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terça-feira, janeiro 24, 2012

E eis que começa um novo e mui aliciante desafio...


"Sem memória, o mais inteligente dos homens nada é porque com nada se identifica."
João Bénard da Costa - 10-6-2008

De há uns anos a esta parte, mais precisamente desde 1998, tenho-me envolvido de forma crescente nas "guerras" em prol da defesa e divulgação do património histórico da Beira Interior. Fi-lo na forma de sites, um dos quais, actualmente em stand by, acabou por me valer o convite para a participação como orador em jornadas de arqueologia, e ainda na forma de projectos de investigação, um dos quais redundou na realização de uma exposição temporária que visitou sucessivamente a aldeia que foi objecto do projecto, a sede de freguesia e, finalmente, a sede do concelho.

A partir de ontem, é com imenso orgulho que me vejo perante um novo desafio, tendo sido escolhido para desempenhar o cargo de Presidente da Sociedade Trebaruna - Amigos do Museu do Museu Arqueológico do Fundão. Esta Sociedade, fundada em 2010, tem como missão coadjuvar o M.A.F. nas suas actividades, tendo no entanto a autonomia necessária para ter a sua própria agenda de actividades, no sentido de envolver a população do concelho do Fundão nas causas da cultura e do património histórico. Trata-se ao fim e ao cabo de uma plataforma que deverá ser capaz de despertar consciências para a importância do conhecimento e da preservação do património. O simples facto de suceder no cargo a um "monstro" da cultura como é o Mapone, um homem que merece desde há muito a minha admiração, ajuda a elevar ainda mais a responsabilidade inerente a este cargo.

Por outro lado, enche-me a satisfação o facto de poder contar com uma equipa formada por pessoas que têm tanto de admirável como de voluntarioso, em quem sei que posso confiar a 100%. À Leonor, ao Bruno, ao João, ao Fernando, à Ana, ao Mário e à Berta renovo os meus agradecimentos por terem aceitado acompanhar-me neste projecto. Não menos satisfeito fico por poder colaborar de perto com a equipa do M.A.F. que, pelo trabalho que têm desenvolvido, são sem dúvida um motivo de orgulho para o concelho do Fundão.

Agora é tempo de deitar mãos à obra!

Sociedade Trebaruna no Facebook: www.facebook.com/strebaruna

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Plágios e plagiadores, a praga persistente

Se há coisa que me altera o sistema, mais ainda do que uma lata de feijão preto cujo prazo de validade expirou juntamente com o último Tiranossarus Rex, isso é sem dúvida... O PLÁGIO!
Ao longo dos últimos anos (agora que penso nisso, praticamente desde 1999), descobri várias vezes que textos ou fotografias da minha autoria (até sites!) haviam sido plagiados das mais variadas formas e por pessoas e entidades dos mais diversos quadrantes. Vejam alguns exemplos:

Os jornais!

Por exemplo, recordo-me de um artigo dedicado à Torre de Centum Cellas, publicado pelo jornal guardense Terras da Beira em Abril do ano 2000 e que era cópia do meu trabalho num site dedicado exclusivamente a esse mesmo monumento, que eu havia criado em 1998/99. Infelizmente só descobri isso alguns anos depois na versão antiga do site do jornal mas ainda assim enviei um e-mail, dirigido à redacção do jornal e ao seu director, manifestando a minha indignação. Sem resposta fiquei.

Por essa altura, também o jornal O Interior decidiu usar uma foto da minha autoria para ilustrar o artigo da semana numa rubrica dedicada ao património arqueológico. No artigo, dedicado à calçada romana do Tintinolho, acharam por bem copiar uma foto que eu publicara num portal que mantive durante muitos anos sobre arqueologia, o ArqueoBeira, e que hoje se encontra "em hibernação", dando-se ao luxo de recortar uma banda da foto de modo a excluir o logótipo de referência ao portal.

O design de um site!

Este portal arqueológico foi aliás bem fértil em plágios. Recordo-me de ter encontrado um site, dedicado creio eu à povoação de Loriga (ou algo parecido), que era cópia chapada do design que eu fizera para o ArqueoBeira. Ao consultar o código desse site, descobri que o autor do plágio nem sequer se dera ao trabalho de retirar algumas tags de código html que eu personalizara. Guardara as páginas do meu site e alterara visualmente o conteúdo. Ironicamente, o "artista" tinha disponbilizado um inquérito a perguntar às pessoas o que achavam do novo design do site. Fiquei fulo e enviei ao autor daquela brincadeira de mau gosto um e-mail de protesto, no qual usei várias vezes a palavra "processo". Desfez-se em mil desculpas e o site retornou ao design anterior em menos de 24h.

O ex-ministro!

Em 2005 ter um blogue de campanha era sinónimo de espírito inovador e não, como agora, uma obrigação. Nuno Morais Sarmento, ministro nos XV e XVI Governos Constitucionais, não fez por menos e criou um blogue chamado "Força Interior" para dele fazer um diário da sua campanha pelo Distrito de Castelo Branco, aquando das eleições legislativas de 2005.

A "postas" tantas, publicou um artigo intitulado "Regresso ao Fundão" no qual lamentava que uma gripe tenha afectado o seu programa e impedido de ir, entre outras localidades, à Aldeia de Joanes. Sempre partilhando os endereços dos sites das instituições que foi citando ao longo desse artigo, terminou o mesmo com a frase: "Deixo na fotografia deste post a imagem da Igreja de Aldeia de Joanes", um registo do que perdi,...". O artigo em questão era ilustrado com uma fotografia que eu tirara e colocara no meu portal no ano 2000, tendo-se abstido de fazer qualquer alusão ao mesmo. (Cliquem aqui para saber mais).
Voltando à actualidade, siga o plágio!
Há alguns dias atrás, fui alertado pelo Márcio para um e-mail que anda a circular sobre como evitar as portagens na A23 e que ele fez o favor de me reenviar. Ao abrir o anexo desse e-mail fiquei estupefacto ao verificar que alguém pura e simplesmente copiara INTEGRALMENTE os dois artigos que aqui publiquei sobre como evitar portagens na A23 entre Torres Novas e Castelo Branco e entre Guarda e Castelo Branco e colara tudo num documento de texto, tendo depois guardado o resultado em PDF, portanto um ficheiro cujo propósito é evitar a alteração do seu conteúdo, e tendo ainda o supremo desplante de assinar o seu nome em rodapé em todas as páginas.

