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sexta-feira, novembro 08, 2013

Maúnça 2013 - Que ninguém se atreva a faltar!


Tem hoje início a 13ª "Mostra de Artes e Sabores da Maúnça", certame onde a castanha assume um papel de destaque mas não só. As ruas e caves da aldeia do Açor, bela terra feita de gente hospitaleira, irão animar-se com cores, aromas e sons que prometem um fim-de-semana em grande.

Para aguçar o apetite, partilho aqui uma amostra do que foram as últimas edições:





acor11


acor4

acor7

domingo, outubro 27, 2013

A imagem do fim-de-semana: Vamos a eles?


Assim vai ser esta tarde. São servidos? ;)

domingo, setembro 22, 2013

A imagem do fim-de-semana


Como todos os anos acontece por esta altura, o fim-de-semana foi dedicado às vindimas na propriedade do "Chateau Caetanô". Contas feitas, mais de uma dezena de toneladas colhidas e uma grande dor de braços e costas como recordação. Vale o pensamento de que tudo o São Martinho fará esquecer ;)

terça-feira, maio 28, 2013

31km a pé pela Gardunha!

A festa de Nossa Senhora da Orada, que acontece sempre no 4º Domingo de Maio, foi em tempos o foco de uma das romarias mais importantes da região, levando a este pequeno recanto da Serra da Gardunha inúmeros fiéis. Pelos trilhos da serra, os romeiros convergiam até ao santuário da Senhora da Orada, local reputado não só pelo milagre que teria estado na base da própria construção da ermida, mas também pela água que ali brota numa fonte, reputada de milagrosa e associada ao relato de várias curas prodigiosas. Disto falarei num próximo artigo.

Numa iniciativa "2 em 1", que serviu de continuação da preparação para o desafio que nos espera já daqui a menos de duas semanas e ainda para evocar a memória da importância desta romaria na tradição e no imaginário lendário da Serra da Gardunha, partimos da aldeia de Alcongosta, num percurso de ida e volta que nos levou a percorrer mais de 30km.


A primeira parte do percurso fez-se pela PR1 - Rota da Cereja, subindo depois até à Penha onde se fez uma primeira pausa para retemperar forças e admirar a paisagem. Uma subida pela escadaria talhada na própria rocha, por cima da famosa "gruta", permite uma excelente vista a 360º. 


Panorâmica do troço realizado, entre o posto de vigia e a Penha...


... e o troço que se segue, na continuação da crista granítica da Gardunha.

Após algumas centenas de metros, o percurso passou a ser feito por corta-mato, seguindo a linha cimeira do maciço central da Gardunha, rumo ao ponto mais elevado desta serra. Trata-se de um percurso extremamente fácil, onde as zonas planas e floridas alternam com os blocos de granito.


Rumo ao topo!


Ao longe, a Estrela (ainda com neve) parece olhar com inveja para o colorido da Gardunha.




O ponto culminante da Serra da Gardunha que, não sei bem porquê, me faz lembrar a aldeia histórica de Monsanto. A mente humana às vezes tem destas coisas.


9km depois do ponto de partida, chegámos ao cume da Serra da Gardunha. Aproveitando a pausa, discutiu-se o caminho a seguir: descer rumo a Castelo Velho e Casal da Serra ou descer para a vertente NO, rumo à Portela. Ganhou a segunda opção, não porque tivesse menos 4km que a primeira mas porque (e a partir de agora escrevo com indignação digital) "o Benfica jogava a partir das 17h".

Passadas os primeiros momentos de dificuldade em o encontrar, acabámos por descobrir o caminho certo escondido entre giestas frondosas. A partir daí, sucederam-se vários quilómetros onde a paisagem estava toda vestida de amarelo, pontilhada aqui e ali por manchas violeta de rosmaninho.



Parte do grupo perdido num mar amarelo, indiferente aos indignados apelos à continuação do percurso por parte da falange benfiquista da comitiva.

