domingo, outubro 16, 2005

Ciclos Musicais de Outono

Na última sexta-feira tive oportunidade de apreciar um serão diferente do habitual, com muita música pelo meio. Após gentil convite do Hotel Príncipe da Beira, tive oportunidade de assistir à primeira de 3 noites de um ciclo musical de música erudita.

Num ambiente acolhedor, confortável e intimista, saboreando uma deliciosa caipirinha, ouvir obras de Piazzolla, Villa-Lobos, Beethoven, Gershwin e Joplin, interpretadas pelo Quarteto B4 (violino, clarinete, guitarra e contrabaixo), constituiu um verdadeiro bálsamo de duas horas para o espírito e o escape ideal das preocupações de mais uma semana de trabalho.

Esta iniciativa irá repetir-se no próximo dia 4 de Novembro, com o (Des)Concertante Trio (clarinete, violoncelo e acordeão) e finalmente no dia 18 de Novembro com um concerto de Canto e Harpa.


Imperdível!

quinta-feira, outubro 13, 2005

O que a Cientologia faz às pessoas




Nas minhas deambulações cibernéticas procurei saber mais sobre essa coisa chamada Igreja da Cientologia. Afinal de contas, se o Tom Cruise promove aquilo como castanhas assadas em Novembro e todos os meses contribui com um cheque chorudo para a causa, deve haver ali gato.

Pois ao que parece a Cientologia é uma suposta religião fundada nos anos 50 por um autor de livros de ficção científica (ok, penso que isto diz tudo, não?) e que advoga que o homem tem capacidades mentais ilimitadas e que esta Igreja ajuda a desenvolvê-las. Então o que fazem é introduzir na cabeça do "crente" uma série de verdades banais e lugares comuns, dando-lhes ao mesmo tempo a aparência de "ciência" e de espiritualidade suprema, mas conseguindo também aplicar eficazes métodos de controlo e alienação mental.
Em troca destes elevados "conhecimentos" e da orientação para a perfeição, a Igreja da Cientologia suga os clientes até ao último centavo. Extensa começa já a ser a lista das mortes misteriosas de membros da Cientologia, muitas delas por suicídio.

A prova final da aldrabice é para mim a resposta da Jenna Elfman (a Dharma do Greg), outra famosa "cientologista", quando lhe pediram para contribuir para uma angariação de fundos da luta contra a SIDA: " A SIDA não é uma doença, é um estado de alma".

segunda-feira, outubro 10, 2005

Questão de cálculo

Sábado, 8 de Outubro de 2005, algures durante a tarde. A selecção de Angola acaba de se apurar pela primeira vez na sua história para o Mundial 2006 na Alemanha.

A comunicação social portuguesa aproveitou para fazer uma ampla cobertura do evento, inclusive com transmissão do jogo em directo e no rescaldo fez várias ligações directas a Luanda, onde o povo, embora ignore o que fica mais longe, se o enclave de Cabinda ou a Alemanha, invadia as ruas em festa.

Momento de reportagem radiofónica, de uma rádio bem conhecida, com ligação a Angola:

- "Vamos agora em directo para Luanda. Alô (nome do enviado)! Como estão as coisas em Luanda?"

- "Boa tarde! Como deves calcular, a alegria é incalculável!"

Sublime!

PS - Já agora, alguém me pode explicar o conceito de país irmão na relação Portugal & Angola?

"A" Notícia

“Centros Comerciais Cheios”

“Ontem a chuva levou milhares de lisboetas para dentro dos centros comerciais, muitos dos quais não tinham qualquer intenção de ir votar.”

Correio da Manhã
10/10/2005

Pequeno apontamento noticioso (??) inserido no topo de uma página dedicada ás eleições autárquicas. Assim, sem mais, num pequeno bloco sombreado.

Atente-se na segunda parte da frase, a relevância, a sagacidade, a convicção da afirmação, a certeza de que muitos dos que entraram nos centros comerciais não só ainda não tinham votado como nem sequer tinham intenção de o fazer.

A ânsia de resumir uma ideia óbvia e de senso comum, leva por vezes a que se escrevam estas banalidades jornalísticas (vulgo encher chouriço).

quarta-feira, outubro 05, 2005

Temos artista!

Este blog, para além de uma panóplia de Sôtores, possui ainda nas suas fileiras uma grande artista! Basta espreitar aqui!

terça-feira, outubro 04, 2005

Estreia de vida

Hoje, pela primeira vez na vida, recusei uma proposta de emprego sem sequer ter tentado saber os valores envolvidos. Sinto-me realizado.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Vox Populi III - O Eclipse


Hoje aconteceu um eclipse solar como já não se assistia há 100 anos! Quem não aproveitou para queimar as retinas hoje poderá novamente tentar lá para 2020 e tal, mais tal menos tal. O último eclipse solar visível em Portugal aconteceu a 11 de Agosto de 1999 (como era diferente a minha vida nesses tempos... *suspiro*!).

Nessa altura, tive oportunidade de recolher testemunhos de sabedoria popular que para sempre ficaram na minha memória. Não estou a falar daquela peixeira do Bolhão e respectiva neta que se tinham armado de alhos porque, a fazer fé no Telejornal do dia anterior, os vampiros iriam aproveitar o eclipse para fazerem das suas. Estou a falar de pessoas reais, de casos reais e de palavras irreais.

