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sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Divulgação: Colóquio - Os Segredos do Subsolo no Concelho do Fundão

É já na próxima semana que são apresentados os resultados dos principais trabalhos de investigação arqueológica realizados nos últimos 7 anos no concelho do Fundão. Uma oportunidade a não perder, tanto para os especialistas da área como para a própria população do concelho.

No próximo dia 25 de Fevereiro, realiza-se no Fundão o colóquio "Os segredos do subsolo no Concelho do Fundão" – seis anos de escavações arqueológicas (2003-2009). Neste encontro estarão reunidos os arqueólogos que têm efectuado trabalhos de escavação no Concelho do Fundão, para uma apresentação dos resultados dessas mesmas investigações. As conferências iniciam-se às 10h00 no Museu d’Imprensa (Casino Fundanense) e a entrada é livre.


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terça-feira, junho 22, 2010

Porque há ruínas que não servem para o Turismo

Portugal tem inúmeros locais de elevado interesse turístico, sejam eles de interesse natural, paisagístico, monumental ou arqueológico.

Determinante na promoção da oferta turística tem sido a acção do Turismo de Portugal, criador de conceitos tão revolucionários como o sui generis Allgarve, reinventando toda uma região para grande orgulho dos allgarvios, ou de roteiros que comparam uma viagem entre Alcobaça e Tomar à saga da Demanda do Graal.

Evidentemente, também é feita a promoção de vários conjuntos de ruínas, como Conímbriga e Briteiros entre outros. Agora, o que poucos sabiam, é que o Turismo de Portugal também faz questão de assinalar as ruínas que não devem ser visitadas. Isso mesmo pôde ser constatado durante uma das últimas chuvadas na distinta vila de Caria, conforme se apresenta nos instantâneos abaixo. Quem, motivado pela obsessão em visitar ruínas, se pudesse sentir tentado a explorar este novo conjunto, depressa era demovido pela mensagem taxativa que rodeava o local.

Quem disse que a minúcia é um dom exclusivo dos germânicos?



Este autor agradece à sua entidade patronal o gentil fornecimento destes instantâneos, obtidos nitidamente através de uma invulgar mestria e com um enquadramento e uma luminosidade notáveis.

domingo, maio 30, 2010

O Cabeço das Fráguas

Como previsto, o dia de ontem foi dedicado a uma caminhada até ao Cabeço das Fráguas, no limite entre o Concelho da Guarda e o Concelho de Sabugal, concretizando finalmente um regresso já muito ansiado a esse fantástico local.

A vertente escolhida para abordar o monte foi a vertente Oeste, não necessariamente fácil como a vertente Norte, caracterizando-se por uma forte pendente que, aliada ao Sol e ao calor que se faziam sentir, tornou o percurso algo difícil.

Têm por isso a minha simpatia os que, apesar de numa primeira instância se mostraram interessados em participar, terem depois mudado de ideias perante o percurso.

Benespera

Antes de iniciarmos a caminhada, houve tempo para uma pequena paragem na aldeia de Benespera. Agora subjugada pela A23, a aldeia vive na expectativa do regresso da ligação ferroviária que, até há algum tempo atrás, já só se fazia por automotora, tendo em conta o estado em que se encontrava a linha férrea.

Fica a memória romântica do actual apeadeiro a partir do qual se tem uma vista muito interessante sobre a aldeia, apesar do “corte” da A23 na paisagem.

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Digna de registo é a impressionante ponte ferroviária sobranceira à aldeia, que ainda ostenta a data da sua construção: 1890.

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O Cabeço das Fráguas

Com 1015 m de altitude, o Cabeço das Fráguas é um enorme bloco granítico que se avista a quilómetros de distância, destacando-se pela sua forma imponente. Não há caminhos para o topo, pelo que o acesso é algo difícil, embora na vertente Norte a inclinação seja mais suave.

Não tem vegetação a não ser vegetação rasteira e arbustiva o que dificulta ainda mais a subida, nesta altura do ano, pela ausência de sombra.

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No entanto, todas as dificuldades da subida se esfumam perante a vista que se alcança ao chegar ao topo, sendo possível observar o território que se estende da Serra da Estrela até à raia espanhola.

Vídeo panorâmico
Clique e arraste para ver a paisagem a 360º









Para visualizar, é necessário ter o Apple Quicktime. Infelizmente parece só funcionar em Internet Explorer.

