sexta-feira, agosto 17, 2007

Por terras dos Francos III

A estadia nos Pirineus foi deliciosa na medida em que fiquei alojado numa antiga casa senhorial numa pequena vila situada na confluencia de 2 vales esculpidos por glaciares desde ha milhoes de anos.



Durante o habitual convivio de pos-jantar, os meus anfitrioes tinham-me reservado uma surpresa. Aparentemente, o ex-proprietario da casa por volta da viragem do Sec XIX para o Sec XX, era um entusiasta de arqueologia e paleontologia e acumulou varios fosseis e ferramentas pre-historicas vindas da Tunisia (segundo as cartas que acompanham os itens).

Quando a casa foi vendida aos actuais proprietarios estes descobriram no sotao esta coleccao guardada em caixas de charutos e de perfumes da epoca e continuaram a guarda-la para a expor um dia.



Sabendo do meu interesse pela materia, tiveram a incomparavel gentileza de me oferecer diversos desses itens a minha escolha entre raspadores, perfuradores e pontas de seta em silex.

Entretanto, entre um passeio pelas redondezas por trilhos, grutas com pinturas misteriosas e ruinas de castelos medievais, o tempo correu celere.


Foi com tristeza que dias depois me despedi para, as 7 da manha, prosseguir viagem ate a proxima etapa: a aldeia de Pontaix nos pre-Alpes com passagem por...

NIMES


A milenar cidade de Nimes (a Nemausus romana) forma um aglomerado urbano de apreciavel dimensao sendo uma cidade turisticamente muito procurada.

Nao fiquei mais que 3 horas, o tempo suficiente para dar um passeio pelo centro historico passando pela Casa Quadrada (um templo romano em perfeito estado de conservacao), a Arena (anfiteatro romano com 20.000 lugares), as portas duplas da cidade romana (dupla via central para os carros e quadrigas e portas laterais para peoes) e as pracetas que aqui e ali se encontram recheadas de monumentos, esplanadas e ocasionais performances musicais.

Trata-se de uma cidade de cultura e tradicoes bem visiveis e que sabe explorar com grande eficacia o seu patrimonio.

Finalmente, porque o calor assim o obrigava, houve ainda tempo para experimentar a excelente pastelaria francesa e uma refrescante bebida antes de seguir caminho ate Pontaix onde cheguei por volta das 20h.

PS - O facto de escrever estes artigos sem incluir fotografias nao e voluntario pois nao tenho neste momento meios de fazer a transferencia das fotografias que vou tirando para este Macintosh. Ficam prometidas para depois do meu regresso OU caso consiga acesso a um PC, para um dos proximos artigos.

segunda-feira, agosto 13, 2007

Por terras dos Francos II

ESPANHA / ANDORRA

Nao foi facil atravessar Espanha pois sucessivamente descobria pontos de interesse que motivavam um desvio ou uma paragem. Desde um centro comercial ENORME perto de Madrid no qual parei para comprar fumados ate a incrivel cidade de Calatayud com as suas ruinas romanas, os seus 3 castelos e bairros arabes, cristaos e judeus diferenciados e a mais alta torre de estilo mudejar da Peninsula.

Sendo assim, por volta das 2 da manha, decidi dormir um pouco antes de entrar em Andorra e parei junto a uma pequena aldeia. Por volta das 4 da manha acordei e deparei com um individuo a observar atentamente os pneus da minha viatura e que desapareceu quando notou que eu tinha acordado e estava a olhar para ele. Decidi por isso mudar de sitio e parei alguns quilometros mais a frente no estacionamento de uma pequena vila onde, ai sim, dormi ate as 7 da manha, altura em que, apos um retemperador (ou nao) cafe local me pus a caminho.

Andorra por seu turno e por aquilo que vi, consiste em hoteis e lojas dispostas ao longo de um vale. A paisagem e sem duvida impressionante pois todo o casario se encontra no fundo de vales limitados pelas altas escarpas dos Pirineus.

