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segunda-feira, janeiro 30, 2017

Pela Serra da Estrela com neve. Muita neve!

Com tudo a postos para participar numa caminhada organizada que iria percorrer o maciço central da Serra da Estrela, a notícia do adiamento devido ao agravamento das condições climatéricas foi uma tremenda desilusão. A Estrela é um território do qual conheço muito pouco para além dos circuitos turísticos habituais e estava em pulgas para ir caminhar por aqueles fraguedos, ainda por cima com neve.

Apesar das circunstâncias, o apelo da caminhada acabou por ser mais forte e, contando com a companhia do Nuno que partilhava da mesma motivação, rumámos a Manteigas bem cedinho para percorrer o vale glaciar e para assim "matar o vício".

O objectivo estava definido: subir o curso do Zêzere, pela GR-33, até perto ao Covão da Ametade e daí subir à Nave de Santo António, local onde faríamos uma pausa para descanso e almoço, reavaliando a situação para decidir se o regresso a Manteigas se faria pelo mesmo caminho ou pela crista da vertente direita do vale glaciar.

O Zêzere, sensivelmente a meio do vale glaciar.

A subida do vale glaciar não foi difícil, exceptuando a secção superior onde foi preciso vencer as barreiras que os arbustos tombados, esmagados pelo peso da neve, iam criando. Não tardou muito para que chegássemos à estrada, junto ao Covão da Ametade, e, a partir daí, ao limite da Nave de Santo António.

Após a primeira secção florestal do trilho, uma pausa para avaliar a distância percorrida desde Manteigas, no extremo do vale


A segunda secção do trilho na floresta, com as árvores a parecer dançarem sob a luz


O limiar da nave de Santo António

Entrando na Nave de Santo António, a camada de neve cada vez mais espessa reservava-nos algumas armadilhas que descobrimos da pior maneira. Por exemplo, a dada altura, a minha perna direita afundou-se na neve até à altura da virilha e -pior!- descobri que por baixo daquela neve toda havia um curso de água bem gelada. Depois da sensação de mil agulhas a espetarem-se-me no pé, depressa deixei de o sentir.

Felizmente, o pequeno refúgio da Nave de Santo António estava já perto e abrigámos-nos no seu interior, para recuperamos energias e para tentarmos tratar do problema dos pés molhados. Afinal, faltava ainda percorrer cerca de 13km e caminhar na neve com calçado encharcado não é nada agradável. A coisa remediou-se com um par extra de meias que viajava na mochila e uns sacos de plástico para congelação (irónico, eu sei) a servir de barreira entre as meias e as botas. Ainda assim, demorou algum tempo até voltarmos a sentir os pés.


O Covão da Ametade, junto à nascente do Zêzere, visto ao longe

Faltava agora percorrer a crista do vale glaciar, naquela que seria a secção mais difícil da caminhada devido à espessa camada de neve que cobria o caminho. Tratava-se de neve arrastada e acumulada pelo vento, portanto muito macia e formando uma espécie de ondas, com uma espessura à altura da nossa cintura que dificultava -e de que maneira!- a nossa progressão, até porque também não tínhamos raquetes de neve.

A solução passou por nos desviarmos do percurso previsto sempre que necessário, subindo na encosta para zonas de menor acumulação de neve, e regressar (por vezes em modo "sku") ao caminho só quando este já parecia transitável. Foram uns bem longos e extenuantes 3,5km! 

O Nuno, com os pés, canelas e joelhos bem fresquinhos, a mostrar como se abre caminho através da neve com muita determinação.

A partir da proximidade da Lagoa Seca, finalmente a uma cota mais baixa, as condições do terreno melhoraram significativamente. Tínhamos contudo gasto muita energia e tempo na luta contra a neve e ainda havia muito para percorrer. Aconteceu entretanto uma situação caricata quando, antes da Lagoa Seca, encontrámos uma placa que indicava a distância até Manteigas e, quilómetro e meio à frente, outra placa indicava que a distância até essa vila tinha aumentado... quilómetro e meio. Felizmente tínhamos a certeza do nosso rumo.


