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terça-feira, junho 22, 2010

Porque há ruínas que não servem para o Turismo

Portugal tem inúmeros locais de elevado interesse turístico, sejam eles de interesse natural, paisagístico, monumental ou arqueológico.

Determinante na promoção da oferta turística tem sido a acção do Turismo de Portugal, criador de conceitos tão revolucionários como o sui generis Allgarve, reinventando toda uma região para grande orgulho dos allgarvios, ou de roteiros que comparam uma viagem entre Alcobaça e Tomar à saga da Demanda do Graal.

Evidentemente, também é feita a promoção de vários conjuntos de ruínas, como Conímbriga e Briteiros entre outros. Agora, o que poucos sabiam, é que o Turismo de Portugal também faz questão de assinalar as ruínas que não devem ser visitadas. Isso mesmo pôde ser constatado durante uma das últimas chuvadas na distinta vila de Caria, conforme se apresenta nos instantâneos abaixo. Quem, motivado pela obsessão em visitar ruínas, se pudesse sentir tentado a explorar este novo conjunto, depressa era demovido pela mensagem taxativa que rodeava o local.

Quem disse que a minúcia é um dom exclusivo dos germânicos?



Este autor agradece à sua entidade patronal o gentil fornecimento destes instantâneos, obtidos nitidamente através de uma invulgar mestria e com um enquadramento e uma luminosidade notáveis.

sábado, janeiro 23, 2010

Agora partilho a casa com um sobreiro

Por entre oliveiras centenárias em terras de Caria, a tarde foi hoje dedicada à recolha de exemplares que irão resultar daqui a uns anos em espectaculares bonsais, tudo isto na companhia do Márcio, um verdadeiro sensei nesta espectacular arte, e da minha mui altiva, honorável, venerável e admirável entidade patronal (não, não estou a dar início a uma campanha de graxismo puro e desenfreado no sentido de obter um aumento... pelo sim, pelo não, alguém lhe pode dizer que eu escrevi isto publicamente?).

No final do dia, tive direito a um espectacular presente retirado da sua colecção pessoal na forma de um sobreiro (quercus suber) que promete dar uma excelente "árvore no vaso"ou, na pior das hipóteses, de constituir uma fonte de rendimento dada a possibilidade de vender matéria prima ao grupo Amorim.




segunda-feira, janeiro 11, 2010

Até os bonecos de neve já são do Benfica

Instantâneo obtido em Caria antes da máquina fotográfica ter subitamente avariado e o fotógrafo ter desenvolvido uma erupção cutânea severa... Já agora, pode parecer que o boneco, pela cabeleira, é uma espécie de híbrido Jorge Jesus / Nuno Gomes mas, segundo foi possível apurar, o seu nome é Olga e podemos também garantir que não se trata de um diminutivo de "Olgário".

A neve do Fundão a Caria, passando pela Covilhã

A manhã de hoje trouxe consigo a possibilidade de admirar à luz do dia o espectáculo do nevão que caiu durante todo o dia de ontem na região. Com uma curta viagem pela A23, feita a passo de caracol, houve oportunidade para registar os cenários da Cova da Beira vestida de branco.

O Centro Cívico e o espaço do mercado onde... não houve mercado. Ao fundo, o Monte de São Brás vestido de gala.

A Rua dos 3 Lagares onde as marcas deixam perceber que alguém optou por um atalho.


A aldeia de Donas, enquadrada pela paisagem nevada.


Vista para o monte dos Trigais / São Roque. A estrada da Gardunha entre o Fundão e Alpedrinha estava ainda interditada.


Vista para os contrafortes da Gardunha, de São Brás à entrada da Portela.


A serra de Peroviseu ao fundo de um mar branco, agasalhada por um manto de nevoeiro.


Outro aspecto da aldeia de Donas.


Covilhã, cidade neve, sob um tecto de nuvens que esconde a Serra da Estrela.


Área de Serviço para os que se perdem na neve.


Vista para a Covilhã e Serra da Estrela a partir da A23. A Serra da Estrela é aquele maciço enorme que não se vê.


Transitável mas com cuidado. Os viadutos são nestas alturas verdadeiras armadilhas para os mais arrojados.


Caria também teve direito. O nevão também passou por Caria (convém ter o cuidado de fazer a pausa entre "por" e "Caria").


