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segunda-feira, setembro 28, 2009

PS vence mas fica com amargo de boca


O Partido Socialista foi, segundo José Sócrates, o grande vencedor da noite. Será que foi mesmo? O PS obteve 37% dos votos, ou seja, menos 8% que nas legislativas anteriores e menos 25 deputados, o que ainda assim lhe garante a maioria relativa mas... não a estabilidade governativa.


O PSD apenas obteve mais 3 deputados, tendo agora 78, muito pouco para quem pretendia colocar a sua líder como primeira-ministra e que pode ler aqui uma avaliação sobre uma certa forma de estar na oposição. O CDS foi o grande protagonista das legislativas ao ganhar mais 9 deputados, número que lhe permite afirmar-se como 3ª força política da Assembleia, à frente de um Bloco de Esquerda que, apesar de ter um resultado muito positivo (duplicou a sua representação de 8 para 16 deputados), ficou aquém das expectativas que chegou a alimentar durante a campanha e à luz da ultrapassagem pelo CDS. Por último ficou a CDU que não conseguiu cativar os desencantados com o PS e apenas subiu de 14 para 15 deputados.


Conhecidos os resultados e dado o contexto actual a pergunta é legítima: Será que este Governo vai sobreviver os normais 4 anos ou vamos ter eleições antecipadas? A única certeza é que a vida de Sócrates não vai ser nada fácil nos próximos tempos, com o Bloco e a CDU a mostrarem-se reticentes perante a ideia de uma coligação e com a particularidade de o PSD e o CDS, em conjunto, terem mais votos que o PS, o que pode promover uma concertação de direita contra os socialistas.


Sócrates tem por isso duas hipóteses: ou avança para uma coligação com o BE (menos difícil) ou com a CDU, ou em alternativa avança para uma governação feita de acordos pontuais com diferentes partidos consoante as matérias a legislar, hipótese esta que me parece mais provável. Independentemente do caminho a seguir, vamos ter a oportunidade de ver nascer um novo Sócrates, o Sócrates negociador, dialogante e... finalmente mais humilde, tanto assim que espero ouvi-lo dizer num futuro próximo que ainda está para nascer primeiro-ministro mais humilde que ele. Para já pode deduzir que os mais de 500.000 votos (Olha! Será que foram os desempregados oficiais?) que lhe fugiram são sem dúvida um aviso sério do descontentamento nacional relativamente às políticas do Governo. 


O período auto-determinístico do Governo terminou. A partir de agora ou Sócrates aprende a dialogar ou então mais vale marcar já as próximas legislativas.




Outros factos do katano!


Entre os muitos resultados do escrutínio, há um que se destaca e que é sem dúvida o grande resultado obtido pelo PTP que ultrapassou mesmo o POUS, fruto sem dúvida da superior qualidade da sua campanha televisiva e do esclarecimento das suas ideias em detrimento da genialidade das propostas do POUS que o país não compreendeu. Os trabalhistas obtiveram 4.789 votos contras os 4.320 dos adeptos da 4ª Internacional, sendo agora a 14ª força política nacional com 0,08% dos votos.


Em Vilar de Mouros tentaram poupar o dinheiro dos contribuintes e para o efeito foram colocados à disposição dos eleitores boletins de voto das últimas eleições europeias. O lapso só viria a ser detectado após 35 eleitores terem votado e, certamente, quando alguém terá chamado a atenção para o facto de o boletim mencionar o POUS mas não o PTP.


Alberto João Jardim pôs o dedo na ferida e referiu que o país tem "um problema de regime" e que não sabe como se pode resolver. Pessoalmente também não sei como resolver o problema de regime do país mas o problema de regime de Alberto João por outro lado é fácil de resolver: menos lípidos, menos hidratos de carbono e mais fibras. Ou então uma solução 2 em 1 que consiste em introduzir e fixar uma meia enrolada na boca do dirigente madeirense.


