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sexta-feira, junho 13, 2014

Divulgação: Jornadas para a salvaguarda do património cultural imaterial da Beira Interior

Contribuir para a salvaguarda e uma mais ampla percepção da riqueza e diversidade do Património Cultural Imaterial da Beira Interior, este é o mote para as jornadas que amanhã têm lugar no auditório da Moagem no Fundão, com um programa de altíssima qualidade. 

Esta iniciativa é mais uma etapa de um projecto amplo, que pretende abranger todo o território nacional, promovendo e valorizando à escala local as mais diversas e singulares expressões culturais imateriais que, no seu todo, contribuem para a criação da identidade do país.

É uma iniciativa a não perder por todos os que se interessam pelo património e que amam a sua região, sendo o valor da inscrição -5 euros-  quase simbólico.

As inscrições podem ser feitas amanhã na Moagem ou através dos seguintes contactos, também disponíveis para prestar informações adicionais:

Ana Carvalho - 966 046 769 / anaemiliacarvalho@cm-fundao.pt
Margarida Silva - 910202420 / associacaopci@outlook.pt



segunda-feira, maio 05, 2014

Taça de Portugal de futsal 2013/14 - As imagens da festa


Histórico e de um notável simbolismo. É o que me ocorre dizer em relação à vitória da equipa de futsal da Associação Desportiva do Fundão na Taça de Portugal 2013/14, após derrotar na prova os dois grandes de Lisboa, numa espécie de brado de inconformismo do Interior em relação à capital que tanto nos tem maltratado.

O trajecto da Desportiva começou em Janeiro logo de forma auspiciosa quando foi a Loures eliminar o Sporting num jogo que se decidiu em grandes penalidades por 3-1 a favor da equipa do Fundão, após uma igualdade a 4 golos no final do prolongamento. Seguiram-se as equipas do Portela e do Unidos Pinheirense, ambas da II Divisão e eliminadas por 6-4 e 3-2 respectivamente, facto que garantiu o apuramento para a "final four" realizada no último fim-de-semana em Oliveira de Azeméis.

Aí, diante de uma bela falange de apoio, o Fundão venceu de forma dramática o Módicus por 2-1, com o golo da vitória a ser marcado no último segundo, seguindo-se a grande final com o Benfica, que não foi capaz de contrariar a garra da equipa fundanense.

A Associação Desportiva do Fundão torna-se assim o primeiro clube do Interior a conseguir conquistar uma prova desportiva de topo em termos nacionais, numa modalidade com a projecção e popularidade como é o futsal, habituada a ser disputada entre Sporting e Benfica.

À chegada ao Fundão, já perto da meia-noite, várias centenas de fundanenses fizeram questão de marcar presença junto à Câmara Municipal para receberem a equipa com um grande e merecido aplauso. Aqui ficam algumas imagens da festa:

À espera.


A chegada dos campeões I


A chegada dos campeões I


A chegada dos campeões I


A chegada dos campeões I


"Hoje a nação é o Fundão"


A aclamação com uma dedicatória particular


Todos fizeram questão de registar este momento memorável

Vídeos:



domingo, janeiro 19, 2014

A Serra da Estrela vestida de branco


Após o grande nevão de ontem que, segundo fonte dos bombeiros, levou a que o maciço central fosse evacuado (ver aqui), é esta a paisagem que hoje se pode ver, com a Serra da Estrela coroada de branco a dominar a Cova da Beira.


A Torre permanece escondida sob as nuvens mas consegue-se adivinhar como estarão as condições meteorológicas naquele local. É curioso pensar que o maciço central, nos últimos dias sob condições inóspitas, era até há pouco mais de 200 anos um local desconhecido que atraía a curiosidade de cientistas e exploradores, como foi o caso da Expedição Científica à Serra da Estrela de 1 de Agosto de 1881.

"1 de Agosto de 1881. Pelas 20 horas e 15 minutos, partia da Gare do Norte de Lisboa (Santa Apolónia) um grupo de 42 expedicionários entusiásticos com a expectativa de uma viagem exploratória à serra da Estrela, região ainda desconhecida, selvagem e, em grande parte, desabitada, que encerrava em si mistérios e mitos. Partiram sob a aclamação calorosa de numerosa assistência, de representantes do Conselho de Ministros, do presidente e do primeiro secretário-geral da Sociedade de Geografia de Lisboa, do director e de alguns lentes da Escola Médico-Cirúrgica e de um grande número de membros da imprensa e das escolas superiores. Partiram enérgicos, sabendo que iriam defrontar as forças dos elementos naturais e não as feras de África. As vinte e três carruagens transportavam homens agasalhados com camisolas de flanela, casacos de Inverno, duas mantas inglesas e, ainda, botas de tamanho descomunal. Eduardo Coelho, o correspondente e director do Diário de Notícias , ironizava, escrevendo já a partir da serra, que era "toda a lã de um rebanho em cima de nós! Pôr sobre isto revólver, para lobos, toucinho para as víboras"." in Diário de Notícias, 13 de Maio de 2012


