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segunda-feira, janeiro 11, 2010

A neve do Fundão a Caria, passando pela Covilhã

A manhã de hoje trouxe consigo a possibilidade de admirar à luz do dia o espectáculo do nevão que caiu durante todo o dia de ontem na região. Com uma curta viagem pela A23, feita a passo de caracol, houve oportunidade para registar os cenários da Cova da Beira vestida de branco.

O Centro Cívico e o espaço do mercado onde... não houve mercado. Ao fundo, o Monte de São Brás vestido de gala.

A Rua dos 3 Lagares onde as marcas deixam perceber que alguém optou por um atalho.


A aldeia de Donas, enquadrada pela paisagem nevada.


Vista para o monte dos Trigais / São Roque. A estrada da Gardunha entre o Fundão e Alpedrinha estava ainda interditada.


Vista para os contrafortes da Gardunha, de São Brás à entrada da Portela.


A serra de Peroviseu ao fundo de um mar branco, agasalhada por um manto de nevoeiro.


Outro aspecto da aldeia de Donas.


Covilhã, cidade neve, sob um tecto de nuvens que esconde a Serra da Estrela.


Área de Serviço para os que se perdem na neve.


Vista para a Covilhã e Serra da Estrela a partir da A23. A Serra da Estrela é aquele maciço enorme que não se vê.


Transitável mas com cuidado. Os viadutos são nestas alturas verdadeiras armadilhas para os mais arrojados.


Caria também teve direito. O nevão também passou por Caria (convém ter o cuidado de fazer a pausa entre "por" e "Caria").


Um prado junto a uma das Ribeiras de Caria.


Até o Conde de Caria se disfarçou.


Um pequeno olival... Esta foi tirada a pensar no Márcio M. ;)

terça-feira, novembro 08, 2011

Como evitar as portagens na A23 entre a Guarda e Castelo Branco

Com o início da cobrança das portagens a perspectivar-se (apesar dos sucessivos adiamentos, não creio que haja motivo para cantar vitória pois, mais dia menos dia, entrarão em vigor), comecei a fazer uma análise dos possíveis percursos alternativos que me permitissem evitar os pórticos entre a Guarda e Castelo Branco, localidades entre as quais tenho maior probabilidades de viajar.

Da minha análise, pude concluir que entre o Fundão e Castelo Branco será fácil usar a N18 como alternativa, sem transtorno de maior. No entanto, entre a Covilhã e a Guarda, sobretudo entre esta última e Belmonte, faz-se um regresso ao passado.

Como muitos de vocês poderão achar esta informação útil, partilho-a aqui com vocês. Eis portanto o mapa das alternativas aos troços com portagem da A23 entre Castelo Branco e a Guarda.

Troço Castelo Branco – Castelo Novo

C. Branco - Castelo Novo

Este troço não oferece dificuldades de maior na alternância entre a A23 e a alternativa que, neste caso, será a N18. Como ambas as vias seguem paralelas a uma curta distância uma da outra, é fácil alternar entre elas.

Começando em Castelo Branco, o único troço pago pode ser evitado pela N3, um sucedâneo do antigo IP2. Entrando na A23 em Castelo Branco Norte, deverá depois sair em Alcains para regressar novamente à auto-estrada na Lardosa. Terá de sair depois na Soalheira e fazer o percurso até Castelo Novo, a partir de onde terá A23 grátis até Fundão Norte, podendo utilizar os túneis da Gardunha.

Troço Castelo Novo-Covilhã Norte

Castelo Novo - Covilhã Norte

Como já referi, entrando na A23 em Castelo Novo, pode-se viajar sem pagar até ao nó de Fundão Norte / Zona Industrial, nó após o qual se encontra um pórtico. Seja como for, a N18 encontra-se a uma curta distância deste nó e, até ao nó de Covilhã Sul está sempre em boas condições, sendo que no troço que diz respeito ao Concelho do Fundão, apresenta duas vias de circulação em cada sentido. O pior são as rotundas que se encontram amiúde.

Entrando novamente na A23 no nó Covilhã Sul, a partir da rotunda do Tortosendo, pode-se circular sem pagar até ao nó de Caria (sempre pensei que fossem colocar um pórtico entre Covilhã e Caria mas ainda bem que não aconteceu), nó a partir do qual se deve deixar em definitivo a auto-estrada até à Guarda.

