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sexta-feira, junho 13, 2014

Divulgação: Jornadas para a salvaguarda do património cultural imaterial da Beira Interior

Contribuir para a salvaguarda e uma mais ampla percepção da riqueza e diversidade do Património Cultural Imaterial da Beira Interior, este é o mote para as jornadas que amanhã têm lugar no auditório da Moagem no Fundão, com um programa de altíssima qualidade. 

Esta iniciativa é mais uma etapa de um projecto amplo, que pretende abranger todo o território nacional, promovendo e valorizando à escala local as mais diversas e singulares expressões culturais imateriais que, no seu todo, contribuem para a criação da identidade do país.

É uma iniciativa a não perder por todos os que se interessam pelo património e que amam a sua região, sendo o valor da inscrição -5 euros-  quase simbólico.

As inscrições podem ser feitas amanhã na Moagem ou através dos seguintes contactos, também disponíveis para prestar informações adicionais:

Ana Carvalho - 966 046 769 / anaemiliacarvalho@cm-fundao.pt
Margarida Silva - 910202420 / associacaopci@outlook.pt



quarta-feira, maio 07, 2014

O mágico monte de São Martinho

No último Sábado tive finalmente a oportunidade de visitar o Monte de São Martinho, junto a Castelo Branco, aquele que é um dos vértices do "triângulo arqueológico" da capital de distrito e de onde vieram algumas das peças mais importantes do Museu Francisco Tavares Proença Júnior. Uma dessas peças, a estela-menir de São Martinho, acompanhou mesmo o grupo na caminhada. Foi apenas uma das várias surpresas da jornada. 

A capela da Senhora Santa Ana, o ponto de partida.

O passeio promovido pela Sociedade dos Amigos do Museu FTPJ começou junto à Capela da Senhora Santa Ana, uma bela capela situada sobre uma estação arqueológica romana, à semelhança daquilo que acontece a muitos templos cristãos que encontramos em locais isolados. A caminhada foi conduzida por Pedro Salvado, Francisco Henriques e Joaquim Baptista, este último um velho conhecido da blogosfera (ver aqui) que finalmente tive o prazer de conhecer pessoalmente.

Conhecedores como poucos desta região e da sua arqueologia, foram descrevendo aos participantes a história deste triângulo cujos vértices assentam no santuário da Senhora de Mércoles, no castelo templário da cidade e no monte de São Martinho. Trata-se de uma história que começou a sair da obscuridade da lenda quando o jovem Francisco Tavares Proença Júnior, a cuja família pertenciam as terras entre Santa Ana e São Martinho, aqui realizou uma série de escavações arqueológicas na transição do século XIX para o século XX.

Paragem para mais um capítulo da história da região


O antigo arraial agrícola da família Tavares Proença, datado de 1891.

O último esforço antes da chegada ao Monte de São Martinho


Os mistérios do monte de São Martinho



Este monte que se destaca na paisagem é um local onde o sagrado sobreviveu e se foi transformando ao longo de milénios. O fundador do Museu FTPJ foi o primeiro a investigar este local, tendo aqui identificado a suposta muralha de um castro, para além de ter descoberto sete altares romanos, dois menires e uma estela-menir, esta última o resultado do reaproveitamento de um menir (pré-histórico) para, alguns milénios depois, criar uma estela de exaltação da figura de um guerreiro numa cena de caça. Estruturas romanas, uma moeda islâmica do ano 770 e uma capela que já existia no século XIV ajudam a dar uma ideia da persistência da ocupação humana do local.

A peculiar capela de São Martinho, com a cúpula na cabeceira.  


A capela de São Martinho apresenta uma arquitectura muito peculiar, destacando-se a cúpula da cabeceira. Comparando-a com outros exemplares do Sul do país e tendo em conta a prova da presença islâmica no local, a ideia de que poderá tratar-se do reaproveitamento de um morábito, um local de oração do Islão, faz todo o sentido.

Este local sempre teve um elevado valor sagrado ao longo dos milénios e, já cristianizado, o seu orago tornou-se muito popular, sendo reputado pelos seus poderes curativos. No século XIX relatava-se ainda uma tradição muito curiosa: quando alguém padecia de algum mal, vinha em peregrinação até à capela de São Martinho trazendo consigo um molho de alhos e um pão de farinha branca para oferecer ao santo. Consagrada a oferenda, o peregrino deveria depois voltar a levá-la consigo, oferecendo-a à primeira pessoa que encontrasse pelo caminho, restando-lhe depois esperar pela cura dos seus males.

Pormenor de uma pintura sob o altar vazio. O motivo dos três círculos repete-se na calçada diante do templo, tratando-se de uma representação da Trindade.



A vista a partir do marco geodésico, datado do século XIX, é deslumbrante.



Passagem pelo local onde uma campanha de escavações pôs a descoberto estruturas de época romana.


Uma perspectiva diferente de Castelo Branco e do castelo templário.