Olhando para Oeste, para lá do Fundão que na fotografia surge em vista parcial em primeiro plano, a vista vai ainda para lá da Capinha, na extremidade da Serra do Meal Redondo. 


segunda-feira, agosto 05, 2013

MANIFESTAÇÃO Contra a tourada SangriAgosto

A Associação Comercial e Industrial do Concelho do Fundão decidiu que no cartaz da edição 2013 do festival SangriAgosto deveria constar uma tourada. A associação de uma tourada ao nome Sangria foi ironicamente cruel. A introdução de um elemento socialmente fracturante, num evento que deveria fomentar a união da população, foi irresponsável. 

De imediato gerou-se uma onda de contestação que tornou esta tourada tão incómoda, a ponto de a própria ACICF recusar agora assumir a paternidade da ideia, tendo inclusive alegado que o facto de o seu nome aparecer nos cartazes como único organizador do evento se dever a... um erro tipográfico! Agora temos a originalidade da realização de uma tourada que ninguém organiza. Ao telefone, recusam-se a dar respostas. Aos e-mails respondem com o silêncio. Se estão tão convictos de que se trata de um evento benéfico para o Fundão, porque mostra este medo? 

A petição, contra este evento estranho à matriz das tradições do Fundão, continua a ser assinada e já ultrapassou as 1500 assinaturas mas a ACICF recusa-se a reconhecer o seu erro e vai mesmo levar a tourada avante. 

Ao contrário da ACICF, vamos provar que não temos medo de dar a cara e é por isso que lá estaremos, no próximo dia 10 de Agosto pelas 17h, junto ao local onde a tourada se vai realizar. Vai ser uma manifestação pacífica, não lhes vamos dar nenhum pretexto para a vitimização, mas vamos lá estar! Vamos mostrar-lhes que somos contra este espectáculo bárbaro e eles não vão poder ignorar esse facto. 

Vamos dizer-lhes, olhos nos olhos, "Estamos aqui!"


sexta-feira, agosto 02, 2013

Tourada SangriAgosto - Um tremendo erro tipográfico de casting

Na sua edição do passado dia 1 de Agosto, o Jornal do Fundão dá grande destaque à polémica gerada em torno da realização de uma tourada no Fundão, integrada no cartaz do festival anual SangriAgosto. Exposição de argumentos e polémica à parte, aquilo que se retira deste artigo é um facto inusitado: ninguém assume a organização desta tourada! O Fundão, cidade que vinha lutando por passar uma imagem de progresso e inovação, pode estar aqui no limiar de uma fantástica inovação, a do primeiro evento realizado por geração espontânea. É sem dúvida um facto digno de registo.

Nos cartazes, a informação é taxativa: "Organização: ACICF". Tanto nos primeiros como nos que depois foram afixados agora com a referência ao apoio da Vinolive, empresa que chegou a ser apontada como a organizadora do evento mas que também o negou ao JF, declarando estar convencida que a responsabilidade da organização era mesmo da ACICF. Ao Jornal do Fundão, o presidente da ACICF, Rogério Hilário, afirmou tratar-se de... "um erro tipográfico"!

Os contactos telefónicos tidos com a ACICF também não ajudam a trazer luz a esta matéria, isto de acordo com algumas pessoas que ligaram para a ACICF e com as quais depois troquei impressões. 

Por exemplo, uma pessoa que ligou para a ACICF a 27 de Julho para apurar quem era o organizador relatou que "disseram que o organizador, é o director da associação comercial e que a acif só está a apoiar o evento!" (sic).

A mesma pessoa ligou esta semana e, ao perguntar se iria mesmo haver tourada, dada a contestação à mesma, terá sido tranquilizada com o argumento de que "tudo estava tratado e licenciado"! A versão quanto ao organizador era agora diferente. Este não foi agora revelado mas a ACICF assumiu-se como colaborante em tudo, respondendo por ele e tendo colaborado na logística, nas licenças, nos seguros e na publicidade. É pois legítimo perguntar: se a ACICF não organiza, o organizador faz o quê afinal? Só recebe o dinheiro?

Quem ligou para dar voz à sua contestação teve menos sorte. Isso mesmo relatou uma pessoa que ligou por estes dias e a quem foi dito que "por ordens superiores, não respondiam por telefone a questões sobre a tourada e que todas as perguntas deveriam ser enviadas por e-mail". Espero que não se tenha dado ao trabalho de escrever esse e-mail pois eu próprio enviei um à ACICF no passado dia 26 de Julho e ainda aguardo resposta. Parece-me a mim que solicitar que as questões sejam colocadas por e-mail não passa de pois de uma forma diplomática de despachar estas pessoas incómodas.