Troço Covilhã Norte – Guarda Sul

Covilhã Sul - Guarda

No nó de Caria, como já referi, termina a alternância entre troços pagos e não pagos, sendo que até à Guarda se encontram 3 pórticos de portagem. A única alternativa é pois sair em Caria e daí seguir para a Guarda. Saindo aqui, há duas possibilidades: ou atravessar a aldeia próxima de Malpique ou seguir na direcção de Caria até à ponte com semáforos, alternativa que é vivamente aconselhável para veículos pesados.

Pessoalmente prefiro passar pela aldeia pois isso reduz o percurso para entrar na N345. Esta estrada está em boas condições até Belmonte. A partir daí, é o regresso à N18 até à Guarda. O pior são os pontuais semáforos e os eventuais camiões na subida para a Guarda a partir do cruzamento da Benespera.

Na Guarda, ainda não confirmei se há pórtico entre os dois nós de acesso à cidade na A23 pelo que pouco posso acrescentar. Fico no entanto com a impressão que os problemas maiores colocam-se a quem queira viajar para Aveiro (nunca é demais recordar este artigo). No pólo oposto, isto é, a partir de Castelo Branco e para quem viaja para Sul, também me parece que se perspectiva uma verdadeira epopeia…

segunda-feira, outubro 01, 2012

Até sempre, Dª Maria Alcina


Começou infelizmente da pior forma esta semana, quando ao chegar a Caria, fui informado do falecimento, durante o fim-de-semana, da Dª Maria Alcina Patrício, um imenso ser humano e um verdadeiro exemplo de vida. O pesar divide-se entre o sentimento de perda de 93 anos de histórias e conhecimentos acumulados que faziam dela um verdadeiro e precioso livro e, sobretudo, a constatação, ainda em fase de aceitação, de que aquele incomparável sorriso já não entrará mais pela porta do nosso escritório, para o encher com a sua alegria.

O pequeno computador que era uma das suas principais distracções foi aliás o motivo pelo qual acabámos por nos conhecer. Era a sua via de comunicação com os familiares mais distantes e com o resto do Mundo também, fosse através do Skype ou do E-mail. Não demorou muito a aderir também ao Facebook, motivada pela sua afilhada: -"A minha afilhada está-me sempre a falar de uma coisa chamada Facebook. O que é isso? Eu também posso ter?". Este foi aliás o mote para várias tardes na sua companhia quando, depois de lhe ter criado a sua página, lhe fui explicando o essencial do seu funcionamento. Às dificuldades próprias da idade, respondia com uma tremenda persistência e uma curiosidade admiráveis, próprias não de uma idosa mas de uma criança que descobre o Mundo.

Tinha tanto de dinâmica como de generosa e não esquecerei a forma como se prontificou para gravar uma mensagem em vídeo de encorajamento para a minha mãe, na sequência do acidente que esta tivera e que, apesar das dores que sentia, foi capaz de lhe arrancar um sorriso.

Como ela própria dizia, não tinha tempo para se sentir sozinha, já que os seus dias eram totalmente preenchido pelas suas inúmeras ocupações, que ela própria ia renovando. Era artista plástica, cantora (criou inclusive o grupo das Cantadeiras de Caria), actriz (criou uma personagem "Ti Maria", que contava contos tradicionais, com a dicção popular do século XIX), tocava adufe, viola, piano mas, como se não fosse suficiente, e porque era dona de um temperamento imparável e incansável, começara também a ter aulas de cavaquinho!

Veio visitar-nos pela última vez há cerca de duas semanas. Estava anormalmente cansada e chegou a confessar o seu receio, premonitório como infelizmente se viria a verificar, em já não recuperar desta partida que o seu coração, enorme mas cansado, lhe parecia querer pregar. Ainda assim, ao sair, virou-se para trás e ainda atirou "Olhe, peça à sua Ana para arranjar alguma coisa para me pôr boa!" e rematou a frase com o seu inesquecível sorriso. Nem poderia ser de outra forma.


segunda-feira, dezembro 26, 2011

Umas Cantadeiras... do Carais!


Na Vila de Caria, no Concelho de Belmonte, mora um grupo feminino de cantares que com um trabalho notável e já de longa data, tem ajudado a preservar o cancioneiro e a oralidade popular das comunidades rurais das Beiras. Falo das Cantadeiras de Caria.