Um último olhar para trás, para a depressão da Nave de Santo António

Foi pois já sem luz que chegámos a Manteigas, com uma frescura física e uma desenvoltura de movimentos dignas de nos garantir um lugar de figurantes na série The Walking Dead. Apesar do cansaço, ficou uma sensação gratificante pelo nossa capacidade de superação, num percurso que, no meu rol de caminhadas de maior dificuldade, entrou directamente para o top-3, a par desta e desta.

quinta-feira, agosto 28, 2014

Ecos da operação de limpeza na Serra da Estrela

Recordam-se da iniciativa de limpeza do lixo existente no cume da Serra da Estrela, realizada em Abril último, e sobre a qual aqui publiquei um artigo? O Urbi et Orbi, o jornal on-line da UBI (Universidade da Beira Interior), publicou na semana passada um artigo sobre esse evento no qual dá a conhecer mais alguns pormenores e testemunhos dos participantes, para além de trazer mais alguma luz sobre o que é afinal essa coisa do "Geocaching". Cliquem sobre a imagem. Vale a pena ler.


sexta-feira, maio 30, 2014

A última luz da semana

Aconchegante cobertor de nuvens sobre os contrafortes da Serra da Estrela, no último pôr-do-Sol da semana laboral. Bom fim-de-semana!

segunda-feira, abril 28, 2014

Assim se contribuiu para a limpeza da Serra da Estrela

Porque o Geocaching não é apenas um passatempo (ver aqui), um grupo de meia centena de praticantes desta actividade juntou-se no último Domingo no ponto mais alto de Portugal Continental, para uma operação de limpeza da zona envolvente da Torre e nem o forte vento e a baixa temperatura foram suficientes para desanimar os participantes.

Tratou-se de um evento C.I.T.O. (Cache In Trash Out), um evento no qual os participantes, muitas vezes sem se conhecerem, marcam encontro num local determinado e, chegados aí, dão o seu contributo para melhorar o local, recolhendo o lixo que por aí se encontrar espalhado. Este tipo de evento insere-se no espírito de consciencialização ambientalista promovido pelo Geocaching. Este evento foi organizado por alguns geocachers da região e teve algum apoio por parte da Câmara Municipal de Seia, que cedeu os sacos destinados à recolha do lixo.

A Torre é um dos pontos mais maltratados da Serra e onde o impacto ambiental do elevado afluxo de turistas mais se faz sentir. A facada mais profunda foi mesmo a própria instalação do "centro comercial" no local, algo que não conheço de mais nenhuma paragem. O resultado é a acumulação de lixo (especialmente plástico e vidro) um pouco por todo o lado, numa demonstração de falta de civismo e também de falta de respeito por este sítio tão emblemático do nosso país.

Depois deste fim-de-semana, graças ao espírito de missão de uns quantos, pelo menos um cantinho da Serra ficou mais limpo e foi para mim um enorme prazer poder participar nesta iniciativa. Venham mais!










domingo, janeiro 19, 2014

A Serra da Estrela vestida de branco


Após o grande nevão de ontem que, segundo fonte dos bombeiros, levou a que o maciço central fosse evacuado (ver aqui), é esta a paisagem que hoje se pode ver, com a Serra da Estrela coroada de branco a dominar a Cova da Beira.


A Torre permanece escondida sob as nuvens mas consegue-se adivinhar como estarão as condições meteorológicas naquele local. É curioso pensar que o maciço central, nos últimos dias sob condições inóspitas, era até há pouco mais de 200 anos um local desconhecido que atraía a curiosidade de cientistas e exploradores, como foi o caso da Expedição Científica à Serra da Estrela de 1 de Agosto de 1881.

"1 de Agosto de 1881. Pelas 20 horas e 15 minutos, partia da Gare do Norte de Lisboa (Santa Apolónia) um grupo de 42 expedicionários entusiásticos com a expectativa de uma viagem exploratória à serra da Estrela, região ainda desconhecida, selvagem e, em grande parte, desabitada, que encerrava em si mistérios e mitos. Partiram sob a aclamação calorosa de numerosa assistência, de representantes do Conselho de Ministros, do presidente e do primeiro secretário-geral da Sociedade de Geografia de Lisboa, do director e de alguns lentes da Escola Médico-Cirúrgica e de um grande número de membros da imprensa e das escolas superiores. Partiram enérgicos, sabendo que iriam defrontar as forças dos elementos naturais e não as feras de África. As vinte e três carruagens transportavam homens agasalhados com camisolas de flanela, casacos de Inverno, duas mantas inglesas e, ainda, botas de tamanho descomunal. Eduardo Coelho, o correspondente e director do Diário de Notícias , ironizava, escrevendo já a partir da serra, que era "toda a lã de um rebanho em cima de nós! Pôr sobre isto revólver, para lobos, toucinho para as víboras"." in Diário de Notícias, 13 de Maio de 2012


