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quarta-feira, setembro 02, 2015

Em Almeida, como há 200 anos, o castelo medieval voltou a explodir

No último fim-de-semana, a vila de Almeida, a histórica estrela de pedra sentinela da fronteira, foi palco de mais uma recriação do cerco pela tropas napoleónicas de1810. O espaço dentro das muralhas voltou ao passado, enchendo-se de comerciantes e soldados trajados a rigor e, como sempre acontece, houve lugar à encenação dos combates. No Sábado fomos até lá para assistir à batalha nocturna mas, quando menos esperávamos, o foco da nossa atenção acabou por se virar para algo totalmente inesperado.




Os comerciantes eram em grande número junto ao antigo quartel militar


Todos os anos, a vila fortificada de Almeida regressa ao século XIX. Trata-se da recriação histórica que evoca a 3ª Invasão Francesa, que aqui teve um dos seus palcos principais, desde o Combate do Côa, com a retirada quase desastrosa das tropas luso-britânicas, pela ponte que ficou intransitável devido ao amontoado de cadáveres, até ao Cerco de Almeida que, em poucos dias e graças à catastrófica explosão do antigo castelo, frustrou os planos que previam uma resistência mínima de 1 mês.

Em anos anteriores já tínhamos assistido à recriação do Combate do Côa (ver artigo e vídeo) e aos combates sobre as muralhas (ver aqui) e este ano decidimos assistir ao espectáculo nocturno. Sendo assim, lá fomos nós até Almeida e, após um jantar ligeiro, dirigimos-nos até à porta de Santo António, junto à qual iriam decorrer as actividades.

Embora os "soldados" estivessem algo distantes e, quanto a mim, numa posição pouco favorável para os espectadores (creio que uma formatura perpendicular a estes teria permitido uma melhor percepção das refregas corpo-a-corpo), o início até foi promissor. Um poderoso sistema de som permitia que os combates tivessem música de fundo e ainda alguns apontamentos por parte de um narrador que, muito bem, foi explicando o contexto da invasão e revelando alguns detalhes do armamento e das tácticas militares da época.


Os combates sobre o baluarte da porta de Santo António. Sucederam-se as salvas de mosquete, os tiros de canhão e as cargas de cavalaria.



Os disparos antes da carga sobre o inimigo.


O pior foi quando, entre as suas intervenções, o narrador se esqueceu de desligar ou, pelo menos, de baixar o volume do microfone, permitindo que os espectadores ouvissem as suas conversas paralelas como banda sonora dos combates.


Uma banda sonora... sui generis

Assim, ao mesmo tempo que franceses e luso-britânicos iam disparando uns sobre os outros, ficámos a saber que a recriação já estava a demorar muito mais que o previsto: -"Isto já devia ter acabado mas começando a dar ao gatilho eles entusiasmam-se e é isto! No ano passado só durou 40 minutos. Daqui a 10 ou 15 minutos deve terminar", ou ainda que havia uma gritante falta de realismo na recriação, facto esse devidamente comprovado graças ao acervo fotográfico pertença do próprio narrador -"Esta malta não tem cuidado e isto acaba por não ter realismo nenhum. Tenho lá em casa um grande arquivo fotográfico e numa das fotos vê-se aquele frade que está ali em baixo, em luta acesa com um cavaleiro mas com ambos a rirem-se que nem uns perdidos". -"Olha, lá vai outra vez o frade! Não pára!", complementou uma conhecida. Falta de um encenador, segundo outro companheiro do narrador, para dirigir a batalha -"Isto sem uma voz de comando é complicado...!".

Após a batalha e a saudação mútua dos participantes, o narrador anunciou o espectáculo pirotécnico evocativo da explosão do castelo que se iria seguir. Ainda assim, o aviso não foi ouvido por alguém da organização que questionou -"Olha lá, já avisaste o pessoal que vai haver explosão do castelo? Ah bom!".


Desaparecido numa explosão que destruiu maior parte da vila, tornando-a indefensável, o castelo medieval foi vítima do desleixo que permitiu que um tiro certeiro incendiasse o paiol aí instalado. A tradição popular transformou esta história, manifestamente pouco abonatória para a honra da vila, numa outra em que um traidor vendeu aos franceses o segredo da existência de um túnel secreto que levava ao castelo.



O certo é que, se o impacto da batalha acabou por se diluir entre risadas dos espectadores devido aos diálogos, a explosão do castelo lá aconteceu e foi  impressionante, embora não tanto como o espectáculo musical e pirotécnico, logo a seguir, que culminou na apoteótica Overture 1812 de Tchaikovsky.



