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sexta-feira, abril 16, 2010

Maria Cavaco Silva: Declaração ao mais alto nível acerca de um vulcãozinho numa pequeníssima ilha


Retida em Praga, na República Checa, juntamente com o o seu marido, o Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, e o resto da comitiva que se encontra de visita àquele país, por causa do vulcão islandês que paralisou meia Europa, Maria Cavaco Silva dissertou para a comunicação social sobre a situação.

Num curioso uso de palavras, a primeira dama referiu que o que estava a acontecer era no fundo a demonstração do conceito de "Aldeia Global", tendo em conta que "um vulcãozinho, que talvez não seja assim tão pequeno quanto isso, numa pequeníssima ilha" estava a afectar meia Europa.

Não querendo de forma alguma estar a ser picuinhas nem implicativo, esta declaração deixou-me contudo com a pulga atrás da orelha e fui verificar alguns dados geográficos tendo obtido os seguintes números:

Área total da Islândia: 103.000 km2
Área total de Portugal: 92.090 km2

Pelos vistos, mesmo que seja de forma inconsciente, nem a Presidência consegue ser imune a este vírus, tão português quanto irritante, de encarar o nosso país com um confrangedor sentimento de inferioridade.

Fico no entanto curioso... Como se referiria a Primeira-Dama ao Hawai se o vulcão aí estivesse situado? Será que resistiria a usar a piada do prefixo "nano-mini-micro"?

quinta-feira, março 25, 2010

Já que falamos de votações... Black Adder em "Dish and Dishonesty"

Ontem, enquanto assistia ao subir e descer dos blogues nos rankings, veio-me à memória um episódio de uma das minhas séries de eleição: The Black Adder, série 3, com Rowan Atkinson e Hugh Laurie, então num registo completamente diferente.

O episódio, intitulado Dish and Dishonesty, centra-se no drama do Príncipe George (Hugh Laurie) perante a perspectiva de lhe cortarem o subsídio estatal que ele usa para comprar meias. A sua única opção é influenciar a votação no Parlamento elegendo alguém de confiança em representação de um burgo que elege um deputado e tem apenas... um habitante e um cão chamado Collin.

O plano, urdido pelo mordomo do príncipe, Edmund Black Adder, passa por eleger alguém que possa ser facilmente manipulado, de preferência sem personalidade própria... e que substitua o actual habitante do burgo podre de Dunny-on-the-World.



Infelizmente não consegui encontrar um vídeo legendado. As minhas desculpas.

segunda-feira, março 22, 2010

MacGyver multitool. Não saia de casa sem ele!

Não saiam de casa sem a vossa genuína ferramenta multiusos do MacGyver, porque nunca se sabe quando um clip vos poderá salvar a vida!

Enviado pelo camarada Fernando Castro


terça-feira, março 16, 2010

Buck Rogers no séc. XXV ou porque não se devem rever séries que marcaram a nossa infância

Depois do artigo ontem dedicado a Peter Graves e à série que o eternizou, Missão Impossível, dei por mim a percorrer mentalmente as séries que marcaram a minha infância e que eu acompanhava tão religiosamente como uma senhora idosa e beata em relação ao hábito de assistir à santa missa. Aliás, creio mesmo que, não fosse a minha ingenuidade de então, própria de uma criança imberbe, e eu poderia muito bem ter usado este argumento para me furtar à obrigação imposta de ir assistir à missa de Domingo.

Se há série que eu seguia com especial devoção, essa era sem dúvida a incomparável "Buck Rogers no século XXV" da autoria do inevitável Glenn A. Larson. Já se sabia de antemão que o final das tardes de Sábado seriam sempre passados frente ao televisor, que na altura apenas captava a RTP1 e a preto e branco, para acompanhar as aventuras deste autêntico ícone e modelo de vida que era o capitão William Buck Rogers, interpretado por Gil Gerard.

A história era simples: em 1987 (lá estava mais uma vez o optimismo que daria origem também a séries como "Espaço 1999"), a NASA enviava a última sonda espacial tripulada de exploração do espaço profundo. No entanto, um fenómeno sem explicação acabaria por colocar o capitão Buck Rogers em animação suspensa ao mesmo tempo que desviava a nave Ranger 3 da sua trajectória prevista, projectando-a para uma outra que haveria de a trazer de volta à Terra cerca de 500 anos mais tarde.

