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sexta-feira, dezembro 09, 2011

Sobral de São Miguel - Das Minas dos Mouros às Lutas Liberais.

A propósito do passeio fotográfico que amanhã tem lugar em Sobral de São Miguel, recordei-me de uma reportagem que, em conjunto com o Xamane, realizei no ano 2.000 na povoação, tendo como cicerone o Sr. António Marques, escritor local que assina com o pseudónimo de Emanuel João. Das "minas dos Mouros" às peripécias durante as Guerras Liberais, esta visita teve de tudo um pouco.

Sobral de S. Miguel (Covilhã)
Uma Serra com histórias para contar


"Diante de nós, rasga-se uma comprida vala que na sua profundidade máxima deverá ter cerca de 4 a 5 metros." - ArqueoBeira 2003Atiçada a nossa curiosidade por um pequeno artigo no Jornal do Fundão que alertava para o abandono a que nessa localidade estava votado o local das "Minas dos Mouros", deslocámo-nos a Sobral de São Miguel. Guiados por António Marques, embarcámos numa viagem até aos tempos em que os salteadores assolavam a região e onde ainda ecoam as detonações das lutas liberais.

Em Sobral de São Miguel, existe alguém para quem a história e a cultura da localidade merecem a dedicação de uma vida. António Marques, um habitante desta localidade que diariamente cuida das suas cabeças de gado e das suas terras, escreve livros onde conta as histórias que recolheu ou que lhe foram transmitidas pelos seus pais e avós. Ocasionalmente, escreve artigos para o Jornal do Fundão onde relata o que vai acontecendo na sua localidade. Foi precisamente um desses artigos que nos levou ao seu encontro. Nele relatava a sua preocupação e mágoa por nenhuma entidade ou personalidade se interessar pelo sítio das "Minas dos Mouros" estando este local em vias de desaparecer.

Após o nosso encontro num café da localidade, tendo tido conhecimento do que nos tinha levado até ali, António Marques não consegue conter um sorriso próprio de quem sente a satisfação de saber que alguém ouviu o seu apelo. Prontamente acedeu a levar-nos até ao local, não sem antes nos ter contado um pouco da história de Sobral de S.Miguel, um pouco de si e do livro que está a escrever.

A Rota do Sal

Sobral de S.Miguel foi em tempos uma terra de grande importância económica. Por aqui passava a Rota do Sal que, do litoral, levava o tão precioso "ouro branco" para as terras do Interior. Aqui, onde existiam algumas Catraias, a rota dividia-se seguindo um ramo para Este e Sudeste passando por Covilhã e indo até Monsanto e outro para Nordeste. Esta rota só terminou quando o caminho de ferro adquiriu protagonismo como meio principal de comunicação com os centros de produção.
-"Ali em cima ainda se notam os sulcos das rodas dos carros (de bois) que transportavam o sal" - Diz-nos António Marques.

As Minas dos Mouros

António Marques - ArqueoBeira 2003Partindo então em direcção às "Minas dos Mouros", somos surpreendidos por uma paisagem impressionante que tem como pano de fundo a majestosa Serra do Açor. À medida que o vale se vai estreitando enquanto a estrada vai subindo na direcção de um monte sobranceiro a Sobral de S.Miguel, vemos aqui e ali umas manchas onde nem sequer vegetação rasteira existe. Os incêndios devastaram a floresta, e a vegetação restante foi impotente para travar a erosão. "A serra tem estas feridas. Já pensei em escrever para o jornal a falar nisto também" - lamenta-se António Marques.

Finalmente, entramos por um caminho de terra batida, onde somos obrigados a abandonar o veículo para fazer o resto do trajecto a pé. Poucos minutos depois, António Marques aponta para uma abertura na rocha camuflada pelos arbustos "É aqui a primeira. Ali mais à frente está a maior." - Diz-nos. Diante de nós, rasga-se uma comprida vala que na sua profundidade máxima deverá ter cerca de 4 a 5 metros. Inconfundivelmente escavado por mãos humanas, a época em que foi feita escapa-nos. "Toda a vida ouvi chamar-lhe Minas dos Mouros. Já os meus avós assim lhe chamavam e toda a vida lhe tinham ouvido chamar isso." - confessa-nos António Marques.

Descendo pela abertura, somos confrontados com um triste espectáculo: o único interesse que este local despertou foi em infelizes oportunistas que aqui viram uma oportunidade para se livrarem de trastes e lixo diverso. Para lá deste atentado, a galeria estende-se um pouco mais e afunda-se no solo, estando no entanto entulhada. O propósito das "Minas dos Mouros", tal como a sua idade, jaz sob a terra à espera que alguém a queira descobrir.

