domingo, maio 18, 2008

A iluminação segundo Sócrates

Segundo Sua Excelência o Primeiro-Ministro, Sr Eng José Sócrates, um fumador que seja apanhado a prevaricar, isto é, a empestar a atmosfera comum com o produto do seu vício em local devidamente proibido por lei como tal, incorrendo em contra-ordenação passível de coima, não terá de pagar a referida coima se pedir desculpa e deixar de fumar no próprio momento.

Sendo assim, e seguindo o exemplo do nosso iluminado executivo, será que eu não me poderia esquecer de pagar o meu IRS? A seguir, juro que pediria desculpa e prometeria nunca mais voltar a pagar...

sexta-feira, maio 16, 2008

Pequena massagem ao ego

As fotos do dia.

Vilarinho das Furnas, Gerês.
Aldeia submersa desde 1971 pelas águas da albufeira da barragem que, para além das pedras, lhe tomou também o nome.






Serra da Estrela, algures entre as pistas de esqui e a Lagoa Comprida.






Alto da Maúnça, Açor.





Outra de Vilarinho das Furnas



Foi um dia agradável...

quinta-feira, maio 15, 2008

Singelo e imenso




Hoje foi-me confiado, de forma inesperada, o relógio que pertenceu ao meu avô paterno e confesso que demorei algum tempo a assimilar o acontecimento.

Este relógio é uma das minhas recordações de infância, como algo precioso e quase sagrado que o meu avô guardava na gaveta de um móvel da sala, juntamente com outros objectos de valor.

Para mim, com o deslumbramento próprio de um miúdo, este relógio era valioso como se fosse um tesouro e, ainda tenho recordações da primeira vez que a minha avó mo mostrou. Segurei-o com todo o cuidado, como se tivesse medo que ele pudesse simplesmente dissolver-se nas minhas mãos.

Depois disso, ocasionalmente, eu gostava de abrir a gaveta e pegar no relógio apenas para olhar para ele. Curiosamente, guardá-lo de volta na gaveta era sempre um momento de alívio.

Hoje, ao pegar nele, senti ainda uma réstia desse fascínio e quando girei a pequena roda para lhe dar corda, fi-lo sem grande esperança que ainda funcionasse. Para minha surpresa, os segundos voltaram a ser contados e foi como se cada "tic-tac" trouxesse de volta aquelas recordações que há muito haviam sido arrumadas também elas numa gaveta onde eu as espreitava ocasionalmente.

Desorientação

"Pode fazer o favor de me dizer em que andar é que eu estou?"

Foi deste modo que um morador do meu prédio, por sinal uma figura bastante conhecida no meio social cá do burgo, me solicitou ajuda na madrugada de ontem para tentar encontrar o seu apartamento (por sinal, 2 pisos abaixo do meu).

Depois de o orientar, lá chamei o elevador para o levar onde queria. Contudo, parece-me que o regresso ainda demorou algumas horas... Malvado, maldito álcool...

sábado, maio 10, 2008

Raciocínio

Fiquei ontem surpreendido com o poder de raciocínio de uma concorrente de um popular concurso televisivo de cultura geral ao qual se concorre geralmente com a ânsia de ir buscar 500 euros.

A questão que valia se não estou em erro 750 euros, inquiria sobre qual de 4 cidades tinha sido destruída no ano de 79 pelo vulcão Vesúvio, sendo que as possibilidades de resposta eram: Roma, Atenas, Pompeia e Esparta.

Adoptando um ar de elevada concentração, a concorrente começou a desfiar verbalmente uma intrincada linha de raciocínio:

"Ora bem... Vesúvio é Itália. Como tal, Atenas é grega, Esparta também, por isso não são hipóteses. Agora Roma e Pompeia... Bom... Eu já estive em Roma e já estive nas ruínas de Pompeia e realmente aquilo é impressionante. Ainda se vêem corpos dos romanos. Sei que aquilo foi destruído por um vulcão mas não sei se foi o Vesúvio."

O desfiar iria continuar por mais algum tempo até a concorrente optar mesmo por Pompeia.

