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quarta-feira, março 04, 2009

Inbicta do Katano

No fim-de-semana passada, o Blog do Katano foi à Cidade Inbicta! Embora não tenhamos ido comunicar aos portuenses que de ser Invicta a cidade não se pode gabar (o General Soult que o diga), isto porque não queríamos deixar ninguém deprimido, aproveitamos sim para nos dedicar a um intenso fim-de-semana de cultura.


Estádio do Dragão, Sábado à noite. A ocasião era boa demais para perder a oportunidade de ver Jesualdo Ferreira em acção, praticando toda a sagacidade táctica e a arguta capacidade de análise que o caracteriza. A estratégia foi de facto brilhante: deixar passar o tempo e esperar por um auto-golo do Polga que, infelizmente, voltou a desiludir.

PS - Após o jogo, foram efectuadas várias simulações no Football Manager com os mesmos jogadores e várias tácticas. Em todas elas o FCPorto ganhou por larga margem e, numa delas, o Polga marcou mesmo auto-golo.



Coliseu do Porto, Domingo de manhã. O prato forte da visita! No âmbito dos Concertos Promenade, a Ana voltou a mostrar que é uma artista de categoria sendo particularmente bem acompanhada pelo coro da AMVC numa interpretação das Danças da obra "Príncipe Igor" de Borodin. Uma actuação de categoria que inclusive levou o analista/cronista do Zé do Boné a referir que "estes sim estiveram bem afinados ao contrário dos outros ontem no Estádio do Dragão". Outro testemunho, de fonte anónima, não escondeu alguma surpresa perante o espectáculo: "Já acabou? Podemos ir à bucha?"


Torre dos Clérigos, Domingo após a bucha, a fantástica vista a 360º que se avista, após trepar os cerca de 200 degraus, é no mínimo inspiradora. Deslumbrados com a paisagem não pudemos deixar de colocar ao nosso mais íntimo ser a questão: será que deveríamos oferecer o Football Manager ao Jesualdo?


Um pormenor curioso virado para o mar, talvez para os Açores, essa região autónoma recheada de clubes que mereciam ser treinados pelo Jesualdo.


Finalmente, já no percurso de regresso, houve ainda tempo para praticar um dos passatempos do fim-de-semana. Depois do "Onde está o Wally?", eis que inventámos o "Onde está o Gil?". Pelo meio, espaço ainda para um verdadeiro exercício de aprendizagem, cortesia do Bruno, de respostas bruscas a indivíduos que nos abordam com o intuito de solicitar gratuitamente valores monetários ou géneros. Curiosamente achamos que se trata do mesmo leque de respostas que o Jesualdo merecia ouvir sempre que pedisse algo aos seus jogadores.

Este artigo é o primeiro de dois dedicados à nossa querida Sete Luas, pela simpatia e pela companhia com que nos brindou na nossa visita à cidade Inbicta. Segue-se um artigo sobre a temática do alojamento.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

De bananas ou ananazes?... I

Depois da longa espera, está finalmente pronta a prometida posta. Ora como é dificílimo para mim PARAR de escrever sobre a pérola do Atlântico, e porque há muito a dizer, vou dividir o artigo em 3 postas. Aqui fica a primeira com um cheirinho do que aí vem. É uma contextualização geral, uma espécie de KatanoPédia, em jeito de introdução à real posta. Espero que gostem e tenham pachorrinha para lerem tudo. Para mais informações, contactar a euzinha. :)


I – KatanoPédia

(Mapa de Piri Reis - 1513)


Apesar da sua descoberta ter sido atribuída a Tristão Vaz Teixeira e João Gonçalves Zarco em 1419 (ainda que, por uma questão de correcção temporal, a primeira ilha a ser descoberta tenha sido o Porto Santo em 1418), as ilhas que constituem o arquipélago são já referenciadas desde o tempo dos Romanos (conhecidas como as Ilhas Púrpura) e em alguns escritos do século XIV, chamadas de Leiname, Diserta e Puerto Santo. Para evitar uma situação semelhante à acontecida com as Canárias, a sua colonização foi iniciada em 1424/5 por elementos da pequena nobreza, famílias pobres de meios rurais e alguns presos do reino (o que muitos afirmam explicar muita coisa relativamente à personalidade do actual presidente da Região Autónoma), adoptando-se um sistema de Capitanias.

(Divisão em Capitanias, Autor desconhecido, 1888(?))

O seu nome (quer da ilha, quer do arquipélago) atribui-se à variedade luxuriante de vegetação que os navegadores encontraram com espécies até à data completamente desconhecidas dos Europeus (aliás, espécies como os dragoeiros, por exemplo, permanecem, ainda hoje, desconhecidas para muitos).

