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segunda-feira, julho 21, 2014

E se isto vos aparecesse à frente?

Durante o último fim-de-semana, enquanto caminhava placidamente e admirava montras num centro comercial aqui bem perto, estaquei subitamente diante de um folheto promocional de uma empresa de informática e sistemas de segurança.



Em grande destaque, o folheto aconselhava-me de forma imperativa a proteguer os meus bens dos amigos do alheiro. Por um lado fiquei satisfeito porque sinceramente acho uma pena o verbo proteguer não ser mais usado pelas pessoas no dia-a-dia porque até é um verbo catita. Eu protego, tu protegues, ele protegue... É bonito! No entanto, também fiquei muito triste porque se estava a discriminar de forma completamente despudorada os amigos do alheiro. Acho muito mal e explico porquê.

O alheiro é um indivíduo que vende alhos para ganhar a vida e que merece à partida elevada consideração porque, bem vistas as coisas, para além de conviver com um cheiro que não é agradável e que o torna pouco atractivo até ao mais faminto dos vampiros, também deve ser constantemente vítima de piadas fáceis nas quais se emprega de forma algo criativa a palavra "alho". Admitamos, não deve ser fácil fazer amigos e se, ainda por cima, começamos a instalar por aí sistemas de alarme destinados a mantê-los ao largo, qual será a motivação para estabelecer relações de amizade com o senhor alheiro quando se sabe à partida que se vai ser discriminado por esta espécie de sapo verde tecnológico

Um pouco mais abaixo no folheto, encontrei ainda outra referência que me escandalizou: o "kit de desacopulador". Que diabos! O país enfrenta neste momento uma grave crise de natalidade, de tal magnitude que o Primeiro-Ministro já não sabe se há de mandar lixar com "f" os portugueses de forma gratuita ou se também os vai ter de subsidiar nessa actividade e o Presidente da República, que se calhar até já dobrou o cabo da andropausa,  até já pergunta em público o que é preciso fazer para que nasçam crianças, e há gente a ganhar dinheiro com dispositivos desacopuladores? Está bem que o dispositivo em causa tem apenas 7500 Gauss de força e, como tal, nunca conseguirá ser mais interessante que um pé-de-cabra ou um balde de água fria na tarefa de interromper cópulas mas está-se a passar aqui a mensagem errada, senhores.

Foi com tudo isto em mente que optei por desacopular dali para forma para me proteguer de ficar excessivamente indignado. Ele há com cada uma...!

quarta-feira, junho 25, 2014

A apreciável saúde oral de Luiz Suárez


Mais que golos bonitos, jogos entusiasmantes e jogadas de génio, o dia de ontem no Campeonato do Mundo de futebol ficou marcado pela dentada que o intratável uruguaio Luis Suárez ferrou no ombro do não menos intratável italiano Giorgio Chiellini (ver aqui). Já famoso pelas suas vigorosas demonstrações de saúde oral, que lhe valeram um total de 17 jogos de castigo, Suárez arrisca-se agora a mais um pesado castigo por parte da FIFA e, na pior das hipóteses, a assistir ao resto do Mundial no sofá. Triste sina para um jogador tão habilidoso mas com a infelicidade de ter um cérebro cuja parte reptiliana é predominante.

quarta-feira, maio 28, 2014

Turismo em Setúbal não passa de conversa para inglês ver

Qualquer turista não lusófono que procure informações no site da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa ficará no mínimo desconcertado com aquilo que lhe é apresentado. Como se não bastasse o facto de apresentar apenas informação nas páginas em português -a maioria das páginas em outras línguas estão vazias-, se um visitante anglófono tentar obter alguma informação na sua língua sobre o que há para ver e fazer na península de Setúbal, ficará com a impressão que o fenómeno do turismo nessa região se resume a "blá blá".

