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sexta-feira, julho 16, 2010

Porque há coisas que fazem mais falta que a electricidade...


Uma das características incontornáveis do ser humano é esta peculiar tendência de só ter noção da real importância que determinadas coisas têm para si apenas quando se vê privado delas. Ontem, mais uma vez, passei por uma situação desse género quando, em simultâneo, ficámos privados de telefone e internet.

Evidentemente, os primeiros pensamentos que nos ocorrem são algo patetas como por exemplo: "Ora bolas... como é que eu trabalho agora? Olha, vou ler os mails. ... * constatação de patetice *", isto enquanto procuramos ajustar a nossa mente a uma realidade completamente anormal onde nada parece fazer sentido.

Com isto, veio-me à memória aquela senhora idosa de uma aldeia remota que, há uns anos atrás, falando a uma repórter de um canal televisivo sobre o tema da importância da televisão como meio privilegiado de entretenimento dizia "A televisão faz-me muita falta. Olhe, sei lá... Acho que preferia ficar sem electricidade do que ficar sem televisão."

Imagem tirada ali do Na Travessia da Prosa

terça-feira, junho 29, 2010

Finalmente gosto de uma 1ª página do 24 Horas!

É irónico que agora, quando após tanto tempo começo a gostar do tablóide, ele chegue ao fim...

domingo, junho 20, 2010

Saramago - Faleceu o populista extremista e ideólogo anti-religioso mais famoso de Portugal


Nunca li qualquer obra de Saramago tal como nunca assisti a qualquer filme de Manoel de Oliveira. Bom, talvez não seja bem verdade pois, há uns tempos atrás, ainda li algumas linhas de um dos seus livros mas parei na altura em que os cães, sem cordas vocais, começaram a ladrar ao mesmo tempo que alguém a 1.000 km dali riscava o chão com um pau. Depois disso, a minha leitura foi circunstancialmente interrompida até hoje pelo que, em termos de ranking pessoal de leitura, Saramago é batido largamente por exemplo pela Enid Blyton e pelo Destak.

Não será por isso por ser fã da sua obra literária que lamentarei a morte de Saramago. Admirava-o sim, embora consciente do cunho da subjectividade das suas convicções políticas, pelo facto de dizer tudo o que lhe ia na cabeça de forma directa e sem falsas moralidades, afrontando os dogmas instituídos. Saramago era uma pessoa tão atentatória à moral que se atreveu inclusive a dizer que Jesus tinha dado uns valentes amassos a Maria Madalena (ou ao contrário), sendo por isso considerado persona non grata por vários sectores da sociedade portuguesa e pelo próprio Vaticano.

Aliás, este último ponto não é novidade nenhuma. O Vaticano tem esta tendência de condenar à viva voz aqueles que se atrevem a diferir, em termos comportamentais, da generalidade do gado ovino. Quando se fala de comunismo (estou neste momento a benzer-me repetidamente e vou inclusive efectuar já de seguida a aplicação de desinfectante que sobrou da pandemia da Gripe A, nas mãos) então até o tecto da Capela Sistina estala.

É certo que um grupo de homens, todos eles envergando vestidos, que vivem trancados, a maior parte deles já entradotes, e guardados com afinco por jovens de trajes coloridos e sotaque germânico não pode ser um grupo bem disposto e por isso, dou-lhes um desconto. Aliás, estimo que o nível de humor no seio do Vaticano terá melhorado significativamente com a morte, segundo o l' Osservatore Romano, deste populista extremista e ideólogo anti-religioso seguidor das políticas marxistas (estou a benzer-me outra vez repetidamente e vou novamente desinfectar as mãos). Adiante.

Voltando a Saramago, a maior influência que este teve na minha vida foi provavelmente ter-me feito perceber que a palavra Nobel se lê "Nobél" e não "Nóbel" isto para além do orgulho de viver num país que, passados quase 50 anos depois de um médico ter descoberto que retirando parte do cérebro a um indivíduo este ficará muito mais sossegado, voltava a receber o prestigiado galardão sueco.

