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sexta-feira, março 11, 2011

Geração à Rasca: Manifesto acerca da nossa fraca responsabilidade democrática e dos protestos mal dirigidos


Este texto resultou de uma diálogo no Facebook acerca do protesto marcado para amanhã, intitulado "Da Geração à Rasca" e surgindo numa sequência de comentários que se dividem acerca da utilidade das marchas de protesto marcadas para amanhã. Haverá razão para protestar? É legítimo protestar?

Efectivamente não estamos numa ditadura mas, por outro lado, vivemos num sistema que nos permite fazer ouvir a nossa voz quando sentimos que estamos a ser injustiçados.

Infelizmente, este país é mesmo de brandos costumes. O povo definitivamente carece de participação cívica e é desastrado nas formas que encontra para manifestar o seu desagrado perante o sistema instituído. É o tipo de povo que fica em casa ou vai para o shopping em dia de eleições mas depois acha que está tudo mal e "isto já só lá vai com outro Salazar". É o tipo de povo que se manifesta de forma pateta votando em Salazar como "maior português de todos os tempos" ou em sátiras de música de intervenção em programas televisivos à laia de protesto.

Uma das principais falhas da Democracia portuguesa é o facto da população, tantos anos depois e passado o deslumbramento inicial pós-25 de Abril, não ter conseguido perceber e assumir a sua responsabilidade cívica. Falta de maturidade democrática? Provavelmente. Falta de responsabilidade? Principalmente! Isso começa quando se ouve dizer "Sou apenas um. O meu voto não faz diferença." e, quando damos por ela, mais de metade dos eleitores decidiram que o seu voto não era importante. Na prática, não há diferença entre quem se assume desiludido com o sistema político e os seus intervenientes e, por isso, não vai votar, e quem decide ficar na esplanada mais próxima a bebericar umas imperiais com os amigos, lendo o jornal desportivo do dia. Quantos dos que amanhã vão sair à rua se deram ao trabalho de ir votar nos últimos 4 ou 5 actos eleitorais? Na impossibilidade de o saber, que cada um responda a si próprio e à sua consciência.

Claro que não quero com isto dizer que quem não votou não tem legitimidade para protestar, pelo contrário. Não se pode amordaçar ou não alguém em função do seu nível de participação cívica pois, enquanto cidadãos e à luz da Constituição, todos somos iguais e temos os mesmos direitos. Fica contudo a ideia de que essas pessoas não fizeram tudo o que poderiam ter feito para tentar mudar as coisas, quando poderiam ter logo começado por usar o recurso mais elementar que a Democracia lhes permite. É a velha questão dicotómica dos direitos e dos deveres, sendo que os primeiros são sempre mais sedutores.

Quanto ao protesto em si, a única coisa que me ocorre dizer é que com os políticos que temos, é uma fortuna tremenda, especialmente para eles, que nesta altura apenas se esteja a pensar em fazer uma marcha de protesto, mesmo que esta esteja aquém do que poderia ser. Na Grécia, país recheado cidadãos algo temperamentais, foi aquilo que se sabe, enquanto que na Irlanda, país de outros valores, houve demissões ministeriais que levaram à convocação de eleições antecipadas. Já na Islândia, a coisa ficou mais séria e o anterior Primeiro-Ministro foi mesmo processado por conduta negligente que levou à crise em que o país mergulhou.

Da nossa classe política, estou farto de boys, tachos e tachistas, de políticos que nos mentem descaradamente, de hipocrisias e falsos altruísmos de quem apelida de país e de povo português o seu próprio bolso, movendo-se apenas em função dos seus próprios interesses. O pior? Não consigo ver diferença entre eles, salvo uma ou outra excepção e confesso que isso me assusta. Vejo Governantes que mentem à descarada ao povo português, que apelam ao sacrifício e não dão eles próprios o exemplo, muito pelo contrário, outros que finalmente se solidarizam com a população mas só após garantirem a reforma, deputados que não cumprem o trabalho para o qual foram eleitos,... a lista seria interminável!

Voltando ao Protesto da Geração à Rasca e lendo o manifesto que lhe serve de base de orientação, creio que se trata de um movimento com uma certa falta de substância e que fica aquém de tudo o que poderia ser. Não sendo concreto na sua orientação, vai inevitavelmente transformar-se numa amálgama sem ligação de reivindicações diversas, uns protestando contra a precariedade laboral, outros contra os impostos, outros contra a classe política e por aí fora. Creio que haverá até quem proteste contra o barulho que os vizinhos do lado fazem durante a madrugada. Protestar por protestar tira força ao movimento. É pena. A maior virtude que reconheço neste protesto é que poderá funcionar como despertador para a sociedade portuguesa e como catalisador da indignação dos cidadãos.

Se vou participar? Tenho toda a vontade do Mundo em fazê-lo mas fico ainda de pé atrás pelo que já referi atrás. Defendo que os incompetentes, os mentirosos e eticamente deficientes que perderam a confiança das pessoas que neles confiaram não merecem continuar no cargo que desempenham. Se não têm a hombridade de tomar por si a iniciativa, então cabe ao povo exigir a sua saída. Faça-se uma manifestação de protesto neste sentido e estarei lá certamente! Nesta? Provavelmente não. Quer se queira quer não, não se trata de uma Geração à Rasca. É sim UM PAÍS À RASCA.

domingo, janeiro 30, 2011

Presidenciais 2011 - Da feroz campanha da Abstenção à urna improvisada numa caixa de cartão

Este texto deveria ter sido publicado no decorrer da semana passada. No entanto, devido a situações diversas resultantes de factores vários, tal acabou por não acontecer. Seja como for, e porque não quero desperdiçar prosa que entretanto já tinha escrito, aqui fica o dito artigo, numa espécie de comemoração dos 7 dias das eleições.

Naquelas que foram provavelmente as eleições mais atribuladas da 3ª República, a abstenção não deu hipótese à concorrência, vencendo com maioria absoluta de 53% das preferências do eleitorado.

