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sexta-feira, junho 19, 2009

As supostas fotos do acidente do Air France 447



Nos últimos dias vieram parar à minha caixa de correio alguns e-mails sensacionalistas dos quais eu destaco o último que, alegadamente, revelava ao Mundo duas fotografias obtidas de um cartão de memória danificado recuperado dos destroços do Airbus 330, do vôo 447 da Air France que se despenhou no Atlântico na noite de 31 de Maio para 1 de Junho últimos.

Na verdade, este e-mail é a tentativa de recriar um mito urbano de 2006 segundo o qual essas fotos teriam sido obtidas no interior do voo 1907 da Gol Airlines após a colisão com outro avião.

Esta nova versão, contudo, apresenta algumas incongruências nomeadamente ao sugerir que o fotógrafo estaria de pé quando tirou as fotos, sem ter em conta a turbulência e a violenta descompressão que teriam atirado o indivíduo para fora do avião.

Este é um caso notável de um hoax/Spam que já anteriormente aqui abordei e que se destina a aproveitar o sensacionalismo implícito da mensagem para se propagar pela web e, ao mesmo tempo, recolher endereços de e-mail que fatalmente irão chegar às mãos de indivíduos que compilam então esses endereços em listas para obterem lucro. O pior é que as pessoas continuam a fazer reencaminhamentos em massa sem sequer terem o cuidado de colocar TODOS os endereços de destinatário no campo BCC ou CCO (inglês e português respectivamente).

Quanto às fotos deste e-mail elas foram extraídas do trailer da 1ª temporada da série Lost conforme se pode ver no vídeo que se segue.




Outro e-mail sobre o voo 447 propaga Trojan

Tem também vindo a circular um outro e-mail que apresenta alegadamente um vídeo obtido no interior do Air France 447 durante o acidente e é também ele o reaproveitamento de um e-mail mais antigo também ele sobre um acidente de avião.

Neste e-mail os leitores são induzidos a clicar sobre um link que, supostamente, lhes permitirá ver o dito vídeo mas que, na verdade, irá infectar o seu computador com um Cavalo de Tróia Banker.Win32. Banbra!IK (emitido inicialmente a partir de um endereço IP na América Central).

Já sabem, caso recebam um e-mail sensacionalista que promete fazer de vocês a estrela heróica e solidária da companhia, apaguem-no pura e simplesmente. Aí sim estarão a ser verdadeiramente úteis ao Mundo.


Links de referencia:

sexta-feira, junho 05, 2009

Projecto MagicKey roubado!


O projecto MagicKey, já aqui referido anteriormente, sofreu lamentavelmente um duro golpe ao ter sido roubado o computador portátil no qual se encontrava todo o trabalho de desenvolvimento que o Eng. Luís Figueiredo havia realizado desde o início do ano.

Aparentemente, alguém aproveitou o facto de o gabinete estar momentaneamente vazio para entrar e se apropriar do computador, ignorando telemóvel, câmara de vídeo e outro equipamento menor mas mais caro que ali se encontrava, o que constitui um claro indício do objectivo deste acto. Este caso é ainda mais exasperante pelo facto de, apesar de a Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda possuir um circuito interno de vídeo-vigilância este já não registar imagens desde Abril, algo perfeitamente incompreensível...

Tendo em conta que este blog tem leitores um pouco por todo o lado, inclusive na Guarda, fica aqui a carta aberta que Luís Figueiredo dirigiu ao(s) perpetrador(es) do acto na esperança de que possa ajudar:

Para quem levou o computador do projecto MagicKey do gabinete 9 da ESTG

Para mim o importante não é o computador, mas sim o software de apoio a pessoas com deficiência que o mesmo contém. Pode ficar com o computador mas para eu prosseguir este projecto necessito do seu software. Peço-lhe que se ligue à Internet e execute um programa que se encontra no ambiente de trabalho e que se chama TeamViewer.exe. Anote o ID e a senha desse programa, dirija-se a uma qualquer cabine de telefone e ligue para o nº 918721737 para me dar esses dados com os quais poderei fazer remotamente uma cópia de segurança do software. A partir dessa altura o computador poderá ficar para sim sem qualquer problema.

Peço-lhe ainda que não vá ao Microsoft Outlook consultar os emails uma vez que se o fizer deixarei de ter acesso aos mails importantes que vou recebendo no âmbito do projecto MagicKey.

