domingo, julho 06, 2008

200º aniversário do Massacre de Alpedrinha


Assinalou-se ontem o 200º aniversário do massacre de Alpedrinha perpetrado pelo exército francês no qual pereceram cerca de 30 habitantes após um combate desigual. Para assinalar esta data que tristemente inscreveu de forma indelével nos anais da história da Guerra Peninsular, o nome da vila que por muitos é chamada de "Sintra da Beira", a Junta de Freguesia local organizou um conjunto de iniciativas ao longo do dia.

Assim, foi descerrado um memorial com o nome das vítimas após o que se seguiu uma missa no adro da Igreja, junto às sepulturas de alguns daqueles que têm o seu nome inscrito no monumento e que descansam no adro da Igreja.

A culminar a iniciativa assistiu-se a uma interessantíssima conferência, proferida pela escritora Antonieta Garcia, e que contextualizou o episódio de Alpedrinha no período das Invasões Francesas. Apesar de, pessoalmente, manifestar alguma discordância num ou noutro ponto com as palavras da oradora, o que é certo é que no geral foi sem dúvida uma conferência interessantíssima e que justificou bem a ida a Alpedrinha. Estou aliás ansioso pelo lançamento do livro.

Sobre o Massacre

De forma resumida, o Massacre de Alpedrinha situa-se num período em que o país se começa a sublevar contra o domínio francês decorrente da dita 1ª invasão, a que alguns autores atribuem a ordinalidade de 2ª invasão num total de 4. Corria o ano de 1908.

A própria conjuntura se revelara favorável ao aparecimento de grupos de guerrilha e também da sublevação das povoações, com a retirada das tropas espanholas que ocupavam o Sul de Portugal, na sequência dos acontecimentos do "Dos de Mayo", chamadas pelas recém criadas Juntas Revolucionárias de Espanha. As tropas francesas foram assim obrigadas a espalhar-se pelo país o que as enfraqueceu. O mês de Junho então foi particularmente crítico com a sublevação das grandes cidades no Norte de Portugal com destaque para o Porto que, a 19 de Junho, aclama a Dinastia de Brangança.

Para subjugar a revolta, Junot, que então governava (cada vez menos) o país a partir de Sintra, ordena ao temível general Loison que vá buscar reforços a Almeida para depois marchar sobre o Norte de Portugal. Contudo, o Maneta apenas consegue chegar à região de Mesão Frio onde é travado pela guerrilha e forçado a retirar para Almeida. Aí, recebe ordens para voltar a Lisboa, onde se estão a concentrar todas as tropas francesas. É nesta altura que se dá o episódio de Alpedrinha.

Ao atravessar a Beira, Loison depara-se com a insurreição de Alpedrinha que, na véspera, rasgara publicamente uma missiva de Junot. As causas do ataque francês são ainda hipotéticas sendo as mais apontadas a recusa da vila em ceder alimentos ao exército ou disparos efectuadas por dois indivíduos que terão provocado vítimas entre os invasores. O que é certo é que Loison atacou Alpedrinha , cuja força de resistência consistia em populares armados com tudo o que tinham podido encontrar e comandados pelo capitão-mor e pelo padre local. À vista do número de atacantes, a população tomada pelo pânico foge, tentando refugiar-se na Gardunha. Em apenas uma hora, das 18h às 19h, cerca de 30 habitantes não conseguem escapar e são assassinados, alguns deles após inacreditáveis torturas, ficando muitos outros feridos, alguns dos quais acabando por morrer dias depois.

Saqueada e incendiada a vila, as tropas francesas retomam o seu percurso para Lisboa onde chegariam com 1/6 de baixas infligidas pela guerrilha. O exército francês acabaria por se retirar de Portugal a 31 de Agosto, derrotados pelos ingleses, que haviam desembarcado a 1 desse mês, na sequência de acordo "estranho" que lhes permitiu embarcarem para França com tudo o que haviam saqueado.


Foto de Alpedrinha retirada daqui
Retrato de Loison retirado daqui
Quadro dos massacres do Dos de Mayo (Goya) retirado daqui

Mais perto do objectivo...


Chegaram ao fim duas importantes etapas do projecto da exposição: a pesquisa nos arquivos do Jornal do Fundão e o cadastro fotográfico de todas as casas e construções utilitárias de interesse, etapa que teve o contributo decisivo do meu grande camarada Xamane.