Fica na retina o reconhecimento do país a Saramago, desde a classe política (nada como morrer para mudar a reputação de um indivíduo) até ao cidadão anónimo, e com um aparato dos media tal que, tendo sido apanhado desprevenido pela transmissão televisiva das exéquias do autor, cheguei a pensar que o Papa estivesse de volta.

Isto poderá parecer muita prosa para quem só leu Saramago até à parte em que os cães, sem cordas vocais, começaram a ladrar ao mesmo tempo que alguém a 1.000 km dali riscava o chão com um pau mas, ao fim e ao cabo, nem precisaria de ter lido absolutamente nada para ter algo a dizer. Que o diga a senhora que falou para a repórter de um canal de televisão dizendo que estava ali para dar o último adeus ao autor, isto apesar de nunca ter lido qualquer livro uma vez que padecia de uma dificuldade que era a seguinte: não sabia ler. Apesar de tudo, tinha uma familiar que tinha muitos livros de Saramago e eram, segundo a senhora e em tom de voz muito sentido e grave "livros lindos".

Até sempre Saramago! Espero que não sejas alvo de bullying, aí desse lado, por parte do Abel e do seu gang, ao serviço do Maior.

quarta-feira, junho 16, 2010

Depois dos estabelecimentos livres de fumo, eis os estabelecimentos livres de vuvuzelas

No Fundão há quem leve a sério as questões ambientais. Depois de, por Decreto-Lei, ter sido permitido ao cidadão comum, cioso da sua saúde respiratória, encontrar espaços livres de fumo, eis que surgem agora, por auto-regulamentação, os espaços livres de vuvuzelas.

O aviso torna-se mais interessante ainda pelo facto de um cidadão anónimo, quiçá abespinhado pelo impedimento de bufar na sua vuvuzela de estimação e detentor de um sentimento de certeza do domínio da ortografia acima da média, achar que "vuvuzela" se escreve "vouvuzela" e não se ter coibido de corrigir o neo-substantivo no aviso.

Quem quiser preservar a sua saúde auditiva enquanto degusta um belo prato de caracóis, já sabe. Este é o local certo!

A casa sugere ainda as seguintes leituras relacionadas:

terça-feira, junho 08, 2010

E elas lá casaram...!


Ontem, Segunda-feira 7 de Junho de 2010 - um dia que viverá na infâmia - duas senhoras resolveram casar, por intermédio do Registo Civil, sob o olhar atento de um país em estado de choque, habituado que estava a uma vivência recta e em observância dos ditames da mais pura e casta moral.

Enquanto tomava café, a minha atenção desviou-se do ecrã da televisão, onde o evento estava a ser transmitido, e centrou-se nos indivíduos que, com o músculo pancips encostado ao balcão, observavam siderados o acontecimento e a desfaçatez daquelas moças com idade para ter juízo e que, em vez de mostrarem um ar grave próprio de quem é responsável pelas grandes tragédias da humanidade, aparentavam pelo contrário um inexplicável estado de felicidade.

O gesto de abanar a cabeça em clara reprovação, acompanhado pela frase "Olha-me para aquele espectáculo...", precedida, como mandam as regras, por uma expressão tirada do mais puro vernáculo popular, não deixavam dúvidas. Aqueles indivíduos faziam parte do grosso da população cuja existência estava a partir daquele momento irremediavelmente conspurcada e despojada de motivos que justificassem a sua continuidade, restando-lhes apenas o aguardar da concretização do anunciado pelo Apóstolo João, o Evangelista.

Quanto a mim, consumado que está o casamento entre estas duas senhoras, ainda não descortinei qualquer sinal do início do Apocalipse mas garanto que continuarei atento. Já vi filmes suficientes para saber que, isto do fim do Mundo, acontece quando menos esperamos.


sexta-feira, junho 04, 2010

Faleceu João Aguiar - A cultura portuguesa ficou mais pobre

Sendo seu grande admirador, foi com grande tristeza que tive ontem conhecimento da morte de João Aguiar, vencido por um cancro aos 66 anos.

Aguiar era um grande defensor da cultura portuguesa sendo, em contraponto, um profundo crítico da facilidade com que a população portuguesa tem tendência a assimilar tudo o que é estrangeirismo em detrimento daquilo que "é nosso".