Não é que este caso me afecte tanto como os anteriores, uma vez que o meu objectivo sempre foi o de fazer com que estas informações alcançassem o maior número possível de pessoas, de modo a lutar contra esta injusta imposição governamental mas, ver outra pessoa colher os louros por algo que não fez, é algo que me custa a digerir.

Poderão dizer que, ao serem copiadas, algumas das imagens mantiveram o nome deste blog. É verdade. Infelizmente, ao serem comprimidas durante o guardar do ficheiro, estas referências ficaram extremamente difíceis de ler e só alguém com a acuidade visual própria de um híbrido resultante do cruzamento entre uma ave de rapina e um piloto de aviação de combate as conseguirá detectar facilmente.

O que salta à vista é o nome do autor da infâmia: o Sr. João Mirrado. Não sei se o seu objectivo foi propriamente o de obter o reconhecimento pelo artigo ou se simplesmente foi o de ser elogiado pelo trabalho de paginação (que diga-se a verdade podia estar bem melhor). Também não consegui obter deste senhor qualquer resposta já que, tendo encontrado um suspeito no Facebook, enviei-lhe uma mensagem que ficou sem resposta. Quem cala consente ou não sabe o que é aquele número vermelho que está ali no canto superior esquerdo do Facebook?

Sobre este caso, faço minhas as palavras do Xamane, o nosso esmerado fotógrafo residente, que ao receber este e-mail respondeu ao remetente da seguinte forma:

"Com certeza não sabes mas este texto e mapas foram copiados, letra por letra do blog do David (http://dokatano.blogspot.com/), basicamente este João Mirrado fez um plágio integral.
Foi ao blog, fez cópia, fez paginação no formato PDF e difundiu pela NET com o nome dele.

A intenção não aparenta ser outra senão a de ajudar a difundir informação útil, daí o David não se ter importado, mas não deixa de ser caricato de no meio de tanto altruísmo do João Mirrado, este ter sentido a necessidade de se creditar por algo que não fez. Enfim, intelectualmente desonesto.
"

Ainda há esperança para o Mundo!

Felizmente, há quem ainda conheça o conceito de ética e não abdica dele quando confrontado com a perspectiva da utilidade do produto de outrém e já muitas vezes recebi pedidos de utilização de materiais da minha autoria. Tomem-se como exemplo os artigos sobre as alternativas às portagens. A sua utilização foi cedida com muito gosto, mediante pedido prévio, ao Jornal do Alto Alentejo.

Outro caso interessante e, devo dizer, gratificante foi o que ocorreu ontem quando descobri no site Portugal Romano alguns textos integrais ou excertos de textos e fotografias da minha autoria sobre sítios arqueológicos. Enviei imediatamente um e-mail a reclamar da situação e, pouco depois, o administrador do site respondeu-me com um pedido de desculpa, esclarecendo ainda que, tratando-se de um site colaborativo, os textos eram enviados por terceiros, sendo por isso difícil verificar a autoria dos mesmos.

Pouco depois, todas as referências desses textos e fotografias estavam rectificadas, sobrando deste caso apenas a excelente impressão com que fiquei do administrador do site.
Epílogo
O plágio causa-me profunda confusão. Custa-me perceber o recurso a um acto parasitário que se torna redutor para quem o pratica, ainda para mais quando, hoje em dia, é tão fácil descobrir a real autoria dos conteúdos em causa. Ao fim e ao cabo, o plagiador é como aquela pequena carraça que descobriu num canídeo andarilho a reconfortante perspectiva de poder engordar sem muito esforço... indiferente ao risco persistente de poder ser vítima de desparasitação.
Infelizmente há e continuará a haver, para mal dos pecados de quem com o seu esforço cria conteúdos, toda uma legião de plagiadores para quem a ética e as mais elementares regras morais perdem importância perante a necessidade de protagonismo.
Diz a minha mui estimada Ana Andrade que "fazer plágio é admitir que os outros pensam melhor do que nós". Não me ocorre acrescentar mais nada.

Foto (Morais Sarmento): Política Pura e Dura

domingo, dezembro 18, 2011

Morreu Václav Havel - Deste sim, vou sentir saudades..

Václav Havel, 1936-2011
"A verdade e o amor devem prevalecer sobre as mentiras e o ódio"

Este fim de semana fica marcado pela morte de duas personalidades relevantes de duas esferas completamente diferentes. Se no caso de Cesária Évora, apesar de não ser um apreciador muito entusiasta do seu estilo musical, não pude deixar de sentir uma certa sensação de perda, já no caso de Václav Havel essa sensação de perda é muito maior.

Homem das artes, eminente humanista, político por força das circunstâncias, Václav Havel entrou no meu imaginário quando, durante o final da década de 1980, acompanhei entusiasticamente as convulsões que foram derrubando um a um os governos dos estados satélites da URSS na Europa de Leste e cujo clímax simbólico foi a queda do Muro de Berlim em Novembro de 1989. Isto numa altura da minha vida em que eu próprio atravessava uma revolução, travando uma guerra sem quartel contra o acne e empreendendo uma profunda revisão da minha apreciação pessoal dos membros do sexo oposto.