A abstenção acabou por se cifrar em 39% e tem uma explicação simples. Hoje só passou um filme de teenagers sofisticadas na TV e nenhum de animais falantes. A programação televisiva arrojada para um fim-de-semana terá pois cativado os eleitores menos motivados.

quinta-feira, julho 30, 2009

Felizmente há "Jazz na Praça da Erva"

Enquanto a minha querida Nelly sonha com umas férias animadas de arraial em arraial (especialmente aqueles em que a artista convidada é a Rosinha), aqui por Viana, um dos momentos altos do Verão acontece.


A última semana de Julho é sempre uma altura que recordo com nostalgia durante o resto do ano, pelo bem que faz à alma um toque de jazz numa noite de clima ameno. Gosto de sair à rua e a dado ponto ser guiada pelo som de um piano, de um saxofone ou bateria, à medida que me aproximo da Praça. Lá, o pequeno espaço, um dos mais belos e carismáticos da cidade que empresta o nome ao Festival, parece ser o cenário ideal para a boa música que se ouve. E ouve-se em silêncio, o caloroso silêncio de uma praça cheia de gente emudecida pela contemplação da arte, apenas rompido pelo grito das gaivotas que, vez por outra, a sobrevoam. Como se vê, o "Jazz na Praça da Erva" é um dos meus (muitos) motivos de orgulho na minha linda cidade.


Ontem foi o dia de abertura do cartaz deste ano, e não podia ter começado melhor. Sozinho ao piano, António Pinho Vargas foi protagonista de um momento belíssimo. Apresentou temas do seu último álbum "Solo", entre os quais versões para piano de músicas com mais de 20 anos, que nos são familiares. Pessoalmente, a sonoridade agradou-me muito e enquanto não arranjo cd's fui procurar uns vídeos, entre os quais estes dois, já antiguinhos, que resolvi aqui partilhar com vocês.


Não têm de quê.









segunda-feira, julho 06, 2009

Recordando o Super Blog Awards, o concurso mais desorganizado em que este blog participou

Cumpriu-se na passada quarta-feira 1º aniversário de uma data importante para este blog. Então, há um ano atrás, terminava a primeira fase do concurso Super Blog Awards, à qual os leitores e amigos deste blog aderiram de uma forma fantástica, catapultando o Blog do Katano para a segunda fase, a fase da escolha por um júri, que haveria de levar à conquista do prémio para Blog Pessoal do Ano, prémio esse que consistia num cartão-oferta com um saldo de 500 Euros.

Contudo, assim que terminou o concurso, estávamos longe de imaginar que teria início uma verdadeira odisseia para receber o prémio...

Assim, mal foi divulgada a lista de vencedores, divulgação essa que chegou a causar grande polémica, a Super Bock enviou um e-mail anunciando o facto e prometendo mais novidades sobre o prémio para breve. Chegou horas mais tarde um e-mail contendo as instruções para a colocação do dístico que ainda se encontra ao lado mas informações sobre o prémio nunca chegaram a ser enviadas.

Esta situação arrastou-se até que, já em plena quadra natalícia e nunca mais tendo tido notícias da Super Bock, enviei um e-mail perguntando se o prémio chegaria antes do Natal, e-mail esse que não teve resposta. Insisti já em Janeiro e aí obtive finalmente sinal de vida (eu que já estava pronto a ligar para o 112 para enviarem uma ambulância e também muito desodorizante para as instalações da Unicer). Na resposta ao meu e-mail, procuraram tranquilizar-me dizendo-me que não seria possível entrega o prémio antes do final do ano (aí assustei-me pois ainda só estávamos no 5º dia de 2009 mas depois deduzi que fosse erro) e que em breve entrariam em contacto comigo.

