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quinta-feira, maio 09, 2013

Benfeita, a aldeia das 1620 badaladas da Torre da Paz


Na aldeia de Benfeita, no concelho de Arganil, o aniversário da rendição alemã que pôs termo à II Guerra Mundial é comemorado de forma muito peculiar a cada ano que passa, no dia 7 de Maio, data em que terá chegado à aldeia a notícia do fim das hostilidades na Europa. A tradição dita até que terá sido esta uma das primeiras povoações portuguesas a receber a notícia.

Com o trauma da I Grande Guerra ainda bem vivo no espírito da população portuguesa e em sinal de gratidão pelo facto de Portugal se ter conseguido manter neutral durante a II Guerra Mundial, a população de Benfeita resolveu construir uma torre sineira para que os seus sinos tocassem no dia em que os combates chegassem ao fim. Inicialmente chamada de Torre Salazar, para "comemorar a paz portuguesa e homenagear o Chefe do Govêrno e a sua clarividente e quasi milagrosa política internacional, que preservou a nossa pátria dos horrores da guerra", esta torre foi construída graças a uma campanha de recolha de donativos para a qual contribuíram privados e entidades públicas, como as Câmaras Municipais de Figueira da Foz ou Viana do Castelo.

Numa homenagem 2 em 1, durante duas horas de cada 7 de Maio, o Sino da Paz toca automaticamente 1620 badaladas do alto da rebaptizada Torre da Paz, celebrando o fim da II Guerra Mundial com a memória do número de dias correspondentes aos 54 meses que durou a I Guerra Mundial. Evoca-se portanto o fim do medo com a memória amarga dos dias em que os combatentes portugueses perderam a vida nas trincheiras da Flandres e nas selvas africanas.


sexta-feira, maio 03, 2013

A transumância está na ordem do dia!

Esta manhã era este o cenário em frente ao Museu Tavares Proença Júnior, em Castelo Branco.
(Foto: Célia Domingues - Jornal do Fundão)

Prosseguiu hoje, em Castelo Branco, a grande Rota da Transumância, um projecto inter-municipal que arrancou no passado dia 1 de Maio e que pretende recuperar e dinamizar a memória das vias da transumância (a migração pastoril sazonal), que outrora ligavam as planícies a Sul da Gardunha com as encostas da Serra da Estrela, convidando os cidadãos a caminharem ao lado dos rebanhos. Esta é uma viagem que não será apenas uma sucessão de percursos pedestres mas sim uma viagem a um Portugal quase esquecido, uma homenagem à cultura e às tradições agro-pastoris das Beiras.


Castelo Branco, passagem pelo arco do Jardim do Paço.
(Foto: Célia Domingues - Jornal do Fundão)


O percurso foi dividido em várias etapas, não necessariamente contíguas, que irão sendo gradualmente cumpridas até ao próximo dia 19 de Maio, quando os rebanhos chegarem às Penhas Douradas, em pleno maciço central da Estrela. Até lá o programa será o seguinte:

Dia 3: Nossa Senhora de Mércoles - Castelo Branco
Dia 4: Lardosa - Soalheira
Dia 5: Soalheira (Rota da Pastorícia)
Dia 6: Alpedrinha - Fundão
Dia 10: Covilhã
Dia 11: Valhelhas - Fernão Joanes
Dia 12: Srª do Soito - Fernão Joanes
Dia 18: São Gabriel - Manteigas
Dia 19: Manteigas - Penhas Douradas.

Notável tem sido também o esforço na divulgação desta iniciativa. Por exemplo, no passado dia 30 de Abril, o programa televisivo matinal "Praça da Alegria" foi todo ele dedicado à Grande Rota da Transumância e contou com a participação de algumas caras bem nossas conhecidas.

Vale a pena saber mais no site oficial da iniciativa em www.transumancia.com e, já agora, rever a emissão do "Praça da Alegria" neste link http://www.rtp.pt/programa/tv/p29811/c115618/291440 (a partir dos 12 minutos, sensivelmente).

segunda-feira, março 04, 2013

A tradição do Ramo de Santo António

O Ramo de Santo António é uma tradição que se cumpre em regra no chamado "Domingo Gordo", o último Domingo antes do Carnaval. Nesse dia, os "mordomos", percorrem as ruas das povoações, transportando uma vara ou mastro, indo de porta em porta para "pedir o ramo". Cada lar dá o seu contributo para o ramo, em regra chouriças, mas também há quem dê pão, broa ou apenas dinheiro. 