Livre pensador, Havel foi considerado dissidente pelo regime fantoche que governava a Checoslováquia, o que lhe valeu sucessivas passagens pela prisão. No entanto, apesar da perseguição que lhe foi movida, Havel nunca deixou de defender a resistência pacífica, à semelhança do que fizera Ghandi na Índia. As suas ideias teriam a melhor expressão possível na Revolução de Veludo na qual, de forma extraordinária, a população checoslovaca saiu à rua e paralisou o país de forma pacífica, levando à queda do governo e à instauração de um regime democrático. Havel seria pouco depois eleito Presidente por unanimidade, apesar de ter afirmado que não ambicionava uma carreira política. Como ele próprio disse:

"A política é um animal que quando nos agarra, já não nos larga (...) Sinto uma necessidade permanente de suportar uma parte da responsabilidade das causas públicas. Foi por isso que me tornei dissidente e depois me lancei na política. Tenho medo de não me conseguir livrar das garras deste animal mesmo quando deixar de ser presidente".

Após deixar a presidência, acabaria por se fixar durante algum tempo em Portugal, onde aliás gostava de passar as suas férias.

Faleceu hoje na sua terra natal e tornou-se finalmente um "homem livre".


quarta-feira, dezembro 07, 2011

Ex-SCUT - Mas afinal são viagens ou passagens em pórticos?


Parece estar finalmente esclarecida a questão de interpretação da portaria no que diz respeito à forma das isenções na A22, A23, A24 e A25.

O que levantava dúvidas era a definição de "transacção" no disposto pelo decreto-lei 111/2011 onde se lia que os utilizadores teriam direito a isenção nas "10 primeiras transacções mensais". A esse propósito, a Rádio Altitude recolheu declarações do director de Relações Institucionais da Estradas de Portugal, Mário Fernandes, segundo as quais:

"(...) As isenções (...) terão como base dez viagens mensais e não dez transacções entre pórticos de cobrança electrónica de portagens. Assim, deslocações entre Vilar Formoso e Aveiro (na A25) ou entre a Guarda e Torres Novas (na A23) poderão ser contabilizadas como viagens únicas, embora o decreto-lei (...) refira «transacções». (...) Os automobilistas poderão sair numa localidade e voltar a entrar na auto-estrada continuando a beneficiar da isenção de viagem única, desde que o tempo de duração do desvio ou paragem não exceda um determinado limite, que não está quantificado mas que o porta-voz da Estradas de Portugal menciona como «o suficiente para tomar um café ou fazer um abastecimento». "

Ficamos portanto a saber que ao realizar a viagem não podemos demorar mais do que um determinado tempo, que ninguém sabe quanto é, mas que corresponde ao tempo de tomar um café ou de fazer um abastecimento. Eu pergunto: haverá tempo para fazer um abastecimento e tomar um café na mesma paragem ou temos de optar por um ou por outro? Já agora, a possibilidade de ter de recorrer aos sanitários está também consagrada ou temos de tomar o café no WC, redefinindo com isso o conceito de café com cheirinho?


PS - Já agora não se esqueçam de que, se a vossa viagem implicar a passagem da A23 para a A25 ou vice-versa, isso significará a contabilização de duas viagens!

quinta-feira, setembro 08, 2011

Prof Cavaco, eles encontraram finalmente a solução!

Perguntava no início do ano o nosso Presidente da República, o Prof. Aníbal Cavaco Silva, o que era necessário fazer para que nascessem mais bebés em Portugal.



O novo Governo não ficou insensível ao pungente apelo e parece querer oferecer uma solução simples:



Imagem: Corpo Saun

sexta-feira, abril 08, 2011

Hoje é dia de luta contra as portagens nas SCUT A23, A24 e A25

A introdução das portagens na A23, A24 e A25 foi suspensa, é um facto. Mas sinceramente, quando soube da notícia, a primeira coisa que me ocorreu foi que se tratava de uma medida eleitoralista, embora depois tenha surgido a notícia de que se tratava de uma situação devida ao facto de o Governo se encontrar em gestão (mas vai uma aposta que vai ser usado nas eleições, mesmo assim?). Contudo, as obras de instalação dos pórticos não pararam, num claro sinal de que, logo após as eleições, as portagens serão inevitavelmente implementadas, independentemente de termos um Governo rosa, laranja ou Benetton.

Para uma região como é a Beira Interior, com nível de vida bastante inferior ao "outro" Portugal da zona litoral, e onde, ainda por cima, não há alternativas dignas desse nome pelo simples facto de, destinadas a não serem vias portajadas, as SCUT foram construídas em cima dos anteriores IPs (IP2, IP5,...), deixando para trás retalhos que nunca mais sofreram trabalhos de conservação ou, em alternativa, estradas nacionais onde não se cruzam dois camiões. Lembram-se do que partilhei aqui aquando do terrível acidente da A25 em Agosto último?

Mesmo com as tão propaladas "isenções" para residentes, prenda magnânima dos nossos governantes, a implementação de portagens vai inevitavelmente levar a um aumento de custos para as famílias que residem na região, seja pelo valor das portagens que terão de pagar, seja pelos custos acrescidos de combustível pela circulação em estradas secundárias, caracterizada por acelerações e desacelerações constantes provocadas pelo trânsito e pelas curvas e contra-curvas. Seja como for, o Estado ganha sempre... quem perde são sempre os mesmos e o Interior fica ainda mais distante do resto do país.

Hoje é dia de mostrarmos o que pensamos deste "volte-face" político (mais um) participando nas Marchas Lentas de protesto que vão ter lugar nas ditas SCUT. Os pontos de encontro são os seguintes:

Viseu: Avenida Europa - 18h00
Vila Real: Zona Industrial - 17h30
Castelo Branco: Governo Civil - 17h30
Fundão: Avenida da Liberdade - 18h00
Covilhã: Rotunda do Operário - 18h30
Guarda: Parque Polis - 18h00

Mais informações: http://www.contraportagens.net/ e no Facebook em http://tinyurl.com/5srnazj

Se somos capazes de sair de casa e bloquear o trânsito quando uma equipa de futebol vence um jogo ou um campeonato, algo que na prática em nada nos aproveita, será que não somos capazes de o fazer para lutar em prol daquilo que realmente nos afecta? Eu acredito que sim e amanhã vou lá estar. E vocês?

terça-feira, março 29, 2011

Ainda sobre a mudança para a Hora de Verão

Definitivamente, a mudança de hora deixa-me mal disposto e não consigo perceber se isso é fisiológico ou se é pela irritação amarga de perder uma hora de fim-de-semana. Claro que em Outubro "recuperamos" essa hora mas fico sempre com as mesma sensação incómoda de que algo não está bem. É um pouco como aquela sensação de, durante uma viagem, termos a sensação de que nos esquecemos de algo mas não sabemos o quê.