A apoteose final.

Em resumo, vale bem a pena visitar Almeida durante esta altura (aliás, qualquer altura do ano é boa) mas, em termos de recriação histórica, há ainda algumas arestas a limar de forma a permitir que, um dia, um frade e um cavaleiro se possam afrontar sem achar piada a isso.

segunda-feira, setembro 02, 2013

Recriação histórica do Cerco de Almeida 2013

Como acontece todos os anos, o som dos mosquetes e canhões voltou a fazer-se ouvir nas muralhas de Almeida, com a recriação dos encarniçados combates de que esta vila foi palco há cerca de 200 anos atrás, durante a 3ª invasão francesa. Participaram nesta recriação mais de 200 figurantes (estimativa com o grau de precisão próprio do "olhómetro"), oriundos não só de Portugal como também de França, Reino Unido e Espanha. Sem ter tido oportunidade de assistir às recriações de Sexta e Sábado, decidimos não perder a de Domingo de manhã e, bem cedo, fomos até Almeida.

Com início previsto para as 10h da manhã, a recriação acabou por se atrasar e ainda bem. Assim, pudemos assistir a tudo desde o início. Durante mais de uma hora, os combates desenrolaram-se sobre as muralhas, terminando com a vitória das tropas francesas sobre as anglo-lusas e com a posterior evocação da memória das vítimas dos combates de 1810, que terão provocado 700 a 1.000 mortos.


A cavalaria prepara-se para o combate


No acampamento francês, também a infantaria se vai preparando


O desfilar das tropas, rumo ao campo de batalha



 O balcão do antigo quartel encheu-se de espectadores.


As tropas britânicas assumem as suas posições no terreno.


Tem finalmente início o ataque das tropas francesas


A cadência de tiro é dificultada pela complexidade da preparação dos mosquetes


A pouco e pouco, as tropas napoleónicas progridem no terreno com o apoio da artilharia


A resistência dos portugueses é tenaz


Os franceses tentam assaltar as posições aliadas


Dois batedores tentando perceber o posicionamento francês no terreno. Detectados, serão pouco depois obrigados a fugir.


Mais uma violenta carga da infantaria francesa sobre as posições anglo-lusas


A artilharia francesa continua a bombardear as posições aliadas


Uma carga de cavalaria britânica tenta neutralizar a artilharia francesa


A situação fica de tal maneira escaldante que até surgem pequenos focos de incêndio no terreno 


Uma vez que os mosquetes se revelam pouco eficazes nessa tarefa, outro tipo de soldado é chamado a intervir para extinguir o fogo.





Os últimos momentos da resistência anglo-lusa

A carga final das tropas francesas sobre o último reduto anglo-luso

Embora extremamente interessante, esta reconstituição pecou por vezes por falta de coordenação entre os intervenientes e por alguns momentos de "acalmia", embora compreensíveis dada a heterogeneidade dos participantes e o calor que se fazia sentir. Ainda assim, gostei mais da recriação a que assisti há 3 anos atrás (clicar aqui para o artigo e aqui para o vídeo), que também terá beneficiado da progressiva mudança de cenário.

Independentemente do seu nível de perfeição, este tipo de recriações são de extrema importância para a preservação da memória daquela época tumultuosa da História de Portugal e há inevitavelmente que dar os parabéns a quem anualmente leva a cabo esta iniciativa. O enquadramento paisagístico, esse sim, é inevitavelmente perfeito e merece só por si uma viagem a Almeida.

Para finalizar, convém ter em conta que esta reconstituição foi meramente simbólica. Aquilo que aconteceu naquela tarde de Verão de 1810 foi bem diferente do que foi retratado sobre as muralhas da Estrela da Pedra.


O que realmente aconteceu no cerco de Almeida

Perante a nova invasão francesa, o comandante das tropas anglo-lusas, o Duque de Wellington, definiu uma estratégia de recuo progressivo, desde a fronteira com Espanha até às Linhas de Torres, aplicando uma política de terra queimada de forma a criar atrito no exército francês, tanto em termos materiais como humanos. A espectacular fortaleza de Almeida tinha um papel bastante importante nessa estratégia. 