(Ilha da Madeira - © Nuno Chambel)

Situado em pleno oceano Atlântico, a cerca de 980 kms de Lisboa e a 700 da costa Africana, o arquipélago é constituído por 7 ilhas (e não duas como muito boa gente pensa): Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens, estas duas últimas são pequenos conjuntos de ilhas desabitados e com estatuto de reserva Natural. Apesar de ser um arquipélago mais pequeno que o dos Açores, por exemplo, as diferenças entre as ilhas que o constituem são marcantes. A ilha da Madeira possui um relevo acidentado e inconsistente, a parte norte da ilha dominada por encostas e arribas, onde se encontram os picos mais altos do arquipélago (Pico Ruivo – 1.862m, Pico do Areeiro – 1.815m, etc); e a parte sul onde dominam as paisagens mais planas e menos acidentadas. A vegetação é abundante, rica e variada e, independentemente da altura do ano, a ilha é um ponto verdejante no oceano, pleno de flores e cursos de água. ( e é por isto que a Madeira é um jardim e não por causa do senhor Presidente da Região).

(Ilha da Madeira - © Nuno Chambel)

O Porto Santo, por sua vez, é uma ilha muito menos acidentada, mais plana, com vegetação menos exuberante e mais rasteira, o solo é mais pobre e durante as épocas mais quentes do ano a ilha reveste-se duma tonalidade seca e dourada e algo mais árida. No entanto, é em Porto Santo que encontramos 9kms de extensão de praia de areia fina, com propriedades terapêuticas, devido à sua natureza calcária, característica orgânica que não se verifica em mais nenhuma praia do território Português.


(Ilha de Porto Santo - © SeteLuas [vá n sejam maus, não é uma foto à lá Xamane mas as melhores estão para vir...])


As Selvagens e as Desertas, são extremamente agrestes mas constituem um autêntico paraíso para diversas espécies animais, nomeada e principalmente aves e vida marinha.


(Ilhas Desertas, Vista Aérea - Autor Desconhecido)


(Ilhas Selvagens, © Ivan Ramiréz)




Aberto o apetite, vale a pena continuar? ;)


(NOTA: Todos os direitos de autor são respeitados e mencionados nos termos da lei. :p)

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Pesquisas do Katano

Enquanto não termino e publico o artigo sobre o mistério de quem terá afinal descoberto os Açores e enquanto a Sete_Luas não publica o artigo que vai em definitivo esclarecer se há ou não abacaxis na Madeira e a quem efectivamente pertence o arquipélago (se ao Alberto João ou se aos portugueses), aproveito para lançar aqui novamente a fantástica rubrica de Pesquisas do Katano. Esta é a rubrica com mais sucesso junto dos leitores do Blog do Katano, sobretudo daqueles que pertencem ao segmento dos profissionais do ramo de mecânica automóvel e com idades entre os 60 e os 62 anos.

Assim, os termos de pesquisa mais sui generis que trouxeram leitores a este blog nas últimas semanas foram:


Como se faz a pirataria


Eis um indicador da crise económica que atravessamos actualmente, associada à crescente taxa de desemprego da população, factores que levam os cidadãos a procurarem enveredar por actividades laborais alternativas.

Caro(a) amigo(a), para enveredar pelo ramo da pirataria só concebo duas hipóteses. A primeira alternativa passa por adquirir uma embarcação em leasing, contraíndo para o efeito um empréstimo a 480 mensalidades, e indo praticar a pirataria marítima ali ao largo da Costa de Peniche usando como instrumento de persuasão uma arma de fogo de baixo custo, produto que pode facilmente ser adquirido em qualquer bairro social da região de Lisboa.

Em alternativa pode enviar o CV para a Direcção Geral de Impostos, anexando-o a uma carta de motivação, para candidatura a um cargo de inspector das Finanças.


Veja Jesus

Quem quer ver Jesus vem ao Blog do Katano. Toda a gente sabe disso. Há no entanto efeitos díspares como o daquela dona de casa que, num intervalo do "Você na TV", visitou o Blog e viu o Elvis e outro leitor ainda que jurou ter visto o cadáver de Jimmy Hoffa numa das fotos com neve tiradas pelo Xamane.


Tudosobrepenis

Pois... não sei... quer dizer... Será que alguém se baralhou ou será que isto afinal quer dizer que o Blog do Katano é um blog... do baralho?


teu pai eh o google

Google, o pai dos motores de busca, é afinal também pai de alguns cibernautas. Eu já tinha ouvido gente mais ou menos célebre afirmar perante as câmaras que a sua paternidade se dividia entre o Pinto da Costa e o Vítor Baía mas atribuir a paternidade ao Google é algo completamente diferente. Identificado o pai, subsiste no entanto a dúvida quanto à identidade da mãe. Será a Wikipédia ou a Britannica?

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Quem descobriu os Açores, os portugueses ou... os fenícios?


"uma estátua de pedra posta sobre uma laje, que era um homem em cima de um cavalo em osso, e o homem vestido de uma capa de bedém, sem barrete, com uma mão na crina do cavalo, e o braço direito estendido, e os dedos da mão encolhidos, salvo o dedo segundo, a que os latinos chamam índex, com que apontava contra o poente."

É com estas palavras que Damião de Góis descreve em 1567 na sua Crónica do Príncipe D.João uma misteriosa estátua encontrada na ilha mais a Ocidente do arquipélago dos Açores, a Ilha do Corvo, no séc XV e que terá sido destruída numa tentativa de a trazer para o Continente.

Pegando neste relato e juntando-lhe as moedas cartaginesas e um estranho medalhão também aqui descobertos, tal como uma misteriosa inscrição monumental numa rocha, o historiador Joaquim Fernandes defende no seu romance "O Cavaleiro da Ilha do Corvo" que o arquipélago dos Açores terá sido descoberto, não pelos portugueses, mas sim pelos fenícios ou pelos cartagineses.