Mas porque é que temos de mudar de hora duas vezes por ano? Justifica-se? Na génese desta medida (apenas político-económica e nada tem a ver com ciclos astronómicos) esteve a ideia de poupar energia ajustando os horários à duração da luz solar. Aliás, já tivemos a oportunidade de constatar até que ponto as perspectivas económicas em relação à mudança de hora são capazes de chegar, quando, por uma questão de unificação horária com a Europa Central, o Governo decidiu manter a hora de Verão o ano inteiro, isto quando a hora "natural" de Portugal, é a hora de Inverno. Não tenho bem a certeza mas creio que houve muito boa gente que chegou a ir para as aulas e para o trabalho ainda em pijama, dado ter de sair de casa ainda com noite cerrada.

Portugal, aliás, aderiu à mudança de hora em 1916, em plena I Guerra Mundial, sendo esta questão gerida actualmente pela UE. No entanto, de acordo com com Bruxelas (citando o Courrier Internacional), obtém-se uma poupança energética de 0,1 a 0,5% nos países do Sul da Europa, algo que seria largamente suplantado pela implementação de boas práticas de conservação energética, poupando-se assim perturbações no bio-ritmo da população.

O blogue Persuacção criou uma página que é uma referência sobre a mudança de hora e que vale a pena visitar, apresentando e fundamentando ao mesmo tempo a ideia de que esta medida pouca ou nenhuma vantagem traz. Adicionalmente propõe uma petição solicitando o fim da mudança horária em Portugal.

E desse lado? A mudança de hora não vos afecta?



sexta-feira, março 11, 2011

Geração à Rasca: Manifesto acerca da nossa fraca responsabilidade democrática e dos protestos mal dirigidos


Este texto resultou de uma diálogo no Facebook acerca do protesto marcado para amanhã, intitulado "Da Geração à Rasca" e surgindo numa sequência de comentários que se dividem acerca da utilidade das marchas de protesto marcadas para amanhã. Haverá razão para protestar? É legítimo protestar?

Efectivamente não estamos numa ditadura mas, por outro lado, vivemos num sistema que nos permite fazer ouvir a nossa voz quando sentimos que estamos a ser injustiçados.

Infelizmente, este país é mesmo de brandos costumes. O povo definitivamente carece de participação cívica e é desastrado nas formas que encontra para manifestar o seu desagrado perante o sistema instituído. É o tipo de povo que fica em casa ou vai para o shopping em dia de eleições mas depois acha que está tudo mal e "isto já só lá vai com outro Salazar". É o tipo de povo que se manifesta de forma pateta votando em Salazar como "maior português de todos os tempos" ou em sátiras de música de intervenção em programas televisivos à laia de protesto.

Uma das principais falhas da Democracia portuguesa é o facto da população, tantos anos depois e passado o deslumbramento inicial pós-25 de Abril, não ter conseguido perceber e assumir a sua responsabilidade cívica. Falta de maturidade democrática? Provavelmente. Falta de responsabilidade? Principalmente! Isso começa quando se ouve dizer "Sou apenas um. O meu voto não faz diferença." e, quando damos por ela, mais de metade dos eleitores decidiram que o seu voto não era importante. Na prática, não há diferença entre quem se assume desiludido com o sistema político e os seus intervenientes e, por isso, não vai votar, e quem decide ficar na esplanada mais próxima a bebericar umas imperiais com os amigos, lendo o jornal desportivo do dia. Quantos dos que amanhã vão sair à rua se deram ao trabalho de ir votar nos últimos 4 ou 5 actos eleitorais? Na impossibilidade de o saber, que cada um responda a si próprio e à sua consciência.

Claro que não quero com isto dizer que quem não votou não tem legitimidade para protestar, pelo contrário. Não se pode amordaçar ou não alguém em função do seu nível de participação cívica pois, enquanto cidadãos e à luz da Constituição, todos somos iguais e temos os mesmos direitos. Fica contudo a ideia de que essas pessoas não fizeram tudo o que poderiam ter feito para tentar mudar as coisas, quando poderiam ter logo começado por usar o recurso mais elementar que a Democracia lhes permite. É a velha questão dicotómica dos direitos e dos deveres, sendo que os primeiros são sempre mais sedutores.

Quanto ao protesto em si, a única coisa que me ocorre dizer é que com os políticos que temos, é uma fortuna tremenda, especialmente para eles, que nesta altura apenas se esteja a pensar em fazer uma marcha de protesto, mesmo que esta esteja aquém do que poderia ser. Na Grécia, país recheado cidadãos algo temperamentais, foi aquilo que se sabe, enquanto que na Irlanda, país de outros valores, houve demissões ministeriais que levaram à convocação de eleições antecipadas. Já na Islândia, a coisa ficou mais séria e o anterior Primeiro-Ministro foi mesmo processado por conduta negligente que levou à crise em que o país mergulhou.

Da nossa classe política, estou farto de boys, tachos e tachistas, de políticos que nos mentem descaradamente, de hipocrisias e falsos altruísmos de quem apelida de país e de povo português o seu próprio bolso, movendo-se apenas em função dos seus próprios interesses. O pior? Não consigo ver diferença entre eles, salvo uma ou outra excepção e confesso que isso me assusta. Vejo Governantes que mentem à descarada ao povo português, que apelam ao sacrifício e não dão eles próprios o exemplo, muito pelo contrário, outros que finalmente se solidarizam com a população mas só após garantirem a reforma, deputados que não cumprem o trabalho para o qual foram eleitos,... a lista seria interminável!

