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domingo, janeiro 10, 2010

2009, Um ano do Katano, parte II

Depois da primeira dose de elevada emoção que foi recordar o primeiro trimestre do findo ano de 2009, esperando que tenham apreciado ao mesmo tempo os temas musicais que aconselhámos para acompanhar a leitura do artigo, seguimos agora a nossa revista do ano de 2009 mas agora sem contar com os meses de Janeiro, Fevereiro e Março pois, uma vez que já foram referidos no artigo anterior, repeti-los seria pateta.


ABRIL

Em Abril, moralismos mil. Começámos por recordar as incidências que levaram a que, pelo Blog do Katano, não se adira desde há muito às sui generis (para não dizer parvinhas) tradições Münchhausenistas (termo acabo de inventar e cujo uso autorizamos livremente aos nossos leitores) do 1º dia de Abril. Prosseguindo a nossa senda moralista, disponibilizámos um vídeo com o intuito de recordar a importância de não pirilampar a mulher do próximo.

Talvez procurando rivalizar com o jornalista que no 1º trimestre decidira reescrever a história de Portugal, em Abril fomos abordados em pleno espaço público por um indivíduo, com uma noção muito própria da gesta histórica da formação da nação, que não se coibiu de exaltar com intenso fervor patriótico o seu orgulho pela retumbante vitória de Nuno Álvares Pereira sobre as tropas de Napoleão em Aljubarrota. Contudo, é curioso verificar que este testemunho bem poderia ser a resposta de uma jovem num concurso de misses a uma qualquer questão sobre história de Portugal. Todas as outras respostas seriam certamente "Acabar com a fome e a guerra no Mundo". O melhor mesmo é esquecer as misses e confortar o espírito pedindo umas fodinhas quentes à Dona Márcia.

Continuando no contexto bélico, alguns artigos foram dedicados à I Guerra Mundial e à participação lusófona no conflito, desde o sucedido na Batalha de La Lys, da qual se assinalava o 91º aniversário, onde se destacou o soldado Augusto Milhais "Milhões", um dos últimos heróis de Guerra portugueses, até à retumbante vitória naval da esquadra brasileira sobre um cardume de... toninhas ao largo de Gibraltar.

Se o mês começou bem para Nuno Álvares Pereira, melhor terminou, com este a ser canonizado pelo Vaticano, tornando-se o santo que mais espanhóis exterminou no seu tempo de vida, um registo digno do Guinness Book. E que tal celebrar este momento ouvindo uma canção interpretada por Susan Boyle, em Abril de 2009 acabada de chegar ao estrelato e cuja virgindade seria no mês seguinte posta à prova?


MAIO

Sendo Maio o mês das flores por natureza, em que a natureza explode num esplendor multicolor, qual caleidoscópio aromatizado, também o núcleo duro do Blog do Katano decidiu desabrochar culturalmente e que melhor sítio para o fazer senão em Belmonte, a vila-museu? Do Castelo de Belmonte ao novíssimo Museu dos Descobrimentos, com passagem pelo Museu do Azeite que encontrámos sitiado, houve ainda tempo para visitar as ruínas da villa romana da Quinta da Fórnea. Infelizmente, e já que de cultura falamos, Portugal ficou mais pobre ao perder um dos seus ícones: o eterno Vasco Granja ao mesmo tempo que outra estrela internacional se apagava: David Carradine, o eterno "gafanhoto".


Mas enquanto umas estrelas se apagam, outras emergem. Remi Gaillard provou ser uma delas e alguns artigos foram dedicados aos seus desconcertantes vídeos que não deixam ninguém indiferente. Quem não adorou vê-lo fazer um remake ao vivo do jogo Pac-Man?

Quem não desabrochou e, pelo contrário, ficou mais murcha aos olhos dos cidadãos, foi a Justiça Portuguesa que numa peregrina decisão devolveu a pequena Alexandra às demonstrações de amor pátrio da sua mãe, traduzidos numa tremenda adoração pelos
produtos russos, especialmente a vodka. Esta decisão deixou a sociedade em alvoroço mas não tanto quanto ficou o Jornal Nacional quando Marinho Pinto decidiu desancar em directo Manuela Moura Guedes.


