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domingo, julho 06, 2008

Mais perto do objectivo...


Chegaram ao fim duas importantes etapas do projecto da exposição: a pesquisa nos arquivos do Jornal do Fundão e o cadastro fotográfico de todas as casas e construções utilitárias de interesse, etapa que teve o contributo decisivo do meu grande camarada Xamane.

O dia de hoje foi fértil em aventura. Depois do cadastro fotográfico do impressionante alambique centenário, houve ainda tempo para uma rápida incursão em todo o terreno até à crista da serra da Maúnça para a recolha de dados de georreferenciação do Forno dos Mouros, incursão que foi, segundo alguns testemunhos recolhidos na equipa, muito agitada... literalmente.

Tendo em conta que o camarada Xamane estava algo apressado, pela iminência da hora em que tinha compromissos noutras paragens, optou-se por se definir um trajecto em jeitos de secante, cortando pelo meio da vegetação arbustiva, sendo o percurso aberto à Katanada. Aproveito esta oportunidade para alertar os meus caros leitores, sempre que tiverem de ir proceder ao levantamento de dados, para efeitos de georreferenciação, em local rodeado de uma agressiva vegetação arbustiva, para se munirem de calças resistentes. Assim evitam alguns dissabores como o de ficar com as pernas transformadas numa espécie de mapa rodoviário de um país super desenvolvido.

Obviamente que não me estou a referir a nós, nem estou a querer insinuar que, no regresso a casa, tive, literalmente, de tomar banho com álcool devido à extensão dos arranhões mas trata-se tão somente de um conselho de prevenção.

Dissabores à parte, o projecto avança agora para a fase das entrevistas à população e para a definição da ÁRVORE GENEALÓGICA da povoação, um estudo que promete revelar algumas surpresas.

terça-feira, julho 01, 2008

A praga do Pé Descalço

Um dos problemas da Educação em 1956 ainda não era o facto de os alunos trazerem e usarem telemóveis mas sim o facto de não trazerem e não usarem sapatos. A Adidas, Nike e Camport eram ainda uma miragem.


S.R.
A Direcção do Distrito Escolar de Castelo Branco
Aos Senhores Professores e Regentes de Postos Escolares
Em 1 de Março de 1957

Circular nº341

Sua Excelência o Subsecretário de Estado da Educação Nacional, por despacho de 14 de Dezembro último, determinou "que se envidem os melhores esforços no sentido de se resolver o problema do "pé descalço", procurando-se impedir que as crianças venham descalças para a escola, fazendo-lhes ver as vantagens que tal procedimento poderá ter na sua saúde, e ainda, levando-as a reconhecer tratar-se mais de um problema educativo do que económico.

Aponta-se, como estímulo, o exemplo da cidade do Porto, onde mais se tem feito sentir a acção da Liga Portuguesa de Profilaxia Social através de muitos artigos e notícias publicadas nos jornais da cidade, e onde se encontra proíbido o uso do "pé descalço", com penas para os transgressores.

Quando por manifesta carência económica, as crianças não possam ir calçadas à escola, deverá promover a aquisição de calçado de que necessitam, através das Caixas Escolares.
(...)

A Bem da Nação
O Director,
(ilegível)

sexta-feira, junho 27, 2008

Faltam 6 semanas

Faltam 6 semanas para o grande dia e, aos poucos, a informação vai-se avolumando. Está quase a chegar ao fim a recolha fotográfica e, com um importante reforço de última hora na equipa, os dados estatísticos relativos ao estudo demográfico estão bem encaminhados. Por outro lado, já só falta mais um dia de investigação nos arquivos do Jornal do Fundão.

Este fim de semana promete ser importantísssimo com a iminência da identificação de mais um sítio de potencial arqueológico e uma entrevista a quem, na primeira pessoa, experimentou a actividade das tradicionais "secadeiras".

O local da exposição já está escolhido e reservado, o Museu Arqueológico Municipal já aderiu com entusiasmo ao projecto, faltando a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia, entidades com as quais vou reunir na próxima semana.