Voltando ao Protesto da Geração à Rasca e lendo o manifesto que lhe serve de base de orientação, creio que se trata de um movimento com uma certa falta de substância e que fica aquém de tudo o que poderia ser. Não sendo concreto na sua orientação, vai inevitavelmente transformar-se numa amálgama sem ligação de reivindicações diversas, uns protestando contra a precariedade laboral, outros contra os impostos, outros contra a classe política e por aí fora. Creio que haverá até quem proteste contra o barulho que os vizinhos do lado fazem durante a madrugada. Protestar por protestar tira força ao movimento. É pena. A maior virtude que reconheço neste protesto é que poderá funcionar como despertador para a sociedade portuguesa e como catalisador da indignação dos cidadãos.

Se vou participar? Tenho toda a vontade do Mundo em fazê-lo mas fico ainda de pé atrás pelo que já referi atrás. Defendo que os incompetentes, os mentirosos e eticamente deficientes que perderam a confiança das pessoas que neles confiaram não merecem continuar no cargo que desempenham. Se não têm a hombridade de tomar por si a iniciativa, então cabe ao povo exigir a sua saída. Faça-se uma manifestação de protesto neste sentido e estarei lá certamente! Nesta? Provavelmente não. Quer se queira quer não, não se trata de uma Geração à Rasca. É sim UM PAÍS À RASCA.

quinta-feira, março 10, 2011

Como nos Censos 2011 se tenta manipular a realidade dos recibos verdes

Se por estes dias um indivíduo desconhecido vos tocar à campainha, é provável que não seja alguém a tentar impingir um aspirador super-poderoso, que também faz massagens, nem um indivíduo que procura espalhar a palavra do senhor, mas sim um agente de recenseamento dos Censos 2011 (Sim! Já passaram 10 anos).

Como país de proa no uso das novas tecnologias que somos, é possível pela primeira vez responder ao inquérito via Internet neste site, sendo os dados de login fornecidos pelo agente recenseador. Será decerto um método mais confortável para responder ao inquérito em papel, sobretudo se, como sucedeu a uma ilustre "membra" deste Blog, estiverem perante um agente recenseador que transporta mais dúvidas que inquéritos e que, para além disso, tem todo o aspecto de ser um fanático por Isaac Newton, fazendo das folhas que transporta as maçãs com que procura demonstrar a Lei da Gravidade.

Outra novidade desta edição para ser o propósito do inquérito que, até aqui se destinava a obter dados estatísticos que permitissem caracterizar a população residente em Portugal. Desta vez, parece haver alguma vontade, ainda que tímida, em transformar as características da população residente em Portugal, como podemos ver na pergunta 32 do questionário individual:


O que acham desta subtil transformação de trabalhadores a recibos verdes, sujeitos a horários e chefias (como os formadores, por exemplo), em trabalhadores por conta de outrem? Será implicância minha?

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Um miúdo africano faz o resumo do filme "Comando" (Vídeo)

A Mama Hope é uma organização sem fins lucrativos que se propõe ajudar ao desenvolvimento de comunidades auto-sustentáveis na África subsaariana, e que se gaba de já ter contribuido para ajudar mais de 55.000 pessoas.

Romper preconceitos e cativar pelo lado positivo é o mote da sua última campanha de angariação de fundos "Stop the pity, unlock the potential". O objectivo é fazer com que o Mundo perceba que os africanos não são meros objectos de pena, enquadrados em preconceitos clássicos de miséria, fome e guerra, e que são pessoas reais para quem as campanhas de auxílio podem realmente fazer a diferença.

O primeiro vídeo da campanha mostra o Alex, um miúdo tanzaniano de 9 anos, a descrever o filme "Comando", película que celebrizou Arnold Schwarzenegger. Depois de verem o vídeo, conseguem continuar a ver o Alex da mesma forma?



Agradeço ao meu mui estimado e caríssimo Filipe Quinaz pela sugestão.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Paralisia cerebral - Pedido de ajuda para as gémeas de Palvarinho


Foi com choque que tive conhecimento esta semana, através do Jornal do Fundão, da situação em que se encontram duas ex-alunas minhas, a Dina e da Vera, irmãs gémeas actualmente com 28 anos de idade, residentes na aldeia de Palvarinho, Castelo Branco.

Ambas sofrem de paralisia cerebral e de uma doença neurológica degenerativa, sendo que esta se começou a manifestar há 6 anos atrás, após a trágica morte do padrasto, num acidente de trabalho do qual as seguradoras se esquivaram ao pagamento. De então para cá o estado de saúde das irmãs foi-se degradando, afectando-lhes a mobilidade e autonomia de tal forma que agora apenas se conseguem deslocar em cadeiras de rodas e são obrigadas a usar fralda.

A família vive numa casa sem um mínimo de condições de acessibilidade e fracas condições de habitabilidade, sendo que a Vera tem de ser carregada pela mãe para o quarto no 1º andar, situação que já deu origem a várias quedas. A casa precisa pois de várias obras, desde a reparação do telhado até à construção de um quarto no rés-do-chão.

O dinheiro obviamente não chega para tudo e, apesar do apoio da Segurança Social ao qual se soma o parco salário da mãe, o dinheiro é canalizado para medicamentos, para a prestação do carro, que nesta altura é indispensável, e para a prestação mensal da APPACDM, pelo que qualquer ajuda será bem-vinda.