Salteadores e lutas liberais

Imersos na paisagem que nos envolve, contemplamos a Oeste a Serra do Açor, a Este o maciço central da Estrela e a Sul as marcas que as Minas da Panasqueira deixaram na paisagem envolvente. Apontando para a Serra do Açor, António Marques conta-nos histórias em que a Serra era um santuário para os que fugiam dos bandos de salteadores que atormentavam a população: os Cacarras e os Brandões.

"Quando alguém se apercebia da vinda dos salteadores, dava o alarme e toda a população escondia o que não podia levar e fugia para a Serra com o que podia levar, até animais. Uma vez, estando os salteadores em Sobral de S.Miguel, um dos galos que alguém tinha levado consigo para o esconderijo na Serra cantou. O dono, sem pensar, com as próprias mãos lhe torceu o pescoço." - conta-nos António Marques, continuando: "Isto era no tempo em que os que eram por D.Miguel lutavam contra os de D.Pedro. Ora chegando certa vez os salteadores a Sobral de S.Miguel, apenas encontraram uma velha que por não poder, não tinha fugido com o resto. Os salteadores querendo saber por que partido estava ela perguntaram-lhe "Viva quem?" ao que ela respondeu "Viva os que cá estão e El-Rei de Bragança. Vão todos para o raio que vos parta então, que não entendo nada dessa dança"".

Abordando as lutas liberais, conta-nos sobre um combate que aconteceu no alto da Serra do Açor. As forças realistas carregaram sobre os liberais que se tinham entricheirado no cume da Serra. Sobre estes fizeram tal descarga de artilharia que estes para não serem exterminados, tiveram de fugir

A Casa de Bragança em Sobral de S.Miguel

Sobral de S.Miguel era um local ao qual os reis da Casa de Bragança se deslocavam muitas vezes para fazer caçadas. Segundo António Marques "Os reis vinham cá e por aí deixaram semente. Andava aí muita gente parecida com os reis.". A uma familiar sua, recorda com um sorriso trocista, chamavam-lhe Maria Pia por ser parecida com a Rainha D. Maria I.

Emanuel João

Convidando-nos para entrar em sua casa, António Marques revela-nos outra faceta sua: a de escritor. Com o pseudónimo de Emanuel João, está actualmente a escrever um livro onde aprofunda os episódios que nos contou. O mais interessante desse livro, do qual tivémos o privilégio de ler já algumas passagens, reside no facto de contar o dia-a-dia dos habitantes de Sobral de S.Miguel do antigamente, tudo isto escrito em português de sotaque saloio. Um pormenor que nos faz sentir imersos no quotidiano de então.

No entanto, a edição deste livro ainda sem título, poderá não acontecer. António Marques lamenta o facto de se encontrar sozinho nesta luta "É difícil arranjar apoios. Eu sozinho não consigo pagar a impressão do livro e também não consigo arranjar quem me apoie. Nem os meus filhos me querem ajudar, não se interessam pelo que faço" - diz-nos não escondendo a sua mágoa.

Já o seu livro anterior intitulado "Deus, a verdade e a vida ou libertação da humanidade", conheceu sérios problemas para ser editado. "Consegui obter do Sr Carlos Pinto (presidente da Câmara Municipal da Covilhã) um apoio de 100 contos. Mas tive de insistir muito para o obter depois de prometido.". Neste livro, o autor reúne alguns pensamentos e reflecte sobre Deus, a relação dos homens com Deus e analisa o Mundo moderno à luz destes temas com a clareza de uma pessoa simples e franca.

Paradigmático da sua personalidade é o último parágrafo do seu livro:

"Escrevo este livro, sem qualquer intenção monetária ou comercial.
Se sou feliz com o pouco que tenho, para quê quero eu mais?
Olhai leitores amigos:
O que é preciso, é aproveitar o dom da vida tão lindo, que a natureza nos ofereceu.
Não quero ficar na história, como herói, profeta ou arrastar multidões, que isso de nada me aproveita, nesta ligeira passagem.
O que eu mais desejo era ver a libertação da humanidade!
O que é possível com o auxílio de todos os homens de boa vontade!
Que Deus me oiça!..."

07/01/2000"

sexta-feira, novembro 11, 2011

XI Mostra de Artes e Sabores da Maúnça

Começa já amanhã aquela que é a minha festa de Outono favorita, a Mostra de Artes e Sabores da Maúnça, na simpática e acolhedora aldeia do Açor.