O tempo passou e, um mês depois, continuando sem notícias, fui informado pelo Visconde que o seu prémio já havia chegado. Aguardei alguns dias e como não apareceu na caixa de correio, contactei os restantes vencedores que me confirmaram que já tinham também recebido o seu prémio. Aí pensei "Tu queres ver que, derivado das minhas perguntas incómodas, eles resolveram fazer birra?" e daí, entrei em contacto com a Super Bock a 11 de Fevereiro, perguntado se havia algum motivo para o atraso na entrega do meu prémio. Na resposta, que pela primeira vez foi dada em apenas cerca de 3h e sem necessidade de repetir e-mails, recebi um e-mail extremamente lacónico:

Boa tarde,

Tal como poderá verificar na informação fornecida pelos CTT:

<Aqui inseriram um printscreen das informações do registo da carta obtida no site dos CTT>

O seu prémio foi enviado e não foi entregue na morada indicada, por esta se encontrar encerrada.

Logo, teria de ter sido levantada nos CTT.

Em principio ficará na estação de correios mais próxima durante 5 dias úteis, ou seja até à próxima sexta-feira.

Deverá, por isso, dirigir-se à estação de correios mais próxima da morada indicada e indicar o númeor (sic) de registo da encomenda:

<Aqui inseriram o número de encomenda>

Caso não seja levantado, o prémio será devolvido.

Cumprimentos Autênticos,

Marketing Super Bock


Se fiquei surpreendido pela rapidez de resposta e pela confirmação de envio da encomenda, mais surpreendido fiquei ao verificar que a encomenda se encontrava numa estação dos CTT de... Viana do Castelo, um pouco longe da estação de CTT da Avenida da Liberdade no Fundão, local onde eu esperaria poder levantar essa mesma encomenda.

Claro que a minha primeira preocupação foi dirigir-me ao site da Super Bock para confirmar os dados relativos à morada no meu registo e lá, tal como eu havia introduzido, a morada estava correcta. Enviei pois um e-mail aos Incompetentes Autênticos da Super Bock, com um screenshot do meu registo e perguntado, já que a morada constante do meu registo era do Fundão, porque carga de água o prémio havia sido expedido para Viana do Castelo. Este e-mail foi enviado ainda em 11 de Fevereiro e ainda hoje aguarda resposta...

Valeu-me no entanto a disponibilidade e enorme gentileza do Sr Fernando Rocha, chefe de estação dos CTT de Viana do Castelo, com o qual pude conversar via telefónica, que compreendeu a situação e moveu as diligências necessárias para que o prémio pudesse ser levantado sem mais problemas pela Ana, isto após um envio do postal de encomenda que teve de ser assinado por mim e reenviado por correio e que entretanto, em Correio Azul, demorou 3 dias a chegar ao destino. Deixo contudo uma palavra de apreço ao Sr. Rocha, um verdadeiro exemplo de Profissionalismo Autêntico com o qual algumas pessoas poderiam aprender!

O prémio finalmente acabou por chegar às minhas mãos, a 26 de Fevereiro, e reservava ainda uma outra surpresa. Ao abrir o envelope, pude encontrar o dito cartão-presente com o saldo de 500 Euros e uma carta de parabenização no mínimo... enfim... palavras para quê?

Vale a pena clicar para ampliar

Ao ler a carta, não pude deixar de me rir e de recordar uma frase da descrição dos Super Blog Awards:

Os Super Bock Super Blog Awards são uma homenagem a ti e a todos quantos, diariamente, celebram a língua portuguesa em total liberdade de expressão e ajudam a criar uma nova Internet, a Web 2.0.



Nota do Katano: Este artigo já estava para ser publicado desde Fevereiro mas, por um motivo ou outro, nunca o chegou efectivamente a ser. Ainda assim, numa altura em que se cumpre o primeiro aniversário de uma data relevante de um concurso que prometeu ser anual e terminou na sua primeira edição, achei que o episódio em si consegue ser intemporal e cómico. Não é que eu seja mal agradecido, pelo contrário, pois a Super Bock ajudou a divulgar o Blog do Katano e fez com que conquistasse o título de Blog Pessoal do Ano mas, ainda assim, penso que os "bloguistas" do concurso mereciam mais respeito. Quanto ao prémio, já foi gasto e bem gasto!

Cumprimentos Autênticos do Katano

sexta-feira, julho 03, 2009

Quando o Gil Eannes espiava ao serviço dos Nazis

O Gil Eannes, um navio estacionado permanentemente nas docas de Viana do Castelo, é actualmente uma das atracções turísticas da cidade, servindo ao mesmo tempo de espaço museológico, no qual os visitantes podem percorrer várias zonas do navio, e de Pousada da Juventude.