Luís Figueiredo

segunda-feira, maio 04, 2009

Recortes das Jornadas de Tecnologia e Saúde

De entre várias comunicações, algumas mais interessantes que outras mas, seguramente demasiadas para um dia só, retive as seguintes frases:

"80% das vítimas de AVC sobrevive mas só 25% recupera completamente"

"Em 2006 foram vendidas 2,6 milhões de unidades de medicamentos na Internet, ou seja, mais 380% que em 2005"

"Actualmente, estima-se que entre 50% a 70% dos medicamentos vendidos na Internet sejam contrafeitos"


quinta-feira, abril 30, 2009

sexta-feira, abril 24, 2009

Ficou-me no ouvido


"O Magalhães é o meu melhor amigo"

Criança que participou na peça transmitida no Tempo de Antena do Partido Socialista anteontem à noite (disse bem, "participou" e não "foi instrumentalizada", não vão vocês fazer confusão).

Esta frase deixou-me a pensar pois sintetiza, de forma no entanto involuntária, aquilo que vai acontecer a muitos miúdos desta última geração que irão passar mais tempo com o seu computador que na rua a esfolar os joelhos. Será que os pais (e já agora, restantes educadores) vão saber racionalizar o uso dos computadores pelos seus filhos de forma a que tenham uma infância saudável e activa ou vão, pelo contrário, demitir-se da sua função pelo tremendo jeito que o computador dá em manter os filhos ocupados?

segunda-feira, março 30, 2009

Controlar o computador e outros dispositivos apenas com o olhar

anteriormente aqui tinha falado do Magic Key, um fantástico projecto sediado no Instituto Politécnico da Guarda que constitui todo um novo mundo de esperança para pessoas que, por um motivo ou outro, se encontram fisicamente limitadas.

Em 2006 tive a honra de convidar o Eng. Luís Figueiredo, o criador e mentor deste projecto, para uma palestra aqui no Fundão e recordo-me que, na altura, após uma apresentação onde o orador ficou diante do computador, de braços cruzados, passando os vários diapositivos apenas com o piscar dos olhos, a plateia ficou completamente rendida.

Na semana passada tive o grato prazer de reencontrar o Eng. Figueiredo que, em conversa, me contou algumas das novidades do seu projecto, nomeadamente a relativa a um protótipo de uma cadeira de rodas controlada apenas com os olhos.

Ainda assim, a história mais fantástica que partilhou comigo foi a de Rosário Sarabando, uma senhora que, apesar de sofrer de Esclerose Lateral Amiotrófica, não se deixou abater pela doença e continua a viver e a relacionar-se com o Mundo de forma extremamente activa e exemplar. Se a forma emotiva como o Eng. Figueiredo fala da felicidade que a sua invenção desperta nos que dela beneficiam já por si é tocante, o relato na primeira pessoa que Rosário Sarabando partilha no seu blog, agora escrito inteiramente com o olhar, mais que tocar no coração de cada um, é uma verdadeira lição de vida e uma verdadeira inspiração.

Os meus parabéns ao Eng. Figueiredo e à Sra Rosário Sarabando.

Ficam aqui alguns vídeos do Projecto Magic Key.



Utilização do MagicHome com controlo de voz por utilizador real, para controlar TV e luzes do seu quarto de hospital.


Cadeira de rodas controlada apenas com o olhar. Basta olhar para onde se deseja ir e a cadeira deslocar-se ate lá.

Outros vídeos e reportagens disponíveis no site do Projecto Magic Key

quinta-feira, março 26, 2009

Tentativa de homicídio na forma de GPS

Eu já andava algo de pé atrás desde que, como relatei há algum tempo atrás, a minha Cátia Vanessa me jurou a pés juntos que a floresta que eu tinha à minha frente era na verdade uma bela estrada, de duas vias de circulação, que eu deveria seguir para voltar a Coimbra. A história de que hoje tive conhecimento não veio ajudar nada ao recuperar da minha confiança no aparelho.

De acordo com uma das nossas estações de rádio, um condutor britânico foi alvo da implacável acção da polícia local, na forma de uma multa de trânsito. Ao que parece, o condutor viajava seguindo escrupulosamente as orientações do seu GPS, e de tal forma o fazia que, por centímetros, ia caíndo num precipício. A polícia não foi de modas e multou o condutor por falta de atenção.

Não posso deixar de perguntar: o que iria dizer o GPS caso o carro caísse no precipício? "Por-favor-abrande!"?, "Daqui-a-50-metros-você-chegará-ao-seu-destino!"?

sexta-feira, março 13, 2009

Eu cá gosto tanto de SPAM como de óleo de fígado de bacalhau...