É acerca deste tema que dedicarei a próxima série de artigos aqui no blog.

fotografia do Olhar Geracional

segunda-feira, dezembro 22, 2008

É só "ceguir" as setas


Quem depois do artigo do mês passado, sobre o Festival de Artes e Sabores da Maúnça, estiver interessado em ir visitar a aldeia do Açor mas não souber muito bem que estrada tomar nem tão pouco estiver munido de um GPS, não tem qualquer problema...

... é só "ceguir" as setas!

quarta-feira, novembro 12, 2008

Artes e Sabores da Maúnça - II

Retomando o tema do último artigo, o Sábado foi então centrado no Festival de Artes e Sabores da Maúnça que decorreu na serra na já famosa aldeia de Açor.


À tarde houve contudo tempo para uma pequena incursão até à Serra da Gardunha para investigação com vista à recolha de elementos para a exposição do próximo Sábado e para recolha de cogumelos e castanhas. Tudo isto em meio a uma montaria organizada no âmbito da inauguração de instalações para uma Associação de Caçadores, esses simpáticos senhores que deixam a sua marca na paisagem na forma de latas que deixam supor que se chamam todos Ramirez ou de cartuchos vazios que, de forma inteligente, decoram vários recantos das serranias. No entanto, diga-se em abono da verdade que são sem dúvida amantes incondicionais da natureza pois, pelo que constatámos, já o relógio dobrara a uma da manhã e ainda se via faróis dispersos de automóveis na zona da montaria, um sinal claro de que os caçadores estavam com dificuldades em desvincular-se da natureza.

A incursão não foi propriamente bem sucedida mas sempre deu para investir sobre os muitos medronhos que sarapintavam o ambiente de vermelho. Na foto é bem visível o particular interesse do jovem Sam ao aprender que do medronho se faz uma aguardente de grande qualidade, isto enquanto o jovem Paulo cogita sobre as mil e uma formas de cozinhar um medronho.

"Aguardente? Onde é que se carrega?"

Também os cogumelos foram escassos mas, curiosamente, as pontuais descobertas de exemplares de Amanita Muscaria, ou Agário das Moscas, despertaram um intrigante frenesim entre alguns elementos do grupo. Só faltava mesmo a lagarta a fumar o seu narguilé em cima dos Agários...

Um belo exemplar de um fungo com alto índice de Ácido Ibotémico. A lagarta da Alice que o diga...



Chegou depois a hora de rumar ao Açor, conduzindo o veículo através de um interessante percurso todo-o-terreno. Escusado será dizer que todos os ocupantes do veículo adoraram a experiência e sentiram a adrenalina a correr-lhes pelo organismo. Aliás, a co-pilota chegou mesmo a afirmar "Nunca me diverti tanto como hoje, nem quando decidi ultrapassar 2 camiões em Espanha com vários veículos a circular em sentido contrário a uma distância pouco recomendável!".

Chegámos finalmente ao Açor, pequena aldeia que a tradição coloca na rota das Invasões Francesas, num episódio que, na Eira dos Três Termos, terá tido o seu climax aquando do enfrentamento entre franceses e a guerrilha local. Também a tradição popular situa nessa época a origem do misterioso "fenómeno" da Eira dos Três Termos, ainda hoje sem explicação e o qual abordarei em artigo próprio.

Sobre o Açor conta-se que, aquando da aproximação das tropas francesas, a população cobriu a Igreja (hoje bastante alterada) com ramos de giesta e silvas, já que se tratava do único edifício branco da aldeia ao contrário das moradias que eram em xisto e se confundiam na paisagem.


Na aldeia, o festival desenrola-se autenticamente de uma ponta à outra da aldeia, com as inevitáveis tasquinhas, umas melhor conseguidas que outras em termos de decoração e ambiente, onde é muito difícil resistir à tentação de percorrer todas elas mais que uma vez.

O jantar foi talvez mais atribulado que o desejado. Tendo-nos deliciado com um original prato de lombinhos de porco com castanhas e mel, em duas doses que afinal era três, decidimos repetir. Contudo, o stock havia-se esgotado e tivemos de nos contentar em terminar a refeição com uma bela chouriça assada. Pelo meio houve ainda espaço para uma demonstração de boa vontade da cozinheira que foi desencatar carne sabe-se lá onde e que no-la apresentou acondicionada numa espécie de tupperware onde quase se podia ler "HACCP sucks!".


A castanha, fruto omnipresente no festival



Uma reconfortante paragem para provar o tradicional "Café de borras"



O delicioso bolo de castanha em meio de um caleidoscópio de cores e sabores dispersas em dezenas de bolos e garrafas de licores tão inusitados como o licor de amora, de bolota e de carqueja...



Outro ângulo da questão


Aspecto de uma das tasquinhas mais concorridas



O cenário junto ao Forno Comunitário, onde algumas simpáticas senhoras se atarefavam a cozer pão. Um pouco mais longe, a casa museu toda ela recuperada e que merece sem dúvida uma visita.



