segunda-feira, maio 14, 2007

Concerto dos D-Zertos foi uma dor de cabeça

Chegou-me aos ouvidos que os D-Zrt, aquele grupo de jovens que usam a desculpa de estarem na moda para não se pentearem e para usarem uma amálgama de tecido incoerente a que chamam de roupa, tiveram um concerto algo atribulado na Queima do Porto.

Diz quem estava que, logo no início do concerto, foi pedido aos espectadores deficientes, que se encontravam mais próximos do palco, que se retirassem para as laterais, um local onde tinham muito menos visibilidade.

Esta atitude provocou a animosidade do público que aproveitou a espaços para praticar tiro ao alvo com o que quer que lhes chegasse à mão, tomando os 4 jovens saltitantes que se encontravam em palco como alvo. Outros ainda, manifestavam o seu apoio para com este grupo-modelo da juventude lusitana, brandindo cartazes com os dizeres no mínimo inusitados de "Zé Milho faz-me um felácio!" (adaptado) ou "O meu coração bate por vós! Preciso de pilhas para o meu pacemaker".

O grupo de jovens saltitantes de cabelos desgrenhados e roupas desconexas lá acabou por esgotar o seu repertório musical e, quando se julgava que tudo acabaria em bem e num momento em que o grupo fazia uma vénia de agradecimento ao público (provavelmente em reconhecimento pela falta de pontaria), eis que um projéctil consegue finalmente atingir o seu alvo, embatendo com vigor na testa do jovem Zé Milho.

Já na conferência de imprensa, elementos não identificados, removeram compulsivamente as crianças que se tinha ali aglomerado para obter um autógrafo dos seus ídolos.

Quando confrontados com tudo isto, os D-Zertos negaram todo e qualquer conhecimento do que se tinha passado, perante os jornalistas que, em protesto, se terão levantado e abandonado o local.

É caso para dizer que os D-Zertos arranjaram aqui uma bela dor de cabeça. Bom... pelo menos o Zé Milho arranjou.

Nota da Redacção: O Blog do Katano limita-se a reproduzir esta notícia tal como lhe foi contada, não subscrevendo de forma alguma quaisquer declarações ou opiniões nela contida.

Assim, e com profunda convicção declaramos que não é de todo da nossa vontade que o Zé Milho pratique em nós qualquer acto menos pudendo, tal como não subscrevemos a ideia de que os D-Zertos são um grupo musical.

É bom que se saiba!

sexta-feira, maio 11, 2007

Moedas com história - II

5 Pfennig - Alemanha, 1940
Uma moeda mais significativa pelo seu simbolismo que pelo seu valor intrínseco, isto numa altura onde se fala cada vez mais de extrema direita e neonazismo, esta moeda de 5 Pfennig foi cunhada na Alemanha Nazi em 1940. Muitas das moedas nazis seriam destruídas pelos Aliados após o fim da II Guerra Mundial.

Metal: Zinco

Diâmetro: 1,8 cm

Anverso: Valor facial de 5 Pfennig, com legenda com caracteres góticos "Reichs pfennig / 5"

Reverso: Inscrição "Deutsches Reich - 1940", com caracteres góticos apresentando uma águia sobre uma cruz suástica.
OBRIGADO A TODOS,
conhecidos ou desconhecidos.
Agora há que continuar porque o Mundo não espera.

quarta-feira, maio 09, 2007

Faço hoje aqui um post mais sério para prestar a minha homenagem a uma grande pessoa que hoje foi a enterrar na vila de Silvares, a Senhora Maria de Nazaré Pereira.

Mulher de uma fibra invulgar e de uma alegria interior imensa, Maria de Nazaré era uma pessoa que vivia para a comunidade e para os que a rodeavam sem pedir nada em troca.

No entanto, a sua vida foi muito ingrata e se situações há em que podemos dizer que há pessoas que tudo merecem e nada têm esta é sem dúvida uma delas.

Tendo casado ainda nova, Maria de Nazaré conheceu a alegria de ser mãe, facto esse que acabou por ser um terrível castigo pois perderia o seu primeiro filho quando este tinha 9 anos.

Iria mais tarde para Angola onde se estabeleceu, com o marido, numa quinta adquirida graças ao dinheiro obtido com a venda de todas as propriedades que detinham em Silvares. O marido era então director de uma mina de carvão (ou diamantes, as versões diferem) e a vida parecia sorrir com o nascimento também de uma filha.

É então que rebenta a Guerra do Ultramar e, no auge do conflito, a família vê-se obrigada a fugir durante a noite para salvar a vida, deixando todas as posses para trás. A acompanhar Maria de Nazaré, entretanto grávida de gémeos, e o seu marido e filha, ia um jovem angolano que fora criado desde tenra idade como se fosse um filho do casal.

Conseguem atingir Luanda, para embarcarem de volta a Portugal, mas a pressão e o nervosismo são demais para quem tinha um coração fraco e o marido de Maria de Nazaré sofre um enfarte ficando em risco de vida. Maria de Nazaré sofre também ela as consequências ao sofrer um aborto espontâneo, perdendo assim os seus futuros 2 filhos.