As Cantadeiras foram fundadas e são dirigidas por Maria Alcina Patrício, uma senhora nonagenária que é um exemplo de vida e de vitalidade e que amiúde passa pelo escritório para me fazer uma visita relacionada com problemas informáticos, uma vez que possui um portátil que usa para comunicar com o Mundo por intermédio do Skype, e-mail e Facebook.

Ocasionalmente, as Cantadeiras, sobretudo a Dª Maria Alcina, fazem uma aparição na televisão. Aliás, creio que todos os canais abertos a convidaram para uma entrevista, tendo a última vez sido há apenas duas semanas no programa Portugal No Coração. Há pouco mais de um ano, as Cantadeiras participaram com o espaço de 2 ou 3 semanas no programa Praça da Alegria na RTP1, ocasião que tive a oportunidade de registar em vídeo:


Entre homenagens várias que lhes têm sido endereçadas, chegou-me hoje ao conhecimento uma completamente diferente criada pela inimitável família Moura, do blog Tunameliches. Em jeito de paródia natalícia, o Paulo, a Joana e a Mariana (ou será o Paulo, a Mariana e a Joana? Confundo sempre.) encarnam 3 personagens fictícias: a Maria Albina, a Marquinhas e a Emilinha Padecente, interpretando um renovado clássico natalício. O resultado é de ir às lágrimas.



segunda-feira, junho 25, 2007

O pénis milenar e a seca do bacalhau

Desde o grupinho de mulheres que se agarrou com muito ânimo a um pénis com 1,60m de altura e bem velhinho, passando pelo São João da Rua da Cale até à suposta Festa do Bacalhau na fronteira, este foi sem dúvida um fim de semana invulgar!


O 7º Encontro FundaSão: São Rosas EnTerra Natal

O irreverente blog A FundaSão, diga-se em abono da verdade, um blog do baralho (não confundir com uma palavra muito menos coloquial), organizou o seu 7º encontro por terras da Beira, mais concretamente em redor de Caria, essa verdadeira metrópole de entre Zêzere e Côa (caro Paulo, está bem assim?).

Coube-me o grato papel de prestar algumas explicações in situ sobre a villa romana de Centum Cellas, do séc I d.C., e sobre o menir da vila do Ferro, este uma imponente representação escultórica de uma pilinha, já com 6.000 anos, tudo com uma passagem pela Quinta dos Termos onde com uma hospitalidade invulgar fomos convidados a provar alguns dos vinhos que, com grande qualidade, são produzidos aí. Não se pode ainda esquecer a bela da jeropiga made in Caria servida no Pielas Bar (espero não me ter enganado no nome), em pleno centro urbano cariense.

Já no Ferro, frente ao monumento fálico, e após manifestações efusivas que deram a entender o quanto o grupo apreciou tal representação artística, fiz uma breve descrição da história e significado do monumento mas só depois de algumas explicações sobre o imponente pilar, referindo o facto de estar em bom estado de conservação apesar da idade, notei que um indígena com cerca de 80 anos se tinha colocado frente ao monumento. Vi-me forçado a desfazer o equívoco fazendo notar que me referia ao monumento que se encontrava por trás do senhor.

Foi depois uma despedida comovente a que se seguiu... bom se calhar não foi tão comovente assim, foi mais melancólica... bom, até foi rápida... ok a malta não quis saber e meteu-se tudo no autocarro para irem ver a São Rosas em collants vermelhos!


O São João na Rua da Cale

Finda a minha participação no 7º Encontro A Funda São, fui depois para a mítica Rua da Cale, em pleno Fundão, para ainda dar (mais) uma mãozinha no arraial de São João organizada pela Cooperativa das Artes. Digo mais uma porque já durante a manhã tinha sido recrutado de forma violenta e convincente para trabalhar...

Como saldo dessa actividade matinal fui premiado com uma fuga de "Eau de Sardines" que derramou de uma caixa que continha um número apreciável destes peixinhos e que se encontrava no porta malas alcatifado do meu poderoso Caetanomobile.

No entanto, foi surpreendentemente agradável ver a rua cheia e tão animada! Superou as minhas expectativas embora me tenha feito falhar o meu objectivo de ir para casa às 23h por cerca de ... 4h!