O dia de hoje foi fértil em aventura. Depois do cadastro fotográfico do impressionante alambique centenário, houve ainda tempo para uma rápida incursão em todo o terreno até à crista da serra da Maúnça para a recolha de dados de georreferenciação do Forno dos Mouros, incursão que foi, segundo alguns testemunhos recolhidos na equipa, muito agitada... literalmente.

Tendo em conta que o camarada Xamane estava algo apressado, pela iminência da hora em que tinha compromissos noutras paragens, optou-se por se definir um trajecto em jeitos de secante, cortando pelo meio da vegetação arbustiva, sendo o percurso aberto à Katanada. Aproveito esta oportunidade para alertar os meus caros leitores, sempre que tiverem de ir proceder ao levantamento de dados, para efeitos de georreferenciação, em local rodeado de uma agressiva vegetação arbustiva, para se munirem de calças resistentes. Assim evitam alguns dissabores como o de ficar com as pernas transformadas numa espécie de mapa rodoviário de um país super desenvolvido.

Obviamente que não me estou a referir a nós, nem estou a querer insinuar que, no regresso a casa, tive, literalmente, de tomar banho com álcool devido à extensão dos arranhões mas trata-se tão somente de um conselho de prevenção.

Dissabores à parte, o projecto avança agora para a fase das entrevistas à população e para a definição da ÁRVORE GENEALÓGICA da povoação, um estudo que promete revelar algumas surpresas.

sexta-feira, julho 04, 2008

Comunicado da Junta Directiva do Blog Katano

A Junta Directiva do Blog do Katano vem comunicar aos seus acérrimos, indefectíveis e mui nobres leitores o seguinte:


1 - Declara-se inaugurado a partir de... agora, o serviço de Feed do Katano


2 - Tal serviço constitui um serviço de Feed que está associado a este Blog


3 - Os interessados em efectuar a subscrição do serviço de Feed do Katano, poderão fazê-lo mediante o clique sobre o link que a seguir se apresenta: http://dokatano.blogspot.com/feeds/posts/default acto após o qual deverão clicar sobre o link localizado na frase "Subscrever este Feed".


Nota Final:


Perante as muitas dúvidas que nos chegaram, colocadas pelos nossos acérrimos, indefectíveis e mui nobres leitores, que denotavam um completo desconhecimento sobre a questão dos Feed, algumas das quais inquirindo se a subscrição do serviço de Feed era o garante de que não precisariam mais de recorrer ao supermercado, poupando assim avultada quantia, solicitamos um esclarecimento à Wikipedia, tendo-nos sido comunicado o seguinte:



O termo Feed vem do verbo em inglês "alimentar". Na internet, este sistema também é conhecido como "RSS Feeds" (RDF Site Summary ou Really Simple Syndication).
Na prática, Feeds são usados para que um usuário de internet possa acompanhar os novos artigos e demais conteúdo de um site ou blog sem que precise visitar o site em si. Sempre que um novo conteúdo for publicado em determinado site, o "assinante" do feed poderá ler imediatamente.

quinta-feira, julho 03, 2008

Mais referências...

...do Katano por esse mundo fora:


Ali para os lados de Almuñecar, Espanha.



Um doce para quem souber onde fica esta lojinha:

Tanto o Katano como a Kataninha têm obrigação de saber...

Uma Estrela do Katano

Ora bem, pelos vistos tinha de postar isto senão alguém ainda me batia...



Foi à chegada à Festa da Cereja na Alcongosta.

"Caetano Star e tal, tira a foto! Depressa antes que abale!" Egos...

:P

terça-feira, julho 01, 2008

Teixoso, Covilhã - 7 de Janeiro de 1977

Continuando na temática do "Fiel Amigo", o nosso bacalhau (nosso, como quem diz...), faço agora referência à notícia sensacionalista do avistamento de um OVNI sobre a povoação de Teixoso em 1 de Janeiro de 1977.

Poucas palavras conseguirão descrever o momento de pasmo e incredulidade que deve ter contagiado em uníssono toda uma povoação.