Tendo de ser evacuados de emergência, são reencaminhados para um avião que transporta apenas passageiros que necessitam de cuidados de saúde. O jovem filho adoptivo, por não ser filho do casal, não é autorizado a embarcar e, numa cena que recordará e lamentará para o resto da vida, Maria Nazaré é forçada a abandoná-lo. A visão do rapaz em choro de desespero, procurando saltar a barreira que o separa do avião que transporta a família que o havia adoptado é algo que a atormentará para sempre.

Quanto sofrimento pode uma pessoa suportar? Haverá um limite? Para Maria de Nazaré parece não haver e a perda da filha, então com 5 anos, alguns dias após chegar a Lisboa é mais um duro golpe.

Sem nada a não ser a roupa que transportavam, o casal consegue depois uma pequena loja na Covilhã onde passam a vender tecido, obtido nas sobras das fábricas que então prosperavam na cidade. Acabariam por conseguir o suficiente para abrirem alguns anos depois uma loja em Silvares, mudando-se para lá.

Maria Nazaré acaba por ficar viúva, permanecendo nessa condição durante vários anos, anos esses em que se dedicou á família, cuidando dos sobrinhos e dando tudo de si.

Finalmente acaba por casar novamente, uma atitude que, à luz dos cânones sociais de então é tida como imperdoável. Ela acabará por sofrer uma certa discriminação social mas nunca perdendo a dignidade e mantendo sempre uma postura de total dedicação aos seus sobrinhos e aos do falecido marido.

Após a morte do 2º marido, Maria de Nazaré passa a viver exclusivamente para os que a rodeiam, tornando-se um membro fundamental da comunidade e daquilo que passa a ser a luz dos seus olhos: o rancho folclórico de Silvares.

Recordo as ocasiões em que entrava no café dos meus pais e onde nunca, mas nunca, aceitou algo que fosse oferecido. Dizia ela que os meus pais precisavam mais do dinheiro que ela pois tinham filhos para criar e ela não tinha ninguém a quem o dar.

Sempre que tinha oportunidade perguntava pelo seu Benfica, uma paixão herdada do seu primeiro marido, nunca deixando de pagar as quotas de sócio até ao fim.

Noutra ocasião, a minha mãe que, sempre que podia, a visitava, elogiou um quadro que esta tinha na parede da sala, uma das poucas recordações que guardava do seu segundo marido. Em acto contínuo, Maria de Nazaré decide oferecê-lo à minha mãe, tendo sido muito difícil demovê-la de tal acto.

Com emoção recordo uma ocasião em que lhe ofereci uma foto em que estava trajada a rigor com o traje do Rancho, segurando o seu inseparável e tão característico adufe. Se lhe tivesse oferecido um tesouro de riqueza incalculável a sua reacção não teria sido mais emotiva.

Durante a última semana, a minha mãe decidiu visitá-la e encontrou-a bastante enfraquecida e em sofrimento sentada à porta de casa. Não se tendo queixado, só quando a minha mãe lhe perguntou se estava bem ela revelou o estado de saúde em que se encontrava, após o que a minha mãe imediatamente se ofereceu para a levar ao hospital.

Como sempre recusou, alegando que a minha mãe tinha as suas próprias preocupações e que eram as suas irmãs, afinal as suas herdeiras quem tinha o dever de lhe prestar assistência. Tranquilizou a minha mãe dizendo-lhe que já havia dito a um dos seus sobrinhos, que se encontrava muito mal e que em breve chegariam para a levarem ao hospital.

Vendo que não a conseguia demover, a minha mãe despediu-se dela, dizendo-lhe que se precisasse de alguma coisa que lhe telefonasse e que em breve viria visitá-la de novo para saber do seu estado de saúde.

A resposta foi glacial: "Oh minha filha, mas eu já não te vou voltar a ver..."

Maria de Nazaré faleceu no passado domingo, tendo sido encontrada por uma funcionária do Centro de Dia, que procurava saber como estava, pouco antes do seu último suspiro.

Contudo, o povo não esquece, e a massa humana que hoje esteve presente para lhe prestar uma ultima homenagem mostrou que dificilmente a memória de quem ela foi se apagará. A emoção no rosto dos membros do rancho folclórico que se mantiveram numa simbólica guarda de honra ao caixão diz tudo.

Com ela apagou-se uma luz invulgar, um altruísmo único, inimitável, algo que nunca conheci antes e que dificilmente voltarei a conhecer. Enquanto lhe segurava a mão fria, fiz-lhe a ela e a mim próprio uma promessa: os meus filhos saberão que existiu uma mulher única chamada Maria de Nazaré Pereira.