Aproveitei para parar para encher o deposito com gasoleo a 0,82 Eur/litro e para adquirir um GPS com mapas dos paises da Europa Ocidental, leitor de MP3 e imagens, a 228 Eur, ou seja, cerca de 100 a 150 Eur mais barato que "ca fora".

Foi mais ou menos nesta altura que fui abordado por uma senhora de alguma idade que me tocou no ombro dizendo "David?!". Olhei com espanto e ao ver que nao a conhecia pensei que estivesse perante uma leitora da revista Hola!. No entanto, tao depressa como me interpelou, pediu desculpa e foi embora.

Atravessei entao o pais e entrei em Franca atravessando o tunel de Envalira.

domingo, agosto 12, 2007

Por terras dos Francos - I

Passados 10 dias desde a minha chegada a Franca posso dizer que o saldo tem sido tremendamente positivo pese embora o mau tempo que se fez sentir na regiao fronteira com a Suica (onde me encontro neste momento) que levou inclusive a evacuacao de varios parques de campismo e ao encerramento de varias estradas, o que em certa medida acaba por justificar o facto de ter trazido o Caetanomobile II.

Outro facto negativo que importa salientar sera sem duvida o facto de os teclados franceses serem AZERT e nao QWERTY . Por isso este texto, digitado num Macintosh de Mil Nove e nao sei quantos, sera escrito sem acentuacao e caracteres portugueses para nao perder muito tempo por um lado e por outro porque ha caracteres que nao consigo encontrar.

TOLEDO


Tendo entrado em Espanha pela fronteira junto a Penamacor, fiz de Toledo a primeira paragem da minha viagem. Que cidade magnifica! Monumental, bem tratada, trata-se de uma cidade com um misticismo muito particular que emana da historica concordia entre cristaos, judeus e muculmanos desde a sua sucessiva conquista por arabes e depois por cristaos. So apos 1492 esta harmonia (que teve obviamente os seus altos e baixos) foi quebrada.

O museu da cidade consegue transmitir este encantamento na sua exposicao "Chaves de Toledo" na qual procura explicar os factores que levaram ao nascimento da cidade. A exposicao comeca curiosamente pela exibicao das chaves da cidade e pela lista dos nomes das personalidades a quem foram entregues. Desta lista constam os nomes de Mario Soares e Jorge Sampaio.

Depois estao expostas varias chaves pertencentes a judeus expulsos em 1492 que, julgando que um dia voltariam, trancaram as suas casas e levaram consigo as chaves. Muitas dessas chaves ficaram sempre em posse familiar e foram sendo passadas de geracao em geracao. Diz uma lenda local que, seculos depois, um descedente dos judeus expulsos voltou a Toledo com a sua chave e, tendo encontrado a casa dos seus antepassados, introduziu a chave na fechadura e, extraordinariamente, esta abriu a porta.

No geral a exposicao fala da rocha, da agua, das religioes, explicando a importancia e o contributo de todos os factores que deram origem a Toledo.

A minha visita a Toledo terminou com uma subida as torres da Igreja dos Jesuitas para dai admirar toda a cidade num panorama inesquecivel.

A titulo de interludio comico devo referir o pequeno episodio com um casal de portugueses a hora de almoco no restaurante onde me encontrava.

O simpatico, pouco discreto e visivelmente apaixonado casal sentou-se na mesa do lado e, como nao percebiam muito de espanhol, olharam para o menu, olharam novamente e voltaram a olhar mas como pouco conseguiam perceber, resolveram perguntar directamente a empregrada se tinham pratos de carne de porco. Eis resumidamente como o dialogo decorreu:

Ela - Perdon. Tem carne de cochonilho?

Empregada - Que?

Ela - C-o-c-h-o-n-i-l-h-o

Empregada - Que?

Ele - "Oink oink!"

Empregada (visivelmente confusa) - hmmmm no!