Segundo a AnubisNetworks, 97% do e-mail que circulou por altura do Carnaval era SPAM, ou seja, simplesmente lixo electrónico (publicidade, pedidos de sangue, meninos desaparecidos, etc,...). Numa altura em que a McAfee prevê que o SPAM vá aumentar em cerca de 20%, aproveito para lançar a campanha contra o spammer que há em cada um de nós.

Estão a ver todas as mensagens a pedir um sangue raro (ou as 20 mensagens semanais, vá) ou a pedir ajuda para encontrar um menino desaparecido ou ainda a avisar da existência de um vírus que não só nos derrete o computador (que escorre depois pelas portas USB) e que, ainda por cima, nos faz sócios do Benfica? Podem pensar que reencaminhar essas mensagens para todos os vossos contactos vos dispensa automaticamente de, nesse dia, ajudarem aquela velhinha a atravessar a rua mas, na verdade, apenas estão a contribuir para engrossar as estatísticas de SPAM.

Ponto assente: a quase totalidade dessas mensagens, digamos 99,9%, são falsas e destinam-se apenas a circular para, mais tarde, irem parar inevitavelmente à caixa de correio de certos e determinados indivíduos que recolhem todos os endereços de e-mail que se acumularam na mensagem devido a tantos reencaminhamentos, vendendo depois essa lista de contactos a spammers, ou seja, àqueles que nos entopem as caixas de correio com lixo.

E perguntam vocês: como posso deixar de ser um contribuinte activo para o problema de SPAM? É simples, basta simplesmente habituarem-se a carregar em "Eliminar" em vez de carregarem em "Reencaminhar" ou, caso não consigam controlar o impulso, colocarem TODOS os endereços de e-mail dos destinatários da mensagem no campo BCC em vez de o fazerem no campo PARA ou no campo CC. Desde modo, os endereços de e-mail dos destinatários ficam ocultos.

Para recordarem algo sobre SPAM, podem reler este artigo do Vidal.

quarta-feira, março 11, 2009

Justificação (parcial) para a ausência


Imerso num dia-a-dia que tem sido caótico, consegui finalmente terminar mais um projecto, afinal um motivo parcial da minha ausência da blogosfera, sobretudo no que a comentários diz respeito (para grande pena minha).

Quem quiser saber mais sobre a melhor cereja do Mundo, a cereja do Fundão, (segundo dizem) pode visitar o site da Cerfundão recém-construído, e aceder à galeria de fotos e vídeo, sendo possível nesta última secção assistir a um documentário sobre a produção da cereja por estas bandas.

Este site é o resultado da primeira parceria entre mim e a Cathy (uma espécie de Cereja do Fundão do Mundo do Design) e estamos receptivos a críticas e sugestões.

Agora, se me dão licença, vou ali dormir num instante.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Chromices...

Como já o havia referido anteriormente, continuo a experimentar o Chrome, o novo browser do Google, embora ainda em versão beta.

Para lá das incompatibilidades e anomalias que já percebi (separadores que fecham sem aviso quando se carrega em Enter após introduzir os endereços, impossível escrever um e-mail no Hotmail, ...), há no entanto outros pequenos detalhes que vão aparecendo a espaços e que tornam esta experiência um pouco divertida.

Um exemplo disso é a mensagem que nos é apresentada quando uma página demora demasiado tempo a carregar, perguntando-nos se queremos fechar o separador ou aguardar.

O grafismo apresentado e a etiqueta do botão de espera, que diz simplesmente "Kuwait", são no mínimo interessantes.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Tudo na manga

O Departamento Têxtil e o Departamento de Eng. Informática da UBI aliaram-se para produzir uma peça de vestuário única: o primeiro casaco domótico made in Portugal. Este casaco incorpora um comando que permite controlar a iluminação, ar condicionado ou outros electrodomésticos de uma casa.


O comando é incorporado na manga do casaco e é todo ele concebido também em tecido. Se este vier a servir para controlar a TV, será melhor começar a pensar em produzir remendos para os adeptos frenéticos do zapping.

No entanto, a UBI também lançou outros projectos como por exemplo o casaco que permite ler dados biométricos e o casaco-brinquedo destinado a estimular crianças com deficiências.

Depois do anunciado míssil terra-terra de curto alcance desenvolvido pelo IPG, tal como o fantástico Magic Key, que oportunamente tive o privilégio de trazer ao Fundão, a Beira Interior volta a estar em grande nas inovações tecnológicas... e com estilo!

sexta-feira, outubro 24, 2008

O dia em que ganhei a lotaria em Espanha - Conclusão

Ver também: Parte 1 - Parte 2
Resumo

Depois de ter recebido um e-mail anunciando que havia ganho um prémio de lotaria no valor de 610.000 euros, percebi que se tratava de uma típica Fraude de Lotaria / Lottery Scam. Fingi-me interessado e solicitei mais informação ao burlão.

