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terça-feira, outubro 25, 2016

Os misteriosos Fornos dos Mouros da Serra da Maúnça

A crista da Maúnça, com a aldeia do Açor à direita. 

A Serra da Maúnça está condenada a servir de fronteira. Quando caminhamos pela sua crista, o mais provável é que estejamos a caminhar sobre a linha que separa o concelho do Fundão do concelho de Castelo Branco. Chegou a ser até fronteira de um terceiro, o de Sarzedas que, apesar de hoje estar incorporado no da capital de Distrito, ficou preservado na toponímia de um dos locais de maior simbolismo da Maúnça: a Eira dos 3 Termos. 

Por esta Serra passaram inúmeros soldados nos tempos das Invasões Napoleónicas e muitos não chegaram sequer a deixá-la (conta-se que de uma só vez ficaram lá mais de 200 da Grande Armée). Desse tempo sobram nomes como os "Valados", o "cemitério dos franceses" e diz-se até que o intrigante fenómeno da Eira dos 3 Termos (ver aqui) será uma herança visível desse tempo.

Há num entanto outro mistério bem menos conhecido por explicar mas a que o povo já sentenciou a idade. Trata-se dos "Fornos dos Mouros", cavidades abertas nas rochas com uma finalidade desconhecida. Num deles, o que fica no concelho de Castelo Branco, a voz popular ousou até imaginar uma cama: "a Cama da Moura".



O Forno dos Mouros, que na sua parte superior terá a "Cama da Moura".
Foto de 2005

Esta cavidade foi aberta numa rocha em forma de esporão e o seu diâmetro é de quase 50cm. No interior, forma uma câmara onde cabe uma pessoa de cócoras. A referência é a de um indivíduo com a mesma altura do autor deste blogue mas com diâmetro de cintura versão 2005.




A rocha vista de um pouco mais longe. Foto de 2005

Embora um dos "fornos" tenha apenas uma cavidade e outro tenha duas, há várias semelhanças no local escolhido para a sua implantação. Em ambos os casos existe esporão rochoso visível ao longe e situam-se também junto a uma linha de água. Quanto às aberturas, nunca estão viradas para as partes superior ou inferior do vale, tendo pelo contrário uma orientação oblíqua. Será por acaso ou terá havido uma intenção propositada?


O esporão rochoso do outro "Forno dos Mouros", visível na encosta Este.



Só de perto se percebe o grande afloramento rochoso escondido pela vegetação



As duas cavidades, de menor dimensão (dois palmos de diâmetro) sob uma depressão da rocha. Terá havido intenção nesta simetria?


Não há, como referi, uma explicação sobre o propósito destes "fornos dos mouros", tendo pelo contrário recolhido muitas expressões de surpresa e desconhecimento. Há no entanto duas teorias abalizadas sobre o assunto. Uma delas sugere que se trataria de uma espécie de "cofres" proto-históricos, portanto pré-romanos, destinados a guardar bens preciosos. A outra, mais recente, sugere que se trataria de santuários rupestres, feitos para adorar uma qualquer divindade por ora sem forma nem nome. 

No que a mistérios diz respeito, a Serra da Maúnça parece de facto não querer ficar atrás da sua vizinha Gardunha.

sábado, dezembro 05, 2015

Há 10 anos, a Europa reuniu-se no Fundão para celebrar o Natal

Pose de alguns participantes no Pelourinho do Fundão


Há 10 anos atrás, a Europa reuniu-se no Fundão para celebrar o Natal. Tratou-se da 14ª Edição dos Natais da Europa, um festival anual criado pela Associação Europeia de Escolas de Hotelaria e Turismo (AEHT) e que, desde 1988, é organizado por uma escola de hotelaria e turismo membro dessa associação.



Em 2005, coube à Escola de Hotelaria e Turismo do Fundão, na altura INFTUR-Fundão e hoje falecida,  a responsabilidade de organizar o festival. Para que esta iniciativa pudesse ser um sucesso, houve uma mobilização total da escola, reforçada com colegas da escola-mãe de Coimbra, e uma grande colaboração por parte de empresas e entidades do Fundão e arredores.



Começou oficialmente a 3 de Dezembro, com um desfile de todas as escolas participantes da escola até à Câmara Municipal, para a recepção oficial a cargo do então vice-presidente da Câmara, Carlos São Martinho, seguindo-se o regresso à escola para o simbólico cortar da fita que abriu a exposição.



Início do desfile


Já no regresso, a animação pelo grupo folclórico e etnográfico "Amigos do Fundão"


O Pavilhão Multiusos, então apenas ocupado pela escola e no 1º andar, foi dividido em várias áreas distintas. A principal, ao centro, era dominada por uma enorme tenda verde, pendendo do tecto para formar uma gigantesca árvore de Natal, à volta da qual se distribuíam os pavilhões onde cada escola expôs um pouco de si e das tradições natalícias do seu país.  Outro sector foi destinado ao tradicional espectáculo, no qual cada escola pisou o palco para apresentar uma peça de teatro, dança ou canto, e outro sector ainda ficou reservado para o espaço de cozinha, onde todas as escolas confeccionaram o grande buffet europeu.


