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sábado, abril 25, 2009

25 de Abril de 1974 - A derradeira noite do medo*


Assinala-se hoje o 35º aniversário da Revolução dos Cravos que pôs termo a uma ditadura de quase 50 anos e que submeteu o País aos ferrolhos de um silêncio feito de intolerância e opressão.

No Fundão, à semelhança do que acontece todos os anos, o povo saiu em cortejo cantando "Grândola Vila Morena" ao som da banda que lidera a marcha, num renovado gesto de reconhecimento pela coragem de quem nos devolveu uma liberdade há muito esquecida e, com ela, dois direitos fundamentais: a liberdade de expressão e o direito ao voto.

Honrar o espírito da luta dos Capitães de Abril é, no entanto, muito mais que isto. É principalmente acerca de usar da nossa liberdade de expressão de forma responsável e construtiva (embora ultimamente certos políticos a isso pareçam avessos), é acerca de cumprir o nosso dever (mais que direito) de votar sempre que a tal formos chamados.

Hoje, mais que nunca, gritemos bem alto "25 de Abril sempre!"

Ícones de Abril:

1º Comunicado do Movimento das Forças Armadas:


Edição do Diário de Notícias de 25 de Abril de 1974 (clicar nas imagens para ampliar):




Texto da primeira página:


E, já agora, vale a pena recordar a entrevista EXCLUSIVA ao Blog do Katano do Tenente Coronel Vasco Lourenço, há 35 anos um dos Capitães de Abril e actual membro dos corpos gerentes da Associação 25 de Abril. Esta entrevista foi realizada em 2007 pela Nelly, a nossa repórter do Katano!

* - Título da autoria do Jornal do Fundão
fotografia de pintura mural: Wikipedia

terça-feira, abril 14, 2009

91 anos da Batalha de La Lys II
O Soldado Milhões

Aníbal Augusto Milhais, natural de Valongo (concelho de Murça) tinha 23 anos quando, naquela madrugada de 9 de Abril, o inferno se abateu sobre as linhas portuguesas dando início à batalha de La Lys (ver artigo anterior). A sua acção individual, à revelia das ordens directas que havia recebido, contribuiu para que se salvassem inúmeras vidas portuguesas e escocesas e para que, no regresso a casa, Aníbal Milhais se tornasse o único soldado raso a ser distinguido com a mais alta condecoração do país: A Ordem da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito.


O ataque alemão

Quando às 8h45m a infantaria avançou, a confusão estava instalada nas linhas portuguesas. O bombardeamento incessante de artilharia durante cerca de 4h, para além das inúmeras baixas, desmantelara todas as comunicações e instalara o completo caos. Foi por isso com relativa facilidade que os alemães tomaram a primeira linha de trincheiras defendida pelo que restava das tropas aí colocadas. 

Dada a ordem de retirada, as unidades de Reserva avançaram até à linha intermédia para cobrir a retirada portuguesa. Numa dessas unidades, o Batalhão de Infantaria nº15, servia o metralhador Augusto Milhais, integrado num pelotão que, por engano, foi parar ao reduto de Huit Maisons, uma zona completamente diferente da inicialmente planeada, e onde já se encontravam tropas escocesas. De imediato, as tropas foram distribuidas ao longo da linha do reduto, sendo instaladas duas guarnições de metralhadoras, uma delas comandada por Milhais. 

Por volta das 10h, no meio do nevoeiro, começaram a surgir as primeiras tropas alemãs que investiram contra as posições bem guarnecidas luso-escocesas que, durante 2h, resistiu ferozmente. Contudo, o major britânico que comandava aquele reduto, apercebeu-se que os alemães tentavam uma manobra de cerco e, de imediato, deu a ordem de retirada para uma nova posição a alguns quilómetros dali, até porque o reduto estava já a ser sobrevoado pela aviação alemã que dava instruções à artilharia para regular o seu fogo.

A retirada teve então início às 14h mas, para trás, ficou Augusto Milhais que, com os alemães a apenas 200m e apesar da ameça de ser levado a Conselho de Guerra, insistiu em ficar para cobrir a retirada.