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Ao longe, a Serra da Gardunha, a Maúnça e a Estrela, sendo ainda possível avistar Belmonte e, mais atrás, a Covilhã.


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Para Sudeste, o Sabugal e a Serra da Malcata.


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Um olhar sobre a raia em direcção a Espanha

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O monte faz bem jus ao seu nome. O granito está omnipresente em caos de blocos que a natureza esculpiu aqui e ali em formas curiosas. Aqui tudo se viu. Desde um coelho, até um pinguim passando por um dos robôs maléficos do Exército Dourado do filme Hellboy 2. A criatividade na interpretação terá sido ajudada sem dúvida pela incidência solar.


O Castro e o Santuário

Mais que pela paisagem que do seu topo se avista, o Cabeço das Fráguas é conhecido pelos vestígios arqueológicos que nele se encontram.

No seu cume, encontram-se vestígios de ocupação humana do século VIII a.C. até ao século I d.C., altura em que o povoado que aqui existia terá sido abandonado.

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Derrube de construções no interior do perímetro muralhado.

No centro deste povoado, com uma linha de muralhas exteriores e uma mais interior, situava-se um importante santuário ao qual deveriam afluir ciclicamente os habitantes da região.

A actividade religiosa desse santuário está aliás atestada por uma inscrição muito peculiar, gravada numa laje, a “Laje da Moura”, junto a um conjunto de construções, posta à luz do dia pelos trabalhos arqueológicos, que poderiam pertencer ao templo.

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Aspecto dos trabalhos arqueológicos. As estruturas descobertas, divisões circulares e rectangulares de várias épocas, foram protegidas com geotêxtil para impedir a sua degradação durante o período invernal.

Esta inscrição evoca o sacrifício de vários animais a diferentes deuses, de diferentes hierarquias, sendo o seu interesse ainda maior pelo facto de conter a língua que se convencionou chamar de lusitana, escrita em caracteres latinos.

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Assim, aos deuses Trebopala, Labbo, Iccona Loiminna, Trebarune e Reva foram consagrados respectivamente uma ovelha, um porco, uma ovelha prenha, uma ovelha “de qualidade” e um touro.

É curiosa a similaridade de termos desta língua pré-romana com o nosso actual português, “TAVROM” para Touro e “PORCOM” para Porco.

Já depois de termos deixado o Cabeço para trás, devidamente dotados de uma nova coloração ao estilo “lagosta”, impôs-se uma visita ao Museu da Guarda para visitar a exposição, que hoje termina, dedicada aos resultados das investigações e aos achados no Cabeço das Fráguas.

No centro da sala encontrava-se a reprodução da laje com a inscrição, feita através de levantamento por sistema laser.

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Não podia acabar sem o insólito do costume…

Estando no Cabeço das Fráguas, aproveitámos para nos dedicarmos ao Geocaching, tendo encontrado a cache local em questão de minutos.

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A caixa continha vários objectos, o logbook e um panfleto que contava a história do local e continha uma descrição da inscrição rupestre, algo digno de aplauso visto que traz valor acrescentado à visita.

O pior foi quando, ao abrir o panfleto, verificámos que este estava ilustrado com uma fotografia bem sugestiva do Cabeço das Fráguas… que havia sido tirada por mim numa das minhas visitas anteriores. Exactamente esta foto.

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Embora não tenham tido a delicadeza de mencionar a autoria da foto, pelo menos há que louvar o bom gosto de quem elaborou o panfleto.

Imagem da inscrição retirada daqui


terça-feira, maio 25, 2010

Caminhada e piquenique no Cabeço das Fráguas

O Cabeço das Fráguas sempre exerceu em mim um fascínio difícil de explicar. Talvez seja o peso da História que ali se sente, ou os segredo que aquele monte teima em guardar apesar da curiosidade humana, ou talvez seja ainda a espectacular paisagem que se avista desde a Serra da Estrela até terras de Espanha.

Ainda neste sítio existiu outrora um povoado anterior à romanização mas que sofreu os efeitos desta. A prova maior é a inscrição numa rocha que testemunha o sacrifício de vários animais aos deuses indígenas, perpetuando a devoção dos habitantes para com os seus deuses há quase 2 milénios.