A explicação passa evidentemente pela disparidade no nível de atractividade dos diversos programas eleitorais. Enquanto os costumeiros políticos da nossa praça impingem programas eleitorais pouco interessantes, essencialmente baseados em acusações mútuas, a Abstenção promete bucólicos passeios dominicais, tentadoras idas ao shopping e uma tarde no sofá a assistir aos filmes familiares da TVI, algo que, convenhamos, consegue ser mais atractivo do que as propostas dos demais.Também não é muito motivadora a expectativa de ter de encarar um boletim de voto meio soturno, ao qual só faltam os dizeres "Agradecimento" e "Missa do 7º dia" ao lado da foto de cada um dos candidatos.

Houve ainda um factor adicional e inesperado que terá contribuído para empolar ainda mais este resultado. De todo o lado chegaram relatos de eleitores cujas intenções de voto esbarraram clamorosamente no mais insuspeito dos obstáculos: o furtivo e implacável Simplex! Pensando que a apresentação do dito Cartão do Cidadão (também conhecido entre os amigos como Cartão Único) bastaria para poder votar, depressa vários eleitores descobriram que estavam enganados. Sem hipótese de confirmar o seu número de eleitor, desanimados pelas filas e pela saturação dos serviços de informação na web, há quem diga que muitos foram vistos em desespero, pondo o seu Cartão do Cidadão à contra-luz ou esforçando a vista no holograma do dito, na tentativa de encontrarem o número mágico.

Quanto aos candidatos, Aníbal Cavaco Silva voltou a vencer por maioria absoluta. Com uma campanha em duas fases: primeiro de total inocuidade para, logo a seguir, apanhar tudo e todos de surpresa com a revolucionária ideia de ser o salvador de uma pátria tão nas lonas que não teria dinheiro para suportar uma segunda volta. Nestas eleições, Cavaco Silva até aproveitou para pulverizar alguns recordes, de tal forma que o epíteto de Cavaquistão deixou de ser propriedade de Viseu para passar para Vila Real, pelo menos por uma vez.

Curiosamente, terá sido na aldeia de Enxabarda, freguesia do Castelejo e concelho do Fundão, que se registou o seu melhor resultado de sempre eleitoral, já que o professor arrecadou a seu favor, nada mais, nada menos, que 100% dos votos. O facto desse resultado derivar, devido ao boicote da população, de um único voto da autoria de um idoso de 85 anos e depositado numa urna improvisada com uma embalagem de cartão de um termo-ventilador, é apenas um pormenor. Os números valem o que valem.

Quanto a Alegre, apesar de ter mostrado um profundo conhecimento das nuances obscuras do sistema bancário português, em claro contraste com a fraca capacidade de controlo das suas próprias finanças, acabou por ser o grande derrotado da noite. Numa altura em que já há gente que não controla o reflexo de cuspir para o chão quando ouve o nome de José Sócrates e quando o seu grande trunfo nas últimas eleições foi precisamente a ruptura com o PS, ter o actual Primeiro-Ministro a discursar nos seus comícios de campanha não foi nada inteligente. Será que o Manuel Alegre queria mesmo ganhar?

Relativamente a Fernando Nobre, o maior elogio que se lhe pode fazer é que obteve praticamente o mesmo resultado que o Pai da Democracia obtivera nas anteriores eleições, com a diferença do primeiro ter concorrido como independente. Preencheu os tempos de antena com a sigla AMI, atirou-se ao Cavaco, atirou-se ao Alegre e, não contente com isso, atirou-se na parte final da campanha à Comunicação Social.

Do lado do PCP, quem assumiu o ingrato papel de candidato foi Francisco Lopes. Findas as eleições, faço a mesma pergunta que fiz no início: Mas afinal quem é este indivíduo? Não sendo original nas suas críticas ao Governo, fez questão de dizer ao país que era o único dos candidatos que não estava comprometido. Só não ficou bem esclarecido se era de política que falava ou do seu estado civil.

Da Madeira chegou aquilo que muitos apelidaram de "lufada de ar fresco" desta campanha, embora me pareça estranho denominar de "ar fresco" uma atmosfera tão viciada com óxido nitroso. Sinceramente, tenho de dizer que, no momento em que José Coelho se descreveu como sendo o "Mourinho da Política", quase conseguiu o meu voto. Numa campanha toda ela irreverente, tentou convencer os portugueses de que Alberto João Jardim era o culpado de todos os males da nação, isto antes de ter decidido que seria mais prudente dizer também algo acerca de Cavaco Silva. Convenhamos, o seu programa político era extremamente interessante para os contribuintes: para resolver a crise, as medidas de austeridade eram uma completa parolice. Bastava desterrar Alberto João Jardim. Não consegui ainda assim ter mais votos que o somatório dos votos nulos e brancos.

Vindo do Alto Minho, Defensor Moura acabou por quedar-se pelo último lugar das preferências dos eleitores. Acabou extremamente prejudicado pelo facto do território português se estender um pouco mais para além do rio Cávado. Assim de repente não me recordo de mais nada para dizer sobre ele...


Frases fortes das Presidenciais 2011:

Cavaco Silva: "Não faço comentários!"
Manuel Alegre: "Sou péssimo gestor de mim próprio!"
Fernando Nobre: "As sondagens são uma vergonha!"
Francisco Lopes: "Sou o único que não está comprometido!"
José Coelho: "Sou o Mourinho da política!". "Ouvi dizer que mora aqui um senhor que gosta muito de submersíveis!". "O Alberto João Jardim é um ditador"... é melhor parar.
José Sócrates: "Quem fala em crise não é patriota!", ouviram senhores contribuintes?
Mário Soares: "..."
Eleitor comum: "Como assim, não consto deste caderno?"

