Mostrar mensagens com a etiqueta fotografia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta fotografia. Mostrar todas as mensagens

sábado, dezembro 14, 2013

A imagem do fim-de-semana precisa de legenda

Apesar de uma ou outra ideia para legendar esta imagem, registada junto à aldeia de Martim Branco, decidi que desta vez seriam os leitores a sugerir a legenda. Sendo assim, que legenda atribuiriam a esta imagem? Podem comentar via Facebook ou aqui no Blog do Katano.

Legenda:______________________________________

sábado, dezembro 07, 2013

Nem os mais corajosos aqui entram!


Em Caria, nem todos os avisos são tão acolhedores como que aqui publiquei há uns tempos (ver aqui). Outros há, como o retratado neste instantâneo, que desaconselham de forma explícita a entrada, embora com uma abordagem muito peculiar do uso da ortografia. Será para aumentar o efeito intimidatório ou será apenas mais um caso de dúvida explícita na aplicação do novo acordo ortográfico?

segunda-feira, dezembro 02, 2013

Em Espanha, nem o Governo fugiu aos cortes

Começaram pela letra R.

Placa de sinalização rodoviária, Av. Cristobal Colón em Badajoz, 29-11-2013

De Badajoz ao santuário do grande deus Endovélico

Aproveitando um dia de folga, fomos até Badajoz, cidade espanhola situada nas margens do rio Guadiana sob a vigilância atenta de Elvas. Embora no geral pouco saibamos acerca de Badajoz, para além de, como diz a canção, estar à vista de Elvas e também de ter uma maternidade onde as portuguesas da zona raiana do Alto Alentejo têm de ir dar à luz, o que é certo é que esta cidade mudou a nossa história, ou não tivesse sido aqui que Afonso Henriques, o 1º rei de Portugal, tivesse sido forçado a terminar a sua carreira militar.

Para lá da Ponte de Palmas (séc XVI) sobre o Guadiana, rio que atravessa a cidade antes de receber as águas do rio Caia e de marcar a fronteira luso-espanhola, avista-se ao longe a cidade de Elvas. É caso para dizer, "Badajoz, Badajoz, oh Elvas à vista!". 

Badajoz foi em tempos capital de um dos muitos reinos islâmicos da Península Ibérica e palco de intensos períodos de guerra não só com os reinos cristãos vizinhos, como também com outros reinos islâmicos. A Alcáçova, o castelo de Badajoz, é a maior fortificação construída em taipa (terra batida) da Península Ibérica, e data do século XII, sucedendo a uma primeira fortificação do século IX construída por Ibn Marwan, o líder rebelde que fundou também Marvão. As sucessivas reparações e ampliações, acabaram entretanto por incluir outros materiais nas muralhas.

Badajoz entrou na nossa História quando, em 1169, Geraldo Geraldes "o sem pavor", que era uma espécie de canhão desgovernado da cristandade, decidiu tomar a cidade. Tendo conseguido tomar a muralha exterior, não conseguiu no entanto vencer a guarnição islâmica que se refugiou na Alcáçova. Vai daí, Geraldes pediu ajuda a Afonso Henriques para quebrar a última resistência dos infiéis, ao que o rei respondeu afirmativamente, comandando pessoalmente as suas tropas.

Porta do Capitel, com o típico arco de ferradura. A torre à direita é feita em taipa, com decoração a imitar silhares de pedra.

Quem não gostou da perspectiva de ver mais uma praça, da região que lhe caberia a si, cair em mãos portuguesas, foi Fernando II de Leão. Sendo assim, o rei leonês, que até era genro de Afonso Henriques, atacou os portugueses sitiantes, que não tiveram outro remédio senão retirar. Infelizmente para o rei português, ao passar a galope por uma das portas, bateu violentamente com uma perna num ferrolho e caiu ao chão. Com uma fractura (provavelmente exposta) não foi capaz de retomar a fuga e foi capturado, só voltando a ser libertado em troco de um resgate, da devolução de várias praças, entre elas Cáceres e Trujillo, e a promessa da renúncia a outras aventuras semelhantes. A partir daí, nunca mais Afonso Henriques foi capaz de montar a cavalo (há até quem diga que passou a deslocar-se numa carreta de madeira) e a regência foi passada para o seu filho, o futuro D.Sancho I. Diz a tradição que muitas vezes o 1º rei de Portugal terá recorrido às águas termais de São Pedro do Sul para aliviar as dores que passou a sentir.

Este episódio entrou na nossa História com o nome de "Desastre de Badajoz". Pelo menos foi essa a designação com que me foi contado na escola primária.


Aspecto das muralhas Oesta em taipa.

