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terça-feira, maio 17, 2011

O tipo que vivia do RSI e que fazia biscates por fora

"Oh amigo! Oh amigo!...". Um indivíduo que eu não conhecia atravessava calmamente o estacionamento acenando na minha direcção. Percebendo que falava comigo, carreguei o último saco de compras no carro e esperei que o dito indivíduo chegasse junto a mim.

Na sua abordagem, deu logo a entender que era um sujeito sem rodeios e que tinha mais que fazer: -"Olhe, eu vou directo ao assunto para não perdermos tempo. Eu moro em Castelo Novo, sabe onde é?".

-"Sim...", respondi eu com algumas reservas.

-"Então é assim: eu moro sozinho, tenho uma casa pequena que só tem um radiozinho e como uma sopita que todos os dias tenho de ferver para não azedar, está a ver?"

-"Sim...", respondi novamente, embora achando que a abordagem que não estava a ser tão directa quanto havia sido prometido. Ainda para mais, sabia por experiência própria, que o processo normal em situações análogas passava geralmente pelo simples pedir de "uns trocos" ou de "umas moeditas", nunca havendo lugar para a exposição da realidade socio-económica do indivíduo. Os únicos que permitem ocasionalmente um lamiré sobre esse aspecto particular das suas vidas são geralmente os cidadãos de origem romena mas fazem-no por escrito com recurso a folhas A4 plastificadas, que apresentam aos transeuntes que vão abordando.

Seja como for, o indivíduo depressa interrompeu as minhas reflexões:

-"Eu governo-me com o Rendimento Mínimo e de vez em quando faço uns biscates também. Pronto, eu sei que não devia dizer isto, mas é a realidade."

Para logo de seguida acrescentar:

-"Pronto, a situação é que há ali uma aparelhagem na Worten que custa 100 euros. A ideia era, você vinha lá comigo, preenchia o cartão Worten e depois combinávamos, por exemplo uma vez por mês, para nos encontrarmos ou você passava lá em casa - se quiser pode ir comigo ver onde é que moro - e eu ia-lhe dando o dinheiro aos poucos. Pode ser?"

Mal terminou a frase, tive de morder o lábio para reprimir uma gargalhada que ameaçava soltar-se. Juro que não foi fácil. Aqui estava eu, perante um indivíduo que vivia sustentado pelo RSI, fazendo também biscates por fora, e que, apesar de viver numa situação financeira precária, tinha decidido endividar-se, ao invés de procurar poupar, para usufruir de um bem que não lhe era de forma alguma essencial. Um verdadeiro estandarte nacional em forma humana, portanto.

Retorqui-lhe apenas com um cordial "Oh amigo, você aqui não se safa. Desejo-lhe boa sorte." e despedi-me dele com duas palmadinhas nas costas.

Já dentro do carro, olhei na direcção de outro que se encontrava estacionado na fila da frente. No seu interior, uma mulher falava ao telemóvel ao mesmo tempo que vigiava com alguma inquietação o indivíduo que, encostado ao carro do lado, olhava fixamente para ela, esperando que terminasse a chamada e saísse do carro, para lhe dar a conhecer a sua situação sócio-económica e para lhe pedir uma aparelhagem de 100 euros que estava na Worten.


segunda-feira, abril 11, 2011

A política tuga é melhor que qualquer novela mexicana


A política tuga tem um enredo mais intrincado do que qualquer novela mexicana de alto nível. Depois de termos descoberto que o Freitas do Amaral era afinal socialista, que o Sócrates omitiu duas ou três coisas importantes sobre o défice (nomeadamente o seu real valor), que o Coelho acha que há um limite para os sacrifícios a exigir aos portugueses e por isso vai aumentar o IVA, eis o grande volte-face do momento: Fernando Nobre é afinal Social-Democrata. Já estou a fazer pipocas para assistir ao compacto do fim-de-semana. É muita emoção!


Foto: Medicult

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Este sim, é um voto nulo de categoria! Chuck Norris a presidente!

Há gente que se dá mesmo ao trabalho mas acredito que tenha animado, e muito, a noite dos diligentes responsáveis pela contagem de votos.

