sexta-feira, setembro 28, 2007
Por terras dos Francos IX (cont.)
O Forte de Douaumont
Como referi no artigo anterior sobre a batalha de Verdun, o Forte de Douaumont era o centro da cintura da região fortificada de Verdun. Ironicamente, acabaria por cair em mãos alemãs primeiro e em mãos francesas depois, sem combate.
Construído entre 1885 e 1913, o forte foi vítima da estratégia ofensiva do exército francês durante o primeiro ano da I Guerra Mundial, tendo sido desarmado e desguarnecido como tantos outros na região. Contudo, a inversão da situação acabou por trazer a frente de combate para a região de Verdun sem que tenha havido um re-equipamento do forte.
A 25 de Fevereiro de 1916, no início da ofensiva de Verdun, os alemães decidem atacar as posições francesas frente ao forte de Douaumont com o objectivo de trazerem as suas posições até pelo menos 600 metros do forte. Estranhando a falta de oposição local, os alemães conseguem chegar facilmente ao fosso do forte. O único sinal de vida é dos canhões de 175 milímetros do forte que disparam contra objectivos distantes. Entraram então dentro do forte fazendo prisioneiros os cerca de 60 franceses que se encontravam nas galerias (o forte tinha capacidade para uma guarnição de 800 homens).
Imediatamente os alemães fazem da fortaleza o pivot das suas posições na região e as sucessivas tentativas francesas de a reconquistar fracassam umas após as outras, isto apesar de em determinado momento os franceses terem mesmo conseguido ocupar posições por cima do forte mas que, por falta de reforços, tiveram de ser abandonadas.
A ocupação alemã do forte vai prolongar-se até Outubro, altura em que um regimento colonial marroquino consegue em definitivo tomar a fortaleza. Entretanto, será sempre submetido a um furioso bombardeamento da artilharia francesa e será talvez por isso que às 6 horas da manhã do dia 8 de Maio, uma explosão num depósito de lança-chamas matou de uma só vez cerca de 800 alemães, 679 dos quais ficaram sepultados no forte.
A própria retomada do forte pelo exército francês será feita em circunstâncias particulares pois, fruto de um incêndio no interior das galerias, a guarnição está extremamente debilitada e rende-se sem combate.
quinta-feira, setembro 27, 2007
Por terras dos Francos IX
quarta-feira, setembro 26, 2007
A Honra de Almaceda

quinta-feira, setembro 20, 2007
Por terras dos Francos VIII

Os soldados mais velhos estão solidamente ligados ao passado. Possuem uma base, famílias, filhos, profissões e interesses já bastantes fortes para que a guerra não seja capaz de os destruir. Mas nós, com os nossos 20 anos, só temos os nossos pais e, alguns, uma amiguinha. Não é grande coisa.
Na nossa idade a autoridade dos pais está reduzida ao mínimo e as mulheres ainda não nos dominam. Fora disto não havia em nossas casas mais coisa alguma: um pouco de sonho extravagante, algumas fantasias e a escola. A nossa vida não ia mais além. E de tudo isto nada resta.
O Kantorek diria que nós nos encontrávamos precisamente no limiar da existência. É assim, efectivamente. Não tínhamos ainda criado raízes. A guerra, como um rio, levou-nos na sua corrente. Para os outros, de mais idade, ela não passa de um intervalo. Podem pensar em alguma coisa fora dela. Mas nós fomos apanhados por ela e ignoramos como isto acabará. O que sabemos simplesmente, neste momento, é que nos tornamos nuns brutos de uma forma estranha e dolorosa, ainda que muitas vezes não possamos já sentir a tristeza.
Erich Maria Remarque in “A Oeste nada de novo”, Europa-América 1929
segunda-feira, setembro 17, 2007
Por terras dos Francos VII