Adeus tia. Que possas encontrar agora finalmente a paz. Obrigado por teres sido um exemplo para o Mundo.

quarta-feira, maio 02, 2007

Caça ao mito - I

Recebi hoje um e-mail com a seguinte imagem e conteúdo:



Kathy Evans, residente em Idaho, trouxe a humilhação para os seus amigos e famí­lia quando inaugurou uma nova escala de estupidez com a sua aparição no popular show de TV "Quem quer ser milionário".

Evans, uma esposa e mãe de 2 filhos de 32 anos, ficou presa logo na 1ª pergunta. Os fãs do programa dizem que ela conseguiu fazer o pior uso de sempre das suas ajudas. Depois de ser apresentada à apresentadora do concurso Meredith Vieira, Evans assegurou que estava pronta para jogar, e foi-lhe feita uma pergunta extremamente simples de 100$. A pergunta era:

Qual é o maior dos seguintes elementos?
A) Um amendoim
B) Um elefante
C) A Lua
D) Hey, a quem é que estás a chamar grande?

Imediatamente a Sra. Evans foi tomada pelo pânico assim que percebeu que esta era uma questão à qual efectivamente não sabia responder. " Hum, eh pá... esta é difícil" disse Evans, enquanto Vieira fazia o seu melhor para esconder a sua incredulidade. " Quer dizer, tenho a certeza que já ouvi falar de algumas destas coisas antes, mas não tenho ideia dos seus tamanhos".

Evans decidiu usar a 1ª das suas ajudas, o 50/50. As respostas A e D foram retiradas, deixando por decidir qual seria maior, um elefante, ou a lua. Contudo, Evans continuava com poucas certezas. " Oh retirou as duas para as quais me inclinava!" exclamou Evans. " Que chatice, acho que é melhor ligar a uma amiga".

Usando a 2ª das suas ajudas, a senhora Evans pediu para ligarem à sua melhor amiga Betsy, uma empregada de escritório. "Olá Betsy! Tudo bem? É a Kathy! Estou na TV!" disse Evans, desperdiçando os primeiros 7 segundos da chamada. " Ok tenho uma pergunta importante. Qual dos seguintes elementos é o maior? B Elefante, ou C a Lua? Tens 15 segundos." A Betsy rapidamente disse que a resposta certa era a C é " Lua.

Evans continou a conversar com a amiga nos 10 segundos seguintes. " Vá lá Betsy tens a certeza?" Disse Evans. " Quanta certeza tens? Não pode ser essa." Para o espanto de todos a monga Evans declinou a ajuda da sua amiga. " Não sei se posso confiar na Betsy. Ela não é assim tão inteligente. Acho que vou pedir a ajuda do público" diz Evans.

O público respondeu 98% a favor da resposta C é" Lua. Tendo usado todas as ajudas, Evans tomou a escolha mais burra da sua vida. "Uau, parece que toda a gente está contra o que eu estou a pensar" disse a estúpida Evans. " Mas sabe, às vezes temos que seguir o nosso palpite. Vamos ver! Para a pergunta de qual é maior, o elefante ou a lua, eu escolho a B é " Elefante. É a minha resposta final". Foi então dito a Evans que estava errada, sentada perante a audiência embasbacada, e que a resposta certa era de facto, C é " A Lua.


Se calhar não temos porque nos espantar.
Afinal este é o paí­s onde Bush foi eleito, e por 2 vezes... ;)



Desmistificação:


Se é certo que eu adoraria que esta história fosse verdade -até porque concordo em absoluto com a ideia da última frase-, ainda assim achei suspeito dado o facto de 99% da informação que nos chega através de e-mails reencaminhados ser falsa.

Sendo assim, fiz uma pequena pesquisa no instrumento universal de referenciamento de mitos cibernáuticos - o Google -, e descobri (sem grande supresa) que se trata de mais um mito urbano.

A história é retirada deste site: http://www.bsnews.org/articles/135, que é uma espécie de edição electrónica de um jornal de casos insólitos, não necessariamente verídicos, com propósitos humorísticos. Aliás, o próprio site tem na sua descrição a seguinte frase:

"DISCLAIMER: BSNews.org, and all it's contents, fall under the category of Satire and Parody. Don't take any of this bullshit seriously, ok? In other words, NONE OF THIS IS REAL! Understand? Good."

Se mais dúvidas houvessem, aqui fica o sítio de onde a imagem original foi retirada e, já agora, cá está ela.

A senhora afinal chama-se Fiona Wheeler e respondeu acertadamente à pergunta sobre qual era o nome mais vulgarmente usado para designar a traqueia ao que esta, uma fã da série "Casualty", ao que parece, uma espécie de "E.R.", respondeu acertadamente.

Pensem bem na próxima vez que decidirem espalhar notícias infundadas sobre senhoras de respeito cujo sonho é, segundo o site, tomar banho em chocolate.

segunda-feira, abril 30, 2007

Moedas com história - I

Inicio aqui um série de posts dedicados à numismática, e sobre a forma como é possível conhecer um pouco da história através das moedas.