Ela - Entonces tem o que?

Empregada - Tenemos pollo (galinha), cerdo (porco),...

Ela para Ele - Olha olha eles servem pratos de veado.

domingo, agosto 05, 2007

Pirineus...


À sombra do Montcalm e a pouco menos de 2000 metros de altitude, hoje foi dia de piquenique. Um pouco por todo o lado à nossa volta era possivel encontrar os Orris, abrigos de pastores cuja origem remonta à Pré-Historia.

terça-feira, julho 31, 2007

Road Trip 2007 III

À quarta semana troco a estrada pelo caminho de ferro na viagem para Paris. A cidade-luz é uma das etapas mais aliciantes pela monumentalidade e diversidade de encantos aliados à promessa de uma visita guiada por quem conhece a cidade.

De caminho, aproveito para efectuar um estudo de desempenho e rentabilidade do TGV para apresentar ao Sotôr Engenheiro Sócrates (acho que esta referência é respeitosa o suficiente para evitar ser processado).




Road Trip 2007 II

Depois da primeira semana que me vai levar de Toledo aos Alpes com passagem pelos Pirinéus, a viagem seguirá para Norte, com passagem por Lyon, até Arc-et-Senans, uma pacata vila na região do Franco-Condado, uma região com mais de metade da sua superfície coberta por floresta. Uma região onde é fácil descontrair!

Será a partir de A.-e.-S. que aproveitarei para visitar um local de especial simbolismo: Verdun, palco do tratado que fundou a França e a Alemanha e séculos mais tarde, palco de uma das mais encarniçadas batalhas da 1ª Guerra Mundial entre esses mesmos dois países.


As Salinas Reais de Arc-et-Senans (Séc XVIII)


A Cidadela de Besançon (Séc XVII)



Museu Memorial de Verdun

sexta-feira, julho 27, 2007

Este post não emprega o substantivo feminino "rata". Mas podia

Depois de se ter utilizado a palavra "rata", de lhe ter sido atribuido um cariz sexual ao introduzir a acção "dar-lhe com o pau" e, por último, depois de ser utilizado a palavra "pornográfica", considero que posso partilhar convosco esta peculiar fotografia, que tirei a uma montra de uma loja de recordações em Caminha, no Minho, em Junho deste ano (parece-me importante acrescentar que não procedi à aquisição de qualquer "souvenir", só para que conste!...).

Importa referir que, ainda que seja uma loja deste tipo, todas as prateleiras estavam repletas de bonecos como estes, em plena prática de exercicio...fisico. Escolhi especialmente esta pela actividade intensa que aqui se encontra e pela classe que se decidiu reproduzir (?). Ainda que não exista qualquer "adevogado". Mas não acredito que alguém repare no "pormenor" do erro ortográfico.

Ficamos então na dúvida: sendo uma loja de recordações, onde se comercializa produtos alusivos à localidade/região, isto significa que em Caminha todos são "adevogados" que praticam bastante, e com muita imaginação, "o acto"?

Que me desculpem as sensibilidades que este post possa ferir. Mas, se ainda lhe resta alguma sensibilidade e ficou indignado com o conteúdo desta imagem, então é porque não tem visitado muito este blog ultimamente.

Este post emprega novamente o substantivo feminino "Rata"

Por esta altura, já aqueles que, ainda não sei bem porquê, atribuem uma conotação sexual à palavra "Rata", estarão a esfregar as mãos de contente e a afirmar "Ena pá! Esta é a série de artigos do Katano mais pornográfica de que há memória!". O que é certo é que, se no artigo no qual se usou essa palavra pela primeira vez o tema era fauna urbana, o presente artigo está relacionado com o sistema de ensino.


Há uns anos atrás, tive um professor estagiário a cujas aulas assistiam, ocasionalmente, dois professores encarregues de avaliar o seu desempenho. Era um professor que tinha conseguido criar uma agradável empatia com a turma pelo que, efectivamente, costumávamos ouvir o que ele nos dizia (ao contrário de uma professora de Filosofia que de vez em quando não continha as lágrimas).


