sexta-feira, agosto 26, 2016

Relâmpagos sobre a Cova da Beira

O final do dia de hoje deixou no ar a ameaça de uma tempestade que se veio a confirmar após o cair da noite. Indiferente ao vento e às grossas gotas de chuva que de vez em quando caíam em grandes descargas, decidi fazer equipa com a natureza e, enquanto ela disparava o flash, eu "batia as chapas", sempre tendo Aldeia de Joanes como pano de fundo. O resultado foi bastante interessante.

O limite da tempestade que viajava para Oeste ao final da tarde . Lá ao fundo, avista-se a Serra da Estrela.



O primeiro relâmpago registado, ainda durante o dia.


Durante uma trovoada podem ocorrer vários tipos de relâmpagos, que não são mais do que descargas eléctricas entre zonas de potencial oposto (positivo e negativo). Não tendo um material condutor para circular como acontece nas nossas instalações eléctricas, a electricidade vai procurar o seu caminho entre essas zonas de diferente potencial, cujo processo de formação ainda não é bem claro. Sabe-se apenas que as cargas eléctricas acumuladas ionizam o ar, gerando canais de gás ionizado que são usados como meio condutor.

Podem ocorrer descargas horizontais ou verticais, tal como essas descargas podem acontecer apenas nas nuvens ou entre estas e o solo (nos dois sentidos). Por sorte, consegui registar alguns exemplos:



Descarga horizontal intra-nuvem.



Descargas ramificadas descendentes ligam a nuvem ao solo, gerando uma descarga súbita e muito forte (duas visíveis na imagem). 



Descargas verticais e horizontais.



Relâmpagos horizontais entre nuvens.



Com um relâmpago a acontecer mesmo por cima, na Aldeia de Joanes fez-se dia por uma fracção de segundo por volta das 23h00!

É fácil calcular a distância a que os relâmpagos ocorrem. Sabendo que a velocidade do som no ar é de cerca de 340 metros por segundo, basta contar os segundos decorridos entre o relâmpago e a chegada do som do trovão, que não é mais que a onda de choque causada pela súbita dilatação do ar devido à temperatura. Multiplicando os segundos por 340, teremos a distância aproximada a que o relâmpago aconteceu. 

É um bom exercício para fazer sobretudo se forem como eu e não resistirem a ir para a janela ou para a varanda assistir a este fantástico espectáculo.


Actualização:

Com o evoluir da noite, tivemos direito a uma nova série de relâmpagos por cima da nossa cabeça e a Noroeste:

Múltiplos relâmpagos para lá do vale do Zêzere, com a aldeia de Telhado à esquerda



Os vizinhos do lado com iluminação extra.

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