Foto disponibilizada pelo Tiago Rita

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Ricky Gervais parte a loiça toda na cerimónia dos Globos de Ouro 2011 (Vídeo)

Ricky Gervais era de há uns tempos a esta parte o habitual anfitrião da cerimónia de entrega dos Globos de Ouro, galardões que são uma espécie de barómetro dos Óscares mas com critérios algo duvidosos. Digo "era" porque, pelo que foi possível ver na cerimónia de entrega dos galardões, o comediante britânico decidiu partir a loiça toda, não se coibindo inclusive de lançar farpas à Hollywood Foreign Press Association, associação responsável pela organização dos Globos.

Ora, numa altura em que a HFPA tem vindo a ser alvo de acusações de manobras pouco claras tanto nas nomeações como na entrega dos prémios, este discurso caiu que nem uma bomba.
Mas não foi só a HFPA que teve a sua dose. Gervais disparou sobre tudo e todos, fazendo referência ao alcoolismo de Charlie Sheen, aos problemas com a lei e com as drogas que levaram Robert Downey Jr à prisão, a aversão da Igreja da Cientologia em relação à homossexualidade (referindo sem citar nomes que há dois cientologistas famosos que fingem ser heterossexuais), entre outros.

Uma coisa é certa, a cerimónia da entrega dos Globos de Ouro de 2011 foi tudo menos aborrecida...



Assalto a carrinha de transporte de valores rende 50 litros de gasóleo

Foi com grande violência que esta manhã, numa estrada erma da zona da Gardunha, um grupo de homens armados assaltou uma carrinha de transporte de valores. Felizmente não há feridos a registar mas a carrinha, essa, ficou sem pinga de gasóleo..

"Era gente que sabia ao que vinha e que tinha a lição bem estudada!". É com estas palavras que, ainda visivelmente emocionado, Teotónio (nome fictício), o motorista da carrinha, descreve o que se passou. Também Sesinando (nome fictício), outro funcionário que viajava na carrinha, não esconde a emoção. "Deviam ser uns 4 ou 5, todos armados e pareciam dispostos a tudo! Pensei que ia desta para melhor. Só conseguia pensar na minha mulher coitadinha, que está desempregada!".

Segundo Teotónio o ataque foi muito rápido e demonstrou uma preparação cuidada. "Obrigaram-nos a parar e, em menos de um fósforo, arrombaram a tampa do depósito e, com um tubinho, tiraram o gasóleo todo que devia ser à vontadinha uns 50 litros! Não ficou nem pinga! Até roubaram o meu isqueiro quando perceberam que era a gasolina e estava a ver que levavam também o Sesinando que, como não usou os toalhetes nas bombas de combustível, tinha as mãos a cheirar a gasóleo. Dos valores que estavam na carrinha nem quiseram saber!".

Procurámos contactar a Polícia Judiciária para obter uma declaração oficial mas desistimos quando nos foi dito que teríamos de pagar previamente a Taxa de Obtenção de Declarações Oficiais e que esta não é dedutível no IRS.

Seja como for, esta é sem dúvida uma notícia preocupante para as empresas de transporte de valores que poderão estar a braços com um novo tipo de ameaça.

Fotografia (editada com total ausência de bom gosto): Alentejo Magazine

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Porque há mulheres que não dão valor ao romantismo masculino (Vídeo)

Haverá algo mais sensacional do que uma romântica ida a dois a fantástico jogo de futebol da Liga Belga em pleno boxing day (dia 26 de Dezembro) e, ao intervalo, pedir a namorada em casamento? A resposta é sim! Sobretudo se, em frente a todo o estádio e com transmissão televisiva em directo para todo o Mundo, a namorada recusar o pedido e mostrar na fuga subsequente os seus dotes de corrida, deixando de joelhos no relvado o desafortunado namorado.

Aconteceu no último dia 26 de Dezembro, no intervalo do jogo entre o Cercle de Brugges e o Standard de Liège e merece ser visto, apesar de não ter tradução. As imagens valem realmente por mil palavras. Observem a reacção de crescente incredulidade da, presumimos, actual ex-namorada do infeliz rejeitado. Aquele passo atrás no momento em que ele se ajoelha é magnífico!