Animação de rua, uma constante do festival



Uma pausa antes de atacar o licor de maçã.... e o de amora também.... ok, e também o de framboesa...

O regresso fez-se novamente pela Maúnça, agora em modo nocturno, percurso que levou a que, em alguns momentos, fossemos acompanhados por vários coelhos velozes e zigzagueantes. A edição 2008 já lá vai, venha a próxima! Merece bem a visita.

terça-feira, novembro 11, 2008

Artes e Sabores da Maúnça

O fim-de-semana ficou marcado por mais uma edição do festival Artes e Sabores da Maúnça, na aldeia do Açor. Como acontece todos os anos, a população mobilizou-se para, durante dois dias, criar um ambiente único onde os visitantes pudessem, ao longo de várias tasquinhas com maior ou menor cunho tradicional, ir deliciando os olhos, o paladar e o olfacto num carrossel de cores e sabores.

A primeira foto tirada no Açor é, contudo muito particular. Um verdadeiro 2 em 1. Faz uma alusão a um dos produtos mais típicos da região, o mel, ao mesmo tempo que lança mais uma farpa na acalorada discussão em torno do Acordo Ortográfico.

Ficamos pelo menos a saber que, atrás deste cartaz, há mel e há aguardente de mel...

segunda-feira, setembro 29, 2008

O nosso amigo do peito, Hugo Chavez

Quem esteve atento às notícias dos últimos dias sabe que Hugo Chavez veio a Portugal buscar um excesso de stock do pináculo da tecnologia lusa: o computador Magalhães (curiosa esta escolha do nome de um português que não teve condições de trabalho em Portugal e teve de ir trabalhar para Espanha) para além de ter encomendado a construção de algumas dezenas de milhar de casas.

Para além de exuberantes demonstrações de amizade para com a nossa elite política, especialmente para o nosso Primeiro Ministro, tido nalguns sectores
como o mais sério dos políticos, (o que nos faz pensar se não terão tirado o curso juntos), Chavez não se furtou mais uma vez a um protagonismo incontrolável, tecendo mais algumas considerações sobre os estado-unidenses e a sua política externa.

Abro aqui um parêntesis para confessar que, quanto mais vejo e oiço Hugo Chaves, mais penso que ele e Alberto João Jardim terão sido separados à nascença. A diferença é que um tem petróleo e o outro tem ananases (*).

Retomando a linha do artigo, a meio das suas considerações sobre os EUA, Chavez anunciou que esperava muitas mudanças na América e confessou o seu profundo desejo de ver finalmente os estado-unidenses a viver sob uma verdadeira democracia. Uma afirmação pertinente de Chavez pois, como se sabe, a Venezuela é um país que vive sob os auspícios de uma excelente democracia, tão musculada quanto o actor que é hoje governador da Califórnia, e onde todos são felizes, principalmente se forem amigos de Hugo Chavez ou tiverem um poço de petróleo no quintal... Creio que, o mais aconselhável será, caso tenham um poço de petróleo no quintal, serem também amigos de Hugo Chavez, não vá a democracia ter ali um soluço.

Seja como for, Chavez afirmou a sua intenção de retomar o diálogo com os EUA e com os estado-unidenses, palavras que não deixam de ser algo contraditórias se tivermos em conta o discurso inflamado que, o auto-assumido Simão Bolívar dos tempos modernos, proferiu há cerca de duas semanas (especialmente a partir de 1,55m):




Deixo a questão: há algum cidadão dos EUA que abdique do seu amor próprio para retomar o diálogo com Chavez depois disto? (Esta questão exclui os cidadãos dos EUA que participaram no filme Borat, claro)

Um muito obrigado à Cláudia pela "dica" ;)

(*) NOTA - Uma investigação independente conduzido por leitores / colaboradores do Blog do Katano concluiu que o cultivo de ananases se faz, em grande escala, no arquipélago dos Açores e não no da Madeira, ilhas onde existem sim muitas bananas. Esta é só mais uma diferença, entre muitas, que distinguem as duas regiões insulares. A título de exemplo posso citar o facto de os Açores ainda serem território nacional português.

No entanto, estamos em condições de avançar que, na ilha da Madeira, existe pelo menos uma árvore de ananases, especificamente na cidade de Funchal. Não sendo propriamente uma regra, esta ocorrência valida de imediato o pressuposto exposto neste artigo.

sexta-feira, maio 16, 2008

Pequena massagem ao ego

As fotos do dia.

Vilarinho das Furnas, Gerês.
Aldeia submersa desde 1971 pelas águas da albufeira da barragem que, para além das pedras, lhe tomou também o nome.






Serra da Estrela, algures entre as pistas de esqui e a Lagoa Comprida.






Alto da Maúnça, Açor.





Outra de Vilarinho das Furnas



Foi um dia agradável...

quinta-feira, abril 26, 2007

Vasco Lourenço, Capitão de Abril (em entrevista)


A propósito do 25 de Abril, o Blog do Katano ouviu uma das vozes da Revolução, um dos responsáveis pela liberdade em que vivemos após 50 anos de ditadura.

O Tenente-Coronel Vasco Lourenço nasceu no ano de 1942 em Castelo Branco. Em 1960 ingressou na Academia Militar e pertenceu à Arma de Infantaria. Combateu na Guerra Colonial, tendo cumprido uma comissão militar na Guiné de 1969 a 1971.