JUNHO

A época estival começou da melhor forma com uma jornada na II Bienal do Azeite em Castelo Branco onde assistimos (e registámos) à confecção da maior tibórnia do Mundo. Contudo, aquilo que indiciava ser um mês auspicioso, depressa se tornou um desfilar de tragédias, e não falo só do nosso encontro com Vital Moreira.

O acidente do voo 447 da Air France, que desapareceu sobre o Atlântico, fez correr muita tinta (mais do que no Cartridge World). Houve até quem quisesse ver neste desastre mais uma manifestação do Triângulo das Bermudas. Sinistra foi a história dos que sobreviveram por terem perdido o voo, terem encontrado a morte alguns dias mais tarde. Contudo, só passámos a acreditar que poderia haver algo de sobrenatural nesta história quando um canal televisivo boliviano transmitiu imagens da série Lost rotulando-as de imagens exclusivas do acidente do 447.

A linha trágica do mês de Junho continuou com a morte da eterna Farrah Fawcett, cujo fato de banho vermelho ficará para sempre vinculado a algumas das mais belas recordações da nossa juventude. Este facto fez com que a morte de Michael Jackson tivesse passado quase despercebida.

Lá fora, Barack Obama mostrava que, apesar de ser um bom rapaz, não era propriamente o tipo de pessoa incapaz de fazer mal a uma mosca, apesar de, ao contrário de o que alguns quiseram fazer crer, não possuir super-poderes.

Entretanto, e enquanto alguns representantes do Blog do Katano deambulavam de forma algo errática pelo Alentejo onde, diz-se, terão inclusive passado por Juromenha, dava-se um acontecimento que iria mudar a face da Blogosfera Nacional: a estreia do hino oficial de parabenização do Blog do Katano.

Junho, e 2009 já agora, também seria seria marcado pelo evento que veio alterar irremediavelmente o meio literário nacional: a publicação da obra de vulto, o DiciOrdinário Ilustarado. Eça é que é Eça!


A seguir: continuação da revista do ano 2009, esperando que consigamos terminá-la a tempo de podermos iniciar com calma a revista de 2010. Entretanto, já há quem diga que esta é mesmo a melhor revista de todas, inclusive melhor que a FHM e a Rendas e Bordados (esta é a que tem mais tecido na fotografia da capa).

sexta-feira, maio 15, 2009

As fotos mais recentes da Quinta da Fórnea, Belmonte

O sítio ficou agora mais valorizado com a colocação da sinalética de interpretação das ruínas, fazendo do que resta desta antiga villa romana (ver artigo anterior) uma verdadeira aula de História sobre os aspectos específicos da vida doméstica nas propriedades rurais durante a presença romana por estas paragens.

Há contudo muito ainda a fazer: a consolidação dos restantes muros, o desvio das águas pluviais (a última chuvada já deixou marcas) e a protecção de zonas mais sensíveis como os lagares e as termas, ainda em muito bom estado de conservação (que bela surpresa, tendo em conta as agressões que as ruínas sofreram) mas que, agora expostos, irão sofrer uma erosão muito acelerada.

Aqui deixo algumas fotografias tiradas há algumas horas atrás, provavelmente as fotos mais recentes das ruínas que se podem encontrar na Net (Serviço público, ora pois!).

Um painel à entrada começa por fazer uma introdução às ruínas. Ao fundo, a Serra da Boa Esperança, com o local do desaparecido castro da Chandeirinha em evidência.


Todas as zonas estão devidamente explicadas e, num local mais elevado do qual se observa todo o conjunto, encontra-se um painel mais sumário que identifica os diferentes espaços.