A data não é escolhida ao acaso pois era geralmente entre Dezembro e Janeiro que as famílias faziam a "matação" do porco, estando por isso os fumeiros domésticos bem recheados. Actualmente, a suinicultura doméstica chegou ao fim mas a a recolha do ramo não terminou.




No final do percurso, que pode ser demorado em função da hospitalidade dos habitantes, a população junta-se para leiloar as peças recolhidas. A verba obtida reverte depois para a comissão fabriqueira local que, tradicionalmente a deveria aplicar na festa de Santo António a ter lugar no Verão, daí a referência a Santo António.

No último fim-de-semana, juntei-me à comitiva que, na aldeia de Vale d'Urso e com uma interpretação flexível do calendário, saiu para a rua para pedir o ramo. Em processo de desertificação, a aldeia diminuiu no seu número de habitantes mas não na sua generosidade e hospitalidade. No final, praticou-se uma alteração positiva da tradição: substituiu-se o leilão pela entrega voluntária de 5 euros por parte de cada um e, logo de seguida, organizou-se uma bela patuscada, bem regada diga-se, para ser também ela dividida por todos os que quisessem participar. Esta fechou com chave de ouro, na forma de uma deliciosa canja de tordo!

Partilho aqui algumas fotografias para deleite dos olhos e da imaginação gustativa!














segunda-feira, dezembro 24, 2012

Postal oficial de boas festas do Blog do Katano

Agora que temos a certeza de ter sobrevivido ao Fim do Mundo pela 6ª ou 7ª vez (pelas nossas contas), aqui fica o postal oficial de Boas Festas do Blog do Katano, para a época 2012/2013, aproveitando ao mesmo tempo a ocasião para desejar a todos os nossos amigos, familiares, amigos familiares, familiares amigos, rostos familiares, rostos familiares amigáveis, visitantes sem rosto, visitantes sem rosto amigáveis, visitantes pouco familiarizados e demais não tão apreciadores do Blog do Katano quanto isso, uma boas festas e um ano de 2013 recheado de coisas boas. 

NDR: Este desejo relativo a 2013 é válido até ao próximo Orçamento Rectificativo.


terça-feira, dezembro 04, 2012

O Fundão voltou a encorrer os espanhóis!

Na passada noite de 30 de Novembro para 1 Dezembro, a população do Fundão cumpriu novamente a tradição de sair em arruada pela zona antiga da cidade para "encorrer os espanhóis". Seguindo atrás da Banda Filarmónica de Peroviseu e cantando o Hino da Restauração, os participantes percorrem o mesmo percurso, ano após ano.

A concentração para a arruada faz-se pouco antes da meia-noite diante da Câmara Municipal do Fundão, ao redor do pelourinho. A temperatura que se faz normalmente sentir desaconselha a impaciência e os mais madrugadores têm normalmente de se abrigar na "Nanda" ou no "Verdinho" para um retemperador café ou uma encorajadora jeropiga.

O Pelourinho do Fundão bem guardado. Uma reconstrução do século XX do original demolido no século XIX, do qual apenas se guardou a parte terminal.

Com o bater das 12 badaladas que se despedem Novembro e acolhem o dia da Restauração, devidamente acompanhadas pelo contar em uníssono pelos presentes, acende-se a iluminação de Natal do Fundão (de há uns anos a esta parte reduzida à Praça do Município por força das circunstâncias económicas) e a banda começa a tocar o Hino da Restauração:

Portugueses celebremos
O dia da Redenção
Em que valentes guerreiros
Nos deram livre a Nação.

A Fé dos Campos de Ourique
Coragem deu e valor
Aos famosos de Quarenta
Que lutaram com ardor.

P'rá frente! P'rá frente!
Repetir saberemos 
As proezas portuguesas.

Avante! Avante!
É voz que soará triunfal.
Vá avante mocidade de Portugal!
Vá avante mocidade de Portugal!