Da série, para além do inesquecível robô Twiki, fazia também parte a inesquecível Coronel Wilma Deering (Erin Gray) uma mulher que, pelo que me recordo, dava asas à minha imaginação pré-pubere. Era impossível não ficar caído por aquela mulher com personalidade forte e olhos claros, que vestia roupas de combate brancas justas e pilotava caças com uma destreza só comparável à ferocidade com que disparava as suas armas laser. Creio que houve ali até um momento em que o meu principal objectivo de vida era casar com a coronel Wilma Deering. O drama abateu-se contudo sobre a minha vida no dia em que a série chegou ao fim. Desesperado, cheguei a ponderar colocar a trouxa às costas e partir à procura da Wilma mas, provavelmente porque era hora do almoço, acabei por desistir da minha aventura.




Depois da série terminar (recordo-me que só deverei ter perdido um episódio porque o retransmissor da Gardunha estava com problemas nesse dia, para meu desespero), fiquei com uma excelente recordação da mesma, recordação que aliás me acompanhou durante muitos anos... até que cometi o erro crasso de rever alguns episódios, cerca de 20 anos mais tarde.

Subitamente, Buck Rogers deixou de ser um galã ginasticado que seduzia tudo o que fosse fêmea para passar a ser um macho latino chauvinista, que usava a exibição ostensiva da "peitaça" como instrumento privilegiado de sedução, e a série passou a ter uma conotação extremamente sexista. Os efeitos especiais, então tão fantásticos aos olhos de uma criança, passaram a parecer terem sido efectivamente feitos por uma criança, e o enredo que então aparentava ser genial, passou a ser, vá lá, pateta. Confesso que me arrependi amargamente de ter revisto esta série depois de tanto tempo.

E quem diz Buck Rogers no Século XXV, diz "Capitão Power e Os Soldados do Futuro", uma série de ficção científica pós-apocalíptica (estão a ver um padrão, aqui?) no qual os robôs tinham conquistado o Mundo (esta ideia era então recorrente) e, não contentes com isso, perseguiam os humanos sobreviventes para os digitalizar (o que quer que isto pudesse significar embora a ideia que ficasse do processo é que era extremamente doloroso).

Felizmente para a Humanidade ainda havia um punhado de resistentes, o Capitão Power e os Soldados do Futuro (nunca ninguém me explicou porque é que eram "do futuro" se aquilo era o presente deles), que atacavam os robôs sem dó nem piedade, com a ajuda de fatos especiais. Assim, tipo Power Ranger.




Há alturas em que não me importava de ter a minha inocência de volta...

segunda-feira, março 15, 2010

Morreu Peter Graves... Good Bye, Jim

Este género de notícias é duplamente desagradável. Se por um lado temos evidentemente o lado humano da questão e o de um homem que falece, por outro aquilo que nos atinge, quiçá num assomo de egoísmo, é a dura constatação de que estamos irremediavelmente a ficar mais velhos.

Que diabos! Parece que ainda estou a recordar as minhas tardes televisivas da TF1, algures pelos meados dos anos 1980, em que Peter Graves encarnava o mítico Jim Phelps na série clássica Missão Impossível e, afinal, já passaram quase 30 anos. Ao fim e ao cabo, creio que o que nos preocupa realmente neste género de notícias não é a perda humana em si mas mais aquele pedaço da nossa infância ou juventude que subitamente se vai.

Peter Graves esteve presente em alguns dos momentos altos da minha juventude, é um facto. Para além, como já referi atrás, ter interpretado o papel do mítico Jim Phelps na ainda mais mítica série "Mission Impossible", personagem que aliás foi subvertida com total e imperdoável despudor só para fazer o Tom Cruise parecer um tipo porreiro, Graves começou por combater os Draconians na série Buck Rogers no século XXV, tendo ainda interpretado o inenarrável Comandante Clarence Oveur em Aeroplano I e II, isto como papéis salientes de uma extensa carreira.

Cena do filme Aeroplano com Peter Graves (Comandante Oveur), Kareem Abdul-Jabbar (Co-piloto Roger) e outro actor que faz de Victor. A confusão que se estabelece durante a comunicação com a torre de controlo para a descolagem do avião é deliciosa.