Mais tarde, ao Jornal do Fundão, as testemunhas descreveram o estranho avistamento de forma pormenorizada, proferindo declarações como "Aquilo era mesmo parecido com um OVNI! Palavra de Honra!" ou "Nunca vi uma coisa assim!". Contudo, a frase que iria marcar a ferro quente a memória de toda uma geração seria: "Aquilo parecia mesmo um bacalhau luminoso!".

O objecto seria mais tarde avistado sobre a povoação de Orjais até desaparecer no horizonte mas não na memória das gentes.

O que seria o Bacalhau Luminoso do Teixoso? A verdade está lá fora...

Super Blog Awards

Já começou o período de votação para o Super Blog Awards!

Os interessados em votar deverão primeiro registar-se no site da Super Bock em:

http://www.superbock.pt/registo.aspx

e depois só têm de escolher o seu blog favorito e votar aqui:

http://www.superbock.pt/SuperBrand/Super_Blog_Awards/votar.aspx

PS - Para os mais incautos, quero avisar que eu conheço o Mugabe. Só para avisar...

A praga do Pé Descalço

Um dos problemas da Educação em 1956 ainda não era o facto de os alunos trazerem e usarem telemóveis mas sim o facto de não trazerem e não usarem sapatos. A Adidas, Nike e Camport eram ainda uma miragem.


S.R.
A Direcção do Distrito Escolar de Castelo Branco
Aos Senhores Professores e Regentes de Postos Escolares
Em 1 de Março de 1957

Circular nº341

Sua Excelência o Subsecretário de Estado da Educação Nacional, por despacho de 14 de Dezembro último, determinou "que se envidem os melhores esforços no sentido de se resolver o problema do "pé descalço", procurando-se impedir que as crianças venham descalças para a escola, fazendo-lhes ver as vantagens que tal procedimento poderá ter na sua saúde, e ainda, levando-as a reconhecer tratar-se mais de um problema educativo do que económico.

Aponta-se, como estímulo, o exemplo da cidade do Porto, onde mais se tem feito sentir a acção da Liga Portuguesa de Profilaxia Social através de muitos artigos e notícias publicadas nos jornais da cidade, e onde se encontra proíbido o uso do "pé descalço", com penas para os transgressores.

Quando por manifesta carência económica, as crianças não possam ir calçadas à escola, deverá promover a aquisição de calçado de que necessitam, através das Caixas Escolares.
(...)

A Bem da Nação
O Director,
(ilegível)

Onda de assaltos... em 1946

Por esta notícia se vê que, já no ido ano de 1946, os assaltantes vagavam impunes pelo território e, já nessa altura, o problema da falta de policiamento era uma realidade. A diferença talvez resida nos valores que os meliantes saqueavam...

Suspeita-se que os gatunos que roubaram os Srs João Miguel Martins e António José Amaral, entraram no dia 20 em casa do Sr Joaquim D. Charniqueiro.

Desta vez porém, tiveram pouca sorte porque só roubaram 3 pares de meias e uma posta de bacalhau. O dinheiro e o ouro que eles certamente procuravam estavam em casa do sogro deste senhor.

Agradecia-se que fossem tomadas as necessárias medidas para a captura dos larápios.

in Jornal do Fundão, 29/12/1946

sexta-feira, junho 27, 2008

Faltam 6 semanas

Faltam 6 semanas para o grande dia e, aos poucos, a informação vai-se avolumando. Está quase a chegar ao fim a recolha fotográfica e, com um importante reforço de última hora na equipa, os dados estatísticos relativos ao estudo demográfico estão bem encaminhados. Por outro lado, já só falta mais um dia de investigação nos arquivos do Jornal do Fundão.

Este fim de semana promete ser importantísssimo com a iminência da identificação de mais um sítio de potencial arqueológico e uma entrevista a quem, na primeira pessoa, experimentou a actividade das tradicionais "secadeiras".

O local da exposição já está escolhido e reservado, o Museu Arqueológico Municipal já aderiu com entusiasmo ao projecto, faltando a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia, entidades com as quais vou reunir na próxima semana.

Aos poucos, vai-se criando um compêndio fabuloso onde, com cada vez mais nitidez, se começa a desvendar a história de uma localidade e o retrato da verdadeira gente "da rama do castanheiro" contados na primeira pessoa...

...e pelas silenciosas testemunhas feitas de pedra.





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