Um prado junto a uma das Ribeiras de Caria.


Até o Conde de Caria se disfarçou.


Um pequeno olival... Esta foi tirada a pensar no Márcio M. ;)

sexta-feira, maio 15, 2009

As fotos mais recentes da Quinta da Fórnea, Belmonte

O sítio ficou agora mais valorizado com a colocação da sinalética de interpretação das ruínas, fazendo do que resta desta antiga villa romana (ver artigo anterior) uma verdadeira aula de História sobre os aspectos específicos da vida doméstica nas propriedades rurais durante a presença romana por estas paragens.

Há contudo muito ainda a fazer: a consolidação dos restantes muros, o desvio das águas pluviais (a última chuvada já deixou marcas) e a protecção de zonas mais sensíveis como os lagares e as termas, ainda em muito bom estado de conservação (que bela surpresa, tendo em conta as agressões que as ruínas sofreram) mas que, agora expostos, irão sofrer uma erosão muito acelerada.

Aqui deixo algumas fotografias tiradas há algumas horas atrás, provavelmente as fotos mais recentes das ruínas que se podem encontrar na Net (Serviço público, ora pois!).

Um painel à entrada começa por fazer uma introdução às ruínas. Ao fundo, a Serra da Boa Esperança, com o local do desaparecido castro da Chandeirinha em evidência.


Todas as zonas estão devidamente explicadas e, num local mais elevado do qual se observa todo o conjunto, encontra-se um painel mais sumário que identifica os diferentes espaços.


Em primeiro plano, a zona de armazéns e de transformação (moagem, têxtil) que tinha mais um piso, entretanto desaparecido mas onde se identifica a "caixa" da escadaria de acesso. À direita da entrada principal, com colunas e calçada, situa-se a parte residencial (pars urbana) da villa. Já à direita na foto distingue-se o pátio principal (havia 3 neste complexo) e o espaço relativo ao jardim onde ainda se distingue o muro de contenção da terra.



Entrada principal do complexo onde, no lajeado em primeiro plano, é possível perceber o desgaste provocado pela passagem de carros de tracção animal. O pequeno espaço contíguo, que tinha, à semelhança de muitos outros na villa, uma lareira, servia provavelmente de guarita para um porteiro que controlava os acessos.


Fustes de coluna e uma base de coluna de estilo toscano reaproveitada no muro de contenção do jardim no centro do pátio principal da villa.



O caldarium (banho quente) das termas, sendo visível o hipocaustum (sistema de aquecimento) formado por arcos de tijolo sob o piso que deixavam circular o ar quente proveniente da caldeira (preafurnium) no compartimento à esquerda. Estas arcadas existem ainda em excelente estado de conservação sob uma banheira semi-circular, típica deste compartimento das termas.



Piso do hipocaustum  com o arranque das arcadas de tijolo.



O vestiário no qual os frequentadores dos banhos se preparavam para os mesmos. Os arcos visíveis na foto, que originalmente deviam suportar bancos corridos, destinavam-se provavelmente a servir para guardar objectos pessoais. Distingue-se ainda uma pequena abertura rectangular no piso que comunica com os esgotos e sobre a qual existia um recipiente em cerâmica para efectuar descargas de água. Alguém arrisca o que seria esta abertura?


Na zona dos lagares, subsistem ainda os restos de um dolium (muitos mais haveria) um pote largo para armazenar azeite ou vinho e que se encontrava semi-enterrado para efeitos de conservação. 


A alguma distância da villa, do outro lado da actual estrada que liga Belmonte a Caria, foi descoberto um conjunto de construções funerárias monumentais. Embora o que foi encontrado fosse maior, deixaram-se ficar estas pedras definindo o formato dos compartimentos. Estariam associados à villa? Provavelmente.

segunda-feira, junho 25, 2007

O pénis milenar e a seca do bacalhau

Desde o grupinho de mulheres que se agarrou com muito ânimo a um pénis com 1,60m de altura e bem velhinho, passando pelo São João da Rua da Cale até à suposta Festa do Bacalhau na fronteira, este foi sem dúvida um fim de semana invulgar!


O 7º Encontro FundaSão: São Rosas EnTerra Natal

O irreverente blog A FundaSão, diga-se em abono da verdade, um blog do baralho (não confundir com uma palavra muito menos coloquial), organizou o seu 7º encontro por terras da Beira, mais concretamente em redor de Caria, essa verdadeira metrópole de entre Zêzere e Côa (caro Paulo, está bem assim?).