A Estela-menir de São Martinho

A surpresa maior do passeio foi o transporte até ao monte de São Martinho de uma réplica da famosa estela-menir, descoberta como referi por Francisco Tavares Proença Júnior em 1903, algures entre o topo do monte e o arraial agrícola da sua família. Embora não tão pesada quanto a original, foi preciso ainda um esforço considerável para a colocar na sua posição. Teria sido muito mais fácil se alguém da comitiva tivesse caído no caldeirão da poção mágica durante a infância, à semelhança do Obélix.

Trata-se, como referi atrás, de um menir construído no Neolítico, algures por volta de 3.800 a.C., tendo sido reaproveitado no final da Idade do Bronze, algures por volta de 1.000 a.C., para fazer dele uma estela de guerreiro. O significado e função destas estelas são ainda tema de debate, dividindo-se as opiniões entre marcos funerários dedicados a nobres guerreiros (no local de sepultura ou como homenagem póstuma colocada local diferente), marcos de limite territorial de tribos ou povoados ou até de marcos de rotas de transumância. 

O que distingue esta peça de todas as outras é a peculiaridade da cena de caça que nela está inscrita, algo que a distingue de todas as outras peças do género encontradas até hoje. Nela, um guerreiro devidamente armado e equipado, dispara o seu arco para o alto, na direcção de vários animais entre os quais se identificam cervos e aves. 



A estela-menir. É possível ver a figura de um guerreiro, devidamente armado, disparando o seu arco para o alto, na direcção de vários animais. A forma fálica do monólito é por demais evidente, tendo sido evidenciada até a forma da glande no seu topo.


Com o advento do cristianismo, as antigas religiões assumidamente politeístas foram alvo de intensa perseguição, tendo os seus locais de culto e dias religiosos sido cristianizados. Ora, apesar do facto de a estela-menir ser já bastante anterior à romanização desta região, constata-se que não escapou à cristianização, tendo-lhe sido gravada uma pequena cruz no seu topo.

Segundo Pedro Salvado e Francisco Henriques, é bem possível que este tipo de peças tivesse continuado a ter um valor sagrado durante a própria romanização, tendo sido modificados, partidos e derrubados por altura da cristianização. A cruz gravada na estela-menir pode ser um indício de que, mesmo após tanto tempo, aquando da chegada do cristianismo as pessoas teriam ainda o hábito de tocar no topo da peça, fosse para trazer sorte ou invocar fertilidade. A Igreja terá pois querido com isto tornar a peça "impotente" já que desta forma as pessoas passaram a tocar no símbolo cristão. A peça acabaria mais tarde por ser derrubada, à semelhança de muitas outras no Sul do país.
  

A inevitável foto de grupo.


Esta iniciativa, inédita à luz daquilo que sei, foi sem dúvida uma excelente ideia. É certo que este tipo de peças fica salvaguardado quando colocado na segurança de um museu mas há uma componente de interpretação na paisagem que se perde. O seu simbolismo dissolve-se. Se é importante manter os originais a salvo de roubo ou vandalismo, porque não devolver à paisagem réplicas como esta, valorizando assim tanto o local como a peça em si e, mais importante, permitindo que os visitantes percebam a íntima relação entre os dois?

sexta-feira, abril 25, 2014

Recortes do 25 de Abril

Alguns recortes da 2ª tiragem do nº38838 do Diário de Notícias, então vendido a 2$50, da Quinta-feira 25 de Abril de 1974. Os diversos texto dão a entender um conhecimento algo confuso da situação, avançando algumas suposições que, sabemos hoje, estavam erradas e -pasme-se!- uma das primeiras fotografias das movimentações dos militares a chegar à redacção do DN chegou de... Londres! Segundo o DN tratava-se de uma "telefoto". 


Cliquem nas fotos para ampliar


A manchete do DN

A primeira página do DN, com uma foto das movimentações militares enviada de Londres!

Recorte da primeira página

Recorte da primeira página


Recorte da primeira página

Desenvolvimento da página 5

Estariam a decorrer negociações para se chegar a um acordo "acerca dos pontos em contestação".

Os ecos da revolução em outros pontos do país.

O apelo ao encerramento do comércio e a notícia de perturbações nas comunicações telefónicas. Para o comércio, seria o feriado do 25 de Abril nº0.

O MFA começava a perceber que a população começava a concentrar-se nas ruas onde decorriam as movimentações militares. 

Entretanto, outras notícias e anúncios eram publicados no DN, que tinha de continuar a sua missão de informação. Curiosamente, uma das notícias era a de uma visita do Presidente da República a Ferreira do Zêzere que, pelo rumo que a História seguiu, nunca viria a acontecer.

Anúncio da visita de Américo Tomás ao concelho de Ferreira do Zêzere

A descontracção do senador E.Kennedy esbarrava no espírito militarista e manipulador dos soviéticos.