O Gil Eannes actualmente

A história deste navio, apresado pelo Governo Português aos alemães durante a I Guerra Mundial e mais tarde reconvertido nos estaleiros de Viana, está intimamente ligada à antiga frota portuguesa de pesca de bacalhau que sazonalmente se dirigia aos mares da Terra Nova, notabilizando-se pela assistência que prestava enquanto navio hospital, tendo servido também de navio correio, abastecedor de víveres e combustível. Testemunha de fantásticas histórias de coragem, o Gil Eannes também viveu um episódio mais sombrio, que quase mudou o rumo da II Guerra Mundial.


Um espião a bordo

Em 1942, a II Guerra Mundial estava no auge, e o Atlântico era palco de um constante jogo de gato e rato entre os submarinos alemães e os comboios de transporte de abastecimentos e tropas dos EUA para a Europa, de cuja passagem a frota pesqueira portuguesa era testemunha privilegiada.

Foi por esse motivo que em Junho de 1942, o operador de rádio do Gil Eannes, de nome Gastão de Freitas Ferraz, foi abordado no navio por um agente alemão, tendo sido persuadido, provavelmente a troco de dinheiro, para transmitir aos alemães as características e rumo dos comboios de navios dos Aliados que se cruzassem com o Gil Eannes. Essa informação era depois retransmitida aos comandantes dos U-Boat, os submarinos nazis, que tinham por missão interceptar e afundar os navios de abastecimento.


A sala de radiotransmissão do Gil Eannes.

Por esta altura, os Aliados preparavam a Operação Torcha que visava um desembarque no Norte de África. Esta operação foi precedida de um forte trabalho de desinformação através de agentes duplos nazis, que transmitiram à Alemanha indicações que este desembarque teria lugar em algum lugar entre a Noruega e a costa Norte francesa. Em Outubro, um comboio fez-se ao mar, transportando nem mais nem menos o General George Patton no comando das tropas que deveriam ocupar Marrocos.

Seguindo da Terra Nova para Lisboa, o Gil Eannes encontrava-se em rota de intercepção do comboio militar, colocando em risco todas as operações dos Aliados. Contudo, desde Agosto, o comando Aliado tinha já suspeitas de que alguém a bordo do navio "neutral" Gil Eannes estava ao serviço dos alemães, tendo identificado esse agente como sendo Gastão Ferraz.

Perante a iminência do encontro do Gil Eannes com o comboio e havendo já poucas dúvidas acerca das actividades do operador de rádio, os britânicos decidiram abordar o navio, prendendo Gastão Ferraz e colocando um grupo armado a bordo de forma a impedir toda e qualquer comunicação a partir do Gil Eannes.

Quanto a Ferraz, foi levado para Gibraltar tendo sido transferido para Inglaterra, onde foi submetido a interrogatório (que não deverá ter sido nada meigo), tendo acabado por confessar o seu envolvimento com os alemães. Apesar da invasão do Gil Eannes e da prisão de Ferraz ter gerado uma guerra diplomática entre Londres e Lisboa, o operador de rádio só seria libertado após a guerra, tendo sido repatriado.


Links relacionados:
Batalha de La Lys, parte 1 e parte 2

Bibliografia

quarta-feira, junho 24, 2009

Turismo em Portugal - I

Este Verão não perca a oportunidade de visitar os invulgares estendais medievais de Lapela, aldeia alto-minhota do concelho de Monção, onde a aura histórica do local se dissolve em inebriantes aromas de Tide e Omo.

quarta-feira, abril 08, 2009

Tasca hardcore

Se alguém for a Ponte de Lima e quiser provar uma Fodinha Quente como não há igual em Portugal, então só tem de ir à Tasca Os Telhadinhos e escolher essa opção no extenso cardápio que a Dona Márcia coloca à nossa disposição.