Mas não há nada que eu não faça pela minha priminha favorita que, no final, levou demasiado à letra o ditame popular que diz que "a mulher quer-se pequenina como a sardinha". Rutinha, o ditame refere-se ao tamanho apenas, escusavas de replicar o cheiro!



A Festa (da Seca) do Bacalhau

Com o espírito recheado de antecipação e expectativa que nos dirigimos na madrugada de domingo, por volta das 11h da manhã, a Almeida, a estrela de pedra guardiã da fronteira.

O programa prometia: festas do bacalhau (que eu adoro), animações, vendas de produtos regionais, tasquinhas, restaurantes... tinha tudo para ser genial!

Isto se, ao chegarmos lá não tivéssemos constatado que, afinal, as coisas não eram bem como o anunciado. Podem chamar-me pessimista mas, quando ao chegar à zona das tasquinhas, vi todo o espaço ocupado pelo restaurante de comida brasileira Dom Papão, senti imediatamente que algo não ia correr bem.

Mais preocupado fiquei quando as zonas devidamente assinaladas como sendo de venda de produtos regionais estavam todas vazias ou fechadas. Pensei cá para mim "Mau...! Tu queres ver que as zonas devidamente assinaladas como sendo de venda de produtos regionais estão todas vazias ou fechadas?". Ainda pensei em interrogar algum transeunte sobre o que se passava mas, para onde quer que olhasse só via pessoal com cara de quem estava a pensar "Mau...! Tu queres ver que as zonas devidamente assinaladas como sendo de venda de produtos regionais estão todas vazias ou fechadas?".

Depois ao ver o programa, constatámos que as actividade só começavam após as 15h. Obviamente que me senti estúpido por estar a queres visitar o que quer que fosse antes do almoço em vez de, depois de encher a barriga me arrastar pela vila sob um sol abrasador, mas que posso fazer? Achei que assim teria mais lógica mas pronto...

Ok, tudo bem, deu para descobrir um sítio com uma exposição fotográfica sobre a epopeia bacalhoeira do Argus, um navio da nossa épica frota pesqueira, mas pouco mais. O mais emocionante foi mesmo entrar no cemitério antigo da vila.

Quando à hora de almoço decidimos esquecer aquilo tudo e entrarmos num dos 3 restaurantes que tinham aderido à iniciativa, para além da tenda do Dom Papão onde me pareceu ver entrar algumas pessoas vestidas com uma toalha branca em volta da cintura e um ramo de loureiro na mão, maior foi o choque ao constatarmos que os referidos restaurantes estavam repletos!

Numa altura em que o cheiro que emanava da cozinha começava já a aproveitar uma brecha na minha fraqueza, tomámos a decisão radical de deixar em definitivo a sede de concelho e ir para Vilar Formoso tentar a sorte num dos 10 restaurantes que aí tinham também aderido ao roteiro.

Foi decidido por voto de qualidade que o restaurante escolhido seria o que tivesse o nome mais "sugestivo", tendo a escolha recaído sobre o emblemático Kat Kero, situado na rua do comércio! Em abono da verdade diga-se que valeu a pena pois a fachada do restaurante não deixa antever quer o espaço, quer a qualidade da comida (apesar das piadas que a acompanham!).

Tivemos então a oportunidade de nos deliciarmos com uma entrada de favas com toucinho e chouriço em molho envolvente e depois com um belo bacalhau à brás, um bacalhau com legumes salteados, um bacalhau com migas e um bacalhau à Kat Kero (que embora muito bom, dispensava a maionaise). Tudo isto regado com um jarro de um muito agradável vinho branco que... não tínhamos pedido! A justificação para a imposição do vinho branco foi que "diz o povo que quando a água é pura, fresca, limpa e cristalina, nada melhor que um copo de vinho".

Para finalizar, foi-nos oferecido pelo chefe um surpreendente lava-cus! Calma! Não significa isto que uma qualquer parte pudenda da nossa anatomia foi tratada em termos de higienização pelo proprietário do Kat Kero! O lava-cus é um licor caseiro de aguardente, mel, ervas aromáticas e groselha produzido pelo próprio chefe e destina-se a "lavar o cu às chavenas" sendo servido directamente nas chávenas de onde se bebeu o café.

Eis um estabelecimento que seguramente irá ter mais visitas minhas!