Nem todos conhecem a letra mas, com alguma boa vontade e umas cábulas estrategicamente distribuídas, lá se forma um coro satisfatório que parte rumo às emblemáticas ruas antigas do Fundão. 

A iluminação natalícia da Câmara Municipal do Fundão

O pelourinho decorado a preceito


Pelo caminho, há quem se atreva a assistir à janela ao passar da comitiva. Com os devidos agasalhos, claro!

O percurso termina no ponto de partida. Nesta altura percebe-se, pela dimensão mais reduzida da comitiva que a determinação em "encorrer os espanhóis" por parte de alguns participantes foi vencida pelo frio. Os "sobreviventes" voltam a concentrar-se entre o pelourinho e a Câmara Municipal para, desta vez, ser tocado e cantado o Hino Nacional.

O regresso à Praça do Município I

O regresso à Praça do Município II

Nova concentração entre o pelourinho e a Câmara Municipal

Uma cidadã fundanense anónima fazendo questão de registar o momento para a posteridade...

Tudo a postos para cantar o Hino Nacional!

A arruada deste ano contou com a simpática presença de uma grupo de jovens espanhóis que, apesar da temática da arruada, não se coibiram de participar e de gritar um impertinente "Viva España!" no final. No fundo eles próprios gostariam por esta altura de poder "encorrer" alguns dos seus conterrâneos. 

Finalmente canta-se o Hino. O coro é algo desafinado mas o que conta é a alma com que se canta. Alguns monárquicos, uns mais a sério do que outros, com bandeira e tudo, fazem questão de aproveitar a ocasião para lembrar que ainda há quem sonhe com o regresso da Monarquia. Politiquices à parte, que a meu ver nada trariam de novo ao cidadão comum, há que saudar o fair play de quem, sendo monárquico, não se abstém de entoar a Portuguesa, o Hino "republicano" que substituiu o Hino da Carta em 1911.

A Portuguesa, versão 2012


Até Martim Calvo o "povoador" de meia espada parece espantado com tamanho fragor!


Qual é afinal a origem desta tradição?

A origem desta arruada perde-se na memória. Se perguntarmos a qualquer fundanense com mais idade, a resposta será invariavelmente "já o meu pai ou avô não se lembrava de quando começou". É possível que esta tradição remonte mesmo à época da Restauração, dados os antecedentes da união ibérica de 1580 a 1640.

Então, com a sorte do Reino a decidir-se no confronto entre os espanhóis e os leais a D.António,  prior do Crato, o Fundão aderiu à causa deste último que se mostrou simpático para as pretensões da povoação em separar-se do concelho da Covilhã e ser elevada a vila, formando com isso o seu próprio concelho. Aliás, o Fundão não esperou e, unilateralmente, declarou-se como vila!

Ora a 22 de Novembro de 1580, a pretexto da visita de um meirinho da Inquisição, vindo de Lisboa, que chamando um outro meirinho da Covilhã, quis prender os cristãos-novos do Fundão, a população sublevou-se sob o comando do Capitão Estêvão de Sampaio, vereador do Fundão na Covilhã, expulsando violentamente os meirinhos, em defesa dos "seus" cristãos-novos e aproveitando também para vincar ali a sua posição de autonomia. Foi Sol de pouca dura. Tanto o Santo Ofício como as próprias autoridades da Covilhã abateram-se mais tarde com mão de ferro sobre o Fundão, resultando em processos que duraram cerca de 2 anos.

Com a derrota do prior do Crato na batalha de Alcântara, esfumou-se também o sonho de autonomia fundanense que terá sem dúvida ganho novo alento com a Restauração de 1640. Seria preciso esperar até 1747 para finalmente cumprir o sonho de criação do Concelho do Fundão mas, sem dúvida, o fim do reinado dos "Filipes" em Portugal terá sido efusivamente celebrado como um sinal de mudança e de esperança no futuro desta aldeia que sonhava ser vila. Terá começado por essa época a realização da arruada? É uma hipótese, que vale o que vale.

Já no século XX, no cumprimento da tradição, os espanhóis que a arruada queria encorrer passaram a ser escritos entre aspas. Espanhóis eram todos aqueles que o povo queria ver bem longe, não podendo no entanto manifestá-lo abertamente. Mais que uma celebração, tornou-se uma declaração política pública camuflada.