Claro que se os interessados não forem tão apreciadores e preferirem algo mais usual, podem sempre optar por uma Mamadeira Quente... No fundo, é mesmo ao gosto do freguês (que até pode simplesmente ser mais apreciador de um Cu de Galinha Recheado).



Para aqueles que não se sentiram ofendidos ou escandalizados ao ponto de fechar a página deste blog ou, por exemplo, ir de imediato expiar a culpa de terem lido tamanhos turpilóquios ao Santuário de Fátima, aqui fica a explicação que é até muito simples. Trata-se tão somente de uma tasquinha, muito famosa em Ponte de Lima, da qual o Luís me deu conta (e da qual fala no seu blog e que podemos conhecer também neste artigo) relativa à qual, por coincidência, recebi hoje um recorte de jornal por e-mail.

Depois da Casa das Ratas e da Picha Mole (em Abrantes), este é sem dúvida mais um estabelecimento que irá certamente contar com a nossa visita.



Mais um simultâneo Blog do Katano e A Funda São

segunda-feira, outubro 27, 2008

O tradicional Basquetebol de Monção


A análise deste instantâneo, obtido a partir das degradadas muralhas de Monção leva-nos á seguinte dúvida:

Ou em Monção as regras do Basquetebol têm especificidades próprias, e o campo pressupõe a existência de uma frondosa vegetação, ou então creio que a prática deste desporto está em franco declínio.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Intervenção política de rua - Exclusivo do Katano

Esqueçam o Capitão Moura e outros ícones sociais de semelhante gabarito. O nosso camarada e leitor Sephiroth captou imagens exclusivas de uma poderosa intervenção política de rua, em Ponte de Lima, na qual o orador faz um discurso sobre o estado da Nação, acusando quem tem de acusar, e não se coibindo de pôr o dedo na ferida alheia.

A prova de que, em Ponte de Lima, a política não se faz só de Queijo Limiano e de que há quem ache que "o mais sério é o José Socas" (sic)
e não tenha qualquer pudor em assumi-lo!



segunda-feira, setembro 01, 2008

De Viana ao Lindoso

Volto com este post aos 6 dias de férias no Alto Minho para descrever o percurso que fizemos de Viana ao Lindoso aproveitando um belo dia ensolarado -coisa não muito frequente-, por sinal, o único dia em que não tínhamos abordado a possibilidade de ir à praia.

Assim, saímos de Viana do Castelo rumo a Vila Nova de Cerveira pela A28, uma vez que já conhecíamos o percurso pela estrada nacional que passa por Caminha e que eu recomendo a quem não conhece. Daí, e com o rio Minho como companhia, chegámos a Lapela, uma pequena freguesia do Concelho de Monção.

Nesta aldeia, que é ponto de passagem da ecovia que liga Monção a Valença, destaca-se a impressionante Torre, último vestígio do castelo que durante centenas de anos guardou a fronteira. Esta torre terá sido erigida no séc. XIV a mando de D.Fernando durante as obras que transformaram profundamente o castelo que aqui existia desde 1130.

Infelizmente, pela sua posição e pela evolução da piro-balística, o castelo perdeu importância em relação ao de Monção e, em 1706, D. João V ordenou o seu desmantelamento para que as pedras fossem empregues na construção da fortaleza abaluartada de Monção.

A própria Torre esteve ameaçada mas resistiu ao homem e à natureza pois, para além da ameaça de ser desmantelada para que as suas pedras fossem empregues na fortaleza de Valença, sobreviveu inclusivé à queda de um raio no séc. XIX. Actualmente encontra-se ainda em bom estado e devidamente sinalizada e explicada, sendo ainda possível entrar no seu interior mediante pedido à Capitania local.

Contudo é também lamentável a insensibilidade e o desrespeito por este monumento que, na sua base, serve de suporte a vários estendais de roupa.


Continuando o nosso percurso e antes de chegarmos a Melgaço onde foi impossível parar dado o intenso movimento e falta de locais de estacionamento que a vila apresentava, passámos por Monção, uma etapa que se revelou algo deprimente.