Vista sobre a Plaza Alta a partir da Alcáçova.

Entre vários edifícios de construção recente existentes na Alcáçova, desde a Biblioteca da Extremadura à Faculdade de Biblioteconomia de Badajoz, encontra-se um mais arruinado e de acesso um pouco mais difícil, a Torre de Calatrava, onde se encontra ainda aquilo que foi a sala de autópsias do antigo hospital militar. Já o primeiro piso está ocupado, segundo parece por uma sem-abrigo de origem portuguesa..


De regresso a Portugal, para prestar homenagem ao grande deus Endovélico

Cumprida a visita a Badajoz e a velha máxima de "Em Espanha, compra caramelos", regressámos ao nosso lado da fronteira para ir visitar um local que já estava há muito na nossa lista: o santuário de Endovélico, perto do Alandroal.

Chegar ao local revelou-se bem complicado. Tivemos numa primeira fase de ignorar os sinais que proibiam o trânsito pela N373 e, numa segunda fase, os avisos de propriedade privada e de aviso de perigo por haver gado à solta, já na entrada da propriedade onde se situa o sítio arqueológico. Pedimos mentalmente protecção ao grande deus lusitano e palmilhámos os últimos metros que nos separavam do sítio arqueológico.

Mais à frente demos de caras com o guardião do local, um macho bovino de apreciáveis dimensões, parado junto ao caminho e que nos fixava atentamente. Pareceu bastante indeciso quanto a deixar-nos passar mas, após os nossos pedidos insistentes, lá se afastou. No regresso já não seria assim.

O monte onde se encontram os vestígios do santuário e, mais abaixo à direita, o guardião do local.


Foi neste monte, tanto no topo como na encosta Este, que os romanos terão construído um templo dedicado ao deus Endovélico, uma divindade indígena tida como deus da medicina e da segurança e cujo culto se difundiu pelo próprio Império. Aqui foram encontradas no século XIX mais de 800 inscrições latinas e, mais recentemente em 2002, encontraram-se várias estátuas e inscrições nas valas de enchimento dos alicerces da desaparecida Ermida de São Miguel da Mota que ali se ergueu em tempos mais recentes, seguindo a tradição cristã os cultos a divindades pagãs pelo culto às figuras do seu próprio panteão.
Este templo terá sido um importante local de peregrinação da região romana da Lusitânia e incontáveis peregrinos, tanto de origem indigena como romana, aqui vieram cumprir os seus votos ao grande deus Endovélico. O local, tanto pela monumentalidade como pela paisagem que dele se avista, deve ter causado uma forte impressão a todos eles. Atrevo-me a dizer, por experiência própria, que ainda causa.

Fotografia do momento da descoberta das estátuas nas escavações de 2002. Foto: Portugal Romano


Vestígios de muros, junto ao marco geodésico no qual se encontra um texto que evoca o santuário de Endovélico.

As surpresas ainda estavam longe de ter terminado. No caminho de regresso, voltámos a encontrar o boi, que se aproximara ainda mais de nós e desta vez ocupava o próprio caminho. Para complicar as coisas, não foi possível convencê-lo novamente a deixar-nos passar e, por isso e por respeito ao animal, que provavelmente teve alguns dos seus antepassados sacrificados a Endovélico, optámos por encontrar um caminho alternativo.

O guardião do santuário de Endovélico, firme e imóvel no caminho de acesso.

De volta ao carro e à estrada, desta vez encontrando um desvio por terra batida para contornar o ponto em que a estrada N373 estava mesmo fechada, voltámos a Alandroal onde parámos para uma bela merenda, não sem antes dar um saltinho ao castelo da vila, recentemente alvo de obras de requalificação, que valorizaram realmente o espaço.

A partir daqui foi sempre viajar rumo ao Norte, apenas fazendo breves paragens em Vila Viçosa e Estremoz, local onde até as pedras da calçada são em mármore.


O interior do Castelo do Alandroal, com a igreja matriz.

Antigo perímetro amuralhado de Vila Viçosa, visitado pouco depois de termos bebido cafés que nos foram vendidos a 70 cêntimos cada, por um senhor que tivemos dificuldade em perceber por estar a comer uma sandes com mais conduto que pão e por o sotaque alentejano ser difícil de perceber quando usado com a boca mais cheia que a de um hamster com mais olhos que barriga.

Paço dos Duques de Bragança em Vila Viçosa.

Antiga estação de comboios de "Villa Viçoza", actualmente transformada em Museu do Mármore.