Tenho esta sensação desagradável de que falta aqui alguém...

domingo, novembro 28, 2010

O Banco Alimentar e o comércio tradicional


A campanha de recolha de alimentos organizada pelo Banco Alimentar, coincidiu este fim-de-semana no Fundão com as declarações da Associação Comercial e Industrial local, destacando a capacidade de regeneração do comércio dito "tradicional", num ano em que na cidade fecharam 29 estabelecimentos e abriram 19 novos outros. É impressão minha ou, a manter-se esta capacidade de regeneração digna de elogios, o comércio tradicional caminha para a extinção?

Numa cidade não muito grande, torna-se difícil ao comércio tradicional sobreviver em concorrência com 4 grandes superfícies, 6 ou 7 se incluirmos no rol as megastores chinesas. Por outro lado, também escasseiam as iniciativas que, de forma efectiva, consigam cativar os consumidores a abdicar do recurso às grandes superfícies (no Fundão, nem que seja pela diferença de preços praticados no estacionamento).

Há algum tempo atrás, alguém aqui chamou a atenção para o facto de as campanhas do Banco Alimentar serem mais uma oportunidade para as grandes superfícies engordarem ainda mais os seus já preenchidos bolsos e de facto assim é. Nestas alturas, as prateleiras de produtos secos e enlatados a ficam vazias a olhos vistos e, inclusive, chegam a ser instaladas para o efeito novas zonas de produtos, destinados precisamente a serem adquiridos para entregar ao B.A..

Porque não usar o pretexto da campanha do Banco Alimentar em benefício do comércio tradicional? Poderiam ser implementados pontos de recolha em locais estratégicos, onde os produtos pudessem ser entregues, fosse pelos consumidores ou pelos próprios estabelecimentos, houvesse apenas vontade de colaborar numa boa causa.

Da minha parte, decidi iniciar uma nova forma de colaboração nas campanhas do B.A.. Comprei o meu contributo numa loja do centro da cidade e fui entregá-lo numa grande superfície, perante o ar surpreendido de quem o recebeu. Só espero que ele não vá parar àquela senhora que recentemente comprou um apartamento e que vai com regularidade buscar mantimentos à Loja Social do Fundão...

quarta-feira, outubro 27, 2010

segunda-feira, setembro 20, 2010

Seleccionador? A solução é simples.

Nos últimos dias temos assistido ao desenvolvimento do capítulo mais recente da novela, de fazer inveja a qualquer argumentista mexicano apreciador de tequilla, que começou no dia em que Carlos Queiroz levantou suspeitas sobre a existência de um possível caso de doping na genitália da mãe de um dos madrugadores membros da ADoP. Daí até à abertura de uma vaga para o cargo de seleccionador nacional foi um tirinho, criando-se assim mais um caso no fértil campo da polémica nacional.

Instantâneo recolhido antes da fuga de Scolari com a Senhora do Caravaggio para o Uzbequistão, deixando para trás Gilberto Madail. Tudo eram rosas na FPF.

Ora, numa bela manhã de Quinta-feira da semana passada, um copo de café com leite e um pão com manteiga, Gilberto Madaíl teve um insight genial: pedir a José Mourinho que viesse fazer um biscate a Portugal só para desenrascar. Está bem que é sedutora a ideia de ter El Especial a conduzir a Selecção e deduzo que até será, para Mourinho, uma importante terapia de relaxamento poder deixar os Galácticos para orientar uma equipa da qual fazem parte Yannick Djaló, Quaresma e Sílvio mas... não será presunção achar que a crise levaria Mourinho a considerar interessante a perspectiva de ter um emprego em part-time?

Momento em que Mourinho se apercebe que não pode convocar Drogba, Milito, Lampard, Sneijder nem Higuaín para a Selecção mas que pode convocar Ricardo Quaresma e Yannick Djaló

Com a sucessão frenética de historietas, avanços e retrocessos que têm sido gerados à volta deste caso, começa a parecer ao adepto comum que a escolha do seleccionador nacional é como tentar desatar o Nó Górdio com uma colher de sobremesa mas a coisa não tem necessariamente de ser assim tão complicada. Aproveitamos, aliás e desde já, para lançar uma sugestão revolucionária que promete, ao mesmo tempo, poupar dinheiro aos cofres públicos: o seleccionador convocado.

Em que consiste o conceito de seleccionador convocado? Simples! Convocar para cada compromisso da selecção o treinador que estiver mais em forma no momento, um pouco à maneira dos jogadores que não têm lugar cativo (essa moda terminou com o guarda-redes Ricardo). Assim, o processo de selecção seria regido por critérios rigorosos:

a) desempenho actual da equipa do treinador em causa,
b) indumentária normalmente usada (sendo o uso de fato de treino eliminatório uma vez que lá fora temos convém deixar uma boa imagem),
c) domínio da língua portuguesa com capacidade de recorrer a mais de 10 lugares comuns sem qualquer erro gramatical,
d) boa coreografia de movimentos de braços ao estilo de um polícia sinaleiro (sempre bonito de ver perante as câmaras)
e) e finalmente se já alguma vez foram apelidados de "Novo José Mourinho".

Manuel Machado. Um técnico que tem sabido reinventar o seu estilo e que honra a língua portuguesa como poucos. Foi uma vez comparado a José Mourinho por um familiar seu durante o almoço de um baptizado.

Obviamente que nesta altura muitos estarão a dizer algo como "Olha-me este! Deve receber comissão do Manuel Machado!". Nada disso! É só uma sugestão desinteressada de alguém que se deparou com grandes dificuldades em fazer chegar o seu CV às mãos de Gilberto Madaíl.

quarta-feira, junho 09, 2010

Festa da Cereja 2010 - Alcongosta, Fundão


Tem início já amanhã a Festa da Cereja na aldeia de Alcongosta, em plena encosta da Serra da Gardunha e centro privilegiado de produção da famosa cereja do Fundão.

Até Domingo, a aldeia irá encher-se de vida, sendo palco de concertos e animação de rua. Os mais de 25.000 visitantes esperados poderão apreciar uma enorme variedade de produtos à base da cereja nas 60 tasquinhas distribuídas pelas ruas da aldeia, este ano organizadas por cores.