De França chegavam desenvolvimentos do caso das aparições da localidade de Castelnau de Guers (e não du-Guers). As "15 velhinhas" que normalmente assistiam à missa local surpreendem-se com a multidão que acorre à pequena localidade, após o padre e uma trintena de paroquianos terem visto aparecer o rosto de Cristo sobre a cortina que tapava as hóstias. Os visitantes são descritos como "térmitas destruidoras".

Em jogo a contar para a extinta Taça das Taças, o Sporting perdeu em casa do Magdeburgo por 1-2.

Filmes e revista em exibição

Uma peça sobre... Eusébio e um decote impudico de Jacqueline Bisset 

sábado, abril 19, 2014

A imagem do fim-de-semana

Campanário e sepulturas da Capela de São Pedro de Vir a Corça. 

Situada em Monsanto, à volta desta capela do século XII ou XIII abundam vestígios de época romana, o que deixa supor a cristianização de um anterior local sagrado pagão. O facto deste templo cristão estar destacado do templo não é incomum mas não deixa de ser ser curiosa a escolha do local onde foi implantado, como se estivesse em permanente equilíbrio precário.

O sino já desapareceu há muito, como se se quisesse preservar o silêncio e a paz que se sentem neste lugar sagrado, cujas raízes são mais profundas que a memória.

As sepulturas e o campanário

O campanário em destaque

E para uma noção da escala...

A lenda de São Pedro de Vir a Corça

O curioso nome do local é explicado por uma lenda. Diz-se que junto ao campanário viveu em tempos um eremita, de nome Amador, que um dia encontrou um recém-nascido abandonado. Como não tinha forma de alimentar o desafortunado bebé, pediu a Deus que o ajudasse e este enviou-lhe um corça para amamentar a criança. O animal continuou a alimentar o recém-nascido várias vezes por dia até atingir uma idade que lhe permitiu finalmente alimentar-se pela mesma dieta de frutos e vegetais do eremita.

quarta-feira, abril 16, 2014

Destas pontes só há duas em Portugal


Situada no concelho do Sabugal, a Ponte de Sequeiros é um dos dois únicos exemplares de pontes fortificadas que subsistem em território português, correspondendo o outro à ponte de Ucanha, Tarouca.

Embora pouco sobre da torre que outrora se erguia na extremidade pousada na margem direita do rio Côa, a ponte não deixa de ser impressionante pela dimensão e pelo seu bom estado de conservação. Na torre é ainda possível ver os encaixes das duas portas, uma delas de guilhotina.




Sobre a data de construção da ponte é que ninguém se parece entender. Na sinalética encontrada em Vale Longo a ponte é dada como romana, em alguns sites é descrita como "medieval de estilo romano", noutros sites e nos painéis interpretativos a ponte é apontada como sendo do século XIII e sendo ponte de fronteira (o Rio Côa era até ao Tratado de Alcanizes a fronteira entre o reino de Portugal e o reino de Leão e Castela), enquanto que a informação disponibilizada no Sistema de Informação para o Património Arquitectónico afirma que a ponte terá afinal sido construída em 1447, embora pareça ali haver alguma confusão geográfica.

Isto para não falar da discussão em torno da localização da própria ponte já que esta é reclamada de igual forma pelos habitantes da antiga freguesia de Vale Longo, hoje "União das freguesias de Seixo do Côa e Vale Longo", e pelos de Badamalos, hoje "União das freguesias de Aldeia da Ribeira, Vilar Maior e Badamalos".



Esta ponte, à época uma das poucas pontes sobre o Côa, era local de pagamento de portagem sendo a sua cobrança assegurada por uma pequena guarnição instalada na torre. As alternativas à ponte era a passagem a vau ou por barca que não eram isentas de risco, sobretudo quando a corrente do Côa era mais forte. As portagens foram ao longo da Idade Média uma fonte privilegiada de receitas tanto para a nobreza como para o clero. O seu valor, geralmente agravado para os não residentes na zona, podia depender do valor das mercadorias e do número de pessoas da comitiva que pretendia atravessar o rio. 

Embora na altura um qualquer visionário que anunciasse que, um dia, as portagens da província da Beira haveriam de ser concessionadas através de umas tais de PPP e, mais ainda, ousasse dizer que a prosperidade das gentes da dita província da Beira seria tal que as portagens haveriam de ser as mais caras do Reino, provavelmente fosse parar à fogueira por estar a dizer coisas do demo, as portagens são prática que já vem de longe.

sábado, março 08, 2014

Cemitério Cross Bones, a última morada das indesejáveis prostitutas londrinas


Em Londres, na zona de Southwark, quem percorrer a pequena Redcross Way não ficará indiferente a um portão totalmente coberto com flores, fitas e outros objectos. Trata-se de um memorial ao desaparecido cemitério de Cross Bones, um local que nos transporta para uma época sombria na qual determinadas mulheres eram exploradas e depois descartadas. À entrada, uma placa em bronze recorda-o: "Aos mortos proscritos. RIP".