Em primeiro plano, a zona de armazéns e de transformação (moagem, têxtil) que tinha mais um piso, entretanto desaparecido mas onde se identifica a "caixa" da escadaria de acesso. À direita da entrada principal, com colunas e calçada, situa-se a parte residencial (pars urbana) da villa. Já à direita na foto distingue-se o pátio principal (havia 3 neste complexo) e o espaço relativo ao jardim onde ainda se distingue o muro de contenção da terra.



Entrada principal do complexo onde, no lajeado em primeiro plano, é possível perceber o desgaste provocado pela passagem de carros de tracção animal. O pequeno espaço contíguo, que tinha, à semelhança de muitos outros na villa, uma lareira, servia provavelmente de guarita para um porteiro que controlava os acessos.


Fustes de coluna e uma base de coluna de estilo toscano reaproveitada no muro de contenção do jardim no centro do pátio principal da villa.



O caldarium (banho quente) das termas, sendo visível o hipocaustum (sistema de aquecimento) formado por arcos de tijolo sob o piso que deixavam circular o ar quente proveniente da caldeira (preafurnium) no compartimento à esquerda. Estas arcadas existem ainda em excelente estado de conservação sob uma banheira semi-circular, típica deste compartimento das termas.



Piso do hipocaustum  com o arranque das arcadas de tijolo.



O vestiário no qual os frequentadores dos banhos se preparavam para os mesmos. Os arcos visíveis na foto, que originalmente deviam suportar bancos corridos, destinavam-se provavelmente a servir para guardar objectos pessoais. Distingue-se ainda uma pequena abertura rectangular no piso que comunica com os esgotos e sobre a qual existia um recipiente em cerâmica para efectuar descargas de água. Alguém arrisca o que seria esta abertura?


Na zona dos lagares, subsistem ainda os restos de um dolium (muitos mais haveria) um pote largo para armazenar azeite ou vinho e que se encontrava semi-enterrado para efeitos de conservação. 


A alguma distância da villa, do outro lado da actual estrada que liga Belmonte a Caria, foi descoberto um conjunto de construções funerárias monumentais. Embora o que foi encontrado fosse maior, deixaram-se ficar estas pedras definindo o formato dos compartimentos. Estariam associados à villa? Provavelmente.

terça-feira, maio 12, 2009

Ao redor de Belmonte I
Quinta da Fórnea - Um bom exemplo


Após a nossa visita aos museus e Judiaria de Belmonte que já aqui foi abordada (ver parte1, parte2 e parte 3), dois locais para mim especiais mereceram a nossa visita: Centum Cellas e Quinta da Fórnea. Nesta visita, o que ficou na retina foi o contraste entre o estado de um e outro sítio e, se no caso da Quinta da Fórnea, como já aqui foi oportunamente abordado (ver sequência de artigos aqui), as ruínas se encontram já na fase final de musealização - o que se saúda -, já o que vimos em Centum Cellas é diametralmente oposto e merece, só por si, um artigo a publicar nos próximos dias.

Na Quinta da Fórnea, como já referi, os trabalhos estão já avançados. Parte dos muros e a calçada foram já consolidados e embora na altura ainda não tivessem sido colocados, os painéis explicativos já se encontram instalados no local o que permite a qualquer visitante interpretar e compreender o conjunto de estruturas trazidas à superfície.

A entrada principal da villa que levava a um pátio central, com a sua calçada e colunas laterais

Este conjunto diz respeito a uma villa romana (uma casa pertencente a uma família relativamente abastada e dedicada à exploração dos recursos locais como a agricultura ou a mineração), algo semelhante aos "nossos" Montes alentejanos, e que terá tido ocupação entre os séculos I e IV da nossa era. As pessoas que aqui habitavam (a família e os seus escravos e criados) conseguia ser auto-suficiente, produzindo os seus próprios alimentos, utensílios e materiais de construção.