Para finalizar, e ali com a Espanha a 2 pés de distância, cumpriu-se mais uma vez a tradição com o abastecimento de gasóleo do lado de lá da fronteira (a 0,97 centimos o litro é uma mina!). No regresso tive o prazer, repito o prazer, de ser parado e de ter entregue os documentos do veículo a uma senhorita agente de la Guardia Civil que, diga-se em abono da verdade, reunia todas as condições para ser a nora que a minha mãe queria!



Foto ilustrativa do entusiasmo do público perante a monumentalidade do património Ferrense retirada com a devida vénia do blog d'A Funda São

sábado, dezembro 07, 2013

Nem os mais corajosos aqui entram!


Em Caria, nem todos os avisos são tão acolhedores como que aqui publiquei há uns tempos (ver aqui). Outros há, como o retratado neste instantâneo, que desaconselham de forma explícita a entrada, embora com uma abordagem muito peculiar do uso da ortografia. Será para aumentar o efeito intimidatório ou será apenas mais um caso de dúvida explícita na aplicação do novo acordo ortográfico?

quinta-feira, novembro 28, 2013

Nesta casa entra-se e sai-se em boa companhia

Ali por Caria, na zona antiga desta vila beirã, por entre velhas casas de pedra onde, nas ombreiras das portas, se avistam aqui e ali as marcas atribuídas aos cristãos-novos, há uma dessas portas em particular que chama a atenção.


Se nesta casa só se entra em ilustre companhia, é certo que dela não se sai menos bem acompanhado, isto fazendo fé na recomendação que se encontra sobre a porta e que quase faz com que as cruzes que ladeiam a entrada passem despercebidas.

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Paisagem matinal pintada de branco

Apesar do frio cortante que se fazia sentir, foi extremamente gratificante sair de casa esta manhã e admirar o manto branco que pintava todos os montes ao redor da Cova da Beira, até onde a vista alcançava. Obviamente que, na viagem entre o Fundão e Caria, os destaques maiores eram a Serra da Estrela e a Serra da Gardunha. Tendo-se ficado apenas pelas cotas mais altas, ainda não foi desta que voltámos a ver um nevão como o de há 3 anos. Lembram-se?

O maciço central da Serra da Gardunha forma uma coroa branca sobre o monte de São Brás e sobre a cidade do Fundão.

A "Cidade-neve" da Covilhã desta vez teve de ver a neve à distância... embora curta. A Serra da Estrela vestiu-se de branco.

Mais um aspecto da Serra da Estrela

quarta-feira, janeiro 16, 2013

Águas Radium, as ruínas da "febre da radioactividade"

Junto à localidade de Quarta-feira, perto da estrada que liga Caria (Belmonte) à belíssima aldeia histórica de Sortelha, ergue-se um imponente edifício de granito hoje em ruínas mas que, no seu apogeu, foi um importante centro de turismo e termalismo: o Hotel Serra da Pena. Contudo, aquilo que no início constituiu a razão da sua instalação e do sucesso, acabou por ser também aquilo que levou ao seu encerramento: a radioactividade das águas do local. No último Domingo estivemos por lá e registámos algumas fotografias que aqui partilhamos com vocês.

As ruínas do hotel Fraga da Pena.

A carcaça de uma máquina a vapor dá um certo encanto ao local. Será da época do hotel ou terá sido para aqui trazida para servir de decoração à loja de velharias/antiguidades que chegou a funcionar no edifício onde antes era a recepção, já muito depois do hotel ter fechado?

A tradição oral diz que o hotel terá tido origem pela acção de um conde espanhol, um tal de Dom Rodrigo (assim ficou conhecido por estas paragens), que nestas águas terá encontrado a cura para a grave doença de pele de que padecia a sua filha. No entanto, outra versão é contada por Maria Adelaide Salvado num artigo intitulado "As nascentes termais do interior da Beira - o caso das Águas Radium". Segundo ela, a descoberta das propriedades curativas destas águas aconteceu quando um engenheiro de minas alemão, que por aqui vivia e prospectava ao serviço de um espanhol de nome Enrique Gonsalvez Fuentes, quiçá o tal "D.Rodrigo" que o povo recorda, descobriu que o consumo desta água aliviava as dores provocadas por uma úlcera gástrica de que padecia.