Para aqueles que quiserem contribuir, o agrupamento escolar Faria de Vasconcelos abriu uma conta solidária na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo :

NIB 0045 4055 40241226495 98

Qualquer contributo, mesmo que modesto, será uma preciosa ajuda para esta família em dificuldades e será com certeza muito bem-vindo. Obrigado a todos.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

A qualidade do estacionamento pago no Fundão by EMSA-CONSEQUI

Desde 2007 que na cidade do Fundão em algumas ruas o estacionamento é pago, apesar de toda a contestação que então se gerou. A justificação de que o Fundão tinha um problema de trânsito automóvel no centro da cidade que era urgente resolver foi o mote para que a Câmara Municipal instalasse parquímetros no centro da cidade, concedendo ao agrupamento de empresas EMSA-Consequi a exploração destes pelo período de 25 anos.


À instalação de parquímetros sucedeu-se a marcação no solo de lugares de estacionamento, marcação essa que chegou a ser atribulada. Não sei se foi em todas as ruas da mesma forma mas, na minha rua, os lugares foram "espremidos" de forma a maximizar a rentabilidade do espaço disponível, até que alguém reclamou, por achar que tinha direito a abrir a porta do seu veículo sem bater com ela no veículo do lado e vice-versa. Pouco depois, as marcações foram refeitas, sendo os lugares alargados.


Entretanto, outra inovação foi introduzida: a privatização do espaço público, com vários espaços de estacionamento a serem reservados em exclusividade, mediante pagamento, para os comerciantes que os solicitassem, já que, apesar de pagarem mais impostos ao município, não tiveram direito ao cartão de estacionamento gratuito como aconteceu com os residentes.


Aos poucos a poeira lá foi assentando e o estacionamento lá foi sendo cobrado, tendo a EMSA-Consequi a delicadeza de nunca promover a multa à primeira prevaricação, deixando em alternativa um aviso a salientar a importância de obter e colocar em local visível o talão de pagamento do estacionamento.


Entretanto, tão concentrados que estão no processo de cobrança, esqueceram outro aspecto que talvez seja importante: a conservação das marcações no solo. Mas isto sou eu, que não percebo muito de gestão de parqueamento automóvel, a dizer.


O deplorável estado das marcações


Convido-vos agora a um pequeno passeio fotográfico pelo universo das ruas do Fundão onde o estacionamento é pago.


Comecemos pela rua que melhor conheço, a Avenida Alfredo Mendes Gil, onde, desde 2007, nenhum tipo de conservação foi realizado. As marcações "apertadinhas", que foram substituídas pelas mais largas, já estão outra vez visíveis com o resultado que se vê.




Temos portanto aqui um divertido desafio para os automobilistas que têm de conseguir encaixar o veículo entre duas marcas e, de preferência, sem tocar em nenhum automóvel que esteja estacionado. Este tipo de estacionamento também é muito apreciado pelos motociclistas que aqui se sentem muito mais tidos em consideração. É frequente verem-se veículos que, por via das dúvidas, ficam estacionados de modo a ocuparem o equivalente a dois lugares normais.


Vantagem: Desde que o veículo fique estacionado entre duas marcas, está bem estacionado.


Desvantagem: A indecisão perante o leque de escolhas não anda necessariamente de braço dado com o exercício do civismo.


Ainda na mesma avenida, encontramos outro fenómeno rodoviário, este de difícil interpretação:



Se, por exclusão de partes descartamos logo do conjunto a linha azul, por ser a sinalização do circuito dos transportes públicos do Fundão, resta-nos decidir sobre a associação entre a marcação de lugares de estacionamento e a linha amarela que proíbe sequer parar, quanto mais estacionar.


Vantagem: São lugares de estacionamento com uma bela vista panorâmica.


Desvantagem: Se estacionarmos aí podemos ser multados. Ou não. Mas podemos.

Mais adiante, na Rua Conselheiro Dr. José Alves Monteiro, o panorama é um pouco diferente, apesar de também ser possível encontrar algo semelhante ao exemplo anterior.


No entanto, nessa mesma rua, a grande inovação é esta:





Aqui já estamos perante um típico caso de estacionamento Feng Shui. O motorista pode escolher estacionar o veículo com diferentes orientações, conforme o que achar ser mais benéfico para si e para as suas cruzes.

Vantagens: Tem efeitos benéficos na saúde e bem-estar dos utentes e, por outro lado, qualquer que seja a orientação do veículo, há a garantia de não se estar a infringir o código da estrada.

Desvantagem: Um alinhamento incorrecto pode ter efeitos nocivos, sobretudo se se embicar com outro veículo conduzido por um motorista que é adepto de um alinhamento diferente do nosso.

Avançando agora para a Rua dos 3 Lagares, encontramos isto:

Nesta rua, as marcações estão claramente em vias de extinção. Se para o olho treinado o desafio não é significativo, há no entanto a garantia que, a partir de um certo valor de dioptrias a tarefa se afigura como deveras complicada. Há no entanto a hipótese de estacionar usando o critério da estimativa, tendo como referência as placas sinalizadoras de lugares de estacionamento reservado.

Vantagem: Conseguir estacionar correctamente contribui para aumentar o amor-próprio do motorista.

Desvantagem: A divergência entre dois motoristas míopes quanto ao correcto estacionamento pode descambar em tragédia.


Para concluir



Acabei por não alongar o meu percurso a outras zonas, como a Rua António Paulouro ou a própria Avenida da Liberdade, onde certamente teria encontrado outras situações dignas de registo. No entanto, este pequeno périplo ajuda a perceber o estado em que se encontra a área de estacionamento pago.


Por outro lado, tendo esta política sido implementada para disciplinar o trânsito e o estacionamento no centro da cidade, fará sentido que se apliquem multas a quem não pague mas, por outro lado, não se aplique semelhantes sanções aos que, pagando, não se coíbem de ocupar abusivamente dois lugares?


Perante isto, e partindo do princípio que a manutenção do espaço do estacionamento é da sua responsabilidade, será legítimo pagar à EMSA-Consequi por um serviço que efectivamente não presta?