Já agora, aproveito para dizer que o resultado final ficou em 1-0 para a equipa da casa.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Bankrun/Stopbanque 2010 - Hoje é dia de esvaziar os bancos


Hoje, 7 de Dezembro, é o dia marcado para a revolução global do Stopbanque, o movimento lançado pelo ex-jogador de futebol Eric Cantona, que visa apelar às pessoas que retirem todo o dinheiro das suas contas bancárias. O objectivo é "abalar o sistema" e fazer os bancos, os culpados da actual crise económica, perceberem que quem manda no Mundo são afinal os cidadãos.

Não queria estar hoje na pele dos bancários que devem ter sido confrontados com filas de clientes irados a solicitar a liquidação das suas contas (sim porque, se é para levantar o dinheiro todo, mais vale liquidar porque senão têm de pagar taxas de manutenção de conta). Até já estou a imaginar o diálogo:

Cliente irado - "Estou indignado com a exploração a que vocês monstros capitalistas sedentos, manipuladores e maquiavélicos, mascarados de instituições respeitáveis, estão a sujeitar o cidadão comum e trabalhador e, portanto, para vocês verem quem manda aqui, venho aqui levantar todo o meu capital e liquidar a minha conta. "

Funcionário bancário sonolento - "Ora sim senhor. Deixe-me cá ver... (erguer de sobrancelha do olho direito) Desculpe senhor mas a sua conta apresenta um saldo negativo de 122,56 euros!"

Cliente irado - "Eh pá vocês arranjam cada desculpa para segurar os clientes!... * silêncio * Posso pagar na próxima semana?"

Verdade seja dita, tenho por Cantona uma grande admiração pelo futebolista que ele foi, -que classe ele punha em campo, quando não estava a aplicar side kicks aos adeptos mais críticos!-mas enquanto activista / líder revolucionário ele consegue ainda ser pior do que aquilo que é enquanto actor. A ideia seria concretamente o quê? Levar a que toda a gente guardasse o dinheiro sob o colchão ou seria reavivar o modelo old school de poupança num pote de barro enterrado junto ao tronco de uma oliveira?

É claro que fiquei curioso e quis saber, junto da bancária de serviço do Blog do Katano, qual o impacto que o movimento Stopbanque estava a ter na rotina de sucursal bancária escolhida completamente ao acaso, algures no meio do Pinhal. Não foi fácil obter informações até porque, entre informações tidas como sigilosas que não me foram facultadas, tive que explicar previamente o que era isso do movimento Stopbanque. O mais relevante que consegui arrancar é que a minha fonte padece de um torcicolo, contraído enquanto secava o cabelo, e que está a chover bastante naquela zona.

Voltemos agora a coisas sérias.

terça-feira, novembro 23, 2010

Míscaros 2010 – Do entusiasmo frenético à solidariedade

E pronto! Chegou ao fim a 2ª edição do Míscaros, o Festival do Cogumelo, que, como referi no artigo anterior, ultrapassou largamente em termos qualitativos a sua edição de estreia. Mais tasquinhas e uma oferta diversificada encheram de visitantes entusiastas as ruas do Alcaide durante o último fim-de-semana.

Misturados na multidão, tivemos oportunidade de constatar a real medida desse mesmo entusiasmo, talvez medido na escala do frenesim, quando a dada altura, um grupo que seguia à nossa frente em busca da próxima tasca, se precipitou para uma porta aberta num dos lados da rua, com um dos indivíduos a dizer algo como “Vamos já a esta!”. Já com um pé para lá da porta, viram no entanto as suas intenções esbarrar na explicação da rapariga que abrira essa porta e que pretendia simplesmente entrar em casa.

Contudo, foi gratificante ver que no meio deste entusiasmo todo, não se perderam valores como a solidariedade e o espírito fraterno de entreajuda.