A odisseia de Augusto Milhais

Sozinho perante as tropas alemãs, Augusto Milhais dispôs várias metralhadoras (e não apenas uma como reza a lenda) ao longo da linha para, correndo a cada uma delas, dar a ideia de que se encontrava ali um grupo de soldados e não um homem isolado. Por outro lado, o facto de o disparo das metralhadoras Lewis 7,77 - carinhosamente rebaptizada pelos portuguesas de Luisinha - ser difícil de detectar, aumentava ainda mais a confusão dos alemães.

Contudo, a cada vez maior proximidade dos alemães que, inclusive haviam tentado aproximar-se vestido com o uniforme de soldados portugueses mortos mas que haviam sido varridos a tiro de metralhadora, forçou a que Milhais tenha de abandonar a sua posição. Pegou então numa metralhadora e recolheu munições dos seus camaradas mortos e fugiu para a rectaguarda, através de uma paisagem cinzenta, cheia de crateras e pantanosa.

Sozinho, sem água e sem qualquer outro alimento a não ser um pacote de amêndoas de Páscoa que recebera da família, errou durante 4 dias pela zona de combate, recolhendo munições e mantimentos dos cadáveres que encontrava e escondendo-se dos alemães em ruínas, crateras e mesmo em carcaças de cavalos. Contudo, sempre que tinha oportunidade, usava a sua Luisinha para abater os alemães que lhe aparecessem à frente e foi dessa forma que acabou por salvar vários soldados escoceses de serem capturados.

Já no dia 13, salvou de afogamento um major escocês que fugira aos alemães e que se aventurara nas águas do rio Lys. É este major que lhe dá finalmente informações sobre onde se encontrava e qual a direcção que deveria tomar para se juntar novamente às suas tropas. Também neste dia, segundo uma das suas filhas, Milhais terá salvo uma criança dos escombros de uma casa.


O regresso

Quando, à beira da exaustão, conseguiu finalmente reunir-se às suas tropas, já a notícia da sua aventura ali chegara, levada pelas tropas escocesas que encontrara pelo caminho. Levado à presença do comandante do seu batalhão, o major João Ferreira do Amaral, Milhais confirmou a história e, segundo a lenda, terá sido então que o major o felicitou dizendo a frase que rebaptizou Milhais: "Chamas-te Milhais mas vales Milhões!".

Tenha sido por causa dessa frase ou, como era muito comum na época, por confusão de leitura ou escrita de documentos, a alcunha Milhões seria oficializada pelo decreto de 31 de Agosto de 1918 que conferiu a "Augusto Milhões" a distinção da Ordem da Torre e Espada. A confusão propagou-se depois aos próprios serviços do Registo Civil que atribuíram, na altura do registo, o apelido "Milhões" a alguns dos 13 filhos de Milhais.

Regressado à Pátria, ainda emigrou para o Brasil mas acabaria por regressar a Portugal onde, durante muitos anos, seria uma figura inevitável que o Estado faria questão de exibir em todas as paradas militares, fossem elas na Metrópole ou no Ultramar. Também como recompensa lhe foi prometido um tractor com arado mas, infelizmente para Milhais, ele nunca lhe seria entregue.

Viria a falecer em Valongo a 3 de Junho de 1970 com 75 anos, numa altura em que do Estado recebia cerca de 1.000 escudos mensais.

Para a História ficou o rosto e o nome de um dos últimos heróis militares de Portugal, um homem pequeno no tamanho mas com uma humildade e enorme sentido de dever que, até aos seus últimos anos evitou falar da sua experiência na Flandres. Quando entrevistado alguém o incentivou a contar a sua história com a desculpa que "Recordar é viver", Milhais limitou-se a responder "Como se podem viver coisas de morte sem morrermos um bocadinho?".


Legenda das Fotografias:
Foto 1 - Augusto Milhais, o Soldado Milhões
Foto 2 - Aspecto das linhas portuguesas na I Guerra Mundial
Foto 3 - A Metralhadora Lewis 7,77 - A Luisinha.
Foto 4 - A condecoração de Augusto "Milhões"
Foto 5 - Augusto Milhais e a sua neta Leonídia

Fotos obtidas em:

Fonte: 
"I Guerra Mundial - Portugal nas Trincheiras", Visão História, nº 4, Fevereiro de 2009, p 54-57

quinta-feira, abril 09, 2009

91 anos da Batalha de La Lys

Cumprem-se hoje o 91º aniversário da batalha de La Lys, considerado por muitos como o 2º Alcácer-Quibir da história militar de Portugal, e que, em poucas horas, levou ao fim do Corpo Expedicionário Português sob o rolo compressor de artilharia e infantaria de alemãs.