Um pouco para reviver este fascínio e, por outro lado, para permitir dar a conhecer este local ao núcleo duro do blog (embora com a baixa tremenda da Ana), no próximo Sábado nada melhor do que fazer uma caminhada com piquenique até ao local. Quem quiser pode juntar-se às hostes, bastando para isso estar devidamente equipado, levar o seu farnel e cumprir o pré-requisito obrigatório de levar boa disposição. Vamos lá?

quarta-feira, abril 21, 2010

Conímbriga em 3D - Viagem no tempo a três dimensões

Na minha costumeira visita ao meu rol de blogues de eleição, encontrei no Património Cultural, Sustentabilidade e Desenvolvimento esta espectacular reconstrução virtual da Cidade de Conímbriga, disponibilizada online pelo Italica Romana. Nela, é possível ver a cidade na sua máxima extensão, quando ainda não se tinha retraído para trás da 2ª muralha que, no vídeo ainda não existe e que hoje domina a paisagem no local. É possível ver o Anfiteatro, o aqueducto, as termas de Trajano, a Casa dos Repuxos, a Ínsula do Vaso Fálico, entre outras construções. Conseguem imaginar o trabalho que isto terá dado?

Aconselho uma visita ao Italica Romana para verem outras reconstruções virtuais de alguns edifícios emblemáticos de Conímbriga e de outros sítios arqueológicos, entre os quais Santiponce.

Estas reconstruções, sejam elas tridimensionais ou apenas bidimensionais, são instrumentos indispensáveis à interpretação dos sítios arqueológicos, vindo dar ao cidadão comum uma ideia completamente diferente dos "amontoados" de pedras e de peças em avulso que lhes são normalmente apresentados, quer nos sítios em causa, quer nos museus.

Este filme mudou ou não mudou a vossa ideia acerca de Conímbriga?

domingo, abril 11, 2010

Divulgação: I Jornadas de Arte Pré-Histórica do Sudoeste Europeu

Recebemos do Museu Arqueológico Municipal José Monteiro, do Fundão, o seguinte pedido de divulgação:

clicar para ampliar

A recente descoberta de arte paleolítica ao ar livre no Poço do Caldeirão, Barroca, e mais recentemente a criação do seu centro de interpretação vem, indubitavelmente, colocar esta região na grande rota europeia da Arte Pré-histórica.

Face a esta realidade, com implicações a todos os níveis, as várias entidades associadas ao projecto valorativo do espaço, a começar pelo Museu Arqueológico do Fundão, resolveram criar uma plataforma científica anual com o intuito de debater, divulgar e aprofundar a temática da arte pré-histórica. Assim nasceram as Jornadas de Arte Pré-histórica do Sudoeste Europeu, que terão a sua primeira edição no presente ano na Casa Grande da Barroca e que irão reunir, durante dois dias, diversos investigadores europeus para um debate reflexivo, aberto e actual.

Com o fito de promover a confluência investigativa internacional pretende ainda propiciar a troca de experiências científicas e metodológicas, bem como permuta de novos conhecimentos. Serão apresentados estudos regionais, estudos de conjuntos e novos achados. Irão ser abordados temas relativos à arte rupestre ao ar livre, arte gravada, arte pintada, arte figurativa e esquemática e arte móvel, num período cronológico que irá do Paleolítico à Idade do Ferro.


quinta-feira, março 18, 2010

Quando um livro com 84 anos nos faz revisitar o que pensávamos conhecer

Ler é uma das grandes paixões da minha vida que, desde muito cedo, aprendi a cultivar. Inclusive, recordo-me que, nos meus tempos de escola primária, era tão viciado em leitura que, à falta de outros livros, pegava num dicionário e começava a lê-lo. Embora não me consiga recordar se cheguei ou não ao fim da insípida trama do dicionário, o vício da leitura ficou enraizado e permaneceu até hoje como uma espécie de função biológica indispensável e inevitável. Por isso, comprar ou receber livros é sempre extremamente gratificante.

Ora, um dos últimos livros que recebi, simpaticamente oferecido pela família Brito, revelou-se uma verdadeira pérola, não só por se tratar de um livro com 84 anos (tendo eu uma adoração especial por livros antigos como aqui e aqui referi) e sendo parte de uma tiragem de 100 exemplares, mas também porque me permitiu revisitar com uma perspectiva completamente diferente alguns locais que visitei em França durante a minha viagem a solo em 2007.