Coube-me o grato papel de prestar algumas explicações in situ sobre a villa romana de Centum Cellas, do séc I d.C., e sobre o menir da vila do Ferro, este uma imponente representação escultórica de uma pilinha, já com 6.000 anos, tudo com uma passagem pela Quinta dos Termos onde com uma hospitalidade invulgar fomos convidados a provar alguns dos vinhos que, com grande qualidade, são produzidos aí. Não se pode ainda esquecer a bela da jeropiga made in Caria servida no Pielas Bar (espero não me ter enganado no nome), em pleno centro urbano cariense.

Já no Ferro, frente ao monumento fálico, e após manifestações efusivas que deram a entender o quanto o grupo apreciou tal representação artística, fiz uma breve descrição da história e significado do monumento mas só depois de algumas explicações sobre o imponente pilar, referindo o facto de estar em bom estado de conservação apesar da idade, notei que um indígena com cerca de 80 anos se tinha colocado frente ao monumento. Vi-me forçado a desfazer o equívoco fazendo notar que me referia ao monumento que se encontrava por trás do senhor.

Foi depois uma despedida comovente a que se seguiu... bom se calhar não foi tão comovente assim, foi mais melancólica... bom, até foi rápida... ok a malta não quis saber e meteu-se tudo no autocarro para irem ver a São Rosas em collants vermelhos!


O São João na Rua da Cale

Finda a minha participação no 7º Encontro A Funda São, fui depois para a mítica Rua da Cale, em pleno Fundão, para ainda dar (mais) uma mãozinha no arraial de São João organizada pela Cooperativa das Artes. Digo mais uma porque já durante a manhã tinha sido recrutado de forma violenta e convincente para trabalhar...

Como saldo dessa actividade matinal fui premiado com uma fuga de "Eau de Sardines" que derramou de uma caixa que continha um número apreciável destes peixinhos e que se encontrava no porta malas alcatifado do meu poderoso Caetanomobile.

No entanto, foi surpreendentemente agradável ver a rua cheia e tão animada! Superou as minhas expectativas embora me tenha feito falhar o meu objectivo de ir para casa às 23h por cerca de ... 4h!

Mas não há nada que eu não faça pela minha priminha favorita que, no final, levou demasiado à letra o ditame popular que diz que "a mulher quer-se pequenina como a sardinha". Rutinha, o ditame refere-se ao tamanho apenas, escusavas de replicar o cheiro!



A Festa (da Seca) do Bacalhau

Com o espírito recheado de antecipação e expectativa que nos dirigimos na madrugada de domingo, por volta das 11h da manhã, a Almeida, a estrela de pedra guardiã da fronteira.

O programa prometia: festas do bacalhau (que eu adoro), animações, vendas de produtos regionais, tasquinhas, restaurantes... tinha tudo para ser genial!

Isto se, ao chegarmos lá não tivéssemos constatado que, afinal, as coisas não eram bem como o anunciado. Podem chamar-me pessimista mas, quando ao chegar à zona das tasquinhas, vi todo o espaço ocupado pelo restaurante de comida brasileira Dom Papão, senti imediatamente que algo não ia correr bem.

Mais preocupado fiquei quando as zonas devidamente assinaladas como sendo de venda de produtos regionais estavam todas vazias ou fechadas. Pensei cá para mim "Mau...! Tu queres ver que as zonas devidamente assinaladas como sendo de venda de produtos regionais estão todas vazias ou fechadas?". Ainda pensei em interrogar algum transeunte sobre o que se passava mas, para onde quer que olhasse só via pessoal com cara de quem estava a pensar "Mau...! Tu queres ver que as zonas devidamente assinaladas como sendo de venda de produtos regionais estão todas vazias ou fechadas?".

Depois ao ver o programa, constatámos que as actividade só começavam após as 15h. Obviamente que me senti estúpido por estar a queres visitar o que quer que fosse antes do almoço em vez de, depois de encher a barriga me arrastar pela vila sob um sol abrasador, mas que posso fazer? Achei que assim teria mais lógica mas pronto...