Magoava-o o desrespeito pela escrita da Língua Portuguesa, progressivamente conspurcada por corpos estranhos e cada vez menos praticada com correcção. Aliás, como disse Alice Vieira, grande amiga de Aguiar, este era uma pessoa extremamente calma e a única coisa que o irritava era os erros de português.

Com publicação em Espanha, França, Itália, Alemanha e Bulgária, Aguiar deixa atrás de si um apreciável rol de obras destacando-se na ficção histórica, através da qual procurou retratar com rigor a realidade da Antiguidade no espaço territorial do Portugal actual. O seu último livro, "O Priorado do Cifrão", é, por outro lado, uma crítica mordaz e irónica aos "best sellers" instantâneos e aos seus sucedâneos, numa alusão clara ao "Código Da Vinci".

Com o seu desaparecimento, a cultura portuguesa fica mais pobre e, ao mesmo tempo, perde um dos seus mais acérrimos defensores.

Artigos relacionados:

sexta-feira, maio 28, 2010

Na Rússia, cada deputado faz o trabalho de 5!

Muito se tem falado, ainda para mais agora perante as medidas de austeridade, sobre se será realmente necessário ter 230 deputados na Assembleia da República tendo em conta a dimensão do país e a despesa que este número acarreta.

Este debate ganha ainda mais força quando deputados há que se destacam pela sua elevada taxa de absentismo (e ainda dizem que as escolas não formam bons profissionais). Isto para não falar dos elevados salários e das muitas regalias, entre elas as famosas ajudas de custo celebrizadas recentemente por uma deputada eleita por Lisboa mas com residência em Paris.

Mas será possível fazer funcionar a Democracia com poucos deputados? Se atentarmos no exemplo que nos chega da Rússia, a resposta é inapelavelmente SIM! Aliás, de forma astuta, os russos demonstraram recentemente como é possível fazer com que cada deputado valha por 5.

O caso reporta-se a uma lei de endurecimento de sanções contra condução sob o efeito de álcool que foi aprovada no Parlamento Russo com um total de 449 votos a favor e nenhum contra. Isto quando estava no hemiciclo...88 deputados. Vale a pena ver o vídeo e admirar a dedicação e o esforço com que os deputados russos cumprem a sua missão.


quarta-feira, maio 26, 2010

Calvin explica a dinâmica da economia moderna

(clicar para ampliar)
Qualquer semelhança com a realidade talvez não seja pura coincidência.

Imagem recebida por e-mail

sexta-feira, maio 21, 2010

A capa de jornal da semana!

Fica na retina esta capa de jornal onde, obviamente, o destaque vai inteirinho para a chegada de Pepe à Covilhã para integrar os trabalhos da Selecção. Será que recupera a tempo de dar o seu contributo a 100% no Mundial?

terça-feira, maio 18, 2010

Tirar o Cartão do Cidadão pode ser uma jornada de auto-descoberta


Não querendo de forma alguma parecer paranóico, tenho a sensação que a Administração Central é como um polvo conspirativo que investe contra mim com cada um dos seus tentáculos, seja através das Finanças, com os seus diligentes funcionários de indumentária peculiar, da Segurança Social, que decide numa migração de sistemas fazer desaparecer 3 anos das minhas contribuições, e -imagine-se!- até através do SNS que me leva a pensar que a minha longevidade está na iminência de ser abreviada.

Esta diabólica trama teve um novo capítulo quando há dias me dirigi ao Registo Civil para pedir o Cartão do Cidadão, pedido que aliás foi uma estreia para mim. Abro aqui um parêntesis para referir que a designação "Cartão do Cidadão" é uma designação feliz, tendo em conta que inicialmente se falava em Cartão Único. Felizmente alguém na Administração Central percebeu os riscos desta última e optou-se pela primeira.