Pode parecer estranho, a quem actualmente passa pela Redcross Way, encontrar um portão transformado num memorial à frente de um estaleiro do metropolitano de Londres mas a verdade é que até ao século XIX, este era o local onde os proscritos de Londres eram enterrados, no espírito de uma tradição que se iniciou em plena Idade Média.

Desde cedo, todas as actividades que não eram permitidas dentro das muralhas de Londres desenrolavam-se livremente na margem Sul do Tamisa. Entre tabernas, teatros e cervejarias, encontravam-se por aqui os "Gansos de Winchester", nome pelo qual eram popularmente conhecidas as prostitutas desta zona, que se encontrava sob jurisdição directa do bispo de Winchester. Sempre que alguém contraía uma doença venérea, dizia-se que tinha pele de galinha ("goosebumps") ou ainda que tinha sido mordido por um ganso de Winchester ("bitten by a Winchester goose").

Embora em vida estas mulheres gozassem de alguma protecção por parte das autoridades, quando morriam a coisa mudava de figura. Fosse de causas naturais ou doença (a sífilis era uma causa frequente de morte) o seu enterro em solo consagrado era proibido devido à sua vida considerada pecaminosa. Por esse motivo, as prostitutas começaram a ser enterradas num terreno não consagrado que se viria a tornar o cemitério de Cross Bones. Em 1598 o historiador John Stow escreveu:

"Ouvi da parte de homens idosos de bons créditos, relatos de que a estas mulheres solteiras eram negados os rituais da igreja, desde que continuassem a sua vida pecaminosa, e eram excluídas dos funerais cristãos se não se reconciliassem antes da sua morte. Por isso, havia um lote de terreno chamado adro das mulheres solteiras destinado a elas, longe da igreja paroquial."

Embora o seu estilo de vida fosse pecaminoso, a Igreja acabava por tolerá-las já que contribuíam para que os bons cristãos evitassem práticas ainda mais imorais como a masturbação e a sodomia. Para além disso eram também uma fonte de rendimento já que os bordéis pagavam imposto ao próprio bispo de Winchester.

Com a proibição da prostituição, já no século XVII, o local foi transformado num cemitério para indigentes até ao seu definitivo encerramento em 1853, passando ao esquecimento.


A sua memória foi recuperada quando, já no século XX, as obras de extensão do metropolitano de Londres permitiram recuperar ossadas de 148 indivíduos diferentes, um deles uma mulher que teria entre 16 e 19 anos e cujo crânio denotava os terríveis efeitos da sífilis. Para preservar a memória dos infelizes que aqui foram enterrados, estima-se que cerca de 15.000, especialmente essas malogradas mulheres, a população local transformou o portão num memorial diante do qual, no dia 23 de cada mês, é realizada uma vigília em memória dos Gansos de Winchester.


segunda-feira, janeiro 13, 2014

Sobre Eusébio e o Panteão Nacional

Na última semana toda a actualidade noticiosa girou em torno da morte de Eusébio da Silva Ferreira, provavelmente o melhor futebolista português de todos os tempos. Como é usual em situações que envolvam fortes reacções emocionais por parte da opinião pública, a comunicação social explorou para além do razoável esta matéria, matéria essa que também proporcionou uma oportunidade de ouro para a classe política marcar pontos junto do eleitorado. Cavalgando a onda do populismo, todas as forças partidárias abraçaram agora a nova causa nacional: levar o defunto futebolista para o Panteão Nacional, mesmo que tal não esteja de acordo com a lei.

Em primeiro lugar convém entender aquilo que é, ou supostamente devia ser, o Panteão Nacional. Embora a necessidade de criação de um Panteão Nacional "destinado para receber as cinzas dos grandes mortos depois do dia 24 de Agosto de 1820" tenha sido feita pelo Decreto de 26 de Setembro de 1836, só lhe seria definida uma localização física pela lei nº520 de 1916, destinando-lhe o "antigo e incompleto templo de Santa Engrácia" e atribuíndo a posse do edifício ao Ministério do Fomento para que ali fizesse as necessárias obras. No entanto, o edifício só seria terminado em 1966, 284 anos após o início das "obras de Santa Engrácia". A partir de 2003, passaria a dividir o estatuto de Panteão Nacional com o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, onde se encontram os restos mortais de D. Afonso Henriques e D.Sancho I.


O Panteão Nacional foi inaugurado com pompa e circunstância pelo regime salazarista, e para ali foram trasladados logo nesse ano os restos mortais de Almeida Garrett, João de Deus, Guerra Junqueiro, Teófilo Braga, Óscar Carmona e Sidónio Pais, ou seja, 3 escritores (no caso de João de Deus, também um pedagogo que marcou várias gerações), 2 presidentes da República e um "híbrido", pois embora Teófilo Braga tenha sido presidente da República durante alguns meses, destacou-se mais na Literatura. 