Centro histórico de Estremoz, correspondente ao antigo castelo. Tirando a parte caiada, o resto é mármore. Confesso que nunca tinha visto tanto mármore junto mas sendo Estremoz terra de renome na produção desta pedra (consta que até Saddam Hussein tinha uma enorme mesa feita com mármore de Estremoz) não será de estranhar.

Fotos das escavações e da cabeça de Endovélico: Portugal Romano

quinta-feira, novembro 28, 2013

Nesta casa entra-se e sai-se em boa companhia

Ali por Caria, na zona antiga desta vila beirã, por entre velhas casas de pedra onde, nas ombreiras das portas, se avistam aqui e ali as marcas atribuídas aos cristãos-novos, há uma dessas portas em particular que chama a atenção.


Se nesta casa só se entra em ilustre companhia, é certo que dela não se sai menos bem acompanhado, isto fazendo fé na recomendação que se encontra sobre a porta e que quase faz com que as cruzes que ladeiam a entrada passem despercebidas.

terça-feira, novembro 19, 2013

Um cogumelo do... katano

Há cogumelos, como este provável Cortinarius traganus, que têm uma certa piada quando admirados de um ponto de vista diferente. "E come-se?" perguntam vocês. A resposta é não, já que pode dar chatices. O melhor mesmo é comê-lo só com os olhos.



segunda-feira, novembro 18, 2013

Depois do Míscaros, fomos aos míscaros

Logo pela manhã, a Estrela parece estar a ser vigiada de perto por naves espaciais. Terão vindo admirar o primeiro nevão deste Outono?

Inspirado pela noite anterior no festival Míscaros, na aldeia do Alcaide, decidi dar um saltinho ao pinhal mais próximo para recolher mais alguns cogumelos para o jantar micológico entre amigos que se avizinha. Se há coisa que gosto de fazer no Outono, isso é sem dúvida passear pela paz das florestas aqui à volta e apanhar aquelas pequenas ofertas coloridas da natureza. Por outro lado, detesto chegar a um pinhal e ficar com a sensação que fui precedido por 300 javalis enraivecidos, que reviraram tudo, deixando atrás de si um cenário desolador.

Infelizmente, há recoletores que deixam o civismo em casa quando saem para o campo e, para além de deixarem o solo da floresta em pantanas (até a sachos recorrem!), dão-se ao luxo de arrancar e atirar para o lado os cogumelos que não lhes interessam, não pensando que aquelas espécies podem interessar a quem vier depois. Isto demonstra também um alto nível de ignorância no que diz respeito à importância dos fungos no contexto florestal. Muitos fungos são micorrízicos, isto é, ajudam a fixar nutrientes e água nas raízes das árvores, ajudando ao seu desenvolvimento. 

Ainda assim, no meio da devastação, foi possível encontrar alguns exemplares em muito bom estado e, usando roteiros alternativos, depressa enchi a cesta. O resto do tempo foi passado a identificar e fotografar alguns cogumelos bem fotogénicos, desde o míscaro amarelo até outras espécies que possuem a característica de permitirem que a pessoa que os consuma inadvertidamente saiba, com elevada precisão, quanto tempo tem de vida, geralmente não menos de 6 dias e não mais de 15. 


Míscaro amarelo / Tricholoma equestre


Um Cortinarius cuja espécie não identifiquei, talvez um Cortinarius armillatus. A cortina não deixa dúvidas quanto ao género.


Russula sardonia. Não é um cogumelo comestível mas, se a provarem (e deitarem fora!) vão constatar que é bastante picante.


Lactários, Sanchas, Raivacas ou Lactarius deliciosus para os amigos. No final da jornada descobri que, para além de salteados, também ficam muito bem quando grelhados e rematados com uns grãos de sal e um fio de azeite.


Míscaro amarelo / Tricholoma equestre outra vez


Sob um castanheiro, encontrei um pequeno "prado" de Ramarias, embora não tenha identificado a espécie. Não coincidem com as ramárias comestíveis que conheço e o tamanho é bastante reduzido.

Outro exemplar da mesma Ramaria.

quinta-feira, novembro 14, 2013

Assim foi a Mostra de Artes e Sabores da Maunça

Terminou em grande mais uma Mostra de Artes e Sabores da Maúnça que, durante o último fim-de-semana, fez da pequena aldeia do Açor o centro de todas as atenções. Mais uma vez, a festa não defraudou as expectativas e, pese embora a distância e o relativo isolamento da aldeia, vale sempre a pena -e de que maneira!- ir até lá.

As "hostilidades" tiveram início ainda no Sábado à noite, com um delicioso jantar na tasquinha do grande "Ti Tó", que serviu em quantidade e qualidade maranhos, chanfana e ainda uns belos bifinhos com castanhas, tudo devidamente rematado com um original pudim de castanha (e que bom que estava!) e com uma panóplia de licores. 