Ao tremendo erro de marketing que foi a inclusão desta tourada no festival SangriAgosto, a ACICF parece querer juntar uma desastrosa estratégia de relações públicas, que só serve para minar ainda mais a sua imagem perante o público.

Perante isto e dado que tem, segundo fonte da CMF, assinado toda a documentação entregue neste processo, aquilo que parece é que a ACICF não esperava esta onda de contestação à sua iniciativa e tem agora receio em assumi-la como sua. Continuar a negar que é organizadora e manter a tese de ser apenas "facilitadora do processo administrativo" (sic) não faz sentido algum.

Todo este mistério está a deixar-me intrigado, de tal forma que tenho receio até de nem conseguir ter a paz de espírito necessária para usufruir plenamente do habitual almoço de fim-de-semana em casa dos meus facilitadores de processo germinativo, facilitadores de processo de formação académica e ainda facilitadores do processo de herança de imóveis. Falo dos meus pais, obviamente.

domingo, julho 28, 2013

Tourada SangriAgosto - E-mail enviado ao presidente da ACICF

Ao ter conhecimento que a Associação Comercial e Industrial do Concelho do Fundão assumia sozinha a organização da tourada e a sua inclusão no programa do festival SangriAgosto, embora tenha ouvido noutras fontes que se tratou de uma proposta de um particular, assumindo portanto uma atitude unilateral, à revelia dos restantes parceiros da organização do festival SangriAgosto, questionei abertamente esta situação na página Facebook da instituição. De forma reiterada, limitaram-se a ignorar as minhas questões, atitude que não se coaduna com a transparência e frontalidade com que uma instituição desta importância devia pautar a sua linha de acção.

Sendo assim, enviei um e-mail dirigido a Rogério Hilário, presidente da ACICF que aqui reproduzo:

Exmo Sr Presidente da ACICF, Dr Rogério Hilário

Já várias vezes coloquei as mesmas questões na página Facebook da ACICF mas a resposta tem sido apenas o ignorar das minhas interpelações, atitude que não se coaduna com o comportamento esperado por uma instituição que age de boa fé e à luz da transparência. Sendo assim, decidi entrar em contacto consigo por esta via, para finalmente procurar obter as respostas que pretendo.

Enquanto cidadão do Fundão fiquei estarrecido ao ser confrontado com a realização de uma tourada da responsabilidade da ACICF e, pior ainda, integrada no festival SangriAgosto, um festival do qual eu tinha até agora a melhor das impressões, tendo inclusive tido a oportunidade de o exprimir publicamente no ano passado. O SangriAgosto 2012 foi sem dúvida um sucesso e por esse facto, felicito-o. Já a "originalidade" da inclusão de uma tourada no SangriAgosto deste ano é uma completa inversão da imagem do SangriAgosto, alterando por completo a conotação do próprio nome do festival.

É para mim profundamente decepcionante assistir à entrada do nome da cidade do Fundão na negra lista das cidades onde ainda se pratica este espectáculo bárbaro e sangrento, espectáculo esse que não se coaduna em nada com a imagem de uma cidade virada para o futuro que o Fundão tem procurado construir. 

Por outro lado, o argumento comum de justificação das touradas, de que se trata de uma tradição, não colhe no Fundão. A tourada é completamente estranha à matriz das tradições desta cidade.

A tourada ainda não começou, Senhor Presidente, mas a primeira e mais profunda estocada já foi dada, ferindo de morte o festival SangriAgosto (infeliz coincidência de nome!) e denegrindo no processo o Festival Cale, que acontece em simultâneo. A responsabilidade disso recai sobre si, Senhor Presidente, enquanto organizador da tourada.

Sabe certamente o Senhor Presidente que as touradas têm vindo a ser proibidas em regiões de tradições tauromáquicas pela consciencialização que se tem tomado da barbárie que lhes está inerente. A evolução de mentalidades permitiu aí a percepção que uma tourada não é mais do que um aglomerado de sessões contínuas de tortura de animais para simples diversão. Que valores morais pode uma tourada transmitir? Que é legítimo torturar animais para nossa própria diversão?

Só num país como o nosso é que se penalizam os maus tratos a animais e, ao mesmo tempo, se permite a continuação das touradas mas, em pleno século XXI, a mais de 2.000 anos de distância da génese das touradas nas bem tradicionais arenas romanas, era de esperar que o bom-senso das figuras públicas, que como o Senhor Presidente ocupam cargos de responsabilidade, permitisse compensar as lacunas e contradições da lei. Puro e utópico engano. 

