quinta-feira, agosto 21, 2014

A Procissão ao Mar - Viana do Castelo

A Romaria da Senhora da Agonia já começou! Sendo uma romaria com raízes nas tradições piscatórias da região, tendo começado a ser celebrada a partir do século XVIII, é pois natural que um dos seus momentos altos seja mesmo a Procissão ao Mar, uma procissão na qual os andores são transportados em barcos até ao mar e depois pelo estuário do Lima para finalmente, já novamente em terra, percorrerem as ruas da zona ribeirinha de Viana do Castelo sobre os tapetes de sal construídos durante a noite anterior.


Os espectadores vão-se aglomerando ao longo das margens e pelas praias da foz do Rio Lima.



À hora marcada, enquanto decorre a missa, as embarcações vão-se concentrando à saída do porto de pesca. A estátua que simboliza Viana, junto ao forte de Santiago da Barra (século XVI), parece indicar o caminho que vai ser seguido.


Também a zona à volta do Forte de Santiago se vai enchendo de espectadores para assistir à saída da procissão enquanto vão sendo lançados foguetes assinalando os momentos determinantes como o carregar dos andores para as respectivas embarcações. Na foto avista-se a Torre da Roqueta, a primeira fortificação a ser construída neste local e mais tarde incorporada no novo Forte construído no reinado de D.Sebastião e ampliado durante o domínio filipino. Mais atrás avista-se a torre sineira da Igreja de São Domingos.



Mais e mais embarcações vão chegando, algumas bem carregadas como se pode ver nesta foto...



...e também nesta, junto à torre de vigia na entrada do porto de pesca.



Nem só de barcos de pesca e de recreio se faz a procissão.



À medida que o tempo vai passando, os barcos continuam a chegar.



Alguns aproveitam para acostar e promover um animado convívio.



Finalmente, os barcos mais importantes começam a sair do porto. O esmero com que são decorados diz bem do orgulho que a população tem nas suas tradições, e são símbolos da sua própria identidade.



Atrás do primeiro barco, que geralmente transporta as "figuras" da região, seguem as embarcações com os andores que por norma são 4, todos eles de santos ligados à tradição vianense do mar: Senhora de Monserrate, Senhora dos Mares, São Pedro e Senhora da Agonia. Este ano, excepcionalmente e por ocasião do 500º aniversário do seu nascimento, foi incluída a figura de Frei Bartolomeu dos Mártires.



A figura da Senhora da Agonia é sempre a última a sair.



Mal as embarcações que transportam as imagens acabam de passar, são imediatamente seguidas pelas restantes em direcção ao mar. Algumas têm decorações que aludem a um outro tipo de "religião", por assim dizer.



Rumo ao mar! Aparentemente o número de passageiros por embarcação é controlado pelas autoridades. Segundo ouvi, quando os barcos estavam prestes a sair e se abria o acesso às pessoas, havia quem se atirasse para garantir um lugar na procissão, colocando em risco a estabilidade das embarcações pelo elevado número de passageiros.



A procissão segue rumo ao mar, onde um rebocador age como ponto de referência a ser contornado para inflectir rumo ao rio Lima.



Não há icebergues no caminho mas é sempre necessária muita concentração por parte dos pilotos para evitar colisões com outros barcos.



Um dos dois rebocadores da procissão.



A maior ondulação provocada pelo vento diminui quando se entra no Lima.



A falta de um barco a motor não é desculpa para a não participação. Não havendo motor, rema-se! Seja de pé...


...ou sentado.



A visão mais impressionante do porto comercial na entrada do Lima, a corveta NRP Afonso Cerqueira que se fez ouvir à passagem da procissão. Os tripulantes vieram todos à amurada registar o momento para a posteridade.



A ponte Eiffel marcou para nós o fim da procissão. Lançando âncora, aproveitámos para fazer uma simpática merenda ali mesmo no meio do rio Lima.



Para a posteridade fica o registo da tripulação do nosso iate que competiu mano-a-mano com outros iates, catamarãs, traineiras e rebocadores graças ao seu poderoso motor de 8 cavalos pilotado com mestria pelo Capitão Cadilha. Vê-se também quem mais, para além de mim, leva a sério as questões de segurança, apesar de ninguém ter feito a indispensável demonstração inicial das práticas a seguir em caso de emergência.

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