Num fim-de-semana para muitos prolongado, não há desculpa para faltar a esta festa até porque, ainda por cima, disponibilizamos um mapa da localização da aldeia para se orientarem:


PROGRAMA

Dia 10

Todo o dia, animação de rua:
Bombos de Alcongosta
Bombos de Souto da Casa
Acordeonistas da Beira Baixa
Grupo de Cantares da Barroca
Grupo de Cantares Senhora do Mosteiro
Grupo de Cantares de Alpedrinha
Grupo de Cantares Ponto e Linha

Dia 11

Todo o dia, animação de rua
Bombos de Alcongosta
Grupo de Cantares da Escola Secundária do Fundão
Grupo de Musica Popular as Sementinhas do Centro de Dia do Castelejo

22H00 | Concerto
Farra fanfarra

Dia 12

Todo o dia, animação de rua
Bombos do Alcaide
Bombos de Lavacolhos
Bombos “Trinta por uma linha”
Grupo de Cavaquinhos “Selectos em dó menor”
Pífaradas do Alvaro
Sacábuxa
Associação de Bombos, Cult. Lazer S. Sebastião (Barco)
Alunos Escola Tecn. Artística e Profissional de Nisa

16H00 | Demonstração de cocktails de cereja pela Esc. Prof. do Fundão

22H00 | Concerto The Lucky Duckies

Dia 13

9h00 | Passeio Pedestre Casas do Benfica na rota da cereja
Concentração: Largo principal - Alcongosta
Inscrições: 961 897 702 / 964 445 640
Organização - Casa do Benfica Fundão / apoio - Caminheiros da Gardunha

9h30 | Passeio motard “Os Trinca Cerejas”
Concentração: Junto ao Tribunal do Fundão
Inscrições: 965 420 172

Todo o dia, animação de rua
Grupo de Bombos da Capinha
Pífaradas do Álvaro
Escola Tecn. Artística e Prof. Nisa

22H00 | Concerto
Banda Filarmónica União de Santa Cruz


Mais imagens e informações sobre a festa e sobre Alcongosta:

terça-feira, junho 01, 2010

Continua a Guerra das Vuvuzelas na Wikipédia

Lembram-se de quando, num artigo anterior, referi a informação sui generis contida na página da Wikipédia dedicada às vuvuzelas? Desde então as posições acerca destes particularmente irritantes instrumentos produtos de ruído parecem extremado e as actualizações dessa página têm-se sucedido de forma bastante animada.

Se há 2 ou 3 dias atrás a informação contida na página era bastante depreciativa, quer para as vuvuzelas, quer para a Galp, a informação hoje apresentada revela um claro cunho de marketing, como se alguém da própria petrolífera se tivesse sentado diante de um computador e inserido essa informação. Teorias da conspiração, eu sei.

Curioso episódio em que se vê envolvida esta empresa que, não contente por ir aos bolsos dos automobilistas, parece agora estar também apostada em atentar contra os tímpanos da população em geral.

Cliquem nas imagens para ampliar:


Anteontem


Hoje

sexta-feira, abril 09, 2010

Super Blog Awards - Comunicado oficial



Foram ontem divulgados os resultados do concurso Super Blog Awards e, aparentemente, o Blog do Katano não conseguiu impressionar novamente o júri, isto numa altura em que o depósito do Caetanomobile já havia sido atestado com biodiesel nas bombas de gasolina do Pingo Doce (sempre ficou mais em conta), na esperança que desta vez o prémio fosse parar a Vila Real de Santo António. Tal não aconteceu e, por isso, há que tirar as devidas ilações.

A primeira medida lógica a tomar passa por despedir todo o staff de campanha. Em alternativa vamos considerar a hipótese de pôr todos os seus membros a recibos verdes, uma vez que assim sempre se poupa o dinheiro da Segurança Social e, em regime precário, sempre vão andar mais aplicadinhos em futuras ocasiões, não vá a entidade patronal acordar mal disposta e dispensá-los sem apelo nem agravo.

Outra medida que se impõe é descobrir o paradeiro dos 5 indivíduos de etnia cigana que foram contratados a preço de ouro, alegadamente por alguém deste blog, para dialogar amistosamente com os membros do júri e que, pelas últimas informações de que dispomos, foram vistos pela última vez na fronteira de Vilar Formoso, com cara de quem ia gastar uma bela quantia em algumas centenas de aparelhos yPhone para vender depois em áreas de serviço.

Contudo, e embora estes resultados não constituam uma vitória, é certo, também não se pode falar numa derrota, muito pelo contrário. Pela primeira vez, este blog obteve uma percentagem de votos superior à média de crescimento da taxa de desemprego e, em termos absolutos, um total de votos que equivale ao triplo do valor global dos subsídios à agricultura concedidos pelo Estado no último semestre. Motivos portanto para nos regozijarmos e expressarmos elevado júbilo.

Resta-nos endereçar as mais cordiais saudações democráticas aos vencedores e deixar a garantia de que este blog continuará a cumprir o seu dever de prestar Serviço Público aos leitores, como até agora o tem feito.

A todos, o nosso muito obrigado!

terça-feira, março 23, 2010

Super Blog Awards - Amanhã é o dia de todas as decisões

Faltam neste momento cerca de 24h para o fim do Super Blog Awards e, o mínimo que se pode dizer, é que a votação tem sido extremamente renhida, com alternâncias sucessivas no topo da tabela.

Até agora, recebi da vossa parte uma adesão extraordinária que catapultaram o Blog do Katano para os lugares cimeiros mas a concorrência parece querer recuperar terreno. Nas horas que restam, tudo pode acontecer pelo que, mais que nunca, a vossa participação é fundamental.

Se ainda não votaram, esta é a hora de o fazer. Se já o fizeram, peço apenas que divulguem este apelo junto dos vossos contactos, amigos, familiares.

Seja como for, independentemente de ser ou não um dos blogues apurados para a 2ª fase, quero desde já deixar a todos vocês o meu muito obrigado pela força e pelos votos que deram a este blog! Obrigado!