Com a temática da castanha como pano de fundo, entre amanhã e Domingo as portas das casas da aldeia vão estar abertas aos visitantes, propondo mil e um sabores.

PROGRAMA:

Sábado:
11h00 - Bombos Rochas de Cima
14h30 - Workshop “Sabores do Outono” (doce de castanha), apresentado pela tasquinha “À Portela” e coordenado por Isabel Filipe Antunes
(Inscrições: 968 223 124, nº máximo – 10/pax, valor 2,50€)
15h00 - Grupo Cantares da Barroca
17h00 - Magusto Comunitário
Gaita-de-Beiços da Rapoula
21h00 - Concertinas “Desgarradas com o povo”

Domingo
11h00 - Grupo de Bombos Souto da Casa
14h00 - Workshop “À Volta do Pão” , coordenado por Brigite Martins (Inscrições: 962 369 921, nº máximo – 10/pax, valor 2,50€)
14h00 - Passeio pedestre “Rota da Maúnça”
Concentração - Sede da Associação Recreativa e Cultural do Rancho “Os Pastores do Açor” (Características do passeio: tipo - circular; distancia - 6/8 km; dificuldade - média / baixa; inclui reforço alimentar)
14h30 - Workshop “À Descoberta do Queijo Fresco”, apresentado pela tasquinha “Cantinho das Sopas” e coordenado por Daniela Santos
(Inscrições: 933 659 807, nº máximo – 12/pax, valor 2,50€)
15h00 - Grupo de Cantares Santo André
16h00 - Magusto Comunitário
Ecos da Maúnça

Informações e Inscrições (Passeio Pedestre):
Associação Recreativa e Cultural do Rancho “Os Pastores do Açor”
Telm: 936 712 439 | 936 712 440;
E-mail: pastoresacor@iol.pt
Inscrição - 3,00€ (Nib: 003520270000126993064 - enviar comprovativo para pastoresacor@iol.pt)
Data limite - 12 novembro
Apoio: Gardunha Viva - Associação de Montanhismo do Fundão

E para aguçar o apetite...



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quarta-feira, junho 08, 2011

Festa da Cereja 2011 - Alcongosta / Fundão


Começa já amanhã a Festa da Cereja 2011 que, até Domingo, promete mais uma vez encher as ruas da aldeia de Alcongosta de cores, música e movimento com as tasquinhas, instaladas pelos habitantes locais nas suas caves e garagens a prometerem fazer outra vez as delícias dos mais de 40.000 visitantes esperados. Recordam-se como foi no ano passado? (Cliquem aqui)

A cereja, rainha do evento, estará omnipresente no evento, tanto na sua forma original como em doces, licores e muitos outros produtos, consoante a imaginação dos "tasqueiros", sendo obrigatório provar o licor de cereja ou até a espetada de cereja em banho de chocolate, por exemplo. Está ainda assegurado durante todo o fim-de-semana, como sempre tem acontecido, a ligação por autocarro entre o centro do Fundão e Alcongosta para evitar os inconvenientes do trânsito.

Esta festa da cereja coincide ainda com o festival gastronómico Sabores da Cereja ao qual aderiram vários restaurantes ao redor da Gardunha. Motivos de sobra para visitarem a zona da Gardunha este dias!


Seguem-se algumas informações de indesmentível utilidade:

1 - Onde é que é isto da festa da cereja, afinal? Está aqui no mapa:


2 - E qual é o programa das festas? É este:

Dia 9 de Junho
Tarde | Bombos da Alcongosta
Pifaradas e Gaitadas do Álvaro Pessoa
Bombos da Capinha
21H00 | Concerto Grupo de Cantares Sª do Mosteiro (Freixial)

Dia 10 de Junho
8h30 | Passeio Pedestre na Rota da Cereja
(integrado nas comemorações do 25º aniversário da Rádio Cova da Beira)
Ponto de Encontro – Junta de Freguesia do Fundão

Manhã | Bombos de Alcongosta
Tarde | Concertinas da Sequeira (Guarda)
Rancho Folclórico do Castelejo
Noite | Grupo de Música Popular “As sementinhas”Centro de Dia do Castelejo
Rancho Folclórico de Soalheira
22H30 | Concerto Comtradições