Olhando para Oeste, para lá do Fundão que na fotografia surge em vista parcial em primeiro plano, a vista vai ainda para lá da Capinha, na extremidade da Serra do Meal Redondo. 


segunda-feira, novembro 25, 2013

PR13 - Na Rota das Faias em Manteigas


A Rota das Faias (PR13) é um dos 16 percursos pedestres de pequena rota do concelho de Manteigas, vila situada em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, na entrada do impressionante Vale Glaciar do rio Zêzere. Na sequência de um convite feito pela Eulália no decurso da caminhada ao Açor (ver aqui), juntámo-nos a um animado grupo e fomos à descoberta do colorido outonal das faias daquele belíssimo recanto da Estrela.

Foi muito gratificante voltar a ver algumas caras conhecidas, e ver mesmo algumas pela primeira vez fora das redes sociais e, apesar do frio que em alguns troços do percurso se fez sentir, a beleza paisagística justificou -e de que maneira!- a viagem até Manteigas por uma estrada do tipo "curva à direita, vomita à esquerda".

Aqui ficam alguns instantâneos da jornada:


O primeiro olhar para Manteigas, ponto de partida da caminhada. Foi aproximadamente nesta altura que alguém que não vou identificar (e que não foi a Nelly) lançou a pergunta "Falta muito?".



A valente representação do Fundão equipada a rigor para o frio que se fazia sentir, com destaque para o tapa-orelhas usado pela Nelly. Isto prova que, mesmo numa caminhada exigente, é possível ter apontamentos de moda de extremo bom gosto [comentário patrocinado].



Bermas decoradas em tons outonais e tapete de alta qualidade no caminho. Sem dúvida um percurso gourmet.



A "pedreira dos preguiçosos". Apesar da foto não dar essa sensação, a inclinação era bastante acentuadada (esta foto quase valeu um torcicolo) e ficámos com a sensação que bastaria retirar uma pedra do fundo para ter automatica e gratuitamente direito às restantes pedras da rampa. 



Enquanto o resto do grupo admirava a folhagem das árvores, um camarada em particular mantinha os olhos colados ao chão. A avaliar pelo volume do saco há um belo magusto em perspectiva.

Um encontro com o Sr. José (e não João como se teimou em chamá-lo), uma simpatia de pessoa, pastor de profissão, e já um velho conhecido de muitos elementos do grupo. Enquanto o diálogo decorria animado, o seu pequeno cão saltitava à nossa volta o que levou o Sr. José (e não João) a pedir-nos que não levássemos o cão pois era fazia boa companhia à sua esposa.



Rumo à luz! A última subida a sério do trilho.



Porque isto de pisar folhas chega a ser cansativo, parte da representação de Trancoso aproveita para fazer uma pausa antes de prosseguir.


Com a motivação renovada por uma goma daquelas que se colam à placa, prosseguimos por uma avenida de faias. Foi por esta altura que começaram a surgir uns belos espécimes micológicos à nossa volta.


Micologia, parte 1 - Uma Ramaria (espécie concreta ainda por determinar).



Micologia, parte 2 - Macrolepiota procera, algo fora de época.



Micologia, parte 3 - Boletus edulis, nota 20 de comestibilidade, tal como o anterior.




Secção do trilho que passa por um pequeno carvalhal já praticamente despido de todas as folhas.



Pausa para merenda no posto de vigia. O remate do repasto foi feito com uma jeropiga de altíssima qualidade.



Jiboiar  - Acto de permanecer imóvel em situação de exposição ao Sol e em aparente estado de sonolência, com o intuito de facilitar a digestão. 



Uma casa de campo devidamente equipada com antena parabólica e painéis solares, porque o sossego não implica falta de condições de conforto!