Hoje, mais que nunca, ocorre-me uma série de "espanhóis" que bem gostaria de ver longe do país. Também me ocorre que já seria tempo de se homenagear um tal de Estêvão Sampaio, herói do Fundão, que me parece ser uma figura muito mais relevante que Martim Calvo. Não concordam, fundanenses?

quarta-feira, novembro 14, 2012

A não perder: Míscaros - Festival do Cogumelo, no Alcaide

Tem início já depois de amanhã mais uma edição do Míscaros - Festival do Cogumelo, uma iniciativa que resulta de uma admirável agregação de esforços entre a população da aldeia do Alcaide, a Liga dos Amigos do Alcaide, Junta de Freguesia local e Município do Fundão, e na qual os cogumelos são os verdadeiros reis da festa.



Assim, ao longo de 3 dias, quem visitar o Alcaide poderá deliciar-se com mil e uma formas diferentes de cozinhar cogumelos mas não só. A aldeia vai encher-se de tasquinhas com uma infindável oferta de cores, aromas e sabores, estarão presentes grandes nomes da culinária e, como todos os anos acontece, será confeccionado e servido aos visitantes o tradicional arroz de míscaros, tudo isto sempre com muita música e animação pelas ruas. Uma tentação, sem dúvida! .



No Domingo a oferta incide sobre a questão da identificação e recolha de cogumelos, havendo também lugar para a apresentação de um novo projecto que promete dar que falar: a Cogus Box! 


Como sempre acontece, haverá autocarros a assegurar o transporte de visitantes entre o Alcaide e o Fundão.

Encontramo-nos por lá?

quarta-feira, outubro 31, 2012

A não perder: Mostra de Artes e Sabores da Maúnça, no Açor!


Faltam apenas 10 dias para a XII Mostra de Artes e Sabores da Maúnça, no Açor, a minha festa de Outono favorita (sem desprimor para o festival Míscaros, ao qual também não faltarei e do qual em breve farei divulgação também!).

Durante dois dias, os visitantes poderão deliciar-se com os pratos em que a castanha é ingrediente de destaque, os licores, a jeropiga, o bom pão caseiro, bem à maneira da nossa avó,... tudo isto nas diversas tasquinhas espalhadas pela aldeia que, apesar de fisicamente pequena, é enorme pela hospitalidade das suas gentes. 

Para quem está ainda indeciso, deixo aqui uma pequeníssima amostra de alguns dos "argumentos" deste festival...

O "miau" com mel!

Os enchidos não podiam faltar!

Este pão é fantástico. Se for acabado de sair do forno, então,... é daqui! (Agora estou a segurar o lóbulo da orelha direita com o indicador e o polegar da mão direita, efectuando subtis movimentos oscilatórios, pretendendo com isto dizer que o pão é de facto de elevada qualidade)

Programa:

Exposição (Dias 10 e 11 de Novembro) 
"À Descoberta das Abelhas – O Sabor do Mel" 

Sábado, 10 de Novembro 
Animação de rua 
   Fado Serrano (fado brejeiro) 
   Grupo de Cantares da Escola Secundária do Fundão 
   Grupo Ponto de Interrogação 
15.00h – 16.30h Magusto Comunitário 
21.00h Acordeão em Espetáculo – Patrícia Santos, João Paulico e Inês Paulico (Música Tradicional Portuguesa e do Mundo) 

Domingo, 11 de Novembro 
8.30h Raide Fotográfico da Castanha 
Animação de rua: 
   Bombos da Casa do Povo do Souto da Casa 
   Grupo de Cantares Ponto e Linha do Souto da Casa 
   Associação de Acordeonistas da Beira Baixa 
15.00h – 16.30h Magusto Comunitário 

Transportes 
Haverá autocarros gratuitos no sábado e domingo, a partir do Fundão (Praça Amália Rodrigues) para o Açor (campo de futebol) e vice-versa. No sábado haverá autocarros com partida do Fundão às 15.00h e às 19.00h e do Açor para a cidade às 18.00h e às 23.00h. No Domingo haverá um autocarro com saída do Fundão às 11.30h e regresso às 17.30h.