Fica pois a sentida homenagem a Peter Graves (o apelido é aqui uma mórbida ironia), que consigo leva parte da minha juventude. Good bye Jim.



quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Tragédia na Madeira: um desastre anunciado há 2 anos



No programa televisivo Biosfera, da RTP2, anunciava-se já em Abril de 2008 o perigo que as enchentes representavam na ilha da Madeira, especialmente na zona do Funchal, denunciando a forma como as autarquias estavam a desrespeitar as zonas de protecção das ribeiras e a estreitar e obstruir o seu leito com construções.

Depois do desastre, e tendo em conta o que há muito se sabia, será legítimo dizer que a culpa foi da chuva?

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Roménia envia ajuda humanitária para o Tahiti em vez de a enviar para o Haiti


Lembram-se de quando aqui referimos que um canal de televisão boliviano, o PAT, pensou que as fotografias da série Lost a circular na Internet fossem do acidente do 747 que se despenhou em Junho de 2009 e transmitiu esse equívoco em horário nobre?

Aparentemente, o PAT estabeleceu um padrão que o RT, canal de origem russa a transmitir também em espanhol e inglês, e o Frecuencia Latina do Peru, decidiram seguir.

Ambos tomaram como verdadeiro um artigo satírico segundo o qual a Roménia, ao procurar enviar ajuda humanitária para o Haiti, se teria equivocado tendo enviado soldados e médicos para... o Tahiti, na Polinésia Francesa em pleno Pacífico.

Aqui ficam as peças transmitidas pelo canal RT:



sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Blog do Katano elevado ao estatuto de herói nacional na Suécia - Filme Radiotjänst / Tackfilm.se


Este vai ser seguramente um dos maiores sucessos da web dos últimos tempos. Trata-se de um filme que, ao longo de cerca de 2:30 minutos, procura sensibilizar os suecos para a necessidade de pagamento da taxa de transmissão audiovisual, centrado na ideia de de que tal acto eleva o cidadão anónimo ao estatuto de herói nacional.

Contudo, aquilo que realmente torna este filme diferente e que ao mesmo tempo constitui o ingrediente indispensável para que este se torne um sucesso em termos de marketing viral, é a possibilidade de ser personalizado, podendo cada um incluir a sua própria foto e, como tal, sendo ele o herói do filme, ou, em alternativa, surpreender outra pessoa incluindo a sua foto e enviando-lhe o link para o filme personalizado.

Podem criar o filme no endereço http://en.tackfilm.se/, começando por fazer o upload de uma foto e ajustando-a por deslocamento e zoom. Que tal a sensação de, subitamente e quando a maior emoção do dia se prendia com o facto de terem um fim-de-semana prolongado pela frente, se tornarem inesperadamente heróis nacionais da Suécia?

Agradecimentos ao Alex pelo envio desta dica por e-mail

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Pedro Abrunhosa firme e hirto e sem óculos... em 1989

Sobre Pedro Abrunhosa pouco há a dizer para além daquilo que todos já sabem. É careca, tem olhos escuros implantados directamente no crânio e, desde Domingo, vive numa curiosa dicotomia de ter literalmente queda para a música ao mesmo tempo que continua a cantar um pouco pior do que eu quando tento imitar o Prince mas acabo por reproduzir algo semelhante a um indivíduo com voz de apreciador de consumo de bagaço que está a ser investido por um doberman raivoso.

Sendo provavelmente aos olhos da população o acontecimento da semana, a queda de Abrunhosa em directo na televisão teve grande impacto nas redes sociais, como o próprio oportunamente profetizou ainda combalido à espera que o espaço à sua volta parasse de girar. Aliás, creio que é legítimo afirmar que, ainda Abrunhosa descrevia o arco da trajectória que fracções de segundo depois, no maior respeito pela Lei da Gravidade, o levaria a embater no solo, e já no Facebook estavam a ser criados grupos e a ser lançados comentários sobre o que estava a suceder.

Obviamente, não poderíamos deixar de dedicar um artigo a este acontecimento mas resolvemos fazê-lo procurando ao mesmo tempo responder a algumas questões pertinentes: Abrunhosa já nasceu com os óculos escuros implantados no crânio? Há quanto tempo é que acredita que sabe cantar? Sempre padeceu de um problema capilar? Felizmente, graças à oportuna colaboração do camarada Rotiv, foi possível obter um vídeo no qual não só encontramos resposta a estas questões como também nos deparamos com a curiosidade de assistir a uma actuação de Abrunhosa onde, ao contrário de Domingo último, o cantor está em melhores condições de saúde que o público.