O rosmaninho quebra a monotonia da paisagem pela cor e pelo aroma inconfundível.

Finalmente, depois de um rápido reabastecimento de água na nascente do Ribeiro Frio, chegámos à Portela, encruzilhada a partir da qual parte a calçada antiga que desce até à Senhora da Orada. Diz a tradição popular que esta calçada demorou apenas uma noite a ser construída pelo mais improvável dos empreiteiros. Vale a pena recordar a lenda clicando aqui.

A calçada que há alguns anos foi enterrada vai aos poucos voltando à superfície.

Meia hora depois, cerca de 15km após o início do percurso, atingimos finalmente a ermida da Senhora da Orada onde assistimos na primeira pessoa ao milagre da regeneração energética que uma série de belas bifanas bem regadas operou em nós. Para mim o regresso a esta festa teve um significado especial pois já aqui não vinha havia mais de 25 anos.

Depois do almoço, fizemos um pequeno percurso pelo recinto que, diga-se de passagem, é um sítio belíssimo e muito bem cuidado. Como é óbvio matou-se a sede na fonte santa mas, infelizmente, por desaprovação geral, não cumpri um dos objectivos: o de mergulhar a carteira na água para verificar até que ponto esta é mesmo milagrosa.


O rancho folclórico de São Vicente da Beira diante da ermida


Dentro do santuário, perfilam-se vários ex-votos, figuras de cera que representam graças recebidas e fecham o ciclo de uma promessa feita à Senhora da Orada. Representam o objecto da graça pedida e concedida pela Santa: a cura de uma criança ou de uma parte do corpo.


Quantas recordações de romarias passadas haverá neste olhar?



A Senhora da Orada é objecto de um carinho especial por parte da população das redondezas. 


Há uma parte importante da tradição que se mantém. As famílias levam consigo as merendas e algumas acampam autenticamente no local, quer imediatamente à volta do santuário, quer nos campos circundantes.

Aqui o grupo separou-se. Maior parte regressou de carro ao Fundão mas ainda houve quem decidisse regressar a pé, subindo de novo rumo à Portela para daí descer ao longo da ribeira do Tormentoso, rumo a Casal de Álvaro Pires e, pela Rota dos Moinhos, rumo ao Souto da Casa.


Um olhar para trás mostra o vale do Tormentoso imerso também ele em amarelo.


Após vários quilómetros, finalmente o Souto da Casa surgiu no horizonte. O pior foi ter a noção que se iriam seguir alguns quilómetros de subida acentuada.

A partir do Souto da Casa, a estrada asfaltada que leva a Alcongosta foi descartada pelo desgaste que este tipo de piso provoca. A opção recaiu sobre o caminho que sobre rumo ao Picoto, local onde durante uma pausa fomos informados de resultados desportivos que nos levaram a endereçar um pensamento solidário para com alguns companheiros de caminhada que haviam regressado de carro.

O Picoto acaba por ser um local interessante, tanto pela vista que daqui se alcança como pelo facto de se tratar de um local de interesse arqueológico, provavelmente relacionado com o castro de São Brás cujas ruínas estão bem próximas.

Após 1km, o percurso acabou mesmo por ter de ser feito pela estrada, por entre pomares de cerejeira a perder de vista, até Alcongosta, a capital da cereja. 


Sobre os pomares, o céu apresentava um aspecto interessante


No meio de um vale cheio de cerejeiras, eis Alcongosta!

segunda-feira, maio 20, 2013

Imagens da última etapa da Grande Rota da Transumância



A Grande Rota da Transumância começou no passado 1 de Maio e terminou ontem, ligando as planícies do concelho de Idanha-a-Nova que bordejam o rio Tejo aos planaltos estivais verdejantes da Serra da Estrela. Tratou-se de uma excelente iniciativa de cooperação intermunicipal (Guarda, Idanha-a-Nova, Fundão,  Castelo Branco,  Covilhã, Manteigas e Seia) que, tendo como objectivo a promoção dos produtos locais agro-pecuários, recriou os milenares trajectos da transumância, os corredores de circulação sazonal dos rebanhos, verdadeiras artérias de alimentação da economia das comunidades de outrora. 

