segunda-feira, junho 12, 2006

Não massacrem mais a bandeira nacional - IV - A 4ª Dinastia


Com a restauração da independência nacional em 1640, a bandeira sebastianista de escudo português (terminado em arco de círculo) encimado pela coroa real fechada (agora com 5 arcos em vez de 3), persiste como símbolo nacional. As únicas alterações que sofre até 1834 são a inclusão de um gorro púrpura na coroa, simbolizando um estatuto imperial e, por alturas do reinado de D. João V, o escudo é estilizado à maneira barroca, em voga na altura, sendo agora um escudo terminado em arco contracurvado.

Durante este período ocorre contudo uma alteração temporária significativa. Durante o reinado de D. João VI, com a afirmação do Brasil como reino dentro de uma "federação portuguesa" e consequente denominação de Reino Unido de Portugal, Algarve e Brasil, a bandeira sofre uma importante modificação.

Sob o tradicional escudo português é colocada pela primeira vez uma esfera armilar que simboliza o novo reino do Brasil, um pouco à semelhança da actual bandeira do Reino Unido que apresenta a cruz de braços diagonais escocesa sob a cruz inglesa para representar dois reinos dentro do mesmo Estado.

Com a morte de D. João VI e definitiva independência do Brasil, a esfera armilar é retirada.


Em 1830, com a vitória dos Liberais sobre os Absolutistas na Guerra Civil de 1832-1834, é instaurada uma nova bandeira cuja alteração em relação à anterior se prende com a divisão do fundo em duas cores: azul e branco. A bandeira tinha exactamente metade de cada cor e o escudo assentava no centro da bandeira com metade sobre cada uma das cores.

Como reconhecimento do facto de os Liberais terem usado os Açores como base de partida para tomarem o poder no continente, ainda hoje a bandeira açoriana tem como cores de fundo o azul e branco.

Esta bandeira seria abandonada com a instauração da República em 1910 sendo, no entanto, a bandeira que ainda hoje os monárquicos consideram como legítima e representiva do país.




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Não massacrem mais a bandeira nacional - III - A 2ª Dinastia


Após a crise de sucessão de 1383-1385 e com a subida ao poder de D. João I, mestre da Ordem de Avis, há uma nova alteração das armas do escudo nacional. Por ser filho ilegítimo de D. Pedro I, tal como Afonso III, também D. João teve de impor alterações ao escudo. Por ser Mestre da Ordem de Avis, uma ordem religiosa militar (à semelhança dos míticos templários), D. João incorporou a cruz verde da bandeira da ordem de Avis ao escudo nacional, deixando apenas visíveis as suas extremidades.

É nesta altura que os besantes encontram o seu número definitivo de 5 dentro de cada escudete que também pela primeira vez são chamados de "quinas".



Cerca de 100 anos depois das últimas alterações, outro rei de nome João, agora D. João II "O príncipe perfeito", introduz novamente alterações no escudo de armas nacional. Concretamente, ordenou que se levantassem os escudetes laterais, que até então estavam deitados, talvez por achar que assim se transmitia uma imagem de maior orgulho e altivez, e também ordenou que se retirasse do escudo a cruz da Ordem de Avis. Terá pensado que esta estava a mais no escudo e não se integrava nos restantes símbolos de identidade nacional?

De igual modo, o número de castelos na bordadura foi regularizado, surgindo em número de 7 (como na imagem acima) ou 8 de forma a fazer um preenchimento uniforme.



Quando D. Manuel I, primo de D. João II, sobe ao poder, verifica-se uma nova quebra na linhagem de sucessão real e, como anteriormente aconteceu, verificou-se uma nova alteração das armas reais que, pela primeira vez, surgem sobre uma bandeira branca.

Para além da novidade na forma do escudo, agora ogival (com D. João III o arco inferior do escudo passaria a redondo), surge sobre este uma coroa aberta pretendendo simbolizar o reforço da autoridade real.

Com D. Sebastião, a coroa passaria a ser fechada (para reforçar ainda mais a ideia de autoridade do poder real) e o número de castelos passaria em definitivo a 7. Parece ter sido nesta altura que a bandeira passou a ter uma forma rectangular em substituição da tradicional bandeira quadrada. Esta seria também a configuração da bandeira e das armas do escudo português durante os 60 anos de domínio espanhol.




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domingo, junho 11, 2006

Não massacrem mais a bandeira nacional - II - A 1ª Dinastia


A primeira simbologia adoptada por D. Afonso Henriques era uma continuação da que era usada pelo seu pai, D. Henrique de Borgonha, no seu escudo. O escudo do Condado Portucalense era então uma cruz azul sobre fundo branco e, como era tradição na época, era a simbologia que D. Afonso Henriques portava no seu escudo de batalha.