Para vocês aqui fica, Pedro Abrunhosa cantando em playback (ocasionalmente lembrando um artista de um filme chinês de lutas de kung-fu dobrado em inglês) no espectáculo do Natal dos Hospitais de 1989!


Não sei porquê, ao assistir a este vídeo e ao observar o público, a expressão "Convenção de Genebra" não me saía da cabeça.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Do anúncio a preservativos com 2 homens à publicidade no Peru

Ontem fui surpreendido pela exibição na RTP1 de um anúncio sobre o uso de preservativos que, de forma pouco habitual, mas que acaba por ser normal se atendermos aos últimos desenvolvimentos sociais em Portugal, integrava dois protagonistas do sexo masculino.

No âmbito do papel de Serviço Público prestado pelo Blog do Katano, tentei encontrar o anúncio na Web para partilhar com os estimados leitores não tendo, infelizmente, tido sucesso. Apesar de tudo, acabei por encontrar um outro clip de vídeo relativo a um anúncio publicitário de preservativos, este produzido no Peru e que, numa abordagem original, dá uma dimensão completamente diferente ao órgão sexual masculino... no sentido da perspectiva da abordagem e não necessariamente no que diz respeito a tamanho até porque, como toda a gente sabe, o tamanho não interessa para nada.


Já agora, se encontrarem o anúncio que deu o mote a este artigo, não se esqueçam de avisar. A gerência agradece.

(adicionado às 18:08)

Entretanto a Sãozinha, essa grande maluca, conseguiu descobrir não apenas a publicidade de que eu falei no início deste texto como ainda acrescentou que esse filme publicitário era dedicado à temática das relações estáveis. Não satisfeita com isso, ainda acrescentou a localização de um outro filme da mesma série, embora este dedicado às relações casuais. Aqui ficam eles:


sexta-feira, dezembro 25, 2009

Mr Bean e a dinâmica do Presépio


O presépio não é necessariamente uma exposição de figurinhas estáticas, cuja maior revolução nos últimos 2 mil anos foi a inclusão da figura ensanguentada de Berlusconi há alguns dias atrás.

Neste pequeno clip, Mr Bean mostra-nos como o Presépio pode ser um excelente playground educativo. Apesar de ser algo repetitivo na televisão, não consigo deixar de gostar do humor naïf desta genial personagem criada por Rowan Atkinson.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

10 de Dezembro, dia do Palhaço


No Brasil, no dia 10 de Dezembro comemora-se o Dia do Palhaço, numa homenagem à figura-símbolo do meio circense e um dos ícones do imaginário infantil.

Cá por Portugal vamos mais longe e celebramos a 9 de Dezembro, não o Dia do Palhaço, mas sim o Dia do Palhaço Inimputável e Esquizofrénico. Pelo menos foi essa a ideia que ficou do debate acalorado de ontem entre Maria José Nogueira Pinto e o socialista Ricardo Gonçalves durante a audição da Comissão Parlamentar da Saúde.

O desempenho de Ricardo Gonçalves suscitou, aliás, palavras de reconhecimento de Nogueira Pinto que referiu que "Nunca tinha visto um palhaço permanente numa comissão parlamentar mas acho que o devem ter eleito exatamente para isso, para nos animar". Perante a relutância de Ricardo Gonçalves em aceitar os elogios que lhe eram endereçados, movido certamente pela modéstia, Nogueira Pinto foi mais longe e elevou o deputado do PS ao patamar de esquizofrénico.

Retribuindo a apreciação de teor circense, Ricardo Gonçalves retorquiu elogiando a agilidade da colega, afirmando que não ficava indiferente às capacidades de saltitona (entre partidos) de Nogueira Pinto que, de imediato e não deixando arrefecer a questão, rematou a sua apreciação com a invocação da atribuição do estatuto de inimputabilidade ao colega deputado.

Fica no ar a pergunta: para se ser deputado é realmente necessário ter um curso superior ou basta tirar um curso de formação no Chapitô?

segunda-feira, novembro 16, 2009

A importância da dieta para a prática dos assaltos

Uma das notícias mais surreais do fim-de-semana, mais inacreditável ainda do que as suspeitas de que há corrupção em Portugal, foi sem dúvida a do assaltante que ficou entalado numa pequena janela situada nas traseiras de um supermercado ao qual tentava ter acesso na noite de sábado para domingo em Almancil - Loulé.

