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quarta-feira, setembro 16, 2009

Escultura viva

Num passeio recente, deparámo-nos com uma oliveira que é sem dúvida uma verdadeira escultura viva. Suportada num tronco que inspira antiguidade e respeito, esta oliveira está ainda cheia de vida, formando uma obra de arte esculpida pela Natureza.









É neste tipo de fenómeno que os adeptos da arte do Bonsai se inspiram quando desenham e criam exemplares como os das fotos abaixo:



Recomendo uma visita a este blog para apreciar algumas das fotos mais recentes.

Fotos:

terça-feira, setembro 08, 2009

Cabeças de Vento!

Saudações!

Por terras de Miguel Torga!


Só para deixar patente o meu descontentamento pelo desleixo, desprezo e desrespeito pela natureza (não, não estou a falar do que fizeram ao meu bonsai!).

O que se encontra quando se sobe à parte mais bela do parque natural de Montezinho?

Pues conho! Esto:



Estes belos exemplares de 'ventoinhas gigantes' estão practicamente em cima da fronteira do lado espanhol, e um precioso contributo terá supostamente sido aqui há uns anos atrás, o arquivamento por engano do contestamento do ICN a este projecto espanhol , deixando assim passar o respectivo prazo.

O contestamento, ao abrigo de uma directiva europeia que inviabiliza projectos fronteiriços que sejam susceptíveis de causar impacto em áreas sensíveis no país vizinho, poderia ter ajudado a impedir este projecto, mas como por cá já se questiona 'agora que os espanhóis já as puseram vamos ficar nós para trás?', fica no ar a dúvida se foi esquecimento ou beneficiamento...

Enfim, tudo isto são notícias antigas mas o parque poderá estar na iminência de ganhar (mais um) novo olhar, a pressão para instalar 'o maior parque éolico da Europa' no Montezinho ainda não acabou.

sexta-feira, setembro 04, 2009

As gravuras rupestres do Zêzere, na Barroca

Já lá vão uns anitos desde que pela última vez andei à beira do Zêzere durante a noite. Na altura, numa noite escura como breu e onde, ao cruzar o pontão, só se adivinhava o rio furioso sob os nossos pés, os meus companheiros foram o Xamane e a Bandinha (abro aqui um parêntesis para referir que o Xamane tem um bonsai que é uma categoria!). Na aventura nocturna de hoje, coube à Ana ir comigo à descoberta das gravuras num passeio de quase 2h à luz da lanterna, por entre seixos e pinhal.

Nesta altura do ano, estar junto ao Poço do Caldeirão é uma verdadeira benção para o espírito. Sob a luz de um luar, que ficou como recordação do mês de Agosto, apenas se ouviam os grilos e, ao longe, os mochos. A água estava calma, como se o próprio rio dormisse embalado por estes sons e, aqui e ali, conseguiam ouvir-se os peixes saltando à superfície. Noite fantástica, portanto.

O primeiro conjunto de gravuras compreende dois painéis rochosos diferentes, um deles com cavalos, todos eles incompletos, e outro com cabras afrontadas (frente-a-frente). Se as representações dos cavalos deverão ter cerca de 15.000 anos, já as representações das cabras deverão ter entre 18.000 a 20.000 anos. Todas estas gravuras foram obtidas por picotagem e são na sua técnica e nos motivos representados, semelhantes à arte de Foz Côa e Siega Verde.


Painel 1 - Representação de cavalos. Impressiona a perfeição do cavalo mais completo no qual se distingue a crina, as orelhas viradas para a frente, o olho e os pormenores do focinho.


Painel 1 - Representação de cavalo mais tosca que a anterior. Distingue-se no entanto a orelha e a crina tal como algum pormenor no focinho.



Painel 2 - O maior caprídeo deste painel. Sem grandes pormenores, o que salta à vista é a forma como o formato da rocha foi aproveitado pelo autor das gravuras para dar tridimensionalidade ao animal. O quadril e o dorso fundem-se com o limite superior da rocha. Infelizmente, como eu já tinha aqui referido, alguém se lembrou recentemente de acrescentar um círculo sob o ventre da figura. Assim se realizam algumas alminhas sem outros estímulos na vida...



Painel 2 - Frente à cabra anterior, uma de menores dimensões e de traço mais fino foi acrescentada na parte superior da rocha, também ela aproveitando a forma da rocha para conferir tridimensionalidade. Fica apenas a dúvida se a intenção terá sido representar dois animais em confrontação, sem respeito pela escala, ou se o pretendido terá sido dar profundidade à cena, com um animal em primeiro plano e outro em segundo plano.


Voltando à margem esquerda do Zêzere, fomos ao encontro de uma rocha de grandes dimensões onde se encontra uma outra gravura, da qual uma delegação do Blog do Katano formada pelo Bruno, pela Nelly e por mim, teve conhecimento recente durante uma visita diurna . Trata-se de um cavalo mais minimalista que os anteriores e de picotado menos profundo (parece mais próximo dos caprídeos anteriores do que dos cavalos).


Representação de um cavalo onde se distingue imediatamente o ventre e os membros anteriores e posteriores. O pescoço, a cabeça e o dorso estão representados com um picotado menos profundo e o desenho não apresenta muitos pormenores.