As figuras mais polémicas deste lote serão provavelmente Óscar Carmona que, pese embora a sua ilustre carreira militar, foi um dos líderes do golpe de 28 de Maio de 1926 que acabou por levar ao estabelecimento do Estado Novo, e Sidónio Pais, o Presidente-Rei como lhe chamou Fernando Pessoa, que implantou em Portugal o regime totalitário da República Nova, passando por cima da Constituição então em vigor, acabando por ser assassinado em 1918. Muito provavelmente, os restos mortais destes dois últimos cidadãos ilustres nunca teriam sido trasladados para o Panteão se isso não tivesse acontecido em pleno Estado Novo.

Seria depois preciso aguardar até 1990 para que este grupo fosse aumentado, com a deposição dos restos mortais de Humberto Delgado, o General Sem Medo mas já não foi preciso esperar tanto para que merecessem honras de Panteão Amália Rodrigues (2001), Manuel Arriaga (2004) e Aquilino Ribeiro (2007). A próxima personalidade será Sofia de Mello Breyner, ao que tudo indica já este ano.

Embora não presencialmente, estão homenageados no Panteão através de cenotáfios, ou seja, de monumentos/inscrições evocativas, as figuras de Luís de Camões, Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque, Nuno Álvares Pereira, Vasco da Gama e Infante D. Henrique.


Critérios definidos por lei!

Os critérios que regem a atribuição de honras de Panteão estão bem definidas pela lei 28/2000 de 29 de Novembro, que veio substituir as anteriores e, segundo a qual, "as honras do Panteão destinam-se a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao País, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade."

Ora, tendo em conta os critérios dispostos na lei, onde é que se enquadra Eusébio? Simplesmente em nenhum deles. Pelo contrário, a figura de Amália, usada como argumento em algumas opiniões pró-Eusébio como o exemplo de que nem só escritores ou políticos merecem o Panteão (a lógica de algumas opiniões até me leva a crer que a seguir a Amália e Eusébio, chegaria com naturalidade a vez da irmã Lúcia), é perfeitamente enquadrável no aspecto da expansão da cultura portuguesa e na criação artística. 

Não esqueçamos que a cantora, que tinha raízes no Fundão, tirou o fado das tascas de Lisboa e deu-o ao Mundo, sendo o grande motor do processo que redundaria na sua classificação como Património Imaterial da Humanidade em 2011, 10 anos após a morte da fadista. Nem teria sido necessário alterar a lei de forma a ser depositada no Panteão logo um ano após a sua morte, em vez dos 5 que até então eram necessários.

Para que Eusébio mereça honras de Panteão a lei teria de ser novamente alterada, o que criaria uma prática perigosa e descaracterizante, banalizante até, que seria nociva para o valor sagrado do Panteão Nacional. Eusébio foi provavelmente o melhor jogador português de todos os tempos e é justo que seja lembrado como tal, dando o seu nome a um estádio, a um museu promovido pela Federação Portuguesa de Futebol ou eternizando-o na toponímia mas levá-lo para o Panteão é excessivo. Existem muitos nomes que -esses sim!- mereciam há muito estar em Santa Engrácia. Egas Moniz, Eça de Queiróz, Fernando Pessoa e Aristides de Sousa Mendes são nomes que me ocorrem logo à partida mas muitos outros há.

Esta questão foi levantada ainda quando decorria o velório de Eusébio mas também sabemos que uma decisão importante tomada a quente pouco deverá à assertividade e à ponderação. O que se pede é que haja respeito por Eusébio e pelo Panteão Nacional.

Foto da inaguração do Panteão Nacional: Lisboa Memory Scapes

segunda-feira, dezembro 09, 2013

"Cart ruts", as misteriosas marcas na paisagem de Malta

No passado mês de Junho tive a oportunidade de visitar aquele que será, muito provavelmente, um dos mais intrigantes enigmas arqueológicos da bacia do Mediterrâneo, gerando ainda hoje um intenso debate sobre quem foram os seus autores e qual seria a sua finalidade. Estou a falar dos "cart ruts", as misteriosas linhas rasgadas na superfície rochosa do arquipélago de Malta.


O último dia da nossa estadia em Malta começou bem cedo e, ainda antes do pequeno-almoço, peguei na máquina fotográfica e subi pelas intrincadas ruas de Kalkara, a localidade piscatória onde estávamos alojados, decidido a não partir sem admirar uma das ocorrências dos "cart ruts", as misteriosas marcas de que tanto havíamos ouvido falar.

Tendo consultado um livro dedicado a elas e tendo ainda feito alguma pesquisa no Google Maps, fiquei a saber da existência de um conjunto dessas marcas que não muito longe do hotel. Àquela hora, via-se ainda pouco movimento nas ruas enquanto as portas dos estabelecimentos comerciais iam abrindo aos poucos. Alguns minutos depois, cheguei finalmente ao muro que delimitava a propriedade onde os "cart ruts" se encontrariam.