Tendo sido devidamente abastecida e guarnecida, esperava-se que Almeida resistisse durante alguns meses, obrigando os franceses a retardar a sua marcha ou, na pior das hipóteses, a empenhar ali parte das suas tropas. Infelizmente, nos primeiros dias do certo, um tiro de canhão extremamente feliz acertou em cheio no pátio do castelo medieval, que estava a ser usado como paiol de munições. O resultado foi uma explosão catastrófica que arrasou não só o castelo mas também a maior parte da vila. A fortaleza, tornada indefensável, foi obrigada a render-se, passados que estavam apenas alguns dias de resistência.

O relato de um oficial francês sobre esse momento diz bem da violência da explosão:

"A terra tremeu e vimos um imenso tornado de fogo e fumo erguer-se no centro da Praça. Foi como a erupção de um vulcão - uma visão que não consigo esquecer após 26 anos. Enormes blocos de pedra precipitaram-se nas nossas trincheiras, matando e ferindo vários dos nossos homens. Canhões de calibre pesado ergueram-se dos muros e precipitaram-se longe destes. Quando o fumo se dissipou, grande parte de Almeida havia desaparecido e o resto era apenas um amontoado de destroços".


As ruínas do que foi outrora o castelo medieval de Almeida, nivelado pela terrível explosão de 1810.

O que resta do fosso dá ainda uma ideia do quão monumental seria o castelo


segunda-feira, agosto 30, 2010

200 anos do Cerco de Almeida – Vídeo da Recriação Histórica da Batalha do Côa

No seguimento do artigo anterior (clicar aqui para ver o relato da batalha e as fotos) aqui fica o vídeo da recriação histórica da Batalha do Côa.



Este vídeo é dedicado à Ana que não pôde estar lá connosco.

200 anos do Cerco de Almeida – Recriação Histórica da Batalha do Côa

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Na comemoração dos 200 anos do Cerco de Almeida (24 de Julho a 28 de Agosto de 1810), que levou à tomada da Praça pelas forças francesas da 3ª invasão, comandadas pelo General Massena, pelos fossos da fortaleza e pelas margens do Côa voltaram a fazer-se ouvir os disparos dos mosquetes e dos canhões, numa recriação histórica que envolveu centenas de pessoas

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No Sábado teve lugar a recriação da Batalha do Côa (24 de Julho de 1810), que antecedeu o Cerco de Almeida, recriando um momento particularmente difícil para as forças anglo-lusas e onde entre 700 a 1.000 homens terão perdido a vida. Foi por isso também carregado de significado o momento em que, sobre a ponte do Côa, todos os participantes da recriação da batalha dedicaram um minuto de silêncio aos que caíram naquele dia.

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A Batalha do Côa

Perante o avanço francês, Wellington adoptou uma táctica de desgaste do inimigo sem oferecer combate frontal, retirando gradualmente o exército anglo-luso em direcção a Lisboa, ganhando o tempo necessário para que as Linhas de Torres fossem concluídas.

Junto a Almeida estava estacionada a Brigada Ligeira, comandada pelo General Craufurd e formada 5.000 homens, que recebeu ordens para não esperar os franceses na margem direita, cruzando a ponte e formando resistência na margem esquerda.

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No entanto, Craufurd resolveu ser arrojado e, ignorando as ordens, acabou por ser surpreendido pela chegada de 20.000 franceses, sob o comando do Marechal Ney. Este envolveu 6.000 homens no combate directo contra a Brigada Ligeira anglo-lusa, deixando o restante em reserva e em preparação do cerco à vila de Almeida.

Acossado, Craufurd não teve remédio senão retirar rapidamente em direcção ao Côa, procurando passar à margem esquerda, numa retirada que teve vários momentos extremamente difíceis, para aí estabelecer uma linha de resistência.

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A ponte sobre o Côa tinha também uma importância estratégica vital visto ser, integrada na estrada que levava a Lisboa, a única travessia sobre este rio na região.

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Apesar dos ingleses terem acabado por conseguir estabelecer uma posição sólida na margem esquerda, Ney não desarmou e, de forma algo precipitada, deu ordens para que as suas forças tomassem a ponte, investindo sobre as forças anglo-lusas.

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A resistência foi no entanto encarniçada e os franceses não conseguiram passar, tendo suportado terríveis baixas, de tal forma que, devido à acumulação de mortos e feridos no tabuleiro da pontte, era já praticamente impossível atravessá-la.

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O ataque foi então suspenso. A coberto da noite, por volta da meia-noite, Craufurd acabaria por dar ordem de retirada, deixando os franceses à vontade para atacar Almeida. Esperava-se que a praça resistisse alguns meses, até às primeiras chuvas mas, por um grave infortúnio, a vila acabaria por ter de se render a 28 de Agosto.