No dia 25 de Abril de 1974 era capitão nos Açores. Membro activo do Movimento dos Capitães, pertenceu à Comissão Política do MFA (Movimento das Forças Armadas). Nesta condição foi nomeado para o Conselho de Estado (24 de Julho de 74), passando mais tarde a integrar a estrutura informal do Conselho dos Vinte e a partir de 14 de Março de 1975 tornou-se membro do Conselho da Revolução, funções que manteve até à extinção deste órgão, em 1982.

Passou à reserva a 20 de Abril de 1988, no posto de tenente-coronel mas sempre se tem mantido atento à evolução de Portugal após a Revolução, com uma grande intervenção na sociedade portuguesa.
Actualmente, pertence à direcção da Associação 25 de Abril, desde a sua fundação e é permanentemente solicitado para congressos e/ou discussões sobre a Revolução, dentro e fora de Portugal.


1.
Blog do Katano: O que significa para si a palavra liberdade?

Vasco Lourenço: Liberdade é a capacidade que nós temos de decidir por nós próprios tendo em consideração alguns princípios de que essa decisão terá de ser influenciada por alguns vectores nomeadamente que a nossa liberdade termina onde começa a dos outros. Não há liberdade absoluta, tal como não existe nada absoluto na vida.

Acho que deve haver uma diferença entre liberdade e libertinagem, porque nós temos de ter a capacidade de decidir por nós próprios, de acordo com os nossos princípios e com aquilo em que acreditamos, mas tendo em conta que cada um dos elementos da sociedade tem direito à mesma liberdade, não podendo a nossa liberdade condicionar a dos outros.


2.
B.K.: Foi isso que o levou, portanto, a participar na conspiração para a Revolução. Não temeu em algum momento que fossem descobertos pela PIDE? Quando começou todo esse ambiente de conspiração não pensou duas vezes ao inicio?
V.L.: A liberdade foi de facto o vector fundamental que nos fez movimentar, e a mim próprio também, para a conspiração e para o derrube do regime fascista e colonialista que existia. Não só a liberdade, como outros factores. Nomeadamente, a Guerra Colonial, que nos influenciou decisivamente, dando-nos um motivo para arrancarmos, porque chegámos à conclusão que a solução da guerra não era uma solução militar, como nunca é, dado que as soluções têm de ser políticas, têm de ser encontradas com base no diálogo, e, portanto, mostrando-nos também a necessidade de derrubar um regime que estava a impor uma guerra pela guerra em si. E verificou-se que isso só era possível numa situação de liberdade e democracia, havendo portanto uma interligação entre as várias razões que nos levam para a conspiração e para o 25 de Abril.


Quanto ao receio, ele existe sempre. Mas, primeiro, sempre fui um indivíduo que não penso muito nos perigos e não é pelo facto de haver perigos que eu deixo de fazer aquilo em que acredito. Aliás, em termos pessoais, tenho uma particularidade, porque é quando as situações estão mas “quentes” que me sinto mais calmo e melhor. Depois, a nossa experiência de guerra ajudou-nos extraordinariamente a avançar, a organizar e a enfrentar as situações complicadas.


Só um louco ou um inconsciente é que nunca sentiu medo. A sensação de ter medo é de morte mas depois é muito melhor a sensação em que se conseguiu vencer o medo. Durante a conspiração, nós tivemos a noção de que a PIDE (não só a PIDE como também os Serviços de Informações Militares, toda a estrutura militar em si, que era aliás o primeiro obstáculo que nós tínhamos para a conspiração ainda mais do que a PIDE) existia e era perigoso e portanto tentámos arranjar antídotos, e o maior que nós encontrámos, e que penso que foi extraordinariamente feliz e que nos permitiu avançar para a conspiração e irmo-nos organizando até chegarmos a uma situação em que
pudemos dar de facto o golpe final no regime, foi a criação de uma bandeira, que era a recuperação do prestigio das forças armadas.

Nós sempre dissemos que estando as forças armadas desprestigiadas perante a Nação portuguesa, nós, como militares, tínhamos obrigação de recuperar o prestigio das forças armadas e então andávamos a discutir esse problema da recuperação do prestigio das forças armadas e isso fazíamo-lo de frente, directamente, com os mais altos responsáveis militares, e dizendo “Vocês também são militares, venham às reuniões”, mas eles diziam sempre que não.

Tive várias situações em que fui chamado ao Comando da Região Militar de Lisboa e ao Ministério do Exército mesmo, em Dezembro de 73 e em que fui confrontado por andar em reuniões e eu assumi-as, dizendo que era para discutir o desprestigio das Forças Armadas. O Secretário de Estado da Defesa e do Exército era também militar (coronel) e eu dizia-lhe: “O senhor também é militar, venha à próxima reunião” ao que ele me respondia que não estava interessado, dizendo-lhe eu que fazia mal e que os assuntos que andávamos a discutir eram do interesse dele.

