quarta-feira, abril 16, 2014

Destas pontes só há duas em Portugal


Situada no concelho do Sabugal, a Ponte de Sequeiros é um dos dois únicos exemplares de pontes fortificadas que subsistem em território português, correspondendo o outro à ponte de Ucanha, Tarouca.

Embora pouco sobre da torre que outrora se erguia na extremidade pousada na margem direita do rio Côa, a ponte não deixa de ser impressionante pela dimensão e pelo seu bom estado de conservação. Na torre é ainda possível ver os encaixes das duas portas, uma delas de guilhotina.




Sobre a data de construção da ponte é que ninguém se parece entender. Na sinalética encontrada em Vale Longo a ponte é dada como romana, em alguns sites é descrita como "medieval de estilo romano", noutros sites e nos painéis interpretativos a ponte é apontada como sendo do século XIII e sendo ponte de fronteira (o Rio Côa era até ao Tratado de Alcanizes a fronteira entre o reino de Portugal e o reino de Leão e Castela), enquanto que a informação disponibilizada no Sistema de Informação para o Património Arquitectónico afirma que a ponte terá afinal sido construída em 1447, embora pareça ali haver alguma confusão geográfica.

Isto para não falar da discussão em torno da localização da própria ponte já que esta é reclamada de igual forma pelos habitantes da antiga freguesia de Vale Longo, hoje "União das freguesias de Seixo do Côa e Vale Longo", e pelos de Badamalos, hoje "União das freguesias de Aldeia da Ribeira, Vilar Maior e Badamalos".



Esta ponte, à época uma das poucas pontes sobre o Côa, era local de pagamento de portagem sendo a sua cobrança assegurada por uma pequena guarnição instalada na torre. As alternativas à ponte era a passagem a vau ou por barca que não eram isentas de risco, sobretudo quando a corrente do Côa era mais forte. As portagens foram ao longo da Idade Média uma fonte privilegiada de receitas tanto para a nobreza como para o clero. O seu valor, geralmente agravado para os não residentes na zona, podia depender do valor das mercadorias e do número de pessoas da comitiva que pretendia atravessar o rio. 

Embora na altura um qualquer visionário que anunciasse que, um dia, as portagens da província da Beira haveriam de ser concessionadas através de umas tais de PPP e, mais ainda, ousasse dizer que a prosperidade das gentes da dita província da Beira seria tal que as portagens haveriam de ser as mais caras do Reino, provavelmente fosse parar à fogueira por estar a dizer coisas do demo, as portagens são prática que já vem de longe.

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