Ver o vídeo da Recriação da Batalha do Côa - Bicentenário do Cerco de Almeida

quinta-feira, agosto 26, 2010

200 anos do cerco de Almeida - Recriação Histórica


Tem lugar a partir de hoje na vila fortificada de Almeida, a recriação da tomada de Almeida pelas tropas francesas no decurso da chamada 3ª Invasão de 1810 sob o comando de Massena. Julgada capaz de resistir durante meses, a fortaleza rendeu-se após alguns dias de combate devido à terrível explosão do castelo medieval (ler testemunho aqui), transformado em depósito de munições, que arrasou grande parte da povoação.

A vila só seria reconquistada pelas tropas luso-britânicas (é mais bonito dizer assim que dizer "anglo-lusas") em 1811.

A 24 de Julho, após o combate na ponte do Côa, à vista de Almeida, e porque a retirada de Crawford deixava Almeida sem esperança de socorro, Ney intimou imediatamente Cox a entregar a Praça. Obtendo resposta negativa, foram tomadas medidas para o seu cerco (Júnior: 2006, 15). As tropas francesas aproximaram-se da Praça, instalaram várias baterias no pequeno planalto sobranceiro ao rio (numa zona fronteira ao Baluarte de S. Pedro; como já tinha acontecido no cerco de 1762) e, após demorada montagem, só a 26 de Agosto as baterias dos sitiantes abriram fogo, incendiando desde logo muitos edifícios. Nesse mesmo dia ao fim da tarde, acidentalmente, o Paiol do castelo explodia. O saldo que se seguiu não podia ter sido mais trágico: Castelo, Igreja Matriz e áreas confinantes foram pelos ares, ficando completamente destruídas, para além do elevadíssimo número de baixas civis e militares. Face à calamidade, a Praça-forte de Almeida capitulou três dias depois, depondo a guarnição as suas armas às 9 horas do dia 28 de Agosto e só seria recuperada, pelas tropas de Wellington, em 1811.

do site da CM-Almeida

Ver programa completo aqui.

terça-feira, setembro 22, 2009

Postais de Ciudad Rodrigo - Província de Salamanca

3 anos depois, uma comitiva do Blog do Katano resolveu novamente fazer uma incursão pelo extremo da Província de Salamanca com a desculpa de fazer um passeio turístico mas com o verdadeiro intuito de averiguar a que maquinações perversas se estavam a prestar os espanhóis para a eventualidade do PSD tomar o poder em Portugal.


O percurso passou por Siega Verde, uma importante estação de arte rupestre ao ar livre na margem esquerda do Rio Águeda junto a Villar de la Yegua. Aproveitando a última visita guiada do dia houve oportunidade para admirar 5 painéis interessantíssimos mas que, pela sua localização, nos colocaram à mercê dos mosquitos espanhóis. Posso afirmar com toda a segurança que um mosquito espanhol é um bicho feroz e particularmente obstinado, levando a que, enquanto o resto da comitiva ouvia atentamente as explicações do Carlos, o nosso simpático guia, o autor deste texto tivesse sido sujeito a uma experiência semelhante à de um paciente submetido ao processo de colheita de amostras de sangue por parte de um enfermeiro estagiário com astigmatismo.



Vários animais sobrepostos entre os quais se distingue um uro, o provável antepassado do actual touro de lide, e um lobo.



Detalhe da cabeça do uro




Depois das primeiras emoções, a comitiva prosseguiu para Ciudad Rodrigo apreciando a suave condução do Bruno Af que tem o condão de conseguir modificar em determinados momentos a cor do rosto dos passageiros do normal tom rosado para um cromatismo situado algures entre o esverdeado e o amarelo. Em Ciudad Rodrigo houve tempo para um passeio pelas muralhas, que circundam por completo o centro histórico, e nas quais se percebem ainda os danos provocados pelos terríveis combates da tomada da cidade aos franceses pela coligação das forças anglo-lusas e espanholas em 1812. A própria fachada da catedral encontra-se ainda danificada como resultado do bombardeamento a que foi sujeita.



O tom acastanhado está omnipresente nas fachadas da cidade


No castelo de Henrique II está actualmente instalado o Hotel Parador de Ciudad Rodrigo, um hotel de 4 estrelas cujo parque automóvel que se pode observar na zona de estacionamento diz bem do momento de crise em que nos encontramos. Nada de Porsches, nada de Ferraris, apenas BMWs e Rolls Royce. Junto ao castelo encontra-se um "berrão", uma estátua típica da civilização castreja, representando normalmente um porco, uma pista relevante que indicia a origem pré-romana de Ciudad Rodrigo, antiga Miróbriga. A importância da posterior influência romana na povoação está patente no próprio brasão da cidade que porta as 3 colunas sobreviventes do fórum da cidade.