Aspecto de um dos compartimentos onde é possível ver o sistema de esgotos (as condutas casualmente em forma de "pata de galinha" em primeiro plano)

A exploração a que aqui se dedicavam era essencialmente agrícola e o edifício era relativamente importante, possuíndo lagares, armazéns, espaço residencial e termas, às quais estava associado um hipocauto, um sistema de aquecimento sob o piso para aquecer a àgua do tanque de banho quente, o caldarium (para recordar aqui).


Um dos tanques de banho


Aspecto do Hipocausto destinado ao aquecimento da água para o banho quente. Consiste numa fornalha que aquece o ar que depois circula sob o piso que é suportado por um conjunto de arcadas em tijolo sucessivas.

Trata-se de um excelente trabalho de recuperação, mais uma iniciativa de louvar por parte da Câmara Municipal de Belmonte, e que fez de um local que já se julgou irremediavelmente perdido, um interessante espaço explicativo sobre a vida doméstica romana fora dos centros urbanos. 

quinta-feira, maio 07, 2009

Pelos museus de Belmonte III

Ver artigos anteriores (parte I - parte II - parte III)

O Museu do Azeite

Não muito longe do Ecomuseu do Zêzere, o Museu do Azeite está instalado no antigo lagar de Belmonte, do qual conserva ainda toda a maquinaria. Num percurso relativamente curto e bem assinalado, o visitante tem a oportunidade de conhecer todas as técnicas de produção de azeite, para além de aprender sobre a origem e a importância da cultura da oliveira (introduzida na Península Ibérica pelos romanos que exploraram em larga escala a produção de azeite).

À saída, para além de ser possível adquirir produtos regionais, de vinho a azeite, passando por doces e uma pasta de azeitona que fez sucesso junto de alguns elementos da comitiva do Blog do Katano, o visitante é "mimado" com uma prova de azeites, acompanhado por pão e broa... isto sim uma delícia! 

Apesar de tudo, o aspecto mais original desta visita nada teve a ver com azeite. Ao chegarmos ao museu, deparámo-nos com o pânico da funcionária perante um exame de abelhas domésticas que havia escolhido o espaço entre uma janela do museu e as respectivas portadas para a instalação da sua colmeia. Aliás a senhora estava de tal modo condicionada que, quando chegámos e comentámos o cheiro que pairava no ar, ela tomou a palavra para referir que se tratava de insecticida, não nos deixando concluir que adorávamos o aroma a azeite e bolos que efectivamente havíamos sentido.




O primeiro piso consiste num espaço único no qual se encontram os tanques de armazenamento nos quais a azeitona era guardada antes de ser processada, sendo depois despejada através de uma abertura no solo que levava à moagem no piso inferior. Neste espaço encontram-se também os produtos regionais para venda, para além de diverso merchandising comum a todos os museus de Belmonte. Atrás da porta em madeira visível na fotografia estavam uns quantos milhares de abelhas domésticas em frenesim próprio de mudança de casa.


Vista para o piso inferior onde se podem ver as prensas hidráulicas onde a pasta resultante do esmagamento das azeitonas era prensada para extracção do azeite remanescente.


Pela Vila de Belmonte

Após o encerramento dos museus, dedicámos o resto do tempo a uma visita pela Vila, começando pela Igreja Nova onde se encontra a imagem de Nossa Senhora da Esperança, imagem que a firme e enraizada tradição local afirma ter acompanhado Pedro Álvares Cabral na sua viagem de descoberta do Brasil. O percurso continuou depois em direcção à antiga Judiaria, atravessando o centro histórico onde as casas conservam aqui e ali o seu figurino medieval. 


Junto à Judiaria, ergue-se a relativamente recente Sinagoga Bet Eliahu, a concretização de uma aspiração de séculos da comunidade judaica que, em Belmonte, sobreviveu à opressão da Inquisição, continuando hoje em dia bem viva. Aliás, em Belmonte, encontra-se também uma empresa que produz produtos kosher assim como um cemitério judaico.


A moderna sinagoga Bet Eliahu (Casa de Elias), inaugurada em 1996 com a presença de Dan Tichon, então presidente do Knesset, o Parlamento de Israel.