O valor das moedas não reside só no seu valor intrínseco, seja ele pequeno ou elevado, mas reside também na história que cada moeda conta, história essa que alcança a dimensão que a nossa própria curiosidade permite. Quem a cunhou? Quando? Onde? O que significam as suas inscrições? De que é feita?

O primeiro exemplo é uma curiosa moeda palestiniana de 1927. Esta moeda veio-me parar às mãos por volta de 1988 e foi-me oferecida por um colega, entretanto falecido, como reconhecimento por o ter deixado copiar num teste de uma disciplina da qual não me recordo.



5 MILS - Palestina, 1927
Moeda cunhada pela administração britânica do território da Palestina

Metal: Cuproníquel (liga comum de 75% Cobre e 25% de níquel)

Diâmetro: 2 cm (0,7 cm de diametro do orificio)

Anverso: Valor facial de 5 Mils, com legenda com caracteres europeus, hebraicos e árabes

Reverso: Inscrição "Palestina 1927", com data em numeração árabe e hebraica, e "Palestina" escrito com caracteres europeus, hebraicos e árabes

Contexto histórico: Embora actualmente o território da Palestina seja aquele considerado como o correspondente ao Estado da Palestina (Faixa de Gaza e Cisjordânia), históricamente o território da Palestina corresponde ao agregado do Estado de Israel com o do Estado da Palestina.

Tendo sido um território sucessivamente ocupado por potências estrangeiras (Egipto, Assíria, Babilónia, Pérsia, Macedónia, Roma/Bizâncio, Árabes...) desde a Antiguidade, o termo Palestina tem a sua origem no povo Filisteu (Pelashet) sendo conhecido como Pelashtim (Terra dos Filisteus).

Sendo parte do Império Otomano de 1517 até 1918, o território da Palestina cai em poder do Reino Unido no final de I Guerra Mundial, na sequência da Declaração de Balfour na qual se promete uma nação para o povo judaico (ao mesmo tempo que apelam ao nacionalismo árabe para o estabelecimento de um estado árabe independente na mesma região de modo a fragilizar o Império Otomano, aliado da Alemanha), ficando sob administração civil britânica a partir de 1920. Esta dualidade de compromisso irá gerar um dos mais graves conflitos actuais no Médio Oriente.

A administração britânica cessará em 1948 coincidindo com a proclamação do Estado de Israel ao qual se opuseram os vizinhos novos países árabes pois Israel propõe-se a ocupar zonas para além do território estabelecido pela ONU.

Uma coligação militar árabe entra então em acção para salvaguardar os interesses da maioria árabe na região, os palestinos, iniciando o conflito israelo-árabe que se arrasta até hoje.



quinta-feira, abril 26, 2007

Vasco Lourenço, Capitão de Abril (em entrevista)


A propósito do 25 de Abril, o Blog do Katano ouviu uma das vozes da Revolução, um dos responsáveis pela liberdade em que vivemos após 50 anos de ditadura.

O Tenente-Coronel Vasco Lourenço nasceu no ano de 1942 em Castelo Branco. Em 1960 ingressou na Academia Militar e pertenceu à Arma de Infantaria. Combateu na Guerra Colonial, tendo cumprido uma comissão militar na Guiné de 1969 a 1971.

No dia 25 de Abril de 1974 era capitão nos Açores. Membro activo do Movimento dos Capitães, pertenceu à Comissão Política do MFA (Movimento das Forças Armadas). Nesta condição foi nomeado para o Conselho de Estado (24 de Julho de 74), passando mais tarde a integrar a estrutura informal do Conselho dos Vinte e a partir de 14 de Março de 1975 tornou-se membro do Conselho da Revolução, funções que manteve até à extinção deste órgão, em 1982.

Passou à reserva a 20 de Abril de 1988, no posto de tenente-coronel mas sempre se tem mantido atento à evolução de Portugal após a Revolução, com uma grande intervenção na sociedade portuguesa.
Actualmente, pertence à direcção da Associação 25 de Abril, desde a sua fundação e é permanentemente solicitado para congressos e/ou discussões sobre a Revolução, dentro e fora de Portugal.


1.
Blog do Katano: O que significa para si a palavra liberdade?

Vasco Lourenço: Liberdade é a capacidade que nós temos de decidir por nós próprios tendo em consideração alguns princípios de que essa decisão terá de ser influenciada por alguns vectores nomeadamente que a nossa liberdade termina onde começa a dos outros. Não há liberdade absoluta, tal como não existe nada absoluto na vida.

Acho que deve haver uma diferença entre liberdade e libertinagem, porque nós temos de ter a capacidade de decidir por nós próprios, de acordo com os nossos princípios e com aquilo em que acreditamos, mas tendo em conta que cada um dos elementos da sociedade tem direito à mesma liberdade, não podendo a nossa liberdade condicionar a dos outros.