O funcionário solicitou o meu BI para comparar os dados da base de dados com os que constavam no documento. Acompanhei o processo atentamente como é meu timbre e, no instante em que o funcionário arregalou os olhos, aproximou o rosto do ecrã e exclamou "Mau...!", a minha perspicácia levou-me a comentar imediatamente para com os meus botões "Oh diabo...! Tu queres ver que me vai suceder outra situação completamente fora do vulgar e que não faz sentido algum, como se a Administração Central fosse um polvo conspirativo que investe contra mim com todos os seus tentáculos?".

É certo que quando menos esperamos, descobrimos coisas sobre nós próprios que até então desconhecíamos mas, descobrir ali, pela mão daquele funcionário, que eu era afinal mais velho e casado, que os meus pais não são quem eu toda a vida pensei que fossem e que, contra todas as aparências, resido na Marinha Grande, foi para mim um choque tremendo.

De forma admirável, o funcionário não desarmou e refez uma e outra vez a pesquisa, usando critérios diferentes mas obtendo sempre o mesmo resultado. Perante a sua diligência e teimosa insistência, tentei poupar-lhe o esforço e explicar-lhe que não adiantaria pesquisar fosse de que forma fosse pois o que se passava é que alguém tinha feito asneira ao introduzir os dados no meu registo e me confundira com um cidadão que tinha, letra por letra, exactamente o mesmo nome que eu.

Olhando-me desconfiado, o funcionário insistiu uma última vez "Vou pesquisar noutro computador para ver o que acontece!", sendo novamente assolado por um sentimento de desilusão e de uma certa frustração, exclamando bem alto "Caramba! Aqui acontece o mesmo!".

Foi necessária uma mini-convenção de funcionários diante do computador, para finalmente decidirem alterar os dados do meu registo, corrigindo de acordo com o que constava no BI mas perguntando-me sempre, campo a campo, se os mesmos estavam correctos... não fosse o diabo tecê-las e obrigá-los a mais uma bateria de pesquisas.

domingo, maio 09, 2010

Acessibilidades e estacionamento

A questão das acessibilidades é um tema de debate cada vez mais recorrente mas, infelizmente, nem sempre tido em consideração no planeamento urbano onde os transeuntes, sobretudo aqueles com mobilidade reduzida, enfrentam diariamente inúmeras barreiras à sua livre circulação.

É por isso de louvar o crescente número de iniciativas que as diferentes autarquias estão a levar a cabo no sentido de reduzir essas barreiras no tecido urbano, combatendo por exemplo a falta de civismo dos automobilistas no que diz respeito ao estacionamento.

A imagem acima ilustra exactamente isso, retratando o momento em que vários funcionários municipais estão a instalar pilaretes para evitar o estacionamento numa zona para circulação de peões. Passado o momento do aplauso, fica no entanto a cruel dúvida: quanto tempo é que vão demorar a perceber que, a escolha do local para estacionar a carrinha de apoio, não foi propriamente brilhante?

Foto enviada por e-mail pelo João Reis

segunda-feira, abril 26, 2010

25 de Abril, 36 anos depois



"Só saberá o que é a liberdade no dia em que a perder"

Passados 36 anos desde a revolução dos cravos, sinto que a sociedade se vai distanciando progressivamente dos valores e do significado que teve o 25 de Abril para Portugal, e não apenas temporalmente. Salgueiro Maia, Zeca Afonso e Marcello Caetano são cada vez mais ilustres desconhecidos, enquanto Salazar -imagine-se!- consegue ser eleito o maior de todos os portugueses em concursos televisivos, ao mesmo tempo que vai sendo evocado como o remédio que curaria todos os problemas sociais se por obra e graça do Espírito Santo regressasse do túmulo.

E se em vez de um "novo Salazar", os pais assumissem a sua efectiva responsabilidade educativa na família em vez de a descartarem, as instituições fossem tão ávidas de rigor e de trabalho como são a premiar a incompetência e o Estado fomentasse realmente o trabalho e o progresso em vez de, como assistimos actualmente, permitir que haja cidadãos que se reformem aos 18 anos?