A seguir: Quando ter um cartão de estacionamento grátis não nos livra necessariamente de sermos multados.

domingo, novembro 28, 2010

O Banco Alimentar e o comércio tradicional


A campanha de recolha de alimentos organizada pelo Banco Alimentar, coincidiu este fim-de-semana no Fundão com as declarações da Associação Comercial e Industrial local, destacando a capacidade de regeneração do comércio dito "tradicional", num ano em que na cidade fecharam 29 estabelecimentos e abriram 19 novos outros. É impressão minha ou, a manter-se esta capacidade de regeneração digna de elogios, o comércio tradicional caminha para a extinção?

Numa cidade não muito grande, torna-se difícil ao comércio tradicional sobreviver em concorrência com 4 grandes superfícies, 6 ou 7 se incluirmos no rol as megastores chinesas. Por outro lado, também escasseiam as iniciativas que, de forma efectiva, consigam cativar os consumidores a abdicar do recurso às grandes superfícies (no Fundão, nem que seja pela diferença de preços praticados no estacionamento).

Há algum tempo atrás, alguém aqui chamou a atenção para o facto de as campanhas do Banco Alimentar serem mais uma oportunidade para as grandes superfícies engordarem ainda mais os seus já preenchidos bolsos e de facto assim é. Nestas alturas, as prateleiras de produtos secos e enlatados a ficam vazias a olhos vistos e, inclusive, chegam a ser instaladas para o efeito novas zonas de produtos, destinados precisamente a serem adquiridos para entregar ao B.A..

Porque não usar o pretexto da campanha do Banco Alimentar em benefício do comércio tradicional? Poderiam ser implementados pontos de recolha em locais estratégicos, onde os produtos pudessem ser entregues, fosse pelos consumidores ou pelos próprios estabelecimentos, houvesse apenas vontade de colaborar numa boa causa.

Da minha parte, decidi iniciar uma nova forma de colaboração nas campanhas do B.A.. Comprei o meu contributo numa loja do centro da cidade e fui entregá-lo numa grande superfície, perante o ar surpreendido de quem o recebeu. Só espero que ele não vá parar àquela senhora que recentemente comprou um apartamento e que vai com regularidade buscar mantimentos à Loja Social do Fundão...

quarta-feira, outubro 27, 2010

sexta-feira, outubro 15, 2010

Blog Action Day 2010 - Factos sobre a água que toda a gente deveria conhecer

O Blog Action Day é um movimento global que visa despoletar anualmente a discussão e acção colectiva sobre um determinado tema, através da publicação de artigos no maior número possível de blogues em todo o Mundo que, de uma forma ou outra, abordem esse mesmo tema. Este ano, o tema escolhido foi a água, um recurso tão inestimável quanto maltratado e muito mal distribuído. Eis alguns factos interessantes:


Ribeira de Vale d'Urso, Souto da Casa - Fundão
40 mil milhões de horas é o tempo que as mulheres africanas caminham anualmente carregando recipientes com até 18kg de peso para transportar água para beber que, ainda assim pode não ser potável.

Cerca de 38.000 crianças até aos 5 anos morrem semanalmente por beberem água imprópria para consumo e por viverem em péssimas condições sanitárias.

A tragédia no Darfur terá sido devida em parte devido à falta de acesso a água potável, factor que ameaça aliás tornar-se uma das principais causas de conflitos em África.

Todos os anos, 2 milhões de toneladas de resíduos são despejados junto a fontes de água, poluíndo os cursos de água e afectando gravemente a vida das comunidades junto a estes.

As mortes e as doenças causadas pela poluição nas águas marítimas costeiras causam anualmente um prejuízo de 12,8 mil milhões de dólares à economia Mundial.


Ribeira da Meimoa e moinho de água, Peroviseu - Fundão

São necessários 24 litros de água para produzir um hamburguer.

Recarregar a bateria de um iPhone exige o consumo de meio litro de água. Tendo em conta que existem cerca de 80 milhões de iPhones no Mundo, recarregá-los exige 40 milhões de litros de água.

São necessários cerca de 1.500 litros de água para produzir uma t-shirt de algodão e cerca de 6.800 litros para produzir umas calças de ganga.

Os maiores consumidores de água engarrafada a nível Mundial são os EUA, o México e a China. Só nos EUA, cada cidadão bebe em média 200 garrafas de água por ano. São necessários mais de 17 milhões de barris de petróleo para produzir as garrafas de plástico necessárias, sendo que cerca de 86% delas nunca chegarão a ser recicladas.

Nascente do Rio Loue, França
Hoje em dia, 2.5 mil milhões de pessoas não têm acesso a instalações sanitárias adequadas, um número substancialmente inferior ao número de pessoas que possuem telemóvel (4,6 mil milhões).

Nos países em vias de desenvolvimento, em termos globais, os alunos perdem anualmente 443 milhões de dias de escola devido a doenças, causadas pelo consumo de água imprópria e por fracas condições sanitárias e de higiene.

Cada adulto gasta em média 465 litros de água por dia, número que poderia ser substancialmente reduzido pelo respeito de pequenas regras de poupança.

Já agora, talvez valha a pena pensar nisto e partilhar -porque não?-...

terça-feira, setembro 14, 2010

Mariano Gago recebe medalha por fazer de Portugal o país com o Ensino mais caro da Europa


Tenho pela figura do Sr. Dr. Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, uma profunda admiração cuja génese remonta ao ano de 1999, quando este era apenas Ministro da Ciência e Tecnologia. Nessa altura, sossegando os temores públicos relativos ao famoso Bug do Milénio (lembram-se do Y2K?), anunciou que o Governo estava mais que preparado uma vez que, os seus sistemas, estavam dotados dos mais recentes anti-vírus.

Embora tal declaração seja equivalente a um indivíduo, sedentário e obeso, demonstrar a sua despreocupação perante um eventual ataque cardíaco, pelos simples facto de estar vacinado contra gripe, passei a admirar Mariano Gago a partir daí e muito mais a partir do momento em que, já mais recentemente, o mesmo Mariano Gago, numa conferência realizada em Madrid, defendeu que a pirataria informática era uma fonte de progresso e globalização, o que equivale a dizer que os grupos organizados da Cova da Moura ou de Chelas ajudam à circulação de capitais, ajudando assim a manter a dinâmica da economia nacional.