O muro era alto e uma porta trancada fechava a única passagem visível. Enquanto ponderava sobre se devia ou não invadir o terreno, de uma casa em frente saiu um homem que ia iniciar a sua jornada laboral. Abordei-o e, apresentando-me e explicando-lhe o porquê de estar ali, pedi-lhe que me confirmasse se realmente existiam "cart ruts" atrás daquele muro e, se sim, como poderia eu fazer para os fotografar.

Num inglês com característico sotaque italiano, tipicamente maltês, confirmou que efectivamente existiam ali as ditas marcas mas explicou-me também que o terreno era privado mas que ele conhecia o dono do terreno e que ele costumava andar por ali durante o dia. Dito isto, aproximou-se do muro gritando "Laurie! Laurie!". Do outro lado não veio resposta. Depois de alguma insistência, e de um aceso diálogo em maltês com um casal que por ali passou, do qual só consegui perceber "portoghese" enquanto apontava para mim, pediu-me que aguardasse um pouco e trepou o muro, desaparecendo do outro lado. Pouco depois, a porta abriu-se, saíndo dela o Mário na companhia de um casal de sexagenários, Laurie e a sua esposa.


Dos estaleiros navais à falta de chuva

Lawrence, reformado após 46 anos de trabalho administrativo nos outrora frenéticos estaleiros navais do Grande Porto, posa junto aos "cart ruts". 

Feitas as apresentações, assim como as despedidas, fiquei a sós com o meu cicerone que se mostrou extremamente satisfeito pelo meu interesse no seu tesouro histórico. Convidou-me a acompanhá-lo até às marcas, por um percurso que se fez por um terreno relativamente plano mas predominantemente rochoso, com algumas árvores, onde as esporádicas bolsas de terra eram aproveitadas para cultivo.

Laurie, diminutivo de Lawrence, foi-me explicando que passava os seus dias naquele terreno, onde aproveitara todas as zonas cultiváveis para plantação, sobretudo de batatas. O maior problema era a irrigação, dado que estávamos naquela que era normalmente a época das chuvas em Malta e até então muito pouco chovera. A preocupação era evidente. O único poço da propriedade, escondido sob uma alfarrobeira, apresentava um nível de água muito baixo e as depressões no afloramento rochoso, que Laurie limpara para recolher água da chuva, tinham apenas restos de água lamacenta.

Foi com a confissão destas preocupações que chegámos aos "cart ruts".

O enigma dos "cart ruts"

A origem e a razão de ser destas marcas são actualmente motivo de acesso debate, até porque, logo à partida é difícil relacioná-las com qualquer outro elemento arqueológico de Malta. Há quem atribua a sua autoria aos construtores dos grande templos que começaram a ser erigidos há 6.000 anos atrás mas outros defendem uma data mais recente, atribuíndo a sua autoria aos Fenícios, no século VII a.C.. No entanto, há túmulos fenícios foram construídos em pleno traçado de alguns destes trilhos, o que leva a pensar que não serão contemporâneos. A ajudar à discussão, há "cart ruts" que contornam estruturas de origem romana ou... será que as estruturas romanas é que contornam os "cart ruts"?



Uma característica bifurcação. Segundo Laurie, um dos trilhos levaria para a Baía de Rinela, enquanto outro tomaria a direcção da costa mais a Norte.

Quando à finalidade das marcas, é já comumente aceite que se tratará de trilhos de carros de transporte. Mas que tipo de carros? Seriam rodados ou de arrasto? Teriam tracção animal ou humana? O que transportavam? São questões que permanecem em aberto relativamente a estas marcas, em média espaçadas por 1,4m e chegando a atingir em determinadas zonas 60cm de profundidade.

Uma característica muito peculiar é a profusão de marcas que se encontram pelas ilhas, formando verdadeiras malhas com bifurcações e intersecções que lembram as linhas de caminho-de-ferro. Um dos locais onde isso é mais evidente foi até baptizado de "Clapham Junction", em alusão à estação ferroviária londrina que é uma das mais movimentadas da Europa.


Ver mapa maior
Sítio de Misrah Ghar il-Kbir, conhecido popularmente por Clapham Junction. Cliquem no link acima para abrir o mapa numa janela maior.

As marcas eram na época da sua utilização sem dúvida bem visíveis na paisagem, sendo provavelmente as autoestradas destas ilhas. A sua formação deu-se pelo uso repetido dos mesmos percursos, algo que foi desgastando o solo que se encontrava sobre o afloramento rochoso, desgastando este em seguida.

Essa é aliás a opinião partilhada também por  Laurie -"Não se deixe enganar pelo aspecto dos cart ruts. Antigamente a pedra estava coberta de terra e era sobre ela que as pessoas puxavam os carros que fizeram as marcas." e apontando para uma depressão na rocha onde as marcas parecem terminar: -"Está a a ver aqui? Isto não foi escavado, estava era cheio de terra que eu retirei para aproveitar a água da chuva. Tive de pedir autorização para o fazer às autoridades porque eles são muito rigorosos em relação a isto."