Há já dois dias que não apanhamos com grande coisa, caem apenas alguns 77 sobre a nossa posição o que é espantoso pois os alemães devem ter esta colina bem demarcada. Finalmente o dia ergue-se. Observamos o terreno à nossa frente: tudo parece calmo na planície que conseguimos perceber até bastante longe, apenas algumas patrulhas ou homens isolados. Dizem-nos para nos escondermos o melhor possível pois os aviões inimigos circulam nos céus e arriscamo-nos a levar com os obuses que nos caem em cima e que lhes são destinados. É preciso também não nos fazermos detectar.
A manhã passa suficientemente tranquila, não somos bombardeados de forma alguma até que, por volta das 11 horas, a fuzilaria rebenta à nossa esquerda. Conseguimos ouvi-la mas, ao mesmo tempo, um sargento surge gritando: "Toda a gente para fora, vêm aí os Boches!".
Testemunho de Léon Vuillermoz, cabo do 23º Regimento de Infantaria, destacado para a aldeia de Vaux no momento do ataque alemão à região fortificada de Verdun
sábado, setembro 15, 2007
quarta-feira, setembro 12, 2007
Para Eneia

Devo-o a esse sorriso desenhado em tons de inocência, a esse olhar onde se misturaram todas as coisas bonitas em ti e a essas tuas palavras sugeridas em tom de melodia.
domingo, setembro 09, 2007
Por terras dos Francos VI
A meteorologia é um tema incontornável de qualquer descrição de férias sendo que a presença de um Sol abrasador durante as mesmas um factor indispensável de sucesso.
Se há coisa que me irrita são aquelas pessoas, com um bronzeado que as aproxima - e de que maneira - das suas raízes africanas e que contam as suas aventuras na piscina do hotel ou na praia sob um Sol tórrido.
Há dois reparos que se impõem: primeiro eu tenho olhos na cara e consigo perceber que aquele bronzeado não foi de certeza por estarem demasiado próximos do microondas. A minha astúcia permite-me deduzir rapidamente que tal se deve a uma exposição solar prolongada, embora claro haja sempre a hipótese de recorrer aos solários. Em segundo lugar, basta tomar como referência qualquer operário de construção civil para ver que estes corajosos e coloridos veraneantes não passam de meros amadores e, mais pertinente ainda, estes operários são pagos para se bronzearem! Não andam é para aí a dizer "Oh <turpilóquio>, fui para uma <turpilóquio> de uma obra ali para o Algarve e estava cá uma torra! Mas olha que havia lá gajas bem boas!
Bom, tudo isto para dizer que bronzear-me nas férias não será para mim um objectivo primordial e que o mais comum, dado o tipo de actividades a que gosto de me dedicar, será obter um bronzeado "estilo camionista".
Contudo, também gosto que as minhas férias coincidam com condições metereológicas favoráveis o suficiente para percursos de exploração e visita. Ora acontece que nestas férias, sobretudo no Norte de França, as minhas férias tiveram tudo menos isso!
A minha chegada ao Franco-Condado foi o prenúncio do que estava para vir pois aconteceu por volta das 23h sob um temporal tremendo. Ao mesmo tempo, soube que parques de campismo estavam a ser evacuados (só de uma vez evacuaram 300 campistas) devido a inundações, inundações essas que motivaram também o corte de diversas estradas e provocaram avultados prejuízos desde o Franco Condado até à Suiça.
Felizmente a coisa acabaria por estabilizar o suficiente para que pudesse fazer diversos percursos e actividades muito simpáticos. Ao menos isso!
sexta-feira, setembro 07, 2007
Interlúdio
Uma pista: procurem um casal sentado e, em particular, um em que o elemento masculino exiba uma postura concentrada, inteligente e terrivelmente bonito.
quinta-feira, setembro 06, 2007
Por terras dos Francos V
Este impressionante conjunto de ruínas da época romana situa-se no departamento do Jura, junto a Saint Claude e a uma distância relativamente curta da Suiça.
Trata-se de um complexo religioso e centro de peregrinações construído no Séc I, com ocupação até ao Séc II, dedicado a uma divindade aquática local. Actualmente conhece-se as estruturas que formavam o centro religioso do local: um templo, um complexo termal, um hospital para assistência aos peregrinos. No entanto, a poucos minutos daqui e junto a um lago no cimo de um monte, foram também descobertos dois templos, um dedicado a Marte e o outro a Belona.
Aqui a água é um elemento fundamental e o motivo para a construção destas estruturas pois, para além do riacho que aqui passa (o templo foi mesmo construído sobre ele), existem várias nascentes de água que provêm do lago mais acima. A estrutura geológica particular do local fazia com que o débito de água fosse muito irregular podendo mesmo parar e recomeçar algumas vezes durante o dia. Este facto fazia com que, à luz da superstição e crendice da época, se acreditasse que neste local morava uma divindade.