No Domingo de manhã, para recuperar da noite anterior, juntámo-nos a um simpático e animado grupo, no qual reencontrámos algumas caras bem conhecidas, para uma caminhada de 5km de regresso ao Açor. Foi um trilho que proporcionou algumas imagens de encher o olho, alguns momentos de aventura e agradáveis momentos de conversa que versaram sobre tudo um pouco, inclusive as invasões francesas que fazem parte da memória colectiva das gentes da Maúnça e estão intimamente ligadas a locais como a Eira dos Três Termos (onde existe um fenómeno) ou o sítio dos Valados.






Após o belo almoço na sede da associação local, impôs-se nova ronda pela aldeia, em busca das tasquinhas mas não só. Pelas ruas cheias de grande animação e de cheiros que parecem chamar por nós, o destino estava já definido: ir à procura do pão acabadinho de sair do forno e das filhoses feitas por mãos sabedoras, herdeiras do saber de incontáveis gerações.









Antes da despedida, e porque finalmente a encontrámos aberta, visitámos a casa-museu local. Trata-se de uma casa de habitação tradicional que foi recuperada mantendo o seu figurino original, com divisões minúsculas, uma cozinha com lareira ao centro e um banco corrido de madeira junto às paredes. Enquanto comentávamos aquilo que víamos, a senhora que tomava conta do local partilhou connosco: "É pequena não é? Custa a crer que uma mãe criou aqui 7 filhos. Uns dormiam no quarto, outros na "loja"... Olhe, era onde calhava, mas criaram-se."


Chegada a hora da despedida, optámos por regressar a pé pelo caminho através do qual tínhamos chegado de manhã, aproveitando para recolher alguns quilos de castanha e cogumelos ao longo do percurso. 

Fecha-se o capítulo do Açor, deixando já o encontro marcado para o próximo ano, e abre-se agora a contagem decrescente para o festival "Míscaros", que tem início já depois de amanhã. Vamos a isso?

quarta-feira, novembro 06, 2013

terça-feira, novembro 05, 2013

Em Malta, Portugal está em todo o lado!

Se perguntarmos o que têm em comum Malta e Portugal, aos mais desavisados possa ocorrer a resposta "Brucelose!". Embora essa seja uma resposta à qual eu não posso ficar indiferente, uma vez que cheguei a padecer dessa maleita durante alguns segundos (recordar aqui), ela não poderia estar mais longe da realidade. Na verdade, uma das coisas que mais nos surpreendeu em Malta foi a quantidade de alusões a Portugal, fruto da importância do nosso rectângulo na História deste arquipélago, que chegou a ter inclusive alguns governantes de nacionalidade portuguesa.  


Uma história que começa no século XIII

Desde a sua fundação como Ordem dos Cavaleiros Hospitalários em Jerusalém, a Ordem dos Cavaleiros de São João (de Malta) teve "apenas" 79 Grão Mestres. Nesta lista surgem 4 portugueses, sendo o primeiro D.Afonso de Portugal (no séc. XIII quando a sede da Ordem era ainda na Palestina), filho bastardo de D. Afonso Henriques. Desta lista de portugueses, aquele que mais relevância ganhou, sendo ainda hoje recordado na toponímia e em alguns monumentos de Malta, foi D.António Manoel de Vilhena (podem admirá-lo no retrato ao lado), Grão-Mestre entre 1722 e 1736.

Durante a sua governação, fomentou activamente a fortificação de Malta, enquadrando-se na "febre paranóica" que se seguiu ao Grande Cerco de 1565 e que transformou por completo o arquipélago. A ilha Manoel, junto a Valletta, é disso um bom exemplo, tendo herdado o nome do Grão-Mestre. Já agora, convém recordar que a capital maltesa foi também ela construída com um contributo avultado de 30.000 cruzados por parte do "nosso" D.Sebastião.

Vista da fortaleza da Ilha Manoel, junto a Valletta.

Ironicamente, como as pedras pouco valem sem os homens, quando o ainda general Napoleão chegou a Malta no final do século XVIII, a população acolheu-o como libertador, já que os Cavaleiros da Ordem se tinham tornado extremamente impopulares e eram vistos como opressores, e Malta entregou-se praticamente sem resistência. O pior viria depois.

Mas nem só de fortificações se ocupou Manoel de Vilhena. Teve ainda tempo para mandar construir o Teatro que ainda hoje tem o seu nome, o Teatro Manoel, e que é nem mais nem menos o 3º mais antigo teatro da Europa ainda em funcionamento. Realizou ainda várias obras de vocação caridosa. Tendo começado na sua governação a construção do subúrbio de Floriana, mandou que aí se construísse uma casa de acolhimento para mulheres solteiras pobres e outra para doentes incuráveis

Esquina do Teatro Manoel, o 3º mais antigo teatro da Europa ainda em funcionamento.