Infelizmente, o criminoso cometeu um grosseiro erro de subestimação do perímetro da sua própria cintura e ficou entalado tendo assim permanecido durante 11 horas até que, finalmente, às 7h da manhã de domingo, o proprietário do estabelecimento detectou a sua presença e chamou a polícia e os bombeiros.

Para salvar o assaltante foi necessário desmantelar o caixilho da janela e ainda parte da parede. Estamos em crer que a partir desta data o assaltante irá levar a cabo uma dieta mais rica em fibras e com menor dose de calorias.

Contudo, não podemos deixar de pensar que, tendo ficado naquela posição durante 11 horas, período durante o qual chegou a retirar as calças para se tentar libertar, o assaltante teve sorte. Imaginem que por ali tivesse passado um certo casal de pastores bem famosos...

Era um mimo!

segunda-feira, novembro 09, 2009

20 anos depois... é como se tivesse sido ontem

Há 20 anos atrás, senti de uma forma muito intensa a queda do Muro, tendo a plena percepção que a partir daquele momento, com o Muro, caía uma realidade e outra tinha início. A Guerra Fria era de forma latente algo tão natural e omnipresente na consciência colectiva e no dia-a-dia das pessoas como hoje é a Internet. Vivia-se num Mundo bipolarizado entre duas super potências e no qual os noticiários, salvo raras excepções, incluíam todos os dias mais uma notícia de um conflito ou um acontecimento diplomático onde, directa ou indirectamente, os EUA e a URSS estavam envolvidos.

Aquele ano de 1989 foi por isso um ano mágico. Com uma consciência fortemente influenciada pela ingenuidade própria da idade, tentava adivinhar onde é que esta onda se faria sentir em seguida, chegando a apostar até em Cuba e na China! Acreditava de forma naïf que o Muro se abria para deixar entrar um Mundo melhor, completamente diferente do anterior.

Tal não aconteceu e hoje em dia, infelizmente, existem muitos outros Muros, verdadeiras materializações dos Muros mentais que resistem solidamente na consciência humana. Apesar de tudo, a magia daquela noite de 9 para 10 de Novembro perdurará para sempre.

sexta-feira, novembro 06, 2009

Black Eyed Peas - I Gotta Feeling - actualizado


No arranque da 24ª temporada do programa televisivo de Oprah Winfrey, os Black Eyed Peas prepararam um coreografia muito especial com 20.000 participantes ao som de "I Gotta Feeling", curiosamente a canção que serviu de inspiração à Selecção Nacional de futebol na parte final da qualificação para o Mundial.

O grupo começou por treinar 800 pessoas que depois se encarregaram de ensinar todos os movimentos da coreografia ao maior número possível de pessoas. O resultado foi espectacular e surpreendeu até a apresentadora televisiva que não estava a par de nada.

Esta é dedicada ao Luís, do Tomar, a Cidade!


Comentários

Impressionante, mas parece que esta música dá muito que falar e fazer; vejam o link: http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/53055



Mooner, o formato j á não é original. A Escola Profissional do Fundão já o tinha utilizado em 2007, mais ou menos com o mesmo nível.

Caetano

terça-feira, outubro 27, 2009

Alexandra de volta a Portugal?




Ao que parece, Alexandra, a criança russa que há uns meses foi devolvida à mãe biológica por um tribunal português, prepara-se agora para ver as autoridades russas contrariarem esta decisão. A SIC noticiou hoje que as autoridades consideram inaceitáveis as condições físicas e psicológicas em que a criança vive e vão mais longe questionando:

"Como é que um tribunal pode tomar uma decisão de entregar uma criança a uma pessoa destas?"

Esta é uma excelente pergunta que nós próprios já aqui colocámos em Maio último. Outro ponto interessante foi ouvir um dos assistentes sociais referirem que seria extremamente negativo retirar a criança à mãe para a enviar para um orfanato o que vem entreabrir a porta para um possível regresso a Portugal.

Haja finalmente alguém com responsabilidade que se preocupe com o bem-estar desta criança embora com um "puxão de orelhas" diplomático às autoridades portuguesas à mistura.

No meio disto tudo, lamenta-se o papel de bola de ping-pong a que está reduzida a criança...