O Castelo e o Berrão

Como portugueses que se prezem, decidimos dar azo aos nossos instintos primários de anti-espanholismo da pior forma que nos lembrámos e assim, dirigimo-nos até à Plaza Mayor de Ciudad Rodrigo para tomar café podendo assim dizer mal da qualidade do café espanhol.


Aspecto da Plaza Mayor - O Ayuntamiento.




Perfil do Castelo


Terminado o roteiro foi tempo de voltar a casa e experimentar a auto-estrada que, praticamente chega até Fuentes de Oñoro. Foi sem dúvida uma boa notícia uma vez que, sendo uma auto-estrada, será a partir de agora mais difícil proporcionar-se uma eventual situação meramente hipotética em que um qualquer membro feminino do Blog do Katano decida aumentar o nível de adrenalina dos passageiros efectuando uma ultrapassagem simultânea de dois camiões ignorando o facto de haver transito em sentido contrário.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

À frente dos franceses ninguém foge!


Um dos episódios mais conhecidos da História de Portugal é o da corajosa fuga que, em finais de 1807, a Família Real portuguesa empreendeu com destino ao Brasil para, deste modo, evitar cair nas mãos do exército invasor francês, comandado por Junot.

Este plano já tinha na altura quase 200 anos e era equivalente ao actual plano de crise estado-unidense que dita que, em caso de ataque, o Presidente dos EUA use o Air Force One para se refugiar em destino seguro (embora eu não ache muito seguro o Air Force One ser o único aparelho autorizado a voar nesse momento pois tenho a sensação que não será complicado detectá-lo por radar).

Seja como for, o Príncipe Regente, futuro D. João VI, que os franceses descreviam como "extremamente feio", era também por natureza um homem extremamente hesitante e, só na véspera da entrada dos franceses em Lisboa, se decidiu finalmente pela fuga.

A Família Real saiu então do Palácio de Queluz transportada numa carruagem que, compreensivelmente, procurava chegar ao Cais de Belém o mais rápido possível, isto sob o olhar de espanto do povo que assistia a tudo. Diz-se que a ainda rainha D.Maria I, sob o efeito da demência que já há muito a afectava, se dirigiu então com veemência ao cocheiro: "
Devagar, homem! Vão pensar que estamos a fugir!".

Imagem Wikipedia

domingo, dezembro 21, 2008

O mistério da Serra da Maúnça

Nem só o Entroncamento ou na Gardunha detêm o monopólio dos fenómenos. Na crista da Serra da Maúnça existe um local onde, até hoje, um misterioso facto permanece ainda por explicar.

Este fenómeno encontra-se entre o local conhecido, desde as invasões francesas, como Valados e a Eira dos Três Termos, estando também umbilicalmente ligada na tradição popular à passagem das hostes napoleónicas por estas paragens.

Trata-se de um conjunto de duas zonas no solo em forma de elipse nas quais, desde que há memória, nunca cresceu outra vegetação que não fosse erva e uma ou outra tímida flor silvestre. Curiosamente estas duas zonas, com um comprimento aproximadamente semelhante ao de um ser humano, estão elas próprias delimitadas de forma abrupta por vegetação cerrada e alta, sendo que esta se destaca na paisagem.

Diz a lenda que, ao passar por este local, os franceses terão aqui assassinado, após cruéis sevícias, duas jovens raparigas (princesas, religiosas, as versões divergem), tendo-as enterrado no local. Talvez pela crueldade do seu martírio ou simplesmente pelo facto de serem santas, a vegetação não mais voltou a crescer para eternizar a sua memória.

O fenómeno lá permanece até hoje e apesar de um ou outro popular mais atrevido terem tentado chegar ao fundo da razão desta anomalia, ele permanece ainda por explicar.

Alguém arrisca uma explicação?

quarta-feira, novembro 12, 2008

Artes e Sabores da Maúnça - II

Retomando o tema do último artigo, o Sábado foi então centrado no Festival de Artes e Sabores da Maúnça que decorreu na serra na já famosa aldeia de Açor.