Isto provoca alguma estranheza se tivermos em conta que a ERT-RL se apresenta (na página em português, obviamente) como uma entidade com "a missão de valorização e desenvolvimento das potencialidades turísticas da Área Regional de Turismo de Lisboa". Olhando para o site, fica-se com a impressão que isto não passa de conversa... para inglês ver.


segunda-feira, abril 14, 2014

Quando o RSI ajuda mas também é factor de exclusão

-"Isto não está nada fácil, sabe?". Foi com estas palavras que uma senhora, que até há alguns dias era uma perfeita desconhecida, interrompeu o meu trabalho no balcão de atendimento de uma empresa cliente em Castelo Branco. Apesar da interrupção ser inconveniente, resolvi não impedir indelicadamente a continuação do monólogo. Afinal, pensei que seria fácil manter-me concentrado no meu trabalho fingindo que a estava a ouvir. Estava enganado.

-"Vim buscar comida ali à cantina social. Infelizmente tenho de o fazer, não tenho outra hipótese porque não tenho dinheiro para comprar comida. O pior é que a comida nem sempre é boa e há dias ficámos todos doentes lá em casa, eu, o meu marido e a minha filha. As outras pessoas que lá vão também se queixam da qualidade da comida mas temos medo de falar porque, se o fizermos, vão-nos chamar de ingratos.Vamos lá ver o que me calha hoje na sorte."

A minha atenção começou a divergir da minha tarefa e fui ficando cada vez mais interessado naquilo que aquela senhora me dizia. Afinal, há coisas às quais é impossível ficar indiferente, sobretudo por aquilo que, a palavras tantas, ela acabou por dizer:

-"O senhor tem alguém na sua vida? Se tiver, namore! Aproveite! Eu e o meu marido deixámos de dar beijos há já algum tempo. As nossas noites são passadas a chorar. Eu tinha uma loja de trabalhos de costura que sobrevivia com dificuldade e acabei por fechá-la. Maldita a hora em que o fiz. O meu marido foi despedido pouco tempo depois porque o Governo mudou as regras (sic) e ficámos sem nada. Sabe o que é não ter nada? Moro numa cave e isso é tudo o que nos separa de sermos sem-abrigos. Não temos nada. Comida, detergentes, gás, não temos nada disso. É uma sensação horrível. Não o desejo a ninguém, nem à pior pessoa do Mundo."

Pergunto-lhe se não recebe nenhum tipo de apoio.

-"Sim. Recebo 150 euros do Rendimento Social de Inserção. Vai tudo para a renda e ainda assim não é suficiente. Depois falta o resto. No mês passado ainda fiz 30 euros a arranjar umas peças de roupa. Este mês não sei como vai ser. Às vezes venho aqui e esta senhora (recepcionista da clínica) dá-me alguma carne. Estou-lhe grata do fundo do coração."

Nesta altura, senti-me tentado a pegar na carteira para lhe dar algum dinheiro para poder comprar alguma comida. Pareceu adivinhar os meus pensamentos.

-"Sabe de uma coisa? Eu sentir-me-ia muito melhor com 3 euros ganhos a trabalhar do que com 5 euros que o senhor eventualmente me pudesse dar, porque é disso que precisamos, eu e o meu marido. Trabalho. Eu tenho muito jeito para trabalhos de costura e também para restauro. Faço restauro de livros, tapetes, carpetes,.... Imagine que até restauro tapetes de Arraiolos! O pior é que tento divulgar o que faço e não resulta. Tenho um blogue [ver aqui] e já distribuí panfletos. As pessoas até dizem "Você faz tanta coisa? Qualquer dia encomendo-lhe uns trabalhos" mas a campainha nunca toca."

-"Mas também não é só isso. As pessoas que recebem RSI são discriminadas e chegam até a ser tratadas como criminosas. Eu sinto isso.Nem imagina o quanto é duro."

Para terminar a conversa, fala-me de uma ideia que lhe foi sugerida por uma amiga: contactar a produção de um desses programas de televisão que têm ajudado pessoas em situação semelhante. O único obstáculo que a impede de o fazer é a vergonha. Pergunto-lhe porque não o faz. Afinal, o pior que poderá acontecer é receber um "não". Seja como for, estará sempre a bater a duas portas: a da solidariedade e a da promoção do seu trabalho. Ela fica a pensar durante algum tempo e, antes de se ir embora, remata:

-"O senhor é capaz de ter razão. Vou pensar seriamente nisso. Entretanto, se precisar ou conhecer alguém que precise dos meus serviços, agradeço que me contacte. Obrigado por este bocadinho e desculpe lá pelo tempo que lhe roubei. Mas sabe? Faz-me bem desabafar."