E isso permitiu irmos depois demonstrando aos militares que estavam menos conscientes em termos de políticos que a questão do prestigio das forças armadas tinha muito a ver com a questão política e esse salto qualitativo nós damo-lo ali por alturas de Janeiro/Fevereiro de 74. A partir daí houve mais alguns cuidados mas também, nós, tínhamos a noção que tínhamos força e que o poder tinha receio em meter-se directamente connosco porque existia a Guerra, nós éramos um grupo grande de militares de quadros intermédios dentro do exército, fundamentalmente, e portanto eles precisavam de nós para manter a guerra.

Nós criámos aquilo que eu chamo a nossa bomba atómica: em Outubro de 73 recolhemos declarações escritas em que se pedia a demissão do Oficial do Exército (deixando a data e branco) e se entregou em mãos. Nós, Comissão Coordenadora, recolhemos para cima de 700 pedidos individuais. O próprio Marcelo Caetano disse, quando soube isto, que o fim estava próximo.




3.

B.K.:Mas foi toda uma desconfiança à volta disso que gerou a sua ida para os Açores.

V.L.: Eu estava referenciado como o conspirador, como o responsável da conspiração há bastante tempo. Eu próprio, até pela minha maneira de estar, não escondia muito. Houve necessidade, ainda em fins de Setembro, no início da conspiração, de ir entregar um documento ao Marcelo Caetano, e eu fui lá, dando logo a cara. Não fui recebido por ele mas pelo seu adjunto militar e portanto ficámos logo referenciados (apesar de eu estar referenciado há já bastante tempo).


A seguir à última grande reunião que nós fizemos, no dia 5 de Março de 74, em Cascais, e em que tomámos medidas firmes de que ia ser feiro o golpe militar, de que ia ser elaborado um programa político, eles souberam disso e tentaram reagir. E então foram aos que estavam detectados (inclusivamente eu era o responsável pela estrutura da ligação e pela estrutura operacional) a uma linha de informação que ia de mim até uma das unidades, que tinha quatro capitães, e esses quatro capitães (eu incluído) foram transferidos, três para as ilhas e um para Bragança.

Portanto, é de facto uma retaliação que tentam fazer, que é uma retaliação relativamente fraca, feita numa altura em que já estamos muito bem organizados, a nossa estrutura organizativa já está bastante bem implantada no terreno, (apesar de dentro da estrutura eu ser uma peça fundamental), eu já a tinha organizado suficientemente para poder continuar mesmo sem mim. Eu costumo dizer que se me tivessem feito isso em Janeiro não havia 25 de Abril, pois o processo ainda não estava suficientemente organizado para que pudesse continuar na mesma.



4.

B.K.:Essa sua ida para os Açores teve a oposição do Movimento das Forças Armadas e foi como uma simulação de um rapto.

V.L.: Exactamente. Eu, no dia 8, recebi ordem de embarque no dia seguinte para os Açores, transferido. Rapidamente descobri que havia mais três capitães: um para outra ilha dos Açores, outro para o Funchal e o outro para Bragança.


A Comissão Organizativa reuniu com alguns elementos da Marinha e da Força Aérea e, após uma longa reunião, decidimos que o Movimento se ia opor à nossa transferência e ia impedir o nosso embarque, para provocar conflito. Então, decidimos simular um rapto para salvaguardar os que iam ser transferidos, que teoricamente até queriam embarcar e iam cumprir a ordem de embarque mas os outros é que não deixavam.

Decidiu-se, então, simular um rapto. Mas acontece que os elementos da Marinha que estiveram nessa reunião, num debate muito profundo, conseguiram convencer os do exército a deixá-los contactar o Ministro da Marinha para tentar que ele interferisse junto do Ministro do Exército para a anulação da ordem. Às 3h da manhã acordaram o Ministro e disseram-lhe “Senhor Ministro, há aqui uma situação complicada.

O Ministro do Exército ordenou a transferência de três capitães para as ilhas. O Movimento não vai permitir isso. Convença lá o Ministro do Exército a anular a decisão porque senão vai haver uma grande confusão, um tumulto”. O Ministro da Marinha contactou imediatamente vários ministros e entraram de prevenção rigorosa. Isso veio criar dificuldades ao plano que nós tínhamos, que era o rapto e depois uma manifestação de generais no Ministério do Exército, no Terreiro do Paço, para mostrar solidariedade com os “raptados” e estar contra a decisão do Ministro, exigindo a anulação da decisão.

Como na prevenção rigorosa todos os militares têm de ir para os quartéis, foram todos chamados e decide-se então fazerem-se mini manifestações das unidades junto dos respectivos comandantes. Éramos para ser três “raptados”, mas fomos só dois porque o terceiro não saiu a tempo de casa e a autoridade militar apanhou-o e meteu-o num avião para Angra do Heroísmo. Os outros dois tinham saído de casa a tempo para serem raptados. No meu caso, eu vivia no Estoril e fui alertado às 5h da manhã pelo Sanches Osório do que se estava a passar. Assim, saí de casa e fui ter com o meu raptor que vivia em Oeiras, que era o Otelo. Acordei-o às 6h da manhã e disse-lhe “Rapta-me!”. (risos)

Estivemos escondidos nesse dia e no mesmo dia à noite decidimos entregar-nos. Ficámos os dois presos juntamente com um Oficial que me foi entregar. No dia seguinte fui levado para a Trafaria, onde estive até ao dia 15, quando fui levado para os Açores.