Trata-se de um livro dedicado às cidades romanas do vale do Ródano nas quais inevitavelmente se incluem capítulos dedicados a Nimes e Orange, cidades que ainda hoje ostentam monumentos impressionantes da época romana, classificados pela UNESCO. É interessante comparar o estado de conservação dos monumentos em 1926, apresentados nas fotografias e ilustrações do livro, com o que encontrei em 2007.

O Arco de Triunfo, ou mais propriamente, o Arco Comemorativo consagrado a Tibério é uma verdadeira banda-desenhada dos feitos de armas da legião II que fundaram esta cidade embora muitos elementos tenham desaparecido com o tempo, especialmente com a adaptação do arco a atalaia durante a Idade Média. As diferenças entre 1926 e 2007 são pouco evidentes até porque o Arco foi completamente recuperado em... 1811, em plena época napoleónica.


É contudo na comparação com a sua configuração na Idade Média, em que foi adaptado a torre de vigia como já referi, que as diferenças saltam à vista. Este não foi um caso virgem em termos de adaptação pois existem vários outros casos de arcos romanos incorporados em fortificações. A reconstituição hipotética ajuda a dar uma ideia provável do que seria o seu aspecto original.

(clicar para ampliar)

Já o Teatro Romano de Orange é o melhor conservado da Europa, mantendo de pé o seu imponente muro de cena de 103 metros de comprimento por 37 de altura desde o século I d.C., descrito por Luís XIV como sendo "a mais bela muralha do Reino".

Tendo sido "preenchido" com habitações que entretanto foram demolidas a partir de 1825, o aspecto do teatro revelava em 1926 algum abandono em forte contraste com a actualidade.



Contudo, um dos aspectos mais interessantes do livro prende-se com a descrição dos monumentos da cidade de Arles, cidade que ainda não tive ocasião de visitar, especialmente com o seu imponente anfiteatro, um dos monumentos romanos melhor conservados no Mundo.

Inicialmente utilizados para jogos (combates, representações,...) que divertiam os 25.000 espectadores que se podiam sentar nas bancadas, após o advento do cristianismo e a decadência do Império Romano, o edifício foi readaptado a fortificação na Idade Média, tendo sido construídas torres de vigia em pontos diametralmente opostos. Este foi aliás um destino partilhado por estruturas semelhantes como o anfiteatro de Nimes e o Coliseu de Roma.

Mais tarde, a fortificação foi substituída por um aglomerado de habitações que persistiram até ao Séc XIX, altura em que a estrutura foi desimpedida.

Este livro é realmente uma pequena pérola que, para além de me ter feito ver com outros olhos algo que eu pensava conhecer, me deixou com água na boca em relação a Arles que, inevitavelmente, será uma paragem obrigatória na minha próxima passagem por aquela zona.

Virada a última página, não pude deixar de ficar a matutar. Poderiam imaginar os Srs Sautel e Imbert que, 84 anos depois, o seu livro seria capaz de ter este efeito num leitor a cerca de 2.000 km, a ponto de lhe dar destaque numa coisa chamada "Blog do Katano" que pode ser encontrada num local etéreo e anárquico chamado "Internet"?

terça-feira, fevereiro 16, 2010

terça-feira, janeiro 26, 2010

Serão os restos mortais de Leonardo da Vinci idênticos ao sorriso da Mona Lisa?

É essa a questão a que alguns investigadores italianos vão procurar responder quando abrirem o túmulo situado no Castelo de Amboise, situado na região da Loire em França, para tentar encontrar o crânio de Leonardo da Vinci. O objectivo será reconstruir o rosto do "mestre" e compará-lo com o retrato de Mona Lisa para testar a hipótese de este poder ser na verdade um auto-retrato de Leonardo da Vinci. Uma interessante possibilidade a juntar-se a outras como poder tratar-se da mãe de Leonardo ou da esposa de um mercador florentino.

Os investigadores já chegaram a acordo com as autoridades culturais de França, assim como com os proprietários do castelo e os trabalhos deverão em princípio ter início no próximo Verão apesar da polémica que este projecto causou em certos sectores que acham que Leonardo da Vinci deveria ser deixado sossegado. No entanto, se o crânio estiver por acaso intacto, o maior obstáculo será ironicamente determinar se este é realmente Leonardo da Vinci, uma vez que a igreja onde se encontrava originalmente o túmulo foi destruída durante a Revolução Francesa, não havendo certezas sobre se realmente terão sido trasladados os despojos certos.