Estacionado em Béthune, perto de Lille no Norte da França, ao CEP (formado por cerca de 20.000 homens) cabia a defesa de cerca de 12km da linha da frente, sendo ladeado por duas divisões britânicas. Contudo, a organização e moral no seio das tropas portuguesas estavam perigosamente debilitadas pela falta de apoio por parte de Portugal, sobretudo após a revolução de 1917 e instituição de uma ditadura militar que não privilegiava esse mesmo apoio, pela falta crescente sobretudo de oficiais que aproveitavam a sua licença para ir a Portugal e não voltar, e pelo próprio cansaço das tropas que na altura da batalha já deveriam há muito ter sido rendidas na linha da frente.

O estado de espírito era tal que a 4 de Abril, um batalhão português que deveria regressar às trincheiras, insubordinou-se e recusou cumprir a ordem. Nessa altura, e após sucessivos adiamentos, a retirada das tropas portuguesas ficou marcada para o dia 9 de Abril.


Entretanto, do outro lado a Alemanha desesperava, sentindo o desgaste da guerra de trincheiras e pressentindo a ameaça da chegada iminente das tropas dos EUA que poderiam desequilibrar o conflito. Assim, o general Ludendorff engendra um plano - a Operação Georgette - que consiste em atacar com uma incrível concentração de meios, a zona onde se encontra o CEP, à partida o sector mais frágil da linha da frente para depois tentar fazer uma exploração do sucesso da penetração nas linhas aliadas, forçando os ingleses a retirar para Calais e depois para Inglaterra, deixando assim a França sozinha no conflito contra um inimigo superior.

É assim que, exactamente às 4h15m da madrugada, numa altura em que a retirada de alguns efectivos forçara os restantes 16 mil portugueses a alongar-se perigosamente pelos 12 km de trincheiras da sua linha, que os alemães desencadeiam, com o auxílio de 1.500 peças de artilharia, um infernal bombardeamento sobre as linhas portuguesas, que assim sofrem o incessante impacto de bombas e de gás venenoso. Com as comunicações cortadas, não tardou muito para que o caos se instalasse entre as tropas portuguesas, ficando os sobreviventes dispersos e isolados, sem saber o que se passava noutros sectores.



Quando às 8h45m finalmente a infantaria alemã avança, os abalados portugueses, apesar da feroz resistência até à baioneta, não têm qualquer forma de suster o ímpeto de 55.000 homens do inimigo que sem grande dificuldade tomam as primeiras linhas das posições lusas. Nas primeiras horas de combate, o CEP perde 7.500 homens, isto é, cerca de um terço dos seus efectivos totais.

Com todos os meios em reserva (portugueses e sobretudo britânicos) a serem deslocados para suster o avanço alemão, o esforço tenaz de resistência luso-britânico será contudo decisivo para ganhar tempo até à chegada de novas unidades à linha da frente que acabarão por suster finalmente o avanço alemão já em 22 de Abril.


Quanto ao CEP, deixará de existir como unidade de combate, e os seus soldados virão a ser distribuídos pelas várias unidades da frente, subordinados ao comando britânico.

Ver também: O SOLDADO MILHÕES

Fontes:
"I Guerra Mundial - Portugal nas Trincheiras", Visão História, nº 4, Fevereiro de 2009, p 62-64
Wikipédia, (http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_do_Lys), Abril de 2009

terça-feira, março 03, 2009

Parabenização especial


FELIZ ANIVERSÁRIO + 5 DIAS

CAETANO!!

Porque somos um blog original, aqui no do Katano parabenizamos o nosso fundador com uma margem de dias que nos garante que somos efectivamente os últimos, porque os últimos, diz o povo, são também os primeiros!