Verificámos isso quando, a dada altura, um indivíduo dono de um porte físico algo impressionante, sofreu uma queda não menos impressionante em plena praça principal do Alcaide, ficando estendido no chão numa posição que se poderia caracterizar como um misto de posição de lótus em ângulo invulgarmente aberto com uma chave de pernas digna da WWE mas em modo auto-infligido.

Obviamente poderemos aqui conjecturar sobre o que terá levado à queda mas a explicação que se me afigura como a mais provável foi que, no preciso momento em que o homem caminhava pela praça, o movimento de rotação da Terra se deteve por uma fracção de segundo, sendo que a força centrífuga fez o resto.

Seja como for, logo um grupo de pessoas, eu incluído, se precipitou para o ajudar a reerguer-se mas este não parecia inclinado a ajudar, preferindo olhar em volta de forma frenética como se procurasse algo… e afinal procurava mesmo. O seu apelo de “Esperem! Esperem! Os meus óculos voaram para aí!” fez com que toda a gente, eu incluído, começasse a descrever trajectórias erráticas em volta do homem, perscrutando atentamente o chão à procura dos óculos desaparecidos que, teimosamente, teimavam em manter-se desaparecidos.

A preocupação terminou finalmente quando um homem, que ficara a segurar as costas do desafortunado dono dos óculos, que ainda combalido permanecia sentado no chão, olhou para este e exclamou em tom indignado “Então mas você tem os óculos postos!” e, largando-lhe as costas bruscamente –“Você está a brincar comigo??”.

Foi quanto bastou para que o dono dos óculos se levantasse subitamente e, agradecendo a atenção dispensada, prosseguisse a sua caminhada, perdendo-se na festa e deixando para trás um pequeno grupo de pessoas, eu incluído, com um ar perfeitamente incrédulo.

quarta-feira, outubro 27, 2010

sexta-feira, agosto 27, 2010

Sinalética original nas festas da Senhora da Agonia

Quem reside no Fundão decerto se terá ainda bem viva na memória a praga que há alguns tempos atrás assolou a freguesia e que consistia na proliferação desenfreada de placas de sinalização de Zona de Caça Associativa em sítios tão originais como jardins, quintais e -imagine-se!- até em zonas verdes, de usufruto comum da população, recém-inauguradas.

Na altura, após uma onda de indignação incontida da população, apesar da gratidão de alguns poucos que de imediato encontraram nelas um auxiliar precioso no cultivo de fabáceas, seguiu-se uma contra-praga de tão misteriosos quanto sistemáticos e múltiplos desaparecimentos das ditas placas e até de relocalizações pontuadas de sentido de humor como foi o caso daquela que foi colocada por um popular espirituoso no centro de uma rotunda.

Curiosamente, no passado fim-de-semana, em plena festa da Senhora da Agonia em Viana do Castelo, fomos encontrar uma dessas famosas placas num local bem curioso, junto à Marina. A experiência anterior não nos permite discernir se se trata da efectiva delimitação de uma zona de caça ou se, pelo contrário, estamos simplesmente perante mais um caso de original relocalização perpetrada por um indivíduo que, para o acto, se disfarçou de cabeçudo pele-vermelha.

Aceitam-se teorias.

segunda-feira, agosto 16, 2010

Férias 2010, Parte 10 - A Ronda dos 4 Países



Depois da visita ao singular Forte Hackenberg, tendo em conta que era ainda cedo para regressar e tendo em conta a proximidade da fronteira, decidimos ir espreitar o que se passava do outro lado da fronteira franco-alemã. Pelo coerente critério da relevância do ponto no mapa, escolhemos a cidade de Trier para ser a nossa estreia em solo alemão.

Longe estaríamos de esperar aquilo que encontrámos ao chegar. Ao que parece, Trier é a mais antiga cidade da Alemanha, fundada pelos romanos como colónia em 16 a.C, chegando nesse período da sua história a ter 70.000 habitantes. Isso explica a profusão de vestígios romanos em excelente estado de conservação que impressionam pela sua monumentalidade. Trier chegou mesmo a ser capital imperial durante a Tetrarquia, período em que o Império foi dividido em quatro, chegando a ser conhecida como "Nova Roma".