Há realmente espaço para debate nesta questão de se poder ou não abrir túmulos para estudos científicos, por muito exóticos que sejam, mas... será mais legítimo abrir túmulos de grandes faraós, grandes reis do passado do Egipto, que abrir túmulos de figuras históricas mais recentes como é o caso? Ainda recentemente, também Cristóvão Colombo foi alvo de um episódio semelhante, embora para determinar se estaria realmente sepultado em Sevilha ou em Santo Domingo na República Dominicana, tendo-se comprovado que afinal o túmulo certo é o que está em Espanha.

Por cá, este tipo de intervenção parece ainda ser um dos tabus mais persistentes, como se constatou aquando da tentativa de abertura do túmulo de Afonso Henriques por uma equipa luso-espanhola, para efeitos de estudo antropológico, em 2007 quando o então IPPAR deu o dito por não dito e, depois de uma primeira autorização, voltou atrás e rejeitou por duas vezes o pedido da equipa deste projecto da Universidade de Coimbra.


Imagens de Leonardo da Vinci e da Mona Lisa, ou vice-versa, obtidos em: Jaredgann.com e Dus Infernus

terça-feira, dezembro 22, 2009

Exposição "Memórias do Vale" oficialmente inaugurada


Finalmente a tão aguardada inauguração aconteceu e o que sinto neste momento pode traduzir-se por uma imensa satisfação por finalmente ter cumprido uma das etapas que tinha definido na génese deste trabalho há mais de 1 ano atrás e que era trazer a exposição até ao Fundão. Este sentimento é ainda mais potenciado pelo simples facto de o local da exposição ser o Museu Arqueológico, espaço que considero ser culturalmente de referência e pelo qual tenho muito carinho, não só enquanto cidadão mas, sobretudo, enquanto fundanense.


Quanto à inauguração, houve menos gente do que aquilo que esperava (facto que se explica pela época do ano que atravessamos), mas no geral foi bastante positiva. Começou por uma introdução do Dr. João Mendes Rosa que teceu rasgados elogios à iniciativa, passando-se depois à apresentação da exposição propriamente dita. No final, a surpresa veio da parte do senhor Santolaya, um homem que revelou profundo interesse pela preservação das tradições populares e que forneceu preciosas sugestões para desenvolvimentos futuros do trabalho.

No vídeo é possível ouvir em fundo a voz de protesto da pequena Elisa que, sendo esta a primeira participação numa inauguração, sem estar a dormir ou sem interferência de líquido amniótico, estava nitidamente nervosa.

Muitos passos há ainda para dar mas, para já, é tempo de usufruir deste momento. Quanto à exposição, estará patente na sala de exposições temporárias do Museu até ao próximo dia 26 de Fevereiro.

domingo, dezembro 20, 2009

Exposição "MEMÓRIAS DO VALE" - Página Oficial no Facebook


Já está disponível no Facebook a página oficial da Exposição "Memórias do Vale" que amanhã é inaugurada no Museu Arqueológico Municipal José Monteiro, no Fundão, onde estará patente até 26 de Fevereiro de 2010.

Podem aceder à página neste endereço:


Nesta página poderão acompanhar todas as novidades, dar a vossa opinião e ver os álbuns fotográficos das edições anteriores, assim como tudo o que foi publicado no blog sobre elas.

sábado, outubro 17, 2009

O Centro Interpretativo de Arte Rupestre da Barroca


Instalado num espaço do rés-do-chão da Casa Grande da Barroca, o Centro Interpretativo de Arte Rupestre da Barroca é uma pequena jóia do percurso de Arte Rupestre do rio Zêzere e sem dúvida uma primeira etapa indispensável para quem pretende visitar as gravuras junto ao rio.

Em duas salas, onde se procura manter evidente a íntima ligação ao Zêzere, a arte rupestre é explicada e contextualizada em vários painéis informativos e expositores de instrumentos que contam como viviam os nossos distantes antepassados e procuram explicar as motivações que os levaram a produzir estas gravuras. É depois traçado um paralelo com outros locais de arte rupestre como por exemplo Foz Côa, Mazouco e Siega Verde.