Processo de voto:

1. Clicar no logótipo do Super Blog Awards deste post ou da coluna da direita

2. Caso não estejam registados, deverão fazê-lo. Caso estejam registados poderão usar o mesmo login, solicitando o reenvio da palavra-passe para o vosso e-mail caso não se recordem da mesma

2.1. Depois de se registarem deverão confirmar o registo clicando no link que vos será enviado por e-mail.

3. A partir daqui podem votar!


Já agora, e porque não custa nada depois de se registarem, permitam-me sugerir o voto também nos seguintes blogues:

Zé do Boné - Desporto
Catarina Marques_Works - Criatividade e Design
Uma frase sem sentido - Humor e Entretenimento

terça-feira, março 02, 2010

Votem no Blog do Katano no Super Blog Awards 2009/2010!

Pois é...! Depois do brilharete de 2007/2008 em que este blog venceu na categoria de blogs pessoais, os leitores pediram em referendo (com a vitória do SIM com 80%, 33% dos quais são uns verdadeiros brincalhões a fingirem estar dispostos a votar a troco de 12,50 Euros) e o Blog do Katano vai novamente participar no concurso Super Blog Awards, na sua edição 2009/2010. Numa primeira fase, qualquer pessoa poderá registar-se e votar no seu blog favorito nas diferentes categorias até 24 de Março. Posteriormente, os mais votados passarão à segunda fase onde serão alvo da apreciação por um júri que, com base em diferentes parâmetros de avaliação, escolherá o melhor blog dos apurados.

Tenho plena noção de que desta vez será muito difícil vencer a categoria em que este blog concorre, a categoria Pessoal, uma vez que a concorrência é muito mais forte. Seja como for, venho aqui pedir a cada um de vocês que colabore e ajude este Blog, votando!

Para votar deverão:

2 - Registar-se no site do concurso Super Blog Awards / Super Bock
3 - Responder a um pequeno inquérito
4 - Votar nos blogs favoritos em cada categoria

A todos o meu muito obrigado!

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

A garça-boieira já mora num centro de recuperação de animais selvagens

Apesar de melhor da ferida, a pequena garça-boieira que recolhi na última Terça-feira continuava sem comer (pelo menos que tivesse sido notado) e desidratada, razão pela qual decidi hoje ir entregá-la aos cuidados do CERAS - Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco.

Gerido pela Quercus de Castelo Branco em parceria com a Escola Superior Agrária de Castelo Branco, junto à qual funciona, o CERAS tem por missão recolher e recuperar animais selvagens, devolvendo-os depois à natureza, tudo isto com trabalho de voluntários dedicados.

Ali chegados, fomos recebidos pela Madalena, uma voluntária com muitos anos de colaboração com o Centro, que de imediato e com exemplar cuidado, limpou e tratou a ferida da garça-boieira, administrando-lhe depois soro para a rehidratar, juntamente com um antibiótico e analgésico. A garça foi previamente pesada (não foi fácil já que se trata de um bicho com personalidade) para que as doses de medicamentos a administrar fossem doseadas de acordo com o peso da ave.

A garça-boieira na sua nova residência temporária. Embora pareça ter-se transformado numa espécie de ave exótica azulada, tal deve-se à aplicação de Terramicina, um desinfectante para tratamento de animais, que lhe foi aplicado pela minha esmerada e inigualável figura materna que, à conta do seu esforço, levou umas valentes bicadas de protesto, o que explica também a distribuição da coloração.


Finalmente, foi colocada na sala de quarentena dentro de um compartimento que será o seu até recuperar do enorme hematoma resultante da ferida, saindo apenas para fazer o seu programa de tratamento e para eventualmente ir passear até à cidade para fazer um Raio-X.


A sala de quarentena onde vai ficar a garça nos próximos tempos, quentinha e com direito ao que foi descrito como "alimentação gourmet para insectívoros".


Confesso que fiquei impressionado com o trabalho que o CERAS ali desenvolve e que me foi dado a conhecer. O melhor elogio que posso fazer ao Centro, e à Madalena, é que regressei certo de que a ave se encontra nas melhores mãos possíveis e que tudo farão para que ela regresse depressa à sua colónia. Gentilmente irão manter-me informado da evolução do seu estado e avisar-me quando chegar a altura de a libertar.

Já agora, o prognóstico inicial aponta para que a ferida tenha sido causada por um chumbo... situação que ocorre frequentemente em espécies não cinegéticas, como esta, quando têm a pouca sorte de sobrevoar áreas com alta concentração de estupidez.


Colaborem com o CERAS!
Embora tenha parcerias com algumas instituições, o CERAS vive fundamentalmente do esforço de voluntários dedicados à recuperação e preservação de animais selvagens pelo que todo o apoio será bem-vindo.

A forma mais interessante de fazer um donativo será através do programa de apadrinhamento de animais. Com um contributo monetário, os padrinhos recebem informações acerca da evolução do estado do seu afilhado, uma foto, um certificado e são notificados quando chegar o momento da sua libertação. Adivinhem quem vai ser a minha afilhada?

Mais informações nos links:

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Hopenhagen - Há motivos para ter esperança?


A partir de hoje, todos os olhos e ouvidos do Mundo vão estar atentos a Copenhaga onde tem início a Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas. 192 países e diversas organizações vão sentar-se à mesa para discutir medidas de combate ao aquecimento global.

Os objectivos, bastante ambiciosos, passa por reduzir em cerca de 25% as emissões de dióxido de carbono, o principal responsável pelo efeito de estufa, dos países desenvolvidos até 2020 e em 50% até 2050. Ao mesmo tempo, o objectivo será chegar a uma plataforma de entendimento para que os países desenvolvidos financiem em cerca de 20 biliões de dólares até 2012 os países em vias de desenvolvimento para que estes implementem planos de desenvolvimento sustentáveis e de baixas emissões de dióxido de carbono.

