segunda-feira, junho 02, 2014

Pela Rota da Portela (PR6 - Fundão)


Tendo decidido explorar os novos trilhos que recentemente foram marcados na Serra da Gardunha, começámos ontem pela Rota da Portela, o percurso de Pequena Rota (PR) nº6 do Fundão que liga as localidades de Alcaide a Vale de Prazeres de forma circular. Foi um percurso que proporcionou algumas surpresas agradáveis e um ou outro desafio inesperado.

10,3km, subida acumulada 500m, declive máximo 30% (subida) e 40% (descida) - dados Google Earth. 

Começámos o percurso na praça principal da aldeia do Alcaide partindo rumo às alturas dos contrafortes da Gardunha. A subida não foi particularmente desafiante, tendo sido apenas mais exigente nos últimos metros. Chegados ao ponto mais alto do percurso logo após pouco mais de 2km, fomos brindados com a habitual beleza de uma paisagem que denuncia a Gardunha como serra de fronteira entre o Norte montanhoso e o Sul de planície. Vieram à memória as palavras de Orlando Ribeiro, o nome maior da Geografia portuguesa

"(...)o contraste é impressionante entre as serranias que, pelo Norte, barram o horizonte próximo e o planalto a que se não vê o fim: sobre ele, as manchas de verdura vão-se tornando cada vez mais desbotadas, indecisas e distantes. Na verdade, é o Alentejo que se anuncia."

Uma vista da vertente Sul da Gardunha onde se avistam a aldeia de Vale de Prazeres e, mais ao fundo, a vila de Alpedrinha

Vale de Prazeres, povoação que terá adoptado este nome a partir do século XVII por questões de marketing , procurando com isso atrair habitantes

A partir do alto, depressa chegámos a Vale de Prazeres, embora com cuidados redobrados para não chegarmos demasiado e pouco saudavelmente depressa perante a acentuada inclinação da descida. Cruzando-nos com poucos habitantes, fizemos uma pausa já no outro extremo da aldeia, num local bem simpático onde se encontra um chafariz do qual brota uma água bem fresquinha. 

Chafariz e lavadouro de Vale de Prazeres.

"Fresca e boa"!

Após um momento para descansar um pouco e reforçar o conteúdo do estômago, fizemo-nos de novo ao caminho, longe de sabermos que estava para começar a parte mais difícil do caminho, já que a subida até à Portela se viria a revelar algo difícil e, a dada altura, só por respeito à longa tradição do seu emprego pela nossa espécie não abdicámos do bipedismo. Mas que chegou a ser sugerido, isso chegou.

Do mal o menos, voltámos a desfrutar de uma bonita paisagem e ainda tivemos o privilégio de observar alguns exemplares da fauna local.

Uma vista que se estende desde a estação ferroviária de Vale de Prazeres, imediatamente antes da povoação da Cortiçada, até ao monte-ilha de Monsanto (ver aqui) e, para além dele, até às cristas quartzíticas de Penha Garcia.

Atentamente observados do alto por uma ave de rapina (águia calçada?)..

...e mais de perto por um esquilo que parecia estar a achar piada ao nosso esforço.

O esforço acabou por compensar e conseguimos finalmente chegar à Portela e à Curva Grande da N18 que muitos conhecem como "curva do ciclista" embora desconheça o porquê desse nome. A partir daí, o regresso à aldeia do Alcaide fez-se sempre a descer.

Como se isso não bastasse como recompensa pelo esforço da subida, fomos brindados com um percurso feito por entre pomares de cerejeiras bem carregadas.

O Alcaide, a Serra de Peroviseu, a Covilhã e a Serra da Estrela.



Cerejas!!

Um indivíduo anónimo parecido com o Bruno resolve provar umas cerejas que estava ali mesmo a pedi-las de forma a poder complementar este artigo com informação rigorosa sobre a qualidade das mesmas. Graças ao seu esforço, estamos em condições de avançar que as cerejas eram de altíssima qualidade.


O Alcaide terá sido sede de concelho embora seja impossível precisar datas. Ainda hoje, é possível ver a antiga casa da câmara, com o brasão de armas reais ladeado por duas esferas armilares manuelinas, portanto do século XVI. A torre sineira visível na imagem, construída em 1694, fendeu-se devido ao grande sismo de 1755 (dito "de Lisboa"), sendo essa fenda ainda visível.

Resumindo, o PR6 é um percurso simpático com uma ou outra inclinação mais acentuada que o torna pouco indicado a idosos ou crianças, sendo bem mais fácil de fazer no sentido horário. Existe uma pequena variante que percorre a crista da elevação e que reduz a distância total em cerca de metade mas que lhe tira algum interesse já que, na nossa opinião, apesar da inclinação da subida, a parte mais interessante é mesmo o troço Vale de Prazeres - Alcaide com a passagem pela Portela (a primeira metade passa por uma zona deflorestada). 

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