terça-feira, setembro 18, 2012

Algumas fotografias do festival "Chocalhos" 2012

Desta vez, e por força das circunstâncias, não tive oportunidade de experimentar a noite dos Chocalhos e portanto, a minha vistia a Alpedrinha resumiu-se a uma breve incursão vespertina dominical que, ainda assim, deu para regalar os olhos... e a barriga, claro! Porque o festival é acerca da Transumância, foi muito gratificante ver os efeitos, ainda que para já muito simbólicos, da adesão do Fundão à Grande Rota da Transumância, nomeadamente com a presença no Chocalhos da Guarda, Idanha-a-Nova, Castelo Branco e... Malpartida de Cáceres, povoação extremenha onde se fez um trabalho verdadeiramente notável neste campo. 

Voltando ao lado mais "mundano" dos Chocalhos, aqui ficam alguns instantâneos registados na tarde de Domingo:


"Bombistas" por todo o lado no largo do Chafariz de D. João V!


O mesmo cenário mas em ângulo inverso, como nos jogos de futebol televisionados.


Quase se consegue imaginar o Vitorino a cantar "Ovelha, estás à janela...!"

Barraquinhas, tascas, bancadas e património histórico são inseparáveis durante os Chocalhos.


Idem aspas

O "nosso" esparteiro José Martins Mendes, o "Zé da Encarnação" de Alcongosta, que, praticamente com 90 anos, continua a praticar a sua arte intemporal. Uma das suas peças foi premiada com o título de melhor peça de artesanato deste festival.

O Palácio do Picadeiro onde fomos encontrar a recém-devolvida imagem de São Jorge.

E, para fechar, algo completamente diferente: "Sob a Égide do Estado Novo"

Até para o ano!

segunda-feira, setembro 17, 2012

Os fenómenos paranormais da Gardunha em destaque!

Os fenómenos paranormais da Serra da Gardunha estiveram novamente no centro das atenções no passado fim-de-semana (8 e 9 de Set.). Tratou-se do Gardunha Fest, uma iniciativa da Histérico - Associação de Artes, que teve como prato forte um concurso de curtas-metragens. Mas nem só de filmes se fez o festival.

Foto: Moagem - Cidade do Engenho e das Artes / CMF

As "hostilidades" começaram no Sábado com um conjunto de palestras sobre "O Paranormal e a envolvência da Gardunha" na qual tive ocasião de participar, após gentil convite da organização, ao lado do historiador Paulo Loução, do historiador Pedro Salvado e do jornalista do Jornal do Fundão, Nuno Francisco, no papel de morador. Pode-se dizer que, depois do que me tem vindo a acontecer de há uns meses a esta parte, me estou a tornar especialista em fenómenos paranormais mas não foi sobre isso que me debrucei. Aproveitando as informações que tenho vindo a recolher desde 2008, partilhei uma série de histórias e lendas da zona da freguesia do Souto da Casa e a coisa pareceu-me ter corrido bem. Aliás, o facto de apenas ter avistado uma pessoa a dormir no final da apresentação é a prova disso!

No que toca ao concurso de curtas pode-se dizer que houve poucas mas boas! Os prémios foram sem dúvida bem atribuídos nas categorias de animação e ficção enquanto que na categoria de documentário, havendo só uma participação, não se pode estabelecer um termo de comparação.

Na categoria de ficção o camarada Luís Batista não deixou os seus créditos por mãos alheias e explorou muito bem a velha crença de que as encruzilhadas são sítios "perigosos". Um aspecto curioso deste filme é a evocação, creio, de uma receita contra maus-olhados, usada aqui como bruxaria, na qual se fazia uma reza à medida que se ia deixando pingar azeite sobre um prato com água. A forma como o azeite se dividia sobre a água determinava a intensidade do mau-olhado de que a pessoa, para a qual se fazia isto, padecia. Vale a pena ver:



Na categoria de animação o vencedor foi o trabalho intitulado "Spectrum Optical Disorder", de todos o que mais me agradou. Excelente conjugação entre imagem e música e locução impecável. Foi pena não ter podido ver isto com óculos 3D.