De facto, as muralhas estão votadas ao abandono e nelas apenas prolifera vegetação. Pergunto-me se não teria sido mais vantajoso investir-se na requalificação das muralhas do que investir numa estátua do Cutileiro. Pelos vistos alguém achou que não. Melhor trabalho se fez em Valença e Almeida mas ainda tenho esperança que não seja tarde demais. A gloriosa história do castelo e das fortificações de Monção merece-o.

Depois de passarmos por Melgaço, onde, como já disse, foi impossível parar, e continuando em direcção à Serra da Peneda, houve tempo para uma paragem junto à Igreja do antigo Convento de Fiães, agora praticamente desaparecido mas com origens no séc. IX, e que terá pertencido depois à Ordem de Cister. Aproveitámos o espaço calmo e idílico que encontrámos no local para o retemperador almoço e para observar com atenção os múltiplos pormenores que, nas paredes do templo, nos dão indícios sobre as diversas alterações que sofreu desde a sua construção.


Continuando o caminho chegámos a Castro Laboreiro, com o seu castelo que faz lembrar, pela sua localização, os castelos dos Cátaros na região dos Pirinéus. Depressa se chega a ele através de um percurso de cerca de 700m bem sinalizado. O pior foi mesmo o vento que fustigava o topo do monte. Aqui, para grande pena nossa, não chegámos a ir ao planalto onde se encontra uma das maiores necrópoles megalíticas da Europa. Ficou apontada no bloquinho para uma futura ocasião.


Depois de Castro Laboreiro, seguimos para Lamas de Mouro, localidade onde descobrimos uma simpática capela medieval e um curioso forno comunitário inteiramente em granito, destoando daqueles que
foram aqui protagonistas há uns tempos atrás. Perto daqui encontra-se um centro de acolhimento de visitantes, a Porta da Peneda, local de paragem obrigatória para quem queira saber exactamente o que pode encontrar nesta região.

Depois da passagem pela Senhora da Peneda onde uma senhora já idosa nos proporcionou um momento inesquecível que será tema, só por si, para um post, chegámos ao Lindoso já ao final do dia. Quer pela paisagem, quer pela sua riqueza patrimonial, é um local de visita obrigatória. Basta dizer que o seu castelo mostra toda a evolução em termos de mecanismos defensivos desde a Idade Média até à Idade Moderna e que, junto a ele, encontramos uma concentração de mais de meia centena de espigueiros em torno de uma eira comunitária.

Posto o Sol e sob a iluminação artificial, estar no centro desta concentração de espigueiros sob o bailado dos morcegos, que nos passam junto à cabeça, é uma experiência inesquecível.


Antes do regresso, houve ainda tempo para uma visita nocturna ao Soajo, local de outra concentração de espigueiros, antes de regressarmos a Viana do Castelo, desta vez por Ponte da Barca pelo IC28 e A27.

Em jeito de balanço final, posso dizer que é praticamente impossível não se ficar a amar este local e não se querer regressar. O percurso, esse, já está definido.

domingo, agosto 31, 2008

Canídeos privilegiados

Outra das coisas que me impressionaram em Viana do Castelo foi o profundo respeito que as gentes alto-minhotas dedicam ao seu exemplar pessoal de Canis Lupus Familiaris, respeito algo invulgar e que leva por vezes a ver o simpático animal, obviamente deduz-se daqui que não se tratam de Pitbull ou outros, na primeira linha dos acontecimentos.

No instantâneo que se segue, obtido durante a procissão da Senhora da Agonia, é possível ver uma simpática senhora portando o seu próprio cão sendo notório o ar embevecido e impressionado no semblante do canídeo. O próprio espaço envolvente havia já sido previamente acondicionado de modo a possibilitar a visão sobre o campo da Agonia com um máximo de conforto. As más línguas poderão contudo opinar que o canídeo estaria de olhar fixo na panóplia de barraquinhas de farturas e não tanto no evento religioso mas tal não passa de suposições.


