Mostrar mensagens com a etiqueta cogumelos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cogumelos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, junho 03, 2014

Pela Gardunha, a época não se faz apenas de cerejas


Com os dias já bastante mais compridos dada a proximidade do solstício de Junho, já é possível dar uns belos passeios ao fim da tarde à volta do Fundão, em busca de um dos tesouros que a Gardunha oferece nesta época para além da cereja. Falo obviamente dos cogumelos que, ao contrário do que alguns poderão pensar, não se circunscrevem ao Outono. Embora as espécies sejam em geral diferentes, há no entanto uma coisa que não muda: os cuidados obrigatórios a ter na recolha.

Boletus reticulatus ou boleto de Verão para os amigos.

O interesse pela procura de cogumelos avivou-se há algum tempo atrás quando, no decurso de uma caminhada, encontrei um belo Boletus reticulatus (mais comummente, "boleto de Verão")  na berma de um caminho. Decidi então voltar ao "local do crime" para procurar mais alguns exemplares mas acabei por encontrar muito mais que isso.

Se daquela espécie de boletos apenas encontrei dois exemplares, já no que diz respeito a russulas e cantarelos encontrei o suficiente para encher a cesta.

Cantharellus pallens, para mim uma estreia em termos de recolha de cantarelos. Inicialmente julguei tratar-se de Cantharellus cibarius mas o enciclopédico José Miguel Pereira desfez o equívoco.

Cantharellus pallens, simplesmente deliciosos!


Russula cyanoxantha. Existem cerca de 750 espécies diferentes do género Russula no Mundo inteiro mas esta é inconfundível e provavelmente a mais saborosa.

Na Russula cyanoxantha a cor pode variar, podendo ter vários tons de violeta, ser esverdeada ou castanha.

A característica distintiva principal da Russula cyanoxantha reside no facto de ser a única em que as lâminas não parte com a pressão, sendo pelo contrário flexíveis e deixando nos dedos uma substância semelhante a gordura. 


Exemplar jovem de Boletus reticulatus, o boleto de Verão. O exemplar que encontrei durante a caminhada tinha um chapéu com quase 20cm de diâmetro.

Seja qual for a altura do ano em que se procure cogumelos, é sempre necessário ter em conta as regras de identificação e recolha de forma a minimizar o impacto no meio ambiente e também para evitar ter alguns dissabores em termos de integridade física. Se a maioria dos cogumelos que encontrei são comestíveis, outros havia que o eram à condição, enquanto outros não o eram de todo.

Russula emetica, cogumelo que quando ingerido cru provoca grandes transtornos gástricos, nomeadamente vómitos, náuseas, cólicas e diarreia. Em contrapartida tem um aroma fantástico. Se tivesse de o descrever diria que se situa entre o odor de fruta bem madura e o de alcaçuz.


Existe no entanto quem use a Russula emetica na culinária e o que é facto é que isso é viável desde que seja cozinhada a mais de 60 graus. Isso não só irá eliminar as toxinas como ainda eliminará o sabor amargo do cogumelo. Pelo menos é o que dizem.


A voltas tantas fui surpreendido com este espécime amarelo que me deixou intrigado. Tratar-se-á possivelmente de um Amanita muscaria variante formosa, que se distingue do nosso bem conhecido cogumelo vermelho de pintas brancas precisamente pela cor do chapéu. É portanto um cogumelo tóxico mas não mortal.


Ao contrário do anterior e à semelhança da Russula emetica, a Amanita rubescens é também comestível mas na condição de ser cozinhada a mais de 60º para eliminar as toxinas que contém. 

segunda-feira, novembro 25, 2013

PR13 - Na Rota das Faias em Manteigas


A Rota das Faias (PR13) é um dos 16 percursos pedestres de pequena rota do concelho de Manteigas, vila situada em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, na entrada do impressionante Vale Glaciar do rio Zêzere. Na sequência de um convite feito pela Eulália no decurso da caminhada ao Açor (ver aqui), juntámo-nos a um animado grupo e fomos à descoberta do colorido outonal das faias daquele belíssimo recanto da Estrela.