Foi assim que eu conheci a Dª Clara. Fiquei a vê-la ir embora e a pensar em tudo o que me tinha dito, aquilo que aqui reproduzi e outras confidências que seria indelicado partilhar. Perguntei-me quantas pessoas estarão neste momento nas mesmas condições, vivendo de uma solidariedade que chega a ser um factor de exclusão e sonhando com o dia em que a campainha finalmente tocará. Servir-lhes-á de conforto, sabendo que perderam tudo ou quase tudo nos últimos anos, ouvir os nossos governantes afiançar que o país está melhor? 

quinta-feira, janeiro 30, 2014

Os medos de Assunção Esteves (com vídeo e tradução)

No início do ano, a Rádio Renascença foi ouvir aquela que é a 2ª mais importante figura do Estado Português, a Sra Presidente da Assembleia da República, para saber quais eram os seus desejos e medos para 2014. O depoimento ficou registado na forma de um vídeo que só hoje tive oportunidade de ver.

Este vídeo, posso-vos dizer, consiste em 3'36'' de um tremendo exercício criativo de utilização da Língua Portuguesa, exercício esse que nos faz perceber que certas personalidades, como o ex-Presidente da República Jorge Sampaio e o treinador de futebol Manuel Machado, não são afinal tão especiais como nós julgávamos que eram.

Vi e revi o vídeo e, usando palavras da protagonista, devo dizer que inconsegui o percebimento pleno da mensagem, o que me remete de certa forma a um nível frustracional. Seja como for, como sou contra o egoísmo (especialmente no que toca à castração, seja ela pessoal ou colectiva), aqui fica o trecho mais saboroso do depoimento da senhora Presidente da Assembleia da República.




Transcrição e tradução

Para ajudar aqueles que também tiverem inconseguido o percebimento daquilo que Assunção Esteves tentou dizer, tomei a liberdade de fazer a transcrição das suas palavras (sem cortes):

O meu medo, eu formulá-lo-ia de modo abstracto, é o do inconseguimento, em muitos planos. Do inconseguimento desde logo de não ter possibilidade de fazer no Parlamento as reformas que quero fazer. De as fazer todas. Algumas estão no caminho. O inconseguimento de eu estar num centro de decisão fundamental a que possa corresponder uma espécie de nível social frustracional derivado da crise. Isto é, os momentos difíceis também nos dão oportunidades de sentirmos a nossa missão humana no Mundo. Mas também tenho medo que a crise não me permita até espaços de energia para ser mais criativa. Há sempre esse medo. É também o do não conseguimento.

E tenho medo do conseguimento ainda mais perverso: o da Europa se sentir pouco conseguida e de ela não projectar para o Mundo o seu soft power sagrado, a sua mística dos direitos, a sua religião civil da dignidade humana. Tenho medo do egoísmo. Tenho medo do egoísmo que nos deixa de certo modo castrados em termos pessoais e que nos deixa castrados em termos colectivos, que não permita aquilo que os franceses chamam réussir, o conseguimento. O conseguimento pessoal e colectivo. Tenho medo do não conseguimento.

O que em bom português se traduz por:

Tenho um certo receio de fazer asneira lá no meu trabalho, no Parlamento. Queria fazer por lá umas alterações que vi no programa televisivo "Querido mudei a casa" mas não sei se as vou conseguir fazer todas ,até porque o povo está sempre a ir lá chatear-me, queixando-se da crise, e tenho de estar sempre a mandá-los sair. Gostava de arranjar uma forma mais criativa de expulsar aqueles traquinas das galerias mas a instalação de cadeiras com sistema de ejecção iria pesar muito na factura da energia.