A Porta Negra, a fortificação romana em melhor estado de conservação a Norte dos Alpes. Chegou a ser uma igreja dedicada a São Simeão que habitou num compartimento da Porta Negra, tendo sofrido diversos acrescentos que a descaracterizaram até que Napoleão mandou demolir os anexos que não era romanos, voltando a deixar a porta em evidência.



As Termas Imperiais. Nunca tendo sido concluídas, serviriam depois como fortificação durante a Idade Média.




A Catedral de Trier e a Igreja de Nossa Senhora.




Os campanários e torres sineiras são uma constante na paisagem.




Ao todo, a cidade tem nem mais nem menos que 9 monumentos classificados pela UNESCO como Património da Humanidade, sendo 7 deles de origem romana. Os restantes são a Catedral e a Igreja de Nossa Senhora.


É também obrigatório visitar a Marktplatz, a praça do mercado, onde, por exemplo, é possível encontrar a mais antiga farmácia da Alemanha, datada do século XIII. Os edifícios que delimitam a praça são fantásticos, lembrando uma cidade tirada de um conto infantil, dada a profusão de formas, cores e recortes que apresentam.


Um palácio junto à Marktplatz


Marktplatz. A fonte das Virtudes


A Marktplatz vista de outro ângulo.

Como não há bela sem senão, numa altura em já ponderávamos a hipótese de viver em Trier, fomos confrontados com um pormenor que inviabilizaria de todo essa disposição: o preço do café! Ainda não sabemos se o preço de 1,80€ se deveu à bolachinha, ao açúcar ou à bandeja que acompanhavam o café.


Aproximando-se a hora de jantar, decidimos procurar um restaurante simpático para o fazermos. A busca prolongou-se um pouco mais que o esperando, acabando por nos levar...





...até à cidade de Luxemburgo, capital do Grão-Ducado com o mesmo nome.


Obviamente, para não destoar, a cidade tem também um conjunto arquitectónico classificado pela UNESCO como Património da Humanidade, formado pelas ruas do centro histórico e pelas fortificações da cidade velha que estão rodeadas por um vale cavado, qual fosso natural sobre o qual se atravessam várias pontes. Infelizmente, a iluminação cénica deixa muito a desejar e, dada a hora à qual passeámos pelas ruas do centro histórico, apenas conseguimos ficar com uma ténue ideia da monumentalidade das fortificações.

Destacamos ainda a boa recepção da população residente no Luxemburgo (provavelmente até alguns luxemburgueses) que, para nos receber, saiu à rua com os melhores fatos e tirou da garagem os BMW, Audis, Porsches e derivados.



Uma ponte cruza a ravina que servia de fosso natural às fortificações da cidade velha de Luxemburgo (à direita)



No passeio pela cidade velha constatámos que, a passos tantos, havíamos entrado num pátio para o qual confluíam vários edifícios governamentais. Obviamente, estranhámos a facilidade de acesso e o facto de o portão do pátio estar aberto mas, ao fim e ao cabo, não estávamos no Luxemburgo? Sendo tão pequeno, toda a gente se deve conhecer.


O que ficou na retina foi também a profusão de edifícios modernos e de arquitectura extremamente interessantes que ladeavam a avenida pela qual entrámos na cidade, uma recta com cerca de 4km.


A câmara dos deputados e o palácio Grão-Ducal (à esquerda)



Depois de um reconhecimento prévio, optámos por um delicioso jantar de cozinha tradicional chinesa do Luxemburgo, após o que decidimos ir dar mais uma voltinha para fazer a digestão...


... até à Bélgica, mais concretamente até à cidade fronteiriça de Arlon, cidade de fundação galo-romana. O passeio pelo centro deu para deixar a ideia de uma cidade interessante, recheada de história e monumentos e com uma vida nocturna um pouco agitada aqui e ali.




Contudo, e como a hora a isso aconselhava, foi altura de encetar o caminho de regresso que passou novamente pelo Luxemburgo onde -pormenor interessante- jantar num restaurante pode ser carote mas, pelo contrário, o combustível está mais barato que em Andorra. Não foi possível avaliar o preço do café.