Desejamos-te um ano do katano, de realização pessoal e profissional, mas sobretudo de grande inspiração para nos deliciares com muitas e boas postas! E venham mais 100! :D

Da malta do Katano.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Charles Darwin

Assinalaram-se ontem os 200 anos do nascimento do naturalista britânico Charles Darwin, o homem que revolucionou toda a visão que temos do Mundo ao enunciar pela primeira vez o princípio de selecção natural e a possibilidade de um antepassado comum na origem das espécies.

Incompreendido e perseguido, sobretudo pela fatia religiosa da população, Darwin viria a falecer em 1882, tendo sido sepultado com honras de estado na Abadia de Westminster, ao lado de Isaac Newton.

A sua obra mais famosa, a Origem das Espécies (ou no seu título original On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), resultou da sua famosa viagem de 5 anos a bordo do navio Beagle pelo Mundo, ficando para a História a sua passagem pelas Galápagos. Só depois da sua morte, a sua Teoria da Evolução viria a ganhar força, sobretudo após terem sido dadas respostas a algumas questões a que Darwin não conseguiu explicar.

É contudo preocupante constatar que, dada a quantidade de provas e o melhor entendimento do registo fóssil e do mundo natural que temos hoje, o Darwinismo continue a ser matéria proibida nas escolas de alguns estados dos EUA, onde o Criacionismo (origem do Mundo de acordo com o Génesis bíblico) é ainda tido como verdade absoluta e incontestável. A famosa senadora Sarah Palin, por exemplo, é ela própria uma adepta ferrenha da abolição do darwinismo. Provavelmente a culpa será da mosca da fruta.

imagem Wikipedia

domingo, dezembro 14, 2008

366 dias e contando...

Obrigado por aquele que foi provavelmente o melhor ano da minha vida! :)

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Fundão encorreu mais uma vez os espanhóis

Como acontece todos os anos, à meia-noite de 30 de Novembro para 1 de Dezembro, o Fundão saiu à rua para comemorar a restauração da independência de Portugal de 1640, "encorrer os espanhóis" como lhe chamam por cá.

Cumprindo a tradição, a população começou a concentrar-se frente à Câmara Municipal, envergando bandeiras sobretudo monárquicas (um curioso paradoxo), e acompanhadas por uma banda de música. Nem o frio intenso demoveu as pessoas que, após as 12 badaladas e o ligar oficial da iluminação natalícia da cidade, entoaram em uníssono o Hino da Restauração, saindo depois em arruada atrás da banda pelas ruas da cidade.

Ano após ano, esta é uma tradição que parece ganhar força, recordando uma data da história nacional que contudo, a cada dia que passa, se me aparenta cada vez menos benéfica para Portugal. Bom, afinal, a restauração da independência aconteceu porque o rei espanhol ousou diminuir os privilégios da nobreza portuguesa e para o povo tudo continuou na mesma, mas isso são contas de outro rosário.

É curiosa esta tradição fundanense de recordação desta efeméride, tal como é a arruada que todos os anos acontece à meia-noite de 24 para 25 de Abril, recordando a Revolução dos Cravos.










Para saber mais sobre a arruada e o Hino da Restauração:

O Andarilho
Pedaços de Alcongosta

terça-feira, agosto 26, 2008

Miniman da Lego é trintão



Os Miniman da Lego, aqueles simpáticos bonequinhos amarelos com evidentes problemas nas articulações, cumpriram ontem o seu 30º aniversário.

Não sei em relação a vocês mas a dada altura da minha infância, os Miniman da Lego foram uma obsessão, agravando consideravelmente o meu vício pelos míticos Lego, em parte porque vieram suprir a grave lacuna de carência de população nas magníficas e monumentais construções que então realizava (pelo menos segundo a minha apreciação de então).

Pelos vistos, existem muitos mais fãs dessas simpáticas figurinhas pelo Mundo fora, pelo menos a fazer fé no impressionante número de 4 biliões de unidades vendidas o que dá aproximadamente uma média de 3 Miniman da Lego por cada chinês (números que já estarão desactualizados no final da leitura deste artigo). A título de curiosidade, a figura mais popular é a de polícia à qual se seguem o bombeiro, a enfermeira, o astronauta e o cavaleiro medieval.

domingo, julho 06, 2008

200º aniversário do Massacre de Alpedrinha


Assinalou-se ontem o 200º aniversário do massacre de Alpedrinha perpetrado pelo exército francês no qual pereceram cerca de 30 habitantes após um combate desigual. Para assinalar esta data que tristemente inscreveu de forma indelével nos anais da história da Guerra Peninsular, o nome da vila que por muitos é chamada de "Sintra da Beira", a Junta de Freguesia local organizou um conjunto de iniciativas ao longo do dia.