Fundão, 11 de Agosto de 1999, 9h30:
Sra X - "Rápido! Rápido! Atenda-me depressa!"
Sra Y - "Calma! Qual é a pressa?"
Sra X - "Quero ir para casa rápido! Diz que vem aí o eclipse e quero fechar as portas e janelas e tapá-las com um cobertor!"

Loulé, 12 de Agosto de 1999, hora incerta algures durante a tarde:
Jovem X - "Tão pá? Viste o eclipse?"
Jovem Y - "Bah!!! Eu não acredito nessas coisas!"

Choque

Mas há mesmo quem goste deste vómito?


50 Cent

domingo, outubro 02, 2005

Mais um pensamento


"Como seria estreita e miserável a nossa vida se as nossas esperanças não fossem tão vastas e transbordantes!" - Mohamed Ibn Alahmar "El Galhib"

Washington Irving, "Contos do Alhambra"

sábado, outubro 01, 2005

A tomada da Bastilha


Li recentemente um livro dedicado à Revolução Francesa que acabou por ser surpreendente pela desmistificação de alguns episódios, inclusive do próprio acontecimento que, pensava eu, assinalava o início da Revolução.

Tradicionalmente, a tomada da Bastilha a 14 de Julho de 1789 é tida como um momento simbólico de revolução do povo que, pegando em armas, derrubou a tirania de uma monarquia absolutista, simbolizada na própria fortaleza, e libertou os prisioneiros que se lá encontravam. Ao ler o livro descobri que afinal a coisa não foi bem assim tão gloriosa e romântica.

Em 1788, a França com os seus 26 milhões de habitantes estava em crise, mergulhada num profundo défice (pior que o nosso!) e numa grande crise social. O Rei Luís XVI decidiu então convocar os Estados Gerais que agregavam as 3 classes sociais: nobreza, clero e o 3º estado (povo). Essa assembleia aconteceria em Maio de 1789 e duraria várias semanas.

Sentindo-se excluídos pelas classes altas das decisões principais, o 3º estado que contudo se encontrava em maioria, decidiu fazer uma revolução política tendo-se declarado como Assembleia Nacional e decidindo legislar a partir daí e procurando dotar o reino de uma Constituição. Embora com alguma resistência inicial, o rei capitulava a 9 de Julho, decidindo que o clero e a nobreza deveriam aderir também a esta Assembleia que assim passava a estar legitimada e oficial. Terminava o regime absolutista e a França abraçava uma monarquia constitucional.

Começou no entanto a viver-se em clima de receio e paranóia devido à incerteza do resultado desta transformação política. Por um lado temia-se um movimento contra-revolucionário e por outro temia-se a reacção popular a uma situação de incerteza política numa situação de carência quase extrema.

Estes receios não eram infundados uma vez que a dada altura, começaram a circular entre o povo boatos de que bandoleiros ameaçavam o povo e também que os aristocratas estavam a pensar em deixar os parisienses famintos. A destituição de Necker, um ministro que recolhia a simpatia popular, e a chamada ao governo de um adepto de medidas rigorosas e excepcionalmente firmes, mais não fizeram que aumentar a agitação popular. Quase de imediato, começaram a acontecer pilhagens um pouco por toda a cidade de Paris. Em reunião de emergência, foi criada uma milícia burguesa destinada a manter a ordem mas... faltavam armas e era essencial obtê-las!

Na manhã de 14 de Julho de 1789, a multidão começou a pilhar o arsenal enquanto outros grupos saqueavam cerca de 32.000 espingardas no Hotel dos Inválidos. Então alguém se lembrou da fortaleza da Bastilha. A Bastilha tinha sido construída em 1382 para proteger o lado Este de Paris e servia desde o Séc. VII como prisão do estado embora estivesse em franca decadência. Uma multidão precipitou-se então para a Bastilha para aí procurar armas.


Nessa altura, o Governador da fortaleza que estava defendida na altura por 7 guardas suiços, alguns inválidos e alguns canhões, tentou numa primeira fase negociar com a turba enfurecida. Porém, talvez por excesso de nervosismo, um tiro disparado inadvertidamente desencadeou os acontecimentos e durante 4h o combate foi renhido. O governador, vendo que pouco havia a fazer, tentou negociar uma rendição pacífica, pela qual ele e os seus guardas seriam poupados mediante a entrega da fortaleza.

A multidão precipitou-se então para a fortaleza e assassinaram o governador e os guardas tendo depois decidido libertar os prisioneiros. Enquanto as cabeças do governador e dos seus guardas eram exibidas em lanças pela cidade, nas masmorras os vencedores verificavam que só ali estavam encarceradas 7 pessoas: 1 acusado de incesto, 2 loucos e 4 falsários. Estes últimos seriam alguns dias depois novamente presos.

Acontecimento de pouca importância, a Tomada da Bastilha foi apresentada como um símbolo da vitória do povo sobre a "Tirania Régia". A fortaleza começou a ser demolida 2 dias depois enquanto o Rei voltava atrás e reinstituía Necker como ministro para além da tomada de outras medidas de reconciliação. No 17 de Julho o Rei voltaria a Paris onde seria recebido pelo povo com gritos de "Viva o Rei! Viva a Nação!". Luís XVI morreria na guilhotina a 21 de Janeiro de 1793.

imagem tirada daqui
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