sábado, outubro 01, 2005

A tomada da Bastilha


Li recentemente um livro dedicado à Revolução Francesa que acabou por ser surpreendente pela desmistificação de alguns episódios, inclusive do próprio acontecimento que, pensava eu, assinalava o início da Revolução.

Tradicionalmente, a tomada da Bastilha a 14 de Julho de 1789 é tida como um momento simbólico de revolução do povo que, pegando em armas, derrubou a tirania de uma monarquia absolutista, simbolizada na própria fortaleza, e libertou os prisioneiros que se lá encontravam. Ao ler o livro descobri que afinal a coisa não foi bem assim tão gloriosa e romântica.

Em 1788, a França com os seus 26 milhões de habitantes estava em crise, mergulhada num profundo défice (pior que o nosso!) e numa grande crise social. O Rei Luís XVI decidiu então convocar os Estados Gerais que agregavam as 3 classes sociais: nobreza, clero e o 3º estado (povo). Essa assembleia aconteceria em Maio de 1789 e duraria várias semanas.

Sentindo-se excluídos pelas classes altas das decisões principais, o 3º estado que contudo se encontrava em maioria, decidiu fazer uma revolução política tendo-se declarado como Assembleia Nacional e decidindo legislar a partir daí e procurando dotar o reino de uma Constituição. Embora com alguma resistência inicial, o rei capitulava a 9 de Julho, decidindo que o clero e a nobreza deveriam aderir também a esta Assembleia que assim passava a estar legitimada e oficial. Terminava o regime absolutista e a França abraçava uma monarquia constitucional.

Começou no entanto a viver-se em clima de receio e paranóia devido à incerteza do resultado desta transformação política. Por um lado temia-se um movimento contra-revolucionário e por outro temia-se a reacção popular a uma situação de incerteza política numa situação de carência quase extrema.

Estes receios não eram infundados uma vez que a dada altura, começaram a circular entre o povo boatos de que bandoleiros ameaçavam o povo e também que os aristocratas estavam a pensar em deixar os parisienses famintos. A destituição de Necker, um ministro que recolhia a simpatia popular, e a chamada ao governo de um adepto de medidas rigorosas e excepcionalmente firmes, mais não fizeram que aumentar a agitação popular. Quase de imediato, começaram a acontecer pilhagens um pouco por toda a cidade de Paris. Em reunião de emergência, foi criada uma milícia burguesa destinada a manter a ordem mas... faltavam armas e era essencial obtê-las!

Na manhã de 14 de Julho de 1789, a multidão começou a pilhar o arsenal enquanto outros grupos saqueavam cerca de 32.000 espingardas no Hotel dos Inválidos. Então alguém se lembrou da fortaleza da Bastilha. A Bastilha tinha sido construída em 1382 para proteger o lado Este de Paris e servia desde o Séc. VII como prisão do estado embora estivesse em franca decadência. Uma multidão precipitou-se então para a Bastilha para aí procurar armas.


Nessa altura, o Governador da fortaleza que estava defendida na altura por 7 guardas suiços, alguns inválidos e alguns canhões, tentou numa primeira fase negociar com a turba enfurecida. Porém, talvez por excesso de nervosismo, um tiro disparado inadvertidamente desencadeou os acontecimentos e durante 4h o combate foi renhido. O governador, vendo que pouco havia a fazer, tentou negociar uma rendição pacífica, pela qual ele e os seus guardas seriam poupados mediante a entrega da fortaleza.

A multidão precipitou-se então para a fortaleza e assassinaram o governador e os guardas tendo depois decidido libertar os prisioneiros. Enquanto as cabeças do governador e dos seus guardas eram exibidas em lanças pela cidade, nas masmorras os vencedores verificavam que só ali estavam encarceradas 7 pessoas: 1 acusado de incesto, 2 loucos e 4 falsários. Estes últimos seriam alguns dias depois novamente presos.