2.
B.K.: Foi isso que o levou, portanto, a participar na conspiração para a Revolução. Não temeu em algum momento que fossem descobertos pela PIDE? Quando começou todo esse ambiente de conspiração não pensou duas vezes ao inicio?
V.L.: A liberdade foi de facto o vector fundamental que nos fez movimentar, e a mim próprio também, para a conspiração e para o derrube do regime fascista e colonialista que existia. Não só a liberdade, como outros factores. Nomeadamente, a Guerra Colonial, que nos influenciou decisivamente, dando-nos um motivo para arrancarmos, porque chegámos à conclusão que a solução da guerra não era uma solução militar, como nunca é, dado que as soluções têm de ser políticas, têm de ser encontradas com base no diálogo, e, portanto, mostrando-nos também a necessidade de derrubar um regime que estava a impor uma guerra pela guerra em si. E verificou-se que isso só era possível numa situação de liberdade e democracia, havendo portanto uma interligação entre as várias razões que nos levam para a conspiração e para o 25 de Abril.


Quanto ao receio, ele existe sempre. Mas, primeiro, sempre fui um indivíduo que não penso muito nos perigos e não é pelo facto de haver perigos que eu deixo de fazer aquilo em que acredito. Aliás, em termos pessoais, tenho uma particularidade, porque é quando as situações estão mas “quentes” que me sinto mais calmo e melhor. Depois, a nossa experiência de guerra ajudou-nos extraordinariamente a avançar, a organizar e a enfrentar as situações complicadas.


Só um louco ou um inconsciente é que nunca sentiu medo. A sensação de ter medo é de morte mas depois é muito melhor a sensação em que se conseguiu vencer o medo. Durante a conspiração, nós tivemos a noção de que a PIDE (não só a PIDE como também os Serviços de Informações Militares, toda a estrutura militar em si, que era aliás o primeiro obstáculo que nós tínhamos para a conspiração ainda mais do que a PIDE) existia e era perigoso e portanto tentámos arranjar antídotos, e o maior que nós encontrámos, e que penso que foi extraordinariamente feliz e que nos permitiu avançar para a conspiração e irmo-nos organizando até chegarmos a uma situação em que
pudemos dar de facto o golpe final no regime, foi a criação de uma bandeira, que era a recuperação do prestigio das forças armadas.

Nós sempre dissemos que estando as forças armadas desprestigiadas perante a Nação portuguesa, nós, como militares, tínhamos obrigação de recuperar o prestigio das forças armadas e então andávamos a discutir esse problema da recuperação do prestigio das forças armadas e isso fazíamo-lo de frente, directamente, com os mais altos responsáveis militares, e dizendo “Vocês também são militares, venham às reuniões”, mas eles diziam sempre que não.

Tive várias situações em que fui chamado ao Comando da Região Militar de Lisboa e ao Ministério do Exército mesmo, em Dezembro de 73 e em que fui confrontado por andar em reuniões e eu assumi-as, dizendo que era para discutir o desprestigio das Forças Armadas. O Secretário de Estado da Defesa e do Exército era também militar (coronel) e eu dizia-lhe: “O senhor também é militar, venha à próxima reunião” ao que ele me respondia que não estava interessado, dizendo-lhe eu que fazia mal e que os assuntos que andávamos a discutir eram do interesse dele.

E isso permitiu irmos depois demonstrando aos militares que estavam menos conscientes em termos de políticos que a questão do prestigio das forças armadas tinha muito a ver com a questão política e esse salto qualitativo nós damo-lo ali por alturas de Janeiro/Fevereiro de 74. A partir daí houve mais alguns cuidados mas também, nós, tínhamos a noção que tínhamos força e que o poder tinha receio em meter-se directamente connosco porque existia a Guerra, nós éramos um grupo grande de militares de quadros intermédios dentro do exército, fundamentalmente, e portanto eles precisavam de nós para manter a guerra.

Nós criámos aquilo que eu chamo a nossa bomba atómica: em Outubro de 73 recolhemos declarações escritas em que se pedia a demissão do Oficial do Exército (deixando a data e branco) e se entregou em mãos. Nós, Comissão Coordenadora, recolhemos para cima de 700 pedidos individuais. O próprio Marcelo Caetano disse, quando soube isto, que o fim estava próximo.




3.

B.K.:Mas foi toda uma desconfiança à volta disso que gerou a sua ida para os Açores.

V.L.: Eu estava referenciado como o conspirador, como o responsável da conspiração há bastante tempo. Eu próprio, até pela minha maneira de estar, não escondia muito. Houve necessidade, ainda em fins de Setembro, no início da conspiração, de ir entregar um documento ao Marcelo Caetano, e eu fui lá, dando logo a cara. Não fui recebido por ele mas pelo seu adjunto militar e portanto ficámos logo referenciados (apesar de eu estar referenciado há já bastante tempo).


A seguir à última grande reunião que nós fizemos, no dia 5 de Março de 74, em Cascais, e em que tomámos medidas firmes de que ia ser feiro o golpe militar, de que ia ser elaborado um programa político, eles souberam disso e tentaram reagir. E então foram aos que estavam detectados (inclusivamente eu era o responsável pela estrutura da ligação e pela estrutura operacional) a uma linha de informação que ia de mim até uma das unidades, que tinha quatro capitães, e esses quatro capitães (eu incluído) foram transferidos, três para as ilhas e um para Bragança.

