quinta-feira, agosto 28, 2014

Ecos da operação de limpeza na Serra da Estrela

Recordam-se da iniciativa de limpeza do lixo existente no cume da Serra da Estrela, realizada em Abril último, e sobre a qual aqui publiquei um artigo? O Urbi et Orbi, o jornal on-line da UBI (Universidade da Beira Interior), publicou na semana passada um artigo sobre esse evento no qual dá a conhecer mais alguns pormenores e testemunhos dos participantes, para além de trazer mais alguma luz sobre o que é afinal essa coisa do "Geocaching". Cliquem sobre a imagem. Vale a pena ler.


quinta-feira, agosto 21, 2014

A Procissão ao Mar - Viana do Castelo

A Romaria da Senhora da Agonia já começou! Sendo uma romaria com raízes nas tradições piscatórias da região, tendo começado a ser celebrada a partir do século XVIII, é pois natural que um dos seus momentos altos seja mesmo a Procissão ao Mar, uma procissão na qual os andores são transportados em barcos até ao mar e depois pelo estuário do Lima para finalmente, já novamente em terra, percorrerem as ruas da zona ribeirinha de Viana do Castelo sobre os tapetes de sal construídos durante a noite anterior.


Os espectadores vão-se aglomerando ao longo das margens e pelas praias da foz do Rio Lima.



À hora marcada, enquanto decorre a missa, as embarcações vão-se concentrando à saída do porto de pesca. A estátua que simboliza Viana, junto ao forte de Santiago da Barra (século XVI), parece indicar o caminho que vai ser seguido.


Também a zona à volta do Forte de Santiago se vai enchendo de espectadores para assistir à saída da procissão enquanto vão sendo lançados foguetes assinalando os momentos determinantes como o carregar dos andores para as respectivas embarcações. Na foto avista-se a Torre da Roqueta, a primeira fortificação a ser construída neste local e mais tarde incorporada no novo Forte construído no reinado de D.Sebastião e ampliado durante o domínio filipino. Mais atrás avista-se a torre sineira da Igreja de São Domingos.



Mais e mais embarcações vão chegando, algumas bem carregadas como se pode ver nesta foto...



...e também nesta, junto à torre de vigia na entrada do porto de pesca.



Nem só de barcos de pesca e de recreio se faz a procissão.



À medida que o tempo vai passando, os barcos continuam a chegar.



Alguns aproveitam para acostar e promover um animado convívio.



Finalmente, os barcos mais importantes começam a sair do porto. O esmero com que são decorados diz bem do orgulho que a população tem nas suas tradições, e são símbolos da sua própria identidade.



Atrás do primeiro barco, que geralmente transporta as "figuras" da região, seguem as embarcações com os andores que por norma são 4, todos eles de santos ligados à tradição vianense do mar: Senhora de Monserrate, Senhora dos Mares, São Pedro e Senhora da Agonia. Este ano, excepcionalmente e por ocasião do 500º aniversário do seu nascimento, foi incluída a figura de Frei Bartolomeu dos Mártires.



A figura da Senhora da Agonia é sempre a última a sair.



Mal as embarcações que transportam as imagens acabam de passar, são imediatamente seguidas pelas restantes em direcção ao mar. Algumas têm decorações que aludem a um outro tipo de "religião", por assim dizer.



Rumo ao mar! Aparentemente o número de passageiros por embarcação é controlado pelas autoridades. Segundo ouvi, quando os barcos estavam prestes a sair e se abria o acesso às pessoas, havia quem se atirasse para garantir um lugar na procissão, colocando em risco a estabilidade das embarcações pelo elevado número de passageiros.



A procissão segue rumo ao mar, onde um rebocador age como ponto de referência a ser contornado para inflectir rumo ao rio Lima.



Não há icebergues no caminho mas é sempre necessária muita concentração por parte dos pilotos para evitar colisões com outros barcos.



Um dos dois rebocadores da procissão.



A maior ondulação provocada pelo vento diminui quando se entra no Lima.