Após ter reteirado que se tratava de um assunto sério, o indivíduo solicitou-me vários dados pessoais ao mesmo tempo que pediu o máximo de sigilo. Enviei os dados pedidos tendo o cuidado de enviar, evidentemente, dados falsos.


Novo e-mail

Finalmente eu estava perto de receber os 610.000 euros. O e-mail que recebi em seguida foi bem claro: o Banco "La Caixa" já havia confirmado que o dinheiro seria depositado na minha conta (com NIB do Millennium BCP, embora sendo uma conta do BPI) nas próximas 24h.

Para confirmar e cumprir as formalidades burocráticas (algo chamado EVC e um seguro), eu teria simplesmente de enviar 270 euros, via Western Union, para o endereço que desde a 2ª mensagem se encontrava no rodapé, embora o nome do destinatário fosse agora outro. Seria finalmente o nome do burlão ou simplesmente outra camuflagem? Seja como for, é este o objectivo primordial da burla. Procura-se aliciar as pessoas com um prémio fabuloso, ainda por cima numa altura de crise, levando-as a pagar essas "taxas" burocráticas, não obtendo depois nem os 610.000 euros, nem os 270 euros.

Para reforçar a credibilidade da mensagem, esta era acompanhada de um certificado que, no meio de frases sem sentido e siglas incompreensíveis, continha uma frase forte "Este certificado é garantia irrevogável de pagamento de prémio".





Obviamente que a minha resposta foi a mais esperada, tendo perguntado se não seria possível deduzir os 270 euros do prémio. Na volta recebi mais um e-mail, desta vez quase telegráfico, dizendo que eu teria de enviar o dinheiro até ao início desta semana e que não era possível deduzi-lo do meu prémio.


Contactos com a polícia

Já com bastante material e referências em mãos, entrei em contacto via e-mail com a Guarda Civil espanhola, reencaminhando as mensagens que havia recebido para o Grupo de Delitos Telemáticos.

Ao mesmo tempo, entrei em contacto telefónico com a Polícia Judiciária que me aconselhou a dirigir-me ao posto local da GNR para apresentar os meus dados. Aí, encontrei-me com os elementos do Núcleo de Investigação Criminal, a quem entreguei o dossier completo, com cópia de todos os e-mails e uma carta descrevendo o caso. Foi-me então garantido que o caso seria levado à reunião bi-mensal entre a GNR e a Guardia Civil.

É óbvio que não espero que estas acções levem à detenção do ou dos supostos burlões. Contudo espero pelo menos que este caso sirva no mínimo para acções de divulgação ou, na pior das hipóteses, caso alguém seja efectivamente burlado por estas pessoas, que ajude as investigações.

Quanto a mim, continuei algum tempo a divertir-me com o burlão, acabando por me fazer passar por um fanático religioso ao concluir que, como eu não tinha conseguido obter os 270 euros, interpretava isso como um sinal de Deus e que não era suposto eu ter o dinheiro.

Acabei por pedir que o mesmo fosse dado a obras de caridade e despedi-me pedindo desculpa por todo o incómodo.

No último contacto, o Sr C.B, a.k.a. P.V., acabou por ser extremamente cordial, agradecendo o meu gesto e desejando-me a melhor sorte.

Quem disse que os burlões não têm ética?

quarta-feira, outubro 22, 2008

O dia em que ganhei a lotaria em Espanha - II

Ver também: Parte 1 - Parte 3


Como já referi no artigo anterior, após a recepção do e-mail que me avisava da atribuição de um suposto prémio de 610.000 euros, remetido através de um e-mail italiano, resolvi responder para ver até que ponto iria este esquema de burla e quais seriam os argumentos mais fortes e mais fracos do ou dos burlões.

Fingi-me supreendido, incrédulo e perguntei o que tinha que fazer para receber o prémio. Em resposta recebi um novo e-mail, desta vez remetido por um e-mail espanhol por uma pessoa de nome diferente do remetente do primeiro, que me confirmava a veracidade do prémio.


Referia depois que após a entrega do prémio, por cheque ou transferência bancária, seriam cobrados 5% em comissões (há aqui uma preparação do espírito do "vencedor" para a existência de cobranças de comissões).

Em seguida eram solicitados vários dados: nome, morada, telefone, profissão, nome e morada do meu banco, NIB e código SWIFT. Após a lista dos dados que eu deveria enviar, era então pedido o máximo sigilo devido a "confusões" com números e nomes que poderiam "complicar" a entrega do prémio.