É por isso, e mais uma vez, ao abrigo da minha qualidade de cidadão do Fundão, que sente e ama a sua cidade, que lhe pergunto a si directamente e à luz daquilo que entendo ser a missão da ACICF:

O que tem a ver uma tourada com a dinamização do centro antigo do Fundão?

De que forma vai beneficiar o comércio tradicional do Fundão? 

Em que estratégia de promoção do nome do Fundão se insere esta iniciativa? 

Porque avançaram para a realização da tourada quando já sabiam à partida que esta iria ser fracturante e provocar divisões no seio da população do Fundão, contrariando por completo o papel agregador do SangriAgosto?

Fico pois a aguardar as suas respostas Senhor Presidente, pois entendo que enquanto fundanense tenho direito a elas. Eu e todos os cidadãos que não concordam com esta tourada.

E já agora, porque ainda vai a tempo, espero que ponha a mão na consciência e tome as necessárias diligências no sentido de corrigir aquilo que foi sem dúvida uma tremenda precipitação da sua parte.

Despeço-me com cordiais cumprimentos

David Caetano

Se quiserem também expressar o vosso repúdio por esta iniciativa, poderão usar os seguintes contactos da ACICF:

Morada:
Associação Comercial e Industrial do Concelho do Fundão
Rua Dr. Teodoro Mesquita, 37
6230-355 Fundão

Telefones: 275 773 380 e 275 752 167

Fax: 275 773 664

E-mail da ACICF é acicf@acicf.pt

Petição contra a realização de touradas no Fundão

A petição on-line contra a realização de touradas no Fundão já conta, na altura em que escrevo estas linhas, com mais de 1080 assinaturas. São mais de 1080 pessoas que dão a cara, que não concordam com a realização deste triste espectáculo e com a associação do nome da cidade do Fundão a ele.

É preciso continuar a divulgá-la através de todos os meios possíveis para que, amanhã, quando esta for entregue ao Presidente da Câmara Municipal do Fundão, o número de signatários seja impossível de ignorar.

O link da petição é este: 

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=sangriagosto . 

Ao assinarem, o sistema irá automaticamente enviar um e-mail contendo o link de confirmação no qual deverão clicar. Só assim a assinatura será válida.

Vamos a isso!

Entretanto, e com a devida vénia, partilho aqui um comentário deixado pelo Sr Jerónimo Augusto, um apoiante desta causa, na página da petição:

"É com profunda mágoa que recebo esta notícia. Há quarenta e dois anos que o Fundão é para mim um local obrigatório por razões turísticas e culturais. Não posso deixar de evocar, por exemplo, a bela festa dos Chocalhos, os Encontros de Pastores, a Festa da Cereja, entre outras, verdadeiras jornadas culturais, que fazem do Fundão uma cidade de valores, voltada para o futuro, e por isso por mim aconselhada aos amigos e conhecidos, aos quais ofereço CD´s dos eventos atrás evocados, para que se desloquem até ao Fundão e Alpedrinha, no sentido de viverem aquelas salutares jornadas, verdadeiros exemplos de modernidade e visão de futuro. Chocar-me-ia, profundamente, ver a cidade do Fundão, a retroceder nos seus objectivos de progresso, ao organizar um espectáculo sanguinário, retrógrado e inferior ( uma tourada ), o que seria retroceder à Roma de (37), com Lucius Domitius Nero Claudius, em cuja arena (Coliseu ) se realizavam aqueles espectáculos de triste memória .Porém, estou certo que o Presidente da Câmara Municipal do Fundão, Dr. Paulo Alexandre Bernardo Fernandes, não vai ( pelo que de si conheço ), deixar que a sua cidade seja manchada pelo sangue de animais inocentes que são, cobarde e gratuitamente, sacrificados por mera diversão que em nada contribui para o bom nome e prestígio de uma cidade como o Fundão. Aproveito para apresentar ao Senhor Dr. Paulo Fernandes, os meus melhores cumprimentos."

segunda-feira, julho 22, 2013

Tourada no Fundão. Vai haver Sangue em Agosto


Já tinha ouvido boatos mas, não encontrando nada que os sustentasse, acabei por esquecê-los. A realização de uma tourada no Fundão era uma ideia descabida e estranha às tradições da cidade. Um evento desses não era compatível com a ideia de uma cidade que se quer modernizar, em equipamentos mas sobretudo em ideias, que quer mostrar ao exterior o seu desejo de evoluir e romper com conceitos obsoletos e estagnantes. Só podia ter sido um mal entendido.