Aguarda-se também com muita expectativa as posições da China e dos EUA, actualmente responsáveis em conjunto por 40% das emissões mundiais de dióxido de carbono ainda para mais depois do fracasso do Protocolo de Quioto.

Será legítimo esperar algo desta conferência? Penso que apesar da boa vontade dos participantes, dificilmente se tomarão medidas de fundo até porque os lobbies do petróleo e do carvão mantêm o seu peso e a sua influência, apesar de se verificar já uma certa tendência para as energias "limpas".

É certo que nunca como hoje a questão do Aquecimento Global esteve tão presente nas primeiras páginas da comunicação social e nos discursos políticos mas a tarefa afigura-se muito complicada quando é necessário um compromisso conjunto mas os interesses de uns são contrários aos de outros e quando as políticas são direccionadas para o imediatismo.

O que poderemos esperar? Copenhagen ou Hopenhagen? Mais uma declaração de intenções ou medidas concretas de combate às alterações climáticas?


20% da população mundial consome 80% dos recursos disponíveis

Actualmente gasta-se 12 vezes mais em armas do que a ajudar países em desenvolvimento

5.000 pessoas morrem diariamente devido à poluição da água

1.000 milhões de pessoas não têm actualmente acesso a água potável

1 bilião de pessoas estão a morrer à fome

Mais de 50% dos cereais comercializados no mundo são usados para alimentar animais ou produzir bio-combustíveis

40% da terra arável está degradada

13 milhões de hectares de floresta desaparecem anualmente, isto é, uma área equivalente a 13 milhões de campos de futebol

1 em 4 mamíferos, 1 em 8 aves e 1 em 3 anfíbios estão actualmente em risco de extinção.

3 quartos das zonas de pesca estão esgotadas, reduzidas ou correm esse risco

A temperatura média dos últimos 15 anos foi a mais alta de que há registo

A calota de gelo perdeu 40% da sua espessura nos últimos 40 anos

No ano de 2050 poderá haver no mínimo 200 milhões de refugiados devido às alterações climáticas

Links obrigatórios:




WWF

domingo, dezembro 06, 2009

Quem protege o Exército da ameaça dos condutores portugueses?

Se alguém ainda duvidava do estatuto dos condutores portugueses como uma das maiores ameaças à saúde pública, ao lado da qual o H1N1 é apenas um vírus traquina, o incidente da passada sexta-feira, no qual um veículo comercial atropelou 17 elementos de uma coluna militar em Tancos, vem confirmar não só esse estatuto mas também elevá-lo ao de ameaça à segurança interna do Estado.

Ao que parece, a coluna militar ocupava uma das vias de circulação, marchando no mesmo sentido de deslocação do veículo, tendo este surgido atrás dos militares. O último elemento da coluna terá feito sinal ao condutor para se desviar e este guinou para a via oposta, perdendo o controlo e voltando novamente para a via da direita, em pleno centro da coluna, colhendo os 17 militares.

Segundo o condutor, o acidente deveu-se não ao facto de circular a uma velocidade excessiva numa estrada em mau estado mas sim ao facto de os militares não usarem um colete retro-reflector, pelo que não lhe foi possível perceber a presença da coluna de 51 militares naquela recta da estrada. Ora, como sabemos, o colete retro-reflector é um adereço indispensável, mas de aquisição recente, da parafernália que os militares têm de usar. Aliás, há mesmo quem afirme que se os militares portugueses tivessem usado colete retro-reflector nas suas operações na altura, a Guerra Colonial ter-se-ia resolvido muito mais rapidamente.

Agora o Exército vê-se perante um dilema: frente a esta nova ameaça, que na última década provocou mais de 14.000 mortos, não será mais seguro enviar os soldados para locais mais seguros como os Balcãs ou até mesmo o Afeganistão?

segunda-feira, novembro 30, 2009

Suíços reprovam construção de minaretes


Os suíços rejeitaram em referendo a construção de minaretes, torres associadas às mesquitas e usadas para chamar os fiéis à oração. Os partidários do "Não" defenderam durante a campanha que os minaretes são símbolos de poder político islâmico e apoiaram a sua campanha em cartazes que, segundo os defensores do "Sim" carregavam uma mensagem não muito subtil de islamofobia, em que a bandeira Suíça surge coberta de minaretes que lembram mísseis, para além de uma mulher coberta com uma burca.

Pelo que percebi, esta proibição prende-se apenas com a construção dos minaretes e não com a construção de novas mesquitas. Isto seria equivalente a proibir-se a construção de torres de igreja, destinadas também elas a convocar os fiéis para o culto (aliás, não são raros os casos na Península Ibérica em que minaretes foram reconvertidos em torres sineiras).

Ora, sendo a Suíça um estado laico, onde a população usufrui de liberdade de culto e tendo em conta que a comunidade islâmica no país é já de 400.000 habitantes (numa população de 7,7 milhões), esta medida promete causar grandes problemas ao país e pode servir para acicatar ainda mais a cisão entre cristãos e muçulmanos na Europa e Médio Oriente.

Será que a comunidade cristã estaria disposta a aceitar uma proibição deste género relativa a torres sineiras em países em que é minoritária? Qual é afinal o problema em se construírem minaretes, alguns deles verdadeiras obras de arte?

A torre-ícone de Sevilha - A Giralda - Torre da Catedral e ex-minarete reconvertido em torre sineira.

domingo, novembro 22, 2009

O míscaro amarelo - tóxico ou comestível?

O míscaro amarelo (Tricholoma Equestris / Tricholoma Flavovirens) é um dos cogumelos mais apreciados e um ingrediente tradicionalmente presente na gastronomia regional nesta altura do ano. Contudo, existe uma polémica crescente à sua volta uma vez que em França e Espanha (há um ano atrás) este cogumelo foi incluído na lista de espécies tóxicas tendo a sua comercialização e consumo sido proibidos.