Os espaços de exposição e a grande tenda, em forma de árvore de Natal


O interior da tenda durante o buffet europeu. É difícil dizer o que estava melhor entre tantos pratos


Aspecto da área das cozinhas, espaço onde actualmente está instalada a Altran





O convívio luso-austríaco aqui a dar nota do espírito que marcou os Natais da Europa. Muita animação e boa disposição.

Na grande tenda seria dois dias depois servido o buffet confeccionado por todas as escolas de hotelaria. E não eram poucas! Para além de Portugal, onde para além da anfitriã do Fundão contávamos também com a escola de Praia da Vitória (Açores), tinham vindo representações de França, Luxemburgo, Itália, Áustria, Albânia, Eslovénia, Dinamarca, Suécia, Polacos e Húngaros, tendo vindo de alguns países mais que uma escola também. 



Recordo particularmente o trabalho que foi conseguir trazer a Albânia, então a sair de um período conturbado. Foram precisos vários contactos através da embaixada francesa em Tirana e um rol de formalidades burocráticas. "É outra vez o gajo de Portugal!", chegou-se a ouvir do outro lado da linha.



Ao longo dos 4 dias que o festival durou, houve tempo para levar os participantes a visitar Alpedrinha, Monsanto e Idanha-a-Velha, por exemplo, assim como alguns estabelecimentos hoteleiros de referência na região. Todos ficaram a conhecer a nossa gastronomia (a palavra "bacalhau" tornou-se bem conhecida de todos), as nossas tradições e muito da nossa história e cultura.



Missa a evocar a tradição da "missa do galo", presidida pelo falecido padre Barreiros.


O madeiro "a fingir" que só foi possível com a colaboração da Junta de Freguesia, que forneceu os troncos, um pneu do meu defunto "Caetanomobile" e um garrafão de gasóleo que entrava em acção apenas quando os visitantes estrangeiros estavam por perto. Segundo a minha estimada mãe, digno de registo foi apenas o facto de ter conseguido manter a minha camisa limpinha durante todo o processo.


Os Natais da Europa de 2005 culminaram numa grande gala realizada no ex-hotel Príncipe da Beira onde, simbolicamente, o Fundão passou o testemunho à escola de Orebro, Suécia, para a organização da edição seguinte.


Contas feitas, a iniciativa foi um sucesso, merecendo rasgados elogios por parte da direcção da AEHT e de Jorge Umbelino, então à frente do Instituto Nacional de Formação Turística (o INFTUR, mais tarde integrado no Turismo de Portugal).



O elenco da peça de teatro. Com o argumento e o cenário decididos no próprio dia, e com os ensaios cronometrados pelo aproximar da hora, acabou por ser a peça mais aplaudida. Nada mau!

Recordo com satisfação o empenho de uma das melhores equipas em que já tive o privilégio de trabalhar, formada pessoas de generosidade e coração sem igual, as grandes noitadas de preparação das actividades do dia seguinte, e a azáfama constante durante o dia.



Valeu a pena!

Para mais informações:
Resumo da 14ª edição dos Natais da Europa no site da AEHT:


segunda-feira, novembro 25, 2013

PR13 - Na Rota das Faias em Manteigas


A Rota das Faias (PR13) é um dos 16 percursos pedestres de pequena rota do concelho de Manteigas, vila situada em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, na entrada do impressionante Vale Glaciar do rio Zêzere. Na sequência de um convite feito pela Eulália no decurso da caminhada ao Açor (ver aqui), juntámo-nos a um animado grupo e fomos à descoberta do colorido outonal das faias daquele belíssimo recanto da Estrela.

Foi muito gratificante voltar a ver algumas caras conhecidas, e ver mesmo algumas pela primeira vez fora das redes sociais e, apesar do frio que em alguns troços do percurso se fez sentir, a beleza paisagística justificou -e de que maneira!- a viagem até Manteigas por uma estrada do tipo "curva à direita, vomita à esquerda".

Aqui ficam alguns instantâneos da jornada:


O primeiro olhar para Manteigas, ponto de partida da caminhada. Foi aproximadamente nesta altura que alguém que não vou identificar (e que não foi a Nelly) lançou a pergunta "Falta muito?".



A valente representação do Fundão equipada a rigor para o frio que se fazia sentir, com destaque para o tapa-orelhas usado pela Nelly. Isto prova que, mesmo numa caminhada exigente, é possível ter apontamentos de moda de extremo bom gosto [comentário patrocinado].



Bermas decoradas em tons outonais e tapete de alta qualidade no caminho. Sem dúvida um percurso gourmet.



A "pedreira dos preguiçosos". Apesar da foto não dar essa sensação, a inclinação era bastante acentuadada (esta foto quase valeu um torcicolo) e ficámos com a sensação que bastaria retirar uma pedra do fundo para ter automatica e gratuitamente direito às restantes pedras da rampa. 



Enquanto o resto do grupo admirava a folhagem das árvores, um camarada em particular mantinha os olhos colados ao chão. A avaliar pelo volume do saco há um belo magusto em perspectiva.