A falta de um barco a motor não é desculpa para a não participação. Não havendo motor, rema-se! Seja de pé...


...ou sentado.



A visão mais impressionante do porto comercial na entrada do Lima, a corveta NRP Afonso Cerqueira que se fez ouvir à passagem da procissão. Os tripulantes vieram todos à amurada registar o momento para a posteridade.



A ponte Eiffel marcou para nós o fim da procissão. Lançando âncora, aproveitámos para fazer uma simpática merenda ali mesmo no meio do rio Lima.



Para a posteridade fica o registo da tripulação do nosso iate que competiu mano-a-mano com outros iates, catamarãs, traineiras e rebocadores graças ao seu poderoso motor de 8 cavalos pilotado com mestria pelo Capitão Cadilha. Vê-se também quem mais, para além de mim, leva a sério as questões de segurança, apesar de ninguém ter feito a indispensável demonstração inicial das práticas a seguir em caso de emergência.

terça-feira, agosto 19, 2014

Porque hoje é o dia mundial da fotografia...

...decidi ir fazer o gosto ao dedo esta manhã pelas ruas de Viana do Castelo, juntando ao resultado um ou outro apontamento registado nos últimos dias pelas redondezas. Aqui estão os "bonecos".


Passagem pedonal do Viaduto de Santo António



Antigo mosteiro de Santa Ana (século XVI), adaptado a edifício da Congregação da Caridade após a morte da última freira em 1895.


Capela das Malheiras (século XVIII), mandada construir por D. António Malheiro, bispo do Rio de Janeiro.




A antiga Casa da Câmara e o Chafariz (século XVI) , dois dos elementos dominantes da Praça da República, outrora Campo do Forno, ambos construídos diante da Porta de Santiago das desaparecidas muralhas de Viana do Castelo.



Embora as instalações já mostrem pouco do esplendor de outrora, Mercúrio continua a cumprir com determinação a sua missão de vigiar a rua.


Rosácea entre as flores. A Catedral de Viana do Castelo, construída a partir do século XIV, é a sede da mais recente diocese portuguesa (1977).



Carranca na fachada da Casa dos Arcos ou Casa de João Velho, homem que distinguiu militarmente na Guiné durante o século XV. Nesta casa terá pernoitado o rei D. Manuel I na sua peregrinação a Santiago de Compostela. 



Sim, um cogumelo! Clathus archeri.




Moinho de rodízio junto à ribeira de Portuzelo




A chaminé de uma fábrica abandonada e a vegetação em luta pelas alturas.

sexta-feira, agosto 15, 2014

A Ponte do Ladrão

Junto à aldeia de Lajeosa do Mondego, no concelho de Celorico da Beira, uma interessante ponte em pedra sobre o rio Mondego quase passa despercebida ao lado do nó de ligação da A25 com o antigo IP5. Trata-se da Ponte do Ladrão, nome curioso mas que, ao contrário do que parece indicar e daquilo que acontece ali bem pertinho, não possui qualquer pórtico de portagem.



Diz a tradição local que, junto à ponte, houve em tempos idos uma estalagem que dava guarida aos viajantes e seria com certeza um descanso bem-vindo por parte de quem percorria a estrada. O pior é que o dono dessa estalagem tinha o desagradável hábito de ficar com alguns pertences dos seus hóspedes como recordação. A estalagem já há muito desapareceu mas a ponte continua de pé, embora com as guardas danificadas.



O selo do infortúnio de parar naquela estalagem "colou-se" à ponte e tornou-se um monumento à infelicidade, tanto que havia quem dissesse de quem não tinha sorte na vida que "mais valia atirar-se da Ponte do Ladrão, coitado".


A data de construção da ponte é incerta mas talvez seja do século XVI ou XVII e a matéria-prima necessária foi obtida no local, tendo em conta as marcas visíveis no terreno. Algumas das marcas de canteiro que possui assemelham-se a algumas que existem hoje na muralha de Trancoso.



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