Foi muito gratificante voltar a ver algumas caras conhecidas, e ver mesmo algumas pela primeira vez fora das redes sociais e, apesar do frio que em alguns troços do percurso se fez sentir, a beleza paisagística justificou -e de que maneira!- a viagem até Manteigas por uma estrada do tipo "curva à direita, vomita à esquerda".

Aqui ficam alguns instantâneos da jornada:


O primeiro olhar para Manteigas, ponto de partida da caminhada. Foi aproximadamente nesta altura que alguém que não vou identificar (e que não foi a Nelly) lançou a pergunta "Falta muito?".



A valente representação do Fundão equipada a rigor para o frio que se fazia sentir, com destaque para o tapa-orelhas usado pela Nelly. Isto prova que, mesmo numa caminhada exigente, é possível ter apontamentos de moda de extremo bom gosto [comentário patrocinado].



Bermas decoradas em tons outonais e tapete de alta qualidade no caminho. Sem dúvida um percurso gourmet.



A "pedreira dos preguiçosos". Apesar da foto não dar essa sensação, a inclinação era bastante acentuadada (esta foto quase valeu um torcicolo) e ficámos com a sensação que bastaria retirar uma pedra do fundo para ter automatica e gratuitamente direito às restantes pedras da rampa. 



Enquanto o resto do grupo admirava a folhagem das árvores, um camarada em particular mantinha os olhos colados ao chão. A avaliar pelo volume do saco há um belo magusto em perspectiva.

Um encontro com o Sr. José (e não João como se teimou em chamá-lo), uma simpatia de pessoa, pastor de profissão, e já um velho conhecido de muitos elementos do grupo. Enquanto o diálogo decorria animado, o seu pequeno cão saltitava à nossa volta o que levou o Sr. José (e não João) a pedir-nos que não levássemos o cão pois era fazia boa companhia à sua esposa.



Rumo à luz! A última subida a sério do trilho.



Porque isto de pisar folhas chega a ser cansativo, parte da representação de Trancoso aproveita para fazer uma pausa antes de prosseguir.


Com a motivação renovada por uma goma daquelas que se colam à placa, prosseguimos por uma avenida de faias. Foi por esta altura que começaram a surgir uns belos espécimes micológicos à nossa volta.


Micologia, parte 1 - Uma Ramaria (espécie concreta ainda por determinar).



Micologia, parte 2 - Macrolepiota procera, algo fora de época.



Micologia, parte 3 - Boletus edulis, nota 20 de comestibilidade, tal como o anterior.




Secção do trilho que passa por um pequeno carvalhal já praticamente despido de todas as folhas.



Pausa para merenda no posto de vigia. O remate do repasto foi feito com uma jeropiga de altíssima qualidade.



Jiboiar  - Acto de permanecer imóvel em situação de exposição ao Sol e em aparente estado de sonolência, com o intuito de facilitar a digestão. 



Uma casa de campo devidamente equipada com antena parabólica e painéis solares, porque o sossego não implica falta de condições de conforto!



Já quase de regresso a Manteigas, um último olhar para a encosta onde horas antes tínhamos passado.

terça-feira, novembro 19, 2013

Um cogumelo do... katano

Há cogumelos, como este provável Cortinarius traganus, que têm uma certa piada quando admirados de um ponto de vista diferente. "E come-se?" perguntam vocês. A resposta é não, já que pode dar chatices. O melhor mesmo é comê-lo só com os olhos.



segunda-feira, novembro 18, 2013

Depois do Míscaros, fomos aos míscaros

Logo pela manhã, a Estrela parece estar a ser vigiada de perto por naves espaciais. Terão vindo admirar o primeiro nevão deste Outono?