As marcas junto a uma depressão de onde a terra foi retirada para aproveitar a água da chuva. 

A preocupação com a preservação das marcas vem aliás de longe. -"Há aqui mais marcas que estão cobertas pela terra. Uma vez perguntei ao meu pai se ele queria que eu limpasse a terra, para deixar os cart ruts todos à vista, mas ele disse que era melhor não o fazer porque pelo menos assim ficavam protegidos. Hoje em dia é isso que as autoridades nos pedem, que não os destapemos para não desaparecerem por causa da erosão."

Já em direcção à saída acrescentou -"Às vezes vêm cá pessoas, como você, a pedir para verem os cart ruts. Eu gosto que vejam. É bom que as pessoas se interessem por isto, para conhecerem a nossa História.". Na despedida, Laurie chamou-me para junto do limoeiro, onde colheu dois limões para me oferecer. -"Quer levar mais? Infelizmente só tenho limões. Se tivesse vindo em Agosto eu oferecia-lhe uns frutos deste cacto.", referindo-se aos frutos que conhecemos como figos da Índia, "Também poderia levar alfarrobas mas de momento só tenho mesmo limões".

Despedimo-nos com um caloroso aperto de mãos e desejando mutuamente felicidades. Regressei ao hotel levando na bolsa dois limões mas, mais importante que isso, um sorriso proporcionado pela inestimável simpatia  e hospitalidade com que fora recebido.

segunda-feira, dezembro 02, 2013

De Badajoz ao santuário do grande deus Endovélico

Aproveitando um dia de folga, fomos até Badajoz, cidade espanhola situada nas margens do rio Guadiana sob a vigilância atenta de Elvas. Embora no geral pouco saibamos acerca de Badajoz, para além de, como diz a canção, estar à vista de Elvas e também de ter uma maternidade onde as portuguesas da zona raiana do Alto Alentejo têm de ir dar à luz, o que é certo é que esta cidade mudou a nossa história, ou não tivesse sido aqui que Afonso Henriques, o 1º rei de Portugal, tivesse sido forçado a terminar a sua carreira militar.

Para lá da Ponte de Palmas (séc XVI) sobre o Guadiana, rio que atravessa a cidade antes de receber as águas do rio Caia e de marcar a fronteira luso-espanhola, avista-se ao longe a cidade de Elvas. É caso para dizer, "Badajoz, Badajoz, oh Elvas à vista!". 

Badajoz foi em tempos capital de um dos muitos reinos islâmicos da Península Ibérica e palco de intensos períodos de guerra não só com os reinos cristãos vizinhos, como também com outros reinos islâmicos. A Alcáçova, o castelo de Badajoz, é a maior fortificação construída em taipa (terra batida) da Península Ibérica, e data do século XII, sucedendo a uma primeira fortificação do século IX construída por Ibn Marwan, o líder rebelde que fundou também Marvão. As sucessivas reparações e ampliações, acabaram entretanto por incluir outros materiais nas muralhas.

Badajoz entrou na nossa História quando, em 1169, Geraldo Geraldes "o sem pavor", que era uma espécie de canhão desgovernado da cristandade, decidiu tomar a cidade. Tendo conseguido tomar a muralha exterior, não conseguiu no entanto vencer a guarnição islâmica que se refugiou na Alcáçova. Vai daí, Geraldes pediu ajuda a Afonso Henriques para quebrar a última resistência dos infiéis, ao que o rei respondeu afirmativamente, comandando pessoalmente as suas tropas.

Porta do Capitel, com o típico arco de ferradura. A torre à direita é feita em taipa, com decoração a imitar silhares de pedra.

Quem não gostou da perspectiva de ver mais uma praça, da região que lhe caberia a si, cair em mãos portuguesas, foi Fernando II de Leão. Sendo assim, o rei leonês, que até era genro de Afonso Henriques, atacou os portugueses sitiantes, que não tiveram outro remédio senão retirar. Infelizmente para o rei português, ao passar a galope por uma das portas, bateu violentamente com uma perna num ferrolho e caiu ao chão. Com uma fractura (provavelmente exposta) não foi capaz de retomar a fuga e foi capturado, só voltando a ser libertado em troco de um resgate, da devolução de várias praças, entre elas Cáceres e Trujillo, e a promessa da renúncia a outras aventuras semelhantes. A partir daí, nunca mais Afonso Henriques foi capaz de montar a cavalo (há até quem diga que passou a deslocar-se numa carreta de madeira) e a regência foi passada para o seu filho, o futuro D.Sancho I. Diz a tradição que muitas vezes o 1º rei de Portugal terá recorrido às águas termais de São Pedro do Sul para aliviar as dores que passou a sentir.

Este episódio entrou na nossa História com o nome de "Desastre de Badajoz". Pelo menos foi essa a designação com que me foi contado na escola primária.