O passeio pela vila terminou com o regresso ao Castelo de Belmonte para prosseguir depois viagem para Centum Cellas e para a Quinta da Fórnea.


O Castelo de Belmonte. São visíveis no pano de muralha as alterações resultantes da adaptação da fortaleza a palácio dos Cabrais. No centro a impressionante janela manuelina.


No canto nordeste são visíveis os vestígios da 2ª torre do castelo entretanto desaparecida. É perceptível a técnica de construção empregue que consistia, como era comum na construção dos castelos, em erguer duas paredes paralelas, consolidando depois o espaço entre elas com pedra irregular e entulho.

terça-feira, maio 05, 2009

Pelos museus de Belmonte I

No passado Sábado, uma comitiva do Blog do Katano deslocou-se à vila de Belmonte, terra onde o Judaísmo e a herança dos Cabrais estão ainda bem vivos, para visitar a rede museológica local, começando pelo Castelo e a exposição dedicada a Centum Cellas na torre de menagem, para depois prosseguir pela Igreja de Santiago, Museu Judaico, Ecomuseu do Zêzere, o novo Museu dos Descobrimentos, terminando finalmente no Museu do Azeite.



De há uns anos a esta parte, Belmonte tem vindo a realizar um excelente trabalho no que diz respeito à preservação e aproveitamento do seu património histórico. A rede museológica, reforçada pela Igreja de Santiago (desde a minha última visita) e pelo Museu dos Descobrimentos é disso um excelente exemplo, para não falar da sinalização urbana e do aproveitamento da Quinta da Fórnea. 

Como não basta só implementar as estruturas mas que também é necessário fomentar as visitas às mesmas, foi disponibilizada aos vistantes a possibilidade de adquirirem um bilhete único que permite visitar todos os museus da Vila pelo preço de 7,5 euros (a entrada no Museu dos Descobrimentos custa, desde ontem 5 euros), uma medida que merece um forte elogio.


Castelo de Belmonte / Solar dos Cabrais (Família de Pedro Álvares Cabral)


Exposição sobre Centum Cellas, na torre de menagem do castelo de Belmonte, com uma mostra de objectos recolhidos nas escavações das ruínas deste misterioso monumento de Colmeal da Torre. Parte do espólio esteve exposto até há relativamente pouco tempo no Museu Nacional de Arqueologia nos Jerónimos, no âmbito da exposição "Religiões da Lusitânia".



A Igreja de Santiago, anexa à qual se encontra o Panteão dos Cabrais, foi transformada recentemente num centro interpretativo dos Caminhos de Santiago que todos os anos levam inúmeros peregrinos a Santiago de Compostela. O espaço e os meios de informação estão muito bem conseguidos.


Capela lateral da Igreja de Santiago na qual se encontra uma "Pietá" monolítica (esculpida num único bloco) e policromática (pintada) em granito 



Museu Judaico de Belmonte. Excelente organização do espaço e ambiente interior, com peças interessantíssimas e um impressionante memorial das vítimas da Inquisição. Peca contudo, na nossa opinião, por não explicar mais pormenorizadamente os aspectos particulares do Judaísmo de forma a que um visitante que não conheça essa religião possa ficar devidamente esclarecido.


O Ecomuseu do Zêzere, projecto no qual colaboraram a EPAL e a EDP, mostra o perfil e a fauna e flora ao longo do curso do Rio Zêzere, desde a sua nascente no maciço central da Serra da Estrela, até desaguar no Tejo em Constância. Este museu, bem organizado, encontra-se instalado na antiga Tulha (celeiro / armazém) dos Cabrais, tendo sido preservada a traça original do edifício.

Aspecto de um dos tanques expositores que mostra o perfil do curso médio do rio Zêzere.


terça-feira, março 04, 2008

A segunda vida da Quinta da Fórnea II



A estação arqueológica da Quinta da Fórnea foi esta semana tema de notícia no Jornal do Fundão.