Portanto, é de facto uma retaliação que tentam fazer, que é uma retaliação relativamente fraca, feita numa altura em que já estamos muito bem organizados, a nossa estrutura organizativa já está bastante bem implantada no terreno, (apesar de dentro da estrutura eu ser uma peça fundamental), eu já a tinha organizado suficientemente para poder continuar mesmo sem mim. Eu costumo dizer que se me tivessem feito isso em Janeiro não havia 25 de Abril, pois o processo ainda não estava suficientemente organizado para que pudesse continuar na mesma.



4.

B.K.:Essa sua ida para os Açores teve a oposição do Movimento das Forças Armadas e foi como uma simulação de um rapto.

V.L.: Exactamente. Eu, no dia 8, recebi ordem de embarque no dia seguinte para os Açores, transferido. Rapidamente descobri que havia mais três capitães: um para outra ilha dos Açores, outro para o Funchal e o outro para Bragança.


A Comissão Organizativa reuniu com alguns elementos da Marinha e da Força Aérea e, após uma longa reunião, decidimos que o Movimento se ia opor à nossa transferência e ia impedir o nosso embarque, para provocar conflito. Então, decidimos simular um rapto para salvaguardar os que iam ser transferidos, que teoricamente até queriam embarcar e iam cumprir a ordem de embarque mas os outros é que não deixavam.

Decidiu-se, então, simular um rapto. Mas acontece que os elementos da Marinha que estiveram nessa reunião, num debate muito profundo, conseguiram convencer os do exército a deixá-los contactar o Ministro da Marinha para tentar que ele interferisse junto do Ministro do Exército para a anulação da ordem. Às 3h da manhã acordaram o Ministro e disseram-lhe “Senhor Ministro, há aqui uma situação complicada.

O Ministro do Exército ordenou a transferência de três capitães para as ilhas. O Movimento não vai permitir isso. Convença lá o Ministro do Exército a anular a decisão porque senão vai haver uma grande confusão, um tumulto”. O Ministro da Marinha contactou imediatamente vários ministros e entraram de prevenção rigorosa. Isso veio criar dificuldades ao plano que nós tínhamos, que era o rapto e depois uma manifestação de generais no Ministério do Exército, no Terreiro do Paço, para mostrar solidariedade com os “raptados” e estar contra a decisão do Ministro, exigindo a anulação da decisão.

Como na prevenção rigorosa todos os militares têm de ir para os quartéis, foram todos chamados e decide-se então fazerem-se mini manifestações das unidades junto dos respectivos comandantes. Éramos para ser três “raptados”, mas fomos só dois porque o terceiro não saiu a tempo de casa e a autoridade militar apanhou-o e meteu-o num avião para Angra do Heroísmo. Os outros dois tinham saído de casa a tempo para serem raptados. No meu caso, eu vivia no Estoril e fui alertado às 5h da manhã pelo Sanches Osório do que se estava a passar. Assim, saí de casa e fui ter com o meu raptor que vivia em Oeiras, que era o Otelo. Acordei-o às 6h da manhã e disse-lhe “Rapta-me!”. (risos)

Estivemos escondidos nesse dia e no mesmo dia à noite decidimos entregar-nos. Ficámos os dois presos juntamente com um Oficial que me foi entregar. No dia seguinte fui levado para a Trafaria, onde estive até ao dia 15, quando fui levado para os Açores.


No dia 6, precisamente a seguir à minha saída, dá-se a tentativa das Caldas da Rainha, que é feita dentro do Movimento mas de uma forma muito pouco planeada, muito mal organizada, que sofre directamente com o facto de eu não estar presente, porque eu era o responsável operacional e responsável por toda a ligação e, não tendo sido ainda substituído, a ligação não funcionou. Mas esta tentativa é provocada em grande medida pela nossa prisão e depois pela demissão dos generais Costa Gomes e Spínola.



5.
B.K.: Então no dia 25 de Abril de 1974 estava nos Açores?

V.L..: Estava nos Açores, que é o que eu não perdoo aos fascistas, terem feito com que eu não estivesse aqui no dia da Revolução, no centro dos acontecimentos, provavelmente a comandar as operações militares. Não ter estado aqui no centro dos acontecimentos no dia 25 de Abril é uma frustração que me vai acompanhar para toda a vida.


Eu era o responsável operacional e fui substituído pelo Otelo. Com ele correu tudo bem, comigo não sei como teria corrido. Nos Açores já estava preparado para intervir caso houvesse necessidade. Nós tínhamos previsto algumas hipóteses de necessidade de intervir.

Combinei com o Otelo uma mensagem que ele me enviou através de um telegrama, tendo-o enviado para a sogra do Melo Antunes, pois o Melo Antunes estava também comigo nos Açores. No dia 24 chegou um telegrama via CCT normal que dizia: “Ti Aurora segue Estados Unidos da América 25 03 00 Um abraço primo António”. Portanto, o que interessava era o 25 03 00 porque sabíamos que era a data inicio do golpe nessa noite seguinte.