Acontecimento de pouca importância, a Tomada da Bastilha foi apresentada como um símbolo da vitória do povo sobre a "Tirania Régia". A fortaleza começou a ser demolida 2 dias depois enquanto o Rei voltava atrás e reinstituía Necker como ministro para além da tomada de outras medidas de reconciliação. No 17 de Julho o Rei voltaria a Paris onde seria recebido pelo povo com gritos de "Viva o Rei! Viva a Nação!". Luís XVI morreria na guilhotina a 21 de Janeiro de 1793.

imagem tirada daqui

quinta-feira, setembro 29, 2005

Outro pensamento


"O que é o amor de um homem inquieto e vagabundo? Uma onda caprichosa que tarda um instante junto a cada flor da margem e passa, deixando-as inundadas em lágrimas"

Washington Irving, "Contos do Alhambra"

terça-feira, setembro 27, 2005

Apelo!

Quando todos os outros métodos falham, por vezes a última solução é apelar aos larápios na esperança de que, quiçá, eles tenham um código deontológico. Seja como for, também estamos em época baixa uma vez que a maioria dos profissionais da classe se encontra envolvido na campanha para as eleições autárquicas.


imagem enviada por mail

quinta-feira, setembro 22, 2005

Vox Populi II

Diálogo entre uma jornalista da TSF e uma cidadã anónima de Felgueiras, ontem, 21 de Setembro de 2005:

Jornalista - Olá! A senhora está aqui desde que horas?

Senhora X - Hein?!

Jornalista - A SENHORA ESTÁ AQUI DESDE QUE HORAS?

Senhora X - Estou aqui desde as 9h!!!

Jornalista - Então e o que está aqui a fazer?

Senhora X - Estou aqui para apoiar a Fátima Lopes... Hemm... Felgueiras! Felgueiras!

terça-feira, setembro 20, 2005

Simon Wiesenthal (1908 - 2005)


"A sobrevivência é um privilégio que traz consigo obrigações. Irei para sempre perguntar a mim próprio o que posso fazer por aqueles que não sobreviveram"

Faleceu hoje em Viena, Áustria, Simon Wiesenthal, conhecido como "A Consciência do Holocausto". Sendo judeu, Wiesenthal sofreu, à semelhança de 6 milhões de outros judeus, a barbárie do regime nazi durante a II Guerra Mundial, tendo perdido 89 familiares.

Ele próprio foi prisioneiro de vários campos de concentração até ser libertado pelos americanos a 5 de Maio de 1945 do campo de concentração de Mauthausen. Enquanto o resto do Mundo parecia querer esquecer o Holocausto e curar o mais rápido possível as feridas profundas do conflito, Wiesenthal decidiu dedicar a sua vida a impedir que a memória do que aconteceu não caisse em esquecimento, tendo trazido à justiça cerca de 1.100 criminosos de guerra.

Aos 96 anos, desaparece alguém que para mim será sempre uma das figuras maiores do Séc. XX. Que o seu trabalho sirva de inspiração para o futuro abrindo caminho à universalização de um desejo que certamente era o seu:

"NUNCA MAIS"

sexta-feira, setembro 16, 2005

Vox Populi I

Cidadão não identificado queixando-se da situação de crise que se vive algures no Norte do País:

"Eu sinto as dificuldades no meu dia-a-dia mas há pessoas que as sentem todos os dias!"

terça-feira, setembro 13, 2005

Mais uma tourada de morte...

E enquanto a passividade e permissividade se vão arrastando, no último Sábado em Reguengos de Monsaraz deu-se mais uma tourada "típica" que, para não variar, terminou com a morte do touro... desta vez à pancada!

Não sei o que mais me choca, se o facto de se persistir em mascarar brutalidade com o nome de "tradição" ou se o facto de, aquando da morte do touro, o coeficiente médio de inteligência na arena ter descido abaixo de metade.

domingo, setembro 11, 2005

Porque não podia deixar de ser...


PARABÉNS JUANITAAAAAA!

Não esquecemos...

...onde estavamos e o que estavamos a fazer há exactamente 4 anos.
É justo dedicar um minuto dos nossos pensamentos a todos os que morreram como fruto dos ataques terroristas e do imperialismo cego e desenfreado que se lhe seguiu.

sábado, setembro 10, 2005

George W. Bush

Para o extenso clube de fãs deste grande líder da democracia, liberdade e outros valores humanos que se possam chamar aos poços de petróleo do Médio Oriente, este site é uma referência! Contém uma lista extensa das mais pertinentes intervenções do Presidente dos EUA e das piadas a ele associado.

A ver em
http://eul0000562.eu.verio.net/boreme/funny-collections/politicians-george-bush-p1.php
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