O visitante pode ainda experimentar a interactividade sendo ele próprio o desenhador das gravuras ou, mediante um sistema informático que reconhece placas com as gravuras que lhe são apresentadas pelo visitante e as explica recorrendo a curiosas animações.

E quem melhor que a própria população local para servir de guia? Numa iniciativa que merece um aplauso, o Museu do Fundão ministrou um curso de formação sobre arte rupestre aos habitantes da aldeia, aliás muito acolhedores, habilitando-os a fornecer aos visitantes que ali se desloquem as explicações necessárias sobre as gravuras.

Pelo que pudemos perceber, ao domingo o Centro Interpretativo está encerrado mas existe alguém responsável pelo mesmo que pode abrir as portas para permitir a visita. Acreditem que vale a pena.



Notas soltas

No artigo anterior sobre as gravuras, chamei aqui a atenção para um lamentável acto de vandalismo sofrido pelo painel mais antigo das gravuras rupestres da Barroca. Foi depois com algum espanto que, em Siega Verde, percebi a existência num dos painéis de arte rupestre desse local de adulterações semelhantes embora já com mais de 10 anos. Coincidência? Reincidência? A única certeza é que a idiotice não tem dono.


Barroca


Siega Verde

quarta-feira, setembro 23, 2009

O Museu do Penico / El Museo del Orinal - Ciudad Rodrigo


Clicar na imagem para ampliar

Estar num estabelecimento público, necessitar urgentemente de acesso a instalações sanitárias e constatar subitamente que estas não existem ou não estão acessíveis é sem dúvida o protótipo de uma das situações mais aborrecidas com que um cidadão se pode deparar.


Pois bem, no museu que hoje proponho esta situação afigura-se pouco provável visto que todo ele é casa de banho. Fundado em 2007, o Museu do Penico encontra-se instalado no Seminário de São Cayetano (claro!), junto à Catedral de Ciudad Rodrigo, a cerca de 30km da fronteira de Vilar Formoso.





Fruto do esforço de José María del Arco, o Museu do Penico abriga 1.300 peças diferentes provenientes de 27 países diferentes entre eles Portugal, tendo sido a maior parte deles oferecidos ao proprietário. 


Uma proposta diferente e a oportunidade de admirar um aspecto original do legado histórico dos nossos antepassados e não se preocupem os mais receosos pois por legado histórico apenas nos referimos aos penicos.





Para saber mais: 20minutos.es

sábado, setembro 19, 2009

Museu da Imprensa do Fundão



O Museu d'Imprensa e Typographya Fundão, a funcionar no 1º piso do antigo Casino Fundanense em frente à Câmara Municipal, convida-nos a percorrer a história da tipografia desde as primeiras expressões escritas do Homem na forma de gravuras rupestres, passando pelos trabalhos pioneiros dos chineses no campo da tipografia e por Gutenberg, até à actual comunicação de massas.


A exposição é sóbria e agradável, promovendo uma relação estreita entre os visitantes e as letras como elemento fundamental da génese da palavra escrita. Todo o espaço está bem organizado e contém um conjunto diverso de maquinaria que, na sua época, foram o topo de gama da tecnologia da impressão. Uma reprodução do Prelo de Gutenberg em madeira é uma peça que merece destaque e que impressiona pelas suas dimensões.


De negativo, saliento contudo alguns aspectos. O museu passa despercebido pois, na fachada do edifício onde se encontra, não há qualquer referência à sua existência. Já no interior, alguns autocolantes com informação estão descolados e, no que diz respeito à informação, alguns termos técnicos não estão explicados o que pode tornar a aprendizagem mais difícil para os visitantes menos esclarecidos. Aspectos a rever no sentido de melhorar mais ainda um espaço interessante e que bem merece uma visita.



Aspecto da exposição



Marcas que fizeram história



"As palavras voam, os escritos permanecem"

terça-feira, setembro 15, 2009

Das Portas do Ródão ao "Castelo do Rei Wamba"


A Sul de Castelo Branco, no concelho de Vila Velha de Ródão, encontramos as famosas Portas do Ródão, um impressionante estreitamento do Rio Tejo classificado como Monumento Natural e integrado no Geopark Naturtejo que não deixa ninguém indiferente. Isto embora a construção da barragem a jusante lhe tenha retirado a sua espectacularidade de outros tempos como se pode ver na foto abaixo.


