
Painel 1 - Representação de cavalos. Impressiona a perfeição do cavalo mais completo no qual se distingue a crina, as orelhas viradas para a frente, o olho e os pormenores do focinho.

Painel 1 - Representação de cavalo mais tosca que a anterior. Distingue-se no entanto a orelha e a crina tal como algum pormenor no focinho.

Painel 2 - O maior caprídeo deste painel. Sem grandes pormenores, o que salta à vista é a forma como o formato da rocha foi aproveitado pelo autor das gravuras para dar tridimensionalidade ao animal. O quadril e o dorso fundem-se com o limite superior da rocha. Infelizmente, como eu já tinha aqui referido, alguém se lembrou recentemente de acrescentar um círculo sob o ventre da figura. Assim se realizam algumas alminhas sem outros estímulos na vida...

Painel 2 - Frente à cabra anterior, uma de menores dimensões e de traço mais fino foi acrescentada na parte superior da rocha, também ela aproveitando a forma da rocha para conferir tridimensionalidade. Fica apenas a dúvida se a intenção terá sido representar dois animais em confrontação, sem respeito pela escala, ou se o pretendido terá sido dar profundidade à cena, com um animal em primeiro plano e outro em segundo plano.
Voltando à margem esquerda do Zêzere, fomos ao encontro de uma rocha de grandes dimensões onde se encontra uma outra gravura, da qual uma delegação do Blog do Katano formada pelo Bruno, pela Nelly e por mim, teve conhecimento recente durante uma visita diurna . Trata-se de um cavalo mais minimalista que os anteriores e de picotado menos profundo (parece mais próximo dos caprídeos anteriores do que dos cavalos).

Representação de um cavalo onde se distingue imediatamente o ventre e os membros anteriores e posteriores. O pescoço, a cabeça e o dorso estão representados com um picotado menos profundo e o desenho não apresenta muitos pormenores.

Um apontamento curioso. Se à partida poderiam parecer "covinhas", representações muito familiares em arte rupestre, estas cavidades são no entanto mais largas e profundas e referem-se a tempos muito mais recentes. Na verdade, durante o período do Estado Novo, toda esta região desenvolveu um mercado paralelo de volfrâmio, extraído clandestinamente das encostas circundantes, com especial incidência no Cabeço do Pião. Eram os tempos do "salta e pilha", muitas vezes com a conivência das autoridades, o que não evitava contudo que muitos fossem presos e interrogados. Na Barroca, traziam-se as pedras extraídas para junto do Zêzere e partiam-se nesta rocha para se obter delas o minério precioso. As marcas ainda lá permanecem como recordação.

Na margem esquerda, curiosamente no local exactamente oposto às gravuras das 4 primeiras fotos, encontram-se outras gravuras, estas de motivos mais abstractos e de origem mais recente. Datando de um período compreendido entre o 3º e o 2º milénios a.C., portanto já em pleno Neolítico ao contrário das anteriores que são do Paleolítico, estas gravuras representam círculos e formas ovaladas concêntricos assim como aglomerações de picotado, num total de 23 desenhos. Nesta foto é visível uma forma ovalada contendo dois círculos concêntricos no seu interior.

De grandes dimensões, esta gravura também representa uma forma ovalada com uma outra no seu interior, contendo esta última dois pequenos círculos geminados. Encontram-se nesta rocha muitas outras representações semelhantes, num total de 17 gravuras.
É curiosa a interpretação que é dada a este painel por um habitante que encontramos na nossa última visita diurna bastante longe destas gravuras. Tendo visto as gravuras durante o dia, este senhor apenas distinguiu 4 formas ovaladas ou circulares que, segundo ele, e após as ter desenhado numa laje de pavimento com um posicionamento bastante rigoroso, alegou que se tratavam na verdade da Terra, da Lua, do Sol e da Estrela da Manhã. Não deixou de ser interessante esta interpretação até porque, vindo de alguém que não está muito dentro do assunto e ainda não havendo consenso sobre o que significariam estas gravuras, uma das hipóteses que são actualmente avançadas é de que elas poderão representar corpos celestes.
Bibliografia:
Obrigatório ver:
Artigo COISAS do passado, do Blog COISAS da COISA, com fotografias diurnas dos painéis dos cavalos, caprídeos e do painel das duas últimas fotos, com animações para auxiliar a interpretação.