No dia 6, precisamente a seguir à minha saída, dá-se a tentativa das Caldas da Rainha, que é feita dentro do Movimento mas de uma forma muito pouco planeada, muito mal organizada, que sofre directamente com o facto de eu não estar presente, porque eu era o responsável operacional e responsável por toda a ligação e, não tendo sido ainda substituído, a ligação não funcionou. Mas esta tentativa é provocada em grande medida pela nossa prisão e depois pela demissão dos generais Costa Gomes e Spínola.



5.
B.K.: Então no dia 25 de Abril de 1974 estava nos Açores?

V.L..: Estava nos Açores, que é o que eu não perdoo aos fascistas, terem feito com que eu não estivesse aqui no dia da Revolução, no centro dos acontecimentos, provavelmente a comandar as operações militares. Não ter estado aqui no centro dos acontecimentos no dia 25 de Abril é uma frustração que me vai acompanhar para toda a vida.


Eu era o responsável operacional e fui substituído pelo Otelo. Com ele correu tudo bem, comigo não sei como teria corrido. Nos Açores já estava preparado para intervir caso houvesse necessidade. Nós tínhamos previsto algumas hipóteses de necessidade de intervir.

Combinei com o Otelo uma mensagem que ele me enviou através de um telegrama, tendo-o enviado para a sogra do Melo Antunes, pois o Melo Antunes estava também comigo nos Açores. No dia 24 chegou um telegrama via CCT normal que dizia: “Ti Aurora segue Estados Unidos da América 25 03 00 Um abraço primo António”. Portanto, o que interessava era o 25 03 00 porque sabíamos que era a data inicio do golpe nessa noite seguinte.



6.

B.K.: E nos Açores foi necessária alguma intervenção?

V.L.: Não houve nenhuma necessidade. Nós tínhamos decidido que eu e o Melo Antunes assumíamos o comando e prenderíamos o comandante militar. Deu-se a coincidência de eu estar como Oficial de serviço nesse dia e chamei um responsável nosso para tomar conta da unidade se houvesse necessidade.


Preparámo-nos para intervir mas não houve necessidade porque o comandante militar aderiu, não logo de imediato mas o importante é que nunca se opôs. Tivemos sempre a controlar a situação e achámos que só devíamos ir para medidas radicais se houvesse mesmo necessidade disso.


Apesar de termos tudo preparado para prender o comandante, no dia 26 nós exigimos que ele tomasse uma posição e ele aceitou obedecer às ordens da Junta de Salvação Nacional. Não houve necessidade de intervir nem de prender ninguém, tal como aqui se veio com armas com a decisão de só as usar se houvesse necessidade, nós lá tivemos o bom-senso de evitar situações mais complicadas.



7.
B.K.: E relativamente aos valores adquiridos no 25 de Abril, não teme que de alguma forma o típico conformismo português venha a por em causa alguns desses valores?

V.L.: Essa é a grande questão que se coloca permanentemente, e em relação à qual eu tenho muitas desilusões. Em primeiro lugar, quando falamos em 25 de Abril, quando dizemos que ele continua ou que ainda está vivo, eu costumo dizer que considero o 25 de Abril uma revolução vitoriosa, porque todos os objectivos que nós tínhamos antes do 25 de Abril foram alcançados.


Podemos dizer que se alguém, antes do 25 de Abril, nos dissesse que tínhamos a situação que temos hoje, isso até ultrapassava as perspectivas optimistas que tínhamos na altura: terminou-se a guerra, deu-se uma situação política para a guerra, ajudou-se a que a independência dos novos países lusófonos fosse mais rápida e isso é um ponto muito positivo no 25 de Abril.

Há democracia, formal, pelo menos, há liberdade e acabou-se a repressão directamente, porque se encontraram novas formas de repressão, de condicionamentos, novas censuras.
Desde sempre, nós sonhámos sempre com mais, com uma sociedade melhor e até se conseguiu já mais do que temos hoje, isto é, já houve alguns aspectos em que existiu uma regressão. E hoje estamos numa crise bastante razoável, em que volta a haver um fosso grande entre os mais ricos e os mais pobres, o número dos mais ricos diminui apesar do valor da riqueza aumentar, o número dos pobres aumenta, a classe média tem vindo a diminuir e a perder poder, o desemprego aumenta de forma desastrada e o poder económico tem uma supremacia sobre o poder político que é uma coisa absolutamente inaceitável.

No entanto, não podemos comparar o que existia antes do 25 de Abril com o que existe hoje, na medida em que hoje estamos incomensuravelmente melhor, mas o que é facto é que também já estivemos melhor depois do 25 de Abril do que estamos hoje. Há perdas na prestação de alguns serviços, na saúde, na educação, e outros. Mas, sem dúvida, estamos melhor que antes do 25 de Abril.

A seguir ao 25 de Abril, houve uma participação muito intensa das pessoas, viviam-se os problemas, discutiam-se e faziam-se plenários nas empresas, nos locais de trabalho.



8. 

B.K: Talvez as pessoas tentavam recuperar um pouco o que não tinham conseguido ao longo dos anos.