Durante quase 50 anos, a opressão silenciou as vozes dos descontentes, ao mesmo tempo que usava o desterro, a prisão e a morte como instrumentos primordiais para se perpetuar. Hoje, essas mesmas vozes são silenciadas pelo desprezo e pela ignorância de uma sociedade que vive do imediatismo e que considera a liberdade como algo tão naturalmente seu por direito, que não consegue conceber uma época em que esta era negada, nem o que foi preciso fazer para a recuperar. Assiste-se, por outro lado e com uma facilidade incrível, à subversão dos termos "liberdade" e "liberdade de expressão", frequentemente usados para descrever algo mais próximo da libertinagem e da falta de respeito pelo próximo. De fora ficam outros dois conceitos fundamentais e indissociáveis dos anteriores: a responsabilidade e o respeito pelo próximo.

Deste lado, vou continuar ano após ano a recordar e evocar a Revolução dos Cravos, vou continuar a arrepiar-me ao som de Grândola Vila Morena e, sem dúvida, continuarei a ser inteiramente grato aos Heróis de Abril que puseram fim à longa noite do silêncio e a transmitir esse sentimento aos que depois de mim vierem.

25 de Abril Sempre!

Arruada comemorativa do 25 de Abril no Fundão


Mais uma vez na noite de 24 para 25 de Abril, minutos antes da meia-noite, a população do Fundão convergiu para o Jardim Municipal, em frente à Câmara, saindo depois em arruada pelas ruas mais emblemáticas da cidade, ao som de "Grândola Vila Morena", este ano interpretado pela Banda Filarmónica de Silvares.

Esta é uma tradição que se repete anualmente e que mantém viva a gratidão para com os Heróis de Abril.

Aqui fica um vídeo feito em cima do joelho esquerdo para dar uma ideia do que é esta tradição:



sexta-feira, abril 16, 2010

Maria Cavaco Silva: Declaração ao mais alto nível acerca de um vulcãozinho numa pequeníssima ilha


Retida em Praga, na República Checa, juntamente com o o seu marido, o Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, e o resto da comitiva que se encontra de visita àquele país, por causa do vulcão islandês que paralisou meia Europa, Maria Cavaco Silva dissertou para a comunicação social sobre a situação.

Num curioso uso de palavras, a primeira dama referiu que o que estava a acontecer era no fundo a demonstração do conceito de "Aldeia Global", tendo em conta que "um vulcãozinho, que talvez não seja assim tão pequeno quanto isso, numa pequeníssima ilha" estava a afectar meia Europa.

Não querendo de forma alguma estar a ser picuinhas nem implicativo, esta declaração deixou-me contudo com a pulga atrás da orelha e fui verificar alguns dados geográficos tendo obtido os seguintes números:

Área total da Islândia: 103.000 km2
Área total de Portugal: 92.090 km2

Pelos vistos, mesmo que seja de forma inconsciente, nem a Presidência consegue ser imune a este vírus, tão português quanto irritante, de encarar o nosso país com um confrangedor sentimento de inferioridade.

Fico no entanto curioso... Como se referiria a Primeira-Dama ao Hawai se o vulcão aí estivesse situado? Será que resistiria a usar a piada do prefixo "nano-mini-micro"?

terça-feira, março 23, 2010

Pesquisas do Katano - 2ª Edição de 2010

Aqui está a 2ª edição da já consagrada rubrica que traz à estampa as pesquisas mais improváveis que trouxeram visitantes a este blog. Que inquietações afligiram os leitores? O que procuraram? Estarão os termos de pesquisa escritos ao abrigo do Acordo Ortográfico? Estas são questões que vão ser respondidas já a seguir!


Pessoas que comunicão com espíritos Castelo Branco

Infelizmente não foi possível confirmar em tempo útil se esta frase está ao abrigo do Acordo Ortográfico mas há fortes suspeitas de que não esteja. Quanto à pesquisa em si, parece haver aqui uma certa vontade de rivalizar com as pessoas que, em Castelo Novo, comunicam com extra-terrestres, assim como quem diz "Ai lá para cima diz que falam com homenzinhos verdes? Então por cá, vamos mas é procurar quem nos permita falar com indivíduos bastante pálidos, de preferência com olheiras dignas de rivalizar com as da Manuela Ferreira Leite, e que falem como se alguém armado em esperto lhes tivesse reduzido o número de rotações do gira-discos.".