O documentário vencedor, "Ver é ter visto", é constituído por uma série de entrevistas a habitantes da aldeia de Castelo Novo que afirma ter avistado estranhos fenómenos na Gardunha. Esse foi aliás o mote das actividades planeadas para o serão.

À noite, a forte chuva que começou a cair obrigou a alterar o programa, naquilo que para mim foi uma gravíssima falha por parte da organização. Então planeia-se uma caminhada e uma sessão de observação "do astro" e permite-se chuva?! É um escândalo! Vá lá que o plano B foi bem engendrado e o documentário que estava inicialmente previsto para ser visionado na Casa do Guarda de Alcongosta acabou por ser projectado na Moagem.

Tratou-se de um episódio do programa sobre avistamento de ovnis, que há uns anos passou na RTP 2, intitulado "Encontros imediatos" (recordar aqui). Este episódio centrou-se na figura do Sr. Américo Duarte que durante os anos em que viveu em Castelo Novo, elaborou um vasto arquivo de registo de observações de objectos voadores e até de encontros imediatos do 3º grau. 

Apesar de achar que o Sr. Américo Duarte denotava alguma sintomatologia que encontra explicação em termos clínicos, não é menos verdade que se tratava de uma genuíno apaixonado pela Gardunha e conhecedor desta Serra como poucos. Não sei até se não será mesmo o habitante mais influente de Castelo Novo desde Pedro Guterri. Seja como for, a conversa entre os espectadores que se seguiu ao documentário foi extremamente agradável, e o que saltou à vista foi a quantidade de pessoas que afirmam taxativamente ter avistado fenómenos inexplicáveis na Serra da Gardunha.

Do último dia pouco vi, infelizmente, embora o suficiente para nessa noite ter repetidamente sonhado com um infindável por-do-sol e ter por isso acordado com o ritmo biológico completamente invertido.

Fica o registo de uma interessante iniciativa cuja organização merece bem os parabéns. Venha a 2ª edição até porque, para além da beleza natural e patrimonial, também o paranormal faz parte do encanto da Serra da Gardunha. 

sexta-feira, agosto 24, 2012

São Filipe, o Decapitado

Agosto, é o mês das festas e do regresso da massa emigrante na diáspora. Onde houver pelo menos duas casas juntas, é garantido que haverá uma festa, promovida a rigor com um cartaz que promete famosos e brilhantes organistas e acordeonistas de que ninguém ouviu falar, isto para não falar das inúmeras quermesses com fabulosos brindes. O superlativo é a nota dominante dos cartazes de fundo em "dégradé" que percorre todas as cores observáveis a olho nu.

Com o tempo, muitas das tradições destas festas populares se perderam, inclusive o costume de se leiloar o direito a transportar os andores com a efígies dos santos da terra, durante a obrigatória procissão. Tivesse esta tradição terminado mais cedo e o povo da aldeia de Paradanta teria sido poupado a um episódio constrangedor que envolveu a efígie de São Filipe, a família Filipe, e um emigrante atrevidote que não teve respeito pelo status quo.



A aldeia de Paradanta, terra notável que produziu gente de elevado calibre (não estou a dizer isto por saber que muitos paradantenses, donos de um físico algo intimidatório,  lêem o Blog do Katano), teve até há alguns anos atrás direito à sua festa religiosa. Ora, uma das efígies que compunham a procissão associada à festa era precisamente a efígie de São Filipe, oferecida à capela pela família Filipe local. Por inerência, instituiu-se a regra de que à família Filipe cabia transportar a efígie de São Filipe e, exactamente por isso, ninguém licitava nesta imagem a não ser a própria família Filipe que, assim, ganhava logo à primeira licitação.

Ora um belo dia, um emigrante que se encontrava por ali de férias decidiu contrariar o que estava instituído, tendo decidido que a família Filipe não levaria o santo por uma bagatela. Assim, mal começou o leilão que antecedia a procissão, começou a disputar com os Filipe o direito a transportar o andor do São Filipe. Conta quem estava por lá que, a dada altura, os valores começaram a ser impressionantes para aquilo que era habitual o que inclusive acabou por desmotivar o atrevido emigrante, tendo este desistido de licitar pois já não tinha dinheiro suficiente consigo.