Sempre prontos a incomodar Napoleão!

No contexto da ocupação napoleónica, tal como aconteceria mais tarde em Portugal, os franceses anunciaram-se à população local em 1798 como libertadores. Bem acolhidos pelos malteses, tomaram o arquipélago praticamente sem resistência mas cedo começaram a mostrar que a promessa de liberdade era apenas uma ilusão.

Ora, sendo por natureza um povo temperamental, os malteses não acharam piada à ideia de trocar um opressor por outro, ainda por cima estrangeiro a viver à grande e à francesa, e revoltaram-se em massa,  depressa circunscrevendo os franceses à zona de Valletta.

Ao apelo maltês por ajuda internacional responderam os ingleses e... Portugal! Uma esquadra portuguesa foi despachada de Lisboa sob o comando de D.Domingos Xavier de Lima, Marquês de Nisa, tendo bloqueado os franceses em Valletta, fornecendo ao mesmo tempo armas e oficiais aos desorganizados revoltosos. A acção do Marquês, ignorando mesmo a dada altura as ordens do regresso da esquadra a Lisboa, foi fundamental para o sucesso da revolta, tendo merecido palavras de elogio dos malteses e ainda do Almirante Nelson. Uma lápide descerrada nos Upper Barrakka Gardens de Valletta, em 2008, é o símbolo desse reconhecimento.

Em Malta ficaram os ingleses, tendo abandonado o arquipélago apenas em 1964! 

Como uma Pedra de Roseta dos tempos modernos, este memorial trilingue recorda o papel dos portugueses na revolução maltesa que resultou na expulsão das forças napoleónicas, abrindo caminho ao estabelecimento da soberania britânica sobre o arquipélago. 


O Albergue de Castela (e Portugal, já agora).

A Ordem dos Cavaleiros Hospitalários era uma organização multinacional. Para harmonizar o seu funcionamento, dividiu-se a sua estrutura em agregações baseada nas línguas faladas pelos seus membros. As Langues (Línguas) como ficaram conhecidas essas agregações, eram inicialmente 8, tantas quanto as pontas da  Cruz de Malta, sendo cada uma delas responsável por um determinado aspecto de gestão da Ordem (Finanças, Justiça, Defesa, etc...). Inicialmente as línguas eram a Língua da Provença (França), a Língua da Alvérnia (Auvergne, em França), a Língua de França, a Língua de Itália, a Língua da Alemanha, a Língua de Aragão, a Língua de Inglaterra e a Língua de Castela e Portugal.

Cada uma destas Línguas tinha a sua própria sede em Valletta, os Albergues, para que aí ficassem alojados os membros da Ordem que não tivessem residência própria em Malta. O mais imponente destes edifícios é precisamente o Albergue de Castela (e Portugal), cuja construção se iniciou em 1574, 6 anos antes da efectivação da união política filipina de Portugal e Espanha. Na fachada vêem-se lado a lado as armas portuguesas e espanholas, sem dúvida uma declaração política que transcendia a própria Ordem de Malta.

O magnífico Albergue de Castela, antiga residência dos Cavaleiros da Língua de Castela e actual residência do Primeiro-Ministro de Malta, ostenta na fachada as armas portuguesas. Vejamos um pouco mais de perto. 


Lado a lado, as armas de Castela de Portugal.

O Albergue de Castela impressionou quem passou (e ainda hoje quem passa) por Malta após a sua construção, tendo sido escolhido para quartel-general das forças francesas e, após a expulsão destas, do governo inglês de Malta. Actualmente é a residência oficial do Primeiro-Ministro maltês.


Elementos dispersos

Para além da toponímia e da monumentalidade, encontrámos outros elementos avulsos que aludem de forma directa ou indirecta a Portugal. Aqui ficam dois exemplos.

Em Malta, existe o hábito generalizado de baptizar as casas, um pouco à semelhança daquilo que por cá se vê esporadicamente por aí. Junto às portas de entrada das casas, é frequente avistar-se uma pequena placa de cerâmica mais ou menos elaborada, com o nome da casa. Neste expositor há um portuguesismo que salta à vista. 


Este é um exemplo perfeitamente tendencioso e só para quem percebe do jogo da bola. Embora indirectamente, ninguém pode dizer que isto não faz parte da História do desporto português, pois não?

Retrato de António Manoel de Vilhena: Wikipédia

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...