Extraterrestres querem se comunicar


Aqui está basicamente a confirmação do disposto no ponto anterior. Ora, esta é uma pesquisa efectuada provavelmente por alguém que acha que, comunicar por comunicar, mais vale fazê-lo com homenzinhos verdes e não com indivíduos pálidos e com olheiras, a necessitar de consultas de terapia da fala. Agora o busílis essencial é tão somente onde se encontram estes extraterrestres dispostos ao diálogo? Já agora, também não foi possível apurar a tempo se estes termos de pesquisa estão ou não em observância do novo Acordo Ortográfico mas, desta vez, acreditamos que estejam.


zona com pesquisas extraterrestres

Aqui instala-se a dúvida. Mas afinal quem é que quer saber onde se encontram os extraterrestres e, mais especificamente, onde é que estes estão a laborar nas suas pesquisas, que, desenganem-se os leitores, não envolvem experiências de cariz sexual com seres humanos? Isto porque soubemos, por intermédio de uma fonte segura em Castelo Novo, que as experiências dos extraterrestres com seres humanos envolvem tão somente um teste de Rorschach, uma bateria de testes psicotécnicos e uma partida de Trivial Pursuit, nada tendo a ver com práticas libidinosas como amiúde se vê nos filmes. Será realmente alguém disposto a comunicar com os seres de outro planeta? Estando o país como está, poderia simplesmente ser Teixeira dos Santos no intuito de efectuar a colecta sobre rendimentos não declarados gerados em território nacional.


quanto custa a foto de um acidente

A primeira coisa que me veio à cabeça foi... Roswell. No entanto, expurgados os pensamentos envolvendo homenzinhos verdes, sobram duas hipóteses: ou alguém acha que combinaria muito bem com a sua mobília de sala, em tom cerejeira, uma bela fotografia emoldurada de um desastre, ou então estamos simplesmente perante alguém que, revelando um curioso sentido de oportunidade, fotografou um acidente e pretende obter lucro com a fotografia para fazer face à iminente Era do PEC.


euromilhoes prazo para levantamento já ultrapassado


Este leitor, por exemplo, não vai com certeza enfrentar o PEC com o mesmo desafogo de que poderia usufruir caso se tivesse lembrado mais cedo de fazer o levantamento do prémio obtido no sorteio do Euromilhões. Poderá no entanto obter ainda algum lucro caso tenha a presença de espírito suficiente para recortar o boletim de apostas em pequenos quadrados para vender em seguida como confetis.

segunda-feira, março 08, 2010

E porque hoje é dia internacional da mulher...

...aproveitamos para assinalar este dia com este curioso apontamento de sinalização de apelo ao respeito, tirada do álbum da Sinalética do Katano.(Ver mais sinalética escabrosa ).

domingo, março 07, 2010

Uma aventura no SNS

Ainda não refeito de um problema de saúde que me impediu de escrever aqui nos últimos dias (terá a febre sido provocada pela visita à colecção de malandrices da São Rosas?), finalmente hoje tive oportunidade para vir aqui matar o vício.

Estar doente é um bocado deprimente, sobretudo quando a reclusão nos leva a situações de degredo tal que somos literalmente "forçados" a assistir através do nosso imobilismo a séries televisivas que nos ensinam coisas tão interessantes como o facto de a sociedade humana estar dividida em humanos, humanos maus, vampiros e nerds. Contudo, nem tudo é mau. Convalescer tendo a nossa própria médica em casa, ainda por cima sendo ela dotada de uma imensa paciência, é de um valor inestimável!

Contudo, se pensam que o fim-de-semana foi todo ele marasmo, desenganem-se. Um facto significativo viria a alterar completamente a situação: uma visita ao SNS!

Depois de ter esperado apenas 3.45 minutos para ser atendido, já contando com o pagamento da taxa moderadora, deparei-me com um médico extremamente prático. Atrás do seu largo monitor, que mal deixava perceber o ultra-portátil, com uma pen de acesso sem fios de Banda Larga à Internet, no qual ia dedilhando a espaços, de imediato determinou que o único exame que interessava fazer era uma radiografia, dispensado formalidades escusadas como o exame objectivo (auscultação, observação,...).