Dia 11 de Junho
8h30 | II Passeio/ Convívio de Motard
Clube Motard Trinca Cerejas (contacto:966 376 010)
ponto de encontro - Amnésia Bar
Manhã | Bombos de Alcongosta
Tarde | Associação de Bombos Souto da Casa
Bombos das Donas
Bombos do Barco
Rancho Folclórico dos Três Povos
Concertinas Estrelas da Serra (Guarda)
Noite | Rancho Folclórico
Cantarinhas do Telhado
Bombos do Alcaide
Grupo de Cantares da Esc. Sec. do Fundão
22H30 | Concerto A Caruma

Dia 12 de Junho
Manhã | Bombos de Alcongosta
Bombos da Barroca
Bombos da Junta de Freguesia do Fundão
Tarde | Grupo de Cantares de Santo André (Telhado)
Grupo de Cantares da Arrifana
Rancho Folclórico dos Pastores do Açor
Grupo Coral da Associação de Solidariedade Social de Silvares

3 - E diz que há autocarros? Há sim senhores! Cliquem aqui para ver os horários.

domingo, dezembro 05, 2010

Fotografias da neve na Serra da Gardunha - Dezembro de 2010

O caríssimo camarada Tiago Fernandes esteve este fim-de-semana pela Gardunha e registou estas belas imagens da zona da Casa do Guarda junto à aldeia de Alcongosta.

O caminho em direcção à Penha


A Cova da Beira, com o Monte de S.Brás, o Fundão e, ao longe, a Serra da Estrela


Aspecto da zona da Casa do Guarda


A Casa do Guarda

Normalmente branco na Primavera devido à floração das cerejas, o vale entre o Souto da Casa e Alcongosta pintou-se também de branco esta semana. Ao fundo, a Serra da Estrela e a Serra do Açor (à esquerda)


Para finalizar, deixo aqui uma panorâmica que criei para mostrar o aspecto da Gardunha, com o Monte de S.Brás em evidência, vista a partir do Centro Cívico do Fundão. Cliquem para abrir numa nova janela (se necessário cliquem depois em cima da foto para ampliar).


quarta-feira, novembro 24, 2010

Fotografias da X Mostra de Artes e Sabores da Maúnça – Açor - 2010

Seria imperdoável se não publicasse aqui também um artigo dedicado à X Mostra de Artes e Sabores da Maúnça, na aldeia do Açor. É certo que o Míscaros foi muito bom (já aqui o disse em várias ocasiões) mas, que me perdoem, a Maúnça é a minha festinha de eleição!

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Como todos os anos acontece (no ano passado já foi algo fora de horas mas ainda houve tempo para trazer uns belos pães caseiros), a viagem nocturna para o Açor foi feita em TT pela Serra da Maúnça. O que não estava nos planos era o tremendo manto de nevoeiro com que nos deparámos e que não permitia uma visibilidade para além de 10m. Felizmente, o condutor era um indivíduo experiente e com um tremendo sentido de orientação (estou neste momento a emanar bafo na direcção das unhas da minha mão direita, esfregando-as em seguida na minha camisola) e o grupo conseguiu chegar ao Açor de boa saúde.

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À nossa espera, o mesmo de sempre: muita castanha assada, deliciosas filhoses acabadas de fazer, miaus quentinhos com mel, jeropiga da boa, licores de tudo e mais alguma coisa, isto para além dos pratos típicos que fizeram a delícia dos visitantes.


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Um grupo de visitantes anónimos fotografado completamente ao acaso numa tasca escolhida de forma completamente aleatória. Se alguns ainda conseguem manter a pose, outros há que, aparentemente, não conseguem disfarçar a sua apetência pelos produtos regionais.

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Licores, licores e mais licores... mas não podemos esquecer a fantástica jeropiga!

Já estão com água na boca?


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E agora?


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E agora?


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E agora?


Mas não é só à noite que a aldeia ganha vida. Durante o dia a azáfama é constante e, enquanto as senhoras estão muito atarefadas a cozer pão e a preparar os doces típicos, no largo principal acende-se a fogueira para o magusto comunitário.

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...e no fim, "Quentes e boas!"

Foi pois com tristeza que tivemos de nos despedir até ao próximo ano. As emoções contudo não se esgotariam por aqui já que o regresso, feito pelo mesmo caminho da vinda, acabou por se revelar um pouco mais comprido do que o desejado. É evidente que as más línguas dirão que o zeloso condutor se enganou no caminho e que quase se fazia todo o trajecto até casa pelo pinhal. Contudo, o desvio deveu-se a certos e determinados factores, sendo um deles a vontade de proporcionar a toda comitiva um agradável percurso cénico... apesar de estar uma noite escura como bréu e de estar também um nevoeiro passível de ser cortado às fatias.