Já quase de regresso a Manteigas, um último olhar para a encosta onde horas antes tínhamos passado.

segunda-feira, maio 20, 2013

Imagens da última etapa da Grande Rota da Transumância



A Grande Rota da Transumância começou no passado 1 de Maio e terminou ontem, ligando as planícies do concelho de Idanha-a-Nova que bordejam o rio Tejo aos planaltos estivais verdejantes da Serra da Estrela. Tratou-se de uma excelente iniciativa de cooperação intermunicipal (Guarda, Idanha-a-Nova, Fundão,  Castelo Branco,  Covilhã, Manteigas e Seia) que, tendo como objectivo a promoção dos produtos locais agro-pecuários, recriou os milenares trajectos da transumância, os corredores de circulação sazonal dos rebanhos, verdadeiras artérias de alimentação da economia das comunidades de outrora. 

O toque de originalidade desta iniciativa teve a ver exactamente com a ligação íntima às práticas da transumância, desde já na forma das próprias caminhadas, que foram feitas na companhia de um rebanho, experimentando depois as várias actividades associadas (tosquia, produção de queijo,...), assim como os sabores.

Não tendo tido oportunidade de participar nos percursos anteriores, consegui felizmente participar no último troço que ligou a zona de Manteigas a Penhas Douradas. Digo felizmente porque deu para tudo: para apreciar um passeio numa zona lindíssima, para participar em excelentes momentos de convívio, reencontrar caras conhecidas (inclusive uma ex-colega de curso que já não via há cerca de 10 anos!), deliciar-me com o pequeno-almoço e um belo almoço tradicional e, last but not the least, recordar com uma certa melancolia os momentos de infância em que acompanhei o meu avô paterno na sua actividade de pastorícia.

O percurso acabou por ser curto, infelizmente, menos de 10km percorridos acima dos 1.000m de altitude (1.500m nas Penhas Douradas), mas nem isso obsta a que sejam dados os parabéns à organização.

Partilho aqui algumas imagens desta jornada de boa memória:



Concentração na Cruz de Jugadas. Após alguns minutos de espera chega o rebanho.


O rebanho estava bem guardado por dois cães da Serra tão mansos quanto fotogénicos


Subida do rebanho para o planalto do Campo de São Romão ou Campo Romano - I

Subida do rebanho para o planalto do Campo de São Romão ou Campo Romano - II


Subida do rebanho para o planalto do Campo de São Romão ou Campo Romano - III


Chegada ao Campo de São Romano ou Campo Romano, onde diz a tradição popular, terão sido encontradas moedas "do tempo dos Césares", assim como vestígios de fortificação, actualmente desaparecidos.


Todo o planalto está actualmente ocupado por searas de centeio.


Os "atiradores furtivos" camuflados pelo centeio.


Entre duas searas, o amarelo das giestas e o rosa da urze (ou érica) cobrem as encostas que se avistam ao longe, tudo coroado pelo branco da neve que caiu nos últimos dias. 

Os caminheiros não se deixaram intimidar pelo frio e aderiram em cerca de meia centena.

Passagem pela Pousada de São Lourenço







Embora chamados ovelhas, os bichos revelaram-se grandes rebeldes, obrigando aqui e ali a um maior esforço por parte dos pastores!








Finalmente, Penhas Douradas à vista!

Um casal de Manteigas extremamente simpático, posando junto a uma "alminha". Durante o almoço foi um prazer sentar-me com eles e ouvir histórias de outros tempos.



O Cão da Serra não serve necessariamente para guardar ovelhas. Também os fotógrafos têm de ser vigiados de perto!


Entrada no bosque para a última meia hora de percurso




Pastores modernos em momento de pausa.


Passagem pela famosa estação meteorológica das Penhas Douradas.




O grande Proença, fotógrafo oficial da Rota da Transumância, mostrando os seus dotes de polícia sinaleiro.


Uma ovelha juvenil, com o freio de desmame, saboreando um belo gelado com sabor a erva

Chegada à colónia infantil de Penhas Douradas, os pastores e o rebanho despedem-se dos participantes


Atente-se no ar resoluto da equipa transumante!


Foto de grupo (parcial)!


Para já os rebanhos pastam nas altitudes em sossego até ao fim do Verão, sendo que em Setembro terá início o percurso inverso, partindo da Serra rumo às planícies da Idanha, percurso que será articulado com o Festival Chocalhos, de Alpedrinha. Alguém se atreve a perder esta oportunidade?

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