Foi por isso que hoje, ao pegar pela primeira vez num folheto de divulgação do festival SangriAgosto 2013, fiquei estarrecido ao ler nele que os boatos afinal se confirmavam. O festival deste ano conta no seu programa com a "1ª Grande Corrida de Toiros", colocando o nome da cidade do Fundão no rol das localidades que promovem o degradante espectáculo de tortura para diversão dos espectadores (e para encher os bolsos de vários barões que só em 2011 obtiveram perto de 10M€ em subsídios estatais).

Aqui, no entanto, não há sustentação para o motivo fictício invariavelmente invocado de se estar a procurar manter a tradição, uma vez que o Fundão não tem tradição tauromáquica, sobrando aquilo que realmente move quem organiza as touradas: fazer dinheiro.

Hoje, pela primeira vez na vida, tenho vergonha em dizer que sou do Fundão, a  cidade que não se vergou à Inquisição mas cujas instituições acolhem agora, de braços abertos, esta prática retrógrada e sangrenta. Tenho de perguntar: como se enquadra no sistema de valores morais pelo qual se regem aqueles que aplaudem cada ferro cravado com êxito, a ideia de que é legítimo torturar animais por diversão e ainda vale a pena pagar para assistir a isso?

Como ética e moralmente não posso compactuar com eventos que promovam touradas, decidi este ano boicotar qualquer iniciativa ligada ao SangriAgosto (tascas, espectáculos musicais, etc..) e convido todos aqueles que não concordam com a realização desta tourada no Fundão a fazerem o mesmo. 

Nunca a sangria fez, como este ano, tamanho jus ao nome que tem e, sendo assim, causar-me-ia certamente severas perturbações gástricas.

ACTUALIZAÇÃO DE 25 DE JULHO:

Obtive junto de fonte oficial da Câmara Municipal do Fundão alguns esclarecimentos (importantes) sobre a realização desta aberração tauromáquica no Fundão que passo a sintetizar:

  • A organização do SangriAgosto é da exclusiva responsabilidade da Junta de Freguesia do Fundão e da Associação Comercial e Industrial do Concelho do Fundão.
  • A CMF é sim responsável pela organização do Festival Cale, o festival de artes de rua que ocorre em simultâneo com o SangriAgosto no fim-de-semana de 2, 3 e 4 de Agosto, sendo no entanto um evento distinto deste último.
  • Ao que foi possível apurar, esta tourada é da responsabilidade de um promotor público, não havendo quaisquer dinheiros públicos envolvidos na sua realização.
  • Até ao momento ainda não deu entrada na CMF qualquer pedido ou informação oficial sobre a realização desta tourada.

À luz disto (digo eu agora) é caso para perguntar:


No que estavam a pensar a Junta de Freguesia Fundão (Dar Fundão) e a ACICF quando deram o seu aval à realização de um evento sabendo à partida que este iria ser fracturante e provocar divisões no seio da população do Fundão, permitindo a sua inclusão no cartaz do SangriAgosto, evento que devia ser de agregação da população? A tourada pode ser promovida por um privado mas ao incluí-la no cartaz e ao dar-lhe o nome "SangriAgosto" é a cumplicidade com a sua realização que estão a assumir.


É lamentável senhor presidente da JF e senhor presidente da ACICF que por essa falta de visão tenham ferido duplamente de morte o SangriAgosto, quer pela fractura que provocaram na população, quer pela subversão do nome "Sangria" que, inevitavelmente, terá a partir de agora outra conotação.


Já agora, o que tem a ver uma tourada com a dinamização do centro antigo do Fundão? De que forma vai beneficiar o comércio tradicional do Fundão? Em que estratégia de promoção do nome do Fundão se insere esta iniciativa? 


São de facto questões às quais todos gostaríamos de ter respostas.



quarta-feira, junho 05, 2013

A não perder! Festa da Cereja 2013


É já depois de amanhã que tem início mais uma edição da Festa da Cereja, um evento que se tornou já uma referência a nível nacional e no qual a Cereja do Fundão é rainha.

Ao longo de 4 dias, a aldeia de Alcongosta transforma-se para acolher os milhares de visitantes que aí poderão encontrar muita música, animação e tasquinhas com inúmeras iguarias sem qualquer respeito por dietas (como o genuíno pastel de cereja do Fundão) e um verdadeiro caleidoscópio de licores (vale a pena recordar as imagens das festas anteriores clicando aqui e aqui).

O genuíno pastel de cereja do Fundão

Receita original da Escola de Hotelaria e Turismo do Fundão, pois claro!