Artigos anteriores:

quinta-feira, outubro 01, 2009

"Sim, porque sim!" à moda da Irlanda

A Irlanda vai amanhã às urnas para votar no 2º Referendo sobre a Adesão ao Tratado de Lisboa, tratado que foi ratificado pelo Governo Irlandês mas que viria depois a ser recusado pelo povo em referendo. A presidência portuguesa da UE terá afirmado na altura "Isto não foi nada porreiro, pá!".

A campanha tem sido por isso muito disputada entres os partidários do "SIM" e os do "NÃO" mas parece que à segunda é de vez e, a não ser que as sondagens irlandesas sejam encomendadas à mesma empresa que faz as sondagens onde o CDS-PP aparece no limiar do desastre, tudo leva a crer que desta vez o "SIM" vai ganhar. A avaliar pelas formas de campanha também não será difícil perceber porquê:



Campanha efectuada na forma de um grafitti que, como podemos constatar pelo instantâneo, não desperta a atenção desta jovem que caminha numa pose genuinamente irlandesa



Contudo, aqui acreditamos que não só a esta imagem se tornou o foco total da atenção da jovem da última foto, como esta irá certamente votar no "SIM" com a esperança de poder assistir ao crescimento das suas oportunidades 


Este desfecho será particularmente importante se tivermos em conta que a Irlanda é um dos países-emblema da UE e que os irlandeses são também um povo de características muito particulares, por natureza resolutos e teimosos. Aliás, isso ficou bem patente a resposta de uma cidadã anónima irlandesa dada à reportagem da Euronews quando questionada sobre qual seria o sentido do seu voto no referendo:


- "Vou votar não!"
- "Porquê?"
- "Porque não é bom para o país!"
- "Porquê?"
- "Porque... Não sei! Só sei que vou votar não!"


Esta é sem dúvida uma resposta digna de uma genuína irlandesa resoluta e teimosa que não teve a oportunidade de ver os cartazes da campanha em prol do "SIM".


segunda-feira, setembro 28, 2009

PS vence mas fica com amargo de boca


O Partido Socialista foi, segundo José Sócrates, o grande vencedor da noite. Será que foi mesmo? O PS obteve 37% dos votos, ou seja, menos 8% que nas legislativas anteriores e menos 25 deputados, o que ainda assim lhe garante a maioria relativa mas... não a estabilidade governativa.


O PSD apenas obteve mais 3 deputados, tendo agora 78, muito pouco para quem pretendia colocar a sua líder como primeira-ministra e que pode ler aqui uma avaliação sobre uma certa forma de estar na oposição. O CDS foi o grande protagonista das legislativas ao ganhar mais 9 deputados, número que lhe permite afirmar-se como 3ª força política da Assembleia, à frente de um Bloco de Esquerda que, apesar de ter um resultado muito positivo (duplicou a sua representação de 8 para 16 deputados), ficou aquém das expectativas que chegou a alimentar durante a campanha e à luz da ultrapassagem pelo CDS. Por último ficou a CDU que não conseguiu cativar os desencantados com o PS e apenas subiu de 14 para 15 deputados.


Conhecidos os resultados e dado o contexto actual a pergunta é legítima: Será que este Governo vai sobreviver os normais 4 anos ou vamos ter eleições antecipadas? A única certeza é que a vida de Sócrates não vai ser nada fácil nos próximos tempos, com o Bloco e a CDU a mostrarem-se reticentes perante a ideia de uma coligação e com a particularidade de o PSD e o CDS, em conjunto, terem mais votos que o PS, o que pode promover uma concertação de direita contra os socialistas.


Sócrates tem por isso duas hipóteses: ou avança para uma coligação com o BE (menos difícil) ou com a CDU, ou em alternativa avança para uma governação feita de acordos pontuais com diferentes partidos consoante as matérias a legislar, hipótese esta que me parece mais provável. Independentemente do caminho a seguir, vamos ter a oportunidade de ver nascer um novo Sócrates, o Sócrates negociador, dialogante e... finalmente mais humilde, tanto assim que espero ouvi-lo dizer num futuro próximo que ainda está para nascer primeiro-ministro mais humilde que ele. Para já pode deduzir que os mais de 500.000 votos (Olha! Será que foram os desempregados oficiais?) que lhe fugiram são sem dúvida um aviso sério do descontentamento nacional relativamente às políticas do Governo. 


O período auto-determinístico do Governo terminou. A partir de agora ou Sócrates aprende a dialogar ou então mais vale marcar já as próximas legislativas.