No instantâneo seguinte, vemos outro canídeo numa diferente postura, procurando participar no desfile etnográfico de forma menos exigente em termos físicos. Note-se o ar prazenteiro e descontraído que aparenta o animal, enquanto a sua dona desloca o carrinho no qual ele se encontra, com evidentes riscos para a coluna vertebral.


Moral da História: Em Viana do Castelo a expressão "Vida de Cão" não tem necessariamente o mesmo significado que tem noutros recantos deste imenso Portugal à beira-mar plantado.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Viana do Castelo


A chegada a Viana do Castelo coincidiu com a tradicional Romaria da Senhora da Agonia. Esta romaria é apelidada pelas gentes do Minho como a maior romaria de Portugal e, pelo que constatei, se não o for, não deverá andar longe da verdade. A agitação, o movimento e o número de pessoas que por aqueles dias encheram as ruas foram realmente impressionantes.

Por outro lado é interessante ver o nível de adesão dos vianenses a estas festas. Só para a procissão da Senhora da Agonia, por exemplo, grupos de pessoas passam a noite em claro para construirem os tapetes de sal tingido que cobrem algumas das ruas mais típicas da cidade. É sobre estes tapetes, respeitados religiosamente (passe a redundância), que passarão depois os andores dos santos no seu regresso da Procissão ao Mar, a parte do seu trajecto onde são transportados sobre água, com passagem pela foz do Lima e perante as bancadas do público instaladas à beira-rio.



Outro momento alto foi o cortejo etnográfico onde, durante quase 2h, foi possível descobrir uma Viana do Castelo com profundas ligações tanto ao mar como à ruralidade, desmistificando bastante a ideia de aristocracia que eu tinha da cidade.

Outro dos momentos importantes da festa é o concurso dos "Zés Pereiras", grupos de instrumentos de percussão, bombos e tambores, aos quais se juntam concertinas e gaitas de foles. Confinados na Praça da República, o som que os cerca de 12 grupos produzem em simultâneo torna-se ensurdecedor. Se juntarmos a isso os gigantones, enormes figuras "tripuladas" por uma pessoa, que dançam ao ritmo da música, o cenário torna-se avassalador.


Aconselho vivamente a visita a Viana por estes dias, embora os constrangimentos no tráfego e estacionamento sejam uma constante. No próximo ano lá estaremos novamente!

quinta-feira, julho 24, 2008

Uma posta dedicada à mui nobre e bela região do Alto Minho


Indo de encontro à recente revisão da política editorial regionalista deste Blog, com consequente alargamento do seu âmbito à bela região do Alto Minho, este post aborda uma temática social particularmente fascinante: a insaciável necessidade humana de obter informação.

Tirado no monte de Santa Luzia, este instantâneo ilustra uma clara situação de procura de informação. O dono do terreno, também com o seu cunho de dissuasão, mostra interesse em saber quem é o energúmeno que lhe está a subtrair cantarias e está disposto a pagar por isso, obtendo a sua própria satisfação e a compensação do investimento provavelmente mais tarde ao reestruturar a estrutura maxilo-facial do prevaricador. A maior falha reside na não actualização do valor das alvíssaras para moeda corrente e, também, na não actualização do número de contacto, embora possamos admitir que o objectivo da mensagem já terá sido alcançado e ela só não foi já apagada porque o proprietário ainda tem as mãos em gelo.

Continuando na nossa linha de actuação que granjeou a este Blog o título não oficial de veículo de serviço público, lançamos aqui o apelo:

Não roubem cantaria ao senhor, katano!!! Raio da mania...!

sexta-feira, julho 18, 2008

35 000 visitas

É um belo número que não pode passar em branco! São muitas visitas curiosas ao blog mais carismático da Beira Baixa, ou mesmo da Beira Interior, ou de qualquer Beira vá... Ouso até nomeá-lo o mais carismático do Alto Minho e das Beiras! Deixo aqui uma sugestão: porque não transformar este blog beirão num interface relacional entre estas duas regiões? Por coincidência, a região alto-minhota também é algo esquecida e ostracizada...

Mas por agora,
Parabéns Katano!!


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