V.L.: Sim, sim, tentando recuperar e tentando ganhar coisas, alcançar uma série de conquistas que felizmente algumas ainda perduram.
Mas esta participação hoje diminuiu bastante e uma das mágoas que tenho do Portugal de hoje foi ter visto, por exemplo, que quando há um primeiro referendo que se faz (ndr: esta entrevista ocorreu antes do último referendo), houve uma abstenção enorme e eu acho que é criminoso as pessoas absterem-se num problema desses.



9.

B.K.: Há, portanto, uma grande falta de participação cívica?

V.L.: Sim, falta de participação cívica. Assiste-se hoje a um aumento da abstenção na chamada democracia representativa, na democracia formal, mas, ao mesmo tempo, dá-se um aumento muito forte da participação cívica noutro tipo de actividades, em associações, por exemplo, que contrabalança a abstenção na parte da democracia formal.


É preciso cruzar as várias participações democráticas, porque só votar e deixar que os outros façam por nós não chega. E a participação em associações diversas é uma participação democrática, com muito peso, que tendo vindo a aumentar por toda a Europa. Em Portugal temos assistido a um aumento da abstenção na participação na democracia formal e não assistimos a um aumento semelhante ao que se verifica na Europa, apesar do aumento relativo nos últimos tempos.


Felizmente, nas últimas eleições, os portugueses deram um grito de revolta, participaram outra vez e pararam o aumento da abstenção. Espero que isto alerte as pessoas e as leve a reagir e a participar. Aliás, nós aqui na Associação, estamos sempre a dizer “Participem! Venham para o terreno defender os vossos interesses, defender aquilo em que acreditam!”. Pode-se não conseguir nada de imediato, mas sempre se ganha algum coisa.



10. 
B.K.: E agora, numa altura em que as pessoas são livres de votar e de fazer escolhas, é quase um contra-senso quando por vezes se diz “Quem nos dera de novo Salazar”. O que suscitam em si essas afirmações?

V.L.: Acima de tudo ignorância. Ás vezes há uma sensação de insegurança e há pessoas que preferem ter uma segurança muitas vezes fictícia, metendo-se dentro do seu casulo, abdicando de tudo o resto. Uma pessoa dessas, na minha opinião, não é um ser humano.


E depois confundem-se as coisas. Por exemplo. O aumento da droga, a sida: isso não tem nada a ver com haver Salazar ou não haver Salazar, com o haver repressão ou não haver repressão! O problema grave, e que essas pessoas não percebem, é que, antes do 25 de Abril, esses problemas existiam na mesma, só não eram conhecidos.

Eu prefiro estar inserido numa comunidade internacional do que estar “orgulhosamente sós”, como era a teoria de Salazar. A censura proibia a publicação das noticias, não era dos comentários políticos nem das opiniões políticas, porque isso as pessoas já nem se atreviam a fazer. E como as pessoas não conheciam, não tinham informação, até julgavam que viviam no paraíso, mas os problemas existiam na mesma.

Eu procuro não me deixar levar pelo politicamente correcto e portanto gosto de dizer o que penso em todas as circunstâncias e em relação a isso, eu só admito que existam dois tipos de pessoas que prefiram Salazar ou uma repressão: ou os que estão no poder e têm a sua própria liberdade, tirando a dos outros, e que querem mais poder, ou os ignorantes, os pobres de espírito.

segunda-feira, junho 12, 2006

Não massacrem mais a bandeira nacional - IV - A 4ª Dinastia


Com a restauração da independência nacional em 1640, a bandeira sebastianista de escudo português (terminado em arco de círculo) encimado pela coroa real fechada (agora com 5 arcos em vez de 3), persiste como símbolo nacional. As únicas alterações que sofre até 1834 são a inclusão de um gorro púrpura na coroa, simbolizando um estatuto imperial e, por alturas do reinado de D. João V, o escudo é estilizado à maneira barroca, em voga na altura, sendo agora um escudo terminado em arco contracurvado.

Durante este período ocorre contudo uma alteração temporária significativa. Durante o reinado de D. João VI, com a afirmação do Brasil como reino dentro de uma "federação portuguesa" e consequente denominação de Reino Unido de Portugal, Algarve e Brasil, a bandeira sofre uma importante modificação.

Sob o tradicional escudo português é colocada pela primeira vez uma esfera armilar que simboliza o novo reino do Brasil, um pouco à semelhança da actual bandeira do Reino Unido que apresenta a cruz de braços diagonais escocesa sob a cruz inglesa para representar dois reinos dentro do mesmo Estado.

Com a morte de D. João VI e definitiva independência do Brasil, a esfera armilar é retirada.


Em 1830, com a vitória dos Liberais sobre os Absolutistas na Guerra Civil de 1832-1834, é instaurada uma nova bandeira cuja alteração em relação à anterior se prende com a divisão do fundo em duas cores: azul e branco. A bandeira tinha exactamente metade de cada cor e o escudo assentava no centro da bandeira com metade sobre cada uma das cores.

Como reconhecimento do facto de os Liberais terem usado os Açores como base de partida para tomarem o poder no continente, ainda hoje a bandeira açoriana tem como cores de fundo o azul e branco.

Esta bandeira seria abandonada com a instauração da República em 1910 sendo, no entanto, a bandeira que ainda hoje os monárquicos consideram como legítima e representiva do país.




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