Fica um grande abraço para as gentes do Açor e a promessa ansiosa de que no próximo ano lá estaremos mais uma vez.

domingo, novembro 14, 2010

Imagens de uma manhã de Domingo

Nada melhor do que uma bela caminhada pela floresta para recuperar do esforço dispendido na noite anterior em prol da economia local da aldeia do Açor.


quinta-feira, novembro 11, 2010

X Mostra de Artes e Sabores da Maúnça - Açor 2010

É já este fim-de-semana que tem lugar o 10º festival de Artes e Sabores da Maúnça, aquele que para mim é um dos melhores festivais do género desta época, quer pelo espírito acolhedor das gentes da aldeia do Açor, que pela panóplia de cores, sons e sabores à disposição dos visitantes, sempre com a temática da castanha como fundo.


Recomendo vivamente a bela jeropiga acompanhada por castanhas, os inúmeros licores, obtidos a partir dos frutos e plantas das redondezas, tal como os bolos locais, o pão caseiro cozido por quem sabe, acabado de sair do forno e, permitam-me que vos diga, ficaram-me na "retina gustativa" aqueles bifes com castanhas saboreados numa das últimas incursões ao festival. Para a "sossega", há que provar o "café de borras" sobre o qual alguns membros do núcleo duro deste blog têm opiniões muito particulares.


Podem ainda aproveitar para dar um pequeno passeio pela crista da Serra da Maúnça, contemplando uma paisagem que evoca histórias de guerras de outrora, de encontros com o sobrenatural, de fenómenos e milagres.

Estão à espera de quê?

Programa

Exposição de Fotografia Ilustrada “HUMOS DE MORILLE” – SALAMANCA 2010, de Belarmino Lopes Local: Centro Comunitário

Sábado, 13 de Novembro
11H00 – Bombos da Casa do Povo do Souto da Casa
15H00 – Ovelha Negra (Associação Ocaia)
16H00 – Magusto Comunitário (Largo da Figueira)
18H00 – Grupo de Cantares da Escola Secundária do Fundão
21H00 – Grupo Saltamontes

Domingo, 14 de Novembro
09H00 – Passeio Pedestre “ROTA DA MAUNÇA”
11H00 – Grupo de Bombos da Junta de Freguesia do Fundão
14H30 – Grupo de Cantares da Barroca
16H00 – Magusto Comunitário (Largo da Fonte)
Grupo de Cantares de STº André (Telhado)



Vale a pena ler também:
Artes e Sabores da Maúnça II
O Mistério da Serra da Maúnça

sábado, fevereiro 20, 2010

Sugestão para uma noite diferente: Serão "Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto"


Logo às 21h, na antiga Escola Primária da aldeia de Açor, (Castelejo-Fundão), os mais idosos irão partilhar as velhas histórias que lhes foram transmitidas oralmente pelas gerações que os antecederam.

Trata-se de uma oportunidade única de conhecer um pouco mais do riquíssimo património etnográfico da Beira Baixa numa aldeia cheia de histórias para contar. Contamos marcar por lá presença!


Ver também:

quarta-feira, outubro 21, 2009

Açor - Festival Artes e Sabores da Maúnça 2009


Aí está o cartaz da edição de 2009 do Festival "Artes e Sabores da Maúnça"! daqui a pouco mais de duas semanas, todos os caminhos vão dar à aldeia do Açor, no concelho do Fundão, onde a animação vai ser mais que muita no meio de um desfilar de aromas e cores, tendo sempre a castanha como elemento omnipresente.

Eu cá já estou a salivar com a recordação daqueles deliciosos e suculentos bifinhos com castanhas da edição do ano passado assim como dos muitos e bons licores.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

É só "ceguir" as setas


Quem depois do artigo do mês passado, sobre o Festival de Artes e Sabores da Maúnça, estiver interessado em ir visitar a aldeia do Açor mas não souber muito bem que estrada tomar nem tão pouco estiver munido de um GPS, não tem qualquer problema...

... é só "ceguir" as setas!

quarta-feira, novembro 12, 2008

Artes e Sabores da Maúnça - II

Retomando o tema do último artigo, o Sábado foi então centrado no Festival de Artes e Sabores da Maúnça que decorreu na serra na já famosa aldeia de Açor.