Obtida a radiografia e tendo sido esta enviada pela rede para o seu computador (o grande, aquele que tapava o ultra-portátil com uma pen de acesso sem fios de Banda Larga à Internet), o médico começou primeiro por tranquilizar-me dizendo que não nada via de anormal. Subitamente, depois de um momento em que desviou por instantes o olhar do monitor, olhou para este novamente e exclamou de olhos esbugalhados: "O que é isto???!".

Ora, isto é sem dúvida algo que não é muito agradável de ouvir, especialmente vindo de alguém que se supõe que esteja a observar o que está a suceder no interior do nosso corpo e, naquele instante, confesso ter até sentido como que uma dualidade integrante de uma parte da minha anatomia, que me é muito cara, cair ao chão e rebolar até desaparecer por baixo do radiador.

Felizmente, não tive tempo de escrever mentalmente o rascunho para o meu testamento para lá das primeiras 5 linhas pois, logo a seguir, o médico acrescentou: "Eh pá, cliquei aqui sem querer e isto mudou de ecrã!". Não evitou contudo que eu ficasse de pulsação acelerada nos minutos seguintes.

No entanto, era necessário avançar um diagnóstico e foi isso que o médico tentou fazer baseado na radiografia e no meu testemunho, inquirindo de forma contundente: "Será que é Brucelose?", opção logo abandonada perante a minha discordância. Recomendou-me então, depois de me receitar alguns medicamentos, que, caso houvesse evolução a nível de sintomas, me dirigisse na Segunda-feira ao Centro Hospitalar para realizar análises adicionais, visto que o local onde nos encontrávamos no momento tal não era possível por se tratar de "uma verdadeira chafarica!" (sic).

Foi pois com um sentimento estranho que regressei a casa, algo desiludido por não ter conseguido apurar o que se passava comigo mas, ao mesmo tempo, extremamente aliviado por tal ter acontecido...

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Comentário meteorológico


Quer-me parecer que, para o Governo, hoje o Sol não nasceu lá muito radioso. Será que vai haver tempestade?

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

PS quer tornar públicos na Internet rendimentos brutos dos contribuintes

Parece que o PS está a preparar uma proposta para publicar na Internet os rendimentos e impostos dos contribuintes, naquilo que pretende ser uma medida de combate à corrupção.

Pergunto no entanto se isto terá algum cabimento. Não que eu tenha algo a esconder, muito pelo contrário. Todos os interessados em consultar as minhas últimas 5 declarações de rendimentos entregues ao fisco em formato PDF podem manifestar essa intenção via e-mail, indicando nome completo, morada completa, data de nascimento e juntando também uma composição de 40 linhas sobre o tema "A influência da poluição atmosférica na formação dos micélios e subsequente impacto no desenvolvimento das árvores de folha caduca".

A questão é que eu sempre acreditei ingenuamente que a corrupção está mais conotada com aquilo que não se declara do que propriamente com aquilo que se declara. Inclusive, tive a ocasião de analisar atentamente o modelo 3 e os seus demais anexos e garanto que em lado algum existe uma rubrica que refira "Rendimentos obtidos da prática de ilegalidades pelo sujeito passivo" nem mesmo "Rendimentos obtidos na forma de pagamentos não colectáveis de terceiros com fins de aliciamento e favorecimento pelo sujeito passivo".

Mas isto sou eu que não percebo nada do assunto.

sábado, janeiro 30, 2010

140 milhões dos nossos euros para Angola?

Esta semana foi notícia o empréstimo de 14o milhões de euros que Portugal vai conceder a Angola, supostamente ao abrigo de um acordo com o FMI para evitar a ruptura financeira do país africano. Já estou a ver os angolanos a virem a Portugal investir o dinheiro em mais algumas empresas nacionais e a pagarem ao nosso Governo com os dividendos gerados no nosso próprio território... Tudo em prol da alta causa de evitar a ruptura financeira de Angola, claro.
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