O objectivo deste último pedido é tão somente o de evitar que a vítima da burla, ao divulgar a notícia que recebeu um tão surpreendente prémio, seja informada por alguém mais esclarecido sobre a real natureza desta comunicação.

No rodapé da mensagem constavam agora uma morada em Madrid e um número de telefone.


Mais um "teste"

Em resposta a este e-mail, voltei a dar uma ideia de completa ingenuidade para reforçar a confiança do burlão, dizendo que já tinha todos os dados ... excepto o SWIFT pois eu não sabia o que isso era.

Na volta, recebi outro e-mail, desta vez do mesmo endereço do anterior (na verdade não voltaria a mudar), dizendo-me que os mais importantes eram mesmo os restantes dados e que o SWIFT não era relevante. Obviamente, nenhum dado solicitado era relevante para que a burla acontecesse mas eram estritamente necessários para criar uma imagem de credibilidade e de legitimidade, desta suposta entidade que atribui prémios de lotaria.

Inventei então dados falsos e, como meu banco, referi o BPI. Por outro lado, inventei um NIB identificável como sendo do Millennium BCP, tendo o cuidado de criar um NIB consistente, ou seja, um NIB que estivesse em conformidade com os seus dígitos de controlo (os 2 últimos).



Recebi então mais um e-mail dando-me conta que os dados enviados já haviam sido remetidos para o banco espanhol La Caixa.

Curiosa contradição é logo a seguir pedirem para confirmar todos os dados para que o pagamento possa ser processado. Teria sido mais lógico confirmar os dados antes de os remeter ao banco mas, desta forma, envolvendo o nome de um grupo bancário espanhol, a vítima fica mais convencida da veracidade da fraude, não questionando sequer estes detalhes. É um pouco isto que acontece naqueles e-mails de aviso de novos tipos de vírus informático para os quais "não há vacina" e cuja existência é "confirmada pela Microsoft e pela AOL e CNN", os conhecidos Hoaxes.

Referia-se também no e-mail que os detalhes pendentes para a concretização do pagamento seria resolvidos apenas eu confirmasse as informações enviadas, coisa que fiz. Então o caso ganhou contornos de comédia...

terça-feira, outubro 21, 2008

O dia em que ganhei a lotaria em Espanha - I

Ver também: Parte 2 - Parte 3


Há semelhança do que acontece com praticamente todos vocês, é frequente virem parar à minha caixa de e-mail diversas mensagens que se podem classificar genericamente como SPAM (o Vidal já aqui falou sobre isso há uns tempos).

Há cerca de duas semanas, de entre muitas mensagens que me aconselhavam a comprar os mais diversos tipos de acessórios ou que insistiam em tecer considerações nada abonatórias em relação à dimensão do meu pénis, houve uma que me chamou a atenção.

Tratava-se de uma mensagem remetida por um tal de EURO MILLION PROMOTIONS / PRIZE AWARD DEPT, enviada através de uma conta de e-mail italiana e que me informava de que eu acabara de ser contemplado com um fabuloso prémio de 610.000 euros, soma que, tendo em conta a conjuntura económica actual, até poderia dar algum jeito.

Decidi então fazer algo completamente diferente do habitual e respondi à mensagem. A troca de e-mails acabou por se prolongar por duas semanas e constitui um verdadeiro caso de estudo sobre segurança on-line, tendo acabado por envolver a Polícia Judiciária, o Núcleo de Investigação Criminal da GNR e a Guardia Civil de Espanha.

Nos próximos artigos irei desenvolver este tema, publicando também toda a troca de mensagens entre mim e um sujeito que usou 3 nomes diferentes.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Choque tecnológico II

Esta questão de dificuldade no manuseamento das pens por parte do Sr. Ministro das Finanças, se é que foi mesmo ele, vem completar aos meus olhos um aparente quadro geral de pouca habilidade dos membros deste Governo perante as novas tecnologias, chegando mesmo a roçar o seu quê de ignorância. Poderão estar a pensar "Olha, este é da oposição e diz mal de tudo e de todos" mas nem se trata do caso até porque, ao longo da minha vida, já votei por 2 vezes (que eu me recorde) em José Sócrates. Só não sei se o irei fazer uma 3ª vez mas isso logo se verá.

Bom, mas tudo isto para falar de uma intervenção que me ficou na memória por parte do nosso estimado Ministro da Ciência, Ensino Superior e Tecnologia (tudo isto ao mesmo tempo!), o Dr. Mariano Gago.