Por outro lado tenho medo que as coisas dêem para o torto sempre que o pessoal se junta em Bruxelas. Ainda por cima, por causa dos cortes no orçamento, tivemos de cortar nas bebidas energéticas e agora só temos Red Bull sem açúcar, que também dá power, é certo, mas um bocado mais soft. Por causa disso, alguns colegas começaram a organizar festarolas privadas. Há tempos, o Schäuble trouxe umas sobras da última Oktoberfest e fez uma festa lá no hotel mas não convidou o Passos Coelho. Este ficou tão irritado que até veio dizer que aquilo era um bando de eunucos e que mais depressa o desproveriam a ele das suas partes pudendas do que voltaria a apertar a mão àquele alemão ingrato.


quinta-feira, janeiro 16, 2014

John Beale, o agente tão secreto que nem a CIA conhecia

Raro é o dia em que os media não nos dão conta da descoberta de fraudes, mais ou menos elaboradas mas esta, da qual tive conhecimento há dias, tem contornos de tal dimensão que não sei se fique escandalizado ou se ria às gargalhadas. Provavelmente vou fazê-lo de forma alternada. Senhoras e senhores, apresento-vos o Sr John Beale, um nome a reter!



John Beale foi durante muitos anos da EPA (Environmental Protection Agency), a agência governamental estado-unidense de protecção ambiental, ocupando uma posição destacada dentro da organização. E o que fazia John Beale dentro da EPA? Embora ocupasse o cargo pomposo de senior policy advisor, como perito em alterações climáticas, e sendo o mais bem pago dentro da organização, John Beale pouco ou nada fazia, passando maior parte do tempo na sua casa de férias em Cape Cod, a ler ou andar de bicicleta.

Aos seus superiores, Beale apresentou a desculpa de trabalhar à paisana para a CIA, justificando as suas ausências com o facto de se deslocar em missões ao Paquistão para lidar com os talibãs, ao serviço dessa agência de espionagem, algo que a EPA nunca se deu ao trabalho de confirmar, tendo continuado a pagar o salário de Beale.

Em 2008, chegou a passar 6 meses fora da EPA e ainda apresentou facturas de despesas relativas a 5 viagens à California, alegando fazer parte de uma equipa, que agregava várias agências de segurança, em missão de segurança e protecção dos candidatos às eleições presidenciais desse ano. Por coincidência, os seus pais moravam na Califórnia.

Não satisfeito com isso, Beale foi mais longe já que, para as suas viagens ao serviço da EPA, inventou um problema de costas para poder viajar sempre em primeira classe, ficando depois hospedado em hotéis de 5 estrelas. Tendo horário reduzido e a regalia de viajar sempre em primeira classe, a Beale só faltava mesmo um pormenor para se sentir realizado profissionalmente: um lugar de estacionamento privilegiado, mesmo à porta da EPA, coisa que conseguiu alegando necessidades de saúde por ter contraído malária enquanto combatia no Vietname. Obviamente, Beale não sofria de malária e tinha estado no Vietname o mesmo número de vezes que no Paquistão, ou seja, nunca.

Contas feitas, estimou-se que Beale lesou o Estado em quase 900.000$. Tendo sido finalmente apanhado e julgado, declarou-se culpado e foi condenado a restituir essa verba ao Estado, assim como cerca de 500.000$ a título de compensação, sendo condenado ainda a 32 meses de prisão, pena que irá cumprir se o seu estado de saúde o permitir, digo eu.


John Stewart e o caso John Beale:



terça-feira, janeiro 07, 2014

Isto deve ter estabelecido certamente um recorde!

2 anos, 5 meses, 16 dias, 19 horas e 5 minutos depois, leram finalmente o meu e-mail! Será que isto não constitui um recorde qualquer do Livro do Guinness?


sábado, dezembro 14, 2013

Sucateiro prevaricador escreve-se com Ç (actualizado)

Segundo o Jornal de Notícias (edição de Sexta-feira dia 13 de Dezembro de 2013), um profissional de compra  e venda de sucata que incorra em actos ilícitos designa-se por SUÇATEIRO. Assim mesmo, com "Ç". 

Fonte: Banca Sapo.