Contudo o padrão dessa edição do concurso iria ser depois estabelecido por uma concorrente que ficou com grandes dificuldades ao ter que decidir se na Lua havia os corpos tinham um peso menor que na Terra ou se havia ausência total de peso. Com profunda sapiência argumentou que, como não havia atmosfera, não havia gravidade.

segunda-feira, maio 05, 2008

Contradições na cerimónia do matrimónio

No passado sábado estive no casamento de um simpático casal de ex-alunos e foi, digamos assim, um casamento que seguiu os procedimentos clássicos - recepção, cerimónia, copo-de-água, pelo menos até onde me foi possível assistir visto que, algures entre o primeiro e o segundo prato, tive de sair para atender a outros compromissos, todos eles em Coimbra curiosamente.

O facto de nada ser novidade para mim num casamento, visto que já assisti a uns quantos, permitiu-me adoptar uma postura mais observadora em relação a todo o conjunto de pequenos rituais que acontecem durante a celebração de um casamento.

Começo desde já por manifestar a minha indignação pela ausência de um momento alto da vertente religiosa da celebração. Sim, sim! Essa mesmo! A parte onde o padre perguntava se havia por ali alguém com intenções de objectar à realização da cerimónia por motivos que não eram do conhecimento público.

Se é certo que já nos habituamos a isso, recordo um certo casamento onde um grupo de várias pessoas se preparava para pigarrear no preciso momento em que o padre colocasse essa questão. Os ares de confusa desilusão que tomaram conta dos olhos dos membros desse grupo foram marcantes pela sua pungência. Aliás, eu só voltei a ver uma expressão assim, há bem pouco tempo, nos olhos de um amigo meu a quem informei que o Luís Filipe ia ser titular na equipa do Benfica no jogo dessa tarde.

Há, no entanto, dois momentos intrigantes que persistem inexoravelmente em todos os casamentos: o momento em que se atira arroz e o momento repetitivo em que os convidados exigem que os noivos primeiro, e os familiares e padrinhos depois, se beijem perante toda a gente.

Eu pergunto: faz sentido continuar a atirar arroz, tendo em conta o preço a que ele está? É certo que o cereal em causa serve de barómetro ao nível económico-social dos convidados bastando ver se aquilo que está a ser atirado é arroz carolino, arroz agulha ou simplesmente trinca de arroz. Posso desde já adiantar que já estive num casamento onde se atirou Uncle Ben's. Por outro lado também estive noutro onde o arroz era muito semelhante a areão.

Seja como for, faz-me confusão ver desperdiçar alimento suficiente para abastecer por largo período de tempo um pequeno país do Terceiro Mundo. Votos de abundância? Para isso pode-se passar um cheque no valor do investimento que se fez em arroz já que pelo menos assim não se estraga nada. Será mesmo um acto simbólico?

Tenho para mim que quem atira arroz é porque tem contas a ajustar com um dos noivos (os dois?) ou, pelo menos, com alguém que esteja ali por perto. Acredito que frases como "Não acredito que te casaste primeiro que eu!" ou "Sacana! Ficaste-me com ele/ela!" ou "Isto é por aquela sova que me deste em 1982" possam passar pela cabeça dos convivas. É que uma coisa seria atirar arroz em trajectória parabólica com um extremo bastante elevado no eixo das ordenadas. Outra completamente diferente é atirar arroz agulha, em trajectória tangente às cabeças dos convidados, em direcção aos olhos dos noivos.

Relativamente ao pedido insistente e repetitivo de que os noivos se beijem em público é também uma situação que não compreendo. Há aqui nitidamente uma expressão oportunista de voyeurismo que aproveita um dos poucos momentos em que é socialmente aceite. Mas para ver o quê? Estamos a falar de uma plateia que certamente assiste à TVI depois das 18h e como tal já viu tudo o que há para ver em termos de pouca-vergonha. Aliás, basta dirigirmo-nos a um qualquer relvado próximo para ter grandes possibilidades de assistir a um casal em plena prática daquilo que parece uma amálgama dinâmica e desconexa de membros e traseiros da qual saem ocasionais salpicos de saliva.

Radical seria sim gritar-se "Não beijem! Não beijem!". Aí ver-se ia algo realmente inédito e, pelo menos em certas ocasiões, tendo em conta que se está em plena refeição, seria uma benção. A ideia final será sempre "Já os vi fazer melhor!". Mas pronto, há que não perder esta oportunidade de se ser voyeur, expressar a esperança inconsciente de se poder ver algo realmente muito maroto e ainda ter uma sala inteira a aplaudir o que nos faz perceber que não estamos sós no Mundo no que às depravações diz respeito.