Deste passeio fica a certeza de que Trier irá com certeza merecer outra visita no futuro.

terça-feira, agosto 10, 2010

Intermezzo - I'm killing for McNuggets

Tem andado a correr Mundo o vídeo registado por uma câmara de videovigilância de um estabelecimento McDonalds nos EUA no qual uma mulher decide manifestar, com aquilo que se pode descrever como sendo alguma exuberância, a sua discordância contra o facto de os funcionários se recusarem a servir-lhe Chicken McNuggets, alegando que os mesmos só poderiam ser servidos em horário de almoço e que ainda se encontravam em horário de pequeno-almoço.

Diga-se em abono da verdade, e não sendo eu um cliente habitual deste tipo de estabelecimentos, que é irritante a profusão de preciosismos que encontramos no modus operandi das cadeias de fast food. Ao fim e ao cabo, o que estava em causa era simplesmente ir ao congelador buscar 6 pedacinhos de frango triturado e panado e colocá-los na frigideira durante poucos minutos mas não... Naquilo que se assemelha à imposição de uma espécie de Ramadão Avícola, os cidadãos não podem, mesmo que essa seja a sua vontade, consumir frango fora do horário estabelecido por alguém que ninguém sabe quem é e que, vai na volta, pode até nem gostar de frango.

Depois admiram-se quando há gente que, tendo certamente onde estar e inúmeros afazeres à espera, se aborrece ao ver ser-lhe negado um dos poucos momentos prazerosos da sua jornada laboral.



Vendo bem as coisas, os funcionários até acabaram por ter sorte pois a senhora em causa, para além de possuir uma interessante dinâmica física, embora com um preocupante défice de flexibilidade (lá está... fast food), fazia parte dos 9,9% de cidadãos estado-unidenses que não possuem armas de fogo.

Imaginem, por exemplo, que lhes tinha calhado na rifa um indivíduo como o interpretado por Michael Douglas no filme "Um dia de raiva", realizado por Joel Schumacher em 1993. No mínimo teríamos tido a oportunidade de assistir a uma cena como esta:



É curioso ver como, por vezes, a realidade consegue imitar a ficção. Seja como for, creio que, a partir de hoje, a McDonalds vai ter mais cuidado ao empregar slogans como o célebre "I'm dying for a Big Mac" sobretudo quando da sua clientela fazem parte pessoas que quase são capazes de matar por uma dose de Chicken McNuggets.

quarta-feira, julho 21, 2010

O Profeta Extraterrestre de Arganil - Porque vale a pena rever os estatutos

Apenas ontem descobri esta verdadeira pérola da "vídeosfera" que, pelos vistos, tem andado nas bocas do ciberespaço!

O Paulo pode parecer apenas um modesto estucador mas, na verdade, este cidadão de Arganil é o portador da mensagem dos nossos pais extraterrestres para nos recordar da importância dos estatutos dados a Moisés e, se necessário, o próprio Arcanjo Miguel consegue usar o corpo do Paulo como uma espécie de telemóvel para nos falar directamente com uma voz que evoca os anúncios publicitários da Mebocaína. Entretanto, o Paulo também nos diz que um dia o Mundo ficará livre de impostos...

Sim, eu sei. Esta última ideia não faz sentido nenhum.

Entretanto, pelo sim, pelo não, vou dar uma revisão nos estatutos.



O Vídeo Original: Paulo o Profeta Extraterrestre de Arganil


O Profeta Extraterrestre entrevistado por Bruno Nogueira no Lado B.

Agradeço à Daniela Duarte pela dica. ;)

sexta-feira, julho 16, 2010

Porque há coisas que fazem mais falta que a electricidade...


Uma das características incontornáveis do ser humano é esta peculiar tendência de só ter noção da real importância que determinadas coisas têm para si apenas quando se vê privado delas. Ontem, mais uma vez, passei por uma situação desse género quando, em simultâneo, ficámos privados de telefone e internet.