Adenda (11:30 14-12-2013)
Após análise mais atenta por um painel de especialistas com mais qualificações que o Miguel Relvas, concluiu-se (por ligeira maioria) que a dita gralha é mais propriamente o resultado de uma edição electrónica infeliz, mais concretamente um "leading" pouco ajustado. No entanto, foi apontado por unanimidade um atentado à ortografia bem mais grave que é a escrita de Factura sem o "c". 

quarta-feira, julho 17, 2013

E porque o "nosso" Rui Costa ganhou ontem a etapa da Volta a França

A brilhante vitória de Rui Costa, na etapa de ontem da Volta a França, teve grande eco nos meios de comunicação social. Até quem não liga particularmente ao ciclismo exultou com esta vitória, que acabou por ser interpretada como um lampejo de optimismo na depressão geral nacional dos últimos tempos, fazendo de cada cidadão comum português também ele um vencedor da 16ª etapa da Volta a França.

Qual seria no entanto a sensação real de vencer uma etapa da Volta a França? Foi essa experiência que o infame humorista Rémi Gaillard proporcionou a vários ciclistas de Domingo que, ao fazerem uma curva, se viram subitamente metidos num ambiente digno da prova rainha do ciclismo internacional. Vale a pena ver.



Se isto vos acontecesse, como reagiriam?

sexta-feira, maio 31, 2013

E aquela do sujeito que tocou guitarra enquanto era operado ao cérebro?

Nos tempos áureos da televisão analógica, a família costumava-se reunir à volta da caixinha mágica para visionar os programas de entretenimento que aí eram transmitidos. No entanto, nem tudo era assim tão passivo à volta do televisor. Havia um outro momento que agregava a família numa actividade bem mais agitada, que obrigava a algum trabalho de sincronização. Estou a falar, claro, do momento em que o chefe de família, a pessoa que, não sabendo o que era isso dos transístores percebia imenso de electricidade e electrónica, subia ao telhado para ajustar a orientação da antena, operação obrigatória após um grande vendaval ou uma mudança de emissor. No piso inferior, o resto da família formava um cordão humano de transmissão de informação que reportava para o telhado se as alterações na orientação da antena surtiam o efeito desejado. "Está pior! Agora está melhor! Melhor! Está bom!".

Foi basicamente isto que a equipa do Centro Médico da Universidade da Califórnia fez há dias durante uma operação a uma paciente chamado Brad Carter, cuja actividade de guitarrista fora seriamente limitada pela doença de Parkinson. O objectivo da operação foi a instalação de um pacemaker para controlar os tremores decorrentes da doença. Durante a cirurgia Brad manteve-se sempre consciente e, para os médicos poderem avaliar se a operação estava a surtir o efeito desejado, foi tocando guitarra enquanto lhe instalavam os eléctrodos no cérebro.

Vale mesmo a pena ver o vídeo da operação:





As melhoras, Brad!

sexta-feira, abril 05, 2013

Estranho fenómeno da natureza. Será coincidência?


Universidade Lusófona, 4 de Abril de 2013, poucas horas após o anúncio da demissão de Miguel Relvas. Sim, o raio não acertou no edifício da universidade mas sim no prédio ao lado mas nós damos-lhe equivalência.

Foto original: Wikipédia

terça-feira, março 12, 2013

quarta-feira, março 06, 2013

Crónica de uma manhã surreal

Quando acordei estremunhado na última manhã de Sábado, estava convencido que aquela iria ser uma manhã sem grandes aborrecimentos. O carro tinha sido devidamente reparado, para garantir que iria trocar um boletim cor-de-rosa por um verde no centro de Inspecções, após o que iria dar um rápido salto ao cabeleireiro para um corte de boas-vindas à Primavera. O que poderia correr mal? Tudo!

O percurso até ao carro foi feito a passo lento, o suficiente para permitir à cafeína ter um efeito considerado satisfatório no organismo. Junto ao carro, alguns pedaços de plástico estavam espalhados pelo passeio, facto que me levou a formular um pensamento de censura para com o desleixo de alguns habitantes na via pública.

Foi já dentro do carro que, após o rodar da chave e alguma insistência terem conseguido pôr o motor a trabalhar, ao olhar para o espelho retrovisor do lado direito, percebi que o espelho... não estava lá! Claro que essa ausência veio finalmente trazer-me uma perspectiva totalmente diferente sobre a natureza dos pedaços de plástico que eu avistara junto ao carro.