Inspirado pela noite anterior no festival Míscaros, na aldeia do Alcaide, decidi dar um saltinho ao pinhal mais próximo para recolher mais alguns cogumelos para o jantar micológico entre amigos que se avizinha. Se há coisa que gosto de fazer no Outono, isso é sem dúvida passear pela paz das florestas aqui à volta e apanhar aquelas pequenas ofertas coloridas da natureza. Por outro lado, detesto chegar a um pinhal e ficar com a sensação que fui precedido por 300 javalis enraivecidos, que reviraram tudo, deixando atrás de si um cenário desolador.

Infelizmente, há recoletores que deixam o civismo em casa quando saem para o campo e, para além de deixarem o solo da floresta em pantanas (até a sachos recorrem!), dão-se ao luxo de arrancar e atirar para o lado os cogumelos que não lhes interessam, não pensando que aquelas espécies podem interessar a quem vier depois. Isto demonstra também um alto nível de ignorância no que diz respeito à importância dos fungos no contexto florestal. Muitos fungos são micorrízicos, isto é, ajudam a fixar nutrientes e água nas raízes das árvores, ajudando ao seu desenvolvimento. 

Ainda assim, no meio da devastação, foi possível encontrar alguns exemplares em muito bom estado e, usando roteiros alternativos, depressa enchi a cesta. O resto do tempo foi passado a identificar e fotografar alguns cogumelos bem fotogénicos, desde o míscaro amarelo até outras espécies que possuem a característica de permitirem que a pessoa que os consuma inadvertidamente saiba, com elevada precisão, quanto tempo tem de vida, geralmente não menos de 6 dias e não mais de 15. 


Míscaro amarelo / Tricholoma equestre


Um Cortinarius cuja espécie não identifiquei, talvez um Cortinarius armillatus. A cortina não deixa dúvidas quanto ao género.


Russula sardonia. Não é um cogumelo comestível mas, se a provarem (e deitarem fora!) vão constatar que é bastante picante.


Lactários, Sanchas, Raivacas ou Lactarius deliciosus para os amigos. No final da jornada descobri que, para além de salteados, também ficam muito bem quando grelhados e rematados com uns grãos de sal e um fio de azeite.


Míscaro amarelo / Tricholoma equestre outra vez


Sob um castanheiro, encontrei um pequeno "prado" de Ramarias, embora não tenha identificado a espécie. Não coincidem com as ramárias comestíveis que conheço e o tamanho é bastante reduzido.

Outro exemplar da mesma Ramaria.

sexta-feira, novembro 15, 2013

Vamos aos "Míscaros"?


E depois do Açor e das castanhas, é agora a vez da aldeia do Alcaide e dos cogumelos, não apenas daqueles que emprestam o nome ao festival . De resto, já se sabe: animação, tasquinhas, iniciativas gastronómicas, passeios micológicos, artesanato,... O melhor mesmo é porem-se já a caminho. Como sempre acontece, funcionará entre o Fundão e o Alcaide um serviço de autocarro para que ninguém seja obrigado a trazer o carro. É só para não haver problemas de estacionamento, obviamente.

Começa já hoje e, escusado será dizer, é mais uma festa imperdível!






No ano passado foi assim:




Encontramo-nos por lá?



domingo, novembro 03, 2013

domingo, dezembro 02, 2012

Um colossal Boleto Edulis na Serra da Gardunha

Os boletos são cogumelos que se regem pelo superlativo. São bem conhecidos pelo seu elevado valor gastronómico (quem já os provou certamente concordará comigo), pelo seu alto valor de mercado (na ordem das dezenas de euro por quilograma) e também pelas suas impressionantes dimensões.

Vem este artigo a propósito de um conjunto de fotos, que o camarada José Silva, autor das mesmas, teve a gentileza de partilhar comigo, e que diz respeito ao achado de um boleto edulis na Serra da Gardunha que é um verdadeiro colosso!

Vejam só! 


Aspecto da parte inferior do chapéu e do pé.

A parte superior do chapéu

Uma moeda de 1 euro a servir de referência de escala

Qual terá sido o destino deste boleto? Uma outra foto enviada pelo José sugere uma possibilidade: uma deliciosa feijoada de boletos!


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...