Esta proibição surge como resultado de estudos que associam o consumo da espécie a casos de rabdomiólise, a degradação de tecidos musculares que acarretam depois outros problemas como a disfuncionalidade dos rins. Em França foram registados alguns casos mortais em que os pacientes haviam consumido míscaros em várias refeições nos últimos dias. Estes problemas parecem contudo associados a casos de consumo sistemático do míscaro pelo que o melhor mesmo será não abusar demasiado. Pessoalmente, desde a minha infância que me incluo no lote das muitas pessoas conhecidas apreciadoras do cogumelo sem nunca ter tido conhecimento de casos de envenenamento.

Por isso mesmo dediquei uma hora da manhã de ontem para um pequeno passeio de recolha do míscaro amarelo e que permitiu recolher também algumas fotos que ilustram bem as características desta espécie. Quanto aos cogumelos colhidos, foram bem empregues num belo arroz de míscaros que estava simplesmente d-e-l-i-c-i-o-s-o.



Um míscaro amarelo despontando do solo sob a caruma.


Um míscaro que não se destacou do micélio do fungo que lhe deu origem, tendo-se desenvolvido no seio deste. Convém recordar que o cogumelo é apenas a parte visível de um fungo destinando-se a disseminar os esporos desse mesmo fungo.


Afastada a caruma do pinheiro, os míscaros surgem como... cogumelos! Esta espécie não se destaca muito do solo pelo que há que estar atento aos montículos no substrato orgânico superficial do solo.


Uma pequena "horta" de míscaros revelada após afastar a caruma dos pinheiros que cobria os cogumelos. Colhidos os maiores (com uma faca e não arrancados) os mais pequenos foram deixados no local para se desenvolverem e atingirem a maturidade (passando assim a disseminar esporos), podendo também ser colhidos por outros apreciadores. O local foi novamente coberto com o substrato orgânico.

terça-feira, outubro 13, 2009

O Vídeo de Maité Proença, a polémica do momento (actualizado)



Um vídeo onde Maité Proença satiriza uma sua estadia em Portugal em 2007 está a dar que falar na web. Em 5 minutos a actriz vai de Sintra a Belém, onde descobre as delícias dos pastéis de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos e o Padrão dos Descobrimentos que, segundo ela, foi mandado construir por Salazar, um ditador que governou mais de 20 anos e que foi considerado o maior português de sempre num concurso televisivo.

A parte "portuguesa" do vídeo conclui com a actriz a imitar a estátua de uma fonte, cuspindo para o tanque, um efeito que, quanto a mim, teria sido melhor conseguido se a actriz tivesse enchido a boca com água para reproduzir aquele fiozinho projectado pela estátua.

A parte que realmente abala os pilares do orgulho nacional é, para mim, o momento em que actriz põe a nu a patética formação em informática dos funcionários do hotel onde esteve alojada, ridicularizando de uma só vez o Choque Tecnológico e as Novas Oportunidades. Por isso o Blog do Katano, movido pelo mais elementar sentimento patriótico e num exercício puro de cidadania, lançou uma petição dirigida a todos os hotéis de Portugal, no sentido de obrigar estes a darem formação em informática a todos os funcionários hoteleiros, especialmente aos porteiros. Este é um escândalo ao qual devemos por cobro imediatamente!



Actualização

Relativamente ao vídeo propriamente dito, não consigo perceber o porquê de tanta celeuma. Trata-se de um vídeo em tom satírico, sobre situações que tenho pena de não ter sido eu a descobrir, mas que deve ser tido como aquilo que realmente é: um vídeo de alguém que ao viajar encontra situações burlescas (a dos funcionários e das tentativas de reparar a ligação à Internet então, é sublime) e as procura enquadrar num estereótipo para lhes dar mais ênfase. Inclusive, o último momento do vídeo até vai no sentido de “atingir” a própria Maité quando é dito que esta enviou um e-mail dizendo que não conseguia enviar e-mails.

Acho que isto tudo constitui um sério teste ao sentido de humor dos portugueses que, neste aspecto, não terão sido bem sucedidos. Aliás, até aposto que muitos dos portugueses ofendidos nem sabiam antes deste vídeo, que Salazar tinha governado mais de 20 anos (informo desde já que foram 36 longos anos). Sobre este particular merece ou não merece ser satirizado o facto de este ditador ter sido eleito pelos portugueses como o maior português de sempre?

Ao longo da vida deste blog a sátira foi usada recorrentemente e continuará a ser usada. Foi por exemplo o caso recente das eleições autárquicas e das legislativas, com especial enfoque nos tempos de antena. Aliás, relativamente a este último assunto, um dos líderes partidários em causa até fez questão de dar destaque ao artigo e de o colocar no seu perfil do Facebook.

Vá lá. Quantos de nós não fizemos já humor com brasileiros, com espanhóis ou outras nacionalidades? A única diferença é que não o fizemos de forma tão exposta. Por aqui, enquanto portugueses, não nos sentimos minimamente atingidos por este vídeo nem achamos que ele mereça um pedido de desculpas por parte da autora.

Agora a situação do fracasso das Novas Oportunidades e do Choque Tecnológico na pessoa dos funcionários de hotel, isso sim já merece reflexão. Sim, este é um comentário satírico.



segunda-feira, outubro 12, 2009

Eleições Autárquicas - Eleições à boa maneira portuguesa

Infelizmente para Santana Lopes, nem o facto de ter sido apoiado por Carmona Rodrigues (e de ter sabido desse apoio antes mesmo de Carmona saber que ia apoiar Santana) foi suficiente para evitar a vitória de António Costa com maioria absoluta.


15 dias depois das legislativas e da "vitória estrondosa” do Partido Socialista, Portugal foi hoje animado pelas eleições autárquicas e, como tem sido tradição, vários partidos reclamaram vitória. O PSD porque foi quem conseguiu mais câmaras municipais, porque ficou com a presidência da Associação de Municípios e da Associação de Freguesias. O PS porque conseguiu maior número de votos e o maior número de mandatos, para além de ter obtido mais votos do que nas anteriores autárquicas. O CDS porque aumentou o número de votos e obteve mais mandatos. Sobram a CDU e o Bloco de Esquerda. O primeiro partido alegou estar a ser alvo de uma conspiração para a sua desvalorização mas, ainda assim, acha que conseguiu resultados importantes, enquanto o segundo lamentou a não eleição de deputados para Lisboa e Porto mas congratulou-se com o aumento do número de votos em relação às últimas autárquicas.