Ok, tudo bem, deu para descobrir um sítio com uma exposição fotográfica sobre a epopeia bacalhoeira do Argus, um navio da nossa épica frota pesqueira, mas pouco mais. O mais emocionante foi mesmo entrar no cemitério antigo da vila.

Quando à hora de almoço decidimos esquecer aquilo tudo e entrarmos num dos 3 restaurantes que tinham aderido à iniciativa, para além da tenda do Dom Papão onde me pareceu ver entrar algumas pessoas vestidas com uma toalha branca em volta da cintura e um ramo de loureiro na mão, maior foi o choque ao constatarmos que os referidos restaurantes estavam repletos!

Numa altura em que o cheiro que emanava da cozinha começava já a aproveitar uma brecha na minha fraqueza, tomámos a decisão radical de deixar em definitivo a sede de concelho e ir para Vilar Formoso tentar a sorte num dos 10 restaurantes que aí tinham também aderido ao roteiro.

Foi decidido por voto de qualidade que o restaurante escolhido seria o que tivesse o nome mais "sugestivo", tendo a escolha recaído sobre o emblemático Kat Kero, situado na rua do comércio! Em abono da verdade diga-se que valeu a pena pois a fachada do restaurante não deixa antever quer o espaço, quer a qualidade da comida (apesar das piadas que a acompanham!).

Tivemos então a oportunidade de nos deliciarmos com uma entrada de favas com toucinho e chouriço em molho envolvente e depois com um belo bacalhau à brás, um bacalhau com legumes salteados, um bacalhau com migas e um bacalhau à Kat Kero (que embora muito bom, dispensava a maionaise). Tudo isto regado com um jarro de um muito agradável vinho branco que... não tínhamos pedido! A justificação para a imposição do vinho branco foi que "diz o povo que quando a água é pura, fresca, limpa e cristalina, nada melhor que um copo de vinho".

Para finalizar, foi-nos oferecido pelo chefe um surpreendente lava-cus! Calma! Não significa isto que uma qualquer parte pudenda da nossa anatomia foi tratada em termos de higienização pelo proprietário do Kat Kero! O lava-cus é um licor caseiro de aguardente, mel, ervas aromáticas e groselha produzido pelo próprio chefe e destina-se a "lavar o cu às chavenas" sendo servido directamente nas chávenas de onde se bebeu o café.

Eis um estabelecimento que seguramente irá ter mais visitas minhas!

Para finalizar, e ali com a Espanha a 2 pés de distância, cumpriu-se mais uma vez a tradição com o abastecimento de gasóleo do lado de lá da fronteira (a 0,97 centimos o litro é uma mina!). No regresso tive o prazer, repito o prazer, de ser parado e de ter entregue os documentos do veículo a uma senhorita agente de la Guardia Civil que, diga-se em abono da verdade, reunia todas as condições para ser a nora que a minha mãe queria!



Foto ilustrativa do entusiasmo do público perante a monumentalidade do património Ferrense retirada com a devida vénia do blog d'A Funda São

quarta-feira, setembro 20, 2006

Da fatalidade nasce a ironia...


Há cerca de um ano atrás denunciei, através do ArqueoBeira, um atentado ao património arqueológico ocorrido entre Belmonte e Caria, no sítio arqueológico romano da Quinta da Fórnea.

Na altura, o novo dono do terreno, onde se situam os restos desta villa romana do Séc I ou II que inclusive levou ao desvio do traçado original da A23, decidiu surribar toda a zona envolvente que ainda não havia sido alvo de pesquisas arqueológicas, arrasando estruturas ainda soterradas, com vista à plantação de um pomar.

Desde o proprietário até ao IPPAR, passando pela Câmara Municipal de Belmonte, todos imitaram o tranquilo Pilatos, lavando as mãos de tão incómodo assunto e o assunto morreu como tantos outros semelhantes.

Contudo, a ironia pode por vezes manifestar-se sob formas perfeitamente inusitadas e também aqui isso aconteceu quando, há menos de 2 semanas, um incêndio que devastou a serra da Esperança, se propagou a esta zona e dizimou o pomar, que entretanto se vira invadido de vegetação silvestre por incúria do proprietário que já não se encontrava, pelos vistos, imbuído do primitivo espírito laboral de outrora.

Nem pomar, nem ruínas... Assim termina o caso da Quinta da Fórnea. Diem perditim...
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