segunda-feira, maio 26, 2008

Relâmpago do katano


No âmbito do projecto de exposição, fomos este fim-de-semana recolher dados à aldeia e, entre a recolha de esboços e fotografias dos alçados do edifício do posto escolar e uma breve entrevista a um habitante local que rendeu um belo saco de cerejas, descobrimos esta imagem.

Um pinheiro infeliz, escolhido como pára-raios durante as últimas trovoadas, tem inscrito um sulco de alto a baixo, revelando os canais de seiva que a descarga usou como condutor para chegar ao solo. Deve ter sido realmente um estrondo do katano...

segunda-feira, maio 19, 2008

Final Feliz



domingo, maio 18, 2008

2ª Oportunidade

Hoje, a caminho da minha visita dominical ao Solar dos Caetano, deparei-me com uma rôla caída na estrada em plena faixa de rodagem. Se há coisas às quais não consigo ficar indiferente, ver um animal ferido ou em perigo é uma delas e, como tal, fiz questão de a recolher.

A ave encontrava-se num estado de fraqueza tal que não reagiu quando a apanhei. Apresentava indícios de ter sofrido uma forte pancada no lado esquerdo, com o olho fechado em meio a um inchaço enorme. Aparentemente as asas, patas e quilha encontravam-se inteiras mas quanto ao crânio nenhuma certeza.

Depois de ter conseguido dar-lhe água, acabou por animar e a meio da tarde começou já a comer. O inchaço diminuiu embora ficando com um enorme olho roxo.

Parece-me que esta ave vai ter uma 2ª oportunidade e isso é algo que já fez valer todo o meu dia.

A iluminação segundo Sócrates

Segundo Sua Excelência o Primeiro-Ministro, Sr Eng José Sócrates, um fumador que seja apanhado a prevaricar, isto é, a empestar a atmosfera comum com o produto do seu vício em local devidamente proibido por lei como tal, incorrendo em contra-ordenação passível de coima, não terá de pagar a referida coima se pedir desculpa e deixar de fumar no próprio momento.

Sendo assim, e seguindo o exemplo do nosso iluminado executivo, será que eu não me poderia esquecer de pagar o meu IRS? A seguir, juro que pediria desculpa e prometeria nunca mais voltar a pagar...

sexta-feira, maio 16, 2008

Pequena massagem ao ego

As fotos do dia.

Vilarinho das Furnas, Gerês.
Aldeia submersa desde 1971 pelas águas da albufeira da barragem que, para além das pedras, lhe tomou também o nome.






Serra da Estrela, algures entre as pistas de esqui e a Lagoa Comprida.






Alto da Maúnça, Açor.





Outra de Vilarinho das Furnas



Foi um dia agradável...

quinta-feira, maio 15, 2008

Singelo e imenso




Hoje foi-me confiado, de forma inesperada, o relógio que pertenceu ao meu avô paterno e confesso que demorei algum tempo a assimilar o acontecimento.

Este relógio é uma das minhas recordações de infância, como algo precioso e quase sagrado que o meu avô guardava na gaveta de um móvel da sala, juntamente com outros objectos de valor.

Para mim, com o deslumbramento próprio de um miúdo, este relógio era valioso como se fosse um tesouro e, ainda tenho recordações da primeira vez que a minha avó mo mostrou. Segurei-o com todo o cuidado, como se tivesse medo que ele pudesse simplesmente dissolver-se nas minhas mãos.

Depois disso, ocasionalmente, eu gostava de abrir a gaveta e pegar no relógio apenas para olhar para ele. Curiosamente, guardá-lo de volta na gaveta era sempre um momento de alívio.

Hoje, ao pegar nele, senti ainda uma réstia desse fascínio e quando girei a pequena roda para lhe dar corda, fi-lo sem grande esperança que ainda funcionasse. Para minha surpresa, os segundos voltaram a ser contados e foi como se cada "tic-tac" trouxesse de volta aquelas recordações que há muito haviam sido arrumadas também elas numa gaveta onde eu as espreitava ocasionalmente.

Desorientação

"Pode fazer o favor de me dizer em que andar é que eu estou?"

Foi deste modo que um morador do meu prédio, por sinal uma figura bastante conhecida no meio social cá do burgo, me solicitou ajuda na madrugada de ontem para tentar encontrar o seu apartamento (por sinal, 2 pisos abaixo do meu).

Depois de o orientar, lá chamei o elevador para o levar onde queria. Contudo, parece-me que o regresso ainda demorou algumas horas... Malvado, maldito álcool...

sábado, maio 10, 2008

Raciocínio

Fiquei ontem surpreendido com o poder de raciocínio de uma concorrente de um popular concurso televisivo de cultura geral ao qual se concorre geralmente com a ânsia de ir buscar 500 euros.

A questão que valia se não estou em erro 750 euros, inquiria sobre qual de 4 cidades tinha sido destruída no ano de 79 pelo vulcão Vesúvio, sendo que as possibilidades de resposta eram: Roma, Atenas, Pompeia e Esparta.