Na altura, no ano da graça de 1999, quando era o Ministro da Ciência e da Tecnologia, viviam-se alturas de uma certa paranóia gerada pelo famosíssimo Bug do Milénio, um problema na arquitectura interna dos computadores que fazia prever alguns problemas quando as datas passassem de 31/12/1999 para 1/1/2000, uma vez que se temia que alguns sistemas assumissem o ano de 1900 e não o ano 2000. Isto teria, segundo os mais pessismistas, funestas consequências ao sistema bancário, por exemplo.

Foi nesse contexto que Mariano Gago foi entrevistado por um jornalista mais afoito que lhe perguntou se o Governo estava preocupado com o Bug do Milénio. Perante a questão, Mariano Gago demonstrou um inesperado desconforto mas respondeu a pérola que me ficou na memória:

"Não estamos preocupados porque o Governo tem os seus sistemas protegidos com os mais modernos anti-virus".

O que equivale por exemplo a:

-"Está preocupado com o estado em que o tornado que se aproxima vai deixar a sua casa?"
-"Não, porque eu tenho um bom sistema de alarme ligado à polícia."

ou ainda a:

-"Acha que o mau tempo que se avizinha, com ventos de 234 km/h, vai destruir a sua cultura de trigo?"
-"Não, porque eu tenho bons pesticidas."

Mas pronto, se calhar sou mesmo eu que estou a ser picuinhas.

Choque tecnológico

A Pen da discórdia


Foi atribulada a apresentação do Orçamento de Estado para 2009. Se na véspera a apresentação foi adiada devido a "problemas informáticos", uma designação muito vaga que tanto pode significar que os computadores explodiram como que os utilizadores copiaram o ficheiro errado, já no dia da apresentação a coisa também não foi muito famosa e, segundo os boatos que correram pela imprensa, o ficheiro que o Sr Ministro transportou numa pen, estaria incompleto. Das dificuldades do manuseio do complicado dispositivo portátil de armazenamento de informação até uma eventual de hardware, as explicações para tal não são unânimes.

Teixeira dos Santos com um aparente bom humor, afirmou que até um computador Magalhães conseguiria abrir aquele ficheiro. Nós por aqui tomamos a liberdade de acrescentar que sim senhor o Magalhães abriria aquele ficheiro, mas só se estivesse a ser utilizado por um daqueles senhores professores que receberam formação no uso do mesmo e que, inclusive, sabem cantar tal como podemos constatar no vídeo abaixo:







Este Magalhães está a dar cabo de mim


Essa formação foi aliás outro momento alto da semana e foi bem descrito por um dos intervenientes na formação, o professor e coordenador de TIC Paulo Carvalho, no seu blog.


Curiosamente a formação de 2 dias começou também com uma rábula à volta de uma pen. Ao que parece, a Intel, entidade responsável pela organização da formação, preparou cerca de 100 pens com o conteúdo de apoio da formação para distribuir aos participantes... que eram cerca de 200.


A seguir, os presentes foram brindados com uma formação manifestamente multicultural, um verdadeiro hino à Globalização, uma vez que tiveram direito a apresentações em inglês, proferidas com sotaque russo e apoiadas em diapositivos Powerpoint em português. Claro, que todo o discurso foi convenientemente traduzido para português por um grupo de senhoras expressamente contratadas para o efeito. Tudo isto pontilhado por diversos problemas de ligação à rede local que ninguém conseguia resolver.



À tarde a coisa pelos vistos animou. Sob a orientação de 3 senhoras da Intel, os professores/formandos presentes foram aliciados, com a promessa do sorteio de 3 fantásticos Magalhães, a inventar canções sobre o Magalhães, de preferência com alguma dramatização à mistura. Para reforçar a determinação dos participantes, informou-se em alto e bom som que quem não participasse não teria direito a entrar no sorteio.


Segundo consta, poucos foram aqueles que se recusaram a participar em algo que estava referenciado no programa oficial dos 2 dias de formação como "Jornada de Trabalho com a Intel".


A mim, custa-me a acreditar que os professores se tenham prestado a este tipo de "performance" artística numa sessão onde, supostamente, deveriam estar a receber formação relativamente ao uso do Magalhães e não a agir como ovelhinhas amestradas numa sessão que afinal e ao que parece, era de promoção. Já agora pergunto: quem é que financiou esta originalidade?

Pesquisas do Katano

Não cesso de ficar surpreendido com os termos de pesquisa que trazem as pessoas a este blog. Desta vez, alguém chegou aqui pesquisando:

"Fazer uebe chou"

Presumo que se tratasse de uma pesquisa de alguém que pretendia saber como se faz um WEB SHOW mas que, pelos vistos, aCHOU que o famigerado Acordo Ortográfico contemplava também as línguas de génese anglo saxónica.