Evidentemente, os primeiros pensamentos que nos ocorrem são algo patetas como por exemplo: "Ora bolas... como é que eu trabalho agora? Olha, vou ler os mails. ... * constatação de patetice *", isto enquanto procuramos ajustar a nossa mente a uma realidade completamente anormal onde nada parece fazer sentido.

Com isto, veio-me à memória aquela senhora idosa de uma aldeia remota que, há uns anos atrás, falando a uma repórter de um canal televisivo sobre o tema da importância da televisão como meio privilegiado de entretenimento dizia "A televisão faz-me muita falta. Olhe, sei lá... Acho que preferia ficar sem electricidade do que ficar sem televisão."

Imagem tirada ali do Na Travessia da Prosa

domingo, junho 13, 2010

Querida, quitei o GPS!

Ultimamente, ao procurar fazer a actualização do meu aparelho de GPS andorrano já com vista às próximas férias, tenho descoberto alguns pormenores interessantes acerca do mesmo, tendo já conseguido fazer dele um leitor de filmes avi e mpg, por exemplo.

Entretanto, aproveitei também para... "personalizar" alguns dos seus aspectos. Cá entre nós, este ecrã intermédio de espera de sintonização do aparelho com os satélites tem agora muito mais piada do que o insípido ecrã que a Becker tinha originalmente implementado. Tem ou não tem?


terça-feira, maio 11, 2010

Tyrannybook - O Facebook dos Tiranos e Ditadores


Reconhecendo o poder das redes sociais, a Amnistia Internacional acaba de criar o projecto "Tyrannybook" a rede social dos ditadores que não respeitam os direitos humanos.

O princípio é simples e consiste em criar uma página-perfil para os governantes totalitários que não respeitam os direitos humanos onde, para além da biografia resumida, vão sendo inseridas informações sobre as suas acções... "exóticas" mais recentes. Os utilizador registados podem acompanhar assim com detalhe as actividades destas singulares personagens, opinar e partilhar informações com a sua rede de amigos, aqui chamados de aliados. Tudo isto num bem sugestivo ambiente em tons de vermelho.

Para já há 10 nomes nesta galeria infame, destacando-se os bem conhecidos Robert Mugabe, Mahmoud Ahmadinejad, Kim Jong-Il e Radovan Karadzic entre outros.

Para saberem mais sobre o Tyrannybook, vejam este vídeo.

quinta-feira, abril 01, 2010

1º de Abril, Dia das Mentiras

Cossacos Zaporozhtsi escrevendo uma carta de escárnio ao sultão turco
Repin 1880


Continuo sem compreender esta institucionalização do chamado Dia das Mentiras. Em definitivo, este frenesim que se apodera das pessoas nesta data e que as leva a inventar histórias para enganar o próximo é algo que me escapa.

Já agora, não consigo deixar de pensar, numa altura em que se fala tanto disso, se não estará implícito nesta forma de agir um sentimento semelhante ao que leva à ocorrência do fenómeno de Bullying. Não se trata, ao fim e ao cabo, de procurar fragilizar ou submeter alguém ao ridículo para obter auto-satisfação?

Também há um episódio que presenciei, no início dos anos 1990, que não consigo deixar de evocar e que mostra bem as trágicas consequências que o Dia das Mentiras pode acarretar.

segunda-feira, março 15, 2010

Jornalismo criptográfico... Alguém consegue perceber esta notícia?

É certo que cada jornalista tem o seu próprio estilo de escrita, desde o jornalista que mostra haver em si um prémio Nobel da Literatura reprimido até ao jornalista que parece ter sido promovido directamente de operador de telégrafo.

Contudo, a notícia que se segue parece simplesmente mostrar o caso de um jornalista que trabalhou horas a mais e que, ainda assim, quis dissertar na secção de desporto do Diário de Notícias sobre o problema do desemprego, tentando interligar inteligentemente a questão com a crise na habitação em Portugal.

O resultado é no mínimo peculiar.




domingo, março 07, 2010

Uma aventura no SNS

Ainda não refeito de um problema de saúde que me impediu de escrever aqui nos últimos dias (terá a febre sido provocada pela visita à colecção de malandrices da São Rosas?), finalmente hoje tive oportunidade para vir aqui matar o vício.

