 carros formavam uma fila bem desenhada pelas ruas adjacentes.

A coisa até acabou por correr bem e, aí por volta das 10h, o Caetanomobile estava a dar entrada na linha de inspecção e, claro, eu já estava acompanhado por aquele nervosismo que me povoa a mente de questões como "Será que vai dar para passar?", "Será que eles vão reparar que o LCD tem um mau contacto em alguns segmentos?", "Será que eu devia ter lavado o Caetanomobile?".

A primeira fase até passou bem: buzina confere, aspersores e limpa-vidros confere, luzes confere, luz dos travões confere após pancada, ...

O pior foi quando, ao fazer o teste dos travões, se descobriu a terrível verdade da existência de uma deficiência no sistema de travagem das rodas traseiras que consistia num diferencial de travagem das rodas superior a 50%, ou seja, uma travava mais um bocado que a outra! Por muito que eu tentasse argumentar ali que aquilo não me incomodava nada e que eu não me importava nada de travar apenas com as rodas da frente, o inspector manteve-se na sua pose de inspector: impassível e indiferente.

Assim, lá tive de me apresentar para recurso uma semana depois, já com as deficiências corrigidas, ou pelo menos assim o pensava. Verificados os travões, não pude deixar de endereçar um olhar desafiante de nítida arrogância e superioridade na direcção do inspector ao constatar que o Caetanomobile não só travava como ainda quase arrancava o alcatrão na travagem.

O pior foi quando o inspector reparou num pequeno rasgo no assento do condutor e que, tendo sido já detectado na primeira inspecção, eu não tinha reparado.

Perante a iminência de uma nova reprovação, tive de improvisar uma deslocação relâmpago à superfície mais próxima para proceder à aquisição de um conjunto de capas para os assentos do veículo. Colocada a capa sobre o assento do condutor e tendo atirado as outras para o banco traseiro, lá me dirigi novamente ao centro de inspecções.

Tendo exibido, com orgulho, a nova capa do assento do condutor do Caetanomobile, foi com não menos orgulho que recebi das mãos do inspector o tão almejado documento verde, garante de estatuto social e que qualquer pessoa ostenta de forma exuberante à saída daquele gabinete temível.

No final, fica a satisfação de possuir um veículo que reúne todas as condições de segurança exigidas e está apto a circular pela rede viária nacional! Contudo, há apenas um pequeno senão no tão almejado documento verde: a referência a um LCD que terá forçosamente de ser reparado antes da próxima inspecção...

Mais um passo...


Hoje o projecto ganhou mais um patrocinador. Mais que uma reunião, foi no seguimento de uma conversa de 2h30, onde encontrei um presidente de Junta que ama a sua terra, o seu cantinho da Gardunha, e que luta de forma acérrima para a preservação da memória colectiva.

Hoje sim, convenci-me em definitivo que este projecto vai muito para além desta exposição. 9, 10 e 11 de Agosto serão apenas o início.

Depois do Museu Arqueológico Municipal, temos a adesão da Junta de Freguesia do Souto da Casa.

segunda-feira, julho 07, 2008

Adenda ao Bacalhau Luminoso

No seguimento da notícia que aqui recuperámos e que dava conta do avistamento de um OVNI em forma de bacalhau luminoso sobre os céus da nobre localidade de Teixoso, Covilhã, fomos acometidos por uma invasão de e-mails que, entre outras coisas, acusavam este blog de expressar "fantasias tendenciosas próprias de um delírio nitidamente motivado por factores etílicos". Também recebemos pela mesma via, um pedido de casamento, uma factura de electricidade e um pedido de informações de horários da CP mas são questões que não merecem aqui espaço.


Então, para provar que o Blog do Katano constitui um rigoroso instrumento de divulgação noticiosa que jamais acrescenta um ponto aos factos, eis aqui a reprodução da reportagem datada de 1977, relatando o avistamento do fenómeno. Este artigo acaba também por, de forma astuta e subtil, pegar numa notícia sobre OVNIS e transformá-la numa crítica social ao preço do bacalhau.


A ler atentamente!





In Jornal do Fundão, 7 de Janeiro de 1977

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