
Peguem numa plateia expectante e em convidados famosos, coloquem-nos num cenário à média luz preenchido por uma música de fundo inquietante e no qual são invocados os espíritos dos falecidos para comunicar com os presentes, através da voz da médium inglesa Anne Germain. Eis os ingredientes do programa televisivo “Depois da Vida”, transmitido pela TVI às Sextas-feiras à noite.
Há dias, após expressar a minha estranheza pelo facto de todos os espíritos invocados saberem falar inglês, deixando-me na dúvida se, querendo tirar um curso de inglês, seria mais eficaz e económico inscrever-me no Wall Street Institute ou simplesmente falecer, lançaram-me o desafio de assistir ao programa. Assim o fiz e do que vi, tirei daí as minhas ilações, partindo do pressuposto que tanto os convidados como a plateia não tinham qualquer associação com a produção do programa, algo que não seria inédito neste tipo de formato.
Aquilo que Anne Germain faz, é simplesmente por em prática a sua tremenda capacidade de observação, associada a uma grande expressão dramática, para, baseando-se em informações que à partida já detém sobre as pessoas com quem fala, criar a ideia de que está a comunicar com espíritos. Melhor que tudo, leva as pessoas a acreditar que as informações que está a revelar são informações precisas e do foro íntimo quando na verdade são de conhecimento público.
Vejamos por exemplo o caso específico de José Augusto Sá, um dos convidados do último programa, e responsável pela associação que pretende perpetuar a memória das vítimas do desastre ferroviário de Alcafache (11/9/1985).

No seu papel de intermediária entre Augusto Sá e o “mundo espiritual”, Anne Germain refere a presença de inúmeros espíritos, destacando-se 4 em particular que a médium revela serem respectivamente o pai, a mãe, a madrasta e a irmã do convidado.