Aparentemente, pelo que vim a saber depois, alguns cidadãos haviam decidido sair de casa na noite de Sexta-feira, para aliviar o stress intenso das preocupações da semana e, por uma questão de precaução, haviam também decidido deixar os neurónios em casa, não fosse o diabo tecê-las e perderem-nos na confusão da noite do Fundão. Foi portanto com a frescura de espírito de uma ameba lobotomizada por jardineiro amblíope que se encontra ainda sob o efeito da anestesia, que decidiram que, não só o meu carro, mas todos os veículos que se encontravam nas imediações, não precisavam de espelho retrovisor. Gabo a paciência e o esforço deste valoroso grupo de cidadãos.

Foi portanto sem grandes esperanças, que fui até ao centro de inspecções e perguntei ao primeiro funcionário que encontrei se valia a pena sequer meter o carro na fila. A resposta negativa não me surpreendeu e fiz-me de novo à estrada, desta vez rumo ao posto da GNR. Foi aí que confirmei que várias pessoas haviam já apresentado queixa nessa manhã e que o melhor que eu teria a fazer seria anexar um orçamento ou uma factura à queixa, razão pela qual decidi não a fazer de imediato.

Quando me preparava para sair, os meus olhos passaram pelo placard atrás do soldado da GNR com quem falava e, para minha abismal surpresa, reconheci a fotografia que preenchia um aviso de pessoa desaparecida que aí se encontrava afixado! Tratava-se de uma ex-aluna minha do 1º semestre deste ano lectivo. Da conversa fiquei a saber que tinha sido a escola a comunicar o desaparecimento da aluna, de cujo paradeiro ninguém sabia havia já alguns dias. Após ter fornecido as informações de que dispunha, que pouco ajudarão ao caso, saí do posto ainda a tentar encaixar esta última triste novidade que, à data deste artigo, continua actual.

Vá lá que nem tudo foi mau nessa manhã. Pelo menos não perdi nenhuma orelha no cabeleireiro. 





sexta-feira, janeiro 18, 2013

O Armstrong não foi o único a meter-se no doping...

 ... senão vejam bem. Na página da Eurosport onde se encontra o momento televisivo mais aguardado dos últimos tempos, o momento em que o ex-ciclista Lance Armstrong confessa à famosíssima Oprah que o seu tipo sanguíneo durante o Tour de France era O-RH Cortisona EPO ++, é possível, passado o choque inicial do visionamento do vídeo, ver um pequeno anúncio gráfico animado promovendo o Open da Austrália.

Ora, a slides tantos, é possível ficar a saber que, o Open da Austrália é um evento extremamente atractivo pelo facto de 3 gigantes irem disputar nada mais, nada menos, que um TÍTELO. Isso mesmo. Um títelo. Alguém deveria fazer um controlo anti-doping na equipa portuguesa da Eurosport também... Pelo sim, pelo não.



quinta-feira, janeiro 17, 2013

Um improvável encontro em Londres


A visita a Londres foi um dos bons momentos do ano de 2012 e, como não podia deixar de ser, teve os seus episódios caricatos. Não vou falar da molha que apanhámos à chegada enquanto procurávamos pela pousada da juventude onde iríamos ficar, até finalmente alguém nos dizer que já tínhamos passado por ela. Também não vou falar (novamente) do agente que no aeroporto controlava os passaportes/cartões de identificação e que, quando pegou no meu cartão de cidadão, olhou para a foto, para mim, para a foto novamente e me pediu que tirasse primeiro os óculos e depois a barba. Também não vou falar do sucesso que fizemos quando, no primeiro café que encontrámos, nos encostámos ao balcão e, com um inglês perfeito pedimos "un cafe solo, por favor". Nada disso.

Vou sim falar da coincidência de um encontro num local improvável: a Chinatown.

A Chinatown é o bairro onde se concentram lojas e restaurantes asiáticos. Há para todos os gostos, de chineses a tailandeses, de japoneses a indonésios e, quer-me parecer, ainda de países que nem sequer sabia que existiam. Dado que comer em Londres é algo que não é propriamente barato, acabámos por escolher esta zona para jantar dado que o preço médio das refeições é aqui bem mais barato.