6.

B.K.: E nos Açores foi necessária alguma intervenção?

V.L.: Não houve nenhuma necessidade. Nós tínhamos decidido que eu e o Melo Antunes assumíamos o comando e prenderíamos o comandante militar. Deu-se a coincidência de eu estar como Oficial de serviço nesse dia e chamei um responsável nosso para tomar conta da unidade se houvesse necessidade.


Preparámo-nos para intervir mas não houve necessidade porque o comandante militar aderiu, não logo de imediato mas o importante é que nunca se opôs. Tivemos sempre a controlar a situação e achámos que só devíamos ir para medidas radicais se houvesse mesmo necessidade disso.


Apesar de termos tudo preparado para prender o comandante, no dia 26 nós exigimos que ele tomasse uma posição e ele aceitou obedecer às ordens da Junta de Salvação Nacional. Não houve necessidade de intervir nem de prender ninguém, tal como aqui se veio com armas com a decisão de só as usar se houvesse necessidade, nós lá tivemos o bom-senso de evitar situações mais complicadas.



7.
B.K.: E relativamente aos valores adquiridos no 25 de Abril, não teme que de alguma forma o típico conformismo português venha a por em causa alguns desses valores?

V.L.: Essa é a grande questão que se coloca permanentemente, e em relação à qual eu tenho muitas desilusões. Em primeiro lugar, quando falamos em 25 de Abril, quando dizemos que ele continua ou que ainda está vivo, eu costumo dizer que considero o 25 de Abril uma revolução vitoriosa, porque todos os objectivos que nós tínhamos antes do 25 de Abril foram alcançados.


Podemos dizer que se alguém, antes do 25 de Abril, nos dissesse que tínhamos a situação que temos hoje, isso até ultrapassava as perspectivas optimistas que tínhamos na altura: terminou-se a guerra, deu-se uma situação política para a guerra, ajudou-se a que a independência dos novos países lusófonos fosse mais rápida e isso é um ponto muito positivo no 25 de Abril.

Há democracia, formal, pelo menos, há liberdade e acabou-se a repressão directamente, porque se encontraram novas formas de repressão, de condicionamentos, novas censuras.
Desde sempre, nós sonhámos sempre com mais, com uma sociedade melhor e até se conseguiu já mais do que temos hoje, isto é, já houve alguns aspectos em que existiu uma regressão. E hoje estamos numa crise bastante razoável, em que volta a haver um fosso grande entre os mais ricos e os mais pobres, o número dos mais ricos diminui apesar do valor da riqueza aumentar, o número dos pobres aumenta, a classe média tem vindo a diminuir e a perder poder, o desemprego aumenta de forma desastrada e o poder económico tem uma supremacia sobre o poder político que é uma coisa absolutamente inaceitável.

No entanto, não podemos comparar o que existia antes do 25 de Abril com o que existe hoje, na medida em que hoje estamos incomensuravelmente melhor, mas o que é facto é que também já estivemos melhor depois do 25 de Abril do que estamos hoje. Há perdas na prestação de alguns serviços, na saúde, na educação, e outros. Mas, sem dúvida, estamos melhor que antes do 25 de Abril.

A seguir ao 25 de Abril, houve uma participação muito intensa das pessoas, viviam-se os problemas, discutiam-se e faziam-se plenários nas empresas, nos locais de trabalho.



8. 

B.K: Talvez as pessoas tentavam recuperar um pouco o que não tinham conseguido ao longo dos anos.

V.L.: Sim, sim, tentando recuperar e tentando ganhar coisas, alcançar uma série de conquistas que felizmente algumas ainda perduram.
Mas esta participação hoje diminuiu bastante e uma das mágoas que tenho do Portugal de hoje foi ter visto, por exemplo, que quando há um primeiro referendo que se faz (ndr: esta entrevista ocorreu antes do último referendo), houve uma abstenção enorme e eu acho que é criminoso as pessoas absterem-se num problema desses.



9.

B.K.: Há, portanto, uma grande falta de participação cívica?

V.L.: Sim, falta de participação cívica. Assiste-se hoje a um aumento da abstenção na chamada democracia representativa, na democracia formal, mas, ao mesmo tempo, dá-se um aumento muito forte da participação cívica noutro tipo de actividades, em associações, por exemplo, que contrabalança a abstenção na parte da democracia formal.


É preciso cruzar as várias participações democráticas, porque só votar e deixar que os outros façam por nós não chega. E a participação em associações diversas é uma participação democrática, com muito peso, que tendo vindo a aumentar por toda a Europa. Em Portugal temos assistido a um aumento da abstenção na participação na democracia formal e não assistimos a um aumento semelhante ao que se verifica na Europa, apesar do aumento relativo nos últimos tempos.