Furiosos por tamanha e inesperada despesa, os Filipe entraram na capela e ergueram o andor de São Filipe, dirigindo-se em passo acelerado para a saída da capela. Irados que estavam com aquela insolente falta de respeito pelas regras instituídas, esqueceram os próprios Filipe outra das regras elementares da procissão da Paradanta: a necessidade de baixarem o andor ao passar pela porta da capela, já que esta não era suficientemente alta para permitir a livre passagem dos andores. 

Não só a família Filipe mas também todos os presentes devem ter gelado quando se ouviu o som inconfundível do embate da cabeça de São Filipe e esta rolou com santidade pelo andor, despedaçando-se no chão.



terça-feira, fevereiro 14, 2012

Dia de São Valentim não é dia de São Valentim se não visionarmos este vídeo

Por muitos anos que passem, não consigo deixar de pensar neste vídeo sempre que chega o dia de São Valentim. Um verdadeiro clássico que evoca melancolicamente uma época na qual tudo corria tão bem a estes pombinhos, e andavam de tão boas relações, que até iam aos Açores comer um borreguinho!


Feliz dia dos coraçõezinhos!

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Umas Cantadeiras... do Carais!


Na Vila de Caria, no Concelho de Belmonte, mora um grupo feminino de cantares que com um trabalho notável e já de longa data, tem ajudado a preservar o cancioneiro e a oralidade popular das comunidades rurais das Beiras. Falo das Cantadeiras de Caria.

As Cantadeiras foram fundadas e são dirigidas por Maria Alcina Patrício, uma senhora nonagenária que é um exemplo de vida e de vitalidade e que amiúde passa pelo escritório para me fazer uma visita relacionada com problemas informáticos, uma vez que possui um portátil que usa para comunicar com o Mundo por intermédio do Skype, e-mail e Facebook.

Ocasionalmente, as Cantadeiras, sobretudo a Dª Maria Alcina, fazem uma aparição na televisão. Aliás, creio que todos os canais abertos a convidaram para uma entrevista, tendo a última vez sido há apenas duas semanas no programa Portugal No Coração. Há pouco mais de um ano, as Cantadeiras participaram com o espaço de 2 ou 3 semanas no programa Praça da Alegria na RTP1, ocasião que tive a oportunidade de registar em vídeo:


Entre homenagens várias que lhes têm sido endereçadas, chegou-me hoje ao conhecimento uma completamente diferente criada pela inimitável família Moura, do blog Tunameliches. Em jeito de paródia natalícia, o Paulo, a Joana e a Mariana (ou será o Paulo, a Mariana e a Joana? Confundo sempre.) encarnam 3 personagens fictícias: a Maria Albina, a Marquinhas e a Emilinha Padecente, interpretando um renovado clássico natalício. O resultado é de ir às lágrimas.



sábado, dezembro 24, 2011

Boas festas!

Boas festas para todos vocês, são os votos da Junta Directiva do Blog do Katano, em directo do quentinho do madeiro da aldeia do Alcaide!!


segunda-feira, novembro 28, 2011

Madeiro de Penamacor - O maior madeiro de Portugal precisa do vosso voto!

Madeiro da aldeia de Fatela - 2010

Pela Beira Interior, Natal não é Natal se não houver Madeiro. Numa altura em que pelos adros das igrejas e capelas das povoações da Beira Interior, se vão em breve começar a acumular os troncos que iluminarão e aquecerão a noite de Natal daqui a sensivelmente um mês, eis que somos confrontados com a oportunidade de dar ainda mais visibilidade a esta tradição.

O Movimento SIM, criado pela Samsung para premiar a criatividade em Portugal, promoveu uma extensão do concurso para premiar também a tradição de Natal mais criativa. O Madeiro de Penamacor, o maior madeiro do país, surge entre os 3 finalistas onde se incluem também a Saída dos Reis de Vila do Conde e a Festa de Santo Estêvão de Ousilhão. O vencedor merecerá honras de uma curta-metragem realizada por Manuel Pureza.