Estar doente é um bocado deprimente, sobretudo quando a reclusão nos leva a situações de degredo tal que somos literalmente "forçados" a assistir através do nosso imobilismo a séries televisivas que nos ensinam coisas tão interessantes como o facto de a sociedade humana estar dividida em humanos, humanos maus, vampiros e nerds. Contudo, nem tudo é mau. Convalescer tendo a nossa própria médica em casa, ainda por cima sendo ela dotada de uma imensa paciência, é de um valor inestimável!

Contudo, se pensam que o fim-de-semana foi todo ele marasmo, desenganem-se. Um facto significativo viria a alterar completamente a situação: uma visita ao SNS!

Depois de ter esperado apenas 3.45 minutos para ser atendido, já contando com o pagamento da taxa moderadora, deparei-me com um médico extremamente prático. Atrás do seu largo monitor, que mal deixava perceber o ultra-portátil, com uma pen de acesso sem fios de Banda Larga à Internet, no qual ia dedilhando a espaços, de imediato determinou que o único exame que interessava fazer era uma radiografia, dispensado formalidades escusadas como o exame objectivo (auscultação, observação,...).

Obtida a radiografia e tendo sido esta enviada pela rede para o seu computador (o grande, aquele que tapava o ultra-portátil com uma pen de acesso sem fios de Banda Larga à Internet), o médico começou primeiro por tranquilizar-me dizendo que não nada via de anormal. Subitamente, depois de um momento em que desviou por instantes o olhar do monitor, olhou para este novamente e exclamou de olhos esbugalhados: "O que é isto???!".

Ora, isto é sem dúvida algo que não é muito agradável de ouvir, especialmente vindo de alguém que se supõe que esteja a observar o que está a suceder no interior do nosso corpo e, naquele instante, confesso ter até sentido como que uma dualidade integrante de uma parte da minha anatomia, que me é muito cara, cair ao chão e rebolar até desaparecer por baixo do radiador.

Felizmente, não tive tempo de escrever mentalmente o rascunho para o meu testamento para lá das primeiras 5 linhas pois, logo a seguir, o médico acrescentou: "Eh pá, cliquei aqui sem querer e isto mudou de ecrã!". Não evitou contudo que eu ficasse de pulsação acelerada nos minutos seguintes.

No entanto, era necessário avançar um diagnóstico e foi isso que o médico tentou fazer baseado na radiografia e no meu testemunho, inquirindo de forma contundente: "Será que é Brucelose?", opção logo abandonada perante a minha discordância. Recomendou-me então, depois de me receitar alguns medicamentos, que, caso houvesse evolução a nível de sintomas, me dirigisse na Segunda-feira ao Centro Hospitalar para realizar análises adicionais, visto que o local onde nos encontrávamos no momento tal não era possível por se tratar de "uma verdadeira chafarica!" (sic).

Foi pois com um sentimento estranho que regressei a casa, algo desiludido por não ter conseguido apurar o que se passava comigo mas, ao mesmo tempo, extremamente aliviado por tal ter acontecido...

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Chávez tinha razão! Os EUA provocaram o sismo no Haiti com uma arma secreta!

Há alguns dias atrás, o inefável presidente venezuelano Hugo Chávez acusou os EUA de terem estado por trás do sismo no Haiti ao testarem uma arma secreta que, pelos vistos, é capaz de fazer estremecer a crosta terrestre.


Na dúvida se se trataria de mais um dos delírios de Chávez ou de uma acusação séria denunciando a existência de uma nova arma de destruição maciça, o Blog do Katano fez mover todas as suas fontes de informação desde a embaixada dos EUA até ao Tony, o técnico de organização de superfície do parque automóvel junto ao Vivaci das Caldas da Rainha e estamos neste momento em condições de confirmar os piores receios dos pacifistas: os EUA provocaram de facto o sismo no Haiti. Aliás, para que não restem dúvidas, aqui fica uma reprodução do momento exacto em que a Marinha dos EUA activava a arma e desencadeava o sismo fatal!





Chávez, camarada, estamos contigo!
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