Estávamos então no início dos loucos anos 1920 e, por esta altura, os elementos radioactivos eram considerados benéficos para a saúde. Um pouco por toda a parte, as empresas que comercializavam água engarrafada, procuravam que as suas águas fossem classificadas como águas radioactivas já que essa referência trazia prestígio e, por consequência, mais procura. Esta corrida sôfrega ficou conhecida como "febre da radioactividade".

A zona da recepção, a meio caminho entre a estrada nacional e o hotel.

Situadas muito próximas das minas de urânio da aldeia de Quarta-feira, exploradas desde 1910, foi pois com naturalidade que, em 1920, foram descobertas as propriedades radioactivas destas águas que brotavam de 3 nascentes então denominadas, muito a propósito, em documentos técnicos como "nascentes Curie", em referência à cientista francesa responsável pela descoberta do rádio, o elemento químico radioactivo. Há inclusive quem acredite que a própria Marie Curie por aqui teria estado durante 4 meses, uma vez que das minas saía muito urânio para os laboratórios de Paris da empresa francesa que as explorava. Ora, era nestes mesmos laboratórios que a cientista, duas vezes Prémio Nobel, trabalhava.

O hotel e as termas terão sido construídas pouco depois, tendo em 1922 sido obtido o alvará para a exploração das nascentes. A água não era apenas usada para o termalismo. Era também engarrafada para venda, com bastante sucesso, com o nome de Águas Radium, tendo mesmo sido consideradas como uma das mais radioactivas do Mundo, num congresso em Lyon, no ano de 1927. 

O edifício principal.


Em segundo plano o edifício principal e, em primeiro plano, uma adição de trabalhos recentes.

Bastante procurado, o hotel chegou a ter 90 quartos e capacidade para 150 pessoas. As suas águas, cuja nascente do Chão da Pena chegou mesmo a ser chamada de Milagrosa, eram procuradas para o tratamento de doenças dermatológicas, reumatismo, gota, hipertensão, colite, edemas, problemas do sistema circulatório, problemas renais, perturbações nutricionais, problemas gastrointestinais, entre outros.

Entre todas as suas características químicas, destacava-se a presença de sais de rádio e de radão, o gás bem conhecido por estas paragens e que justifica até recomendações oficiais para o arejamento frequente das casas, de modo a evitar a sua acumulação no interior das habitações.



Elementos arquitectónicos peculiares.


Aspecto de uma das portas laterais do edifício principal.


Escadaria lateral de acesso ao edifício principal.

Zona de captação de águas e lamas radioactivas. A água escorria pelas caleiras do chão, depositando a lama que depois era recolhida e usada para os tratamentos.


O complexo era inicialmente explorado pelo já citado Enrique Gonsalvez Fuentes mas as instalações termais foram entretanto arrendadas até 1940 à Sociedade Águas Radium Lda, de capitais franceses. (In)felizmente, começaram a surgir alguns alertas durante a década de 1930, acerca das possíveis consequências nefastas da radioactividade para a saúde. Contudo, o golpe fatal aconteceria durante a II Guerra Mundial, quando o Mundo tomou conhecimento, graças aos estudos no campo da energia atómica, das terríveis consequências que a radioactividade poderia ter para a saúde.

O Hotel numa altura em que ainda operava

Hotel Serra da Pena, finais dos anos 1940

O complexo foi entretanto vendido no seu todo a investidores ingleses mas, pouco depois, a frequência das termas começou gradualmente a decrescer, até ao seu definitivo encerramento em 1945, mantendo-se apenas o hotel em funcionamento. Este viria a falir no início dos anos 1950, sendo abandonado, enquanto, ali ao lado, a exploração mineira continuaria até 1961, acabando também por encerrar.


As clarabóias colocadas no solo do terraço, sobre os espaços de banho, fabricadas pela empresa londrina Haywards Ltd, uma empresa de painéis de vidro com raízes num loja de corte de vidro fundada em 1783 por um senhor chamado Samuel Hayward que teve, nada mais, nada menos que 26 filhos. A empresa acabou por encerrar nos anos 1970.


A zona de banhos... radioactivos, pois claro.


Os vestígios ainda existentes dão bem uma ideia do luxo que terá caracterizado o hotel Serra da Pena, neste caso no vestíbulo à entrada daquilo que era provavelmente a sala de jantar


Detalhe dos pavimentos do mesmo vestíbulo.