O processo de voto é simples:
1 - Ir ao site do Movimento SIM em http://www.movimentosim.com/simnatal/
2 - Por baixo da foto do madeiro de Penamacor clicar em VOTAR
3 - Preencher e submeter os campos pedidos (nome, apelido e e-mail)
4 - Confirmar o voto no e-mail enviado para o endereço que referiram atrás



sexta-feira, novembro 18, 2011

Míscaros 2011 - Festival do Cogumelo - É hoje!!


A partir de hoje e até Domingo, a aldeia do Alcaide volta a estar no centro das atenções com a realização da 3ª edição do festival "Míscaros - Festival do Cogumelo".


Durante 3 dias, a música, o artesanato e a gastronomia vão tomar conta das ruas da povoação, prometendo muitas e deliciosas surpresas, sempre com os cogumelos como protagonistas principais. Para os interessados, haverá ainda a possibilidade de participar em diversas actividades tais como passeios micológicos pelas cercanias do Alcaide e workshops de cozinha.

Para evitar confusões de trânsito, haverá um serviço contínuo de transporte por autocarro entre o Alcaide e o Fundão.


PROGRAMA

Sexta-Feira, 18 de Novembro

18H00_Live Cooking - Cooking.LAB ( abertura do festival)
19H00_Workshop
- Migas de azeite com rodelas de chouriço - Cooking.LAB
20H00_Live Cooking
- Chef Duarte Batista
21H30_Workshop * - Spaghetti de vinhos licorosos com doce de ovos - Cooking.LAB
22H00_Live Cooking - Chef Igor Martinho
22H30_Live Cooking - Cooking.LAB
23H00_Workshop - Cubanito libre - Cooking.LAB

Animação de Rua
- Bombos Alcaide - Bombos Souto da Casa - Foles da Beira - Acordeonistas - Xaral´s Dixie - Manta de Ourelos - D´bozinon (Esp) - Kumpania algazarra



Sábado, 19 de Novembro

10H00_Passeio Micológico* - Eng. Gravito Henriques
11H00_Workshop *- Caviares de mel com waffles - Cooking.LAB
12H00_Live Cooking - Cooking.LAB
14H00_Live Cooking - Chef António Nobre

Animação de Rua - Bombos Alcaide - Bombos Donas - Foles da Beira - Acordeonistas - Xaral´s Dixie - Hipotética - organillo (Esp) - Cottas Club Jazz Band

14H30_Workshop - Spaghetti de compota com queijo/requeijão-Cooking.LAB
16H30_Workshop* - Esferas de cogumelos em base de tomate e tosta -Cooking.LAB
18H00_Lançamento/Apresentação - Revista Solisticio - Descobrindo

Animação de Rua -Bombos Alcaide - Bombos Capinha - Acordeonistas - Xaral´s Dixie - Hipotética - Organillo (Esp) - Gambuzinos

19H00_Workshop - Espuma de Cerveja com pop's de leitão - Cooking.LAB
20H00_Live Cooking - Chef Daniel Brito
21H00_Workshop* - Coulis de sumo de fruta com requeijão - Cooking.LAB
22H00_Live Cooking - Chef Augusto Gemelli
22H30_Live Cooking -Cooking.LAB
23H00_Workshop - Caipiroska Jam - Cooking.LAB

Domingo, 20 de Novembro

10H00_Caminhada Cores da Gardunha
10H30_Passeio Micológico* - Chef Valdir Lubave
11H00_Workshop *- lolipops de fruta com mel -Cooking.LAB
11H30_Live Cooking - Cooking.LAB
12H00_Live Cooking - Chef André Correia
13H00_Mega Almoço (Largo da Igreja)

14H00_Live Cooking - Cooking.LAB

Animação de Rua -Banda Filarmonica Peroviseu - Bombos Alcaide - Foles da Beira - Bombos Barroca - Acordeonistas - Xaral´s Dixie - Bombos Alcongosta - D´Bozinon (Esp) - Adufeiras Penha Garcia

15H00_Live Cooking - Chef Valdir Lubave
15H00_Workshop *- Spaghetti de frutas com bola de gelado - Cooking.LAB
16H00_Live Cooking *- Chef Nuno Queiroz Ribeiro
16H30_Workshop *- Esferas de queijo com vinho - Cooking.LAB

Todos os dias -Parque Aventura - Rappel na Torre - Carrossel - contadores de Historias



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