Numa dessas aulas assistidas, na qual nos portámos especialmente bem, na sequência do pedido prévio do nosso professor, tudo decorria em razoável (a)normalidade: o professor explicava um conjunto de fascinantes detalhes relacionados com a temática da economia global na transição da Idade Média para a Idade Moderna, todos ouvíamos ou pelo menos fazíamos um esforço no sentido de parecer que estávamos a achar aquilo o acontecimento mais fascinante desde o último videoclip da Madonna, e tudo isto enquanto na última fila, os professores avaliadores encetavam uma luta sem quartel para não sucubirem ao sono que não conseguiam disfarçar.


Nisto, na sua abordagem à chegada de Vasco da Gama à Índia, o professor teceu uma declaração que ainda hoje faz furor sempre que é recordada. Segundo ele, "A chegada de Vasco da Gama à Índia foi importantíssima na medida em que contribuiu para a abertura da Rata do Cabo!".


Ao tomar quase instantâneamente consciência do seu lapsus linguae, a sua tez ficou com uma coloração de um vermelho vivo e o ligeiro sorriso que esboçou tinha mais de um cocktail de constrangimento e nervosismo do que de um sentimento de divertido.


A turma, por incrível que pareça, permaneceu bravamente no seu posto de responsabilidade e atenção diligentes enquanto que, na última fila, os professores avaliadores tinham o rosto virado para baixo e a única prova de vida que demonstravam era o sacudir subtil e ainda assim frenético de ombros, sintoma evidente de uma gargalhada difícil de manter em silêncio.

quarta-feira, julho 25, 2007

Road Trip 2007

Quando falta uma semana apenas, é impossível não sentir já uma certa ansiedade pela proximidade das férias, até porque o Caetanomobile deu hoje entrada na oficina onde a mestria do Sr Álvaro o vai preparar para a road trip que se avizinha.

Um ano depois de um Verão cuja ida ao estrangeiro se resumiu a ir ali a Fuente de Oñoro beber um café e meter gasóleo mais barato, este ano a coisa afigura-se mais auspiciosa.

Eis o plano para a primeira de 4 semanas:


Toledo


Andorra



Vicdessos (com ida a Montsegur)


Pontaix

LOL e Lloret del Mar...

Este é apenas um pequeno apontamento sobre uma intervenção brilhante de alguém, durante uma conversa acerca de expressões introduzidas na língua portuguesa, e que começam a ser comummente utilizadas.

De entre as expressões de que se falava, alguém mencionou o lol.
É importante relembrar que, diz-se por aí, lol é um acrónimo que advém da língua inglesa e que significa "laughing out loud" e que é muito usado sobretudo na internet, nomeadamente em programas como MSN, por exemplo, embora já se use na oralidade.

Mas, no meio desta discussão sobre onde se usa e de onde surgiu, alguém afirmou (convictamente e argumentando que se informou em revistas especializadas, com uma expressão incrédula na cara sobre as barbaridades que ouvira até ao momento): "Como?? Errado. A expressão lol começou a ser usada pelos jovens que passavam as suas viagens de finalistas em Lloret del Mar, fazendo assim uma alusão a este local (note-se que as iniciais estão lá) e ao período em que se divertiram por lá com os colegas."

Perante esta argumentação, fez-se silêncio... O ar incrédulo mudou para outras caras. Mais ninguém resolveu acrescentar absolutamente nada, ficando sem qualquer outra coisa a dizer sobre o assunto (como vocês estão agora).

Lamento a banalidade deste assunto, que nada tem a ver com ratazanas, peões indignados ou litros de leite bohemia... Mas foi o que se arranjou, para esclarecer essas mentes enganadas quanto à origem da expressão. É caso para...LOL!
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