Mas nem só de sabores e música se vai fazer a Festa da Cereja. Na manhã de Domingo haverá um passeio pedestre que, ligando partindo do Fundão, permitirá aos participantes percorrer o belíssimo vale do Alcambar, por entre pomares de cerejeiras -a página do evento no Facebook pode ser visitada clicando aqui- e, em paralelo, irá decorrer um passeio fotográfico na zona de Alcongosta. A página deste último evento pode ser visitada clicando aqui.



Como sempre, a organização disponbiliza um serviço de transporte por autocarros, a partir do Fundão e a partir de uma zona de estacionamento junto a Alcongosta a preços simbólicos. Já agora, a CP também disponibiliza um pacote especial de transporte pela linha da Beira Baixa, o comboio da cereja, que, para além da viagem em si, inclui ainda alguns extras (ver aqui).

Em suma, não há desculpas para não ir, pois não?

PROGRAMA

Sexta-feira, 7
18.00h  Inauguração
Animação de rua – Grupo de Bombos de Alcongosta, Grupo de Bombos das Donas; Grupo de Bombos da Casa do Povo do Souto da Casa, Grupo de Cantares Ponto e Linha e Pifaradas do Álvaro – Unhais da Serra.

Sábado, 8
15.00h  Ateliers Petits Chefs
16.00h  Live-cooking Chef Nuno Bergonse
17.00h  Live-cooking Chef António Melgão
22.00h  Concerto Pensão Flor
Animação de rua – Tuna da Academia Sénior do Fundão, Grupo de Bombos do Alcaide, Grupo de Bombos da Barroca, Grupo de Cantares Nossa Senhora do Mosteiro do Freixial, Grupo de Cantares da Escola Secundária do Fundão, Grupo de Bombos dos Três Povos e Grupo de Bombos da Associação de Cultura e Lazer S. Sebastião – Barco.

Domingo, 9
9.00h    Passeio Pedestre na Rota da Cereja 
15.00h  Ateliers Petits Chefs
17.00h  Live-cooking Chef Nuno Bergonse e Chef Miguel Laffan
18.00h  SOMBRAS – Teatro de sombras para famílias
22.00h  Concerto Melech Mechaya
Animação de rua – Grupo de Cantares de Santo André, Folia Talabara – Bombos da Capinha, Grupo de Bombos da Fatela, Grupo de Cantares Associação de Solidariedade de Silvares, Grupo de Bombos do Paço – Canas de Senhorim, Grupo de Bombos Pedra e Racha – Nogueira de Cravo, Grupo de Estrelas da Gardunha e Associação de Acordeonistas da Beira Baixa.

Segunda-feira, 10
Animação de rua – Fanfarra dos Escuteiros – Valverde, Grupo de Cantares dos Três Povos, Grupo de Bombos do Castelejo, Grupo de Cantares da Barroca e Associação Cultural e Recreativa Bombos de S. Tiago (Vila Nova de Cerveira).
15.00h  Ateliers Petits Chefs
16.00h  Live-cooking Chef Miguel Laffan

16.00h  Concerto de encerramento – Banda Filarmónica Silvarense


quarta-feira, março 06, 2013

Crónica de uma manhã surreal

Quando acordei estremunhado na última manhã de Sábado, estava convencido que aquela iria ser uma manhã sem grandes aborrecimentos. O carro tinha sido devidamente reparado, para garantir que iria trocar um boletim cor-de-rosa por um verde no centro de Inspecções, após o que iria dar um rápido salto ao cabeleireiro para um corte de boas-vindas à Primavera. O que poderia correr mal? Tudo!

O percurso até ao carro foi feito a passo lento, o suficiente para permitir à cafeína ter um efeito considerado satisfatório no organismo. Junto ao carro, alguns pedaços de plástico estavam espalhados pelo passeio, facto que me levou a formular um pensamento de censura para com o desleixo de alguns habitantes na via pública.

Foi já dentro do carro que, após o rodar da chave e alguma insistência terem conseguido pôr o motor a trabalhar, ao olhar para o espelho retrovisor do lado direito, percebi que o espelho... não estava lá! Claro que essa ausência veio finalmente trazer-me uma perspectiva totalmente diferente sobre a natureza dos pedaços de plástico que eu avistara junto ao carro.

Aparentemente, pelo que vim a saber depois, alguns cidadãos haviam decidido sair de casa na noite de Sexta-feira, para aliviar o stress intenso das preocupações da semana e, por uma questão de precaução, haviam também decidido deixar os neurónios em casa, não fosse o diabo tecê-las e perderem-nos na confusão da noite do Fundão. Foi portanto com a frescura de espírito de uma ameba lobotomizada por jardineiro amblíope que se encontra ainda sob o efeito da anestesia, que decidiram que, não só o meu carro, mas todos os veículos que se encontravam nas imediações, não precisavam de espelho retrovisor. Gabo a paciência e o esforço deste valoroso grupo de cidadãos.