Andávamos nós, numa qualquer noite, à procura de um restaurante quando, a montras tantas, nos deparámos com um letreito manuscrito em letras garrafais, anunciando que naquele estabelecimento havia buffet livre a 4,5£ por pessoa. Ora, turista pelintra que se preze, nem por sombras consegue ficar indiferente a uma mensagem destas que toca fundo no coração e no estômago. 

O nome do restaurante era "Mr Wu" e não era nada de especial em termos de decoração mas parecia ser limpinho.  Acabámos por entrar e guiados por um dos empregados e escolhemos uma mesa encostada a uma das paredes. O pessoal do restaurante era quase todo ele asiático. A excepção era um homem de bigode, um pouco calvo vestido com fato e gravata, que ia dando orientações ao restante pessoal, ao mesmo tempo que verificava se estava tudo bem e se nada faltava.

Depois de escolhermos as bebidas, "atacámos" o buffet e fomos guarnecendo o prato, discutindo as opções disponíveis. Quando nos fomos sentar, o tal homem que parecia ser o chefe de sala e que nos ouvira conversar, veio ter connosco e, num surpreendente e descontextualizado português dirigiu-nos um "Bom proveito!", retirando-se em seguida.

É claro que no final fomos falar com ele e ficámos a saber que o Sr. Cruz, era um emigrante português do Tortosendo (Covilhã)! Como emigrante que se preze, ao qual nasce uma nova alma quando algo lhe sugere uma ligação à terra natal, quando lhe dissemos que éramos do Fundão, fez um rasgado sorriso e estendeu-nos a mão "São cá dos meus! Gosto muito do Fundão. Ainda na semana passada estive de férias e fui lá ao mercado!". O Mundo é mesmo pequeno...

Próximo artigo revivalista: Um tripulante que prometeu um strip, atropelamentos, cargas policiais, tentativas de suicídio ou... as nossas férias nas Canárias.


quarta-feira, janeiro 09, 2013

Episódios de apoio técnico à volta da barra de espaço

O universo do apoio técnico é fértil em situações que facilmente ganham um lugar na eternidade da memória graças aos seus contornos inusitados capazes, por exemplo, de elevar um leitor de CD à categoria de suporte para copos ou de dar vontade própria a um teclado, que subitamente desata a introduzir espaços num texto  antes que a utilizadora consiga perceber que, inadvertidamente, pousou o farto material mamário em cima das teclas, isto após uma chamada de atenção dos técnicos que já haviam sido convocados ao local para resolver este intrigante mistério que já durava há muito. 

Bom, se a primeira pertence à galeria dos clássicos do género, perdendo-se nos mitos urbanos do apoio técnico, já esta última história do teclado autónomo é bem real e foi-nos contada por um dos leitores deste blog, que guarda boas mamórias, perdão, memórias dos seus tempos de técnico itinerante.




Ora, foi precisamente à volta da tecla de espaço, "space bar" para os amigos, que ocorreram as duas últimas situações caricatas de apoio técnico em que me vi envolvido, ambas relativas ao mesmo processo. Telefonicamente, eu ia dando instruções para as utilizadoras introduzirem alguns parâmetros num comando. Um desses parâmetros era simplesmente " @", ou seja, "espaço, arroba". Basicamente, foi isto que aconteceu:

Situação 1:

Eu - Agora introduza "espaço" e "arroba", e faça OK.
Srª X - Em maiúsculas ou minúsculas?
...