Gravura antiga das Portas do Ródão. Representação invertida em relação à foto acima. Imagem ARQA

Na margem direita do Tejo estende-se a linha de caminhos de ferro da Beira Baixa que, de Vila Velha de Ródão até praticamente ao Entroncamento, oferece uma paisagem magnífica aos viajantes. É aliás um dos percursos de comboio que mais gosto de fazer.

Numa posição dominante sobre a "porta direita", encontra-se a plataforma sobre a qual se insere o lendário "Castelo do Rei Wamba", juntamente com a ermida da Senhora do Castelo. O local foi recentemente requalificado, tendo sido equipado com mobiliário e infraestruturas que permitem fazer deste local um excelente parque de merendas e miradouro. Por outro lado, e como durante as Invasões Francesas este local foi integrado na linha das fortificações da Serra das Talhadas, foi aqui criado um percurso pedestre que permite aos caminheiros percorrer algumas dessas baterias que recentemente foram alvo de intervenção arqueológica.


A Ermida de Nossa Senhora do Castelo e, ao longe, a Torre de Menagem do Castelo "do Rei Wamba".


O percurso até ao castelo mostra bem a qualidade da intervenção realizada. De ambos os lados foram preservadas as árvores, algumas delas oliveiras provavelmente milenares.

Do alto da Torre de Menagem (o nome que se dá à torre dominante do castelo, local de habitação da autoridade do mesmo e último refúgio em caso de ataque), avista-se uma paisagem belíssima principalmente Além Tejo com destaque para a curiosidade da presença de uma extensa área de conheiras: o Conhal do Arneiro, restos da exploração de ouro pelos romanos.

Vista para a metade alentejana das Portas do Ródão. A crista quartzítica estende-se por vários quilómetros.


O Tejo serve de fronteira entre o Alto Alentejo, à esquerda, e a Beira Baixa, à direita. Na margem esquerda avista-se o Conhal do Arneiro, uma extensa área coberta de pedras pequenas que constituem o vestígio mais visível da exploração aurífera desta área em época romana.


O Castelo do Rei Wamba, ou Castelo do Ródão


O Castelo do Ródão é também chamado de Castelo do Rei Wamba devido à lenda segundo a qual o mítico rei visigodo, cujo local de nascimento a tradição situa na actual Idanha-a-Velha, terá aqui vivido um episódio particularmente dramático da sua vida.

Pessoalmente já ouvi duas histórias completamente diferentes mas, pelos vistos, a versão que corre em Vila Velha de Ródão conta que neste castelo vivia o Rei Wamba, vigiando os Mouros que dominavam a margem oposta do Tejo. Ora a mulher de Wamba apaixonou-se pelo Rei Mouro e este, procurando resgatá-la, cavou um túnel que deveria passar sob o Tejo e sair junto ao Castelo. Por erro de cálculo o túnel saiu junto ao nível do rio e foi descoberto por Wamba que percebeu a paixão da sua mulher pelo Rei Mouro.

Furioso, anunciou então que renunciava a mulher e a oferecia ao seu amado, tendo-a amarrado a uma mó e atirado a rolar pela encosta abaixo. Diz-se que a faixa sem vegetação que coroa a crista das Portas do Ródão assinala o local onde a mulher de Wamba passou em direcção à morte.

Claro que uma lenda tem o condão de aproximar personagens e épocas como é este o caso. De facto Wamba reinou sobre os Visigodos entre 672 e 680, tendo falecido em 687. Tendo em conta que os Árabes desembarcaram no Djebel El Tarik ("O Rochedo de Tarik", actual Gibraltar) em 711, seria pois difícil acontecer este confronto entre os Mouros e o Rei Wamba.

O próprio Castelo será de fundação Templária, já no século XII/XIII, no contexto da doação destas terras à Ordem do Templo pelo Rei D.Sancho I. Sobre a porta da torre de menagem encontra-se aliás uma inscrição com o inconfundível símbolo dos templários. Mais tarde, dada a sua situação estratégica dominante sobre o Tejo e sobre a passagem de Vila Velha de Ródão, estrada vital entre as Beiras e o Alentejo, o castelo foi integrado num conjunto de fortificações durante as Invasões Francesas, das quais ainda hoje se encontram vestígios.





Quer pela paisagem, quer pelo interesse histórico e de encontro de mitos, as Portas do Ródão e o Castelo do "Rei Wamba" merecem bem uma visita.

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