Em relação ao que já foi anteriormente referido neste blog, a reportagem acrescenta que foi descoberto um hipocaustum, um sistema de aquecimento que funcionava por baixo do piso da construcção, que era suportado por uma estrutura de pilares de tijolo, e que aquecia o espaço por meio de uma fornalha e tijolos ocos nas paredes.

Este tipo de sistema de aquecimento aparece geralmente associado a tanques de banho, destinando-se a aquecer a água para o banho quente, o caldarium.

No mesmo artigo a arqueóloga da Câmara Municipal de Belmonte convida os interessados a ir ao local visitar as ruínas e assistir aos trabalhos de escavação, tratando-se esta de uma oportunidade única de poder ver como decorre uma escavação arqueológica e, caso haja essa disponibilidade por parte dos arqueólogos, de ter uma explicação detalhada do espaço.

Imagem retirada de www.rutavadiniense.org

terça-feira, novembro 27, 2007

A segunda vida da Quinta da Fórnea



Em Setembro de 2006 publiquei aqui um post sobre a estação arqueológica da Quinta da Fórnea, anunciando aquilo que parecia a destruição e abandono de mais um sítio arqueológico. Na altura, vivia-se ainda na ressaca do atentado cometido pelo então proprietário do terreno que ignorando as evidências, plantara um pomar no terreno onde se encontravam as ruínas, usando para o efeito um bulldozer, atentado que eu denunciei no meu portal e na imprensa. Ironicamente, durante esse Verão, um incêndio acabaria por reduzir o próprio pomar a cinzas.

Para reler cliquem aqui .

Fiquei por isso intrigado quando, há algumas semanas numa das minhas viagens na A23, vi movimentações de pessoas e veículos junto às ruínas. Acabei por parar no local ontem, tendo constatado que o local está a ser alvo de uma intervenção arqueológica de fundo.

Foi com grande satisfação que, em conversa com o arqueólogo responsável soube, que a escavação se integra num projecto alargado que tem como finalidade a valorização e musealização das ruínas e a musealizaçãol. Para já, a escavação colocou a descoberto uma enorme propriedade de planta rectangular, com pátio interior, entrada lajeada, para além da zona dos celeiros e dos lagares onde foi encontrado um dolium, um grande pote de barro para armazenamento, entre vários tanques onde ainda é visível o revestimento original em opus signinum, um reboco grosseiro e impermeabilizante.

Também tive ocasião de saber que, muito perto dali, foram descobertas estruturas monumentais pertencentes a uma necrópole que terão sido provavelmente jazigos de família.

Todo o conjunto está datado como pertencendo ao Séc II.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Da fatalidade nasce a ironia...


Há cerca de um ano atrás denunciei, através do ArqueoBeira, um atentado ao património arqueológico ocorrido entre Belmonte e Caria, no sítio arqueológico romano da Quinta da Fórnea.

Na altura, o novo dono do terreno, onde se situam os restos desta villa romana do Séc I ou II que inclusive levou ao desvio do traçado original da A23, decidiu surribar toda a zona envolvente que ainda não havia sido alvo de pesquisas arqueológicas, arrasando estruturas ainda soterradas, com vista à plantação de um pomar.

Desde o proprietário até ao IPPAR, passando pela Câmara Municipal de Belmonte, todos imitaram o tranquilo Pilatos, lavando as mãos de tão incómodo assunto e o assunto morreu como tantos outros semelhantes.

Contudo, a ironia pode por vezes manifestar-se sob formas perfeitamente inusitadas e também aqui isso aconteceu quando, há menos de 2 semanas, um incêndio que devastou a serra da Esperança, se propagou a esta zona e dizimou o pomar, que entretanto se vira invadido de vegetação silvestre por incúria do proprietário que já não se encontrava, pelos vistos, imbuído do primitivo espírito laboral de outrora.

Nem pomar, nem ruínas... Assim termina o caso da Quinta da Fórnea. Diem perditim...
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