À tarde houve contudo tempo para uma pequena incursão até à Serra da Gardunha para investigação com vista à recolha de elementos para a exposição do próximo Sábado e para recolha de cogumelos e castanhas. Tudo isto em meio a uma montaria organizada no âmbito da inauguração de instalações para uma Associação de Caçadores, esses simpáticos senhores que deixam a sua marca na paisagem na forma de latas que deixam supor que se chamam todos Ramirez ou de cartuchos vazios que, de forma inteligente, decoram vários recantos das serranias. No entanto, diga-se em abono da verdade que são sem dúvida amantes incondicionais da natureza pois, pelo que constatámos, já o relógio dobrara a uma da manhã e ainda se via faróis dispersos de automóveis na zona da montaria, um sinal claro de que os caçadores estavam com dificuldades em desvincular-se da natureza.

A incursão não foi propriamente bem sucedida mas sempre deu para investir sobre os muitos medronhos que sarapintavam o ambiente de vermelho. Na foto é bem visível o particular interesse do jovem Sam ao aprender que do medronho se faz uma aguardente de grande qualidade, isto enquanto o jovem Paulo cogita sobre as mil e uma formas de cozinhar um medronho.

"Aguardente? Onde é que se carrega?"

Também os cogumelos foram escassos mas, curiosamente, as pontuais descobertas de exemplares de Amanita Muscaria, ou Agário das Moscas, despertaram um intrigante frenesim entre alguns elementos do grupo. Só faltava mesmo a lagarta a fumar o seu narguilé em cima dos Agários...

Um belo exemplar de um fungo com alto índice de Ácido Ibotémico. A lagarta da Alice que o diga...



Chegou depois a hora de rumar ao Açor, conduzindo o veículo através de um interessante percurso todo-o-terreno. Escusado será dizer que todos os ocupantes do veículo adoraram a experiência e sentiram a adrenalina a correr-lhes pelo organismo. Aliás, a co-pilota chegou mesmo a afirmar "Nunca me diverti tanto como hoje, nem quando decidi ultrapassar 2 camiões em Espanha com vários veículos a circular em sentido contrário a uma distância pouco recomendável!".

Chegámos finalmente ao Açor, pequena aldeia que a tradição coloca na rota das Invasões Francesas, num episódio que, na Eira dos Três Termos, terá tido o seu climax aquando do enfrentamento entre franceses e a guerrilha local. Também a tradição popular situa nessa época a origem do misterioso "fenómeno" da Eira dos Três Termos, ainda hoje sem explicação e o qual abordarei em artigo próprio.

Sobre o Açor conta-se que, aquando da aproximação das tropas francesas, a população cobriu a Igreja (hoje bastante alterada) com ramos de giesta e silvas, já que se tratava do único edifício branco da aldeia ao contrário das moradias que eram em xisto e se confundiam na paisagem.


Na aldeia, o festival desenrola-se autenticamente de uma ponta à outra da aldeia, com as inevitáveis tasquinhas, umas melhor conseguidas que outras em termos de decoração e ambiente, onde é muito difícil resistir à tentação de percorrer todas elas mais que uma vez.

O jantar foi talvez mais atribulado que o desejado. Tendo-nos deliciado com um original prato de lombinhos de porco com castanhas e mel, em duas doses que afinal era três, decidimos repetir. Contudo, o stock havia-se esgotado e tivemos de nos contentar em terminar a refeição com uma bela chouriça assada. Pelo meio houve ainda espaço para uma demonstração de boa vontade da cozinheira que foi desencatar carne sabe-se lá onde e que no-la apresentou acondicionada numa espécie de tupperware onde quase se podia ler "HACCP sucks!".


A castanha, fruto omnipresente no festival



Uma reconfortante paragem para provar o tradicional "Café de borras"



O delicioso bolo de castanha em meio de um caleidoscópio de cores e sabores dispersas em dezenas de bolos e garrafas de licores tão inusitados como o licor de amora, de bolota e de carqueja...



Outro ângulo da questão


Aspecto de uma das tasquinhas mais concorridas



O cenário junto ao Forno Comunitário, onde algumas simpáticas senhoras se atarefavam a cozer pão. Um pouco mais longe, a casa museu toda ela recuperada e que merece sem dúvida uma visita.



Animação de rua, uma constante do festival



Uma pausa antes de atacar o licor de maçã.... e o de amora também.... ok, e também o de framboesa...

O regresso fez-se novamente pela Maúnça, agora em modo nocturno, percurso que levou a que, em alguns momentos, fossemos acompanhados por vários coelhos velozes e zigzagueantes. A edição 2008 já lá vai, venha a próxima! Merece bem a visita.

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