Situação 2:

Eu - Agora introduza "espaço" e "arroba", e faça OK.
Srª Y - Já está!
Eu - Muito bem, agora vamos testar. Já funciona?
Srª Y - Não! Continua sem dar nada.
Eu - Introduziu os parâmetros onde eu disse, certo?
Srª Y - Sim! Tal e qual!
Eu - Ok, então vamos rever novamente para ter a certeza que ficou tudo como deve ser. Abra novamente a janela e diga-me o que lá tem.
Srª Y - Então, onde o senhor disse, eu pus: "E", "X", "P", "A", "Ç", "O" e o símbolo da arroba.
...



quarta-feira, dezembro 05, 2012

Dos disparos da PSP sobre as claques na Nigéria aos misteriosos eventos em Braga, pelo Correio da Manhã

O tablóide diário Correio da Manhã é bem conhecido entre nós pela sua linha editorial de "se não tem sangue, sexo ou qualquer outro tipo de ilícito ou deboche, não é notícia". Para o comum dos mortais, melhor dizendo, para o comum dos mortais que não vive com entusiasmo estas especificidades da vida social, o Correio da Manhã é visto como se se tratasse da versão vampiresca do próprio Guttenberg, alimentando-se do lado mais sinistro do ser humano. 

Fiquem sabendo senhores que, independentemente das suas especificidades, a actividade jornalistíca é extremamente desgastante e, para os colaboradores do Correio da Manhã que se vêem obrigados a perseguir meliantes de índole diversa por caminhos sinistros, fugir às balas, rastejar na lama, circular pelo mundo da prostituição e proxenetismo sem ter a sua intimidade violada e ainda ter forças para chegar à redacção e compor uma edição, mais ainda. Chega-se à última página já em estado de esgotamento.

Isto tudo para dizer que, na edição da passada Segunda-feira, que eu folheei com deleite enquanto esperava que o meu cabeleireiro/barbeiro acabasse de cortar o cabelo a um senhor careca, me deparei com o bloco de notícias da última página no estado que mostro na foto abaixo.

Se nas primeiras duas notícias tudo parece normal, já que o PSD é por estes dias pouco popular e as criaturas que pululam pelo nosso futebol são realmente dignas de um país de 3º Mundo, já a última é desconcertante, levando a supor que o seu autor já se encontrava portanto no tal estado de esgotamento de que falei lá atrás.

Ficamos portanto a saber que, no dia anterior, aconteceram em Braga determinadas situações que, provavelmente, terão envolvido pessoas. 

Ah! Já agora, o número sorteado do Joker foi o 4 937 692. Porque, afinal, este ainda é um blogue de serviço público e isso é válido até num artigo dedicado ao Correio da Manhã.



quarta-feira, novembro 28, 2012

Depois do iPad, iPad2 e iPad Mini virá o...iPad Mini Mega Micro Max?!

Depois do iPad veio o iPad 2. Depois do iPad 2 veio o iPad Mini. Há dias, Conan O'Brien decidiu antecipar os novos revolucionários lançamentos da Apple e apresentou toda uma nova gama de iPads.

Trata-se de uma excelente paródia às políticas de produto e de marketing da Apple, que vale a pena ver. Eu próprio confesso que, após visionar este vídeo, não consegui deixar de sentir um irracional apelo consumista em relação ao iPad Mini Mega Micro Max, quiçá até ligeiramente mais intenso do que aquele que sentia quando, nos idos anos de 1980, visionava as publicidades da época natalícia dos bonecos do GI-Joe e dos Transformers.


segunda-feira, novembro 12, 2012

No forte de São Julião da Barra, montou-se novamente uma tenda

Numa mudança de planos em relação ao que estava inicialmente planeado, a chanceler alemã Angela Merkel acabou por ser recebida, não em São Bento, mas sim, no forte de São Julião da Barra. Se isto por um lado deixa perceber um certo receio em relação à segurança da senhora, dada a sua recente e crescente popularidade em Portugal, por outro lado acaba por trazer-nos alguma esperança, a nós que, quando mergulhados num caldo de insegurança, fazemos o habitual que é procurar sinais de esperança em tudo e mais alguma coisa, neste caso em relação à coincidência que se regista na escolha do local desta recepção. 

É que, se bem se lembram, o último estadista que por aqui assentou arraiais acabou por ter alguns dissabores, que o levaram a abandonar o poder. "Mas a Merkel não montou aqui uma tenda!" disse-nos alguém. "Ai montou sim!", dizemos nós e, não contentes com isso, ainda apresentamos abaixo a prova fotográfica disso mesmo!

Clicar na imagem para ampliar (e tentar perceber a piada)!


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