Pulamordedeus! A coisa podia ser tão mais simples: "Aceitas? - Aceito!", "Aceitas?-Aceito!", "Então vamos à bucha!"

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sábado, maio 03, 2008

Caminhada na Gardunha

A Gardunha exerce um fascínio muito particular, difícil de descrever. Cheia de contrastes, cheia de recantos ainda por descobrir, é capaz de oferecer cenários belíssimos e diversificados a quem se aventurar pelos seus trilhos que nos levam das suas cercanias xistosas até ao seu coração de granito. Transpondo as palavras que José Luciano Ruiz, poeta espanhol: "É uma rocha egoísta pois não te dá nada, tira-te tudo. Alimenta-se do assombro da gente".

Sendo assim, e porque a minha minhotinha mais-que-tudo também partilha do gosto pelas caminhadas e exploração, o 25 de Abril foi dedicado à Gardunha numa caminhada que teve uma extensão de pouco mais de 20km e que terminou já em noite cerrada.

Partindo de Alcongosta, centro de produção da "cereja do Fundão", subimos pela calçada antiga (a que muitos chamam romana) que ligava primitivamente Fundão a Alpedrinha e Castelo Novo, flectindo depois no sentido da encosta do maciço central da Gardunha, passando sobre Alpedrinha, a "Sintra da Beira". Junto a uma velha casa em ruínas (200 ou 300 anos?) parámos para apreciar a paisagem e retemperar energias.

Em seguida, passando por várias quintas abandonadas, começámos a descida para o anfiteatro natural que é a confluência de linhas de água que formam o vale onde se situa Castelo Novo, uma das aldeias históricas de Portugal. Pelo caminho, encontrámos um simpático pastor (sim, aqui também ainda há pastores) que nos acompanhou durante parte do percurso, brindando-nos com relatos de como era a região há uns anos atrás e descrevendo o seu modo de vida actual. Deixando o nosso efémero companheiro para trás, não sem antes prometer que, caso voltássemos a passar por ali um dia, o visitaríamos, continuámos a descida para Castelo Novo onde chegámos atravessando um troço "remendado" da calçada e uma pequena ponte de betão.Após uma pausa para o lanche à sombra da Igreja e com vista para o castelo, não pudemos deixar de estranhar as obras de "requalificação" que estão a ser feitas na antiga fortaleza. Realmente há uma certa tendência para misturar metal e pedra mas o "mono" ferrugento que agora guarda a entrada do castelo parece um tanto ou quanto despropositado.

Continuámos até à praça da Antiga Casa da Câmara e da Cadeia, onde enchemos o cantil e bebemos a maravilhosa água do Chafariz de D. João V. Após uma pausa retemperadora, contemplando o desfilar de visitantes e as pessoas que chegam ao chafariz com o porta malas do carro cheio de garrafões de plástico prontos a serem enchidos da água que nos saciou a sede, percorremos a aldeia embora o tempo disponível não fosse muito.

Iniciada a subida para a elevação oposta à por onde tínhamos chegado, passando junto à fábrica das Água do Alardo, o caminho revelou-se sinuoso. Uma placa sinalizadora indicando que se está a chegar a Castelo Novo não engana. Aquele caminho de terra batida foi em tempos uma estrada importante.

Decidimos então fazer um corta-mato atacando uma subida mais íngreme, chegando a outra quinta abandonada para depois vencermos os antigos socalcos de cultivo bordejados por duas linhas de água. Extremamente difícil mas precioso na poupança de tempo. Pouco depois, chegávamos à Casa do Guarda onde reabastecemos o cantil e mais uma vez matámos a sede, isto com uma fantástica vista sobre Castelo Novo e as planuras que se estendem até Penha Garcia, passando pelo inselbergue onde se localiza Monsanto. Apertando o passo, atacámos a última subida antes da crista da Gardunha, chegando à Penha, um local de mitos e lendas, uns mais fantasiosos que outros, onde os vestígios de um castro se misturam com as ruínas de uma capela medieval, tudo isto apimentado com as histórias sobre avistamentos de OVNIS, visões quiçá potenciadas pelo saturação do sangue com certos derivados de produtos naturais.