A certa altura surgem os antepassados daquilo a que hoje nos referimos como as "chagas de Cristo", os besantes de prata, que derivam do nome da moeda então usada em Bizâncio, capital do Império Bizantino. Estes besantes teriam tido um duplo significado pois, para além de significarem uma valorização do escudo do agora Reino de Portugal numa afirmação de autonomia em relação a Castela, poderiam também ter sido cabeças dos pregos de aço que o agora rei Afonso I de Portugal teria colocado no seu escudo para o reforçar.

O que é certo é que, não havendo uma explicação definitiva para o seu aparecimento, estes besantes teriam sempre um número muito variável durante a Idade Média e o seu número actual só seria fixado definitivamente já no Séc. XV por D. João II.



Com D. Sancho I, filho de Afonso I, a cruz desaparece surgindo em seu lugar os escudetes, também conhecidos como quinas, com 2 deles deitados e 3 de pé. Esta poderá ter sido uma variação estética da cruz mas há outra explicação com cariz de lenda que diz que quando Afonso I passou o seu escudo ao seu filho, já pouco restava da primitiva cruz de tecido azul para além dos 5 pedaços que se encontravam ainda fixados pelos pregos.

Não sendo uma explicação na qual nos possamos fundamentar sem deixar de lado as dúvidas, certo é que o número 5 é um número privilegiado na heráldica, não sendo raras as vezes que encontramos brasões com 5 elementos no seu escudo. Os próprios besantes dentro dos escudetes do ecudo nacional seriam mais tarde fixado em 5.

Não será de todo descabido acreditar que esta evolução em relação à cruz de Afonso I, terá sido uma simples questão de... estética.




Com Afonso III "O bolonhês", irmão de Sancho II e bisneto de Afonso I, são introduzidos os castelos de ouro sobre uma bordadura vermelha que agora rodeia o escudo nacional. Tradicionalmente conotados com os 7 reis mouros que Afonso Henriques derrotou em Ourique, os 7 castelos que Afonso Henriques conquistou aos mouros ou ainda os 7 castelos algarvios conquistados pelo próprio Afonso III, estes castelos eram na verdade uma imposição pelas regras de então.

Não sendo filho primogénito de Afonso II, Afonso III não podia herdar o escudo nacional sem lhe impor alterações quando viu o Papa reconhecer Afonso III como rei em detrimento do seu deposto irmão Sancho II.

Estes escudos eram uma alusão ao reino de Castela (ainda hoje esse elemento está presente na bandeira da província de Castilla y León), simbolizando a forte importância deste reino na vida do monarca português filho de mãe castelhana e casado ele próprio com uma castelhana.
Estes castelos não tinham um número fixo e só mais tarde passariam em definitivo a ser 7.



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Não massacrem mais a bandeira nacional - I


Com mais uma prova internacional de futebol, desta vez o Campeonato do Mundo, assiste-se a outra explosão de patriotismo como já não víamos desde o último Europeu, com bandeiras portuguesas espalhadas um pouco por todo o lado (algumas mesmo em locais improváveis).

Já ignorando o facto de ser uma expressão de patriotismo gerada por um brasileiro (ironia!) e por motivos fúteis à qual eu definitivamente não adiro, não deixa de ser ridícula a forma como a bandeira é tratada e colocada, surgindo muitas vezes invertida quer verticalmente, quer horizontalmente.

Mais grave será contudo a interpretação que se faz dos símbolos que compõem o escudo nacional. Ainda esta manhã, num programa de rádio, ouvi um locutor anunciar que ia proceder-se à explicação do significado da simbologia da bandeira nacional e que essa explicação seria dada por uma senhora da qual já não recordo o nome, senhora essa que era membro de uma sociedade histórica qualquer.

Aumentei o volume de som do rádio e apurei o ouvido para escutar a explicação mas esta acabou por ser uma verdadeira desilusão. Os argumentos da senhora na sua explicação resumiram-se a "diz-se que", "reza a tradição que" e "conta-se que", ou seja, nada de correctamente fundamentado. No fundo, resumiu-se a repetir o que eu já estava acostumado a ouvir desde a escola primária:

Fundo vermelho e verde que, segundo esta senhora representavam "o sangue e a alegria" e a "esperança e o relâmpago" respectivamente.