Aspecto das muralhas Oesta em taipa.

Vista sobre a Plaza Alta a partir da Alcáçova.

Entre vários edifícios de construção recente existentes na Alcáçova, desde a Biblioteca da Extremadura à Faculdade de Biblioteconomia de Badajoz, encontra-se um mais arruinado e de acesso um pouco mais difícil, a Torre de Calatrava, onde se encontra ainda aquilo que foi a sala de autópsias do antigo hospital militar. Já o primeiro piso está ocupado, segundo parece por uma sem-abrigo de origem portuguesa..


De regresso a Portugal, para prestar homenagem ao grande deus Endovélico

Cumprida a visita a Badajoz e a velha máxima de "Em Espanha, compra caramelos", regressámos ao nosso lado da fronteira para ir visitar um local que já estava há muito na nossa lista: o santuário de Endovélico, perto do Alandroal.

Chegar ao local revelou-se bem complicado. Tivemos numa primeira fase de ignorar os sinais que proibiam o trânsito pela N373 e, numa segunda fase, os avisos de propriedade privada e de aviso de perigo por haver gado à solta, já na entrada da propriedade onde se situa o sítio arqueológico. Pedimos mentalmente protecção ao grande deus lusitano e palmilhámos os últimos metros que nos separavam do sítio arqueológico.

Mais à frente demos de caras com o guardião do local, um macho bovino de apreciáveis dimensões, parado junto ao caminho e que nos fixava atentamente. Pareceu bastante indeciso quanto a deixar-nos passar mas, após os nossos pedidos insistentes, lá se afastou. No regresso já não seria assim.

O monte onde se encontram os vestígios do santuário e, mais abaixo à direita, o guardião do local.


Foi neste monte, tanto no topo como na encosta Este, que os romanos terão construído um templo dedicado ao deus Endovélico, uma divindade indígena tida como deus da medicina e da segurança e cujo culto se difundiu pelo próprio Império. Aqui foram encontradas no século XIX mais de 800 inscrições latinas e, mais recentemente em 2002, encontraram-se várias estátuas e inscrições nas valas de enchimento dos alicerces da desaparecida Ermida de São Miguel da Mota que ali se ergueu em tempos mais recentes, seguindo a tradição cristã os cultos a divindades pagãs pelo culto às figuras do seu próprio panteão.
Este templo terá sido um importante local de peregrinação da região romana da Lusitânia e incontáveis peregrinos, tanto de origem indigena como romana, aqui vieram cumprir os seus votos ao grande deus Endovélico. O local, tanto pela monumentalidade como pela paisagem que dele se avista, deve ter causado uma forte impressão a todos eles. Atrevo-me a dizer, por experiência própria, que ainda causa.

Fotografia do momento da descoberta das estátuas nas escavações de 2002. Foto: Portugal Romano


Vestígios de muros, junto ao marco geodésico no qual se encontra um texto que evoca o santuário de Endovélico.

As surpresas ainda estavam longe de ter terminado. No caminho de regresso, voltámos a encontrar o boi, que se aproximara ainda mais de nós e desta vez ocupava o próprio caminho. Para complicar as coisas, não foi possível convencê-lo novamente a deixar-nos passar e, por isso e por respeito ao animal, que provavelmente teve alguns dos seus antepassados sacrificados a Endovélico, optámos por encontrar um caminho alternativo.

O guardião do santuário de Endovélico, firme e imóvel no caminho de acesso.

De volta ao carro e à estrada, desta vez encontrando um desvio por terra batida para contornar o ponto em que a estrada N373 estava mesmo fechada, voltámos a Alandroal onde parámos para uma bela merenda, não sem antes dar um saltinho ao castelo da vila, recentemente alvo de obras de requalificação, que valorizaram realmente o espaço.

A partir daqui foi sempre viajar rumo ao Norte, apenas fazendo breves paragens em Vila Viçosa e Estremoz, local onde até as pedras da calçada são em mármore.


O interior do Castelo do Alandroal, com a igreja matriz.

Antigo perímetro amuralhado de Vila Viçosa, visitado pouco depois de termos bebido cafés que nos foram vendidos a 70 cêntimos cada, por um senhor que tivemos dificuldade em perceber por estar a comer uma sandes com mais conduto que pão e por o sotaque alentejano ser difícil de perceber quando usado com a boca mais cheia que a de um hamster com mais olhos que barriga.

Paço dos Duques de Bragança em Vila Viçosa.

Antiga estação de comboios de "Villa Viçoza", actualmente transformada em Museu do Mármore.

Centro histórico de Estremoz, correspondente ao antigo castelo. Tirando a parte caiada, o resto é mármore. Confesso que nunca tinha visto tanto mármore junto mas sendo Estremoz terra de renome na produção desta pedra (consta que até Saddam Hussein tinha uma enorme mesa feita com mármore de Estremoz) não será de estranhar.

Fotos das escavações e da cabeça de Endovélico: Portugal Romano

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