Subir os degraus escavados na rocha até à extremidade da Penha vale bem a pena! No topo, instalámo-nos para a última refeição do percurso reforçada com a reconfortante sensação de um café ainda quentinho. Em tom de brincadeira, lá se trauteou um trecho da música que servia de fundo a um inesquecível anúncio publicitário a uma marca de café. O Sol não esperava e era por isso necessário começar a descer enquanto houvesse alguma luz pelo que, com muita pena, lá tivemos de nos fazer ao caminho.


Chegámos finalmente a Alcongosta, após uma visão das luzes que povoam a Cova da Beira à noite e que se estendem do Fundão até à Covilhã, aninhada no sopé da Serra da Estrela.
Valeu a pena!

quinta-feira, maio 01, 2008

Tradições

Um dos meus planos para o mês de Agosto prevê a montagem de uma exposição que recrie toda a memória cultural e etnográfica de uma aldeia muito especial para mim. Tenho como objectivo fazer uma recolha de fotografias e testemunhos aos quais vou juntar toda a documentação que tenho em minha posse e que inclui toda a correspondência da escola local desde os anos 1930 até ao seu encerramento, para além da recriação virtual do primeiro posto escolar da aldeia.

Ainda estou na génese do trabalho e já é fascinante aquilo que começo a descobrir.

Tome-se o exemplo desta foto, tirada algures pelos anos 1950, que retrata uma tradição anual que marca de certa forma, à luz dos costumes de então, a passagem dos rapazes por uma importante fase de vida e que aqui são fotografados segurando pandeiretas com fitas. Alguém arrisca uma hipótese? Alguém tem conhecimento de tradições semelhantes?

Enigma - II

Conclusão do artigo de 24 de Abril último.

Esta carta encontrava-se no sótão de uma antiga casa senhorial em Vicdessos, província francesa de Ariége nos Pirinéus, dentro de uma de várias caixas de charutos, e foi-me apresentada em Agosto último. Por vários elementos encontrados juntamente com a carta dentro das caixas (artigos, recortes, notas manuscritas), é possível datá-la de princípios do Séc XX ou finais do Séc XIX. Para além da carta, dentro das várias caixas encontravam-se vários fósseis e vários instrumentos e lascas de sílex dos quais os meus anfitriões tiveram a amabilidade de me oferecer alguns.

Do texto da carta consegui obter a seguinte tradução:

"Zamerza, 28/11 (1909?)

Caro Senhor

Envio-lhe por este mesmo correio alguns fósseis de ostrea villei. O senhor doutor disse-me que o célebre Coquant (Henri Coquant, geólogo francês do Séc XIX, ndk) lhe tinha dado um nome que não foi mantido. Seja como for são raros e encontrei-os nos pântanos "romianos"(?) na parte superior, sob as rochas laminadas de calcário local.

Encontrei também muitas ostrea (...) na base deste mesmo local, no meio encontrei várias conchas de uma espécie de mexilhão (envio-os igualmente. Dei-me conta de que o Damien possui apenas um fóssil de (...). Na minha próxima visita (...) (à terra do destinatário) levar-lhe-ei algumas pedras.

Está satisfeito com o meu último envio de vermiculitas(?) com vestígios(?) de peixe?

Queira aceitar as minhas mais sinceras saudações.

Assinatura ilegível"



Ao que parece, alguém que viveu na casa ou o antepassado de alguém que aqui habitou, era um apaixonado por paleontologia e arqueologia, como o atesta o documento e os diversos fósseis e instrumentos. Do que me permiti trazer, fazem parte os seguintes exemplares:

Fósseis de ouriços do mar pentaradiados de proveniência desconhecida. Embora estes seres existam desde o Ordovício (488 milhões de anos atrás), estes exemplares em causa poderão datar do Jurássico (200 milhões de anos atrás) ou Cretáceo (cerca de 100 milhões de anos atrás).



Uma lâmina, uma ponta de seta e dois núcleos de sílex (pedaços de onde se extraíam fragmentos para criar instrumentos). Estes vestígios deverão ter cerca de 10.000 a 15.000 anos atrás. Deverão ter sido encontrados no norte de Àfrica (Tunísia) de acordo com outros vestígios da caixa devidamente identificados.

Agradecimentos a Elodie Amorim pela ajuda prestada na tradução do texto

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