Assim, foi descerrado um memorial com o nome das vítimas após o que se seguiu uma missa no adro da Igreja, junto às sepulturas de alguns daqueles que têm o seu nome inscrito no monumento e que descansam no adro da Igreja.

A culminar a iniciativa assistiu-se a uma interessantíssima conferência, proferida pela escritora Antonieta Garcia, e que contextualizou o episódio de Alpedrinha no período das Invasões Francesas. Apesar de, pessoalmente, manifestar alguma discordância num ou noutro ponto com as palavras da oradora, o que é certo é que no geral foi sem dúvida uma conferência interessantíssima e que justificou bem a ida a Alpedrinha. Estou aliás ansioso pelo lançamento do livro.

Sobre o Massacre

De forma resumida, o Massacre de Alpedrinha situa-se num período em que o país se começa a sublevar contra o domínio francês decorrente da dita 1ª invasão, a que alguns autores atribuem a ordinalidade de 2ª invasão num total de 4. Corria o ano de 1908.

A própria conjuntura se revelara favorável ao aparecimento de grupos de guerrilha e também da sublevação das povoações, com a retirada das tropas espanholas que ocupavam o Sul de Portugal, na sequência dos acontecimentos do "Dos de Mayo", chamadas pelas recém criadas Juntas Revolucionárias de Espanha. As tropas francesas foram assim obrigadas a espalhar-se pelo país o que as enfraqueceu. O mês de Junho então foi particularmente crítico com a sublevação das grandes cidades no Norte de Portugal com destaque para o Porto que, a 19 de Junho, aclama a Dinastia de Brangança.

Para subjugar a revolta, Junot, que então governava (cada vez menos) o país a partir de Sintra, ordena ao temível general Loison que vá buscar reforços a Almeida para depois marchar sobre o Norte de Portugal. Contudo, o Maneta apenas consegue chegar à região de Mesão Frio onde é travado pela guerrilha e forçado a retirar para Almeida. Aí, recebe ordens para voltar a Lisboa, onde se estão a concentrar todas as tropas francesas. É nesta altura que se dá o episódio de Alpedrinha.

Ao atravessar a Beira, Loison depara-se com a insurreição de Alpedrinha que, na véspera, rasgara publicamente uma missiva de Junot. As causas do ataque francês são ainda hipotéticas sendo as mais apontadas a recusa da vila em ceder alimentos ao exército ou disparos efectuadas por dois indivíduos que terão provocado vítimas entre os invasores. O que é certo é que Loison atacou Alpedrinha , cuja força de resistência consistia em populares armados com tudo o que tinham podido encontrar e comandados pelo capitão-mor e pelo padre local. À vista do número de atacantes, a população tomada pelo pânico foge, tentando refugiar-se na Gardunha. Em apenas uma hora, das 18h às 19h, cerca de 30 habitantes não conseguem escapar e são assassinados, alguns deles após inacreditáveis torturas, ficando muitos outros feridos, alguns dos quais acabando por morrer dias depois.

Saqueada e incendiada a vila, as tropas francesas retomam o seu percurso para Lisboa onde chegariam com 1/6 de baixas infligidas pela guerrilha. O exército francês acabaria por se retirar de Portugal a 31 de Agosto, derrotados pelos ingleses, que haviam desembarcado a 1 desse mês, na sequência de acordo "estranho" que lhes permitiu embarcarem para França com tudo o que haviam saqueado.


Foto de Alpedrinha retirada daqui
Retrato de Loison retirado daqui
Quadro dos massacres do Dos de Mayo (Goya) retirado daqui

quarta-feira, maio 28, 2008

Efeméride que passou em claro

3 ANOS DO KATANO!

Pois é... Anda aqui uma pessoa a parabenizar os outros, até porque esta semana só consigo pensar em 3 ou 4 pessoas que não festejaram o seu aniversário, e deixa-se passar em claro uma efeméride obrigatória! Então não é que este blog cumpriu no passado dia 19 a bela idade de 3 anos? Quem diria!