Seja como for e porque, como a Cláudia referiu, este é um blog verdadeiramente pedagógico (arriscamo-nos a dizer de verdadeiro serviço público!), aqui fica um vídeo com dicas para quem quiser fazer Ueb... perdão, Web Show:


segunda-feira, outubro 06, 2008

O mistério do Bilhete de Identidade*

"O algarismo à frente do número do Bilhete de Identidade é o número de pessoas que existem em Portugal com um nome igual ao meu!"
por cidadão na completa ignorância

Na semana passada, numa discussão sobre bases de dados e enquanto eu referia o Bilhete de Identidade como exemplo de um registo numa bases de dados, um dos formandos defendeu a pés juntos que o algarismo suplementar, à frente do número do BI, correspondia ao número de pessoas existentes que possuíam o mesmo nome que ele. Este tipo de crendices, confesso, causa-me profunda impressão pela irracionalidade que encerram em si e pela forma como se enraízam na cultura urbana.

Não é necessário pensar muito para encontrar algumas inconsistências nessa tese. Por exemplo, será que ninguém acha estranho que o tal número de pessoas com o mesmo nome esteja sempre situado entre 0 e 9?

Seja como for, e para acabar de vez com esse mito, pelo menos no que aos assíduos leitores deste blog diz respeito, esperando que, por sua vez, passem a palavra a outros, claro, vou aqui sumariamente explicar o porquê desse algarismo suplementar.


Controlo de erros

Quando, no dia-a-dia, fornecemos o nosso número de BI, seja com que propósito for, a outra pessoa ou inclusive o digitamos nós próprios num qualquer formulário de registo, podem suceder erros involuntários: uma sequência 234 pode-se transformar em 243 por troca de dígitos ou ainda em 235 por erro na tecla que se prime (o 5 está ao lado do 4).

Assim, no intuito de evitar este tipo de situações, foi aplicado um sistema de verificação de erros que se traduz visualmente no algarismo suplementar. Mas como funciona?

Suponhamos que temos um número de BI (completamente ao acaso) com o valor 9922333, ao qual está associado o algarismo suplementar 3.

Para verificar se o número está correcto vamos efectuar alguns cálculos multiplicando, da direita para esquerda (começando no algarismo suplementar), cada algarismo pela sua posição na contagem, da seguinte forma:
Obtemos então 8 resultados diferentes: 72, 63, 12, 10, 12, 9, 6, 3.

Em seguida, somamos estes valores obtendo: 187

Para finalizar, dividimos este valor por 11 e se, como neste caso acontece, obtivermos resto 0 na divisão, então o número está correctamente escrito.

187 / 11 = 17, RESTO 0! -> O número está bem escrito


Porquê o número 11?

O facto de se usar o número 11 tem uma explicação. Quando se usa um algoritmo de verificação deste género, baseado em restos de divisão, este só irá funcionar se for usado um número primo, um número apenas divisível por si próprio e por 1, que esteja imediatamente a seguir à base de numeração usada. Assim como usamos a base numérica decimal, Base 10, o número primo imediatamente a seguir é 11.


A falha deste sistema

Contudo, o método usado nos BI tem um erro. Suponhamos os números de BI 6617080-0 e 6617085-0 e façamos as contas. Depressa se verificará que há aqui uma incongruência pois se no segundo as contas efectivamente dão resto 0, no primeiro isso já não acontece pois obtém-se... 1!

A justificação é simples: ao dividirmos qualquer número por 11, o resto da divisão pode ir de 0 a 10. Ora, como o sistema adoptado nos BI pressupõe o uso de um número de controlo de apenas 1 algarismo, se este número for 0, tanto poderá valer efectivamente 0 como 10!

Esta é uma falha que afecta quase 10% dos portugueses e que, ao contrário dos ISBN onde este problema foi solucionado pelo uso de letras (X=10), no caso dos nossos documentos de Identificação, tenha sido por preguiça ou por distracção (qual deles o mais grave), o erro persiste.



* Este é parte do título do livro "O Mistério do Bilhete de Identidade e Outras Histórias" da autoria do matemático Jorge Buescu. Um livro interessantíssimo que aborda alguns do "mistérios" matemáticos do nosso quotidiano, entre eles o assunto deste artigo.

Para ver o artigo de Buescu na íntegra, clicar aqui.

sábado, outubro 04, 2008

CSI Guiné

Um amigo meu, de nome Sumada, guineense a residir em Portugal, brindou-me há dias com uma história deliciosa que me fez pensar que séries como CSI evocam uma realidade completamente desajustada e ultrapassada.