Adoptando um ar de elevada concentração, a concorrente começou a desfiar verbalmente uma intrincada linha de raciocínio:

"Ora bem... Vesúvio é Itália. Como tal, Atenas é grega, Esparta também, por isso não são hipóteses. Agora Roma e Pompeia... Bom... Eu já estive em Roma e já estive nas ruínas de Pompeia e realmente aquilo é impressionante. Ainda se vêem corpos dos romanos. Sei que aquilo foi destruído por um vulcão mas não sei se foi o Vesúvio."

O desfiar iria continuar por mais algum tempo até a concorrente optar mesmo por Pompeia.

Contudo o padrão dessa edição do concurso iria ser depois estabelecido por uma concorrente que ficou com grandes dificuldades ao ter que decidir se na Lua havia os corpos tinham um peso menor que na Terra ou se havia ausência total de peso. Com profunda sapiência argumentou que, como não havia atmosfera, não havia gravidade.

segunda-feira, maio 05, 2008

Contradições na cerimónia do matrimónio

No passado sábado estive no casamento de um simpático casal de ex-alunos e foi, digamos assim, um casamento que seguiu os procedimentos clássicos - recepção, cerimónia, copo-de-água, pelo menos até onde me foi possível assistir visto que, algures entre o primeiro e o segundo prato, tive de sair para atender a outros compromissos, todos eles em Coimbra curiosamente.

O facto de nada ser novidade para mim num casamento, visto que já assisti a uns quantos, permitiu-me adoptar uma postura mais observadora em relação a todo o conjunto de pequenos rituais que acontecem durante a celebração de um casamento.

Começo desde já por manifestar a minha indignação pela ausência de um momento alto da vertente religiosa da celebração. Sim, sim! Essa mesmo! A parte onde o padre perguntava se havia por ali alguém com intenções de objectar à realização da cerimónia por motivos que não eram do conhecimento público.

Se é certo que já nos habituamos a isso, recordo um certo casamento onde um grupo de várias pessoas se preparava para pigarrear no preciso momento em que o padre colocasse essa questão. Os ares de confusa desilusão que tomaram conta dos olhos dos membros desse grupo foram marcantes pela sua pungência. Aliás, eu só voltei a ver uma expressão assim, há bem pouco tempo, nos olhos de um amigo meu a quem informei que o Luís Filipe ia ser titular na equipa do Benfica no jogo dessa tarde.

Há, no entanto, dois momentos intrigantes que persistem inexoravelmente em todos os casamentos: o momento em que se atira arroz e o momento repetitivo em que os convidados exigem que os noivos primeiro, e os familiares e padrinhos depois, se beijem perante toda a gente.

Eu pergunto: faz sentido continuar a atirar arroz, tendo em conta o preço a que ele está? É certo que o cereal em causa serve de barómetro ao nível económico-social dos convidados bastando ver se aquilo que está a ser atirado é arroz carolino, arroz agulha ou simplesmente trinca de arroz. Posso desde já adiantar que já estive num casamento onde se atirou Uncle Ben's. Por outro lado também estive noutro onde o arroz era muito semelhante a areão.

Seja como for, faz-me confusão ver desperdiçar alimento suficiente para abastecer por largo período de tempo um pequeno país do Terceiro Mundo. Votos de abundância? Para isso pode-se passar um cheque no valor do investimento que se fez em arroz já que pelo menos assim não se estraga nada. Será mesmo um acto simbólico?

Tenho para mim que quem atira arroz é porque tem contas a ajustar com um dos noivos (os dois?) ou, pelo menos, com alguém que esteja ali por perto. Acredito que frases como "Não acredito que te casaste primeiro que eu!" ou "Sacana! Ficaste-me com ele/ela!" ou "Isto é por aquela sova que me deste em 1982" possam passar pela cabeça dos convivas. É que uma coisa seria atirar arroz em trajectória parabólica com um extremo bastante elevado no eixo das ordenadas. Outra completamente diferente é atirar arroz agulha, em trajectória tangente às cabeças dos convidados, em direcção aos olhos dos noivos.

Relativamente ao pedido insistente e repetitivo de que os noivos se beijem em público é também uma situação que não compreendo. Há aqui nitidamente uma expressão oportunista de voyeurismo que aproveita um dos poucos momentos em que é socialmente aceite. Mas para ver o quê? Estamos a falar de uma plateia que certamente assiste à TVI depois das 18h e como tal já viu tudo o que há para ver em termos de pouca-vergonha. Aliás, basta dirigirmo-nos a um qualquer relvado próximo para ter grandes possibilidades de assistir a um casal em plena prática daquilo que parece uma amálgama dinâmica e desconexa de membros e traseiros da qual saem ocasionais salpicos de saliva.

Radical seria sim gritar-se "Não beijem! Não beijem!". Aí ver-se ia algo realmente inédito e, pelo menos em certas ocasiões, tendo em conta que se está em plena refeição, seria uma benção. A ideia final será sempre "Já os vi fazer melhor!". Mas pronto, há que não perder esta oportunidade de se ser voyeur, expressar a esperança inconsciente de se poder ver algo realmente muito maroto e ainda ter uma sala inteira a aplaudir o que nos faz perceber que não estamos sós no Mundo no que às depravações diz respeito.

Pulamordedeus! A coisa podia ser tão mais simples: "Aceitas? - Aceito!", "Aceitas?-Aceito!", "Então vamos à bucha!"

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