Foi portanto sem grandes esperanças, que fui até ao centro de inspecções e perguntei ao primeiro funcionário que encontrei se valia a pena sequer meter o carro na fila. A resposta negativa não me surpreendeu e fiz-me de novo à estrada, desta vez rumo ao posto da GNR. Foi aí que confirmei que várias pessoas haviam já apresentado queixa nessa manhã e que o melhor que eu teria a fazer seria anexar um orçamento ou uma factura à queixa, razão pela qual decidi não a fazer de imediato.

Quando me preparava para sair, os meus olhos passaram pelo placard atrás do soldado da GNR com quem falava e, para minha abismal surpresa, reconheci a fotografia que preenchia um aviso de pessoa desaparecida que aí se encontrava afixado! Tratava-se de uma ex-aluna minha do 1º semestre deste ano lectivo. Da conversa fiquei a saber que tinha sido a escola a comunicar o desaparecimento da aluna, de cujo paradeiro ninguém sabia havia já alguns dias. Após ter fornecido as informações de que dispunha, que pouco ajudarão ao caso, saí do posto ainda a tentar encaixar esta última triste novidade que, à data deste artigo, continua actual.

Vá lá que nem tudo foi mau nessa manhã. Pelo menos não perdi nenhuma orelha no cabeleireiro. 





terça-feira, fevereiro 12, 2013

A Gardunha tem mais encanto... vestida de branco!


Após o nevão da última noite, o maciço central da Serra da Gardunha acordou hoje coroado de branco. A tentação acabou por ser mais forte e, apesar de já haver pouca luz, não resisti a fazer uma pausa no trabalho para dar um pulinho até perto da Penha. O resultado deste quase inesperado raide fotográfico é este que partilho aqui com vocês.

Vista do posto de vigia a partir do sítio "das Antenas".

Já quase no posto de vigia, os pinheiros vestem-se de branco.

Até a vegetação rasteira caprichou na vestimenta.

Idem aspas.

A meio caminho entre o posto de vigia e a Penha. Conseguem ver o gigante a olhar para o céu?

Um pinheiro solitário enfrenta o vento.


O Castro da Senhora da Penha coberto de neve! Infelizmente, a hora e as condições climatéricas que se agravavam não recomendaram a subida.

O Castro da Senhora da Penha, ou simplesmente a Penha, visto de perto.

Árvores I

Árvores II. Diferentes formas e posições, quase como bailarinas.

Aos pés da Penha, a aldeia histórica de Castelo Novo.

No regresso, o posto de vigia visto de outro ângulo.

Mais uma árvore solitária junto ao posto de vigia.



Do posto de vigia, o Fundão surge "entalado" entre a neve e as nuvens. Ao fundo, a Estrela deixa perceber apenas as franjas do seu manto branco. O vento que soprava furiosamente e as temperaturas abaixo de zero não permitiram registar muito mais.

Já perto da casa do guarda de Alcongosta, o espectáculo da Cova da Beira iluminada pelas luzes do Fundão e, lá ao fundo, da Covilhã.


terça-feira, dezembro 04, 2012

O Fundão voltou a encorrer os espanhóis!

Na passada noite de 30 de Novembro para 1 Dezembro, a população do Fundão cumpriu novamente a tradição de sair em arruada pela zona antiga da cidade para "encorrer os espanhóis". Seguindo atrás da Banda Filarmónica de Peroviseu e cantando o Hino da Restauração, os participantes percorrem o mesmo percurso, ano após ano.

A concentração para a arruada faz-se pouco antes da meia-noite diante da Câmara Municipal do Fundão, ao redor do pelourinho. A temperatura que se faz normalmente sentir desaconselha a impaciência e os mais madrugadores têm normalmente de se abrigar na "Nanda" ou no "Verdinho" para um retemperador café ou uma encorajadora jeropiga.

O Pelourinho do Fundão bem guardado. Uma reconstrução do século XX do original demolido no século XIX, do qual apenas se guardou a parte terminal.

Com o bater das 12 badaladas que se despedem Novembro e acolhem o dia da Restauração, devidamente acompanhadas pelo contar em uníssono pelos presentes, acende-se a iluminação de Natal do Fundão (de há uns anos a esta parte reduzida à Praça do Município por força das circunstâncias económicas) e a banda começa a tocar o Hino da Restauração:

Portugueses celebremos
O dia da Redenção
Em que valentes guerreiros
Nos deram livre a Nação.

A Fé dos Campos de Ourique
Coragem deu e valor
Aos famosos de Quarenta
Que lutaram com ardor.

P'rá frente! P'rá frente!
Repetir saberemos 
As proezas portuguesas.