Outros factos do katano!


Entre os muitos resultados do escrutínio, há um que se destaca e que é sem dúvida o grande resultado obtido pelo PTP que ultrapassou mesmo o POUS, fruto sem dúvida da superior qualidade da sua campanha televisiva e do esclarecimento das suas ideias em detrimento da genialidade das propostas do POUS que o país não compreendeu. Os trabalhistas obtiveram 4.789 votos contras os 4.320 dos adeptos da 4ª Internacional, sendo agora a 14ª força política nacional com 0,08% dos votos.


Em Vilar de Mouros tentaram poupar o dinheiro dos contribuintes e para o efeito foram colocados à disposição dos eleitores boletins de voto das últimas eleições europeias. O lapso só viria a ser detectado após 35 eleitores terem votado e, certamente, quando alguém terá chamado a atenção para o facto de o boletim mencionar o POUS mas não o PTP.


Alberto João Jardim pôs o dedo na ferida e referiu que o país tem "um problema de regime" e que não sabe como se pode resolver. Pessoalmente também não sei como resolver o problema de regime do país mas o problema de regime de Alberto João por outro lado é fácil de resolver: menos lípidos, menos hidratos de carbono e mais fibras. Ou então uma solução 2 em 1 que consiste em introduzir e fixar uma meia enrolada na boca do dirigente madeirense.


A abstenção acabou por se cifrar em 39% e tem uma explicação simples. Hoje só passou um filme de teenagers sofisticadas na TV e nenhum de animais falantes. A programação televisiva arrojada para um fim-de-semana terá pois cativado os eleitores menos motivados.

sábado, setembro 26, 2009

Legislativas 2009 - A selecção dos melhores tempos de antena - II

POUS - Partido Operário de Unidade Socialista





Começando uma banda sonora peculiar, que lembra uma sirene de bombeiros acompanhada por um reco-reco, este tempo de antena do POUS (gosto muito mais de lhe chamar "pouse" do que "pê ó u ésse", tem uma sonoridade muito mais interessante) é apresentado por um camarada analista programador que inicia o seu discurso dedicando 10 segundos a dizer que não vai estar ali para gastar muito tempo aos telespectadores... O argumento curioso do camarada analista programador é que o tempo é precioso, uma vez que é curto para o POUS (leia-se "pouse"). Mas em 2m40s que não chegam para dizer tudo, 10 segundos não fazem falta nenhuma.


Isto seria o equivalente a eu dizer aqui que não iria estar a desperdiçar o tempo dos leitores com texto sem qualquer propósito, uma vez que aquilo que realmente interessa é visionar este agradável tempo de antena e não perder aqui tempo com texto absolutamente inútil que não interessa nada a ninguém, nem sequer se for um parágrafo curto como este. Tal facto seria extremamente desagradável, desinteressante e uma expressão de mau gosto por parte do autor e, exactamente por esse facto, este tipo de situação não irá aqui ocorrer... Adiante.


Num discurso envolvente pleno de dinâmica, o camarada analista programador começa por se mostrar extremamente incomodado com a situação do desemprego, não escondendo esse incómodo que aliás é bem patente no seu rosto. Quase tão grande quanto o incómodo gerado pelo facto de não se conseguir ler muito bem o tele-ponto.


Colocado o dedo na ferida, o camarada analista programador decide então dar uma aula de Direito aos telespectadores, abordando a temática da Constituição da República Portuguesa e explicando, durante quase 1 minuto de "tempo precioso porque curto para o POUS" (leia-se "pouse"), que a Constituição contém artigos sobre o direito ao trabalho. Trata-se de uma abordagem ambiciosa e inovadora uma vez que, ao contrário de outros partidos que propõem a resolução do do problema do desemprego pela criação de novos postos de trabalho, o POUS (leia-se "pouse") avança com a ideia de que o desemprego nem sequer devia existir uma vez que não está consignado na Constituição.


O tempo de antena termina com nova exibição do símbolo do POUS (leia-se "pouse"), acompanhado pelo toque jovial de um trompete que pretende sem dúvida criar um estado de espírito descontraído para não levar o telespectador a pensar que, num espaço onde o tempo era precioso "porque curto para o POUS" (leia-se "pouse"), gastaram-se 2m40s para não se dizer absolutamente nada.