Em cima deste, a esfera armilar que simboliza os Descobrimentos e o escudo nacional em cima desta, com uma bordadura vermelha com os 7 castelos que representam as localidades conquistadas por Afonso Henriques aos mouros (outros dizem que são os 7 reis mouros derrotados em Ourique por este monarca), e dentro do escudo sobre fundo branco, as cinco quinas contendo cada uma as "cinco chagas de Cristo". Os mais esmerados dizem ainda que somando as chagas todas dentro das quinas e as próprias quinas, obtemos o número de 30 que foram os 30 dinheiros pelos quais Judas traiu Cristo.

Lamentavelmente, tudo isto não passa de um grande equívoco que, nos próximos posts vou procurar desfazer de uma vez por todas.

quinta-feira, junho 01, 2006

Post Bilingue


Português:
Esta foi uma cena que aconteceu em pleno copo de água de um casamento em França... Porquê? A resposta em breve aqui. Mais um exclusivo Blog do Katano pelo nosso enviado especial em França.

Francês:
C'est un marriagem ça! Eh dis donc hein!

quarta-feira, maio 31, 2006

Crítica de um formando dirigida a mim por escrito

"As aulas de TIC são um pouco de seca na parte teorica, nas praticas as aulas são animadas, o formador é curtido e as vezes chato!!!

Só a um defeito do formador está sempre a disligar a net. Mas as aulas de TIC são curtidas!!!!"

Reprodução integral da obra de autor anónimo

terça-feira, maio 23, 2006

II DIA DA INFORMATICA - Transmissão ao vivo

Realiza-se amanhã no INFTUR-Fundão, Núcleo Escolar de Hotelaria e Turismo, o ciclo de palestras do II Dia da Informática do INFTUR, uma organização da equipa do Gabinete de Apoio Informático, ou seja, eu!

Os convidados vão ser os Engs José Carlos Miranda e Luís Figueiredo que vão apresentar respectivamente:

"Realidade aumentada - um futuro promissor" - 11h
Quando a realidade se mistura com o virtual, o resultado é um mundo completamente diferente.
"MagicKey - a chave que abre as portas do Mundo" - 15h
Um sistema que permite controlar qualquer PC com... o olhar.

Os interessados poderão assistir às apresentações ao vivo e em directo na Internet bastando para tal abrirem o seguinte URL no Media Player (ou outro):

(Não esquecer o "http://" e o ":8080" no final)

Mais informação em http://inftur.no-ip.org/intranet

sexta-feira, maio 12, 2006

Vox Populi 2ª série - episódio 1


Há uns tempos atrás percorria eu, com o deslumbramento sempre renovado, as muralhas da aldeia histórica de Idanha-a-Velha, quando encontrei um grupo de senhoras no auge da sua 3ª idade, vestidas de uma forma que destoava um pouco do resto da paisagem envolvente.

Em amena cavaqueira, lá iam caminhando como quem se passeia num hipermercado e pára para ver todas as montras, obrigando assim quem vinha atrás - eu inclusive - a adoptar o mesmo ritmo de marcha e tornando-se assim impossível não ouvir os "interessantes" diálogos que se desenvolviam entre os membros do grupo.

A palavras tantas, a senhora que me pareceu ser a mais interventiva da comitiva, detem-se para contemplar as largas pedras da muralha e, com ar de indignação incontida de quem encontra uma solução fácil para um problema crónico, exclama:

"Não percebo! Se estas pedras são assim tão preciosas, porque é que não as vendem? O país está tão mal...!"

Confesso que nesse momento me apeteceu aplaudir. Gosto quando alguém transcende os limites de qualquer coisa que julgava impossível...

PS - Só para ajudar a compor a paisagem, o grupinho acabou por entrar num autocarro que dizia qualquer coisa sobre uma empresa de transportes públicos de Cascais.
imagem retirada d'O Blog do Alex

terça-feira, maio 09, 2006

Jeronimo no Cyberespaço!

O "Bob Dylan Português" já tem finalmente o seu espaço na Internet! Agora, os inúmeros fãs do artista já poderão encontrar todas as informações que sempre quiseram saber sobre Jerónimo e os Cro-Magnon mas que tiveram medo de perguntar: a biografia, a discografia, clips de áudio, vídeos dos concertos,... Poderão ainda enviar mensagens ao grupo através do livro de visitas do site onde ainda poderão consultar o calendário dos concertos agendados.

Tudo isto em

quarta-feira, maio 03, 2006

Espionagem


Dissimulado por entre a vegetação adoptando uma postura furtiva e sempre com os sentidos em alerta. Qual verdadeiro agente secreto e astuto como uma raposa, usando mil e uma artimanhas nada lhe escapa seja dentro ou fora do edifício.
Eis o vizinho maravilha!
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