Contou-me então o Sumada que, à chegada da sua viagem à Guiné para ir visitar a família, foi controlado por um agente da alfândega mais zeloso que o habitual que, tendo pedido o seu passaporte, observou atentamente a fotografia que nele constava. Depois de alguns segundos de observação, o agente alfandegário chegou à conclusão de que o rosto na fotografia não correspondia ao rosto do portador pelo que perguntou de quem era o passaporte.

Como o Sumada continuava a afirmar, com veemência, que o passaporte lhe pertencia e que era ele quem estava na foto, o agente alfandegário decidiu avançar para outro método de identificação: o da comparação das impressões digitais.

Sem pedir licença, pegou na mão direita do Sumada pelo indicador e colocou-o lado a lado com a impressão digital que estava no passaporte, observando atentamente uma e outra, como se estivesse num jogo de ténis de mesa jogado a um ritmo elevado. O veredicto não tardou e, tendo chegado à conclusão que as impressões digitais coincidiam, o zeloso agente alfandegário libertou o Sumada, permitindo-lhe seguir viagem.

PS - Ao que parece nos passaportes existe um campo com a etiqueta "Sinais Particulares". No passaporte que é referido nesta história, à frente de "Sinais Particulares" está escrito "Ver fotografia". Se poderá ser difícil para qualquer pessoa identificar sinais particulares numa foto passe, tenho no entanto a certeza de, para o agente alfandegário que protagoniza este artigo, tal tarefa seria uma brincadeira de crianças.

segunda-feira, setembro 29, 2008

O nosso amigo do peito, Hugo Chavez

Quem esteve atento às notícias dos últimos dias sabe que Hugo Chavez veio a Portugal buscar um excesso de stock do pináculo da tecnologia lusa: o computador Magalhães (curiosa esta escolha do nome de um português que não teve condições de trabalho em Portugal e teve de ir trabalhar para Espanha) para além de ter encomendado a construção de algumas dezenas de milhar de casas.

Para além de exuberantes demonstrações de amizade para com a nossa elite política, especialmente para o nosso Primeiro Ministro, tido nalguns sectores
como o mais sério dos políticos, (o que nos faz pensar se não terão tirado o curso juntos), Chavez não se furtou mais uma vez a um protagonismo incontrolável, tecendo mais algumas considerações sobre os estado-unidenses e a sua política externa.

Abro aqui um parêntesis para confessar que, quanto mais vejo e oiço Hugo Chaves, mais penso que ele e Alberto João Jardim terão sido separados à nascença. A diferença é que um tem petróleo e o outro tem ananases (*).

Retomando a linha do artigo, a meio das suas considerações sobre os EUA, Chavez anunciou que esperava muitas mudanças na América e confessou o seu profundo desejo de ver finalmente os estado-unidenses a viver sob uma verdadeira democracia. Uma afirmação pertinente de Chavez pois, como se sabe, a Venezuela é um país que vive sob os auspícios de uma excelente democracia, tão musculada quanto o actor que é hoje governador da Califórnia, e onde todos são felizes, principalmente se forem amigos de Hugo Chavez ou tiverem um poço de petróleo no quintal... Creio que, o mais aconselhável será, caso tenham um poço de petróleo no quintal, serem também amigos de Hugo Chavez, não vá a democracia ter ali um soluço.

Seja como for, Chavez afirmou a sua intenção de retomar o diálogo com os EUA e com os estado-unidenses, palavras que não deixam de ser algo contraditórias se tivermos em conta o discurso inflamado que, o auto-assumido Simão Bolívar dos tempos modernos, proferiu há cerca de duas semanas (especialmente a partir de 1,55m):




Deixo a questão: há algum cidadão dos EUA que abdique do seu amor próprio para retomar o diálogo com Chavez depois disto? (Esta questão exclui os cidadãos dos EUA que participaram no filme Borat, claro)

Um muito obrigado à Cláudia pela "dica" ;)

(*) NOTA - Uma investigação independente conduzido por leitores / colaboradores do Blog do Katano concluiu que o cultivo de ananases se faz, em grande escala, no arquipélago dos Açores e não no da Madeira, ilhas onde existem sim muitas bananas. Esta é só mais uma diferença, entre muitas, que distinguem as duas regiões insulares. A título de exemplo posso citar o facto de os Açores ainda serem território nacional português.

No entanto, estamos em condições de avançar que, na ilha da Madeira, existe pelo menos uma árvore de ananases, especificamente na cidade de Funchal. Não sendo propriamente uma regra, esta ocorrência valida de imediato o pressuposto exposto neste artigo.

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