Em suma, tudo isto soa um bocado à conversa de alguém que acabou de ter uma refrega com outra pessoa com o dobro do seu tamanho e que se congratula por, apesar de ter sofrido sérios danos estruturais no organismo, ter conseguido ainda assim infligir escoriações com o maxilar nos punhos do adversário.


A campanha de Élio Delgado apostou arrojadamente num cartaz onde o candidato surge acompanhado pelo Homem Invisível em pessoa, que assume ter uma especial afinidade pelo Concelho de Aveiro. A aposta foi certeira e o candidato conseguiu mesmo a maioria absoluta. Isto prova que apostar em celebridades compensa, desde que estas não assumam publicamente que descascar fruta é uma seca.


Podem dizer o que quiserem do Jerónimo de Sousa mas que este cartaz lhe dá razão quando diz que o PS pisca o olho à direita, isso dá. Ana Gomes, histórica defensora dos direitos do proletariado pelo MRPP mas militante de longa data do PS, assume-se aqui descaradamente como uma mulher "às direitas" e nem o facto de aparecer à esquerda no cartaz serve de desculpa.


Seja como for, constitui um erro primário fazer-se uma leitura nacional dos resultados de eleições autárquicas uma vez que, na realidade, estamos perante um mosaico de micro-realidades muito diferentes umas das outras, cujos resultados eleitorais dependem muito mais da apreciação de desempenho individual e da ligação de certo modo afectiva aos candidatos por parte do eleitorado, passando a identificação partidária para segundo plano.

No conjunto dessas micro-realidades há casos particulares que merecem destaque. Primeiro foi o conjunto de casos insólitos que, à boa maneira portuguesa, foram acontecendo durante o dia. Desde um candidato no distrito de Setúbal que pedia, à porta do local de voto, que votassem nele, passando por outro que, lembrando que tinha prometido, caso ganhasse, oferecer uma carrinha para apoio a deficientes e resolveu “inocentemente” estacioná-la junto ao local de voto, até ao caso trágico da freguesia do Ermelo onde o candidato do PS resolveu reduzir o número de apoiantes da sua opositora, abatendo o marido desta a tiro logo de manhã. Como estamos em Portugal, tenho de perguntar: com um processo criminal “às costas”, será que este candidato ainda se vai apresentar a eleições?

Noutras bandas, falando de algumas figuras mais particulares do meio político, Valentim Loureiro foi reconduzido à liderança da Câmara de Gondomar o que motivou efusivos festejos por parte da população do município, da família Loureiro e de diversas marcas de fabricantes de electrodomésticos, para além de certos sectores da EDP.

Isaltino Morais também venceu, isto apesar de estar à espera do resultado do recurso que interpôs no processo em que foi condenado a 7 anos de prisão efectiva e perda de mandato pela prática de corrupção passiva. Fazendo minhas as palavras de Miguel Sousa Tavares, não deixa de ser paradoxal que os portugueses se queixem que os políticos são todos uns corruptos e uns vigaristas e que, perante um autarca que reconhecidamente o poderá ser, acabem por votar nele.

Mas felizmente nem todos são assim. Fátima Felgueiras foi finalmente apeada do poder que detinha desde 1997 e após um último mandato ao qual se tinha candidatado como independente na sequência do caso do “saco azul”.

Também o notável Avelino Ferreira Torres, candidato de última hora após o Tribunal Constitucional ter dado provimento ao seu recurso da decisão do tribunal de Marco de Canaveses que o dava como inelegível, foi derrotado sumariamente. Ao fim e ao cabo, é bom constatar que há certas zonas onde ainda reina algum bom senso.


Erro fatal! A perspectiva de levar, não com um, mas com 3 exemplares de Avelino Ferreira Torres foi mais do que a população de Marco de Canaveses poderia suportar e a maioria absoluta acabou por ser conquistada pelo PSD. Resta agora saber, nas duas vagas conquistadas, qual dos 3 Avelino ficará de fora. Eu aposto no de fato-macaco.


Aqui pelo burgo, Manuel Frexes ganhou novamente e com expressiva vantagem de 5 mandatos contra 2 do PS, preparando-se para iniciar o 3º mandato consecutivo como presidente da Câmara Municipal do Fundão. Na assembleia municipal os resultados foram bipolarizados mais uma vez, com a lista do PSD a assegurar 18 deputados municipais contra 11 do PS.

No calor da vitória, Frexes discursou nas escadarias do Pavilhão Multiusos frente a um grande número de apoiantes e após a tradicional introdução de parabenização aos eleitores, resolveu desancar o PS preferindo destacar a derrota destes e criticando duramente a forma como haviam feito campanha mas terminando curiosamente com um apelo à união em prol do Concelho do Fundão. O discurso foi inicialmente um pouco atribulado pois, se algumas dificuldades técnicas atrasaram o seu início, quando finalmente Frexes começou a falar, surgiu a caravana automóvel do PSD buzinando furiosamente o que dificultou bastante as tentativas de ouvir o autarca.

Com o fim das eleições autárquicas chega também ao fim um intenso ciclo eleitoral e o país regressa agora à normalidade possível e a um maior sossego. Aliás, o desassossego provocado pelas campanhas é um tema que abordarei num próximo artigo.


Apesar de o ar bronzeado sugerir que se tratava de um candidato que conhece Mundo, o eleitorado que sabe que acima de Mangualde ainda existe muito Portugal (pelo menos até Montalegre) não perdoou a ignorância e deu a vitória com maioria absoluta ao PS. Por vezes, na preparação das campanhas, dar uma vista de olhos pelo Google Maps não custa nada, senhor.


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