Mais tarde leiloado em Lisboa, o complexo foi adquirido por um investidor da região, que na altura tinha intenção de aqui instalar um hotel de luxo. No entanto, acabaria por vender o conjunto ao seu irmão que idealizou um projecto algo megalómano de construção de um  hotel, com piscinas, campos de golfe e termas. Contudo, exceptuando algumas intervenções menores no local, os trabalhos nunca chegaram verdadeiramente a arrancar e o futuro destas ruínas permanece incerto.

O edifício principal no qual apenas restam as paredes.


Outro aspecto do interior do corpo mais alto do edifício principal.





O único e imperturbável morador do local reside na cave, no antigo espaço de captação das águas


Sinalética rodoviária, junto à estrada.


O local tem feito nos últimos anos parte do imaginário das gentes desta região, havendo muita gente que recorda as suas brincadeiras nas ruínas do hotel e os mais idosos não esquecem os tempos em que inúmeras pessoas afluíam ao local para descansar ou usufruir das propriedades "curativas" do local. O espaço está arruinado e muitos são os grafitis por ali existentes, muitos hoje em local de acesso impossível mas é possível ainda sentir o luxo e a vida que noutros tempos aqui tiveram palco. É um local que vale a pena visitar... mas com cuidado. Já agora, levem a vossa própria água para o caso de terem sede.

Fontes (citadas com a devida vénia e agradecimento e cuja consulta se aconselha para mais informações / fotos): Restos de Colecção, Aerograma

Foto Água Radium: Restos de Colecção
Fotos antigas cedidas por Luís Ribeiro

Agradecimentos: À Ana, à Inês e ao Pipinho (Filipe Quinaz para os amigos) que fizeram deste um excelente dia, ao Jorge Portugal pelas dicas e ao Luís Ribeiro pela cedência das fotografias.

segunda-feira, agosto 27, 2012

Adeus Neil!


O último fim-de-semana ficou marcado pela morte de Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar a Lua ou, segundo os indefectíveis adeptos da teoria da conspiração, um dos muitos sujeitos que andaram a saltitar num cenário construído no deserto do Nevada e cujo registo videográfico foi depois passado em câmara lenta em horário nobre.

Eu faço parte daquele grupo que acredita que o Sr Armstrong deixou efectivamente a sua pegada no solo lunar e isso faz dele, a par de "Buzz" Aldrin, um dos grandes heróis do Século XX, um Bartolomeu Dias dos tempos modernos. Não alinho portanto na tese daquele senhor natural de Caria que nunca escondeu o seu cepticismo em relação à ida à Lua. Dizia este senhor com total descrença que "É impossível!" e depois apontando para a lâmpada no tecto "É como ir àquela lâmpada. Como é que eu algum dia consigo entrar naquela lâmpada?!".

Se pensarmos bem, é impossível ficar indiferente à dose de coragem e auto-controlo que deve ter sido necessária para se meter num cubículo na na extremidade de uma torre cheia de material altamente inflamável, ser projectado mais de 380.000 km no espaço em direcção a uma rocha estéril e sem atmosfera, com a vida assegurada apenas pelo material guardado no módulo lunar, confiando que os técnicos que ficaram na Terra não tivessem feito asneira, tanto no trabalho de montagem como nas contas. 

Fica para a história também a frase "Um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a Humanidade" proferida ao pisar a Lua pela primeira vez, naquele dia de 20 de Julho de 1969. É claro que a frase que não terá sido da sua autoria, mas tornou-se um símbolo de um dos momentos maiores da história da Humanidade.

O que nem toda a gente sabe é que não é apenas esta a frase atribuída a Neil Armstrong durante esta extraordinária expedição. Um mito urbano de origem incerta circulou (ainda circulará) durante muito tempo dando conta de que, depois de ter proferido a sua frase mais famosa, Neil terá ainda dito em surdina "Boa sorte senhor Gorsky". Reza este mito urbano que, em 1995, Neil terá esclarecido que a frase dizia respeito a um antigo vizinho, o Sr Gorsky, a quem Neil terá ouvido dirigindo-se à Sra Gorsky: "Queres sexo? Terá sexo no dia em que o puto do lado for à Lua!".


sexta-feira, dezembro 09, 2011

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