Esta manhã, nada indiferentes aos méritos de Mariano Gago, um grupo de jovens estudantes da ESMAE tomou conta do palco, durante a cerimónia de abertura do ano lectivo do Ensino Superior Politécnico no ISEP, para agraciar o Ministro com uma medalha "por ter feito com que Portugal seja o país da Europa que faz com que as famílias mais gastem com o Ensino". A simpática iniciativa mereceu o aplauso de todo o auditório e merece aqui ser revista:



domingo, setembro 12, 2010

Touro de morte em Monsaraz - A Humanidade no seu melhor


A morte do touro voltou a cumprir-se em Monsaraz, justificando verdadeiramente o epíteto de vila medieval.

Como sempre, pôs-se termo à vida do touro, previamente amarrado e imobilizado, de forma duplamente encapotada por uma turba sanguinária: escondeu-se a cena com um toldo e justificou-se o cobarde entretenimento invocando a "tradição".

Recordando as palavras de Ghandi, "O grau de civilização de uma sociedade pode ser medido pela forma como trata seus animais", creio que não há país mais evoluído que Portugal, uma vez que o Estado até lhes concede reformas e subsídios de desemprego, por exemplo.

Em Monsaraz, tivemos de facto a Humanidade no seu melhor.

terça-feira, junho 15, 2010

Um alemão terá conseguido (finalmente) silenciar as vuvuzelas

Mais do que pela relva seca, mais do que pelos jornalistas aliviados do seu equipamento, mais do que pelas madeixas do Fábio Coentrão, este Campeonato do Mundo de Futebol será para sempre recordado pelo infame som das vuvuzelas.

Como se não bastasse o irritante "Puééééééé!" que emana dos televisores e se entranha no cérebro dos espectadores durante as transmissões televisivas dos jogos, um certa empresa petrolífera nacional decidiu rivalizar com uma sua congénere britânica, em termos de catástrofes poluentes, e começou a distribuir os ditos instrumentos de tortura nos seus postos de abastecimento.

Ora, quando parecia que nada poderia travar este vil tormento, um tão oportuno quanto genial cidadão de origem alemã de nome Clemence Schlieweis, irrompeu do anonimato para alegadamente, qual Prometeu dos tempos modernos, agraciar a humanidade com aquilo que se pode chamar de "Silenciador de Vuvuzelas" para as transmissões televisivas dos jogos.

Teoricamente, o princípio é simples: gerar um som de amplitude idêntica mas inverso ao das vuvuzelas e reproduzi-lo junto às colunas do televisor. O resultado é um jogo em tudo idêntico ao normal... mas sem aquele irritante som que coloca todos os outros como sons de fundo.

O único senão é que esta solução apenas se aplica às transmissões televisivas e não aos vizinhos e transeuntes que encontram no acto de bufar na vuvuzela uma aparente fonte de prazer. Nestes casos continua a ser mais eficaz o uso de sal ou chumbo em forma de projéctil.

A solução já está disponível na web ao preço módico de 3 euros. Será que vai ultrapassar o volume de negócios das vuvuzelas que, actualmente, constitui uma indústria de 6,45 milhões de dólares?

terça-feira, junho 08, 2010

E elas lá casaram...!


Ontem, Segunda-feira 7 de Junho de 2010 - um dia que viverá na infâmia - duas senhoras resolveram casar, por intermédio do Registo Civil, sob o olhar atento de um país em estado de choque, habituado que estava a uma vivência recta e em observância dos ditames da mais pura e casta moral.

Enquanto tomava café, a minha atenção desviou-se do ecrã da televisão, onde o evento estava a ser transmitido, e centrou-se nos indivíduos que, com o músculo pancips encostado ao balcão, observavam siderados o acontecimento e a desfaçatez daquelas moças com idade para ter juízo e que, em vez de mostrarem um ar grave próprio de quem é responsável pelas grandes tragédias da humanidade, aparentavam pelo contrário um inexplicável estado de felicidade.

O gesto de abanar a cabeça em clara reprovação, acompanhado pela frase "Olha-me para aquele espectáculo...", precedida, como mandam as regras, por uma expressão tirada do mais puro vernáculo popular, não deixavam dúvidas. Aqueles indivíduos faziam parte do grosso da população cuja existência estava a partir daquele momento irremediavelmente conspurcada e despojada de motivos que justificassem a sua continuidade, restando-lhes apenas o aguardar da concretização do anunciado pelo Apóstolo João, o Evangelista.

Quanto a mim, consumado que está o casamento entre estas duas senhoras, ainda não descortinei qualquer sinal do início do Apocalipse mas garanto que continuarei atento. Já vi filmes suficientes para saber que, isto do fim do Mundo, acontece quando menos esperamos.


terça-feira, maio 11, 2010

Tyrannybook - O Facebook dos Tiranos e Ditadores


Reconhecendo o poder das redes sociais, a Amnistia Internacional acaba de criar o projecto "Tyrannybook" a rede social dos ditadores que não respeitam os direitos humanos.

O princípio é simples e consiste em criar uma página-perfil para os governantes totalitários que não respeitam os direitos humanos onde, para além da biografia resumida, vão sendo inseridas informações sobre as suas acções... "exóticas" mais recentes. Os utilizador registados podem acompanhar assim com detalhe as actividades destas singulares personagens, opinar e partilhar informações com a sua rede de amigos, aqui chamados de aliados. Tudo isto num bem sugestivo ambiente em tons de vermelho.

Para já há 10 nomes nesta galeria infame, destacando-se os bem conhecidos Robert Mugabe, Mahmoud Ahmadinejad, Kim Jong-Il e Radovan Karadzic entre outros.

Para saberem mais sobre o Tyrannybook, vejam este vídeo.

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