Felizmente, nas últimas eleições, os portugueses deram um grito de revolta, participaram outra vez e pararam o aumento da abstenção. Espero que isto alerte as pessoas e as leve a reagir e a participar. Aliás, nós aqui na Associação, estamos sempre a dizer “Participem! Venham para o terreno defender os vossos interesses, defender aquilo em que acreditam!”. Pode-se não conseguir nada de imediato, mas sempre se ganha algum coisa.



10. 
B.K.: E agora, numa altura em que as pessoas são livres de votar e de fazer escolhas, é quase um contra-senso quando por vezes se diz “Quem nos dera de novo Salazar”. O que suscitam em si essas afirmações?

V.L.: Acima de tudo ignorância. Ás vezes há uma sensação de insegurança e há pessoas que preferem ter uma segurança muitas vezes fictícia, metendo-se dentro do seu casulo, abdicando de tudo o resto. Uma pessoa dessas, na minha opinião, não é um ser humano.


E depois confundem-se as coisas. Por exemplo. O aumento da droga, a sida: isso não tem nada a ver com haver Salazar ou não haver Salazar, com o haver repressão ou não haver repressão! O problema grave, e que essas pessoas não percebem, é que, antes do 25 de Abril, esses problemas existiam na mesma, só não eram conhecidos.

Eu prefiro estar inserido numa comunidade internacional do que estar “orgulhosamente sós”, como era a teoria de Salazar. A censura proibia a publicação das noticias, não era dos comentários políticos nem das opiniões políticas, porque isso as pessoas já nem se atreviam a fazer. E como as pessoas não conheciam, não tinham informação, até julgavam que viviam no paraíso, mas os problemas existiam na mesma.

Eu procuro não me deixar levar pelo politicamente correcto e portanto gosto de dizer o que penso em todas as circunstâncias e em relação a isso, eu só admito que existam dois tipos de pessoas que prefiram Salazar ou uma repressão: ou os que estão no poder e têm a sua própria liberdade, tirando a dos outros, e que querem mais poder, ou os ignorantes, os pobres de espírito.

quarta-feira, abril 25, 2007

Foi há 33 anos...


A Revolução de Abril, exerce em mim um fascínio profundo. Não consigo deixar de me arrepiar sempre que vejo as imagens do momento, oiço as músicas associadas ao golpe de estado ou leio / oiço os testemunhos de quem viveu o momento.

Se é certo que hoje em dia, infelizmente, nem toda a gente conhece o significado de Abril de 74, aquilo que temos, seja bom ou mau, embora na minha opinião, tenhamos muito mais de bom que de mau, ao movimento do MFA o devemos.
Curiosamente, assistimos quando ao mesmo tempo em que comemoramos mais este aniversário do 25 de Abril, ao ressurgimento da figura de Salazar em tudo o que é publicação, sendo possível ver mesmo alguns livros com o sugestivo título de "Como se levanta um país".

Admito que não sou um especial gestor, mas sei contudo que, não é com 30% de analfabetismo, com controlo repressivo de ideias, com a instauração de um estado de terror repressivo destinado a matar opiniões divergentes que se levanta um país.

Contudo, não cometo a imprudência de dizer que Salazar não devia ter subido ao poder, pois sou de opinião contrária. Tendo em conta o estado caótico em termos económicos e sociais em que se encontrava o país em 28 de Maio de 1926, data da instauração do Estado Novo, era necessária uma firme liderança e um controlo absoluto. Nesse aspecto, Salazar teve um papel primordial e incontornável.

O problema foi ter prolongado o Estado Novo para além da sua vida útil, fazendo com que, enquanto a Europa evoluía, Portugal continuasse agarrado aos ditames de uma política caduca e cada vez mais desenquadrada da realidade.

Se realmente o Portugal de Salazar fosse tão melhor que o país que temos hoje, não teria acontecido a desertificação que ocorreu a partir da década de 1950 quando, só no Interior, se perdeu 25% de população activa que optou por emigrar, a maioria clandestinamente.

Quando, actualmente se fala de défice, desemprego, insegurança, é evidente que se torna mais fácil evocar uma figura histórica por aquilo em que mais se evidenciou: uma figura autoritária e rigorosa.

O curioso da questão reside contudo, e ironicamente, nesse paradigma: fosse este Governo, um Governo como o que tivemos até 1974, não poderíamos sequer protestar e desejar que voltassem os governantes de outrora (nem comentaríamos a validade do diploma do nosso Primeiro). Por outro lado, este seria certamente o último post deste blog.

Por isso, só posso terminar este artigo com a expressão do sentimento que me acompanha todos os anos nesta data:

OBRIGADO MFA! OBRIGADO HERÓIS DE PORTUGAL

quarta-feira, abril 18, 2007

A piada do ano...

Não, não se trata do Benfica! Trata-se de um post colocado num fórum algures na web sobre o Google Earth.

Pelos vistos, um determinado indivíduo pensou que as imagens eram transmitidas ao vivo e... palavras para quê?



imagem enviada por e-mail

terça-feira, abril 17, 2007

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...