O toque de originalidade desta iniciativa teve a ver exactamente com a ligação íntima às práticas da transumância, desde já na forma das próprias caminhadas, que foram feitas na companhia de um rebanho, experimentando depois as várias actividades associadas (tosquia, produção de queijo,...), assim como os sabores.

Não tendo tido oportunidade de participar nos percursos anteriores, consegui felizmente participar no último troço que ligou a zona de Manteigas a Penhas Douradas. Digo felizmente porque deu para tudo: para apreciar um passeio numa zona lindíssima, para participar em excelentes momentos de convívio, reencontrar caras conhecidas (inclusive uma ex-colega de curso que já não via há cerca de 10 anos!), deliciar-me com o pequeno-almoço e um belo almoço tradicional e, last but not the least, recordar com uma certa melancolia os momentos de infância em que acompanhei o meu avô paterno na sua actividade de pastorícia.

O percurso acabou por ser curto, infelizmente, menos de 10km percorridos acima dos 1.000m de altitude (1.500m nas Penhas Douradas), mas nem isso obsta a que sejam dados os parabéns à organização.

Partilho aqui algumas imagens desta jornada de boa memória:



Concentração na Cruz de Jugadas. Após alguns minutos de espera chega o rebanho.


O rebanho estava bem guardado por dois cães da Serra tão mansos quanto fotogénicos


Subida do rebanho para o planalto do Campo de São Romão ou Campo Romano - I

Subida do rebanho para o planalto do Campo de São Romão ou Campo Romano - II


Subida do rebanho para o planalto do Campo de São Romão ou Campo Romano - III


Chegada ao Campo de São Romano ou Campo Romano, onde diz a tradição popular, terão sido encontradas moedas "do tempo dos Césares", assim como vestígios de fortificação, actualmente desaparecidos.


Todo o planalto está actualmente ocupado por searas de centeio.


Os "atiradores furtivos" camuflados pelo centeio.


Entre duas searas, o amarelo das giestas e o rosa da urze (ou érica) cobrem as encostas que se avistam ao longe, tudo coroado pelo branco da neve que caiu nos últimos dias. 

Os caminheiros não se deixaram intimidar pelo frio e aderiram em cerca de meia centena.

Passagem pela Pousada de São Lourenço







Embora chamados ovelhas, os bichos revelaram-se grandes rebeldes, obrigando aqui e ali a um maior esforço por parte dos pastores!








Finalmente, Penhas Douradas à vista!

Um casal de Manteigas extremamente simpático, posando junto a uma "alminha". Durante o almoço foi um prazer sentar-me com eles e ouvir histórias de outros tempos.



O Cão da Serra não serve necessariamente para guardar ovelhas. Também os fotógrafos têm de ser vigiados de perto!


Entrada no bosque para a última meia hora de percurso




Pastores modernos em momento de pausa.


Passagem pela famosa estação meteorológica das Penhas Douradas.




O grande Proença, fotógrafo oficial da Rota da Transumância, mostrando os seus dotes de polícia sinaleiro.


Uma ovelha juvenil, com o freio de desmame, saboreando um belo gelado com sabor a erva

Chegada à colónia infantil de Penhas Douradas, os pastores e o rebanho despedem-se dos participantes


Atente-se no ar resoluto da equipa transumante!


Foto de grupo (parcial)!


Para já os rebanhos pastam nas altitudes em sossego até ao fim do Verão, sendo que em Setembro terá início o percurso inverso, partindo da Serra rumo às planícies da Idanha, percurso que será articulado com o Festival Chocalhos, de Alpedrinha. Alguém se atreve a perder esta oportunidade?

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