Por isso, a todos aqueles que contribuíram para a divulgação deste blog, aos visitantes mais ou menos dóceis, a todos os que contribuiram para a angariação de dinheiro através dos anúncios, aos que comentaram e aos que leram, abanaram a cabeça e disseram "Valha-me Deus", aos que postaram e se recusaram a postar, em suma, a todos vocês que estão desse lado, o meu grande obrigado!! Continuem por cá que a Junta Directiva do Katano agradece!

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terça-feira, maio 27, 2008

Parabenização

Esta posta serve de meio de parabenização ao fotógrafo oficial do Blog do Katano, residente e recém (re)admitido, pelo seu aniversário que tem por hábito ser celebrado no 26º dia do mês corrente.

Sendo assim:
PARABÉNS XAMANE!!

sábado, março 31, 2007

Motivos porque não gosto de mentir no 1º de Abril

O 1º de Abril é na sua essência o dia em que as pessoas gostam de se armarem em parvas e ridicularizar os outros. Ponto final. Será por sensação de superioridade de, num dado momento, serem donos e senhores e controladores das emoções de outra pessoa?

O que é certo é que nem a própria tradição tem uma origem consensual. Vejamos o que nos diz a Wikipédia sobre o assunto:

"Há muitas explicações para o 1 de abril ter se transformado no Dia da Mentira. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 25 de Março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de abril.

Em 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria em 1 de abril. Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.

Em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como April Fool's Day ou Dia dos Tolos, na Itália e na França ele é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, o que significa literalmente "peixe de abril"."


Pessoalmente, este dia é para mim um dia infeliz do nosso calendário e não gosto, sinceramente, de perder tempo a inventar histórias escabrosas e explico porquê:

Corria o belo ano de 1991 (ou seria 1992?) e vivia eu despreocupadamente a minha passagem pelo 11º ano quando, num 1º de Abril, fui com um grupo de amigos até um salão de jogos para mais um daqueles renhidos tira-teimas de snooker. Era na altura uma tradição diária obrigatória.

Estávamos então prestes a atingir o momento crítico do nosso jogo de snooker, quando de repente, um estrondo se fez ouvir junto à porta de entrada do salão e, ao olhar para ver o que havia acontecido, tive ainda tempo para ver uma mulher cair no chão frente a um sujeito que segurava uma caçadeira fumegante.

Escusado será dizer que o pânico se instalou de imediato entre todos os presente pois, sendo uma situação extrema em termos emocionais, não sabíamos muito bem o que fazer e, sobretudo, não sabíamos o que poderia acontecer em seguida.

Certo é que o autor do disparo voltou para a sua casa mesmo em frente ao salão enquanto a vítima permanecia no chão. Se há visão que não vou esquecer nunca é a desta mulher deitada naquela calçada irregular, os espamos que a sacudiam como se se estivesse a debater, e o fio de sangue que corria entre as pedras.

Claro que tentámos ligar para o número de emergência, na altura o 115, depois para a PSP e para os bombeiros mas, invariavelmente, todos nos respondiam da mesma forma: "Meninos! Isso não são coisas com que se brinque!".

Deviam ter passado cerca de 15 minutos quando alguém (o grande Carlos!) decidiu sair a correr para ir pelo próprio pé procurar ajuda. Ao que parece, um polícia caminhava já ali por perto em ritmo calmo, próprio de quem vai cumprir um frete, enquanto uma ambulância subia a avenida sem ultrapassar a velocidade máxima permitida dentro das localidades pelo código da estrada.

Só quando o Carlos se agarrou ao polícia dizendo que tinham morto uma mulher é que este fez sinal à ambulância que já se encontrava ali e esta finalmente cumpriu os últimos 60m em alta velocidade com as luzes rotativas ligadas.

Evidemente, a senhora acabou por falecer.

PS - Tomei o cuidado de escrever isto antes da meia-noite para não comprometer a credibilidade desta história.
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