Avante! Avante!
É voz que soará triunfal.
Vá avante mocidade de Portugal!
Vá avante mocidade de Portugal!


Nem todos conhecem a letra mas, com alguma boa vontade e umas cábulas estrategicamente distribuídas, lá se forma um coro satisfatório que parte rumo às emblemáticas ruas antigas do Fundão. 

A iluminação natalícia da Câmara Municipal do Fundão

O pelourinho decorado a preceito


Pelo caminho, há quem se atreva a assistir à janela ao passar da comitiva. Com os devidos agasalhos, claro!

O percurso termina no ponto de partida. Nesta altura percebe-se, pela dimensão mais reduzida da comitiva que a determinação em "encorrer os espanhóis" por parte de alguns participantes foi vencida pelo frio. Os "sobreviventes" voltam a concentrar-se entre o pelourinho e a Câmara Municipal para, desta vez, ser tocado e cantado o Hino Nacional.

O regresso à Praça do Município I

O regresso à Praça do Município II

Nova concentração entre o pelourinho e a Câmara Municipal

Uma cidadã fundanense anónima fazendo questão de registar o momento para a posteridade...

Tudo a postos para cantar o Hino Nacional!

A arruada deste ano contou com a simpática presença de uma grupo de jovens espanhóis que, apesar da temática da arruada, não se coibiram de participar e de gritar um impertinente "Viva España!" no final. No fundo eles próprios gostariam por esta altura de poder "encorrer" alguns dos seus conterrâneos. 

Finalmente canta-se o Hino. O coro é algo desafinado mas o que conta é a alma com que se canta. Alguns monárquicos, uns mais a sério do que outros, com bandeira e tudo, fazem questão de aproveitar a ocasião para lembrar que ainda há quem sonhe com o regresso da Monarquia. Politiquices à parte, que a meu ver nada trariam de novo ao cidadão comum, há que saudar o fair play de quem, sendo monárquico, não se abstém de entoar a Portuguesa, o Hino "republicano" que substituiu o Hino da Carta em 1911.

A Portuguesa, versão 2012


Até Martim Calvo o "povoador" de meia espada parece espantado com tamanho fragor!


Qual é afinal a origem desta tradição?

A origem desta arruada perde-se na memória. Se perguntarmos a qualquer fundanense com mais idade, a resposta será invariavelmente "já o meu pai ou avô não se lembrava de quando começou". É possível que esta tradição remonte mesmo à época da Restauração, dados os antecedentes da união ibérica de 1580 a 1640.

Então, com a sorte do Reino a decidir-se no confronto entre os espanhóis e os leais a D.António,  prior do Crato, o Fundão aderiu à causa deste último que se mostrou simpático para as pretensões da povoação em separar-se do concelho da Covilhã e ser elevada a vila, formando com isso o seu próprio concelho. Aliás, o Fundão não esperou e, unilateralmente, declarou-se como vila!

Ora a 22 de Novembro de 1580, a pretexto da visita de um meirinho da Inquisição, vindo de Lisboa, que chamando um outro meirinho da Covilhã, quis prender os cristãos-novos do Fundão, a população sublevou-se sob o comando do Capitão Estêvão de Sampaio, vereador do Fundão na Covilhã, expulsando violentamente os meirinhos, em defesa dos "seus" cristãos-novos e aproveitando também para vincar ali a sua posição de autonomia. Foi Sol de pouca dura. Tanto o Santo Ofício como as próprias autoridades da Covilhã abateram-se mais tarde com mão de ferro sobre o Fundão, resultando em processos que duraram cerca de 2 anos.

Com a derrota do prior do Crato na batalha de Alcântara, esfumou-se também o sonho de autonomia fundanense que terá sem dúvida ganho novo alento com a Restauração de 1640. Seria preciso esperar até 1747 para finalmente cumprir o sonho de criação do Concelho do Fundão mas, sem dúvida, o fim do reinado dos "Filipes" em Portugal terá sido efusivamente celebrado como um sinal de mudança e de esperança no futuro desta aldeia que sonhava ser vila. Terá começado por essa época a realização da arruada? É uma hipótese, que vale o que vale.

Já no século XX, no cumprimento da tradição, os espanhóis que a arruada queria encorrer passaram a ser escritos entre aspas. Espanhóis eram todos aqueles que o povo queria ver bem longe, não podendo no entanto manifestá-lo abertamente. Mais que uma celebração, tornou-se uma declaração política pública camuflada.

Hoje, mais que nunca, ocorre-me uma série de "espanhóis" que bem gostaria de ver longe do país. Também me ocorre que já seria tempo de se homenagear um tal de Estêvão Sampaio, herói do Fundão, que me parece ser uma figura muito mais relevante que Martim Calvo. Não concordam, fundanenses?

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