Vale a pena ver:
O site do Partido Operário de Unidade Socialista

Legislativas 2009 - A selecção dos melhores tempos de antena - I






Terminou a campanha eleitoral para as eleições legislativas 2009 e o teor dos noticiários vai novamente voltar àquela antiga mediania orfã de escândalos e contra-escândalos, de denúncias incoerentes e ataques e contra-ataques baixos, intercalados com acusações de prática de ataque baixo por parte do adversário. Vamos obviamente continuar a vivenciar a onda sistemática de inaugurações, pelo menos até às eleições autárquicas mas carecendo daquela emoçãozinha muito particular da qual tínhamos até agora pleno desfrute.


Desta campanha eleitoral que agora findou absolutamente nada vai conseguir deixar mais saudades que os tempos de antena televisivos.


Esta última fornada de criatividade veio provar que, cada vez mais, a indústria do audiovisual ao serviço da política se aproxima da indústria de Hollywood, apta a criar verdadeiros épicos, capazes de levar o mais insensível espectador às lágrimas, com a mesma facilidade com que cria verdadeiras patetices que, não só não se podem classificar como realizações de Série B, como também nos fazem perceber que o alfabeto consegue por vezes ser demasiado pequeno...


Aqui fica por isso uma selecção daqueles que, para mim, foram os mais memoráveis Tempos de Antena da campanha eleitoral para as Eleições Legislativas de 2009.




1 - Tempo de Antena do PTP - Partido Trabalhista Português



Este tempo de antena foi já esmiuçado pelos Gato Fedorento, mas merece ser revisto. Numa abordagem revivalista da realidade política internacional dos anos 80, um bem elaborado ambiente cenográfico recorda o espectador que existiu em tempos uma cortina de ferro a dividir a Europa.





Com uma encenação que subtilmente acusa o PS de desnorte governativo e o PSD de ser a alternativa sem sentido, este sketch de crítica social pura começa por atacar a política de educação do Governo.


Numa primeira investida, materializada no momento em que a entrevistadora diz aos entrevistados que pretende colocar uma pergunta e afinal coloca cerca de seis de enfiada (fiquei confuso porque há alturas do discurso em que o ponto de interrogação se confunde com a vírgula), o PTP faz uma alusão à eterna crise do ensino da Matemática, persistindo depois, ao longo de todo o tempo de antena, em ridicularizar as dificuldades de leitura do aluno português actual, recorrendo a imitações de gosto duvidoso ao longo das quais se dá tanto valor à pontuação como à letra "H" quando colocada à esquerda de uma palavra.


Contudo, nem só de ironia mascarada vive este Tempo de Antena que procura manipular emoções. Depois do discurso da Sra. Laranja, terminado com uma expressão de arrogância que desperta nos espectadores uma animosidade que só os agentes porta-a-porta da Cabovisão conhecem, segue-se um momento de silêncio incómodo no qual se sente a tensão subir, à boa moda dos duelos do western clássicos. Houvesse uma banda sonora baseada em assobios, e neste momento dir-se-ia que este tempo de antena teria sido realizado por Sergio Leone.







Inevitavelmente as interrogações brotam como cogumelos na cabeça do espectador: "O que vai acontecer agora?", "Como vai reagir o heróico líder do PTP a toda esta perfídia?", "Será que, para fazer jus ao cenário, ele se vai levantar e abater os opressores a tiro?". Durante 5 longos segundos a angústia cresce até ao limite do suportável até que, finalmente, o Dr Amândio Madaleno (sim, é o nome do heróico líder) dá um murro na mesa... talvez uma palmada... ou talvez tivesse apenas a intenção de sacudir o pó dos seus apontamentos... e decide pôr cobro à situação.


No final do seu discurso, cuja fonética nos remete inevitavelmente para a imagem tradicional e familiar do padre da nossa aldeia, Amândio Madaleno arrasa por completo a oposição que, apesar de tudo, não se coíbe de fazer uma última alusão ao preço proibitivo dos aparelhos auditivos que nem sequer são comparticipados pelo Estado, e o tempo de antena termina com a exibição do glorioso símbolo do PTP. Confesso que foi difícil resistir a esta súbita compulsão de me levantar e aplaudir compassadamente fazendo gestos afirmativos com a cabeça.


Vale a pena ver:
O site do PTP com todas as Actualiadades (há gente que não sabe quando parar)
O blog "O Grito Trabalhista"


Fotos/Imagens:
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