Um apontamento curioso. Se à partida poderiam parecer "covinhas", representações muito familiares em arte rupestre, estas cavidades são no entanto mais largas e profundas e referem-se a tempos muito mais recentes. Na verdade, durante o período do Estado Novo, toda esta região desenvolveu um mercado paralelo de volfrâmio, extraído clandestinamente das encostas circundantes, com especial incidência no Cabeço do Pião. Eram os tempos do "salta e pilha", muitas vezes com a conivência das autoridades, o que não evitava contudo que muitos fossem presos e interrogados. Na Barroca, traziam-se as pedras extraídas para junto do Zêzere e partiam-se nesta rocha para se obter delas o minério precioso. As marcas ainda lá permanecem como recordação.



Na margem esquerda, curiosamente no local exactamente oposto às gravuras das 4 primeiras fotos, encontram-se outras gravuras, estas de motivos mais abstractos e de origem mais recente. Datando de um período compreendido entre o 3º e o 2º milénios a.C., portanto já em pleno Neolítico ao contrário das anteriores que são do Paleolítico, estas gravuras representam círculos e formas ovaladas concêntricos assim como aglomerações de picotado, num total de 23 desenhos. Nesta foto é visível uma forma ovalada contendo dois círculos concêntricos no seu interior.




De grandes dimensões, esta gravura também representa uma forma ovalada com uma outra no seu interior, contendo esta última dois pequenos círculos geminados. Encontram-se nesta rocha muitas outras representações semelhantes, num total de 17 gravuras.


É curiosa a interpretação que é dada a este painel por um habitante que encontramos na nossa última visita diurna bastante longe destas gravuras. Tendo visto as gravuras durante o dia, este senhor apenas distinguiu 4 formas ovaladas ou circulares que, segundo ele, e após as ter desenhado numa laje de pavimento com um posicionamento bastante rigoroso, alegou que se tratavam na verdade da Terra, da Lua, do Sol e da Estrela da Manhã. Não deixou de ser interessante esta interpretação até porque, vindo de alguém que não está muito dentro do assunto e ainda não havendo consenso sobre o que significariam estas gravuras, uma das hipóteses que são actualmente avançadas é de que elas poderão representar corpos celestes.

Bibliografia:
BAPTISTA, António Martinho, "Arte Paleolítica de Ar Livre no Rio Zêzere (Barroca, Fundão)", Revista EBVROBRIGA, nº1 Primavera-Verão 2004, p9-16.

Obrigatório ver:
Artigo COISAS do passado, do Blog COISAS da COISA, com fotografias diurnas dos painéis dos cavalos, caprídeos e do painel das duas últimas fotos, com animações para auxiliar a interpretação.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Querido, modifiquei ligeiramente o Bonsai

Tendo em conta que o nosso fotógrafo oficial se encontra de férias, algures em Portugal, e deixou o seu bonsai a cargo dos nossos atenciosos cuidados e considerando a preocupação que o Xamane nutre pela sua mui nobre árvore em vaso, apresentamos aqui instantâneos obtidos ontem e que dão conta do seu estado de saúde.

Os mais atentos irão com certeza encontrar algumas ligeiras diferenças entre ambos os instantâneos. Aos restantes, lanço o desafio de descobrir as diferenças entre a primeira imagem e a segunda, esta obtida cerca de 1h30 depois da primeira.




Motivos pois mais que suficientes para o Xamane poder dormir descansado esta noite.

segunda-feira, junho 29, 2009

Bonsais do Katano III - Workshop

O Workshop de Bonsai, que eu anteriormente aqui tinha referido, foi muito interessante e instrutivo. Decorrendo num espaço muito agradável, no Estrela Zen da Covilhã, foi orientado por Márcio Meruje, do Kensho Bonsai Studio da Covilhã e sócio fundador do Clube Bonsai de Sintra, um verdadeiro mestre!

Durante cerca de 4h, falou-se de (e praticou-se) transplante, aramação e desfolhagem e de cuidados básicos a ter com um bonsai.


Um bonsai que, palavra de honra, devia ter à vontade umas 50.000 folhas! Pelo menos foi o que pareceu durante o cumprimento da árdua missão de cortar cada uma delas.


Obras de arte do Márcio:




sábado, maio 30, 2009

Workshop de Bonsai na Covilhã

No próximo dia 27 de Junho, o Kensho Bonsai Studio vai promover em parceria com o centro holístico Estrela Zen um workshop de trabalho com Bonsai, sob a orientação de Márcio Meruje. O workshop, com duração das 10h às 17h,  tem um custo de 30€ (workshop + bonsai oferta + manual).

Sem dúvida uma excelente oportunidade de aprender a trabalhar esta fascinante arte milenar. Eu vou lá estar!

quarta-feira, abril 15, 2009

Bonsais do Katano

Na última semana tive finalmente a oportunidade de colocar em vaso bonsai os "candidatos" que tinha recolhido de diferentes proveniências: um castanheiro, um ficus e, aquisição de última hora, um cedro.


Castanheiro "resgatado" da seca iminente durante a pesquisa para a exposição "Memórias do Vale" em Julho último e com cerca de 1 ano de idade. Vai ser um bonsai estilo "Batido pelo vento" - Fukinagashi e para isso, já foi devidamente podado de forma a desenvolver 3 ramos principais e sofreu a primeira moldagem com arame.


Um pequeno cedro que vai dar origem a um bonsai num estilo mais formal.


O cedro, o castanheiro, a famosa "Oliva" e um ficus obtido a partir de uma estaca de uma planta maior que foi cultivada durante um ano. Aproveito para acrescentar que, pelo que me foi dado a observar, o ficus não é, definitivamente, uma árvore de folha caduca. Leste bem, oh Xamane? :P
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