Aos poucos, vai-se criando um compêndio fabuloso onde, com cada vez mais nitidez, se começa a desvendar a história de uma localidade e o retrato da verdadeira gente "da rama do castanheiro" contados na primeira pessoa...

...e pelas silenciosas testemunhas feitas de pedra.





Testing, testing, 1,2,3,....


Após as minhas primeiras 5 horas no Google SketchUp já consigo fazer o gatafunho de uma casa, para já sem grande atenção aos pormenores...
Eu chego lá!

domingo, junho 22, 2008

A importância da memória


"Sem memória, o mais inteligente dos homens nada é, porque com nada se identifica"


João Pedro Bénard da Costa, 10 de Junho de 2008

segunda-feira, junho 02, 2008

Fornos comunitários

Começou hoje a recolha fotográfica com vista à exposição que vou organizar em Agosto. Com a inestimável colaboração do fotógrafo oficial do Katano, o Xamane, as fotografias de hoje focaram os velhos casarios e 2 dos 3 fornos comunitários que existem na aldeia.

Estas construções eram, a par das azenhas que em breve serão alvo de levantamento, fundamentais na economia local, não só para a cozedura do pão (em todas as suas variantes mais ou menos elaboradas) mas também para cozinhar diversas iguarias da gastronomia local. Não era incomum em dias de festa verem-se as mulheres acenderem os fornos logo por volta das 6h da manhã para, depois de bem aquecidos, colocarem lá dentro panelas de barro com a carne de cabra ou cabrito. Esta ficava a cozer a manhã toda e era depois servida ao almoço.

Sendo comunitários, a sua construção e manutenção era assegurada pelo contributo e voluntariado do povo. Os materiais empregues são invariavelmente os mesmos: xisto, tijolo grosseiro para o forno, madeira, telha e o indispensável barro para isolamento do conjunto.

No esboço simplesaqui apresentado pode ver-se um dos fornos hoje documentados, constituído pelo forno em planta rectangular, adossado a uma divisão de planta rectangular de área maior com duas bancadas laterais de apoio em xisto. Por ser aparentemente o mais recente dos 3, encontra-se em excelente estado de conservação.

Permito-me nesta posta fazer um pequeno apontamento sobre o esboço propriamente dito. Embora não sendo uma obra prima, afinal fi-lo enquanto o Xamane tirava as últimas fotos, tenho de o dedicar à minha minhotinha, não pelo desenho em si, mas acima de tudo pelo sentimento de inocência pura e carinho que todo este local me inspira e por assinalar uma povoação à qual ela já está irremediavelmente ligada ;).

quarta-feira, abril 09, 2008

Digam mal dos serviços médicos de hoje...

Tive há tempos a oportunidade de visitar uma interessante exposição sobre Anestesiologia e que esteve patente nos Hospitais da Universidade de Coimbra. Foi uma experiência fascinante que me permitiu fazer uma incursão numa área que não é a minha, constatando a evolução que os recursos usados na medicina sofreram uma evolução incomparável no último Século, o que, por si, não será de espantar visto que para os avanços nesta área muito contribuiram as duas últimas Grandes Guerras, especialmente a 2ª.

Desde equipamentos de apoio à ventilação, com especial destaque para um impressionante "pulmão de aço", até equipamentos de diálise, passando por diverso equipamento de anestesia, foi possível passar por diversas épocas e diversas áreas da medicina. Curiosos, foram contudo os seguintes itens por motivos diferentes:


Cadeira para extracção de amígdalas
O paciente era amarrado de pés, mãos e cabeça à cadeira e fazia-se uma extracção "A frio" das amígdalas


Ambulância
Terá servido para o transporte de doentes da Guarda para o Hospital de Pinhel em época que apenas se pode conjecturar (Finais de Séc XIX? Início de Séc XX?). Era tripulada por 3 ou 4 bombeiros.


Agradecimentos à melhor guia e fotógrafa do Mundo, a minha Ana.
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