À tarde houve contudo tempo para uma pequena incursão até à Serra da Gardunha para investigação com vista à recolha de elementos para a exposição do próximo Sábado e para recolha de cogumelos e castanhas. Tudo isto em meio a uma montaria organizada no âmbito da inauguração de instalações para uma Associação de Caçadores, esses simpáticos senhores que deixam a sua marca na paisagem na forma de latas que deixam supor que se chamam todos Ramirez ou de cartuchos vazios que, de forma inteligente, decoram vários recantos das serranias. No entanto, diga-se em abono da verdade que são sem dúvida amantes incondicionais da natureza pois, pelo que constatámos, já o relógio dobrara a uma da manhã e ainda se via faróis dispersos de automóveis na zona da montaria, um sinal claro de que os caçadores estavam com dificuldades em desvincular-se da natureza.

A incursão não foi propriamente bem sucedida mas sempre deu para investir sobre os muitos medronhos que sarapintavam o ambiente de vermelho. Na foto é bem visível o particular interesse do jovem Sam ao aprender que do medronho se faz uma aguardente de grande qualidade, isto enquanto o jovem Paulo cogita sobre as mil e uma formas de cozinhar um medronho.

"Aguardente? Onde é que se carrega?"

Também os cogumelos foram escassos mas, curiosamente, as pontuais descobertas de exemplares de Amanita Muscaria, ou Agário das Moscas, despertaram um intrigante frenesim entre alguns elementos do grupo. Só faltava mesmo a lagarta a fumar o seu narguilé em cima dos Agários...

Um belo exemplar de um fungo com alto índice de Ácido Ibotémico. A lagarta da Alice que o diga...



Chegou depois a hora de rumar ao Açor, conduzindo o veículo através de um interessante percurso todo-o-terreno. Escusado será dizer que todos os ocupantes do veículo adoraram a experiência e sentiram a adrenalina a correr-lhes pelo organismo. Aliás, a co-pilota chegou mesmo a afirmar "Nunca me diverti tanto como hoje, nem quando decidi ultrapassar 2 camiões em Espanha com vários veículos a circular em sentido contrário a uma distância pouco recomendável!".

Chegámos finalmente ao Açor, pequena aldeia que a tradição coloca na rota das Invasões Francesas, num episódio que, na Eira dos Três Termos, terá tido o seu climax aquando do enfrentamento entre franceses e a guerrilha local. Também a tradição popular situa nessa época a origem do misterioso "fenómeno" da Eira dos Três Termos, ainda hoje sem explicação e o qual abordarei em artigo próprio.

Sobre o Açor conta-se que, aquando da aproximação das tropas francesas, a população cobriu a Igreja (hoje bastante alterada) com ramos de giesta e silvas, já que se tratava do único edifício branco da aldeia ao contrário das moradias que eram em xisto e se confundiam na paisagem.


Na aldeia, o festival desenrola-se autenticamente de uma ponta à outra da aldeia, com as inevitáveis tasquinhas, umas melhor conseguidas que outras em termos de decoração e ambiente, onde é muito difícil resistir à tentação de percorrer todas elas mais que uma vez.

O jantar foi talvez mais atribulado que o desejado. Tendo-nos deliciado com um original prato de lombinhos de porco com castanhas e mel, em duas doses que afinal era três, decidimos repetir. Contudo, o stock havia-se esgotado e tivemos de nos contentar em terminar a refeição com uma bela chouriça assada. Pelo meio houve ainda espaço para uma demonstração de boa vontade da cozinheira que foi desencatar carne sabe-se lá onde e que no-la apresentou acondicionada numa espécie de tupperware onde quase se podia ler "HACCP sucks!".


A castanha, fruto omnipresente no festival



Uma reconfortante paragem para provar o tradicional "Café de borras"



O delicioso bolo de castanha em meio de um caleidoscópio de cores e sabores dispersas em dezenas de bolos e garrafas de licores tão inusitados como o licor de amora, de bolota e de carqueja...



Outro ângulo da questão


Aspecto de uma das tasquinhas mais concorridas



O cenário junto ao Forno Comunitário, onde algumas simpáticas senhoras se atarefavam a cozer pão. Um pouco mais longe, a casa museu toda ela recuperada e que merece sem dúvida uma visita.



Animação de rua, uma constante do festival



Uma pausa antes de atacar o licor de maçã.... e o de amora também.... ok, e também o de framboesa...

O regresso fez-se novamente pela Maúnça, agora em modo nocturno, percurso que levou a que, em alguns momentos, fossemos acompanhados por vários coelhos velozes e zigzagueantes. A edição 2008 já lá vai, venha a próxima! Merece bem a visita.

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