Um encontro com o Sr. José (e não João como se teimou em chamá-lo), uma simpatia de pessoa, pastor de profissão, e já um velho conhecido de muitos elementos do grupo. Enquanto o diálogo decorria animado, o seu pequeno cão saltitava à nossa volta o que levou o Sr. José (e não João) a pedir-nos que não levássemos o cão pois era fazia boa companhia à sua esposa.



Rumo à luz! A última subida a sério do trilho.



Porque isto de pisar folhas chega a ser cansativo, parte da representação de Trancoso aproveita para fazer uma pausa antes de prosseguir.


Com a motivação renovada por uma goma daquelas que se colam à placa, prosseguimos por uma avenida de faias. Foi por esta altura que começaram a surgir uns belos espécimes micológicos à nossa volta.


Micologia, parte 1 - Uma Ramaria (espécie concreta ainda por determinar).



Micologia, parte 2 - Macrolepiota procera, algo fora de época.



Micologia, parte 3 - Boletus edulis, nota 20 de comestibilidade, tal como o anterior.




Secção do trilho que passa por um pequeno carvalhal já praticamente despido de todas as folhas.



Pausa para merenda no posto de vigia. O remate do repasto foi feito com uma jeropiga de altíssima qualidade.



Jiboiar  - Acto de permanecer imóvel em situação de exposição ao Sol e em aparente estado de sonolência, com o intuito de facilitar a digestão. 



Uma casa de campo devidamente equipada com antena parabólica e painéis solares, porque o sossego não implica falta de condições de conforto!



Já quase de regresso a Manteigas, um último olhar para a encosta onde horas antes tínhamos passado.

sexta-feira, novembro 15, 2013

Vamos aos "Míscaros"?


E depois do Açor e das castanhas, é agora a vez da aldeia do Alcaide e dos cogumelos, não apenas daqueles que emprestam o nome ao festival . De resto, já se sabe: animação, tasquinhas, iniciativas gastronómicas, passeios micológicos, artesanato,... O melhor mesmo é porem-se já a caminho. Como sempre acontece, funcionará entre o Fundão e o Alcaide um serviço de autocarro para que ninguém seja obrigado a trazer o carro. É só para não haver problemas de estacionamento, obviamente.

Começa já hoje e, escusado será dizer, é mais uma festa imperdível!






No ano passado foi assim:




Encontramo-nos por lá?



quinta-feira, novembro 14, 2013

Assim foi a Mostra de Artes e Sabores da Maunça

Terminou em grande mais uma Mostra de Artes e Sabores da Maúnça que, durante o último fim-de-semana, fez da pequena aldeia do Açor o centro de todas as atenções. Mais uma vez, a festa não defraudou as expectativas e, pese embora a distância e o relativo isolamento da aldeia, vale sempre a pena -e de que maneira!- ir até lá.

As "hostilidades" tiveram início ainda no Sábado à noite, com um delicioso jantar na tasquinha do grande "Ti Tó", que serviu em quantidade e qualidade maranhos, chanfana e ainda uns belos bifinhos com castanhas, tudo devidamente rematado com um original pudim de castanha (e que bom que estava!) e com uma panóplia de licores. 

No Domingo de manhã, para recuperar da noite anterior, juntámo-nos a um simpático e animado grupo, no qual reencontrámos algumas caras bem conhecidas, para uma caminhada de 5km de regresso ao Açor. Foi um trilho que proporcionou algumas imagens de encher o olho, alguns momentos de aventura e agradáveis momentos de conversa que versaram sobre tudo um pouco, inclusive as invasões francesas que fazem parte da memória colectiva das gentes da Maúnça e estão intimamente ligadas a locais como a Eira dos Três Termos (onde existe um fenómeno) ou o sítio dos Valados.






Após o belo almoço na sede da associação local, impôs-se nova ronda pela aldeia, em busca das tasquinhas mas não só. Pelas ruas cheias de grande animação e de cheiros que parecem chamar por nós, o destino estava já definido: ir à procura do pão acabadinho de sair do forno e das filhoses feitas por mãos sabedoras, herdeiras do saber de incontáveis gerações.









Antes da despedida, e porque finalmente a encontrámos aberta, visitámos a casa-museu local. Trata-se de uma casa de habitação tradicional que foi recuperada mantendo o seu figurino original, com divisões minúsculas, uma cozinha com lareira ao centro e um banco corrido de madeira junto às paredes. Enquanto comentávamos aquilo que víamos, a senhora que tomava conta do local partilhou connosco: "É pequena não é? Custa a crer que uma mãe criou aqui 7 filhos. Uns dormiam no quarto, outros na "loja"... Olhe, era onde calhava, mas criaram-se."


Chegada a hora da despedida, optámos por regressar a pé pelo caminho através do qual tínhamos chegado de manhã, aproveitando para recolher alguns quilos de castanha e cogumelos ao longo do percurso. 

Fecha-se o capítulo do Açor, deixando já o encontro marcado para o próximo ano, e abre-se agora a contagem decrescente para o festival "Míscaros", que tem início já depois de amanhã. Vamos a isso?

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